VEJA O QUE SE ESCONDE NA MANSÃO ABANDONADA DE CLODOVIL HERNANDES: FORTUNA, AMORES E TRISTE FINAL

Era um homem rico, famoso, polémico, poderoso, um homem que tinha transformou lápis de desenho em dinheiro a sério. E esse dinheiro precisava de ir para algum lado. Ele foi, foi parar a um terreno de quase 5.000 m², escondido numa colina de Ubatuba, no meio da Mata Atlântica, longe das câmaras, longe de São Paulo, longe da política.

Era ali naquele pedaço de mata virgem de frente para o mar, que o clodovil, que o Brasil conhecia deixava de existir e aparecia outro clodovil. E o que ele construiu naquele lugar, quem viu de perto nunca esqueceu. Quem chegava a casa pela primeira vez chegava impressionado. Não era o tipo de mansão que vê em condomínio de luxo alinhada com outras 10 iguais.

Era diferente. Era uma casa que parecia ter sido construída para esconder o proprietário do resto do mundo. Para entrar, subia-se uma estradinha estreita no meio da floresta atlântica até chegar a um portão no alto da colina. E dali, quando o portão abria, via-se aquilo. Quase 5.000 m² de terreno, 20 divisões, nove quartos, 12 casas de banho, piscina com vista para o mar, abastecida por uma mina da própria floresta, jardim de inverno, sauna, lago, hidromassagem, uma casa que tinha mais quarto do que muito hotel,

cinco estrelas de São Paulo. E no meio de tudo isto, uma capela. A capela foi Clodovil que mandou fazer em homenagem ao mãe adoptiva, a dona Isabel, aquela espanhola que o criou em Elisiário. Quem conhecia a ele sabia. Mãe, para Clodovil era assunto sagrado. Num homem que não tinha um filho, não tinha mulher, não tinha marido, a mãe era o centro afetivo de tudo.

E a capela no meio da mata era o maneira dele deixar isso construído em pedra. Mas se pensa que esta mansão era séria, elegante, discreta, esquece, porque havia um pormenor naquela casa que nenhum arquiteto no Brasil tinha coragem de colocar no próprio projeto. Do lado do jacuzzi, ao ar livre, no meio do jardim, bem à vista, Clodovil mandou instalar um vaso sanitário.

Isso mesmo, uma casa de banho sem paredes, sem parede, sem porta, sem nada. Quem estava na festa, na piscina, no bosque, se quisesse, utilizava e ria. E a gente olhando de fora compreende o que aquilo significava. Era o clodovil inteiro ali, resumido num pormenor, excentricidade, humor, provocação. Ele fez aquela casa como ele era.

Por dentro, a mansão não era de descrição. Reportagens da época descrevem salas denominadas exóticas por quem visitava. Uma suí marcante que quem dormiu lá nunca se esqueceu. Objetos de decoração espalhados que pareciam peças de museu e tem uma ex-funcionária que conta até à existência de passagens secretas dentro da casa, corredores escondidos que só ele conhecia.

E Clodovil não vivia ali sozinho, não. No auge, a casa tinha seis funcionários fixos. Seis. Só em Ubatuba, motorista, segurança, babysitter. Dizia que gostava de ter gente ao redor, gostava de gente a bajular, gostava de ser servido e dividia esse palácio com mais 14 moradores, 14 Os cães da raça Pug, que andavam soltos pela casa e pelos jardins.

Imagina a cena. Uma casa com 20 divisões, capela no quintal, casa de banho ao ar livre, seis funcionários, 14 cães pug, piscina com vista para o mar. E no centro disto tudo, o Clodo ouviu de chinelo, calções, chapéu de palha, apanhar fruta no quintal. Quem via em fotos encontrava um homem do interior.

Quem via nas festas via outra coisa completamente diferente. Porque é que um homem não constrói uma casa destas só para viver, ele constrói para mostrar. E o que acontecia dentro destas paredes, nos verões de Ubatuba, era algo que aquele pedaço de costa nunca tinha visto antes. As festas começavam quando o sol punha-se.

Quem trabalhou na casa conta que Clodovil mandava acender tochas de fogo por toda a mata. Tochas de verdade, de chama aberta, daquelas que só havia em festas de cinema. A mansão vista de longe parecia um castelo iluminado no meio do mato. Os convidados iam chegando aos poucos, subindo à pequena estrada de carro e o que encontravam lá em cima era outra realidade.

Garções uniformizados em todo o canto, todos escolhidos a dedo, todos bem apresentados, bebida a rolar sem parar. convidados que víamos na televisão durante a semana ali de chinelos, relaxados, conversando nos cantos da casa e festas que não acabavam numa noite, festas que duravam dois, tr dias. O pessoal dormia na casa, acordava, almoçava, voltava para a piscina e continuava.

Todo o mundo queria ser convidado para as festas do Clodovil em Ubatuba, mas só entrava quem ele escolhia. Era a vida que levava. E para levar esta vida precisava de muito dinheiro. O Clodovil tinha e o Clodovil gastava. Mas a forma como ele gastava é que é a parte que deixa qualquer um dos queixo caído. Quem conviveu com ele conta uma história que resume tudo.

Clodovil estava a passar por uma loja qualquer dia destes e viu um espelho na montra. Não foi amor à primeira vista, não foi obsessão. Ele entrou na loja, perguntou as medidas, perguntou lá o material, perguntou se a moldura era cravejada com cristal Suarovski. era. Perguntou se o espelho era blindado, perguntou tudo e comprou 40.000 R$.

Para terem uma ideia do que era R$ 40.000 na altura, dava para comprar um carro zero à saída da concessionária. Dava para comprar uma casa simples no interior, dava para pagar a escola particular de um filho durante anos. Era dinheiro a sério. O espelho foi entregue na mansão, foi pendurado na parede e Clodovil parou na frente, deu cinco, seis passos para trás, cruzou os braços e ficou a olhar.

15 minutos, 15 minutos a olhar para o espelho e virou-se para o funcionário que estava ali ao lado e falou assim com aquela voz dele: “Tira lá essa porcaria, guarda no quartinho de despejo”. Uma hora eu encontro um destino para isso. R$ 40.000, 15 minutos na parede, quartinho de despejo e o espelho nem foi o pior.

Quem conviveu com ele jura que este tipo de coisa acontecia todas as semanas, quase todos os dias. Clodovil comprava, olhava, não gostava, mandava guardar. Comprava, usava, uma vez esquecia-se. A casa em Ubatuba ia engolindo dinheiro, os seis funcionários fixos também, as festas também.

Mas tinha um pormenor sobre o dinheiro do Clodovil, que ele próprio fazia questão de deixar claro e que a gente precisa de ouvir com a voz dele. Numa entrevista que ficou célebre, Clodovil disse o seguinte: “O meu dinheiro deito fora, não tenho, sou, sou mesmo perdulário. Eu nunca guardei nada, porque não vou levar nada para o cemitério, nem nem o corpo a gente leva.

O meu dinheiro jogo fora. Eu sou perdulário mesmo. Eu nunca guardei nada, porque não vou levar nada para o cemitério, nem nem corpo levamos. Esta frase diz mais sobre ele do que qualquer biografia. Perdulário. Ele mesmo usava a palavra. Não é que ele não sabia o que estava a fazer. Ele sabia. Ele escolhia.

Para Clodovil, o dinheiro era para gastar, era para viver, era para queimar enquanto tivesse vida. Ele dizia que não ia levar nada para o cemitério e fez questão em vida de provar isso. Só que esta filosofia tem consequência. Um homem que gasta assim, sem parar, sem guardar, sem pensar no amanhã. Uma hora o amanhã chega e quando chegou o Brasil inteiro foi testemunha do que aconteceu com a fortuna do Clodovil Hernandes.

Mas antes de chegar neste ponto da história, há outra parte que ninguém espera de um homem que comprava espelho de 40.000 para jogar no quartinho. Porque este mesmo Clodovil, perdulário, ostentador, excêntrico, um dia fez um gesto tão simples e tão generoso por uma menina desconhecida do interior de São Paulo, que ela guarda a memória até hoje.

E o que ela fez em 24, 30 anos depois desse encontro mostra quem Clodovil era de verdade quando ninguém estava olhando. A história começa em 1994. Uma rapariga de 19 anos do interior estava noiva e ia casar. E como toda a noiva brasileira tinha um sonho, queria um vestido bonito. Mas não era qualquer vestido.

Ela queria um vestido do Clodovil, daqueles que saíam na revista, daqueles que as atrizes da Globo usavam. Só que a família dela era simples, não tinha condição. A mãe dela falou com carinho: “Filha, não dá. Vestido do Clodovil é para a alta sociedade, as pessoas não há como.” Só que a menina não desistiu.

Ela convenceu a mãe a fazer uma coisa um bocado maluca, ir ao atelier do Clodovil em São Paulo, fingir que estavam só a olhar para os vestidos e tirar foto disfarçada. A ideia era mostrar a foto depois. para uma costureira do bairro que ia tentar copiar o modelo em casa, com tecido mais simples, por um preço que lhes coubesse no bolso.

Era o maneira que o Brasil inteiro fazia na época. Quem nunca teve uma mãe ou uma tia que olhou para o vestido em loja cara, tirou foto e mandou a costureira fazer parecido. Mãe e filha entraram no atelier, começaram a passear entre os manequins, fingindo interesse. A menina tirou uma foto de disfarce, com o coração a bater forte, esperando que ninguém reparasse.

E no meio daquele movimento, sentado num canto, estava o próprio Clodovil. Ele percebeu e, em vez de ignorar, ele chamou a menina, perguntou-lhe se ia casar ou se era a dama de honor. A menina, com vergonha confessou: “Ia casar”. Clodovil perguntou qual o vestido ela tinha gostado mais. Ela olhou para os manequins, olhou para ele e falou: “Ah, são todos lindos, mas eu só estou a olhar”.

Foi aí que Clodovil pegou num papel e começou a desenhar. A menina olhava e não entendia. Perguntou: “O que é isto?” e ele respondeu sem parar de desenhar o seu vestido. Ela ficou sem reação, falou que não tinha como pagar e Clodovil, sem tirar os olhos do papel respondeu: “Eu estou te cobrando.

Toma já, manda a tua costureira fazer de graça.” O Clodovil que estávamos aqui a ver, o homem do espelho de 40.000, O ostentador das festas com Tocha sentou-se e desenhou um vestido de noiva completo gratuitamente para uma menina desconhecida que acabara de conhecer. Ela casou com este vestido em 1994 e a história podia terminar aí, já seria bonita, mas ela continua porque passaram os anos. Clodovil morreu em 2009.

A mansão em Ubatuba foi sendo esvaziada. Os seus objetos pessoais foram para leilão para pagar as dívidas da herança. Joias, roupa, bagagem da Luiv Vitton, pratas, peças com o monograma dele bordado. E esta menina, que agora era uma mulher adulta, com filhos, viu no noticiário que as coisas do Clodovil iam ser leiloadas.

Ela foi, ela levantou a plaqueta e ela rematou. Arrematou 80 peças com o seu monograma, o jogo completo. Pagou uma fortuna cerca de R$ 12, R$ 15.000 só neste lote. Comprou bolsas, comprou um baú, comprou até o robe que usava em casa. Quando ela mostrou o roupão à câmara de uma reportagem, ela disse uma coisa que arrepia.

Eu nunca usei, mas está guardado, porque isto é dele e eu gosto das coisas dele. Ela gastou esse dinheiro todo para ter um pedaço dele de volta, não para revender, não para ostentar, para guardar em casa com respeito, a memória de um homem que fez um gesto por ela sem pedir nada em troca 30 anos antes. frase que ela usou para resumir tudo foi esta: “Ele foi tão humano comigo”.

E é aí que a gente percebe uma coisa importante sobre Clodovil. Porque esse mesmo homem que era capaz deste tipo de gesto, desenhar vestido de graça para uma desconhecida, sentar-se e escutar uma menina tímida, fazer alguém sentir especial sem cobrar nada. Esse mesmo homem, numa entrevista televisiva em vida, disse uma frase que nós precisa de escutar com cuidado.

Ele falou com aquela sua clareza: “Não tenho herdeiros, não tenho filho, não tenho mulher, não tenho marido, não tenho nada. Vou deixar para aqui um homem com uma casa de 20 divisões, seis funcionários, 14 cães, amigos famosos, convidados que ficavam três dias em festa. Um homem que desenhava vestido para estranho de graça e que no fim da vida olhou para a câmara e disse que não tinha ninguém, ninguém para deixar nada.

Esta é a parte da história do Clodovil que quase ninguém pára para pensar, porque é mais fácil lembrarmo-nos do estilista polémico, do deputado da língua fiada, do homem da casa de banho sem paredes. Mas existia um outro clodovil, um clodovil que percebia de gente, que sabia ser generoso, que tinha afeto para dar e que, por algum motivo, chegou ao fim da vida, sem ter com quem partilhar tudo aquilo que construiu.

E em 17 de Março de 2009, este homem fechou os olhos numa cama de hospital em Brasília e a mansão em Ubatuba começou a tornar-se o que ela é hoje. 17 de Março de 2009, uma terça-feira. Clodoville tava em Brasília, onde vivia desde que se tornara deputado federal do anos antes. Era o primeiro mandato dele e estava no auge da exposição política.

Polémico como sempre, falando que pretendia, discutindo no plenário. E nessa terça-feira o corpo dele não aguentou. Um AVC fulminante. 71 anos. O Brasil soube pela televisão. Quem tinha idade para acompanhar lembra-se de onde estava quando deu a notícia. Foi choque. Foi aquela sensação estranha de perder alguém que não era da família, mas que tinha entrado na sala de casa durante décadas.

Clodovil foi sepultado em São Paulo ao lado da mãe Isabel, a espanhola que o criou em Elisiário. Aquele vínculo que começou na infância, fez questão de levar para a eternidade. Mas depois começou a parte mais complicada desta história, porque Clodovil morreu sem deixar plano para nada do que tinha construído. Ele tinha um sonho.

Quem era próximo conta. Clodoville sempre falou que quando morresse queria que a mansão em Ubatuba se tornasse uma instituição ou um museu, alguma coisa que lembrasse o trabalho dele, a obra dele ou que ajudasse as pessoas. Chegou a mencionar uma fundação para raparigas carenciadas em homenagem à mãe. Era a forma que ele tinha pensado para que a casa continuasse viva depois dele.

Esse sonho nunca se realizou. Na prática, o que aconteceu foi outra coisa completamente diferente. Clodovil não deixou herdeiros diretos. Não tinha nenhum filho, não tinha esposa, não tinha companheiro oficial. O espó dele, todo o património construído em 40 anos de carreira caiu sob administração judicial comandada pela advogada dele de confiança.

E daí paraa frente começou uma novela jurídica que dura até hoje. Em 2013, 4 anos depois da morte, a herança estava avaliada em 4.200.000$. Parecia muito dinheiro. Em 2023, 10 anos depois, essa mesma herança tinha caído para pouco mais de 1 milhão. Mais de R$ Foram consumidos 3 milhões de reais, não por herdeiro gastando, por dívida, por imposto, por manutenção dos bens, por honorários.

A fortuna que se ia tornar instituição, passou a ser um fundo de pagar contas. E houve outra complicação no meio disto tudo. Um ex-colaborador do Clodovil entrou em tribunal alegando união estável. Esta ação travou ainda mais o inventário, porque quando se discute união estável num património, tudo para até a justiça decidir.

Ainda não há decisão final pública sobre este ponto, mas a ação existiu e ela ajudou a fazer com que a herança do Clodovil ficasse congelada durante anos. Enquanto isso, a mansão em Ubatuba começou a desaparecer. Em 2008, um ano antes de Clodovil morrer, já tinha sido condenado na justiça por degradação ambiental. A mansão tinha sido construída numa área do Parque estadual da Serra do Mar e parte da construção avançava sobre vegetação nativa protegida.

Clodovil teve de demolir parte da casa para regularizar e demoliu. A própria justiça deu quitação na altura, mas o problema não se ficou por aqui. Em 2018, com o espóo a ser corroído por dívidas, a mansão foi a leilão. Foi avaliado inicialmente em quase R 2 milhões deais. O lance vencedor foi de R50.000, Muito abaixo do valor, uma mulher arrematou, mas quando ela foi tomar posse, descobriu que o imóvel transportava restrições ambientais que não tinham sido resolvidas.

Ela interpôs ação tentando anular o leilão. A justiça disse que não podia. Ela recorreu, o caso se arrastou e aí veio o golpe mais duro. Em março deste ano, 2025, o Ministério Público interpôs um novo pedido. Exigiu que tudo o que restasse da mansão viesse abaixo, que fosse totalmente demolida, porque segundo de Ministério Público, toda a casa está em área de proteção ambiental e não deveria existir da forma que existe.

Em março de 2024, o Tribunal de Justiça de São Paulo tinha negado um pedido anterior de demolição total, mas o caso continua aberto. Em linguagem direta, a mansão do Clodovil hoje está num limbo jurídico. Há compradora que não consegue tomar posse. Tem Ministério Público a querer demolir. tem espolho gerindo o que sobrou e ninguém sabe de facto o que vai acontecer com aquela estrutura no meio da floresta atlântica.

Enquanto a justiça decide, a casa continua a cair aos pedaços. Quem passa por lá hoje vê uma cena que parece ficção. Piscina entupida, teto desabado em várias divisões, paredes com infiltração, bolor, fissura. O paisagismo que um dia foi cuidado com tanto carinho, virou mato alto, engolindo a arquitetura. O famoso casa de banho sem paredes, o jacuzzi ao ar livre, a capela da mãe, tudo corroído pelo tempo.

E há um pormenor que resume o tamanho do abandono. A casa tem ainda um funcionário, um caseiro pago pelo espolo, contratado para evitar que o lugar seja invadido. Só que este caseiro já não consegue dormir dentro da mansão. A estrutura é insegura, o mato está demasiado alto, tem bicho. Ele dorme num quartinho cedido por um vizinho do outro lado da rua e de lá vigia o que restou da casa do mais famoso estilista do Brasil. É o que sobrou.

A fortuna de 4 milhões passou a ser dívida. A mansão, que ia ser museu, passou a ser um processo judicial. O sonho da instituição, em homenagem à mãe, nunca saiu do papel. E a casa onde Clodovil dava festas de três dias, onde comprou o espelho de 40.000, onde recebeu os nomes mais famosos da televisão brasileira.

Esta casa hoje tem de morador oficial um caseiro que dorme no quarto do vizinho. 16 anos depois da morte dele, nada acabou, nada foi resolvido, nada avançou. A mansão do Clodovil ficou parada no tempo, caindo lentamente, esperando a próxima decisão da justiça para saber qual é o próximo capítulo. E depois fica uma pergunta que no fundo não tem resposta fácil.

No final de contas, a mansão em Ubatuba tornou-se ruína. Mas o Clodovil não, porque o que resta de uma pessoa quando ela vai embora quase nunca é o que ela construiu em pedra. É o que ela deixou na cabeça de quem com ela conviveu. É a fã que lhe guarda o robe dobrado em casa, sem nunca o ter usado, porque aquilo é dele.

É a entrevista antiga que a gente reencontra no YouTube numa madrugada qualquer. É a recordação do vestido desenhado num guardanapo em 1994. É a forma de falar. atesourada na palavra certa, o silêncio antes da frase afiada. É isso que fica. A casa de Ubatuba, pode ser demolida amanhã, pode ser engolida pela floresta nos próximos anos, pode tornar-se um terreno vazio, sem placa, sem memória.

Mas o Clodovil, que entrou na sala dos brasileiros durante décadas, que a justiça não demole, que o tempo não se apaga. E há uma coisa que ele próprio disse em vida que talvez resuma tudo. Enquanto alguém falar o seu nome, vivo estará. Ele tinha razão. Agora queria fazer uma pergunta para tu que chegaste até aqui comigo.

Depois de ouvir esta história toda, como é que lembra-se do Clodovil? Como aquele estilista da TV Mulher que entrava na sua casa toda a tarde como o apresentador polémico do sábado à noite? Como o deputado que chegou a Brasília transportando meio milhão de votos nas costas, ou como o homem que morreu sozinho com uma casa demasiado grande para uma só pessoa, escreve lá nos comentários. Eu leio todos.

E fico curioso para saber qual Clodovil ficou mais forte na sua memória. Se essa história tocou-te, deixa o like e se subscreve o canal. Aqui contamos as histórias que o Brasil viveu verdadeiramente, daquelas que nos lembramos no almoço de domingo, no churrasco com a família, no conversa com o vizinho.

E na próxima semana volto com uma história que ninguém no Brasil se esqueceu de outro nome que entrou na casa da gente durante décadas pela televisão, que viveu o auge e que teve um fim que nós nunca imaginou. Inscreve-te para não perderes. Um abraço e até ao próximo vídeo.

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