A Fortuna Milionária Que Escondeu Uma Vida de Terror: A Verdadeira e Chocante História de Lisa Marie Presley

A Fortuna Milionária Que Escondeu Uma Vida de Terror: A Verdadeira e Chocante História de Lisa Marie Presley

A Trágica História da Filha de Elvis: Lisa Marie Presley | Documentário 

Lisa Marie Presley nasceu rodeada de tudo aquilo que a maioria das pessoas passa a vida inteira a tentar conquistar. Era a única filha de Elvis Presley, o rei do rock, herdeira de uma fortuna milionária, detentora de uma das famílias mais famosas do planeta, e cresceu dentro de Graceland, um lugar que para milhões de fãs parecia um verdadeiro paraíso.

 Mais tarde, ainda se casaria com dois dos homens mais famosos de Hollywood, Michael Jackson e Nicholas Gaiola. de fora. A sua vida parecia um conto de fadas moderno, mas bastava olhar para um pouco mais de perto para perceber que toda aquela riqueza escondia uma história marcada pelo abandono, perdas, vícios, relações destrutivas e tragédias que começaram cedo demais.

 O que destruiu realmente a filha de Elvis? Como alguém que nasceu com tudo acabou consumida pela própria dor? É isso que vamos descobrir. Lisa Marie Presley nasceu no primeiro de fevereiro de 1968 em Mênfis, no estado do Tenesse. Sua chegada aconteceu menos de um ano depois do casamento entre Elvis Presley e Priscila Presley.

 Para o mundo, aquele era o nascimento da princesa do rock, a única filha do maior astro da música da época. Mas dentro de casa, a realidade era bem diferente da imagem perfeita construída pelos jornais. Priscila tinha apenas 22 anos e, segundo contaria décadas depois, ainda não se sentia-se preparada para ser mãe. Ela mesma revelou que tinha medo da gravidez mudar o seu corpo e fazer Elvis perder o interesse por ela.

 O cantor era cercado por milhares de mulheres e Priscila vivia constantemente insegura com isso. Ela passou a gravidez toda a tentar ganhar o mínimo de peso possível e mais tarde admitiria que chegou a considerar não levar aquela gestação avante. Elvis, por sua vez, também atravessava um momento complicado da carreira. O fenómeno que havia revolucionado a música no final dos anos 50 já não dominava a indústria da mesma maneira.

 Novos artistas, novos estilos e uma nova geração começavam a ocupar espaço enquanto este se dedicava quase exclusivamente ao cinema. Mesmo assim, Lisa nasceu e durante os seus primeiros anos viveu rodeada de luxo, funcionários, carros, cavalos e uma mansão que parecia saída de um filme. No entanto, o casamento dos pais já estava desgastado.

 As constantes ausências de Elvis, os seus casos extraconjugais e o seu estilo de vida acabaram por tornar a separação inevitável. Em 1972, quando Lisa tinha apenas 4 anos, Elvis e Priscila oficializaram o divórcio. Foi a primeira grande ruptura da sua vida. A a partir desse momento, passou a dividir o seu tempo entre Memphis, onde vivia o pai, e Los Angeles, onde a mãe decidiu morar.

 E foi precisamente nesta fase que A Lisa começou a construir a imagem idealizada de Elvis. Em Graceland, ela podia fazer praticamente tudo o que queria. Elvis tratava-a como o seu maior tesouro. Ela comia doces à vontade, passava o dia a brincar, podia dormir tarde, não tinha regras rígidas e recebia toda a atenção do pai. O próprio Priscila reconheceria anos depois de Elvis estragar completamente a filha com tanto mimo e deixava toda a parte da disciplina para ela.

Naturalmente, aos olhos de uma criança, isto criou uma enorme diferença entre os dois pais. Elvis passou a representar diversão, carinho e proteção. Já Priscila era quem cobrava responsabilidades, horários, escola e limites. Lisa contaria mais tarde que detestava voltar para Los Angeles. Ela tinha saudades de Memphis, dos avós, dos primos, dos tios e, principalmente do pai.

 Sempre que Elvis telefonava dizendo que ela poderia visitá-lo novamente, era como se toda a sua felicidade regressasse. Fazia questão de levá-la aos concertos, colocava a filha em palco diante de milhares de pessoas e adorava vê-la recebendo aplausos. Para Lisa, o pai era praticamente um superherói. Ela acreditava que Elvis podia resolver qualquer problema.

 Na sua cabeça infantil, não existia nada que ele não fosse capaz de fazer, mas existia uma realidade que ela ainda não conseguia enxergar. Enquanto Lis havia apenas o pai perfeito, Elvis enfrentava uma rotina cada vez mais descontrolada. Sua A dependência de medicamentos aumentava ano após ano. O ritmo intenso de apresentações, problemas de saúde, noite sem dormir e uma equipa que dificilmente o contrariava contribuíam para um cenário extremamente perigoso.

 Ainda assim, para Lisa, nada disto parecia existir. Ela via apenas o homem que cantava-lhe depois de uma bronca que a fazia rir e que parecia capaz de protegê-la de qualquer coisa. Esta fantasia foi interrompida de forma brutal em 16 de agosto de 1977. Nesse dia, Elvis Presley morreu aos 42 anos. A Lisa tinha apenas nove.

 Segundo relatos da própria Lisa, ela estava em Gracelandu. A dado momento, viu o pai caído na casa de banho. Não entendia exatamente o que estava a acontecer, mas percebia que algo de muito grave tinha ocorrido. Tentou aproximar, porém foi impedida pelos adultos. Logo a mansão começou a ser tomada por médicos, funcionários, familiares e uma multidão de fãs que se reunia do lado de fora.

 Foi o maior trauma de toda a sua infância. O problema é que emocionalmente Lisa nunca teve tempo para elaborar aquele luto. Quando A Priscila chegou para a ir buscar, a menina não viu conforto na presença da mãe, pelo contrário. Segundo ela, a sua primeira reação foi de revolta. Na sua visão infantil, era precisamente Priscila quem tinha ido embora anos antes e separado a sua família.

 Agora era ela quem aparecia para a levar definitivamente embora de Mênfis. Nos meses seguintes, Lisa passou a viver praticamente em função da ausência do pai. Sempre que regressava a Graceland, fazia questão de entrar escondida no quarto preservado de Elvis. Deitava-me na cama dele e chorava durante horas. Esse comportamento continuaria por décadas.

 Mesmo adulta, casada e com filhos, voltaria inúmeras vezes àquele quarto, simplesmente para sentir que ainda estava perto dele. Enquanto isso, Priscila tentava reconstruir a sua própria vida. Queria trabalhar como atriz, viajar, aproveitar a liberdade que nunca tivera durante o casamento. Ao mesmo tempo, acreditava que manter Lisa ocupada seria a melhor forma de a ajudar a superar o trauma.

 Colocou a filha em novos colégios, organizou viagens, tentou criar uma rotina completamente diferente, mas Lisa via tudo aquilo como um afastamento ainda maior de Memphis e das recordações do pai. Foi precisamente nesse período que aconteceu um dos episódios mais traumáticos de toda a sua vida. Ainda criança, Lisa afirmou ter sofrido abusos cometidos por Michael Edwards, namorado de Priscila na época.

 Segundo o seu relato, aquele começou quando ela tinha cerca de 10 anos e continuou durante vários anos. A Lisa contou à mãe o que estava a acontecer, mostrou marcas e disse que não queria mais estar perto daquele homem. Décadas depois, Priscila apresentaria uma versão diferente dos factos, afirmando que acreditou que tudo tinha acontecido apenas uma vez e que afastou Michael da família.

 Mas Lisa nunca mudou a sua versão até ao fim da vida, sustentou que não recebeu a proteção que necessitava naquele momento. A combinação entre a morte do pai, o sentimento de abandono e este novo O trauma começou a transformar completamente a sua personalidade. Na escola, ela não se conseguia adaptar. Não fazia amigos com facilidade, demonstrava dificuldades em seguir regras e carregava uma tristeza constante.

 À medida que crescia, também aumentava a sua necessidade de encontrar nas outras pessoas o mesmo sentimento de segurança que um dia encontrou em Elvis. Aos 14 anos, iniciou o seu primeiro relacionamento sério com Scott Rollins, um aspirante a ator 8 anos mais velho. Para Lisa, era o seu primeiro grande amor. Para ele, porém, o apelido Presley parecia muito mais interessante do que a própria menina.

 Durante cerca de dois anos viveram um namoro intenso. Até que Lisa descobriu que Scott tinha armado fotografias escondidas para vender as revistas de celebridades. Ela percebeu pela primeira vez que existiam pessoas interessadas apenas na fama que carregava. A decepção foi devastadora. Ela entrou em profunda crise emocional, chegou a tentar tirar a própria vida e acabou por ser hospitalizada.

 Depois disso, nunca mais conseguiu recuperar o desempenho escolar, foi expulsa da escola e nunca concluiu o ensino secundário. Pouco tempo depois, conheceu o músico Danny K. Diferentemente dos relacionamentos anteriores, Danny não parecia impressionado pelo apelido Presley. Tratava Lisa como uma jovem comum. Pela primeira vez desde a morte do pai, ela sentia que alguém gostava realmente dela e não da filha de Elvis.

 Esse relacionamento marcaria o início de uma nova fase na sua vida. Danny representava exatamente aquilo que Lisa procurava desde os 9 anos de idade, alguém que a visse para além do apelido Presley. Enquanto o mundo via a filha de Elvis, Danny via apenas uma rapariga a tentar encontrar o seu lugar. Os dois passaram a viver juntos, ainda muito jovens, e parecia que finalmente Lisa começava a construir uma vida própria, mas o destino voltaria a interromper os seus planos.

 Pouco tempo depois de iniciarem a convivência, Lisa engravidou sem sequer se aperceber. Ela começou a sentir fortes dores e foi levada para o hospital, onde descobriu que se tratava de uma gravidez ectópica. O bebé não poderia sobreviver e ela teve de passar pelo tratamento imediatamente. A perda abalou-a profundamente.

 Era mais uma sensação de vazio numa vida que já parecia marcada por despedidas. Algum tempo depois, voltou a engravidar. Desta vez, porém, tanto ela como Danny acreditavam que ainda não tinham condições de criar uma criança. Os dois eram muito jovens. Ele ainda tentava construir uma carreira na música. e Lisa carregava inúmeras inseguranças.

Decidiram interromper a gestação. A escolha foi tomada racionalmente, mas emocionalmente teve um peso enorme. Pouco depois, ambos passaram a arrepender. Lisa mergulhou num sentimento de culpa que a acompanharia durante muito tempo. Ela decidiu que precisava de reparar aquele erro. estudou cuidadosamente o seu próprio ciclo menstrual, aprendeu sobre fertilidade e calculou exatamente quando teria maiores probabilidades de engravidar novamente.

 Quando soube que estava no seu período fértil, foi até ao navio onde Danny trabalhava como músico e fez questão de encontrá-lo. Duas semanas depois, o teste deu positivo. Mais tarde, a própria Lisa admitiria que Danny nem sequer sabia do seu plano. Ela escreveu no seu livro que nunca teve a intenção de prendê-lo, mas reconheceu que, no fim das contas foi exatamente isso que aconteceu.

 Os dois voltaram a viver juntos e em 1988 oficializaram o casamento. No ano seguinte, em maio de 1989, nasceu Riley Kug. A imprensa do mundo inteiro acompanhou aquele nascimento. Afinal, era a primeira neta de Elvis Presley. A Lisa sempre afirmou que odiava a exposição mediática, mas aceitou pousar para uma reportagem da revista People, acreditando que se apresentasse a filha ao público, talvez os paparates deixassem a sua família em paz.

 O efeito foi exatamente o contrário. O interesse pela vida dos Presley aumentou ainda mais. Mesmo assim, Lisa estava feliz. Pela primeira vez desde a morte do pai, ela sentia que tinha encontrado um novo motivo para viver. A maternidade despertou nela algo completamente diferente. Ela queria oferecer aos filhos exatamente o amor incondicional que sempre sentiu ter perdido.

 Em outubro de 1992, nasceu Benjamin Kug. Desde o início, familiares comentavam o quanto ele lembrava fisicamente Elvis Presley. À medida que crescia, a semelhança ficava ainda mais impressionante. Lisa desenvolveu uma ligação extremamente intensa com o filho. Mais tarde, a sua A própria filha Riley admitiria que às vezes sentia ciúmes da atenção que o irmão recebia.

 Mas enquanto a família crescia, o casamento começava a apresentar problemas. Danny enfrentava dificuldades profissionais, sentia-se desconfortável por viver constantemente associado ao apelido Presley e passou a consumir drogas com frequência. Lisa não suportava ver aquilo. Ela havia perdeu o pai precisamente por causa de uma combinação de medicamentos e excessos.

 Ver o marido a seguir um caminho semelhante despertava medos antigos. As discussões tornaram-se cada vez mais frequentes e em 1994 o casamento chegou ao fim. O que ninguém imaginava era a rapidez com que a sua vida mudaria novamente. Menos de um mês depois do divórcio, Lisa Marie Presley surpreendeu o mundo ao tornar-se casar com Michael Jackson numa cerimónia realizada na República Dominicana em Maio de 1994.

A notícia dominou os jornais e os programas de televisão em todo o planeta. O casamento unia duas das famílias mais famosas da história da música. De um lado, a filha de Elvis Presley. Do outro, o rei da pop. Muita gente acreditava que aquele relacionamento era apenas uma estratégia para melhorar a imagem de Michael, que enfrentava graves acusações que envolvem Jordan Chandler.

Outros diziam que Lisa procurava a atenção da imprensa, mas quem conviveu com os dois afirmava que existia um sentimento verdadeiro entre eles. Os dois Partilhavam experiências muito parecidas. Ambos haviam crescido famosos desde crianças. Ambos transportavam apelidos que se transformaram em marcas globais.

 Ambos conheciam a sensação de nunca poder levar uma vida normal. Pela primeira vez, Lisa conhecia alguém que realmente compreendia o peso da fama. Só que havia algo ainda mais profundo. Ela própria admitiria anos depois que via Michael como alguém que precisava de ser salvo. Era como se, ao conseguir impedir a sua destruição, pudesse mudar simbolicamente aquilo que nunca conseguiu fazer pelo pai.

 Miguel começava a depender cada vez mais de médicos, medicamentos e pessoas que raramente lhe diziam que não. Era um cenário assustadoramente parecido com o de Elvis nos últimos anos de vida. Lisa insistia para que este procurasse ajuda. Tentava convencê-lo a mudar os seus hábitos. Queria vê-lo saudável, mas aos poucos começou a perceber que Michael não estava disposto a abandonar aquele estilo de vida.

 Ela via o mesmo guião a repetir-se diante dos seus olhos. Outro ponto de conflito era o desejo de Michael de ter filhos imediatamente. Lisa já era mãe de Riley e Benjamin e não conseguia sentir vontade de aumentar a família naquele momento. Miguel sonhava construir uma nova etapa da vida.

 Lisa ainda tentava organizar a própria. Depois de pouco mais de dois anos em agosto de 1996, o casamento terminou oficialmente. Mesmo assim, nunca conseguiram romper completamente os laços. Continuaram próximos durante bastante tempo. Algumas pessoas afirmavam que continuavam a ser apenas amigos. Outras acreditavam que existia ainda um relacionamento amoroso entre eles.

 Nem Riley Kyog soube dizer exatamente qual era a natureza daquela relação nos anos seguintes. Enquanto isso, Lisa continuava a tentar preencher o vazio deixado pela perda do pai. Depois de Michael ter iniciado um relacionamento com o músico John Osaica. Parecia que finalmente tinha encontrado alguém distante dos grandes escândalos e da intensa exposição mediática.

 Eles chegaram a ficar noivos, mas depois surgiu Niicholas Cage. O ator conheceu Lisa durante uma festa em 2000. Curiosamente, ambos estavam comprometidos com outras pessoas naquele momento. Ainda assim, a atração foi imediata. Em pouco tempo, encerraram os seus respectivos relacionamentos e passaram a viver juntos.

 Se Michael Jackson era o oposto de Lisa em personalidade, Nicolas parecia o seu reflexo. Ambos eram impulsivos, temperamentais e intensos. As brigas começaram praticamente desde o início do namoro. O episódio mais famoso aconteceu durante um passeio de Iate. Em meio a uma discussão, Lisa retirou o anel de noivado e lançou-o ao mar.

 Nicolas, tomado pelo impulso, aceitou a situação. Minutos depois, os dois arrependeram-se e contrataram mergulhadores para tentar recuperar a jóia. Nunca conseguiram encontrá-la. O Nicolau simplesmente comprou outro anel ainda mais caro. Era um relacionamento movido por extremos. Discussões explosivas eram seguidas de reconciliações igualmente intensas.

Amigos próximos já diziam que aquele casamento dificilmente resultaria. Mesmo assim, os dois decidiram oficializar a União em Agosto de 2002. As previsões confirmaram-se rapidamente. O casamento durou apenas 107 dias. Quando tudo terminou, Lisa percebeu que também não encontraria estabilidade ao lado de alguém tão impulsivo como ela.

Pela segunda vez, um casamento extremamente público chegava ao fim diante das câmaras do mundo inteiro. Depois de tantos fracassos amorosos, ela resolveu concentrar as suas energias num sonho antigo, construir uma carreira musical própria. Em Abril de 2003, lançou o seu primeiro álbum, To Whom It may concern.

 Era um trabalho profundamente autobiográfico. As músicas falavam sobre dor, abandono, relacionamentos, culpa e perda. Era praticamente um diário transformado em canções. O disco estreou na quinta- posição da Billboard 200, um resultado bastante expressivo para uma artista estreante. Ainda assim, praticamente toda a entrevista acabava por regressar ao mesmo assunto: Elvis Presley.

 Os os jornalistas raramente perguntavam sobre suas composições. Queriam saber como era ser filha do rei do rock. Perguntavam sobre o dia da morte de Elvis, sobre a sua infância em Graceland e sobre as recordações do pai. Lisa evitava responder sempre que podia. Em entrevistas a Larry King, era visível o seu desconforto.

Bastava alguém mencionar Elvis para a sua expressão mudar completamente. Ela dizia que nunca via os filmes do pai, não ouvia as suas músicas e evitava qualquer recordação pública, mas existia uma exceção. Sozinha em casa, por vezes colocava as suas canções preferidas para tocar enquanto chorava durante horas.

 A ferida nunca tinha cicatrizado. Apesar do bom arranque, os seus álbuns seguintes venderam menos. A crítica frequentemente comparava a sua carreira a Dupai, uma comparação impossível de vencer. Aos poucos, Lisa começou a acreditar que nunca conseguiria construir uma identidade própria. Entretanto, novos desafios surgiam em a sua vida pessoal.

 Em 2006, ela acreditaria ter encontrado finalmente a oportunidade de viver uma vida completamente diferente ao lado do produtor musical Michael Lockwood. Era mais uma tentativa de construir a família estável que ela procurava desde criança, sem imaginar que os acontecimentos mais devastadores da sua vida ainda estavam por vir.

 Em janeiro de 2006, Lisa Marie Presley casou com o produtor musical Michael Lockwood. Depois de dois casamentos extremamente expostos ao público, ela acreditava que poderia finalmente construir a vida comum que sempre desejou. Lockwood não foi uma estrela mundial como Michael Jackson, nem uma estrela de Hollywood como Nicolau Cage.

 Era um músico, alguém que parecia oferecer exatamente aquilo que ela nunca teve. Estabilidade. Na cerimónia, um pormenor chamou a atenção. Quem a levou até ao altar foi a sua mãe, Priscila Presley. Depois de tantos anos de conflitos, parecia que as duas finalmente tinham conseguido reconstruir parte da relação. A maternidade aproximou as duas.

 A Priscila também havia voltado a criar uma criança, o seu filho Navaroni, e Lisa começava a ver a mãe de uma forma diferente. Inclusive, escreveu uma canção chamada Raven, a ela dedicada, na qual reconhecia que ambas carregavam dores que nunca conseguiram expressar. Durante algum tempo, parecia que a vida finalmente sorria para Lisa.

Em outubro de 2008, nasceram as suas filhas gémeas, Harper Vivian N Fley Aaron Love Lockwood. Aos 40 anos, acreditava que estava a viver a fase mais feliz de a sua vida. Tinha quatro filhos, um novo casamento e uma família aparentemente estável. Mas foi precisamente nesse momento que se iniciou um dos capítulos mais difíceis da sua história.

 Após a cesariana das gémeas, Lisa recebeu medicamentos opióides para controlar as dores da recuperação. Inicialmente, fazia uso apenas por recomendação médica, contudo aos poucos, continuou utilizando os medicamentos mesmo depois da recuperação. A dependência foi se instalando-se lentamente, quase sem que ela percebesse. Era uma ironia cruel.

Durante toda a vida, ela tinha criticado a dependência química do pai e tentou impedir que Michael Jackson seguisse pelo mesmo caminho. Agora, sem se aperceber, repetia exatamente o mesmo padrão. Enquanto isso, os problemas financeiros começaram a aparecer. Apesar da enorme herança recebida de Elvis, Lisa nunca demonstrou grande interesse em gerir dinheiro.

 Confiava completamente nas pessoas que o rodeiam. Empregados, administradores e os funcionários tinham acesso às suas finanças. Segundo relatos de familiares, mal sabia quantas propriedades possuía ou quanto gastava mensalmente. Com o passar dos anos, descobriu que pessoas da sua confiança desviavam dinheiro há muito tempo.

 Demitiu funcionários, rompeu amizades e passou a desconfiar praticamente de todos. O isolamento aumentava. O seu casamento também começou a desmoronar-se. Em 2016, Lisa pediu o divórcio de Michael Lockwood. Ela alegava problemas financeiros, conflitos constantes e acusava o ex-marido de administrar mau parte do seu património.

 A separação deu início a uma longa disputa pela guarda das filhas. Ao mesmo tempo, a sua dependência química piorava. Entrava em clínicas de reabilitação, saía, regressava a consumir medicamentos e regressava aos tratamentos. Era um ciclo que parecia não ter fim. Mesmo assim, existia algo que ainda a mantinha de pé. Benjamim.

Desde pequeno que era visto como a pessoa que mais lembrava Elvis Presley, não apenas pela aparência impressionante, mas também pelos três jeitos, pelo sorriso e pela voz. Lisa via no filho uma continuação do pai. A ligação entre os dois era extremamente intensa. Ela chegou a dedicar o seu terceiro álbum, Storm and Graça, a Benjamim.

 Numa das músicas, descrevia o filho como o homem mais bonito que já tinha conhecido. Mas essa relação também carregava um peso enorme. Benjamin cresceu a ouvir comparações constantes com o avô que nunca conheceu. Muitos diziam que ele deveria seguir uma carreira musical. Outros esperavam que se tornasse o novo Elvis Presley.

 Segundo Riley K, Benjamin nunca conseguiu lidar bem com esta expectativa. Tentou encontrar diferentes caminhos para a sua vida, mas parecia carregar uma enorme dificuldade para construir a sua própria identidade. Ao mesmo tempo, assistia a mãe a fundar cada vez mais na toxicodependência. Lisa também sofria. Ela dizia frequentemente que não tinha terminado a escola, que nunca se considerou bonita e que nunca esteve à altura do apelido Presley.

 A única coisa de que realmente orgulhava era ser mãe, mas até isso começava a escapar-lhe das mãos. As as críticas da imprensa aumentavam por causa do aumento de peso provocado pelos medicamentos e pela depressão. Tentando recuperar a autoestima, submeteu-se a uma cirurgia bariátrica. Fisicamente, os resultados apareceram rapidamente.

 As revistas publicavam manchetes a elogiar a sua transformação, mas emocionalmente nada tinha mudado. O vazio permanecia. Em julho de 2020, ocorreu a maior tragédia da sua vida. Benjamim Kugreu aos 27 anos. A notícia destruiu completamente lisa. Pessoas próximas disseram que nunca mais voltaram a ver a mesma mulher depois desse dia.

 Ela simplesmente deixou de funcionar. Segundo Riley Kure, a sua mãe entrou em estado de choque absoluto. Durante semanas, Lisa recusou-se a aceitar que o filho tinha morrido. Ela preparou um ambiente refrigerado dentro da própria casa para manter o corpo de Benjamim. Entrava diariamente naquele quarto para conversar com ele, cantar canções e permanecer ao seu lado.

 Mais tarde, Riley escreveria que a sua mãe dizia sentir que ainda precisava de cuidar do filho. Só depois de quase dois meses conseguiu autorizar o funeral. Benjaminado em Graceland, ao lado de Elvis Presley. Era como se a história estivesse a repetir-se. Primeiro perdera o pai, perdia agora o filho que mais lhe lembrava o pai.

 Depois desta tragédia, Lisa praticamente desapareceu da vida pública. O seu Instagram, antes cheio de fotografias dos filhos, ficou quase completamente parado. Ela ainda tentava lutar contra a dependência de drogas, tentava cuidar das filhas menores, mas pessoas próximas diziam que ela tinha Perdeu completamente a vontade de viver.

Ainda assim, em 2022, surgiu um momento que parecia devolver um pouco de alegria. O diretor BZ Lurman lançou o filme Elvis. A Lisa participou na divulgação ao lado de Priscila Presley e do ator Austin Butler. Ela elogiava constantemente o filme. Dizia que finalmente uma nova geração conheceria o verdadeiro talento do seu pai.

 Era uma homenagem que a emocionava profundamente, mas essa felicidade durou pouco. Logo depois foi anunciada outra produção, o filme Priscila, realizado por Sofia Copola. Diferentemente de Elvis, aquela obra não mostrava apenas o grande estrela da música. Retratava também o lado controlador de Elvis durante o seu relacionamento com a Priscila.

 Iniciado quando ainda era adolescente, Lisa ficou profundamente incomodada. Ela chegou a enviar mensagens diretamente para Sofia Copola, pedindo que o projeto fosse reconsiderado. Afirmava que o guião apresentava um retrato injusto do seu pai. Na visão de Lisa, Elvis continuava a ser o homem que mais a amou durante toda a sua vida.

 Ela nunca conseguiu separar o pai carinhoso da figura histórica muito mais complexa. Infelizmente, Lisa nunca assistiria ao filme. Nos últimos meses de vida, começou a queixar-se frequentemente de dores abdominais. Familiares insistiam para que procurasse assistência médica. Ela adiava sempre, as dores aumentavam, vieram episódios de febre.

 Mesmo assim, continuava a recusar ajuda. Somente quando a situação se tornou insustentável, foi levada para o hospital. Era tarde demais. Em 12 de janeiro de 2023, Lisa Marie Presley morreu aos 54 anos. A causa oficial foi uma obstrução intestinal decorrente de complicações relacionadas com a cirurgia bariátrica realizada anos antes.

 Mas emocionalmente era impossível ignorar todo o caminho que tinha levado até àquele momento. Lisa passou a vida inteira a tentar reencontrar o amor e a segurança que perdeu aos 9 anos de idade. Tentou encontrá-los nos relacionamentos, tentou encontrá-los nos filhos, tentou encontrá-los na música. tentou encontrá-los a proteger Michael Jackson, tentou encontrá-los reconstruindo a sua relação com a mãe, mas nenhuma destas tentativas conseguiu preencher completamente o vazio deixado pela morte de Kelvis. No final, a menina que nasceu

rodeada de riqueza, fama e privilégios, passou décadas a lutar contra dores que quase ninguém conseguia ver. Ela herdou Graceland, uma fortuna milionária e um dos apelidos mais famosos da história da música, mas também herdou o peso de viver para sempre à sombra da uma lenda.

 Talvez seja precisamente essa a maior tragédia de Lisa Marie Presley. O mundo sempre viu nela a filha de Elvis. Pouquíssimas pessoas conseguiram ver apenas Lisa e talvez tenha sido exatamente isso que mais a destruiu.

 

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