A Trágica e Misteriosa morte de Claudinho: 3 Verdades que Poucos Conhecem

A trágica e misteriosa morte de Claudinho. Três verdades que poucos conhecem. Era a madrugada de 13 de julho de 2002. Chuva intensa na Serra das Araras. Um golfe prateado desce a Via Dutra cortando a escuridão. Lá dentro um homem de 26 anos no auge da sua carreira regressando de um espectáculo. E depois o silêncio.

 O carro saiu da estrada, embateu numa árvore e o O Brasil acordou diferente naquela manhã. Mas o que vai descobrir hoje não está nos resumos de três parágrafos que circulam pela internet. Hoje vai saber a decisão que Claudinho tomou naquela noite e que nenhum fã esperava. vai saber o que ele disse dentro daquele automóvel minutos antes de morrer.

 Palavras que pareciam brincadeira até deixarem de ser. vai perceber porque é que a justiça brasileira absolveu o condutor, condenou uma concessionária de auto-estradas e ainda assim ninguém foi verdadeiramente responsabilizado. E no final vai descobrir o escândalo que aconteceu 22 anos depois da morte de Claudinho, algo que a viúva dele descobriu por acaso através de um vídeo no YouTube e que é perturbador demasiado para ser ignorado.

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 O ano era 2002 e a dupla acabava de lançar o seu sexto álbum, O Dançar. Estavam em Tour. Na noite de 12 de de julho, atuaram em Lorena, no interior de São Paulo. A plateia foi abaixo, mas o que aconteceu depois do concerto, as horas entre o palco e a madrugada, é a sequência de decisões que ninguém consegue apagar da memória.

 Depois da apresentação, a equipa preparou-se para voltar ao rio. A carrinha ia na frente com parte da equipa. Bochecha seguia nela, mas o Claudinho foi no seu próprio carro, um Golf Prata, matrícula Las 4665. Quem estava ao volante nesse momento era o DJ Tralha. Ivan Crespo Manziieri, secretário e motorista de Claudinho, ia no banco do Carona.

 Em algum ponto da estrada, já de madrugada, o comboio parou para comer numa cafetaria às margens da Dutra. Foi aí que tudo mudou. O DJ Tralha decidiu continuar a viagem na Carrinha da equipa, passou o volante para Ivan e seguiu para outro ponto de encontro. Claudinho ficou no golf, no lugar do pendura com Ivan ao volante, à chuva, na descida da Serra das Araras.

Há 19 anos sem Claudinho, Buchecha lembra dia do acidente fatal após show; fotos - Famosos - Extra Online

 Às 6 horas da manhã, no altura do qum 202 da Via Dutra, perto de Seropédica, o Golf perdeu o controlo. Não houve marcas de travagem. O carro bateu num lancil, depois numa árvore na berma do acostamento. A batida foi violenta. Claudinho morreu preso às ferragens. Tinha 26 anos. O Ivan foi socorrido em estado grave, sobreviveu. A carrinha de Buchecha vinha logo atrás.

Chegaram antes da ambulância. Buchecha viu o carro, reconheceu o golf e soube ali naquele segundo, antes de qualquer confirmação, o que tinha acontecido. Ficou sob o efeito de sedativos. Segundo quem estava com ele, esteve 3 anos muito mal. Mas o acidente em si, o embate, a árvore, a chuva, é apenas a última cena de uma história que começou muito antes.

Começou nessa manhã, quando o Claudinho acordou e não queria ir ao concerto. A primeira causa que poucos conhecem não é o estado da pista, nem a velocidade do carro, é o comportamento do Claudinho nas horas que antecederam o acidente. Um comportamento tão fora do padrão que até hoje ninguém consegue explicar.

 Buchcha revelou que em entrevistas dadas anos depois. A produção ligou-lhe antes do concerto, dizendo que Claudinho não queria atuar naquela noite. Buchecha foi falar com o companheiro, perguntou o que se passava. Claudinho não deu uma resposta clara, disse apenas que não ia. E então bochecha disse aquilo que carrega até hoje como um peso que não desaparece.

 Se você não for, também não vou, porque eu não saberia como explicar ao público. Nunca tinha rolado fazer um show sozinho. Claudinho cedeu, mas foi contrariado e foi diferente no carro particular dele, separado de todos, sem juntar-se à vanda como de costume. Buchcha disse numa entrevista que ficou que não é sensitivo, mas que tem ouvido relatos de que quando uma pessoa vai morrer, ela sente.

 E nesse dia ele quis muito ter tido a oportunidade de perceber porque é que o Claudinho não queria ir. Nunca teve essa resposta e, provavelmente, nunca terá. Mas a revelação mais pesada não provém de bochecha, vem de quem estava dentro do carro. DJ Tralha esteve com Claudinho durante a viagem. antes de mudar para a Vanchonete, os dois iam ouvindo música, racionais, soueto.

 E em algum momento dessa madrugada, Claudinho pegou na mão de DJ Tralha e disse: “Cuida da minha filha se acontecer alguma coisa”. DJ Tralha, ao revelar isso publicamente, disse o que qualquer um de nós diria. Na hora a gente nem se liga, só depois é que a gente pensa. Claudinho tinha uma filha pequena, Andressa, que cresceu sem o pai.

 E há ainda um outro pormenor que só ganhou peso depois da morte. Meses antes do acidente, Claudinho e Buchecha lançaram a música Fico Assim sem ti. A gravadora tinha insistido durante 3 anos para que a gravassem. Os dois resistiram, cederam. E o verso que ficou na canção, aquele que diz bochecha sem Claudinho, tornou-se realidade meses depois, de uma forma que ninguém poderia ter antecipado.

 Acredita que as pessoas sentem quando vão morrer? Porque o que Claudinho fez nessa noite, a recusa, as palavras dentro do carro, o comportamento diferente, é muito difícil de explicar de outra forma. Deixa a tua opinião nos comentários, porque esta pergunta não tem resposta certa, mas tem muito para dizer. Se este vídeo está a te a tocar, deixa o like agora.

 Isso ajuda o canal a chegar a mais pessoas que merecem conhecer esta história com a profundidade que ela merece. Mas havia algo para além do pressentimento, algo que Buchecha nunca confirmou e que o DJ Tralha revelou publicamente sem hesitação. Na noite do último concerto, Claudinho e Buchecha tiveram uma desavença profissional.

 Foi exatamente isso que DJ Tralha declarou em entrevista ao podcast Livre, leve, solto. Uma briga, uma tensão não entre dois irmãos que discutem por futebol, mas entre dois profissionais que partilhavam um palco e nem sempre dividiam o mesmo caminho. E quando o DJ Tralha foi questionado se foi esta desavença que levou o Claudinho a não querer ir na carrinha com a equipa, a resposta foi direta.

 Ele só sabia que Claudinho não queria ir ao concerto, mas como foi ele que tinha marcado a apresentação, Claudinho acabou por ir e foi separado de propósito naquele carro com um motorista que não era o habitual. Buchecha, por sua vez, sempre negou que os dois estivessem zangados. Em entrevista, disse: “Foram quase 20 anos de amizade e nunca tivemos uma discussão.

 No máximo, discutíamos por causa do futebol, mas nada de mais. Duas versões, duas pessoas que estiveram lá e uma contradição que nunca foi resolvida. DJ Tralha foi ainda mais longe quando descreveu a relação real entre o dois. Contrariando a imagem de irmãos indissociáveis ​​que o Brasil sempre quis ver, disse que a dupla não andava para cima e para baixo, que era uma relação profissional, cada um no seu quarto sempre, que não eram irmãos de vida, eram parceiros de palco e que esta distinção importa.

 Circularam também rumores de que Claudinho queria acabar com a dupla. DJ Tralha foi questionado sobre isso diretamente e disse que O Claudinho nunca lhe disse isso, mas que havia boatos. e que não podia desmentir o que não sabia ao certo. A ironia cruel é esta. O Claudinho foi ao espectáculo porque Buchecha o convenceu.

 Viajou separado por causa de uma tensão entre os dois e nunca mais chegou. Buchecha esteve três anos muito mal. Cogitou parar de cantar e ainda hoje, nas entrevistas, nas homenagens, nos posts das datas que se repetem todos os dias 13 de julho, há nele uma pergunta sem resposta. Por que razão o amigo estava assim nessa noite? Se Buchecha não tivesse convencido o Claudinho a ir, o Brasil teria uma história diferente.

 É impossível não pensar nisso. Comenta aqui em baixo. Quero saber o que se passa na a tua cabeça. Até aqui falámos do pressentimento e da tensão entre os dois. Mas a terceira causa, a que a maioria das pessoas nunca saberá, está nos documentos, nos processos, nas decisões que a justiça brasileira tomou ao longo de quase uma década depois da morte de Claudinho.

 Ivan Crespo Manziieri, o condutor do golf, foi denunciado pelo Ministério Público por homicídio negligente. A acusação era de que conduzia com imprudência: velocidade acima do permitido, madrugada, chuva intensa, cansaço, sem condições de estar ao volante. A perícia criminal foi precisa num pormenor que muda tudo.

 Não havia marcas de travagem na pista nos 50 m anteriores ao local da batida. O carro simplesmente saiu da pista sem travar, sem tentar desviar-se, só um impacto. A acusação dizia: “O motorista não utilizou os travões, apenas fez uma guinada para a direita e depois veio o lancil, depois a árvore. A defesa dos Ivan apresentou uma tese diferente: aquaplanagem. A pista estava molhada.

 O automóvel teria deslizado sobre uma fina camada de água entre os pneus e o asfalto, perdendo completamente o controlo, sem que o condutor pudesse fazer nada. Ivan disse também no seu interrogatório que um camião branco tinha fechado o carro momentos antes. Versão que foi contestada pelo advogado da família do Claudinho à época.

 O próprio perito criminal, ouvido em juízo, confirmou que uma velocidade de 80 km/h seria suficiente para provocar os danos registados no relatório e que a velocidade máxima permitida naquele troço era de 90. Ou seja, Ivan podia estar dentro do limite legal. O desfecho foi um choque para muitos fãs que acompanhavam o caso.

 O Ministério Público, o mesmo que fez a acusação, chegou à conclusão após analisar todas as as provas e todos os depoimentos de que Ivan deveria ser absolvido. O promotor disse nas suas alegações finais: “Ao que parece, o acidente foi uma fatalidade e concluiu que condenar alguém sem certeza jurídica seria uma condenação arbitrária.

 A juíza do juízo único de Seropédica acolheu este argumento. Ivan foi absolvido no velório de Claudinho. Fãs gritavam assassino para Ivan. A justiça disse que ele não tinha culpa, mas a história não ficou por aqui. E é aqui que entra o elemento que 99% das pessoas nunca souberam. Vanessa, a viúva de Claudinho, interpôs um processo cível contra a concessionária Nova Dutra.

Foto: O funkeiro Claudinho, dupla de Buchecha, morreu aos 26 anos em acidente de carro em Seropédica (RJ) em 13 de julho de 2002 - Purepeople

 A tese era diferente da acusação criminal. A Via Dutra cobrava portagens. Era uma rodoviária concessionada com obrigação contratual de manutenção e segurança. E naquele excerto específico do qum 202 encontrava-se uma árvore posicionada a apenas 2 m de um murete no acostamento, sem qualquer estrutura de proteção entre o pista e os obstáculos.

 uma árvore sem proteção numa autoestrada que cobrava pedágio. A justiça paulista concordou com a Vanessa. A concessionária Nova Dutra foi condenada. Teve de pagar uma indemnização de mais de R$ 13.000 pelos danos causados ​​no veículo, para além de uma pensão mensal de pouco mais de R$ 2.000 para a viúva.

 Pensão que durará até Vanessa completar 70 anos e ainda uma multa de R$ 500.000 por danos morais. Resumindo, o condutor foi absolvido, a concessionária foi condenada e Claudinho morreu porque uma árvore estava no local errado, numa auto-estrada que cobrava portagens e não protegia os condutores que por ela passavam.

 Isto que acabou de ouvir não está nos resumos, está nos autos. Partilha este vídeo porque a história do Claudinho merece ser contada com esta profundidade. Antes de chegarmos ao escândalo que aconteceu 22 anos depois e que é perturbador a um nível que não esperavas, é necessário parar um momento e conhecer quem foi este homem.

 Cláudio Rodrigues de Matos nasceu a 14 de Novembro de 1975 em São Gonçalo, no Rio de Janeiro. Origem humilde. Desde os 11 anos, trabalhou como peão de obra, office boy, vendedor ambulante. Não por opção, por necessidade. A família precisava. Foi em São Gonçalo que conheceu Klaus Cirlei Jovêncio de Souza, o Buchecha.

 Os dois cresceram juntos no complexo do Salgueiro. Tomaram banho no mesmo valão. Frequentaram os mesmos bailes funk da periferia do Rio no início dos anos 90. Em 1992, Claudinho convenceu Buchecha a formar uma dupla. Venceram o primeiro concurso que entraram. Em 95, o rap do Salgueiro começou a passar nas rádios FM cariocas.

Em 96, a BMG contratou-os. Em 97 mudaram para a Universal e foi aí que o Brasil conheceu-os de verdade. O álbum A forma vendeu mais de 1 milhão e meio de cópias. Ganharam o prémio de artista revelação nos VMB da MTV Brasil em 97. Quatro discos com decorados, três platinas triplas, canções como Sol Love, Conquista, O Nosso Sonho, Quero Te encontrar e Fico assim.

 Sem ti, atravessaram gerações e ainda atravessam. Claudinho era casado com Vanessa, tinha uma filha, Andressa. Morreu aos 26 anos no seu auge, regressando de um espectáculo, sem poder dar o último abraço em ninguém. E agora chegamos à parte desta história que aconteceu em 2024, a parte que a maioria das pessoas não sabe e que é difícil de ouvir sem sentir um aperto no peito.

 22 anos depois da morte de Claudinho, uma fã foi visitar o seu túmulo. O cantor estava sepultado no cemitério Memorial do Carmo, na zona portuária do Rio de Janeiro. O jazigo perpétuo. Perpétuo, isto é, para sempre. tinha sido comprado pela editora Universal Music logo após a morte de Claudinho e registado em nome de Vanessa.

 Mas quando esta fã chegou ao local, o nome que estava no túmulo não era o do Claudinho, era outro. Uma mulher de nome Mercedes Lema Soares de Mato estava ali onde Claudinho deveria estar. A fã filmou, publicou no YouTube. A Vanessa viu o vídeo. Vanessa, que por questões emocionais evitava visitar o cemitério, foi confrontar a administração e recebeu a resposta que nenhuma viúva deveria alguma vez receber.

 Disseram-lhe que o cemitério tinha enviado um telegrama para a família a informar da situação, que a família não tinha respondido e que, por isso, tinham procedido à esumação dos restos mortais de Claudinho sem autorização. Os ossos do Claudinho foram retirados do jazigo perpétuo, que é por definição intocável, e colocados num ossário coletivo, juntamente com os restos mortais de outras seis ou sete pessoas.

O jazigo foi vendido a outra família. Vanessa declarou publicamente: “Fiquei muito triste. Por ser um jazigo perpétuo, não devem abrir.” A viúva interpôs uma ação judicial contra o cemitério. Pediu R 1 milhão deais por danos morais, 127.000 por danos materiais e exige a devolução dos restos mortais de Claudinho ao jazigo original da família.

 Para conseguir dar início ao processo, Vanessa pediu a gratuitidade, apresentou documentos para comprovar as as suas dificuldades financeiras atuais. O inventário dos bens de Claudinho ainda está a correr em tribunal, sem partilha, 22 anos depois. E então fica aqui a pergunta que não me sai da cabeça. 22 anos depois, a viúva de Claudinho ainda luta na justiça pelo corpo do marido, pelo inventário, pelos direitos de autor das músicas.

 O que sentes quando ouves isto? comenta aqui em baixo. Preciso de saber o que te passa pela cabeça neste momento. Em 2023, o Brasil voltou a falar de Claudinho. O filme O nosso sonho, realizado por Eduardo Albergaria e protagonizado por Lucas Penteado como Claudinho e Juan Paiva como Buchcha, chegou aos cinemas e reacendeu o debate sobre a dupla, sobre o legado, sobre o que foi perdido.

 Buchcha disse que o filme é fiel, que pegaram em histórias da família, relatos de fãs, coisas que ele próprio contou sobre os dois. Está bem completo nas suas palavras, mas há coisas que nenhum filme consegue mostrar. O peso que Buchcha carrega até hoje por ter convencido o amigo a ir naquela noite. A filha Andressa, que cresceu sem o pai, a Vanessa, que ainda hoje luta por aquilo que é de direito, pelo corpo do marido, pela memória do o seu nome, pelos reais que as editoras deviam estar a pagar e não pagam.

No funeral, em 14 de julho de 2002, mais de 15 pessoas foram ao cemitério. 60 fãs tiveram de ser atendidos na enfermaria. Desmaios, choro, empurra, empurra, 70 polícias para conter a multidão. O enterro final foi fechado com apenas 100 pessoas no seu interior. E a música que tocou para dar a Deus a O Claudinho foi o nosso sonho.

 Enquanto Buchecha não conseguia parar de chorar, Claudinho tinha 26 anos, deixou seis álbuns, uma filha, uma viúva que até hoje luta, um parceiro que até hoje não sabe porque é que o amigo estava diferente nessa noite e uma história que o Brasil inteiro conhece, mas que poucas as pessoas conhecem de verdade. Se Claudinho não tivesse ido ao concerto nessa noite, o Brasil teria uma história diferente.

 É impossível saber, mas é impossível não pensar nisso, sobretudo quando se sabe tudo o que sabes agora. Se chegaste até aqui, obrigado. Este vídeo foi feito com respeito e com investigação séria. Deixa o like, subscreve o canal e partilha com alguém que também cresceu a ouvir, Claudinho e Buchcha. Vemo-nos no próximo vídeo.

 

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