A Vida de Mazzaropi: O Gênio Caipira Que Ninguém Conseguiu Substituir!

A Vida de Mazzaropi: O Gênio Caipira Que Ninguém Conseguiu Substituir!

A vida de Mazarope, o génio saloio que ninguém conseguiu substituir. Existiu no Brasil um único génio caipira, Mazarope, e até hoje, 45 anos depois da sua morte, ninguém conseguiu substituí-lo. Nenhum outro artista ocupou o lugar que Mazarope deixou-o vazio. Nenhum outro estúdio repetiu o que Mazarope construiu sozinho.

 E o mais curioso é que em vida este homem simples, de fala  mansa e jeito interiorano foi tratado pela crítica especializada como tosco, como ultrapassado, como um artista menor. Enquanto o povo brasileiro fazia fila em frente aos cinemas, só para vê-lo,  famílias inteiras, avós, pais e filhos, sentados lado a lado numa sala escura, esperando ouvir aquela voz arrastada e manhosa do Jeca Tatu encher a tela.

 E cansado de tanto desprezo, este homem disse em vida, uma frase que hoje soa quase como uma profecia. Ele disse que os críticos não gostavam do que fazia, mas que quando ele morresse, fariam festivais com os seus filmes e alguém teria finalmente coragem de o chamar de gênio. E é exatamente esta história que te quero contar hoje, a história de Amácio Mazarope.

Porque hoje vai entender de verdade porque foi um génio caipira que nunca ninguém conseguiu substituir. Vai descobrir como ele construiu sozinho, com as suas próprias mãos, algo que todo o Brasil nunca mais repetiu. Vai conhecer a parceria que emocionou gerações e fez com que todo o país acreditar que ele e a sua companheira de ecrã formavam um casal de verdade.

 E vai chegar até ao capítulo mais difícil da sua vida, os últimos dias ao lado de quem realmente ficou perto dele até ao fim. Então prepara-te, porque essa não é apenas a história de um ator, é a história de um pedaço de infância que ainda vive dentro de muita gente que está a ver esse vídeo agora. E se ainda não se inscreveu no canal Doci Vip, faça-o já.

 Aperte o botão de inscrição e ative o sino. Aqui os ficheiros são abertos. Todo dossier que lançarmos, vais ser o primeiro a saber. Antes de contar quem foi Mazarope, é preciso recordar do que Mazarope deixou para trás, porque é isso que faz a sua história ainda emocionar tanta gente até hoje. E para compreender o tamanho do que Mazarope construiu, é preciso recuar ao ano de 1958,  quando Asi Mazarope, já cansado de depender de estúdios que não acreditavam nele da forma que o público acreditava, decidiu fazer algo 

que nenhum outro cineasta brasileiro tinha feito antes. Ele fundou a própria produtora, a Pan Filmes, e passou a financiar, produzir e distribuir os seus próprios filmes sem pedir um tostão ao governo. Numa época em que uma boa parte dos grandes nomes do cinema nacional cobrava do estado o dinheiro para colocar os seus projetos de pé.

 E dois anos depois, em 1960, comprou uma enorme quinta no Vale do Paraíba, em Taubaté,  e transformou aquele pedaço de terra num estúdio de cinema completo,  com câmaras, holofotes, cenários e até cavalos. E foi ali, rodeado pelo verde do interior, que nasceram uma boa parte dos filmes que embalaram a infância de tanta gente que está a ouvir esta história agora.

 E tem um pequeno pormenor, quase esquecido, que mostra o tamanho do cuidado  deste homem com aquilo que construiu. Como na época os Os bilhetes de cinema ainda não eram numerados,  existia um golpe comum nas salas do interior, em que o porteiro recolhia o bilhete e revendia de novo.

 E Mazarope, para proteger o próprio sonho. Mandava fiscais de confiança para as salas de cinema só para garantir que nada daquilo acontecesse. E quando olha para este gesto com carinho, compreende que não era frieza de empresário, era  zelo de quem sabia que aquilo, aquele estúdio, aqueles filmes, era literalmente a vida dele.

  E é por isso é que até hoje quando alguém fala no cinema brasileiro que realmente deu certo, que se sustentou sozinho sem depender de ninguém, o nome que ainda vem à cabeça décadas depois continua sendo o dele, porque o Brasil sonha até hoje em ter uma indústria de cinema de verdade.

 E Mazarope foi, na prática o único que conseguiu construir este sozinho, com as suas próprias mãos, longe dos holoes das grandes produtoras. E é É precisamente essa independência silenciosa que explica por quando ele se foi, mais ninguém conseguiu repetir o mesmo caminho. Mas nem tudo foi festa nesta trajetória, porque enquanto as famílias faziam fila em frente aos cinemas para vê-lo, uma parte importante do Brasil insistia em não reconhecer o que aquele homem simples representava.

 E olha só o que teve de aguentar, mesmo sendo tão acarinhado pelo público, ao longo de quase três décadas, os grandes jornais e a crítica especializada trataram os seus filmes como algo menor. chamavam de grosseiro, de reaccionário, de alienante, e o comparavam sempre para pior ao movimento do cinema novo, que procurava um cinema mais intelectualizado, mais simbólico,  enquanto ele só queria fazer rir e emocionar quem enchia as salas de cinema todos os fins de semana.

 E numa entrevista  à revista Veja, respondeu a esta provocação com uma sinceridade que hoje parece quase corajosa. Disse que era necessário escolher entre fazer um filme para agradar a uma minoria de intelectuais que nem sequer enchia uma fila de poltronas de cinema, ou fazer filme para o público real,  aquele que queria rir, chorar e viver minutos de emoção diferente.

 E disse também que sentia raiva sim daqueles críticos, porque era fácil sentar numa máquina de escrever e dizer que mais um filme dele era uma porcaria, sem nunca explicar o porquê, que é bonito notar que mesmo perante tanto desprezo, nunca se afastou do público, nunca tentou fazer um cinema diferente do que o povo pedia.

 E talvez seja exatamente por isso que hoje quando lembramo-nos dele, lembramos o carinho de quem foi ao cinema ver os seus filmes e não das críticas ácidas que tentaram diminuir a sua obra, porque o carinho, ao ao contrário da crítica, resistiu ao tempo. E se esta história de um homem simples enfrentando tanto preconceito só por fazer o que o povo amava está a te tocar de alguma forma, esse é o momento de subscrever o canal, porque esta viagem ainda vai te emocionar muito mais.

 E eu quero continuar contando ela consigo até ao final. Para perceber de onde veio tanto carinho, é preciso voltar a um tempo em que o O Brasil  ainda nem tinha televisão. Há um miúdo que fugiu de casa atrás de um sonho debaixo da lona de um circo. Márcio Mazarope nasceu em São Paulo em 1912, filho de um casal de origem italiana e portuguesa  e passou uma boa parte da infância dividido entre a capital e a cidade de Taubaté, no interior, onde conviveu de perto com o avô, um homem ligado à vida do campo, à viola e à

danças típicas. E foi ali, naquele simples contacto com a cultura caipira, que nasceram as primeiras sementes do personagem que décadas mais tarde faria o Brasil inteiro rir e ainda adolescente contra a vontade da família,  fugiu de casa para se tornar assistente de um faquir de circo chamado Ferre, contando piadas para o público entre um número e outro.

 E foi ali debaixo daquela lona, ​​que descobriu o gosto pelo palco e de regresso a Taubaté, formou a sua própria trupe de teatro, levando espetáculos simples para plateias ainda mais pequenas. E anos mais tarde, já em São Paulo, conseguiu um espaço na rádio Tupi com o programa Rancho Alegre, que tanto sucesso teve que quando a televisão chegou ao Brasil em 1950, foi um dos primeiros a levar o seu programa para este novo ecrã.

 em preto e branco. E foi ali,  dentro de aparelhos simples, ligados em salas de estar apertadas, que muitas famílias reuniram-se pela primeira vez à volta de uma televisão, sem imaginar que estavam a ver nascer um dos maiores fenómenos populares da história do  país. E se por acaso uma cena destas voltou agora à sua cabeça? O rosto de quem estava ao seu lado assistindo? O som da sala, algo assim, guarda esse pormenor e escreve aqui em baixo, porque estas pequenas memórias, quando partilhamos, acabam por se tornar memória de muita gente ao

mesmo tempo. Foi um encontro de acaso, quase por sorte, que transformou aquele artista de televisão no nome maior do cinema brasileiro da sua geração, o produtor Abílio Pereira de Almeida. da companhia Vera Cruz, estava num bar com a televisão ligada quando assistiu Mazarope no programa de humor e não teve dúvida nenhuma, chamou o ator para fazer testes e uma semana depois estava aprovado para o seu primeiro filme chamado Sai da Frente, lançado em 1952.

E foi aí que nasceu de forma quase natural a personagem que o consagraria para sempre. O Jeca Tatu, inspirado  na figura criada pelo escritor Monteiro Lobato. Um cabôlo de fala arrastada, jeito tímido, mas cheio de malícia escondida. E o curioso é que muita gente na altura achava estranho um homem de apelido italiano interpretar o saloio mais brasileiro que já existiu nas telas. Mas ele não ligou a isso.

Seguiu construindo aquele tipo com tanta verdade que o Jeca passou a parecer o tio, o vizinho, o compadre de tanta gente espalhada pelo país. E quando a Vera Cruz, o estúdio que lhe deu a primeira oportunidade faliu,  ele não desistiu do sonho que começava a construir. Ele decidiu com coragem seguir sozinho, vendeu bens próprios para levantar dinheiro e pouco depois fundou a Pan Filmes, aquela produtora independente que já aqui contámos h pouco.

 E é precisamente nesse momento quando muitos teriam desistido, que nasce verdadeiramente a lenda de Mazarope, porque foi aí que ele provou pela primeira vez que não precisava de ninguém além  do próprio talento e da confiança do público para continuar de pé. E ano após ano, sempre no  mesmo dia, uma tradição foi se formando-se primeiro nas cidades do interior de São Paulo  e depois no Brasil inteiro, porque Mazarope criou o costume de lançar um filme novo todos os no dia 25 de janeiro, data de aniversário da cidade de São Paulo. Sempre na mesma

sala de cinema, o Cine Arte Palácio, cujo proprietário foi um dos primeiros a apostar nele lá no início da carreira e imagina só essa cena. Todos os anos, na mesma data, formava-se uma enorme fila à porta daquele cinema, com gente a chegar cedo para garantir lugar,  com o cheiro a pipocas no ar, com famílias inteiras a organizarem-se para não perder a estreia.

 E foi dentro deste ritual que nasceram alguns dos maiores êxitos de a sua carreira. O filme O corintiano, lançado em 1966, tornou-se até àquele momento  a maior bilheteira da história do cinema brasileiro. E quase 10 anos depois, o filme Jeca Macumbeiro bateu um novo recorde de rendimentos, sendo assistido por mais de 2 milhões e meio de espectadores.

 Um número praticamente impossível de imaginar hoje para um filme nacional. E a média de público em cada um dos seus filmes, ao longo de toda a carreira  girava em torno de 3 milhões de espectadores. Um fenómeno que nenhum outro cineasta brasileiro da época chegou perto de repetir, que o mais belo de tudo isto não são os números em si, é o que eles representam.

 é a imagem de milhões de famílias em cidades diferentes, no mesmo período do ano, rindo e emocionando-se com a mesma personagem, criando sem perceber uma memória coletiva que atravessaria gerações. E hoje, você sabe, já não existe essa tradição, esta data marcada, esta fila certa todo ano à porta do mesmo cinema. E talvez seja exatamente por isso que para quem viveu essa época, a recordação seja tão forte até hoje.

 E se está a gostar de reviver essa memória comigo, aproveita este momento para partilhar este vídeo  com alguém que cresceu a ver os filmes dele. Tenho certeza que esta lembrança vai fazer a pessoa sorrir. E ao lado dele, em quase todos estes domingos de cinema, havia uma mulher que o Brasil inteiro passou a ver como a sua companheira de vida, a A atriz Jenny Prado, que conheceu ainda nos tempos de rádio no programa Rancho Alegre, e que se tornou o seu parceiro em 18 dos  32 filmes de a sua carreira, interpretando sempre a

esposa do Jeca, com excepção de um único filme em que os dois viveram apenas amigos e a ligação entre eles era tão forte. no ecrã que, mesmo sem qualquer confirmação, uma boa parte do público acreditava verdadeiramente que os dois formavam um casal também fora das câmaras. E é fácil perceber porquê. Porque havia entre eles uma clicidade genuína construída ao longo de décadas de trabalho lado a lado, ela dando vida à mulher do interior, forte, trabalhadora, que cuidava da casa e da família sem baixar a cabeça para

ninguém. E ele a dar vida ao Jeca, manso e desajeitado, que o Brasil aprendeu a amar. E mesmo depois de ele ter partido, ela seguiu carregando essa memória com carinho, fazendo poucas aparições, sempre recordada como a eterna parceira daquele que se tornou o maior fenómeno popular do cinema nacional.

 E esta dupla hoje é recordada com tanto afeto quanto a própria personagem do Jeca. Porque para muita gente, Mazarope e Geniprado não eram apenas dois atores contracenando, eram, na imaginação de milhões de espectadores, uma família dentro do ecrã. E esta é uma daquelas perguntas que adoraria saber a resposta sincera de cada um que está a ver agora. Assim, não segura.

Escreve aqui em baixo se também caíste nessa crença. Quero muito ler. Mas por trás de todo este carinho do público, existia um homem muito mais discreto e caseiro do que qualquer um poderia imaginar. Masarope nunca se casou e não teve filhos biológicos, mas construiu dentro da própria quinta Estúdio  em Taubaté, uma família própria formada por filhos adotivos que cresceram por perto dele, convivendo com o dia-a-dia das filmagens.

 E é curioso pensar que o mesmo homem capaz de encher cinemas com multidões inteiras  era dentro de casa alguém de rotina simples, rodeado por poucas pessoas de verdadeira confiança, preferindo a paz do interior ao burburinho das grandes cidades. E talvez seja este contraste entre o artista amado por milhões  e o homem caseiro que só queria sossego.

 O retrato mais humano e mais belo desta história toda. que mostra que por trás de toda aquela fama existia alguém procurando à sua maneira  uma vida simples, semelhante àquela que ele tanto retratava nos seus próprios filmes. E fica aí a pensar um pouco nisso. E se tiver uma opinião formada, mesmo que seja apenas uma intuição, deixa registada aqui em baixo, porque este é um daqueles temas que dão azo a boas conversas nos comentários.

 E foi precisamente essa família construída com carinho ao longo de tantos anos, que esteve ao seu lado no capítulo mais difícil de toda esta história. No final da vida, Mazarope foi diagnosticado com um cancro na medula óssea, descoberto demasiado tarde, poucos meses antes da sua morte, mesmo já convivendo há algum tempo com os primeiros sinais da doença.

 E ainda assim, mesmo debilitado, seguia sonhando terminar mais um filme, o que seria o 33º da sua carreira chamado Maria Tomba  Homem, um projecto que, infelizmente, nunca chegaria a ser concluído.  E conta-se que durante este período tão difícil, um dos os seus filhos adotivos  deixou os próprios planos de lado para ficar ao lado dele, passando cerca de dois anos sentado à beira da cama, ajudando a procurar toda a alternativa possível de tratamento, num gesto de amor que talvez ser o retrato mais belo e ao mesmo

tempo mais triste de toda esta trajetória. e Mazarope partiu em 13 de junho de 1981, aos 69 anos de idade, deixando para trás 32 filmes concluídos e uma legião de admiradores espalhada pelo Brasil inteiro. E dizem que no fim nem tudo foi justo com quem mais esteve perto dele nestes últimos momentos, uma vez que existem relatos de que o testamento não teria refletido de forma correta esta dedicação.

 E talvez isso só mostre o quanto esta história, apesar de tão bonita, também carregou as suas próprias dores, como toda a grande história de vida carrega. E se essa parte da viagem dele está a emocionar-te como emocionou a mim enquanto pesquisava para te contar, deixa aqui o teu like. É uma forma bonita de manter viva esta memória.

 E esta pergunta eu faço com todo o respeito.  Sei que pode tocar em locais sensíveis, mas se você já passou por isso e sentir vontade de dividir, este espaço aqui em baixo é seu. E tenho a certeza que vai acolher quem também já viveu algo semelhante. E foi exatamente como ele próprio havia previsto anos antes,  que tudo aconteceu depois de ele se ter ido.

 Porque hoje, décadas depois daquela profecia feita quase como um desabafo, há livros académicos revendo a sua obra com seriedade. Existem festivais de cinema exibindo os seus filmes a novas gerações. E existe em Taubaté o Museu Mazarope, dentro do que é hoje o hotel Fazenda Mazarope, guardando milhares de peças da sua trajetória, recebendo até hoje famílias inteiras que fazem questão de visitar aquele lugar para reviver de perto, a época em que aquele homem simples encantava o país inteiro.

 E chegamos então ao cerne da questão que deu nome a esta história. Por que até hoje nenhum outro artista conseguiu ocupar  o lugar que ele deixou no coração do público brasileiro? E a resposta talvez não esteja em nenhuma fórmula de sucesso, nenhum estúdio, nenhuma estratégia. A resposta está no tipo  de carinho que ele construiu.

 Devagar, ao longo de quase três décadas, filme após filme, ano após ano, sempre no mesmo dia, sempre no mesma sala de cinema, com o mesmo  povo simples que ele nunca deixou de representar com verdade. E este tipo de carinho construído dia após dia, ano após ano, ao lado de um público inteiro, não é algo que se repete de uma hora para a outra.

 E talvez seja exatamente por isso que mais ninguém tenha conseguido. E antes de fechar este vídeo, fica este convite para si. escreve aqui em baixo o que achas que faltou ao Brasil para ter outro artista assim, porque eu sinceramente tenho a a minha teoria, mas quero muito ouvir a sua primeiro.

 E talvez seja por isso que ainda hoje, quando um filme antigo dele passa na televisão, alguma coisa dentro da gente para para assistir. Porque não é apenas um filme antigo a passar na tela, é um pedaço de infância voltando. É a recordação de um domingo em família. É a voz arrastada de um cabôlo simples que sem querer se tornou parte da memória afetiva de um país inteiro.

Obrigado por reviver esta história comigo até aqui. Se chegou até ao final desse vídeo, deixa o teu  like, subscreve aqui o canal para a próxima história e conta aqui em baixo qual foi o filme do Mazarope que mais marcou a sua infância. Eu vou ler cada comentário com muito carinho.

 

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