ANA MARIA BRAGA aos 77 anos e como VIVE hoje — A Perda que Ela Nunca Superou
Este homem que você está a ver aí, desfeito de tanto chorar, guarda o rosto dele, porque ele carrega uma dor que tem nome e tem data. E quando descobrir quem ele é e o tamanho do que a Ana A Maria Braga perdeu, já não vais olhar para ela da mesma maneira. E tem esta outra foto, a Ana Maria coladinha num homem muito mais novo do que ela.
Pode ser que nunca tenha visto esta imagem na vida. Porquê isso? Esse amor da forma que aconteceu de verdade é uma das coisas que esta mulher nunca te contou em todas as manhãs que entrou na sua cozinha a sorrir. Hoje, aos 77 anos, ela continua ali todos os dias com o café a passar e aquele mesmo sorriso de sempre.
Mas por detrás desse sorriso há uma perda que ela nunca superou, um amor que pouca gente entendeu e uma verdade que garanto-te, vai apertar o teu peito. Fica aqui comigo baixinho que eu vou-te contar tudo pela ordem certa. E pode ser que me estejas a ouvir sozinha agora num sofá com o volume baixo para não acordar ninguém. Pode ser que você também já tenha perdido alguém que não volta mais e amado alguém que ninguém entendeu.
Então esta história é a sua também. Hoje vai saber seis coisas sobre Ana Maria Braga. Seis coisas que a televisão nunca te disse. A primeira, a mulher mais organizada da manhã no Brasil, a que arruma a vida do país inteiro antes do meio-dia, não conseguiu dentro de casa fazer com que funcione e o motivo não é o que está a imaginar. A segunda, o tamanho exato do que esta mulher construiu.
Quanto tempo de ecrã, quanto poder, o quanto todo o Brasil dependia dela todas as manhãs. E a única coisa que faltava no meio disto tudo, a terceira, a perda que partiu o coração dela. E garanto-lhe, você conhece esse personagem da vida dela. Você ri-se com ele todas as manhãs e nunca soube quem ele era de verdade.
A quarta-feira, o dia, ou melhor, os dias em que a vida dela partiu em duas. Um amor que dizem ela pagou para sair da vida dela e outro que terminou de uma forma que ninguém nem ele esperava. A quinta, a escolha que ela fez bem na altura em que teria todo o direito de desistir, depois de tudo, depois de quatro vezes.
E a sexta, como a Ana Maria vive hoje com 77 anos. E o detalhe sobre isso que no momento em que descobrir, não vai mais conseguir esquecer. Essa é a que muda tudo. E olha, já te aviso, há um pequeno detalhe nesta história, uma coisa que parece agora um disparate, que lá à frente vai explicar tudo. Fica aqui comigo baixinho que te vou mostrar na hora certa.
Ana Maria Braga Máfes nasceu no primeiro de abril de 1949 no interior de São Paulo, numa cidade chamava São Joaquim da Barra, filha de um italião, Natalie Giuseppe Maffis, com uma brasileira, a senhora Lourdes Braga. E quem olhasse para aquela menina do interior, nunca, nunca ia imaginar que um dia ela ia acordar o Brasil inteiro. Para que compreenda esta mulher, eu preciso levar-te para bem longe da televisão, para uma pequena cidade no interior de São Paulo, lá pelos anos 50.
Casa simples, vida comum, o tipo de lugar onde todos conhecem todos pelo nome. Era ali que crescia aquela menina com sangue italiano e jeito de roça. E garanto-te, quem olhasse para ela naquela rua não veria absolutamente nada que dissesse que um dia ela ia falar todos os santos dias com a casa de milhões de brasileiros.
era uma menina como tantas outras. E aqui vem a primeira coisa que te prometi. Você olha paraa Ana Maria Braga hoje e vê uma mulher que parece ter nascido para ser no ar. O sorriso, a forma de falar, a casa arrumada, a manhã de todo o Brasil nas mãos dela. Parece que sempre foi assim. Pois eu vou dizer-te como começou de verdade e vai cair para trás.
A Ana Maria estudou ciências biológicas, foi para a faculdade estudar bicho e planta, zoologia na Universidade Estadual lá em São José do Rio Preto. A menina queria o casaco branco, o laboratório, a natureza. A televisão não passava nem perto do que ela sonhava. E quando ela começou a trabalhar, sabe onde foi? No jornalismo, Ana Maria iniciou a sua vida profissional numa redacção de telejornal na velha TV Tupi, ainda mocinha.
Depois foi parar a uma editora de revistas. A editora abriu ocupando-se da parte comercial de revista de moda feminina, daquelas que toda a mulher foliava no salão de cabeleireiro. Vendeu anúncio, fechou o contrato, bateu perna em corredor de empresa de fatos e saldo. Quer dizer, antes de ser a rainha da manhã, esta mulher foi bióloga, foi jornalista, foi mulher de escritório, de reunião, de picar o ponto.
E olha quanto tempo demorou. A fama na TV real só foi bater-lhe à porta quando ela já era mulher feita, passada dos 40 anos, numa idade em que muita gente pensa que a vida já mostrou tudo o que tinha para mostrar. Para ela, a melhor parte ainda nem sequer tinha começado. Guarda isso porque é a primeira lição escondida desta mulher.
Para ela nunca foi tarde para nada. E esta frase vai voltar lá no finalzinho. E é precisamente aí que moro que ninguém te conta. Tudo o que vê hoje, este império todo, esta mulher construiu na raça um degrau de cada vez, sem que nada tivesse desenhado para ela. Ela não não herdou nada. Não tinha apelido de família rica, não tinha padrinho, não tinha atalho. Construiu tudo na únia.
já adulta depois de uma vida inteira experimentando outras coisas. E essa mesma mulher que ergueu um império sozinha na própria força dentro de casa, na vida do coração, ia ter de recomeçar do zero de novo e de novo, quatro vezes. E olha bem aquilo que lhe vou dizer, porque é aqui que quase toda a gente se engana.
Não foi por falta de quem a quisesse. Faltou outra coisa. E o que faltou? Quando você descobrir lá à frente, vai virar do avesso tudo o que pensa que sabe sobre o amor. Mas ainda vamos chegar lá por enquanto. Volta comigo para a moça do interior, porque ela tinha uma coisa, uma faísca, aquele tipo de pessoa que quando entra num lugar, todo o lugar vira-se para olhar e a câmara percebeu que antes de qualquer um.
Pastou ela aparecer no ecrã para o Brasil começar a parar o que estava a fazer para ouvir. Primeiro foram uns trabalhos aqui e ali, depois veio o note e anot lá em 1993 e o país inteiro começou a aprender o nome dela. A mulher que ninguém conhecia tornou-se companhia diária de milhões de casas.
E quando chegou o ano de 1999 e ela assumiu o comando do Mais você na Globo, acabou, não havia volta a dar. A Ana Maria tornou-se a dona da manhã do Brasil. E foi mais ou menos nessa altura, ainda nos tempos do Record, que apareceu ao lado dela um parceiro que ia ficar ali há mais de 20 anos. Um companheiro que entrava em sua casa todas as manhãs junto com ela fazia rir antes do café arrefecer e que você, com toda a sinceridade achava que era apenas um bonequinho verde e um papagaio engraçado.
Guarda essa dupla na tua cabeça. Os dois lado a lado, todas as manhãs há mais de duas décadas. Porque o que aconteceu a este parceiro um dia é uma das coisas mais doídas desta história inteira. E quando eu te contar quem ele era realmente, acho que não vai mais olhar para aquele papagaio do mesmo modo. Agora para um segundo e pensa no que significa de verdade ser a dona da manhã do Brasil.
Um país inteiro a acordar com a mesma voz. Imagina a quantidade de cozinhas, de mesas de café, de televisões ligadas naquela hora em que o Brasil ainda está de pijama, com sono a aquecer o leite. Em todas elas, ela do Oiapokui, do interior à capital e até nas casas de brasileiro que vive longe, no Japão, nos Estados Unidos e em Portugal.
Com saudades de casa, todos começavam o dia da mesma forma, com a Ana Maria. Nenhuma concorrência se aproximava. Ela era e é a manhã da Globo, a mulher mais assistida da hora mais íntima do dia brasileiro, que é hora do café. Eu que vem com isso. Já imagina a mansão em São Paulo, a fazenda no interior, ali em Bofete para o fim de semana para respirar longe da cidade.
Tudo o que o dinheiro podia comprar, ela podia ter. uma menina que saiu de uma casa simples no interior e atingiu o topo absoluto, num lugar mais alto que uma comunicadora pode chegar a esse país. E aqui vem a segunda coisa que te prometi. Olha o tamanho do que esta mulher se tornou. São quase 50 anos de ecrã, quase meio século falando com o Brasil.
Desde 1999 são mais de 20 anos seguidos. sem parar no comando do mesmo programa, na líder absoluta da manhã. Há gente nesse Brasil que nasceu, cresceu, casou e teve filho ouvindo a voz desta mulher toda manhã. Ela não é uma estrela que aparece e some. Ela tornou-se parte da casa, tornou-se móvel da cozinha juntamente com a chaleira e a chávena.
E pensa no poder deste, porque não é fácil de explicar a quem é mais novo. A Ana Maria tornou-se termómetro do Brasil. Receita que ela ensinava de manhã, todo o país fazia ao almoço. Produto que ela mostrava na bancada desaparecia da prateleira do mercado naquele mesmo dia. Causa que ela abraçava virava assunto da novela das 8.
Ela chegou a ser uma das mulheres mais poderosas da comunicação deste país, no mundo de televisão que sempre foi mandado por homem de fato na sala de reuniões e construiu esse poder todo sozinha. Lembra-se disso? Na própria força depois dos 40 sem padrinho e sem atalho. Era tudo isso. Fama, dinheiro, quinta. mansão, o país inteiro a tomar café com ela.
A vida que qualquer um olharia de fora e diria: “Esta mulher tem tudo”. E é exatamente aí que eu preciso que me atenção, porque havia uma coisa, uma única coisa que todo este dinheiro e toda esta fama nunca conseguiram comprar para ela. Alguém que ficasse, alguém que estivesse lá quando as luzes do estúdio apagavam e ela regressava a casa. Lembras-te do que eu te disse lá no comecinho? daquela cama larga, onde do outro lado, na maior parte do tempo, não não tinha ninguém.
Pois é, por detrás daquele sorriso de todas as manhãs, era exatamente isto que estava a acontecer. Enquanto o O Brasil inteiro pensava que a Ana Maria tinha a vida perfeita, ela ia para casa, tirava a maquilhagem e o silêncio da casa grande engolia tudo. Ninguém imaginava. A foto era perfeita, o sorriso era de verdade, ela não fingia, mas a casa no fim do dia era demasiado grande para uma pessoa só.
E a primeira fissura nessa vida perfeita já tinha começado a aparecer baixinho, sem que ninguém percebesse. Faltava pouco para ela se virar uma fenda que o Brasil inteiro ia acabar vendo. Para que possa entender o que aconteceu, preciso de te levar para o ano de 2020. Lembra-se desse ano? O mundo inteiro parou.
As ruas vazias, o medo a entrar em cada casa, a gente fechada dentro de casa, sem saber o dia de amanhã. Foi o ano em que o Brasil mais necessitou de uma voz amiga de manhã. E lá estava ela firme todos os dias fazendo companhia a um país assustado. Só que o que ninguém via é que por detrás daquele sorriso de sempre, a Ana Maria estava a enfrentar duas sombras ao mesmo tempo.
no corpo dela e outra que ia chegar de repente, sem bater com a porta e levar embora a pessoa que estava ao lado dela há mais tempo do que qualquer marido. As duas no mesmo ano, as duas escondidas do Brasil. Antes de eu continuar, deixa eu pedir-te uma coisa. Se essa mulher já fez-te companhia em alguma manhã da tua vida, se já tomou um café ouvindo a voz dela, faz uma coisa simples por mim, deixa o teu like aqui em baixo e se subscreve o canal.
Não custa nada e ajuda esta história a chegarem outras pessoas que também cresceram com a Ana Maria. Fez isso? Então vem comigo de mãozinha dada, porque agora nós entra na parte que dói. Eu preciso que você se lembreaio, daquele bonequinho verde que achavas que era apenas uma brincadeira. O louro José.
Lembras-te que lá atrás te pedi para guardar o par na cabeça? Pois chegou a hora. O louro José nunca foi só um boneco. Por detrás daquele papagaio, dando a voz, dando a vida, fazendo o Brasil rir de manhã, havia um homem de carne e osso, um ator. O nome dele de verdade era Newon Veiga Júnior, mas todo o mundo no estúdio chamava-se Tom Veiga.
Pois, presta atenção a uma coisa. Aquele homem que viu lá no início deste vídeo, o rosto marcado, desfeito de tanto chorar, era ele. Era o Tom Veiga, o homem que nunca soube que existia atrás da brincadeira de todas as manhãs. E olha como é a vida. O Tom nem sequer era ator de formação. Ele trabalhava nos bastidores, ajudava a organizar as coisas. era um coordenador de palco.
Foi por acaso lá em 1997 que acabou por dar voz ao papagaio porque tinha um humor solto, brincava com toda a gente no estúdio e aquilo que era para ser um quebragalho de um dia virou a sua vida durante mais de 20 anos. O Tom Veiga ficou ao lado da Ana Maria de 1997. até ao último dia. 23 anos de manhãs, 23 anos de café, de riso, de ralhete, de companhia.
Nenhum marido ficou tanto tempo do lado dela quanto aquele homem que pensava que era um papagaio. Agora preciso de te contar a terceira coisa que te prometi. No dia 1 de novembro de 2020, em meados desse ano em que o mundo já estava de rastos, Tom Veiga morreu de uma hora para a outra. foi encontrado morto dentro de casa, na Barra da Tijuca, no rio, por um amigo, o apresentador André Marques, que estranhou o seu desaparecimento e foi atrás.
Tinha apenas 47 anos. A causa depois de muita investigação policial, foi um AVC, um AVC provocado por um aneurisma no cérebro. causa natural, sem culpa de ninguém, mas sem aviso. Sem despedida o homem por detrás do Louro José, o companheiro de mais de duas décadas de manhã, se foi do nada num domingo, deixando quatro filhos e um país sem compreender bem o tamanho do que tinha acontecido.
O Brasil que se ria daquele papagaio sem nunca ter parado para pensar que existia uma pessoa ali dentro, descobriu da pior forma que existia. Sim, que sempre existiu nesse mesmo dia. A Ana Maria escreveu uma mensagem que rebentou o coração de quem leu. Ela disse com todas as as letras que tinha perdido o parceiro de todos os dias, o amigo, o filho, que a fragilidade da vida tinha-a apanhado de surpresa mais uma vez e tinha deixado ela completamente sem chão. Sem chão.
foi a palavra que ela usou. Imagina o tamanho de uma perda para uma mulher que já tinha visto de tudo escolher esta palavra, sem chão. E é por isso que eu disse-te lá atrás que já não ias olhar para aquele papagaio do mesmo jeito, porque tudo o que achou engraçado naquele bonequinho durante anos era um homem.
Um homem que agora já não estava lá. Pensa no tamanho disso para ela. Para fora era um colega de trabalho, mas o Tom Veiga era a presença mais constante das manhãs dela. A pessoa que entrava no estúdio antes do sol nascer, que sabia o humor dela só de olhar que estava ali nos dias bons e nos dias maus, ao lado dela, fazendo o Brasil sorrir.
O que será que passa pela cabeça de uma mulher que precisa de entrar no ar, sorrir para um país, fazer o café da manhã de milhões de casas, sabendo que a cadeira do lado, aquela que estava ocupada há mais de 20 anos, agora estava vazia para sempre. E mesmo assim, na primeira segunda-feira depois, ela teve de entrar no ar, teve de dar bom dia para o Brasil com aquela cadeira vazia ao lado, com todo o país de luto juntamente com ela e segurar o programa de pé.
Imagine a profissional que é preciso ser para o fazer. Imagina antes disso a mulher que é preciso ser. E tem uma coisa que ela disse anos mais tarde, numa entrevista gravada lá na capela da quinta dela, que talvez seja a frase mais honesta desta história inteira. Perguntaram pelo Tom e ela respondeu assim que tinha perdido um filho, literalmente que tinha sido muito difícil.
E depois ela soltou três palavras que explicam o título deste vídeo. Três palavras que ela nunca conseguiu esconder. Não superei ainda. Que todo o dia ela reza por ele, que tem saudades dele todos os dias, anos depois. Ainda essa é a perda que ela nunca superou. Guarda isso. Tom Veiga não deixou apenas uma saudade. Deixou um silêncio no estúdio que nenhum convidado, nenhum novo personagem, nenhum aplauso ia conseguir preencher de novo.
Era como se uma parte daquela manhã daquela casa tivesse ido embora juntamente com ele. E foi exatamente aí, com este buraco aberto no peito, com este lado vazio do palco que veio a outra sombra, a que estava no corpo dela, aquela que ela vinha enfrentando calada, sem deixar o Brasil ver.
E é para dentro desta parte mais escura da história que preciso te levar agora. A casa ficou diferente depois dessa perda. tem um tipo de silêncio diferente que pesa, que ocupa lugar, que se senta ao seu lado no sofá e não vai embora. A Ana Maria conhecia este silêncio. Ele ficou mais fundo. Depois de 2020, o estúdio continuava cheio de gente, de luz, de movimento, mas tinha um vazio do lado dela que nenhuma quantidade de gente preenchia.
E enquanto o Brasil tomava o pequeno-almoço, achando que estava tudo bem, que ela estava firme como sempre, carregava sozinha um peso que quase ninguém sabia o tamanho, porque o corpo dela estava em guerra e não era a primeira vez. Deixa-me te contar a guerra do corpo desta mulher, porque é de embrulhar o estômago. O primeiro cancro dela apareceu lá em 1991, cancro de pele do tempo em que viveu em Itália e apanhava sol a mais, sem saber o preço que ia pagar depois.
Resolveu com cirurgia. Achou que tinha acabado. Não tinha. 10 anos depois. Em 2001 veio o pior de todos, um cancro na região do direito, agressivo, daqueles que chegam quietos e quando descobrem já estão adiantados. Ela própria contou anos depois que quando descobriram, o médico olhou para ela e disse que ela tinha muito poucas hipóteses de sobreviver.
Pouquíssimas. Imagina ouvir isso. A Ana A Maria teve de se afastar do programa, se trancar num tratamento de quimioterapia e radioterapia, que ela descreve até hoje como uma das dores mais brutais que um corpo aguenta. Foi nessa altura que ela se agarrou numa santa Nossa Senhora de Fátima, que ia acompanhá-la para o resto da vida.
E ela venceu. Contra a estatística, contra o prognóstico. Ela venceu, mas o corpo dela não deu sscebo. Em 2015, um cancro no pulmão, cirurgia remoção do tumor e de novo ela voltou ao ar como se nada fosse. E em 2020, logo nesse ano da pandemia, precisamente nesse ano em que o Tom Vega morreu, o cancro do pulmão voltou e voltou pior, espalhado pelo corpo.
Ela estava a tratar-se com quimioterapia, com imunoterapia, sentindo no corpo tudo que um tratamento destes faz com que uma pessoa sentir e mesmo assim acordando antes do sol para lhe fazer companhia. sorrindo no ar, sem deixar transparecer. Quantas manhãs será que ela entrou naquele estúdio com o corpo dorido, com medo? E mesmo assim deu bom dia ao O Brasil, como se nada estivesse acontecendo.
E como se não bastasse, anos depois ela ainda revelou uma coisa que tinha guardado a sete chaves, que já tinha também enfrentado um cancro de mama no passado e que o público nunca soube na época. Quer dizer, nem tudo o que esta mulher transportou no corpo, ela partilhou com o Brasil. Algumas batalhas ela travou completamente sozinha, no escuro, sem contar para ninguém, e ainda assim levantou todo o dia para cuidar da manhã dos outros.
Faz a conta com calma. O melhor amigo enterrado, o cancro voltando pela quarta vez no corpo, um país inteiro em pânico com a pandemia e ela no ar todos os dias segurando a manhã do Brasil. tudo no mesmo ano. Agora preciso que você guarde uma coisa. Um pormenor, naquele mesmo período, no meio de toda esta escuridão, havia um homem que já estava ali perto dela, todos os dias trabalhando à volta dela nos bastidores, sem que ela desça muita bola.
Guarda este pormenor com carinho, porque quando este homem aparecer de verdade nesta história, lá no finalzinho, vais perceber por que razão lhe pedi para prestar atenção bem agora. E eu aviso-te desde já, não é pelo motivo que está imaginando. Há um dia na vida de uma pessoa assim que é o mais difícil de todos.
Vai pensar no enterro? No dia do diagnóstico, mas não é nenhum desses. O mais difícil é um dia comum. É a noite em que ela chega a casa depois de mais um programa, tira o salto, tira a maquilhagem e a casa enorme está toda dela. Só dela, sem o companheiro de palco que se foi, sem o marido na cama, porque mais uma vez não tinha dado certo, com o corpo cansado do tratamento.
E ela senta-se na beira da cama, naquela mansão que o dinheiro do mundo inteiro comprou, e não tem para quem dar as boas noites. Faz a conta a quem tinha ficado. Os maridos, um a um, tinham ido embora. O parceiro de mais de 20 anos de manhã tinha morrido. Os filhos já crescidos com a sua vida e o telefone que um dia tocou o tempo todo, tocava cada vez menos naquelas horas da noite. Sobrava ela, ela e o silêncio.
E sabe o que esta mulher disse uma vez sobre tudo isto, ela não disse com lágrima nos olhos. Ela disse com aquele sorriso meio de lado, da maneira que só quem já chorou muito consegue rir de uma dor. Ela disse com todas as letras. Eu já casei bastante, não é? Eu nunca tive marido completo que lava, passa, cozinha, estende roupa para um segundo nesta frase comigo, porque ela parece uma piada e é, mas é a piada de uma mulher que no fundo estava a dizer uma coisa muito mais pesada, que em todas as aquelas vezes em que ela apostou, em todas as
aquelas vezes em que ela acreditou, Nunca apareceu alguém que ficasse de verdade, que dividisse a vida, o peso, a casa, o silêncio. Tinha o Brasil inteiro de manhã e não tinha ninguém para estender a roupa com ela ao fim do dia. E você que está aí no sofá agora já sabe exatamente do que estou a falar.
Porque o que mais pesa no vazio são as coisas pequenas. É não ter a quem comentar uma parvoíce da novela. É comer sozinha, dormir sozinha, acordar de madrugada com um mau pensamento e não ter um ombro do lado para encostar a cabeça. A casa cheio de coisa, o frigorífico cheio, a conta no banco cheia e mesmo assim aquele buraco que mora no meio do peito e que dinheiro nenhum tapa.
Ana Maria, no auge da fama, conhecia este vazio de cor. Conhecia até melhor do que muita gente. Este era o fundo do poço da Ana Maria. E era um fundo de poço estranho, porque por fora era só sucesso. Dinheiro, fama, gente a aplaudir, tudo de sobra. Por dentro, uma mulher no topo absoluto da vida, com a saúde ameaçada.
O melhor amigo enterrado. Quatro amores que não vingaram nas costas sozinha numa casa demasiado grande, olhando para trás aos 70 anos e colocando-se a questão que talvez você aí no seu sofá já se tenha feito alguma noite destas. Será que para mim já passou? Será que agora é só isso até ao fim? E a resposta que ela deu ao esta pergunta é a coisa mais bonita desta história inteira.
E aqui vem a quarta coisa que te prometi. O dia, ou melhor, a soma dos dias em que a vida dela partiu em duas. Lembra-se que eu falei-te dos amores que não deram certo? Quatro vezes ela subiu ao altar antes de hoje. Agora deixa-me contar como foram. Porque cada um conta uma parte dessa mulher. O primeiro foi o pai dos filhos dela, o economista Eduardo de Carvalho.
Um homem que chegou a trabalhar no Ministério das Finanças. Gente de outro mundo, do mundo dos números e do governo. Casarão em 1980, estiveram juntos 12 anos e tiveram a Mariana e o Pedro. E vejam a ironia da vida. Foi mais ou menos um ano depois desta separação que a Ana Maria rebentou de vez na televisão com note e a note. Ou seja, a fama nacional chegou para ela mesmo na altura em que a casa estava desmoronando.
O Brasil inteiro a aplaudindo de manhã e dentro de casa o silêncio de uma família rachada, porque a separação deste casamento lá em 1992, que abriu a primeira grande ferida da vida dela. Só que esta ferida doeu num lugar que ninguém esperava, dentro de casa com os próprios filhos. A gente vai voltar a isso porque é uma das partes mais bonitas do final.
Depois veio um homem que começou por trabalhar para ela. O Carlos Madrulha era motorista e segurança da Ana Maria antes de se virar marido. Imagina o homem que dirigia o carro dela, que tratava da segurança dela, tornou-se o seu companheiro. Casaram em 1997, estiveram juntos 5 anos. E, quem diria, foi precisamente nessa altura com este marido que nasceu, o Louro José.
Culta-se que a Ana Maria estava presa no engarrafamento em São Paulo num dia qualquer e comentou com o Carlos que precisava de um boneco para fazer uma passagem do programa Ficar menos dura. Foi de uma conversa parva dentro de um carro parado no trânsito que saiu o papagaio que ia fazer rir o Brasil durante mais de 20 anos. Repara no tamanho do acaso.
E quando este casamento acabou, acabou em paz. Tanta paz que anos e anos depois ela ainda se lembrou do Carlos com carinho, sem mágoa nenhuma. Repara que não sobrou raiva ali. Ela amou aquele homem do maneira que deu e soube despedir-se sem ódio. Houve o Marcelo Frisoni, um empresário com quem viveu de 2005 a 2013.
Este foi o casamento das viagens das festas da vida grande. Os dois chegaram a tatuar o nome do outro na pele. Percebe o tamanho da entrega? tatuar o nome de um homem no próprio corpo. E, mesmo assim, anos mais tarde, este casamento desfez-se de um jeito conturbado dos que deixam cicatriz e teve o último antes de agora. Esse é o que magoa de um jeito diferente, porque veio bem no pior momento.
Já passada dos 70 anos, no finalzinho de 2019, a Ana Maria voltou a apaixonar-se, de verdade, por um francês, o Johnny Lucette. Em fevereiro de 2020, no comecinho da pandemia, eles oficializaram a União numa cerimónia simples. Ela tinha planos para fazer uma grande festa quando se curasse do cancro, mas a vida não deixou.
Em junho de 2021, ela pediu o divórcio e o homem dizem foi apanhado completamente de surpresa. Ele próprio contou à imprensa que tinha sido surpreendido com o fim. E olha o pormenor que parte o coração. Tudo isto aconteceu enquanto ela lutava contra o cancro no organismo. Quer dizer, ela perdeu o amor e enfrentou a doença quase de mãos dadas.
Falaram até numa montante elevado, mais de 1 milhão de reais, que ela teria pago por este capítulo sem serrar de vez, para este homem desaparecer da vida dela. Imagina o desgaste para uma mulher chegar a esse ponto, no meio de um tratamento oncológico. Quatro vezes ela acreditou, por quatro vezes apostou o coração na mesa, quatro vezes não deu certo.
E agora chega a parte que eu te prometi lá no início, quando te disse que o motivo não era o que lhe estava a imaginar. que é fácil olhar para uma mulher que casou quatro vezes e pensar uma porção de asneira que era difícil, que era complicada, que ninguém aguentava. E é exatamente o contrário. O problema nunca foi falta de quem a quisesse.
O problema é que a Ana, a Maria, era uma mulher demasiado grande para o tamanho que o mundo reservava à mulher. forte demais, dona demais da sua própria vida, do próprio dinheiro, da própria voz, numa época em que a maioria dos homens não fazia a mínima ideia do que fazer com uma mulher assim. Eles queriam ser cuidados e ela já tomava conta do Brasil inteiro.
Não sobrava colo para um homem que não sabia ser parceiro de igual para igual. E tem mais uma coisa que é dura de dizer, mas é verdade. Quando uma mulher é muito bem-sucedida, muito independente, muito dona do seu próprio nariz, aparece sempre pessoas para dizer que o problema ela, que ela é difícil, que ela espanta os homens.
Ninguém diz isso de um homem rico e poderoso que troca de mulher de tempo em tempo. Da mulher falam: “E a Ana Maria carregou este julgamento a vida inteira”. Calada, enquanto seguia trabalhando, continuava a cuidar de todo mundo, continuava a ser a primeira a acordar e a última a apagar a luz. Talvez ela nunca tenha sido demais.
Talvez o mundo é que ainda não soubesse o que fazer com uma mulher do tamanho dela. Agora vou fazer uma coisa que se calhar não esteja à espera. Eu vou parar só um instante, porque há alturas que a gente precisa de ficar em silêncio para deixar uma coisa destas assentar. Pensa-me essa mulher, 70 e poucos anos, o corpo em tratamento do cancro.
O amigo de palco enterrado, o último amor desfeito no meio da doença. A casa silenciosa e o Brasil na manhã seguinte à espera do sorriso dela novamente, sem saber de nada. Fica neste silêncio comigo por um segundo, porque é nesse silêncio que mora a questão: “O que será que uma mulher faz quando chega a esse ponto? Quando a vida te dá quatro, cco 10 motivos para fechar o coração e jogar a chave fora, a maioria das pessoas se fecha, torna-se amarga, decide que o amor era coisa de quando era jovem e pronto, acabou. A Ana Maria não. E o Brasil, que
só via o sorriso de manhã, não fazia ideia da decisão silenciosa que aquele mulher estava a tomar sozinha naquela casa grande. Deixe-me fazer-lhe um convite agora no meio desta história. Se está a sentir o que eu estou sentindo-se contando isso, escreve uma palavra aqui nos comentários para mim. Escreve coragem.
Só isso, porque é disso que esta mulher é feita. E eu quero ver quantas pessoas, assim como você ficaram até aqui comigo. E se conhece alguém que precisa de ouvir que nunca é tarde, envia-lhe esse vídeo depois. Agora vem que eu vou mostrar-te o que a Ana Maria fez com toda esta dor. A vida não pára para ninguém chorar. E a Ana Maria sabia-o melhor que qualquer um, porque no dia seguinte, a cada uma destas dores tinha um país inteiro à espera do bom dia dela.
Tinha um estúdio, uma luz a acender, um café sendo passado e milhões de pessoas, talvez você entre elas, ligando a televisão e à espera daquele sorriso. E ela ia todo o santo dia, ia com o coração em pedaços. com o corpo dorido, com a cadeira do amigo vazia do lado. Ela passava maquilhagem por cima de tudo isto e entrava no ar para cuidar da manhã dos outros.
Pensa na força que é isso. A gente, com um démo do que ela carregava, já não conseguiria sair da cama. E ela levantava o Brasil inteiro todos os dias escondendo a própria dor para não pesar a sua. Esse era o trabalho silencioso daquela mulher sofrendo no escuro para te entregar luz de manhã. E o Brasil lentamente foi compreendendo quando se soube que ela tinha enfrentado o cancro não uma, mas quatro vezes, e seguiu-se a trabalhar quando se soube o tamanho da perda do Tom Veiga para ela.
O país que se ria com ela há quase 50 anos parou e apercebeu-se de uma coisa. Por trás daquela alegre apresentadora da manhã tinha uma guerreira que tinha passado por coisas que derrubariam um batalhão e mesmo assim continuava de pé, sorrindo, fazendo o seu café. O carinho voltou multiplicado, as mensagens, o reconhecimento, respeito de um povo inteiro.
E o programa que precisava continuar teve de arranjar um jeito de continuar sem o Louro José. Em 2022, depois de um tempo, entrou no ar um papagaio novo, o Louro Mané, apresentado como se fosse o filho do ouro José. O programa inventou até uma história de teste de ADN, uma brincadeira para suavizar a falta e fazer o Brasil rir outra vez.
Foi a forma que encontraram de honrar o velho amigo sem fingir que dava para repor. Porque repor não dava. Você pode pôr outro boneco na cadeira, o homem que dava voz e vida àquele. Esse não tem como substituir. Mas tem uma ferida desta história que prometi que ia voltar e é das mais doídas, porque não é com um estranho, é com sangue do próprio sangue.
Lembras-te que eu te falei da separação do pai dos filhos dela? lá em 1992. Pois, os filhos eram novos, não compreenderam e fizeram o que muito filho faz. Botaram a culpa na mãe pela separação. Chegaram a sentir raiva dela. Imagina dor a mulher que o Brasil inteiro amava, que era a mãe da manhã do país, sentindo que os próprios filhos viravam o rosto para ela dentro de casa.
Não há fama no mundo que cure uma dor dessas. E aqui está uma das coisas mais bonitas, porque essa sim ela conseguiu resolver. O tempo passou, os filhos cresceram, tornaram-se adultos, tornaram-se pais e compreenderam. perceberam quem era a mãe deles de verdade. A raiva virou admiração, a mágoa transformou-se em respeito.
Hoje a Mariana e o Pedro são, nas palavras de quem conhece, os melhores amigos da mãe. E esta história que começou com uma família rachada. Ganhou cinco netos. O Bento, a Joana, a Maria, a Varuna e a Ima. A ferida que parecia que nunca mais ia fechar, fechou. Sobrou o amor onde antes tinha raiva.
É bonito ver no que estes filhos viraram, por não puxarem em nada a vida de holofote da mãe. Mariana, a mais velha, tornou-se professora de yoga, casou com um colombiano e leva uma vida simples no meio do mato, num sítio no interior de São Paulo, longe de tudo o que é fama. O Pedro, o mais novo, trabalha com imagem, com fotografia, mas faz questão de ficar atrás das câmaras no anonimato, cada um à sua maneira, longe do barulho.
E mesmo tão diferentes da mãe, ou talvez, por isso mesmo, sejam hoje o porto seguro dela. Tem uma simetria bonita nisso. A mesma mulher que perdeu o pai dos filhos, que enterrou o amigo de palco, que viu o marido atrás do marido ir embora, foi recuperando devagarinho tudo o que parecia perdido para sempre.
Os filhos voltaram, os netos chegaram. A casa que tinha ficado muda encheu-se de voz de criança de novo, como se a vida depois de cobrar tão caro a esta mulher tivesse resolvido no finalzinho devolver tudo com juros. E depois vem a quinta coisa que te prometi. Porque depois de tudo isto, depois do quarto amor que não vingou, depois do cancro voltar, depois de enterrar o amigo de mais de 20 anos, restava uma única porta ainda aberta na vida desta mulher, uma única pergunta sem resposta.
E era aquela mesma que talvez já se tenha feito numa noite destas. Depois de tanto, vale a pena continuar a acreditar no amor ou é tempo de fechar essa porta de uma vez e aceitar que para si já passou. Olha bem o que esta mulher fez, porque era tão, tão mais fácil de fechar. Ninguém ia culpabilizar a Ana Maria se ela tivesse dito: “Basta, não quero mais, já me magoei demais”. Mas ela escolheu o contrário.
E o mais bonito é como ela explicou esta escolha. Numa entrevista falando dos casamentos que não resultaram, ela disse uma coisa que eu queria que tu anotasse e colasse no espelho do seu banheiro. Ela disse assim que nunca dá errado por culpa de uma só pessoa, que a as pessoas têm que olhar para o que fizeram para aquilo acontecer, queem ninguém faz nada por nós.
E que a pergunta certa é: Como é que saio desta melhor? mudando o padrão e aprender a gostar de nós mesmo. Deixa esta frase respirar 5 segundos consigo, porque tem ali dentro dela anos de uma mulher a aprender a se cuidar primeiro, a olhar primeiro, sem deixar o coração endurecer. Ela não fechou a porta. Ela só aprendeu a esperar do lado de dentro, inteiro, sem pressa, sem desespero, de portas no trinco, mas no trinco.
E é por isso que eu disse-te lá atrás que a resposta que ela deu para aquela pergunta era a coisa mais bonita desta história. Porque uma mulher que mantém o coração aberto, depois de tudo o que esta mulher viveu, merece o que veio depois. E o que veio depois, minha querida, é a parte que eu guardei para o fim, a parte que muda tudo.
E agora, depois de toda esta montanha russa, deixa-te contar como a Ana Maria vive hoje com 77 anos. Ela continua exatamente onde sempre esteve, no topo. O mais continua a ser dela. A manhã do Brasil continua passando pela voz dela. Aquela menina do interior de São Paulo, a que estudou para ser bióloga, a que passou por jornal e por revista antes de encontrar a televisão.
Hoje é a matriarca da manhã brasileira, quase 50 anos de ecrã. E ela não se está a despedir, está firme, lúcida, trabalhando com esse mesmo sorriso de sempre. Há pessoas que aos 77 está parada à espera que o tempo passe. A A Ana Maria está a acordar um país, mas a verdade de hoje não está só na carreira, está dentro de casa.
Aquela casa que um dia foi demasiado silenciosa, demasiado grande para uma só pessoa. Hoje há barulho de novo. Há um neto a correr pelo corredor. Os cinco netos, os filhos, a Mariana e o Pedro, que um dia se afastaram e hoje estão coladinhos a ela. A ferida, que parecia eterna tornou-se abraço. Numa mulher que passou tantos anos a chegar em casa para um vazio, hoje chega para uma família.
De tudo o que ela conquistou, é isso que ela mais protege. Mais do que o dinheiro, mais do que a fama. E não pensa que ela amoleceu, que se tornou uma velhinha sossegadinha no canto da casa. Nada disso. Aos 77 anos, a Ana Maria continua acordando antes do sol, continua no comando, continua a ralhar em quem precisa, continua a mandar no estúdio.
Há dias em que ela discute ao vivo, há dias que ela chora em direto, há um dia que ela ri até quase ficar doente. continua inteiro do mesmo tamanho que sempre foi. A diferença é que agora quando as luzes do estúdio apagam-se e ela tira a maquilhagem, tem alguém à espera dela em casa.
E talvez seja essa a única peça que faltava para a história ficar completa. Os últimos anos dela foram de reconstrução silenciosa. Ela enterrou o amigo, venceu a doença mais do que uma vez. viu o último casamento desfazer-se do meio do tratamento e mesmo assim não baixou a cabeça. Foi-se reconstruindo de manhã em manhã, café em café, abraço em abraço.
Cada dia que ela entrava no ar sorrindo, era um pedacinho dela se remendando por dentro sem que o Brasil percebesse. E tem um lugar nesta história que preciso que visite comigo antes do fim. É a mesa do pequeno-almoço, o estúdio do mais você. Pensa no que aquele lugar significou na vida dela. Foi dali que ela cuidou do Brasil inteiro por décadas.
Foi para longe dali que ela voltou tantas e tantas noites a uma casa vazia. Aquele estúdio viu tudo, viu o auge, viu o sorriso, viu a perda do Toul Veiga, viu-a entrar no ar com coração em frangalhos e o corpo em tratamento. A Kelly lugar foi a testemunha mais fiel da vida desta mulher. E agora preciso que você fique muito quietinha comigo, porque tem uma pessoa que eu ainda não te Apresentei direito, uma pessoa que durante todo este tempo esteve mais perto da Ana Maria do que imagina, longe dos holofotes ali nos bastidores, nesse mesmo estúdio todos os dias. Essa é a
sexta coisa que te prometi. que muda tudo. Hoje, com 77 anos, a Ana Maria Braga está novamente casada. Mas eu preciso que compreenda, este casamento é o avesso de tudo o que ela viveu, porque pela primeira vez na vida, ela não foi procurar o amor longe, noutro estado, noutro país, com empresário de viagens ou estrangeiro de tatuagem.
Desta vez o amor da sua vida estava do lado dela o todo o tempo e ela não tinha visto. Lembra do homem que te pedi para guardar com carinho lá atrás quando estávamos no fundo do poço dela. Aquele que eu disse que estava perto, todos os dias trabalhar nos bastidores sem que ela desse muita bola. E lembra-te que eu te avisei que não era pelo motivo que V.
estava a imaginar, pois chegou a hora. Era ele. Chama-se Fábio Arruda. É jornalista. trabalhou anos na área da desportiva e de imagens da própria Globo e foi parar aos bastidores do programa dela, cuidando das imagens das redes sociais do dia-a-dia. Durante a pandemia, naquele período mais escuro da vida da Ana Maria, no meio da doença, do luto, da solidão, os dois foram se aproximando-se ali no corredor do estúdio.
devagar, sem trompete, sem holofote, no lugar mais comum possível. Foi assim que começou o amor que ela tinha procurado a vida inteira. Sem pressas, de 2022 para cá, o que era uma convivência de trabalho nos bastidores foi-se tornando companhia, foi-se tornando namoro, foi tornando-se certeza.
3 anos de uma construção quietinha, sem alarido, longe das câmaras que ela acende para o Brasil todas as manhãs. A mulher que se casou quatro vezes a vasculhar o mundo atrás de um amor que ficasse encontrou esse amor a poucos metros da própria cadeira no corredor da casa onde ela cuidava do Brasil todas as manhãs.
Estava ali o tempo todo. E a 4 de abril de 2025, na mansão dela, rodeada de gente querida, com famosos como Luciano Hul, Angélica, Sabrina Sato e Eliana na festa, a Ana Maria aos 76 anos voltou a dizer sim pela quinta vez, só que desta vez é a vez que deu certo. Teve mais. Meso em junho, renovaram os votos numa cerimónia religiosa na capela que a própria Ana Maria mandou construir na sua quinta em bofete.
E esta capela tem uma história. Ela foi erguido durante a pandemia, bem naquele período mais escuro para albergar as imagens de Santos que a Ana Maria coleciona há anos. é dedicada à Nossa Senhora de Fátima, a mesma santa que tinha-a acompanhado lá atrás no cancro mais difícil da vida dela. É, entre aquelas imagens há uma que foi presente de uma grande amiga que já partiu, a Rebec Camargo.
Quer dizer, no dia em que a Ana Maria casou finalmente com o amor certo, ela estava rodeada pelos santos que asseguraram os piores momentos e pela lembrança de uma amiga que ela perdeu. E olhem o pormenor que fecha tudo. Para entrar nesta capela, no dia do casamento, a Ana Maria entrou de braço dado com o filho, o Pedro, e com um dos netos, o Bento, o mesmo filho que um dia teve raiva dela. Pensa nisso.
O filho que se afastou foi quem a levou ao altar do amor que resultou. E aqui está a coisa que talvez aperte o seu peito de um modo diferente do início. No início deste vídeo, eu disse-te que esta mulher não tinha ninguém para dar as boas noites, que do outro lado da cama larga, na maior parte do tempo, não tinha ninguém, pois hoje tem aos 77 anos, depois de quatro amores que não vingaram, depois de quatro batalhas contra o cancro, depois de enterrar o amigo de mais de 20 anos, depois de filhos que se afastaram e voltaram. A Ana Maria já não dorme
sozinha e ao lado dela está agora o amor que ela esperou toda a vida de portas no trinco, sem deixar o coração endurecer. A mensagem que esta mulher deixou ao mundo, depois de tudo, foi simples. Foi para ti que estás aí no sofá agora, pensando que talvez para si já tenha passado. A mensagem foi essa, que não é para desistir do amor, para tudo.
E pensa nisso. A mulher que tinha tantos motivos para desistir, que tinha idade para desistir, que tinha dores de sobra para desistir, virou-se para si e disse: “Não desiste”. Porque se chegou para ela depois de tudo, aos 76 anos do lugar mais próximo possível, por isso não é tarde para ninguém, nem para ela, nem para mim, nem para si.
É uma coisa que qualquer pessoa que já se sentiu sozinha numa noite destas, que já pensava que o o amor era coisa de outro tempo, que já chegou a casa sem ninguém para dar boa noite, percebe? Sem precisar de explicação nenhuma. Olha de novo aquela imagem do início. A Ana Maria sorrindo no mais você.
impecável como em todas as manhãs. Só que agora já sabe o que tem por detrás daquele sorriso. Quatro amores, quatro batalhas contra a doença, um amigo que ela nunca superou, uma família que voltou e um amor que estava do lado o tempo todo. O sorriso é o mesmo, mas para si ele nunca mais vai ser o mesmo.
A fama é uma luz que aquece de longe e arde de perto. A Ana Maria viveu nas duas pontas dessa luz e no fim descobriu uma coisa simples que custa uma vida inteira para aprender. O amor que procuramos longe, quase sempre está perto. Por vezes do outro lado de um corredor. Chegou até aqui, se essa história mexeu contigo, faz uma coisa por mim. Não guarda só para si.
Manda este vídeo para alguém que precisa de ouvir que nunca é tarde. Para a sua irmã, para a sua amiga, para a sua filha, para si própria daqui a pouco. Porque é que tem mulher demais pensando que para ela já passou? Quando na verdade o amor pode estar ali ao lado à espera que ela abra a porta. Se inscreve, ativa o sininho e deixa aqui por baixo a sua mensagem: Você ainda acredita no amor? Eu quero ler e fica comigo que amanhã tenho outra história destas de uma vida de verdade para te contar baixinho, só para ti.