Aos 81 anos, RONNIE VON e a TRAGÉDIA dos dois MENINOS que perderam a mãe 

Aos 81 anos, RONNIE VON e a TRAGÉDIA dos dois MENINOS que perderam a mãe

O Brasil inteiro chamou-lhe príncipe. Rebecam Margo deu-lhe este apelido em 1966 e o apelido pegou. Ronnie Von virou o rosto da Jovem guarda, o rival do rei Roberto Carlos, o ídolo que as raparigas recortavam das revistas para colar na parede do quarto. Mas há uma coisa que o Brasil nunca viu.

 Uma noite, no fim dos anos 70, a mulher do príncipe foi embora e deixou os dois filhos pequenos lá dentro sozinhos, à espera de uma mãe que não ia voltar. E poucos meses depois, o corpo do príncipe parou. Literalmente, O Ronnie acudou de manhã e não conseguia mais mexer as pernas. Ficou um ano paralisado numa cama e numa madrugada pediu a um cuidador uma coisa que ele nunca tinha contado a ninguém.

 Foram semanas a rever entrevistas, arquivos da TV Record e depoimentos sobre uma dor que demorou 50 anos a nomear, porque o Brasil inteiro conheceu o príncipe. Mas estes dois meninos nunca conheceram uma mãe. E o que acontece com o homem quando os filhos perdem a mãe duas vezes? Uma quando ela se vai embora e outra quando o pai também desaba.

 É uma história que o palco da Jovem Guarda escondeu durante quase meio século. Se essa frase doeu-lhe, perder a mãe duas vezes, subscreve o canal. Aqui a gente conta as histórias que os palcos nunca contaram. Para perceber como estes dois meninos foram parar sozinhos a uma casa à espera uma mãe que não voltava, precisamos voltar muito antes.

 Em Niterói, 1944, nasceu um menino numa família requintada de raízes alemãs. Estudou economia e aviação para agradar aos pais. Mas a música puxava-o para o lado oposto. E Ronnie tinha duas coisas que poucos rapazes daquela época tinham juntas. Voz para cantar romance e rosto de capa de revista. Quando o cantor Agnaldo Raiol se cruzou com ele numa roda musical do Rio, viu o que ninguém ainda tinha visto.

 Levou o Ronnie para São Paulo e apresentou o miúdo pros donos do meio artístico paulista. Em 1966 gravou Meu Bem, versão portuguesa de Girl dos Beatles. Subiu nas tabelas, tornou-se notícia. E foi numa noite na TV Record que Rebec Camargo olhou para aquele rapaz alto, bem vestido, com modos de sala de jantar, com toalha branca e soltou a palavra que ia colar na pele dele para sempre.

 Ela disse: “Este é um príncipe”. O apelido pegou. A TV Record estreou um programa à medida para ele. O pequeno mundo de Ronnie Van, cenário de conto de fadas, luzes douradas, um castelo de mentira, onde o Príncipe recebia todo o domingo os artistas que ele próprio escolhia, mas tinha um problema. A mesma A TV Record dava palco também ao programa Jovem Guarda de Roberto Carlos.

E os bastidores tinham uma regra silenciosa. Quem participasse do jovem guarda do rei estava proibido de pisar o programa do príncipe e vice-versa. Os jornais sentiram o cheiro. Inventaram a manchete. Hey contra Principe. As fãs dividiram-se em equipas e o que era duas estrelas da mesma estação tornou-se uma rivalidade nacional.

 que vendia a revista Feito Água. Ronnie sempre disse que nunca teve quezília pessoal com Roberto, que a rivalidade foi inventada pela imprensa e pela assessoria do rei só para empurrar mais discos. Mas em 1967, com 23 anos, Ron estava no topo, tinha o Brasil aos pés. E foi exatamente neste pico, com a vida demasiado arrumadinha para ser verdade, que conheceu a mulher que ia mudar tudo.

O seu nome era Aretusa. Nogueira, jornalista, jovem, bonita, com uma cabeça irrequieta e uma enorme vontade de viver. Conheceram-se numa altura em que Ronnie ainda nem era o príncipe. Em 1963, com 19 anos, Ronnie pediu a Arusa em casamento. Ela aceitou e foi com ela, do lado dele que veio tudo o que viria.

 Os primeiros êxitos, a Rebeca Camargo dizendo o novo nome, as capas de revista, as plateias gritando em entrevistas. que deu décadas depois. Ronnie repete a mesma frase sobre ela. Aretusa foi uma grande companheira, uma palavra escolhida com cuidado de quem sabe que tem de respeitar a memória, de uma coisa que já não dá para consertar.

E foi com esta companheira que teve em 1970 os dois filhos, Alessandra em janeiro e Ronald em dezembro do mesmo ano. 11 meses de diferença. Dois bebés na casa do príncipe. Por fora, aquela família era um postal. Ronnie aparecia nas revistas com a camisa abotoada. O sorriso rasgado, os dois bebés ao colo. As fãs comentavam: “Olha que casal lindo.

Olha como o príncipe acertou na vida. E em casa, Ronnie era mesmo um pai presente. A filha Alessandra não deixava ninguém lhe pentear o cabelo. Sou o pai. Este pormenor, Ronnie, conta com a voz embargada até hoje. Tudo parecia certo. Tudo parecia estar no lugar. Mas se tem uma coisa que esta audiência aqui sabe melhor que ninguém, é que o casamento bonito por fora, nem sempre é casamento inteiro por dentro.

 Se já viveu o silêncio de uma casa que parecia perfeita, se já a guardou para dentro coisas que ninguém da rua viu, se subscreve o canal. Aqui contamos o que o castelo escondeu, porque por dentro daquele postal as coisas iam diferente. Ronnie nunca escondeu em entrevistas dos últimos anos que cometeu muitas asneiras. Foi infiel, a primeira esposa”, disse esta frase, olhando diretamente para a câmara.

Se o arrependimento matasse, eu já tinha morrido. A fama tinha um peso que ele não soube carregar. Os concertos, as digressões, a tentação fácil que acompanha o aplauso. E Aretusa ficava em casa com os dois meninos. Aretusa esperava. Aretusa sabia. E pouco a pouco, em silêncio, sem querelas escandalosas, sem manchete em revista, o casamento foi desfazendo-se por dentro.

 Como boa roupa que vai gastando do avesso onde ninguém olha. No fim dos anos 70, ausa tomou uma decisão. Não foi uma decisão de hora. Foi uma decisão de muito pensar, de muito chorar sozinha. E numa noite com Alessandra prestes a completar 7 anos e Ronaldinho Prestes a fazer seis, Aretusa chegou perto do Ronnie e disse uma coisa que ia carregar para o resto da vida.

disse uma coisa que nenhuma mãe brasileira daquela geração teria coragem de dizer. E Ronnie, o príncipe da jovem guarda, o homem que tinha o Brasil aos pés, não conseguiu reagir. Porque o que Aretusa decidiu naquela noite não foi sair do casamento. Foi algo que ninguém da família estava preparado para ouvir.

A frase de Aretusa foi simples. Ela disse: “Os meninos vão ficar contigo, Ronnie”. Não foi uma luta, não foi um grito, foi uma frase dita com a voz baixa de quem já tinha pensado muito, chorado muito e chegado a uma conclusão da qual já não ia voltar. Aratusa tinha decidido entregar os próprios filhos. Não para uma ama, não para uma avó, pro pai, a Ronnie.

 E quando Ronnie, anos depois conta essa noite numa entrevista, ele faz questão de explicar uma coisa, que muita mulher desta audiência vai compreender melhor do que ele próprio entendeu naquela altura. Ele diz com estas palavras: “Foi uma atitude de amor da minha ex-mulher. Ela achou que eles ficariam melhor nas minhas mãos.

 Ela achou que eu seria uma mãe melhor do que ela. Pensa nisso por um segundo. Uma mãe brasileira no final dos anos 70, numa época em que uma mulher que saía de casa era xingada na rua e pai com a guarda dos filhos era visto como uma aberração. Esta mulher, sabendo que ia ser apontada o resto da vida, optou por sair de casa porque achou que era melhor para os filhos dela. Aretusa não abandonou os filhos.

Aretusa sacrificou a sua própria vida para que ficassem onde ela achava que iam ser mais felizes. Este é o tipo de história que só uma vida inteira ensina a compreender. Mas para Ronnie naquele momento, o amor que vinha embrulhado naquela decisão não dava para ver. O que ele via era uma porta se a fechar, um casamento a tornar-se passado de uma só vez.

 Aretusa arrumou as coisas dela com a calma de quem sabia que esta decisão tinha um preço que ela ia pagar para o resto da vida. beijou os dois meninos a dormir. Não acordou Elis, achou que era melhor assim e saiu. No dia seguinte, Alessandra acordou para mais um dia comum. Estava prestes a fazer 7 anos. Ainda dormia com um peluche no peito.

 Foi para cozinha procurar a mãe. Na cozinha só o pai. Ronaldinho correu pela casa à procura, subiu para a cama dos pais. A cama estava feita. Foi na casa de banho vazia. Foi na sala, não estava ninguém. Foi um dos dois que olhou para Ronnie nessa manhã e fez a pergunta que toda a criança do mundo faz quando descobre que perdeu uma mãe.

A criança perguntou: “Pai, a mãe não vai voltar mais?” Ronnie nunca contou em entrevista o que respondeu naquele segundo. Nem num programa de televisão, nem em livro. Talvez porque aquela resposta seja a única coisa que ainda é só dele e dos dois filhos. Mas o que a gente sabe é que naquele instante alguma coisa dentro dele decidiu uma coisa.

decidiu que aqueles dois meninos nunca iam sentir que perderam os dois pais no mesmo dia, que se Aretusa não estava mais ali, ele ia ser os dois. Nas 48 horas seguintes, Ronnie cancelou contratos, concertos, viagens, ligou para emissora e repetiu a mesma frase. Agora sou pai sozinho. Vou ter que reorganizar tudo.

 Para um cantor de 34 anos no auge, isto era cortar-se pela metade. Mas Ronnie cortou. Anos depois, escreveu um livro sobre esta fase, mãe de gravata, com a frase que repetia em toda a entrevista: “Eu não fui pai, eu fui mãe, não fui pai, fui mãe.” Mas o que Ronnie ainda não sabia é que o corpo de um homem tem um limite para carregar a dor de ser duas coisas ao mesmo tempo e que esse limite chega sem avisar.

O limite chegou pouco depois, era 1979. Ronnie tinha 33 anos. Uma manhã ele acordou e tentou levantar-se da cama. A perna direita não obedeceu. Tentou de novo. A perna esquerda também não. Em poucos dias a fraqueza subiu. Primeiro as pernas, depois o tronco, depois os braços. O corpo do príncipe estava a desligar-se de cima para baixo, como se uma mão invisível fosse apagando luzes uma de cada vez.

 Os médicos deram um nome difícil, síndrome de Guilan Barrey, uma doença autoimune, rara, em que o sistema de defesa do organismo ataca os próprios nervos por engano. A medicina diz que esta doença costuma vir depois de uma infecção, mas Ronnie até hoje conta de um modo diferente. Diz que o corpo dele disse que não, que aguentou o casamento desfazendo, aguentou aretusa a sair, aguentou virar mais sozinho aos 30, até que um dia não aguentou mais.

A versão dos médicos e a versão de Ronnie podem não bater, mas qualquer mulher dessa audiência que já viveu uma grande perda e sentiu o corpo cobrar a conta meses depois, sabe por dentro? Qual das duas versões fala mais alto? Ronnie ficou um ano inteiro paralisado numa cama. Um ano? sem mexer as pernas, sem conseguir apanhar os próprios filhos ao colo.

 E o pior não era a paralisia, o pior era a dor. Era como se cada centímetro do seu corpo estivesse em chamas ao mesmo tempo sem tréguar. Tinha dois enfermeiros a tomar conta dele em casa. E numa madrugada, entre o sono que não chegava e a dor que não passava, Ronnie chamou um deles para perto da cama.

 pediu uma coisa, pediu uma injeção, mas não uma injeção para dor, uma injeção para acabar tudo. Príncipe da jovem guarda, o ídolo das capas de revista, o rival do rei Roberto Carlos, o pai que tinha jurado aos próprios filhos ser pai e mãe ao mesmo tempo, pediu a um enfermeiro uma injeção letal. O Ronnie só conseguiu contar esta noite décadas depois.

 disse que não aguentava mais a dor. Diz que morrer ali seria a única libertação possível. E o enfermeiro olhou para ele e disse: “Não, poucas semanas depois daquela madrugada, alguma coisa mudou dentro daquele homem deitado. Decidiu lutar, não por ele, por dois meninos que já tinha prometido: nunca mais deixar perderem ninguém”. A fisioterapia durou 3 anos.

Três anos em que Alessandra e Ronaldinho cresceram, vendo o pai aprender a utilizar o próprio corpo de novo. Quando finalmente levantou-se, era outro homem. Resumiu o que aprendeu numa frase: “Valorizas a sua cura”. Foi neste novo Ronnie, o príncipe que voltou da cama, só para descobrir que a jovem guarda já tinha acabado, que apareceu uma segunda mulher.

 Ele jurou que desta vez ia ser diferente, que tinha aprendido que este casamento ia durar, mas a vida do príncipe ainda não tinha terminado de cobrar a conta. O seu nome era Ana Luía. Ronnie tinha acabado de sair da cadeira de rodas e nesta fase frágil conheceu uma mulher que prometeu cuidar dele. Estiveram juntos 8 anos e foram 8 anos que Ronnie não consegue contar até hoje.

 Quando lhe perguntam o nome, Mur de Assunto, no livro autorizado sobre ele aparecem relatos de traições mútuas. e de uma clicidade que se tornou desconfiança. Ana Luía respondeu ao livro e disse que sim, tinha traído, mas tinha sido traída também. A versão do Príncipe e a versão da sua mulher nunca se encontraram no meio.

 Enquanto o casamento corria mal por dentro, a carreira corria mal por fora. No final dos anos 60, Ronnie tinha apostado todas as fichas numa coisa que ninguém entendeu. gravou três discos seguidos de música psicadélica com orquestrações vertiginosas e letras de universo fantástico. O público não entendeu. Os fãs do príncipe romântico abriram o vinil e não reconheceram o cantor.

 Os jornais tornaram-se cruéis. Disseram que era o fim. Ele próprio contou à Folha de São Paulo anos depois. Foi um fiasco destes antológicos. E aqui há uma ironia. Estes discos que afundaram a carreira hoje são objectos de culto reeditados em vinil, considerados obras ousadas. Mas naquela altura eram só uma coisa para Ronnie, contas que não fechavam.

 Ronnie ganhou muito dinheiro na vida e perdeu muito também. Quando perguntam por ele dá a mesma resposta. Sem desfaz. Sou um péssimo auto-administrador. Delegava tudo e fui prejudicado por isso. Confiou num empresário que pegou o que era dele e foi-se embora sem prestar contas. O príncipe que tinha tido o Brasil aos pés, de repente percebeu que tinha pouco dinheiro poupado, dois filhos para terminar de criar e uma carreira que precisava de ser reinventada do zero.

Quando o casamento com Ana Luía desabou em 1983, Ronnie Tint outra vez. Casou em 1984. com a atriz Bia Sadle. Mas duas agendas em duas cidades mataram o casamento em menos de 2 anos. Eram três casamentos: Aretusa, Ana Luísa, Bia Sidle. três tentativas de família, três rompimentos e os dois meninos a crescer no meio de tudo isto, sem compreender porque é que o pai não conseguia sossegar.

E foi no final desse mesmo ano que Ronnie reencontrou Maria Cristina Rangel. Ah, o Kik tinha-se conhecido antes. A vida tinha separado, mas em 1986 reencontraram-se, casaram e nunca mais se separaram. Foi Kika que terminou de criar Alessandra e Ronaldinho como filhos dela. Foi ela que deu a Ronnie o terceiro filho, o Leo, e foi ela que ajudou-o a compreender que a fase mais bonita da sua vida ainda não tinha começado.

 Depois dos 70, alguma coisa mudou. Hoje, com 82 anos, Ronnie Van vive numa casa no Morumbi, em São Paulo, 3000 m², e um lago de carpas gigantes que ele vê da mesa do almoço todos os dias. Quem entra jura que está num resort de cinco estrelas. Mas é a casa do príncipe, o mesmo príncipe que um dia não tinha dinheiro para fechar as contas no final do mês.

 O mesmo príncipe que um dia ficou um ano inteiro deitado a pedir para um enfermeiro uma injecção para acabar tudo. Naquela casa entram e saem três filhos adultos. Alessandra, a menina que esperava a mãe na cozinha. Hoje é chefe de cozinha. Cozinha para o pai quando vai visitar. Ronaldinho, o menino que correu pela casa à procura.

 Hoje é empresário, cuida da vida que o pai não soube administrar. E L Von, o filho que Kika deu a Ronnie já na fase adulta, tornou-se músico. Três caminhos diferentes, saindo da mesma casa que um dia teve um quarto vazio. Em 2025, descobriram uma arritmia cardíaca grave, 30 dias internado, três cirurgias. Resumiu o mês numa só frase.

 Cheguei a chorar de dor. Depois da segunda cirurgia, suspeitaram de paragem cardiorrespiratória. Quando voltou para casa, disse à Kika a mesma coisa que tinha dito aos enfermeiros 40 anos antes, mas com outro sentido. Demorei a voltar. Hoje, aos 81 anos, Ronnie apnea do para conseguir respirar. enquanto dorme, coloca uma máscara ligada a uma máquina.

Numa entrevista à GQ Brasil, ele descreveu a cena com a única frase que dá conta do absurdo da situação. Ele disse: “Hoje durmo com uma máscara para evitar a apneia. Eu sinto-me como o Darth Vader, o príncipe da jovem guarda, o ídolo de capa de revista. O rapaz que Rebecamargo apelidou, o rival do rei Roberto Carlos, dorme todas as as noites aos 81 anos, com cara de vilão de cinema espacial para continuar respirando do trio que o Brasil amou nos anos 60, sobrou pouca coisa.

 Erasmo Carlos, o tremendão, partiu em 2022. Roberto Carlos, o rei, faz 85 anos em 2026 e ainda canta sozinho num castelo no Rio. A Veleia, a Turnerinha, ainda sobe nos palcos aos 80. E Ronnie Von, o príncipe sobreviveu. Sobreviveu à doença que ia matar. Sobreviveu à paragem cardíaca. Sobreviveu a ruína.

 sobreviveu a três casamentos quebrados. Sobreviveu à mãe, que foi embora, deixando dois bebés na cama, e sobreviveu, sobretudo, a própria certeza de que ia desabar. Numa entrevista recente, Ronnie disse uma frase que resume tudo. Diz: “Criei dois filhos de primeira grandeza.” Não disse fui um pai dedicado. Não disse Fiz o melhor que pude.

 Disse que criou dois filhos de primeira grandeza, como quem mostra o resultado de um trabalho de 50 anos e está de pé ao lado, aguardando o veredito. Alessandra e Ronaldinho nunca falaram em público sobre a mãe que se foi embora. Nunca julgaram nem o pai, nem a Aretusa, mas estão lá sempre a cuidar do pai que aprendeu a ser mãe deles.

Há uma coisa que esta história ensina. A gente passa a vida inteira a pensar que perder uma mãe é uma coisa que acontece uma só vez, no dia em que ela morre ou no dia em que ela se vai embora. Mas não é. Quem perdeu uma mãe sedu sabe que ela continua a desaparecer a vida inteira. Desaparece no dia do casamento em que não tem ninguém para arranjar o véu.

 Some na noite em que o corpo da gente deixa de funcionar e queríamos ter alguém para ligar. Quintendesse, sem precisar explicar. Ausa foi-se embora numa só noite, mas continuou a ir embora em todos os dias importantes da vida daqueles dois filhos. E em todos estes dias, a única pessoa que ali estava era um homem que tinha decidido ser dois.

Se chegou até aqui com este documentário, se sentiu alguma coisa quando ouviu falar dos dois meninos à espera na cozinha, se acredita que há pais que se tornaram mães e mães que tornaram-se heroínas em silêncio, subscreve o canal. Aqui a gente conta as histórias que ficaram caladas por trás dos palcos da Jovem Guarda.

 Antes de fechar esta história, há mais duas que precisam de ser contadas. À esquerda, o rei Roberto Carlos canta sozinho num castelo no Rio aos 85 anos, rodeado de quartos vazios que um dia estavam cheios de gente. À direita, a ternurinha. Vanderlea carrega uma tragédia que o sorriso dela escondeu durante 50 anos.

 uma piscina e duas perdas que ela demorou quatro décadas para contar. Essas são os outros dois lados da Jovem Guarda que o O Brasil amou e nunca conheceu por inteiro. Clica em qualquer um dos dois para continuar. E se ainda não se inscreveu, o botão está ali no meio.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *