Muito boa tarde. Muito obrigado. O nosso programa tenha sido o enorme prazer de ver assim como contratado da TV Record do Jord. Limpísima e muito bem-vindos ao nosso programa. >> Esta miúda é papo firme, é papo firme. Chamou dois nomes que seriam fundamentais para o que viria a seguir. Erasmo Carlos. O meu amigo Erasmo Carlos, O seu parceiro inseparável, Ivanderleia, uma jovem cantora com uma energia impossível de ignorar.
Hoje, a Jovem Guarda é um movimento de âmbito nacional com o qual toda a juventude se identifica. Muito grato a todos vós. >> Três jovens, um palco e uma oportunidade que ninguém imaginava o tamanho. Mas o que estavam prestes a criar não seria apenas um programa de televisão, seria um movimento, um fenómeno.
Vejam só que festa de arromba. No outro dia fui parar. uma revolução cultural que tomaria conta do Brasil inteiro. E quando aquele programa finalmente estreou, ninguém estava preparado para o que viria a seguir. No dia 22 de agosto de 1965, exactamente às 4 da tarde, o Brasil testemunhou algo que parecia apenas mais um programa em estreia na televisão, mas não era.
Era o início de uma revolução transmitido em direto direto do Teatro Record, na rua da Consolação, em São Paulo, o programa Jovem Guarda entrou no ar com três rostos ainda pouco conhecidos do grande público, mas que em questão de semanas se tornariam os nomes mais falados do país. Jovem Guarda, 30 anos.
Para celebrar o movimento que lançou Roberto Carlos, Erasmo, Vanderleia e tantos outros, o Globo Repórter apresenta dois programas. >> E o que aconteceu depois foi simplesmente fora de qualquer padrão. Em muito pouco tempo, a audiência explodiu de uma forma que ninguém conseguia explicar. Só em São Paulo existiam cerca de 3 milhões de espectadores colados à tela todos os domingos.
Mas o mais impressionante não era só o número, era o comportamento das pessoas. O teatro Record simplesmente não comportava mais o público. Jovens invadiam as gravações, gritavam, choravam, disputavam espaço. Tudo para manter-se o mais próximo possível daqueles três artistas que de repente se tornaram ídolos absolutos.
E não se ficava por aí. O programa era gravado e enviado para várias cidades do Brasil. E em cada lugar o efeito era o mesmo. Uma febre, uma obsessão, um movimento que começava a tomar conta de toda uma geração. Mas o que tornava a Jovem Gu diferente era que ela não estava apenas na televisão, ela estava em todo o lado, nas ruas, nas escolas, nas festas, na roupa, na forma de falar.
Era como se o Brasil inteiro estivesse a ser reprogramado. As roupas mudaram completamente. Calças justas, botas, cores chamativas. minias, tudo o que antes parecia estranho tornou-se padrão. Quem não se vestia assim simplesmente ficava para trás. E as palavras? De repente, o país inteiro começou a falar uma nova língua. Rebento, carango, é uma brasa, mora, papo firme, pinta, expressões que nasceram dentro do programa e que rapidamente se espalharam como um vírus cultural por todo o Brasil.
Era mais do que entretenimento, era identidade. E no centro de tudo isto estava a música, inspirados pelo rock internacional, pelos The Beatles, pelo Som da Motown, pelo Rockabil. Aqueles os jovens artistas trouxeram algo que mudaria para sempre a música brasileira. Meu bem, já não te suporto longe de mim, por isso eu quando separou-se. >> A guitarra elétrica.
O som era diferente, mais jovem, mais ousado, mais livre. >> Eu sou terrível, vou dizer-lhe. E isso ligou o Brasil com o que estava a acontecer no resto do mundo. Mas havia um pormenor importante, algo que naquele momento parecia insignificante, mas que mais tarde se tornaria um dos principais motivos da queda.
A jovem guarda era leve, era divertida, falava de amor, de carros, de aventuras, de juventude. enquanto o país, a pouco e pouco, começava a mergulhar em algo muito mais pesado. E talvez, exatamente aí tenha começado o início do fim, porque enquanto milhões dançavam e cantavam todos os domingos, uma tensão silenciosa crescia nos bastidores, uma rivalidade que não era só musical, mas ideológica.
cultural e até política. E no momento seguinte dessa história, esta tensão vai explodir de vez. Enquanto a jovem guarda dominava os domingos com uma energia leve, vibrante e contagiante, um outro movimento crescia dentro da mesma emissora, silencioso, sofisticado e completamente oposto em tudo. Era como se dois mundos diferentes estivessem partilhando o mesmo espaço, prontos para colidir a qualquer momento.
De um lado, o brilho jovem, as guitarras, os gritos histéricos, as as roupas coloridas e o romantismo despreocupado, é de Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Vanderleia. Do outro, um palco tomado por músicos mais técnicos, vozes poderosas e letras carregadas de emoção, crítica e profundidade. Vamos carioca, sai do teu sono devagar.
Nascia aí um dos programas mais respeitados da época, O Fino da Bossa, comandado por Elis Regina e Jair Rodrigues. Um espaço onde a música não era apenas entretenimento, mas também posicionamento. E foi exatamente aí que começou uma das maiores tensões da história da música brasileira, porque não era apenas uma disputa por audiência.
Era uma disputa por significado. A jovem guarda representava a juventude que queria divertir-se, apaixonar-se, viver sem peso, enquanto a MPB representava uma geração que sentia a necessidade de falar sobre o país, sobre injustiça, sobre política, sobre tudo aquilo que estava a acontecer nas sombras do Brasil dos anos 60. E como toda a boa história, os media percebeu isso rapidamente.
As revistas começaram a transformar essa diferença em confronto. Manchetes provocatórias surgiam nas bancas, inflamando ainda mais os ânimos, criando uma sensação de guerra cultural. Uma delas chegou a estampar algo que chocou muita gente na altura. Jovem guarda declara guerra à bossa nova, colocando palavras na boca de artistas que muitas vezes nem sequer estavam diretamente envolvidos nesse conflito.
E, de repente, o que era apenas diferença de estilo, tornou-se rivalidade. Elis Regina, conhecida pelo seu personalidade forte e sem filtros, não escondia a sua visão crítica sobre o movimento. ela aquele som inspirado no rock internacional, aquele universo dos carros e dos romances parecia vazio perante um país que enfrentava um momento tão delicado.
>> Vivemos uma sociedade hipócrita e cínica, >> que condena o aborto e faz o aborto. O Brasil é talvez dos países do mundo em que a maior quantidade de aborto é feito por dia ou por horas. Do outro lado, o público jovem não aceitava estas críticas e respondia com a mesma intensidade, defendendo os seus ídolos com paixão quase cega.
Mas aqui entra um pormenor que quase ninguém se apercebeu na altura. Esta guerra, em grande parte foi construída. Nos bastidores, longe das câmaras. A realidade era bem diferente. Não existia este ódio absoluto que as manchetes vendiam. Existia respeito, existia convivência, existia até admiração. E a maior prova disso viria pouco tempo depois, quando após o fim dos programas, a própria Elis Regina gravaria uma canção composta por Roberto Carlos, mostrando que no fundo aquela rivalidade era muito mais comercial do que real.
Mas mesmo que parte deste conflito fosse artificial, as consequências dele eram extremamente reais, porque havia uma crítica que não podia ser ignorada. O Brasil vivia sob uma ditadura militar desde 1964, um regime que aos poucos apertava o cerco, censurava, perseguia. e criava um clima de tensão constante.
Nesse cenário, artistas ligados à MPB e ao tropicalismo começaram a utilizar a música como forma de resistência, transformando as suas canções em mensagens carregadas de significado político e social. Enquanto isso, a Jovem guarda continuava a cantar sobre amores, festas e carros. E para muita gente isso era inaceitável.
Como podia, no meio de um país em crise, milhões de jovens estarem a cantar Quero que vá tudo para o inferno sem falar diretamente sobre o que estava a acontecer nas ruas. A crítica se espalhou-se rapidamente e ficou pesada. Intelectuais, estudantes, jornalistas começaram a rotular o movimento como superficial, americanizado, e até cúmplice da situação política por desviar a atenção da juventude.
E foi nesse momento que algo começou a mudar dentro do próprio Roberto Carlos. Porque, ao contrário de muitos artistas da época, Roberto nunca foi de confronto, nunca foi de levantar bandeiras. Ele procurou sempre a harmonia, evitava polémicas e entendia perfeitamente o risco de se posicionar num período tão delicado da história do Brasil.
Mas, ao mesmo tempo, aquela pressão constante, aquelas críticas, aquele ambiente de tensão começaram a pesar. E talvez, sem que ninguém se apercebesse na época, o maior nome da Jovem Guarda já estivesse a começar a afastar-se, não apenas do programa, mas de tudo aquilo que ele representava. E o que aconteceria a seguir mudaria completamente o rumo desta história, porque quando uma oportunidade internacional apareceu, Roberto Carlos tomou uma decisão que selaria o destino da Jovem Guarda para sempre.
No início de 1968, quando a Jovem Gu ainda parecia imbatível, algo aconteceu longe dos palcos da TV Record. mas que mudaria completamente o rumo dessa história. Roberto Carlos recebeu um convite, um convite que não era apenas importante, era gigantesco. Foi chamado para participar no festival de San Remo em Itália, o evento musical mais prestigiado da Europa naquela época.
un programma che si chiamava Giova. Il titolo cambiou-se para um movimento, um palco onde apenas os maiores nomes tinham espaço e naquele momento talvez ninguém se tenha apercebido. Mas aquele convite era o princípio do fim. Roberto embarcou para ela para Itália, transportando não só uma música, mas uma oportunidade de transformar completamente a sua carreira.
Ele se apresentou com a canção Canzone Pert. >> E o que ali aconteceu foi simplesmente histórico. Venceu com 505 votos. Roberto Carlos tornou-se o primeiro artista sul-americano a conquistar o festival de Sanremo de 1968. Carlos, poi c’è anche Paolo Villaggio che mi fa segno che vuole essere applaudito. Non c’è bisogno.
Mas a Vitória não trouxe apenas prestígio. Ela abriu portas, portas que iam muito para além do Brasil, muito para além da Jovem Guarda, muito para além de tudo o que tinha construído até ali. De repente, Roberto já não era apenas o ídolo dos domingos. Foi um artista internacional. Passou a gravar em italiano, a aparecer nas revistas europeias, a receber convites para espectáculos fora do país, a ser visto como um cantor sofisticado, romântico, com potencial global.
E foi nesse momento que algo mudou dentro dele. Aquele Roberto Carlos das guitarras, das músicas sobre automóveis, das As tardes agitadas de domingo começaram a ficar para trás. No lugar dele surgia um novo artista, mais maduro, mais estratégico, mais focado na construção de uma carreira duradoura e muito maior do que qualquer programa de televisão poderia oferecer.
Mas cada escolha tem um preço. E Roberto sabia disso. Porque para seguir este novo caminho, teria de fazer algo que ninguém queria imaginar. Teria que deixar a jovem guarda. E esta decisão não foi simples. Era ali que tudo tinha começado. Foi aquele programa que transformou a sua vida, que o colocou no topo, que o transformou no rei.
Mas, ao mesmo tempo sabia que não podia ficar preso aquilo para sempre. Era como se estivesse diante de duas portas. De um lado, a segurança, O sucesso garantido, o carinho do público, do outro, o desconhecido, o risco, mas também a possibilidade de tornar-se algo ainda maior. E então ele escolheu. No dia 17 de janeiro de 1968, Roberto Carlos subiu ao palco do programa pela última vez despedir-se e aquela tarde foi diferente de todas as outras.
Não havia apenas gritos ou euforia, havia lágrimas. O público que enchia o O Teatro Record chorava. Os bastidores estavam carregados de emoção e até o O próprio Roberto, conhecido por ser extremamente controlado, não conseguiu esconder o que estava a sentir. As suas palavras ficaram marcadas para sempre. Estou triste, abessa.
Este programa me lançou, me fez. São 2 anos e meio de vida, de boas amizades que ficam para trás. Naquele momento, ele não estava apenas à saída de um programa, ele estava encerrando uma era. E o mais impressionante, quase ninguém se apercebeu naquele instante que, juntamente com a saída de Roberto Carlos, a Jovem guarda também começava a morrer, porque o que aconteceria depois provaria algo que poucos tinham coragem de admitir.
Sem ele, o programa simplesmente não funcionava. E o que veio a seguir foi uma queda lenta, dolorosa e inevitável. Depois da saída de Roberto Carlos, a jovem guarda ainda continuava no ar, mas já não era a mesma. Era como um corpo a tentar sobreviver sem o coração. Erasmo Carlos e Vanderleia assumiram a responsabilidade de manter o programa vivo.
Tinham talento, tinham carisma, tinham história, mas enfrentavam um problema que nenhum esforço conseguia resolver. O público sentia a ausência. Aquele magnetismo, aquela presença dominante, aquele elemento que fazia tudo girar, simplesmente já não estava ali. E isso começou a aparecer onde mais doía, na audiência. >> E a audiência de tempos anteriores.
>> O programa Jovem Guarda foi perdendo um pouco de audiência, um pouco no início, certo? Depois, Bruno, desceu a ladeira abaixo mesmo. >> Eh, a jovem guarda não estava nada bem. >> Portanto, é natural que o movimento fosse esvaziando e outras novidades surgindo, o tropicalismo a surgir já no Brasil forte.
Assim o programa foi caindo de audiência. A emissora começou a preocupar e o clima nos bastidores mudou completamente, o que antes era euforia. tornou-se tensão. A TV Record tentou reagir, trouxe mais convidados, mudou dinâmicas, apostou na força dos outros artistas do movimento. Tentou de todas as formas manter viva aquela máquina que um dia parecia imparável, mas não funcionava, porque a verdade, embora difícil de admitir, era simples.
A jovem guarda tinha sido construída em torno de Roberto Carlos e sem ele tudo parecia incompleto. E enquanto o programa perdia a força, a A TV Record tomou a decisão final. A jovem guarda saiu do ar sem anúncio grandioso, sem despedida épica, sem o encerramento que um fenómeno daquela dimensão merecia. Simplesmente acabou.
E nesse instante, o que um dia foi o maior movimento juvenil do Brasil, deixou de existir como programa de televisão. Mas há um pormenor, uma coincidência histórica que torna tudo isto ainda mais impactante. A Jovem Guarda terminou e poucos meses depois o Brasil mudou para sempre. Porque em Dezembro de 1968, apenas meses após o fim do programa, o regime militar decretou o AI5.
>> É constitucional. O que é a democracia? Democracia é aplicação da lei. É aplicação da lei. A lei foi aplicada. Assim não houve retrocesso que modifique a lei. Então quem retrocesso coisa nenhuma. >> O ato mais duro da ditadura. E a partir dali nada mais seria como antes. O país mergulhou num dos períodos mais negros da sua história.
>> A censura aumentou. Os artistas começaram a ser perseguidos, presos, exilados. Isso aí é reproduzido em centenas de jornais. Atinge milhões de brasileiros, uma única fonte a dizer falsidades. Atinge milhões de brasileiros e mais ainda cada. >> E o clima cultural mudou completamente. Nomes como Caetano Veloso e Gilberto Gil foram presos e depois forçados ao exílio em Londres.
Mete a mão, está bem? >> Um sinal claro de que o Brasil já não era mais o mesmo local de poucos anos antes. E olhando para trás, fica uma questão inevitável. Será que a Jovem guarda teria sobrevivido neste novo Brasil? Um país mais tenso, mais controlado, mais pesado. Um país onde aquela leveza, aquela alegria, aquela despreocupação dos domingos simplesmente já não cabia.
Talvez, mesmo que Roberto Carlos tivesse ficado, o fim teria sido ainda assim inevitável, porque a verdade é que naquele momento da história, o Brasil já não era mais o mesmo e a Jovem Guarda também não poderia ser. Então, afinal, qual foi o verdadeiro motivo do fim da Jovem Guarda? A resposta mais honesta.
é que não foi apenas um, foi um conjunto de forças que se encaixaram perfeitamente como um puzzle impossível de evitar. Foi o crescimento de Roberto Carlos, que já não cabia dentro de um programa de auditório. Depois de conquistar o mundo, foi a pressão das críticas, que chamavam o movimento de alienado, em um dos períodos mais tensos da história do Brasil.
foi a rivalidade com a MPB, que disputava espaço cultural com mais peso, mais discurso, mais engagement. Foi o contexto político que transformou o país e tornou impossível manter aquela leveza dos domingos. E, acima de tudo, foi a saída do homem que sustentava tudo sem Roberto Carlos. A jovem guarda simplesmente não tinha como existir.
Mas aqui está o ponto que muita gente não percebe. A jovem guarda acabou como programa, mas nunca acabou verdadeiramente, porque o que ela criou atravessou gerações. Ela mudou a forma de vestir, de falar, de se comportar e, principalmente, de fazer música no Brasil. Foi ela que colocou a guitarra elétrica no centro da música brasileira, que ligou o país com o mundo e que abriu caminho para tudo o que viria depois.
E mais do que isso, ela deu ao Brasil um dos maiores artistas da história, Roberto Carlos, um menino do interior que enfrentou dificuldades, que chegou desacreditado e que se transformou num dos nomes mais gigantes da música mundial. E agora faço-te uma pergunta. Quantas vezes uma canção da Jovem Guarda já fez parte da sua vida? sem que sequer se aperceba quantas recordações, quantas histórias, quantas emoções nasceram aí.
O programa acabou há 58 anos, mas o impacto dele, esse nunca vai acabar. Já deixa o teu like porque isso ajuda muito o canal a continuar a trazer histórias como esta. E conta-me aqui nos comentários qual a música da Jovem Guarda que mais marcou a sua vida. Quero saber a sua opinião e se você gosta deste tipo de conteúdo, já se inscreve no canal, porque ainda tem muita história surpreendente a vir por aí. Até ao próximo vídeo.
>> Até posso dizer, ninguém te amou tanto quanto eu te amei. Meu bem qualquer instante que eu fique sem te ver. >> Samba. Vai, vai. Yeah.