Às 2h47 da Madrugada, um Político Mandou Desligar o SBT. Às 2h49, Silvio Santos já Sabia

Em 1987, um político do interior de São Paulo mandou fechar a SBT às 3 da madrugada. Não foi uma ameaça, foi uma ordem cumprida. A Polícia Militar cercou o edifício da emissora em Osasco, cortou a energia elétrica e retirou o sinal do ar. Silvio Santos estava em casa quando recebeu a chamada.

O que fez nas 4 horas seguintes não só reverteu o encerramento, fez com que esse mesmo político perder o cargo, a reputação e a carreira política inteira em menos de 90 dias. E o documento que Silvio usou para destruir este homem estava guardado há 3 anos numa pasta que ninguém sabia que existia.

Mas esta história não começa naquela madrugada. Começa 3 anos antes numa reunião que Silvio Santos teve com um homem chamado Valdomiro Fioravante. Valdomiro Fioravante era deputado estadual por São Paulo, filiado num partido de centro que tinha força no interior do Estado. tinha 52 anos na altura da reunião, cabelo grisalho, penteado para trás, bigode espesso, mãos grandes de quem veio do campo antes de ir para a política.

Era dono de quintas em Ribeirão Preto, tinha participação em empresas de transporte rodoviário e uma rede de influência que se estendia desde Os autarcas de cidades pequenas até secretários de Estado. No jogo político Paulista dos anos 80, Valdomiro era o que se chamava articulador, o homem que não aparecia nas fotos oficiais, mas que decidia quem aparecia.

A reunião aconteceu em março de 1984 no escritório de Silvio Santos, no segundo andar do edifício da Lins de Vasconcelos. Valdomiro veio sozinho, sem assessores, o que por si só era um sinal de que o assunto era delicado. O Sílvio recebeu-o de pé e apertou-lhe a mão com a firmeza que utilizava para medir os homens, e os dois sentaram-se em cadeiras de couro separadas por uma mesa de centro com um cinzeiro de vidro que o Sílvio nunca usava.

O Valdomiro foi direto, disse que tinha um problema e que achava que o Sílvio podia ajudar. O problema era uma concessão de rádio. Valdomiro pretendia uma frequência FM para a região de Ribeirão Preto, mas o processo estava travado no Ministério das Comunicações há 2 anos. Valdomiro sabia que Sílvio tinha boas relações em Brasília.

Queria que o Sílvio intercedesse. Sílvio ouviu sem interromper. Quando Valdomiro terminou, O Sílvio fez uma pergunta que apanhou o deputado de surpresa. Por que razão está a pedir isso para mim? Valdomiro hesitou. Disse que o Sílvio conhecia o sistema, que tinha experiência com concessões, que podia abrir portas.

Li Sílvio abanou a cabeça, disse: “Deputado, eu conheço o sistema, mas o senhor também conhece. O senhor tem mais contactos em Brasília do que eu? Assim a minha pergunta continua: por está a pedir para mim? Valdomiro ficou em silêncio durante uns 5 segundos. Depois disse a verdade, porque estava devendo demasiados favores para as pessoas certas e não queria dever mais um.

Queria que o Sílvio resolvesse o problema sem que ele, Valdomiro, ficasse na dívida a ninguém do governo federal. O Sílvio sorriu. Não o sorriso de televisão, o sorriso de quem reconhece a jogada, disse. Entendi. O senhor quer que eu fique na dívida no seu lugar. Valdomiro não confirmou nem desmentiu, ficou olhando para o Sílvio esperando a resposta.

Sílvio levantou-se da cadeira, caminhou até à janela do escritório e esteve uns 10 segundos a olhar para a rua lá em baixo. O depois virou-se e disse: “Eu posso ajudar, mas vou cobrar. Não agora. Quando preciso de algo, eu vou ligar e o senhor vai atender.” Valdomiro concordou. Os dois apertaram as mãos. A reunião durou menos de 15 minutos.

Nas semanas seguintes, Sílvio fez três chamadas para Brasília. Duas semanas depois da terceira chamada, o concessão de Valdomiro foi aprovada. A A rádio FM de Ribeirão Preto começou a operar em agosto de 1984. O Valdomiro enviou um ramo de flores para o escritório de Silvio com um cartão agradecendo. O Sílvio guardou o cartão numa pasta.

E aqui é onde a história fica interessante, porque o favor que o Sílvio cobrou a Valdomiro não foi em 1984, não foi em 1985, não foi em 1986, foi em janeiro de 1987, quase 3 anos depois da reunião original. E o que o Sílvio pediu não era pequeno. Mas antes de chegar ao favor cobrado, é preciso perceber o que estava acontecendo com a SBT nesse período, porque o SBT em 1987 não era o SBT que conhecemos hoje.

Era uma estação emissora em guerra. A guerra era contra a Globo. Não uma guerra declarada, não uma guerra de comunicados oficiais. Era uma guerra de bastidores, de audiência, de anunciantes, de talentos roubados, de horários disputados. A Globo dominava a televisão brasileira com Mão de Ferro desde os anos 70.

Qualquer emissora que tentasse competir era tratada não como concorrente, mas como insolência. e Silvio Santos, que tinha construído o SBT a partir do zero em 1981, era visto pela Globo como o maior insolência de todas. Em 1986, SBT tinha começado a ganhar terreno. Alguns programas estavam a tirar pontos de audiência da Globo em horários específicos.

Os anunciantes estavam começando a dividir verbas entre as duas emissoras em vez de atirar tudo para a Globo e os executivos da Globo não gostaram. O que poucos sabiam é que a Globo tinha aliados fora da televisão, aliados na política, aliados em organismos reguladores, aliados em locais que podiam causar problemas para as emissoras mais pequenas sem que parecesse que a Globo estava por trás.

E um desses aliados era Valdomiro Fioravante. Valdomiro tinha uma relação de décadas com executivos da Globo em São Paulo. Tinha participação em empresas que prestavam serviços à emissora. tinha um filho a trabalhar na área comercial da Globo em Ribeirão Preto e tinha uma dívida de gratidão para com Roberto Irineu Marinho, que tinha ajudado a financiar a primeira campanha política de Valdomiro nos anos 60.

Quando a SBT começou a incomodar a Globo em 1986, alguém da Globo, nunca ficou claro quem exatamente, sugeriu a Valdomiro que talvez fosse altura de cobrar alguns favores do outro lado. Valdomiro, que já tinha-se esquecido da rádio FM de 1984 e o favor que devia a Silvio Santos, começou a trabalhar nos bastidores para criar problemas à SBT.

O problema que Valdomiro criou foi burocrático. Encontrou uma irregularidade técnica na licença de exploração de um dos Os emissores do SBT na região de Campinas. A irregularidade era real, mas mínima. Um documento que tinha sido arquivado com atraso de 3 dias em 1983. Qualquer emissora do Brasil tinha irregularidades assim.

A Globo tinha dezenas. Mas Valdomiro usou os seus contactos na Secretaria de Comunicações do Estado para transformar esta irregularidade mínima num caso grave. Em outubro de 1986, a SBT recebeu uma notificação formal exigindo a regularização imediata do transmissor de Campinas, sob pena de suspensão do sinal.

O prazo dado era de 30 dias. Silvio Santos recebeu a notificação na segunda semana de outubro. Leu uma vez, leu de novo. Depois chamou o seu advogado principal, um homem chamado Fernando Guedes, e perguntou: “Quem está por trás disto?” O Fernando demorou dois dias para descobrir. Quando voltou ao gabinete de Sílvio com a resposta, disse um nome: Valdomiro Fioravante.

Sílvio ficou em silêncio durante quase 30 segundos. Fernando, que conhecia o Sílvio há 15 anos, disse depois que nunca tinha visto aquela expressão no rosto dele. Não era raiva, não era surpresa, era algo mais frio, algo que parecia puro cálculo. Sílvio disse. O Valdomiro deve-me um favor, disse Fernando.

Aparentemente ele esqueceu. Sílvio abriu a gaveta da secretária, tirou uma pasta de papel pardo e colocou sobre a mesa. Dentro da pasta estava o cartão que Valdomiro tinha enviado junto com as flores em 1984. E junto com o cartão estava outro documento, uma cópia de um contrato de prestação de serviços entre uma empresa de Valdomiro e um empreiteiro que tinha sido investigada por desvio de dinheiro público em 1982.

O contrato mostrava que Valdomiro tinha recebido pagamentos por serviços que nunca foram prestados. Fernando olhou para o documento, olhou para Sílvio, perguntou: “Como é que conseguiu isso?” Sílvio disse: “Eu recolho informações sobre pessoas que me devem favores. É um seguro.” perguntou Fernando. “Sabia que ele ia trair?” Sílvio disse: “Eu não sabia, mas sabia que podia.

E é a mesma coisa. Mas o que vem agora é ainda mais forte. Porque o documento do contrato era apenas o começo. O Sílvio tinha mais, muito mais. E a forma como conseguiu esse material é uma história que envolve um ex-funcionário da Globo, uma gravação de telefone e uma visita inesperada a um cartório em Ribeirão Preto, que aconteceu numa quinta-feira de 1984, três semanas depois da reunião original com Valdomiro.

A visita ao cartório foi feita por um homem chamado Nelson Peixoto. Nelson trabalhava para Silvio Santos desde 1978, mas o seu cargo oficial nunca foi muito claro. Nos documentos aparecia como consultor de segurança patrimonial. Na prática, Nelson era o homem que Sílvio enviava quando precisava de saber coisas que não estavam disponíveis em registos públicos.

Nelson tinha contactos em cartórios, em esquadras, em órgãos públicos de vários estados. e sabia como descobrir informações sem deixar rasto e sabia quando se devia calar. Quando Silvio fechou o acordo com Valdomiro em Março de 1984, mandou Nelson fazer uma investigação completa sobre o deputado, não porque desconfiasse naquele momento, mas porque O Sílvio não fazia acordo com ninguém, sem saber exatamente com quem estava lidando.

Nelson demorou duas semanas a montar o dossier. O que encontrou foi suficiente para destruir Valdomiro cinco vezes. contratos suspeitos com empreiteiros, depósitos em contas de familiares que não tinham explicação de rendimento, uma quinta comprada por um valor muito abaixo do mercado de um empresário que depois conseguiu contratos com o governo do Estado.

E o mais grave, uma gravação de telefone. A gravação era de 1981, 3 anos antes da reunião com o Sílvio. Valdomiro estava ao telefone com um assessor em discutir como distribuir dinheiro de uma verba pública entre empresas de fachada. A gravação era ilegal. tinha sido feita por um ex-funcionário da Secretaria de Comunicações que guardava rancor a Valdomiro, mas era real.

O Nelson comprou a fita por 15.000 cruzeiros de um homem que precisava do dinheiro para pagar dívidas de jogo. O Silvio nunca usou este material. Guardou numa pasta no fundo de um armário do escritório e deixou lá durante 3 anos. sabia que um dia podia precisar. E em outubro de 1986, quando viu a notificação sobre o transmissor de Campinas, soube que o dia tinha chegado.

Mas Sílvio não usou o material imediatamente. Fez algo mais inteligente. Esperou, esperou Valdomiro apertar o cerco. Esperou que a situação piorar. esperou, porque sabia que quanto mais longe fosse Valdomiro, e maior seria a queda quando Sílvio empurrasse. Em novembro de 1986, o SBT não conseguiu regularizar a situação do transmissor no prazo de 30 dias.

A burocracia estava travada de propósito. Cada documento que a SBT apresentava era recusado por algum motivo técnico. Cada pedido de reunião com a secretaria era adiada. Valdomiro estava a usar todo o seu poder para sufocar a estação lentamente. Em dezembro, a situação escalou. A Secretaria de Comunicações emitiu um segundo aviso, desta vez ameaçando não apenas o transmissor de Campinas, mas toda a operação da SBT no estado de São Paulo.

O argumento era que se havia irregularidade num transmissor, era necessário fazer uma inspeção completa em toda a rede. E durante a inspeção, que poderia demorar meses, o sinal ficaria suspenso. Fernando Guedes levou a notícia a Silvio na segunda semana de dezembro. Disse: “Sílvio, eles estão querendo tirar-nos do ar”. Sílvio perguntou: “Quem assinou a notificação?” Fernando mostrou.

O nome era de um secretário-adjunto, um burocrata de terceiro escalão. Mas Fernando tinha descobriu que a ordem vinha de cima de Valdomiro. O Sílvio pegou na notificação, leu com calma e depois fez algo que Fernando não esperava. Guardou o papel na gaveta e disse: “Ainda não.” Fernando? Perguntou: “Ainda não.” O quê? Sílvio disse: “Ainda não é tempo de usar aquilo que tenho.

Deixa-o ir mais longe.” Fernando perguntou se Sílvio tinha a certeza. O SBT podia perder o sinal, podia perder milhões em publicidade, podia perder tudo. Sílvio olhou para o Fernando e disse uma frase que Fernando repetiu durante o resto da carreira. Quando vai derrubar um inimigo, se não se derruba quando ele está subindo, espera-se que ele chegue ao topo, porque a queda do topo é a que todo o mundo vê. E o Sílvio esperou.

Janeiro de 1987 chegou, o Natal passou, o ano novo passou e a situação do SB continuava pendurada. A inspeção completa foi agendada para fevereiro. Se a inspeção concluísse que existiam irregularidades graves e com Valdomiro a controlar o processo, era garantido que concluiria, a SBT perderia a licença de operação em São Paulo.

Mas Valdomiro cometeu um erro, o erro que o Sílvio estava esperando. Na terceira semana de janeiro, Valdomiro deu uma entrevista a um jornal de Ribeirão Preto. A entrevista era sobre política do Estado, sobre projetos de infraestruturas, sobre coisas normais. Mas, no meio da conversa, o jornalista perguntou sobre a situação do SBT. Valdomiro sorriu e disse que não podia comentar processos em curso, mas que a população de São Paulo merecia emissoras que respeitassem a lei.

A frase era vaga, mas não era inocente. Valdomiro estava a dar a entender publicamente que a SBT era uma estação fora da lei. Estava a plantar a narrativa que usaria depois para justificar o encerramento. Sílvio leu a entrevista na manhã seguinte, recortou a página do jornal, guardou na pasta juntamente com os outros documentos e nessa noite fez a ligação.

A chamada foi para Valdomiro, diretamente para a sua casa em São Paulo, às 9h30 da noite. Valdomiro atendeu ao terceiro toque. O Sílvio se identificou e o diálogo que se seguiu, segundo reconstruções feitas depois por pessoas próximas dos dois, foi aproximadamente assim. Sílvio disse: “Deputado, li a sua entrevista hoje.” Givaldomiro disse: “Silvio, que surpresa, não disse nada sobre si especificamente, Sílvio disse: “Eu sei, mas eu percebi a mensagem e tenho um recado também.

O Valdomiro perguntou qual era. Sílvio disse: “O senhor deve-me um favor? Eu vim cobrar.” Valdomiro ficou em silêncio durante uns 3 segundos. Depois disse: “Silvio, aquilo foi há três anos. A situação alterou-se. Sílvio disse: “A situação não se alterou. O que mudou foi o senhor pensar que eu me tinha esquecido.

Eu não me esqueci. E tenho aqui uma pasta no meu escritório com coisas que o senhor também não vai querer que ninguém lembre-se. Valdomiro disse: “Isto é uma ameaça?” Sílvio disse: “Não é uma ameaça, é uma informação. O senhor faz o que quiser com ela.” Valdomiro perguntou aquilo que o Sílvio queria.

Sílvio disse: “Eu Quero que a inspeção seja cancelada. Quero que a notificação seja arquivada e Quero que o senhor nunca mais mencione o nome da SBT em nenhuma entrevista, reunião ou conversa de corredor. Valdomiro disse: “Isso não é possível. O processo já está em curso. Eu não posso simplesmente parar.” Sílvio disse: “Sim, pode, o senhor começou, o senhor para e se não parar, vou deixar de outro modo.

” Valdomiro disse: “O senhor está a fazer bluff?” Sílvio disse: “Deputado, eu nunca faço bluff. O senhor sabe disso. E se não sabe, vai descobrir.” A ligação terminou. Sílvio desligou o telefone, olhou para Fernando Guedes, que estava na sala a ouvir tudo, e disse: “Ele não vai parar. Ele acha que eu estou blefando. perguntou o Fernando.

E o que fazemos agora? Sílvio disse. Agora a gente espera que ele faça a próxima besteira. A próxima asneira veio três semanas depois. Na noite de 12 de Fevereiro de 1987, mó às 2h47 da madrugada, quatro viaturas da Polícia Militar de São Paulo cercaram o edifício do SBT em Osasco. Os polícias transportavam uma ordem de busca e apreensão assinada por um juiz de primeira instância de Campinas, autorizando a entrada no edifício para verificação de irregularidades na documentação de licenciamento.

O gerente da noite da SBT, um homem chamado Cláudio Moreira, foi acordado pelo intercomunicador do portão. Quando viu as viaturas, ligou imediatamente para a casa de Sílvio Santos. Eram 2:53 da madrugada. Sílvio o atendeu ao segundo toque. Cláudio explicou a situação em 30 segundos. Sílvio disse: “Não deixes entrar ninguém.

Estou a caminho. Enquanto Sílvio se vestia e pegava no carro, os polícias entraram no terreno da SBT utilizando a ordem judicial. Ti não entraram no edifício principal. O gerente tinha trancaram as portas, mas foram à central de energia nos fundos do terreno e desligaram o gerador principal. Às 3:11 da madrugada, o sinal do SB saiu-te do ar em todo o estado de São Paulo.

A ordem de desligar a alimentação não estava na ordem judicial original. O capitão responsável pela operação tomou esta decisão por conta própria, ou pelo menos foi o que disse depois. Na verdade, segundo testemunhas que preferiram não se identificar, o capitão recebeu uma ligação no rádio da viatura minutos antes de chegar à SBT, e a chamada veio de alguém que tinha autoridade para dar ordens a um capitão da PM fora do horário de serviço.

O nome dessa pessoa nunca foi oficialmente confirmado, mas as pessoas próximas do caso sempre disseram que a voz na rádio era de um assessor direto de Valdomiro Fioravante. O Silvio chegou ao USB às 3:40 da madrugada. O edifício estava cercado por viaturas. Os polícias estavam posicionados no portão. Um capitão de meia idade, com bigode e expressão de quem estava a cumprir ordens que não questionava, bloqueou a entrada de Sílvio.

Sílvio saiu do carro, caminhou até ao capitão e disse: “Eu sou o dono desta emissora. Quem autorizou esta operação?” O capitão mostrou a ordem judicial. O Sílvio leu-o. A ordem autorizava busca e apreensão de documentos, não autorizava o corte de energia, não autorizava a interrupção de transmissão. O Sílvio apontou isso ao capitão. O capitão disse: “A energia foi cortada por questões de segurança”.

Sílvio disse: “Segurança de quem?” O capitão não respondeu e Sílvio olhou para os polícias, olhou para o edifício escuro, olhou para o céu ainda noturno, acima de Osasco, e tomou uma decisão. Voltou ao carro, pegou no telemóvel, um dos primeiros aparelhos do género no Brasil, do tamanho de uma mala pequena, e fez quatro chamadas.

A primeira chamada foi para o governador de São Paulo. O Sílvio tinha o número pessoal. O governador não atendeu. Eram 4 da manhã, mas Sílvio deixou uma mensagem com a secretária de serviço, dizendo que precisava de falar urgentemente sobre uma ação ilegal da Polícia Militar. A segunda chamada foi para um coronel na reserva que tinha trabalhado como consultor de segurança para o grupo Silvio Santos e que mantinha contactos ativos dentro da PM.

O Sílvio explicou a situação e pediu que o coronel descobrisse quem tinha dado a ordem para cortar a energia. A terceira ligação foi para um jornalista do Estadão que Silvio conhecia há anos. Sílvio contou o que estava a acontecer e disse: “Tem 40 minutos para enviar um fotógrafo aqui antes que limpem a cena.” A quarta chamada foi para Fernando Guedes, o advogado.

Sílvio disse: “Fernando, pega na pasta, aquela pasta, e vem já para aqui”. Fernando chegou ao SBT às 4:20 da madrugada. trazia uma pasta de couro castanho debaixo do braço. Sílvio pegou na pasta, conferiu o conteúdo e caminhou de volta para o portão, onde o capitão ainda estava parado. Sílvio disse ao capitão: “Vou dar ao senhor uma hipótese de sair daqui com a carreira intacta.

O senhor tem uma escolha. pode religar a energia, retirar as suas viaturas e dizer no relatório que não encontrou irregularidades. Ou pode continuar aqui e amanhã de manhã o senhor vai estar na capa de todos os jornais de São Paulo, como o homem que fechou uma estação de televisão de madrugada amando de um deputado corrupto.

O capitão disse: “Estou cumprindo uma ordem judicial”. Sílvio disse: “Não está. O senhor está cumprindo uma ordem de alguém que se escondeu atrás de uma ordem judicial. E eu sei quem é. E amanhã todo o Brasil vai saber também. O capitão olhou para Sílvio, olhou para a pasta de couro, olhou para os polícias atrás dele e disse: “Vou consultar os meus superiores.

” Sílvio disse: “Consulta mais rápido, porque o fotógrafo do Estadão chega em 15 minutos.” O capitão foi ao rádio da viatura, esteve cerca de 5 minutos a falar em voz baixa. Quando voltou, a sua expressão tinha mudado, disse a Sílvio. A energia vai ser religada, vamos embora. Mas a ordem judicial continua válida. Amanhã vai haver que apresentar a documentação.

Sílvio disse: “Amanhã apresento o que for necessário. Hoje o senhor apresenta as suas viaturas à saída. Às 4:57 da madrugada, a energia do SBT foi religada. Às 5:12, o sinal voltou ao ar. Às 5:30, as viaturas da PM abandonaram o terreno e às 5:45, um fotógrafo do Estadão chegou e encontrou apenas Silvio Santos de pé no portão da SBT, sozinho, com uma pasta de couro debaixo do braço à espera.

O fotógrafo tirou a fotografia. Sílvio pousou de braços cruzados, com o edifício da SBT atrás dele e o céu a começar a clarear. A foto saiu na capa do Estadão no dia seguinte com a Manchete. Sílvio Santos enfrenta a ação policial e mantém a SBT no ar. Mas a história não se ficava por aqui. Na verdade estava apenas a começar.

Porque o que Sílvio fez nas 12 horas seguintes foi o que realmente destruiu o Valdomiro Fiorante. Às 8 da manhã, o Sílvio convocou uma conferência de imprensa na sede da SBT. Não era comum Silvio dar entrevistas fora do ar. Aparecia nos programas, não nas coletivas, mas nessa manhã fez questão de falar diretamente à imprensa.

A sala de reuniões da SBT estava lotada. jornalistas de todos os grandes órgãos de de São Paulo e alguns do Rio, câmaras de televisão, incluindo da Globo, que Sílvio fez questão de autorizar a entrada porque sabia que aquilo ia incomodar ainda mais quem estava por trás do ataque. O Sílvio entrou na sala às 8:15.

Estava de fato escuro, gravata azul-marinho, expressão séria. Nada do Sílvio sorridente da televisão. Era o Sílvio empresário. O Sílvio que tinha sobreviveu há décadas de televisão brasileira a enfrentar adversários muito maiores do que um deputado do interior. Sílvio não se sentou, ficou de pé diante dos jornalistas com um microfone na mão e começou a falar.

disse que na madrugada anterior a Polícia Militar tinha cercado a SBT sob o pretexto de uma ordem judicial que autorizava busca de documentos. Disse que a ordem não autorizava corte de energia, nem suspensão da transmissão. Disse que mesmo assim a energia foi cortada e o SBT esteve fora do ar durante quase 2 horas.

disse que não ia especular sobre quem estava por detrás da ação, mas disse que tinha informações que levantavam questões sérias sobre a motivação real do ataque. E então, Sílvio fez algo que ninguém esperava. Abriu a pasta de couro que tinha trazido, tirou de dentro uma pilha de documentos. Mai colocou-o sobre a mesa, disse: “Estes documentos mostram que o deputado Valdomiro Fioravante, que publicamente criticou a SBT em entrevistas recentes, recebeu pagamentos de empresas de fachada ligadas ao desvio de dinheiros públicos em 1981

e 1982. Mostram contratos fraudulentos, mostram depósitos em contas de familiares e mostram”, disse Silvio segurando uma cassete, uma gravação de telefone onde o próprio deputado discute a distribuição desses recursos. A sala explodiu em perguntas. Sílvio levantou a mão, pedindo silêncio. Disse: “Eu não não estou a acusar ninguém.

Estou apresentando documentos. O Ministério Público e a Justiça vão decidir o que fazer com eles. Mas eu quero que fique claro uma coisa. Quem tentar fechar o A SBT vai enfrentar consequências, não porque sou poderoso, mas porque eu não tenho medo de mostrar a verdade. Um jornalista perguntou: “Sílvio, estás dizendo que o deputado Valdomiro mandou fechar o SBT?” Sílvio olhou para o jornalista e disse: “Estou a dizer que o deputado O Valdomiro deve-me um favor desde 1984, que em vez de pagar o favor, decidiu me atacar e que eu pago sempre as minhas

dívidas e cobro sempre as dívidas que me devem”. A conferência de imprensa durou 23 minutos. Quando terminou, Sílvio saiu da sala sem responder a mais perguntas. A pasta de couro ficou em cima da mesa com os documentos e a cassete disponíveis para qualquer jornalista que quisesse copiar. Naquela mesma tarde, o Ministério Público de S.

Paulo abriu uma investigação sobre Valdomiro Fioravante. Em 48 horas, a Assembleia Legislativa instaurou uma CPIN. Em duas semanas, Valdomiro demitiu-se do mandato, alegando problemas de saúde. Em 90 dias, Mon estava fora da política e vivendo numa quinta no interior, longe das câmaras e dos jornais. A investigação judicial arrastou-se por anos e nunca resultou em condenação.

Os advogados de Valdomiro argumentaram que as gravações eram ilegais e os documentos tinham origem duvidosa. Tecnicamente tinham razão. Mas a reputação de Valdomiro estava destruída. Nenhum partido quis saber dele. Nenhum empresário quis fazer negócio com ele. O homem que achava que podia usar o poder do Estado para encerrar uma estação de televisão, descobriu que a televisão tinha um poder que nenhum cargo político podia comprar, o poder de falar diretamente com milhões de pessoas.

Mas houve algo que o público nunca soube, algo que aconteceu nos bastidores da conferência de imprensa e que explica como O Silvio conseguiu fazer tudo aquilo sem ser processado por difamação, a calúnia ou qualquer outro crime. A resposta estava numa pessoa, um advogado chamado Maurício Scartesini. Maurício tinha 58 anos em 1987.

Era um dos mais respeitados advogados de São Paulo, especializado em direito empresarial e comunicações. Tinha representavam emissoras de televisão, gravadoras, editoras. Conhecia as leis de imprensa como ninguém e tinha uma característica que Sílvio admirava. Não tinha medo de lutar. O Sílvio consultou Maurício na noite do dia 12 de Fevereiro, horas depois de as viaturas irem embora.

mostrou os documentos, mostrou a fita e perguntou: “Se eu tornar isso público, o que acontece comigo?” O Maurício analisou o material durante duas horas. Quando terminou, disse a Silvio, “Se publicar estes documentos como acusação, pode ser processado por difamação e uso de prova ilegal. Mas se publicar como jornalismo, apresentando os documentos como informação de interesse público e deixando o julgamento para as autoridades, está protegido pela liberdade de imprensa.

Sílvio perguntou: “Qual é a diferença prática?” Maurício disse: “A diferença é o que diz. Se disser que o Valdomiro é corrupto, é difamação. Se disser que estes documentos existem e que levantam questões que merecem investigação, é jornalismo. Não está a acusar, está informando. O Sílvio disse: “Mas eu sou proprietário de uma estação de televisão, não jornalista”.

Maurício disse: “Você é proprietário de uma estação de televisão que produz jornalismo e está apresentando informação numa conferência de imprensa de imprensa. Isto dá-te proteção, desde que não atravesse a linha da acusação pessoal.” Sílvio perguntou: “E a fita?” “Ela é ilegal”. O Maurício disse: “A fita foi obtida por terceiros, não por si.

Recebeu a fita de uma fonte que preferiu permanecer anónima. Não sabe como ela foi feita. Você apenas sabe que ela existe e que o conteúdo é relevante para o interesse público. O Sílvio sorriu. O sorriso de quem percebe as regras do jogo e sabe como jogá-lo. Disse: “Então, amanhã dou uma coletiva e apresento informação de interesse público.

” Maurício disse: “Exatamente, e se o Valdomiro te processar, a defesa dele vai ter de explicar porque é que não quer que essas informações sejam investigadas, o que vai ser muito difícil de fazer sem parecer culpado.” A conferência de imprensa aconteceu exatamente como Maurício orientou. Sílvio não acusou Valdomiro diretamente.

Disse que tinha documentos. disse que os documentos levantavam questões, disse que as autoridades deviam investigar e deixou os jornalistas tirarem as conclusões óbvias. Valdomiro tentou processar Sílvio por difamação. O processo foi rejeitado em primeira instância. O juiz considerou que Sílvio tinha apresentado documentos reais de interesse público e que não tinha feito acusações diretas.

Valdomiro recorreu, voltou a perder, desistiu. E aqui entra a parte da história que quase ninguém conhece, a parte que aconteceu se meses depois da coletiva, quando tudo já tinha arrefecido e Valdomiro já estava fora da política. Em agosto de 1987, Silvio Santos recebeu uma chamada de um número que não conhecia.

atendeu, esperando ser mais um jornalista ou fornecedor. Era Valdomiro Fioravante. A chamada durou quase 7 minutos. Ninguém sabe exatamente o que foi dito, porque O Silvio nunca contou a ninguém o conteúdo completo, mas Fernando Guedes, Mukva na sala quando Sílvio o atendeu, ouviu fragmentos da conversa e depois montou o que pensava ter sido o diálogo.

Valdomiro começou por pedir desculpas. disse que tinha cometido um erro, que tinha-se deixado usar por pessoas que tinham interesses contra Sílvio, que não não era nada pessoal, que era política. Sílvio ouviu em silêncio. Quando Valdomiro terminou, disse: “Deputado, eu aceito as suas desculpas, mas quero que o senhor compreender uma coisa.

Eu não fiz o que fiz por vingança, fi-lo porque era necessário. O senhor tentou destruir algo que milhares de pessoas construíram comigo. Funcionários, artistas, técnicos, gente que depende da SBT para viver. O senhor achou que podia usar o poder do Estado para acabar com isso e mostrei que não podia. Valdomiro perguntou se havia alguma hipótese de reconciliação e Sílvio disse: “A reconciliação não é uma coisa que eu ofereço, é uma coisa que se conquista.

O senhor quer conquistar? Depois mostra ao longo do tempo que mudou, não com palavras, com ações.” E Sílvio desligou. Valdomiro Fioravante faleceu em 1994, 7 anos depois da queda. Morreu de ataque cardíaco na exploração em Ribeirão Preto, aos 64 anos. Os jornais publicaram notas pequenas no obituário.

Ninguém mencionou o SBT ou a Madrugada de Fevereiro de 1987. A história já tinha sido esquecida pelo público, mas não tinha sido esquecida pelos bastidores. Porque o que o Sílvio fez naquela noite e na conferência de imprensa do dia seguinte mudou a forma como as outras pessoas lidavam com ele. Políticos, empresários, concorrentes.

Todos entenderam que atacar Silvio Santos não era apenas perigoso, era potencialmente suicida. O Sílvio não revidava na mesma moeda. Ele ripostava numa moeda 10 vezes mais pesada e tinha paciência para esperar o momento certo. Um executivo da Globo disse numa conversa privada, anos depois, que o caso Valdomiro foi a razão pela qual a Globo nunca tentou fazer com a SBT o que fazia com outras estações menores.

Não porque gostasse do Sílvio, mas porque tinha medo. Medo do que O Silvio poderia ter guardado em pastas no escritório. Medo do que ele podia fazer quando era empurrado contra a parede. Medo de enfrentar um homem que tinha começou por vender canetas na rua e que nunca me tinha esquecido de como era lutar quando não se tem nada a perder.

E o que aconteceu com as outras personagens dessa história? O capitão da PM que comandou a operação no EBT foi transferido para uma cidade do interior uma semana depois. Passou o resto da carreira impostos administrativos longe de qualquer operação visível. Aposentou-se em 1995 e nunca falou publicamente sobre aquela noite.

O juiz que assinou a ordem de busca e apreensão foi investigado pela Corregedoria do Tribunal de Justiça por excesso no cumprimento de uma medida cautelar. A investigação não resultou em punição, mas o juiz pediu a remoção para outra comarca e passou a trabalhar em varas de família, longe de qualquer caso que envolvesse os media ou a política.

Nelson Peixoto, o homem que montou o dossier sobre Valdomiro em 1984, continuou a trabalhar para Silvio Santos até 1999. Nunca deu entrevista, nunca escreveu livro, nunca apareceu em nenhum registo público. Quando se reformou, recebeu de Sílvio um presente, uma pasta de couro castanho, idêntica à que o Silvio tinha utilizado na conferência de imprensa de 1987, mas vazia.

Era uma piada interna, a pasta que tinha destruído um deputado, agora vazia, como prova de que algumas as batalhas não precisam de ser repetidas. Fernando Guedes, o advogado que acompanhou Sílvio durante toda a crise, tornou-se o advogado chefe do grupo Silvio Santos e trabalhou na empresa durante mais 28 anos.

Quando se reformou, disse numa entrevista que a noite de 12 de Fevereiro de 1987 foi a mais intensa da sua carreira. Disse que ver Silvio enfrentar quatro viaturas da PM com uma pasta de couro e um telefone do tamanho de uma mala era o tipo de coisa que não se esquece. e disse que soube nessa noite que o o poder real não provém de cargos ou uniformes, advém de ter algo que o outro lado não quer que seja revelado.

Maurício Scartezini, o advogado que orientou a estratégia da conferência, recebeu de Silvio um convite permanente assistir às gravações dos programas dominicais. ia de vez em quando, sentava-se na plateia e via o Silvio fazer televisão com a mesma intensidade com que tinha feito a conferência de imprensa.

Uma vez, numa conversa de bastidor, o Maurício disse ao Sílvio que aquela conferência de imprensa tinha sido a melhor performance que já tinha visto. Sílvio respondeu: “Não foi performance. Eu estava zangado com verdade. E quando estou zangado com verdade, não atuo, eu faço. E o SBT? A SBT saiu daquela crise mais forte do que tinha entrado.

A notificação sobre o transmissor de Campinas foi arquivada duas semanas depois da queda de Valdomiro. A inspeção completa nunca aconteceu. E a imagem de Silvio Santos como um homem que enfrentava o poder sem recuaridou de uma forma que nenhuma campanha de marketing poderia comprar, porque no fundo era esta a imagem que Silvio queria que o Brasil tivesse dele.

Não a imagem do apresentador sorridente, do homem dos aviõezinhos de dinheiro, do patrão Bonachão, que dava prémios no domingo. Esta imagem era verdadeira, mas era incompleta. A imagem completa incluía o homem que guardava pastas no escritório, o homem que fazia chamadas às 2as da manhã, o homem que aguardava o inimigo chegar ao topo para empurrar, o homem que tinha vendido canetas na rua e que, por isso, sabia que a única coisa pior do que perder uma luta é não ter brigado quando devia.

E era essa imagem que Valdomiro Fioravante descobriu tarde demais. A imagem do homem que não faz bluff, que não ameaça sem ter forma de cumprir, que guarda documentos durante 3 anos à espera do momento certo e que quando o momento chega não hesita. Na noite do no dia 13 de fevereiro de 1987, menos de 24 horas depois da invasão do SBT, Silvio Santos entrou em estúdio para gravar o programa de domingo.

Os funcionários que estavam no edifício durante a madrugada aplaudiram-no quando passou. O Sílvio sorriu, acenou, fez uma piada sobre precisar de mais café. Depois entrou no estúdio, colocou o microfone na mão, olhou para a câmara e começou a fazer televisão como se nada tivesse acontecido.

Porque era isso que Silvio Santos fazia, resolvia as crises nos bastidores e aparecia em palco como se o mundo fosse perfeito. O público nunca via o suor, as chamadas, as noites sem dormir, as pastas de couro com documentos comprometedores. O público via o sorriso, os aviõezinhos, a alegria. E essa era a genialidade de Sílvio, fazer parecer fácil o que era extraordinariamente difícil.

Fazer parecer natural o que era resultado de décadas de luta, estratégia e uma vontade de vencer. que nenhum político, nenhum concorrente e nenhum inimigo conseguia igualar. Valdomiro Fioravante pensava que estava enfrentando um apresentador de televisão. Descobriu que estava enfrentando um homem que tinha construiu um império com as próprias mãos e que ia defender este império com a mesma ferocidade com que tinha construído.

descobriu que o sorriso de Silvio Santos não significava fraqueza, significava que Sílvio podia dar-se ao luxo de sorrir, porque sabia exatamente o que tinha escondido nas gavetas. E quando as gavetas eram abertas, não havia volta a dar. E era assim que Silvio Santos fazia negócios.

Era assim que Silvio Santos fazia televisão e era assim que o Silvio Santos fazia justiça. Se inscreve se é fã de Silvio Santos de verdade. E antes de sair há uma história que se precisa de conhecer, porque tudo isto que acabou de ouvir, a invasão da SBT, a conferência de imprensa, a queda do deputado, tudo isto só foi possível porque décadas antes, em 1962, Silvio Santos entrou pela primeira vez num estúdio da TV paulista, sem guião, sem ensaio, sem ninguém ao lado dele.

A equipa técnica tinha ordens expressas de não ajudá-lo. O diretor do programa considerava aquele o maior erro da história da estação. O Sílvio teve 3 minutos. 3 minutos perante uma plateia frio e uma máquina fotográfica que não perdoava. E o que fez nesses três minutos transformou tudo. O diretor que queria tirá-lo do ar ficou paralisado.

O dono da estação ligou a meio da transmissão com uma instrução de uma frase: “Não tirem este homem do ar”. O que o Sílvio disse, como se mexeu, o que ele fez com aquela plateia hostil em menos de 180 segundos, é algo que precisa de ser ouvido para ser acreditado. A história completa está neste vídeo aqui.

E se já assistiu, há mais histórias como esta esperando por você aqui no canal. M.

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