Assim FOI a VIDA LUXUOSA de CHICO ANYSIO – Herança Destruiu a Família

Assim FOI a VIDA LUXUOSA de CHICO ANYSIO – Herança Destruiu a Família

R milhões deais. Essa era a herança que oito filhos de seis casamentos diferentesesperavam dividir quando o pai morreu em Março de 2012. R milhões de reais. Dinheiro para comprar 40 apartamentos em Copacabana. Dinheiro para três gerações inteiras viverem sem trabalhar um único dia. Pai, filhos e netos.

Todos cobertos, todos tranquilos.todos garantidos. Só que ninguém recebeu nada. 14 anos depois, a família ainda está em tribunal,mas não está a lutar pelos 20 milhões, está a lutar por uma dívida de R milhões de reais. O patrimóniointeiro virou negativo e um dos filhos morreu a meio da luta judicialaos 39 anos, sem ter recebido um único cêntimo.

Quase 10 anos à espera. Morreu antes de ver um real. Morreu a lutar por uma fatia de um bolo que já não existiamais. E aqui é onde a história torna-se estranha, porque este homem não era um milionário qualquer que torrou dinheiro num casino ou perdeu tudo numa fraude. Este homem trabalhou 64 anos consecutivos, 40 deles na TV Globo, a maior estação da América Latina.

Ganhava mais de R$ 200.000 R por mês de salário fixo. Tinha um apartamento de R$ 4 milhões deais na Barra da Tijuca. Cobertura vista pro mar. Tinha três salas comerciais no centro do rio, cada uma gerando rendas todos os mês. Seis carros na garagem e um rendimento mensal quesomando salário, rendas e publicidade passava desde R$ 350.

000 por mês, todos os meses, durante décadas. Então, como é que 20 milhões de reais passaram a ser uma dívida de R$ 7 milhões de reais? Guarda essenúmero. R$ 600.000 por mês. Este era o custo de uma única decisão que este homem tomou em vida. Uma decisão que ninguém à sua volta conseguiu travar, que ninguém teve coragem de confrontar e que comeu o todo o património por dentro como um térmita silenciosa durante anos.

Eu vou-te contar qual foi essa decisão, mas não agora, mais paraa frente. E quando eu te contar onúmero completo, o total acumulado em anos, vai perceber porque é que 20 milhões não tinham a menor hipótese de sobreviver. Eu vou-te mostrar como este cearense de Maranguape construiu uma das maiores fortunas da televisão brasileira.

quanto ganhava por personagem, quantoa Globo pagava por contrato e quanto dinheiro entrou naquela conta ao longo de seis décadas. E eu vou dizer-te o que cada uma das seis mulheres sabia sobre o dinheiro e o que a viúva descobriu quando abriu o cofre e encontrou o contrário do que esperava. Eu vou mostrar-te a guerra judicial entre os oito filhos.

Quem acusa quem? O que dizem os advogados nos altos? E por o testamento foi anulado por causa da uma decisão que o próprio Chico tomou antes de morrer. E eu vou contar-te o que lhe aconteceu nos últimos 11 anos de vida. O que a câmara não mostrava, o que os colegas de bastidor viram e por o homem que fez o Brasil inteiro rir passou os últimos anos num silêncio que ninguém consegue explicar.

Comenta lá antes de continuar. Você sabia que o testamento de Chico Anísio foi anulado pela justiça? Chuta o motivo. Dou-te uma dica. Não foi fraude, não foi falsificação e não foi uma luta de família. Foi uma decisão que o próprio tomou. A meio do vídeo, conto-te qual e quando souber, vai perceber porque a viúva perdeu tudo.

Francisco Anísio de Oliveira. Paula Filho, nasceu no dia 12 de abril de 1931 em Maranguape, no Ceará. Uma cidade pequena, encostada a Fortaleza, poerenta,quente, sem glamur nenhum. Naquela época, Maranguape tinha pouco mais de 30.000 1 habitantes. Não havia cinema, não havia teatro, não não tinha nada que lembrasseo mundo do espetáculo.

A família mudou-se para o Rio de Janeiro quando o Chico tinha 6 anos,como milhares de cearenses fizeram nessa década, fugindo da seca e da falta de perspectiva do sertão. Infânciapobre, casa apertada num subúrbio do Rio, futuro completamenteincerto. Ainda adolescente, Chico fez um teste para locutor na Rádio Guanabara. Pois, o teste era simples.

Ler um texto em direto no microfone, mostrar dicção,mostrar presença de voz, provar que tinha o que era preciso para comunicar para milhares de ouvintes ao mesmo tempo. Chico ficou em segundo lugar. Guarda esse dado porque no final desse vídeo ele vai magoar-te. O primeiro lugar foi Silvio Santos.

Os dois fizeram o mesmo teste na mesma rádio. Provavelmente sentaram-se na mesma sala de espera. Dois jovens sem dinheiro, sem nome, sem contacto nenhum na indústria. Dois ninguéns à espera de uma chance. Um tornou-se o empresário mais rico da televisão brasileira, o outro tornou-se o humorista mais genial.E os dois terminaram em lugares tão distantes um do outro que o contraste dói quando coloca lado a lado.

Mas isso fica pró final. Guarda esse testena memória. A carreira de Chico começou no rádio nos anos 50.Rádio ator na Rádio Guanabara. Fez de tudo comentador de futebol. Sim. Antes de ser humorista, Chico narrava lance e comentava partida na rádio. Comediante em programas de auditório. Ator de rádio novela.

O rádio dos anos 50 era a televisão da época, o aparelho que toda a família brasileira tinha na sala.Quem aparecia na rádio tornava-se nome nacional da noite para o dia. E O Chicotinha uma coisa que nenhum outro comediante brasileiro daquela época tinha. A capacidade de criarpersonagens de raiz não era imitação, não era paródia de alguém famoso, era criação pura, original, como um romancista que inventa pessoas que nunca existiram, mas que parecem mais reais que gente a sério.

Cada personagem nascia completo com voz própria, sotaque próprio, maneira de andar, maneira de mexer as mãos, forma de coçar a cabeça quando ficava nervoso. Era bordão que se colava na memória do ouvinte, como se Chico tivesse 200 pessoas a viver dentro dele e deixasse sair cada uma quando era a hora.

O professor Raimundo, que viria a ser o mais famoso de todos os personagens, nasceu na rádio Mairink Veiga. O personagem foi criado originalmente pelo argumentista Haroldo Barbosa em 1950 e dado ao Chico para interpretar. Era só um esqueleto, um professor de explicações. O Chico pegou naquele esqueleto e pôs carne, sangue, alma, história, figurino, bordão e a imortalidade.

E o salário, ó, este gesto com a mão, esta frase dita com resignação e humor ao mesmo tempo, tornou-se parte do ADN cultural brasileiro. Até hoje, mais de 70 anos depois, qualquer brasileiro com mais de 40 anos sabe completar esta frase, sabe reproduzir o gesto exato,conhece o tom de voz. Isto não é fama, [a música] isto é imortalidade cultural.

Isso não se compra com dinheiro, isso não se fabrica com o marketing, isto acontece uma vez por geração, citando da rádio. O Chico migroupara televisão e aqui a escalera começa a subir de verdade. Em 1968, O Chico assinou um contratode exclusividade com a TV Globo. Calcula o que significava isso em 1968.

A Globo estava em plena expansão agressiva. Em poucos anos, seria a quarta maior cadeia de televisão do mundo e a maior da América Latina, com um alcance em praticamente 100% do território brasileiro. Um contrato exclusivo com a Globo em 1968 significava salário fixo garantido todos os mês, participação na audição dos programas, os direitos de autor sobre cadacriação, estabilidade que nenhum artista brasileiro tinha naquela época.

E significava que podia dormir tranquilo, sabendo que no mês seguinte ia ter dinheiro na conta. era como ser contratado pela maior empresa do país com o salário de diretor e estabilidade de um funcionário público. E Chico não era um ator qualquer dentro da Globo, era o humorista, o tipo que fazia que mais ninguém fazia.

A Globo sabia que tinha nas mãos um talento insubstituível. Nos anos 70, [a música] a escalera subiu mais um degrau. Balança, mas não cai, tornou-se o fenómeno de audiência. Em alguns sábados batia os 60 70% de share. Os brasileiros ligavam a TV e encontravam o Chico a fazer10 personagens diferentes no mesmo programa, trocando de voz a cada frame, como quem muda de camisa.

Os personagens multiplicavam-se como se Chico tivesse uma fábrica dentro da cabeça. Pantaleão e o homem que contava histórias absurdas e improváveis ​​com uma convicção tão absoluta que quase se acreditava. O Coronel Limoeiro, o político do interior que mandava e desmandava com um cinismo tão transparente que parecia sátira,mas era retrato fiel do Brasil profundo.

Chico City estreou em 1974e levou tudo para outro patamar. O cachê de Chico subiu juntamente com a audiência. Na Globo dos anos 70, o artista ganhava proporcional ao que entregava de audiência e Chico entregava números que nenhum outro humorista alcançava. Nessa fase, os direitos de autor dos personagens começaram a acumular-se de verdade.

Cada personagem nova criada era um ativo registado em nome dele. E O Chico criava 5, 10, 15 personagens por temporada. Nos anos 70 já tinha mais de 100 personagens registados e cada um gerava um fio de rendimento que, e sozinho era pouco, mas que somado com os outros 100, formava uma rede financeira considerável.

O jornal O Globo, em 1973, publicou uma notícia com um título que resume o Chico melhor do que qualquer outra definição, sociólogo do riso. E era isso mesmo. As personagens de Chico não eram palhaçadas, eram radiografias do Brasil. Cada um era um espelho onde o brasileiro se via e ria. O coronel corrupto, o funcionário público que finge trabalhar, o malandro carioca, o professor falido. O Brasil via-se e ria.

Raia porque doía, ria porque era verdade. guarda este ano, 1982,porque aqui o património começou a crescer de verdade e a escalera chegou no andar dos milhões. Em 1982, estreou o Chico Anísiio Show. Horário nobre da TV Globo. Sábado à noite, o melhor horário da melhor emissora do país. E o programa reunia todas as personagens de Chiconum formato que misturava sketes, entrevistas fictícias, quadros musicais e uma energia que nenhum outro programa de humor da TV brasileira conseguia replicar. A audiência era

colossal. Nos anos 80, a Globo não tinha concorrência real no horário nobre. Quem ligava a TV no sábado à noite via Chico a início. E o Chico não fazia um personagem por programa, fazia 5 6 8 10. Trocava de figurino em minutos. Mudava de voz como quem roda uma chave. Mudava de postura,de expressão, de energia.

O programa esteve no ar desde 1982 a 1990, 8 anos consecutivos de horário nobre na maior emissora do país. Uma estrela exclusivo da Globo nos anos 80. Um artista do primeiro escalão e como Chico era, ganhava entre R 150 e R$ 400.000 R$ 1.000 por mês em valores corrigidos para hoje, dependendo da audiência do programa e do poder negocial individual.

E o Chico tinha muito poder de negociação, era insubstituível. Não existia ninguém no Brasil, nem no mundo, que fizesse o que ele fazia. Você pode despedir um ator e contratar outro. Não se pode despedir Chico Anício e contratar outro Chico Anício.E para além do cachet mensal, tinha os direitos de autor. Cada personagem que Chico criava gerava royalties.

Cada vez que a Globo repetia um quadro, pingava dinheiro para a conta. Cada vez que era lançado um DVD com compilações do programa, pingava dinheiro. Cada vez que uma estação licenciada em outro país passava um episódio, pingava dinheiro. E o Chico não tinha 10 personagens registados, tinha 209. A máquina de royalts funcionava 24 horas por dia,7 dias por semana, mesmo quando o Chico estava a dormir, mesmo quando estava a viajar, mesmo quando estava no raras a olhar os cavalos comerem, mas a escalera ainda

não tinha chegado do topo. Falta o último degrau, o maisalto de todos. Em 1990 estreou a escolinha do professor Raimundo. E aqui Chico Anício deixou de ser grande, deixou de ser famoso e passou a ser lenda. A escolinha foi o programa de humor mais longevo da história da televisão brasileira.

De 1990 a 2001, 11 anos consecutivos. Todo Sábado à noite, audiência monstruosa. Nos anos 90, a Globo dominava 70 80% dos televisores do Brasil. E a escolinha era um dos cinco programas mais vistos da grelha inteira. O formato era genial. Uma sala de aula, carteiras velhas, quadro preto. Eu no centro, o professor Raimundo, óculos grossos, gravata torta, caderno de chamada e o salário, ó.

O Brasil parava para assistir. Tom Cavalcante foi ali revelado. Walter Dávila foi resgatado do esquecimento. Lúcio Mauro, Lúcio Mauro Filho, Zilda Cardoso, todos passaram pela escolinha. O programa era uma fábrica de talentos e no centro sempre o Chico.E o que a escolinha significava em dinheiro? Significava que o Chico estava no pico absoluto de poderde negociação com a Globo.

Com o Chico Anício Show nos anos 80 e a escolinha nos anos 90, Chico era o artistade humor mais bem pago da televisão brasileira durante quase 20 anos seguidos. Guarda esse dado. 20 anos consecutivos no topo.Cachê de primeiro escalão. Mais direitos de autor de dezenas de personagens novas criadas a cada estação.

Nos anos 90. E uma estrela exclusiva da Globo ao nível de Chico ganhava o equivalente a R$ 300.000 R por mês. E em cima disso vinham os royalties que podiam duplicar esse valor. Estamos a falar de milhão a R$ 800.000 por mês entrando na conta todos os meses 12 vezes por ano durante 20 anos. Faza conta.

Se o Chico ganhava em média 500.000 por mês durante 20 anos.E esta é uma estimativa conservadora. São R milhões de reais ao longo da carreira de ouro. 120 milhões. E o património quando morreu era de 20 milhões. Para onde foram os outros 100? Guarda essa pergunta. E as personagens? O professor Raimundo, o professor que ganhava uma miséria e tornou-se o espelho de todo o funcionário público do Brasil.

Salomé, o malandro que se vestia de mulher e enganava toda a gente com a maior cara de pau. Pantaleão, o mentirosocompulsivo que contava histórias absurdas com convicção absoluta. O Coronel Limoeiro, o político do interior que mandava e desmandava sem pudor nenhum. Estes quatro Janete conhece de cor, mas o Chico nãofez quatro.

fez 209 ao longo de 64 anos de carreira. Peter Sellers ficou famoso por interpretar três personagens no mesmo filme. Chico fez 209 ao longo da vida. Não existe paralelo na história da televisão mundial. E cada um destes 209 personagens era um ativo financeiro. Cada repetição na Globo, cada DVD, cada exibição na Globo Play pingava Royalty.

209 fontes de rendimento automáticas, a funcionar 24 horas por dia. Écomo ter 209 apartamentos arrendados gerando rendimento sem que tenha de fazer nada. E, mesmo assim, e com 209 fontes de rendimento, o dinheiro não foi suficiente para cobrir os gastos.Guarda isso.

No Pico, o património do Chico era de R$ 20 milhões deais. Apartamento na Barra da Tijuca, 4 milhões. Três salas comerciais no Rio de Janeiro alugadas e gerando rendimento. Seis carros, aras com centenas de cavalos, pinturas de autoria própria. O Chico era pintor talentoso, vendia quadros, livros publicados, era também escritor e os direitos de autor de 209 personagens, entrando na conta como um relógio.

Agora guarda esse outro número com muita atenção. seis casamentos e oito filhos, porque cada casamento custou pensão, cada filho custou mesada. E a soma destes custos é uma das engrenagens que trituraram a fortuna. O primeiro casamento, Nancy Wonderley, um filho Lug de Paula e que se tornou ator e fez o seu boneco na escolinha.

Guarda o nome do Lug. Ele vai ser o pivô da anulação do testamento. Sem Lug, esta história seria outra, completamente outra. Segundo casamento, Rose Rondelli, Vedete, dois filhos, Niso Neto, que tornou-seator e dobrador, e Rico Rondelli, diretor de imagem, que passou 24 anos na Globo, a mesma estação que descartou o pai.

Terceiro casamento, Alion Maelo, ex-modelo e atriz. Um filho, Bruno Mael, guarda este nome com força. Bruno tornou-se comediante reconhecido, ator de cinema e televisãoe é o mais famoso dos filhos de Chico. É também o que vai entrar em tribunal contra a viúva em 2017. vai assumir o inventário, vai acusar Malga de incompetência e vai fazer um documentário na Global Play sobre o pai, do qual vai excluir completamente a última esposa e como se ela nunca tivesse existido.

Quarto casamento, Regina Chaves, ex-frenética, um filho. Cícero Chaves, DJ e produtor fonográfico. Guarda esse nome. Cícero morreu em julho de 2021,aos 39 anos, a lutar pela herança do pai. Morreu sem ter recebido um cêntimo. Quinto casamento. E aqui preciso que pare um momento, porque este dado é daqueles que alteram a temperatura de tudo o que veio antes.

A quinta mulher de Chico Anísio foi Zélia Cardoso de Melo. O nome diz-te alguma coisa? Deveria dizer muito. Zélia Cardoso de Melo foi ministra da economia do governo Color, a primeira mulher a ocupar essecargo na história do Brasil. A ministra da economia do Brasil,a mulher que controlava a política económica de um país de 150 milhões de pessoas, que implementou o plano Color, que lidou com a hiperinflação e que negociou com abancos internacionais.

que se sentou em reuniões com o FMI e esta mulher casou com o maior humorista do Brasil. Imagina esta cena. A mulher que enfrentou uma das piores As crises económicas da história brasileira, que tentou domar uma inflação de quatro dígitos, que tomou a decisão de congelar cadernetas de poupança de milhões de brasileiros, este mulher sentou-se à mesa da cozinha da casa do Chico para tentar organizar as contas pessoaisde um humorista, porque as contas de Chico Anísio eram um desastre que rivalizava em complexidadecom a economia brasileira dos anos 80.

Malga, a última mulher, contou anos depois. A Zélia organizou a vida financeira do Chico. O Chico sempre teve uma vida financeira. Era um caos. Ele era um artista e não sabia lidar com dinheiro. Zélia era a única das seis esposas que sabia ler um balanço, que entendia o cash flow, que conseguia olhar para aquele emaranhado de gastos e dizer: “Isto aqui não fecha.

Isto precisa de mudar”. Enquanto Zélia esteve casada com o Chico, as contas funcionaram. A ex-ministra, que tentou organizar a economia do Brasil conseguiu, pelo temporariamente organizar a economia de um humorista. Mas quando o casamento acabou, como todos os anteriores tinham terminado, a organização acabou junto e o caos voltou pior do que antes, porque os cavalos continuaram a multiplicar-se e os gastos só cresciam.

Dois filhos desta relação, Rodrigo e Vitória de Paula. Sexto e último casamento. Malga de Paula, empresária. Casaram em 2001, por coincidência, o mesmo ano em que a escolinha saiu do ar e ficaram juntos até à morte de Chico em 2012. 11 anos de casamento. Malga é a última esposa,a que estava ao lado dele todos os dias nos últimos 11 anos, a que cuidou dele nos internamentos, a que lhe segurou a mão quando os órgãos foram parando, e a que luta com todos os filhos em tribunal até hoje, 14 anos depois.

Tem ainda André Lucas, filho adotivo de Chico, ator, fez o seu aranha na escolinha. Seguiu carreira no Stand Up Comedy, faz hoje 64 anos. Faz a conta comigo.Seis casamentos, oito filhos biológicos e adotivos. Pelo menos cinco ex-mulheres com direito à pensãoalimentos determinada judicialmente, mais mesadas para os familiares próximose distantes.

Porque o Chico era generoso de uma forma que roçava a irresponsabilidade. Dava dinheiro a quem pedia, ajudava familiar que nem sequer conhecia direito. Agora calcula é se cada ex-mulher recebia entre 5 e R$ 15.000 R$ 1000 por mês. E para uma estrela da Globo do nível de Chico, estes valores são conservadores.

O mínimoimaginável. Estamos a falar de 50 a R$ 90.000 todo mês a sair da conta. Mas não era só pensão. Tinha mesada para os filhos, tinha ajuda para um parente distante que ligava pedindo, tinha um empregado da casa da ex-mulher que Chico bancava, tinha a escola particular dos filhos e eram oito filhos, muitos deles em fases diferentes da vida.

Uns na escola, outros na faculdade, outros já adultos, mas ainda dependentes. Junta tudo. Pensões mesadas, custos indiretos dos filhos, ajudas familiares, facilmente R$ 150 a R$ 200.000 por mês. Todos os meses, sem parar, sem descontar. A pensão é automática, cai na conta daex no dia combinado. E não importa se o mês foi bom ou mau, guarda esses números lado a lado. 150.

000 em família mais 600.000 em cavalos. São R$ 750.000 R$ 1000 por mês de despesa fixa antes de o Chico gastar 1 cêntimo com ele mesmo, antes do aluguer do apartamento da Barra, antes da manutenção dos seis automóveis, antes de impostos, antes da comida na própria mesa, porque agora eu preciso de tecontar sobre os cavalos.

E é esse o momento em que essahistória muda de patamar. Chico Anício era apaixonado por cavalos desde jovem. Mas chamar-lhe paixão é ser diplomático demais. Era compulsão. Compulsão diagnosticável. A diferença entre paixão e compulsão éclara. Na paixão, controla-se quanto gasta. Na compulsão, o gasto controla-te. E no caso do Chico, e a compulsão controlou tudo, incluindo o destino de 20 milhões de reais e de oito filhos.

Chico chegou a ter entre 200 e 300 cavalos ao mesmo tempo. Ao mesmo tempo. Não estou a falar de um Aras com 10 cavalos a pastar num pasto verde. Estou falando de 300 animais vivos a necessitar de comida todos os dias, de veterinário, de funcionários, de infraestruturas. 300 bocas abertas todo o primeiro dia do mês à espera de ração.

Malga disse em entrevista a Antónia Fontinelli. Só para alimentar um cavalo eram 500$ por mês. Chegou a ter 300. Houve uma época em que gastava R$ 600.000 por mês com cavalos. R$ 600.000 por mês nos cavalos. Para dimensionar. É o salário mensal de 30 médicos no Brasil. É o custo de manter uma escola pública a funcionar durante um mês inteiro. E com 600.

000 por mês, você paga a renda de 100 apartamentosde 2 quartos em bairro Nobre do Rio de Janeiro. E Chico Anício gastavaisto em cavalo todos os meses. Calcula na tua cabeça. 600.000 por mês vezes 12 meses. R$ 7.200.000 1000€ por ano, só em cavalos. O património inteiro de Chico era 20 milhões.

Em menos de 3 anos, os cavalos comiam tudo e isto sem contar com pensões, mesadas, impostos,estilo de vida, só cavalos. E a compulsão não tinha travão. Malga contou que Chico comprava toda a cria de aras. Chegava num criatório, via os filhotes nascidos nessaépoca, os potrinhos com poucos meses de vida, e comprava todos.

Não escolhia o mais bonito, não avaliava pedigri, não calculava custo, não pensava em revenda, comprava-os todos, levava-os ao Aras e cada um daqueles cachorrinhos virava mais R$00 de custo mensal para o resto da vida do animal. Um cavalo vive 25, 30 anos. Faz essa conta. Um potrinho comprado por impulso num sábado de manhã. Vai custar R$ 450.

000 em ração ao longo da vida. Se o Chico comprava 10 crias de uma vez e comprava. Eram Rhões e meio deais em custo futuro decididos numa manhã de capricho. E nenhum destes cavalos gerava renda. Não eram cavalos de corrida que disputavam paros milionários. O grande prémio Brasil paga mais de 1 milhão ao vencedor.

Os cavalos do Chiconão corriam. Não eram reprodutores de elite cujo semem valia fortunas. Eram cavalos que comiam, que existiam, que custavam 600.000 por mês a existir.E a fortuna de Chico Anício foi literalmente devorado por 300 bocas que mastigavam feno e aveia enquanto oito filhos de seis casamentos. esperavam uma herança que encolhia silenciosamente a cada 30 dias.

Guarda este número na cabeça, 600.000 por mês em cavalos. Porque daqui a pouco, quando eu contar-te o saldo final da herança, vais encaixar cada peçadesse puzzle e entender exatamente para onde foi cada cêntimoque este homem ganhou em 64 anos de trabalho. Mas os cavalos foram o maior ralo, não o único.

Malga descreveu a vida financeira de Chico com uma precisão que dói. era um caos e completou sem pestanejar. Ele era um artista. Ele não sabia lidar com dinheiro. Chico não olhava a extratobancário, não conferia depósito, não sentava-se com o contabilista para planear o mês seguinte e não perguntava quanto entrava e quanto saía.

confiava em todo o mundo em redor, nos administradores do Aras, nos gerentes, nos amigos que diziam cuidar das suas finanças. Assinava onde mandavam assinar, autorizava onde mandavam autorizar. Nisu neto, o filho, disse com todas as letras, anos mais tarde. Foi muito roubado, com toda a certeza. Não conferia nada, confiava em toda a gente.

Era um péssimo homem de negócio. Péssimo homem de negócio com 600.000 de despesa fixa mensal em cavalos. Mais 50 a 90.000 em pensões, mais mesadas para os parentes próximos e distantes, mais custo de vida de estrela da televisão brasileira, o que inclui motorista, empregados domésticos, segurança, viagens, presentes caros que Chico distribuía generosamente a quem pedisse.

A equação era simples e impossível ao mesmo tempo. A renda da Globo, cachet mensal mais direitos autorais acumulados, era elevada. mas não era interminável e os gastos superavam a rendimento todo mês. Todos os meses o saldo ficava um pouco menor. Todos os meses a conta ia mais pró vermelho. O património de 20 milhões era como uma piscina cheia que tinha um enorme ralo no fundo.

A água saía mais rápido do que a torneira conseguiarepor. E o pior, ninguém ao redor falava. Ninguém olhava paraa situação e dizia:”Chico, tu está a gastar mais do que ganha. Isso vai acabar mal.” Ou se falavam, Chico não ouvia, porque era um artista. Na cabeça dele, o dinheiro era consequência do trabalho.

E como ele sempre trabalhou, achava que ia ter sempre dinheiro. Achava que a Globo ia pagar para sempre. achava que as personagens iam gerar rendimentos para sempre e achava que a torneira nunca ia secar. Mas a torneira secou e os cavalos continuaram a comer. E quando o rendimento deixou de cobrir,porque chegou o dia em que simplesmente deixou de cobrir, o Chicocomeçou a vender propriedades.

Vendeu imóveis que tinha comprado nos anos de ouro para cobrir as despesas dos anos de declínio. Vendeu coisas que deviam ser herança para pagar contas do mês corrente. E cada propriedade vendida era menos uma fonte de rendimento, porque imóvel arrendado gera receita mensal. E quando vende, a receita desaparece para sempre.

É como tapar um buraco cavando outro buraco ao lado. O património encolhia dos dois lados. Os cavalos comiam o dinheiro líquido e as vendasforçadas comiam os bens sólidos. Depois vieram os empréstimos. Empréstimo bancário a artista sem o planeamento financeiro é veneno com juros compostos.A cada mês que passava sem pagar, o saldo crescia,2%, 3% ao mês, dependendo da linha de crédito.

Contraiu dívidas para pagar outras dívidas. o ciclo clássico que qualquer consultor financeiro reconhece como o ponto de não retorno. E os cavalos continuavam lá. 300 animais que não sabiam que estavam comendo a herançade oito seres humanos. 300 animais que necessitavam de ração no dia um de cada mês.

Não importasse se a conta do Chico estava no azul ou no vermelho e os impostos. Guarda esse pormenor. Nos últimos três anos de vida, as declarações de rendimentos de Chico simplesmente não foram feitas. 3 anos consecutivos sem entregar nada à Receita Federal. A receita não perdoa,não esquece.

Cobra com uma penalização de 20% sobre o imposto devido é acrescido de juros pela taxa Selic acumulados mês a mês. 3 anos sem declarar com o rendimento que Chico tinha, mesmo que já estivesse em declínio, gerou uma dívida de quase R$ 2.hõ500.000 apenas com a Receita Federal. 2 milhões e meio que não existiam quando Chico estava vivo e que apareceram como fantasma no inventário depois da morte.

Malga controlava as contas nesta fase final. Ninguém, nem os filhos, nem os advogados, nem a justiça, sabe quanto dinheiro Chico tinha no banco quando morreu. Os registos não existem. Esse vazio documental vai explodir mais tarde. A Zélia. A ex-ministra tinha sido a única que pôs ordem naquilo enquanto estiveram casados.

Quando o casamento acabou, o caos voltou e voltou pior, porque os cavalos continuaram a multiplicar enquanto a principal fonte de rendimento estava prestes a secar. É, aguarda este ano, 2001, porque o que a Globo fez nesse ano matou o Chico Anísio antes do corpo morrer. Em 2001, a TV Globo retirou a escolinha do professor Raimundo do Ar para um momento com isso. Sente o peso desta frase.

43 anos. Chico Anísiio esteve na Globo desde 1968, 33 anos de casa. E em 2001, a estação simplesmente acabou com o programa que era a identidade dele.A escolinha não foi substituída por algo maior ou melhor, não foi reformulada com novo formato, não foi transferida para outro horário, foi tirada, cortada da grade,encerrada e ninguém explicou oficialmente porquê.

Chico não recebeu carta, não teve reunião formal com a direção, não recebeu uma justificação que pudesse aceitar ou contestar. Depois de mais de três décadas a dar audiência à estação, o programa que ele construiu durante 11 anos e com os personagens que criou durante uma vida inteiro,simplesmente desapareceu da programação.

Chico ficou em lágrimas quando soube. Aos prantos. O maior humorista da história da televisão brasileira chorou como se tivesse perdido alguém que amava e, de certa forma, tinha perdido. Tinha perdeu a razão profissional de levantar da cama. Malga disse em entrevista ao podcast de Rodrigo Alvarez, publicado pela Folha de São Paulo, uma frase de uma brutalidade que corta: “Mataram-no 14 anos antes.

” 14 anosantes da morte física, que surgiu em 2012. A morte profissional surgiu em 2001. Quando tiraram a escolinha, tiraram a identidade dele, tiraram-lhe o palco, tiraram as personagensdo ar, tiraram o motivo pelo qual 60 milhões de brasileiros ligavam à televisão no sábado à noite. Depois de 2001, I a Chico só fez participações esparsas no Zorra Total.

esparsas, sem peso, sem protagonismo. O tipo que comandou horário nobre durante décadas, aparecia agora eventualmente num programa que não era dele, fazendo quadros que não tinham a mesma alma, a mesma graça, o mesmo brilho. E o impacto financeiro foi imediato.Perder a escolinha não significou apenas perder prestígio, significou perder a principal fonte de renda.

[música] O cachet de um programa próprio em O horário nobre era incomparavelmente superior ao cachet de participações avulsas. Uma participação no Zorra Total podia pagar R 5 R$ 10.000. O programa próprio pagava 10 20 vezes mais. É como um jogador de futebol que perde o contrato com o clube grande e vai jogar na equipa da Vársia.

Tecnicamente ainda joga futebol. Mas o salário é outro universo e os gastos do Chico não diminuíram nenhum cêntimo. Os cavalos continuaram no aras, as pensões continuaram a cair na conta das, as mesadas continuaram a sair. A diferença é que a torneira que enchia a piscina foi substituída por uma mangueira fina e o ralo continuou do mesmo tamanho.

calcula, se o Chico ganhava 500.000 por mês no seu auge e passou a ganhar 50, 100.000 com participações dispersas, a rendimento caiu 80 90%. Mas os gastos fixos continuaram nos R$ 750.000. Todos os meses R$ 650.000 de buraco. Todos os meses o patrimônio encolhia R$ 650.000. Num ano, quase 8 milhões de deficit.

em 2 anos, 16 milhões. O património de 20 milhões não durava 3 anos nesse ritmo. E foi exatamente isso que aconteceu. E a mágoa com a Globoera profunda. O Chico nunca disse publicamente que odiava a estação. era demasiado cavalheiro para isso, mas nas entrelinhas de cada entrevista dos últimos anos, a ferida era visível e veio a depressão.

Malga contou sem rodeio. Eu e o Chico tínhamos uma depressão juntos. Cuidávamos um do outro. O Chico tinha muita depressão. Pensa nisso. O homem que fez rir o Brasil durante 40 anos na mesma estação estava deprimido,afastado, esquecido, sentindo-se descartado pela empresa que ajudou a construir.E a depressão tinha consequências financeiras diretas.

Um homem deprimido não negoceia contrato. Não liga ao empresário para cobrar cachet atrasado. Não se senta com um advogado para rever pensão. Não confronta o administrador do Haras sobregastos excessivos. Uai, não olha para a folha de cálculo e diz: “Isto aqui tem de parar”. A depressão paralisou Chico nosúltimos 11 anos de vida.

Exatamente. Os anos em que ele mais precisava de tomar decisões financeiras difíceis. Precisava de vender os cavalos. Precisava. Mas um homem deprimido não vende a única coisa que ainda lhe dá prazer. Precisava de reduzir o estilo de vida? Precisava. Mas um homem deprimido não tem energia para mudar nada. Precisava de declarar imposto de renda.

Precisava. Mas ninguém declarou: “A depressão não é só tristeza, é paralisia”. E no caso de Chico, aparalisia custou milhões. O génio que criou 209 personagens, cada uma com vida própria, cada um capaz de fazer uma audiência gargalhar, não conseguiaencontrar dentro de si próprio um personagem que fosse feliz.

O professor Raimundo não conseguia ensinar Chico a ser feliz. Ele Salomé não conseguia fazer rir o criador. 209 personagens e nenhum deles servia para proteger o homem que os inventou. E enquanto a depressão se instalava, os cavalos continuavam a comer. 600.000 por mês continuavam a sair, as pensões continuavam a cair na conta das ex-mulheres e o rendimentoprincipal, a escolinha, tinha-se evaporado há anos.

A torneira secou, ​​os ralos continuaram abertos e o património sangrou até secar. O homem que fez o Brasil rir tinha parado de rir fazia anos. E o dinheiro que ele ganhou fazendo rir o Brasil continuava escorrendo pelo ralo de um raras. que ninguém teve coragem de fechar. Internadoem 2010, obstrução coronária, angioplastia de emergência, 109 dias de hospital, quase 4 meses, a maior parte em UCI.

E o homem que fez rir o Brasil durante 40 anos esteve 4 meses num hospital sem fazer rir ninguém, nem a si próprio. Em 2011, regressou a Zorra Total uma única vez, personagem Salomé. Em novembro, internado de novo, infecção urinária. Alta em dezembro, reinternado no dia seguinte, hemorragia gastrointestinal, em fevereiro de 2012.

Infeção pulmonar grave, agravamento respiratório, agravamento renal. 23 de março de 2012, Hospital Samaritano do Rio de Janeiro. Falência múltipla de órgãos. Chico Anísio morreu aos 80 anos e depois começou a guerra. Guarda o nome Lug de Paula porque uma decisão que Chico tomou sobre este nome destruiu o plano inteiro para proteger a viúva.

Chico deixou o testamento e o testamentotinha uma lógica que parecia fazer sentido. Bens materiais, o apartamento da barra, as três salas comerciais e os seis carros ficam com Malga, a última esposa,a que estava ao lado dele no final. património intelectual, os direitos autorais das 209 personagens, os guiões, as criações artísticas que iam gerar royalties durantedécadas, ficam com os filhos.

Era um plano aparentemente justo. A viúva fica com o teto e com os bens físicos. Os filhos ficam com o rendimento das personagens que vai pingar na conta delespor anos e anos. Cada um no seu canto, sem briga. sem confusão. Mas Chico excluiu o Lug de Paula do Testamento, o primeiro filho do primeiro casamento. Tinham brigado, briga grave, familiar, daquelas que racha tudo.

E o Chico riscou o nome do Lug do documento, como quem risca uma personagemque não deu certo. Só que no Brasil a lei não permite deserdar filho sem motivo comprovado judicialmente. Tentativa de homicídio e injúria grave. Relação com o cônjuge. Briga familiar não está na lista. Mágoa não está na lista.

O Chico não provou nada em vida. Em 2020, a justiça do Rio de Janeiro anulou o testamento. Para um momento com isto, o plano que Chico traçou para proteger Malga, bens materiais para ela, intelectuais pros filhos, desmoronou-se com uma canetada do juiz e desmoronou por causade uma decisão que o próprio Chico tomou. Se não tivesse excluído Lug, o testamento teria valido.

Malga teria ficado com o apartamento, com as salas, com os automóveis. Os filhos teriam ficado com os royaltiesdos 209 personagens, cada um no seu canto, sem guerra, sem inventário de 14 anos, sem advogados devorando o que restava, sem um filho morto durante a rixa. Mas o Chico excluiu Lug por orgulho, por mágoa, por raiva, e a exclusão de um único filho deitou por terra o edifício inteiro.

Com a anulação, Malga perdeu o direito exclusivo aos bens materiais. Tudo entrou em inventário para divisão entre todos os herdeiros. Malga, os oito filhos,toda mundo na mesma fila. E a fila era para dividir não 20 milhões,mas 7 milhões de dívida. E aqui entra um pormenor que ninguém fala. Com o testamento anulado, a divisão segue a lei geral da herança.

Metade do património vai para os filhos em partes iguais. A outra metade é a meiação de Malga como cônjuge. Mas meação de quê? De dívida. Malga ficou com metade de 7 milhões negativos. Os filhos ficaram com a outra metade de sete milhões negativos. Todos herdaram dívida. É o oposto do que o Chico queria. é o oposto do que qualquer pai deseja e tudo por causa de um nome riscado num documento.

E aqui começa a parte mais feia deste história. Porque quando uma família luta por dinheiro, o dinheiro vira secundário. O que aparece é tudo o que estava escondido debaixo do tapete durante décadas. As mágoas, os ressentimentos, as contas não liquidadas. os silêncios que nunca foram quebrados. E no caso de Chico, com oito filhos de seis casamentos, cada um com uma mãe diferente, cada um com uma história diferente com o pai, cada um com uma versão diferente dos factos.

O inventário tornou-se um campo de batalha onde ninguém confiava em ninguém. De 2012 a 2017, Malga foi inventariante,5 anos a administrar o espólio. E nesses 5 anos,segundo os filhos, a A prestação de contas simplesmente não aconteceu. Os alugueres das três salas comerciais no centro do Rio, que deviam gerar pelo menos 8 R$ 10.

000 Ris por mês cada uma iam para onde? E ai ninguém sabia. Os direitos de autor pagos pela Globo pelo uso das 209 personagens.E a Globo utilizava esses personagens constantemente em repetições especiais de fim de ano, compilações. Iam para onde? Ninguém sabia. Quando Bruno Mazel finalmente pediu prestação de contas formal, a conta do espólio estava a zero. Zerada.

5 anos de rendas, 5 anos de royalties da Globo e o saldo era zero. Os advogados dos filhos disseram nos autos do processo: “Não se sabe quanto tinha no banco, porque Malga controlava tudo e não fez declarações de IR nos últimos 3 anos de vida. Este é o tipo de frase que parece técnica, jurídica, fria, mas que esconde um abismo. Significa que ninguém sabe.

Ninguém sabe quanto tinha o Chico, ninguém sabe para onde foi e provavelmente nunca ninguém vai saber. em 2017, e Bruno Mazel recorreu à justiça acusando Malga de incompetência e omissão. Assumiu como inventariante. E quando abriu os livros, [a música] quando colocou os números em cima da mesa, quando finalmente alguém olhou para o saldo real, o que encontrou não foi uma herança reduzida, não foi uma herança inferior ao esperado. Foi dívida.

[música] R milhões deais de dívida. Os números eram brutais na sua clareza. Impostosobre o rendimento em atraso, quase 2.500.000. 3 anos sem declaração de IRS significava 3 anos de imposto acumulado. Mais multa por atraso, acrescido de juros compostos sobre o multa.

A Administração Fiscal não perdoa, não esquece e cobra com retroatividade. A dívidas acumuladas das salas comerciais, os três imóveis no centro do Rio que deviam gerar rendimentos passivos para sempre. R$ 1.400.000 R em IMI, atrasadoe condomínio não pago. Isto significa que durante anos ninguém pagou o condomínio daquelas salas, ninguém pagou o IMI.

Os boletos chegavam e ficavam empilhados. Cada mês sem pagar, acrescido de juros, acrescido de coima,mais encargos. Os imóveis que deveriam ser herança, que deveriam valer dinheiro, transformaram-se em geradores de passivo. Deviam mais do que valiam. Em vez de pagar aos herdeiros, os imóveis cobravam dos herdeiros.

Era como herdar uma torneira que só jorra conta. A herança esperada de 20 milhões se transformou numa dívida de sete. O saldo inverteu completamente. Positivo passou a negativo. O que era património passou a ser passivo. Estes filhos que passaram anos na justiça esperando dividir uma fortuna, descobriram que estavam a dividir um buraco.

E a luta não parou. Não parou em 2017, quando Bruno assumiu como inventariante. Não parou em 2020, quando o testamento foi anulado pela justiça. Não parou em 2022, 10 anos da morte do Chico e o inventário ainda aberto, as dívidas ainda crescendo, os advogados ainda faturando com honorários que saem do próprio espólio.

Cada ano que o inventário continua aberto, mais IMI acumula nas salas comerciais,mais condomínio não pago, acrescido de juros sobre juros. Os 7 milhões de dívida de 2017,provavelmente já são oito. 9 10 milhões. Em 2025, a herança não só desapareceu, como piora cada mêsque passa. É uma dívida viva que cresce por si só, enquanto a família luta na justiça sobre quem devepagar.

E quem paga os advogados que lutam pela dívida? O próprio espolho. O buraco escava o buraco. Nizo Neto deu uma entrevista que resume toda a situação em poucas frases carregadas de amargura. O meu pai não deixou bens,nada. Tem atores que tiveram muito menos sucesso que ele e deixaram 30 milhões de reais.

O gajo não deixar nada de material é muito estranho. Incompetência de administração. Foi muito roubado, com toda a certeza. Não conferia nada. Confiava em todo o mundo. Era um péssimo homem de negócios. Pensa no peso destas palavras. Um filho dizendo que o pai, o maior humorista da história da TV brasileira, um homem que trabalhou 64 anos sem parar, não deixou nada. Nada. Zero. Pior que zero. Dívida.

E atores que fizeram muito menos sucesso, atores que tu e eu provavelmente nem nos lembramos do nome, deixaram 30 milhões. Chico, que teve mais sucesso do que todos os eles juntos, deixou 7 milhões de dívida. A diferença entre o Chico e estesatores menores não era de talento, era de folha de cálculo.

Malga do outro lado da trincheira. Não recebi qualquer cêntimo da herança. Meu património está bloqueado. Fui privada detodosos meus direitos. 11 anos de casamento, 11 anos ao lado dele e 14 anos depois da morte. Nenhum cêntimo. Guarda o nome Cícero Chaves, 39 anos. Porque o que lhe aconteceu durante a luta pela herança é o dado mais cruel desta história inteira.

Cícero Chaves, o filho de Regina Chaves, DJ, produtor fonográfico, morreu em julho de 2021. Tinha 39 anos e quase 10 anos a lutar na justiça pela herançado pai. 10 anos da sua vida consumidos em audiências judiciais, em requerimentos, em reuniões com advogados, emesperas intermináveis ​​por decisões que nunca chegavam.

e morreu sem ter recebido umcêntimo. “Malga” disse sobre Cícero, “ficou a lutar durante quase 10 anos para receber algoque nunca irá receber” e acrescentou: “Um deles morreu enquanto eu estava em coma. Olha que ironia da vida! Um filho de Chico Anísio morreu a lutar por uma herança que já não existia mais.

quase 10 anos a acreditar que havia algo à sua espera no final do processo e no final só tinha cinzento. Emalga acusou os filhos de terem ido à porta do ceteim com a polícia quando ela quis mudar de médico durante a última hospitalização de Chico. Um episódio que revela o nível de desconfiança que já existia mesmo antes da morte. Os filhos queriam controlar quem cuidava do pai.

Malga queria decidir como esposa. A polícia foi chamada num corredor de hospital. Enquanto o Chico estava a morrer de um dos lados da porta. Do outro lado, a família já estava em guerra. Os filhos acusaram Malga de negligência na administração do espóo e Bruno Mael foi além. Realizou um documentário na Global Play. Chico Anísio, um homem à procura de um personagem, e excluiu Malga completamente da narrativa, completamente.

11 anos de casamento apagados como se nunca tivessem existido. A mulher que estava ao lado de Chico todos os dias nos últimos 11 anos de vida e que cuidou dele durante a depressão, que segurou-lhe a mão na UCI, que geriu a casa enquanto eledefinhava. simplesmente cortada do filme, não mencionada, não entrevistada, não reconhecido, como se o último capítulo da vida de Chiconão tivesse existido.

Malga criticou publicamente e disse que aexclusão era deliberada, uma tentativa de reescrever a história, de apagar quem esteve lá no final para que os filhos controlassem sozinhos a narrativa do pai. E essa é talvez a ironia mais triste detodas. Chico passou a vida criando personagens. 209 personagens, cada uma com a sua história.

E depois da sua morte, os filhose a viúva passaram a disputar quem controla a história do próprio Chico, quem decide o que foi e o quenão foi, quem conta e quem é apagado. O homem que criou 209 vidas fictícias perdeu o controlo da narrativa da própria vida real. A família que o Chico construiu ao longo de seis casamentos se destruiu sistematicamente em 14 anos de luta judicial por uma herança que, no final do dia não existia.

O que ficou de verdade, o único património que tem valor real e crescente são os 209 personagens. Professor Raimundo, Salomé, Pantaleão, Coronel Limoeiro.Cada um gera direitos de autor cada vez que a Globo exibe material de acervo. Cada vez que alguém assiste à escolinha na Globo Play, pinga royalty.

Toda vez quea estação presta homenagem a Chico, pinga royalty. O problema? Ninguém sabe exatamente quanto é que a Globo paga. Ninguém sabe para quem vai esse dinheiro e ninguém confia em quem controla. É essa é a verdadeira luta. Não são os imóveis que se tornaram passivos. São as criações imortais de um homem que morreu pobre.

Os personagens sobreviveram ao criador. O professor Raimundo vai continuar a gerar dinheiro daqui a 50anos. O apartamento da Barra não, os cavalos muito menos. Esses só consumiram 209 personagens, 64anos de carreira, seis casamentos, oito filhos, 300 cavalos, 600.000 R$ por mês em ração, 20 milhões de património, 7 milhões de dívida.

Um testamento anulado porque excluiu um filho. Um filho morto durante a luta aos 39 anos. E 14 anos depois ninguém recebeu nada. Lembram-se do teste de rádio lá no início? Chico ficou em segundo lugar. O primeiro foi Silvio Santos. Os dois fizeram o mesmo teste na mesma rádio, na mesma sala. E dois jovens sem nome e sem dinheiro a disputar uma vaga de locutor numa rádio carioca.

Dois ninguéns com sonho grande. Um seguiu como empresário, o outro seguiu como artista. Silvio Santos construiu o SBT, o baú da felicidade, o Telecena, os bancos, seguradoras, cosméticos e protegeu cada cêntimo com holding, com planeamento fiscal, com blindagem patrimonial, com uma equipa de administradores profissionais a cuidar de cada real.

Morreu com um património estimado em R$ 4 mil milhões deais. 4 mil milhões. Chico Anísiio construiu 209 personagens, quatro décadas de televisão, uma obra humorística sem paralelo no mundo, e confiou o dinheiro a quem pintasse. Não fez planeamento nenhum, não protegeu nada. Morreu a dever 7 milhões,4 mil milhões contra 7 milhões negativos.

E a diferença entre os dois não é de talento. Ambos eram geniais no que faziam. A diferençaé que um sabia transformar o talento em património blindado, o outro transformava o talento em arte e a arte em ração decavalo. Os dois começaram exatamente no mesmo ponto de partida.Sentaram-se nas mesmas cadeiras daquela sala de espera.

Leram os mesmos textos no microfone. Viram os mesmos rostos dos jurados. Um construiu um império financeiro que vai durar gerações. O outro construiu um império artístico que durará para sempre na memória do Brasil, mas que não deixou um tostão para a família. Para um momento com este contraste, R$ 600.000 R$ 1000 por mês.300 cavalos a comer ração, enquanto oito filhos de seis casamentosesperavam uma herança que encolhia todo o mês até se tornar dívida.

E o homem que criou 209 personagens, cada uma com voz, jeito, história, bordão, biografia, vida própria, não criou a personagem mais importante de todos, o administrador do próprio dinheiro. E o salário? Ó, se esta história fez-te pensar em alguém que trabalhou toda a vida e não protegeu o que construiu, alguém que tinha talento, tinha sucesso, tinha dinheiro a entrar todos os meses, mas não tinha folha de cálculo,não tinha um contabilista de confiança, não tinha ninguém ao lado que dissesse para isso não cabe no orçamento. Manda esse

vídeo para essa pessoa, porque a históriade Chico Anísiio não é sobre um humorista, é sobre o que acontece quando o génio não vem acompanhado de gestão, quando o talento não vem com contador, quando o artista pensa que a arte basta e que o dinheiro cuida-se sozinho. Não cuida. Nunca cuidou.

Eu e 300 os cavalos não se alimentam de aplausos. Se alimentam de R$ 600.000 por mês. Inscreve-se no canal, ativa o sininho e vem comigo para o próximo vídeo, porque a próxima história é tão pesada quantoesta. Eu espero por ti lá. Não.

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