Assim foi o REINADO de Hebe Camargo na TV — o Segredo que Ela Escondeu até o Fim
Rebec Camargo tinha tudo para amaldiçoar o céu. Um cancro a comê-la por dentro, sozinha, sem o marido, e ela ali sorrindo para si todas as tardes com um país inteiro sem fazer ideia. E sabe o que é que ela fez? Em vez de largar a mão de Deus, ela apertou com mais força. Meu Deus, que mulher.
Porque há pessoas que na primeira dor já solta a fé, já vira as costas para o céu, já pensa que Deus abandonou. A EB fez o contrário. E foi exatamente Deus que a segurou em pé quando o corpo já não segurava. Ouve o que esta mulher disse com o cancro no corpo. E não sou eu inventando, ela própria que disse: “Não tenho medo de nada.
Vou aceitar quando Deus estipular que chegou a minha hora. Uma mulher de 82 anos a enfrentar o pior que existe. E a boca dela diz isso. Meu Deus, que fé é esta? devota fervorosa de Nossa Senhora de Fátima e de Nossa Senhora Aparecida. Ela não só rezou, como apanhou um avião e foi pessoalmente até Fátima, em Portugal ajoelhar e agradecer.
E disse que aquela foi a primeira e a única vez na vida que pediu alguma coisa para ela própria. A rainha da televisão, que tinha o Brasil inteiro aos pés, só se ajoelhou para pedir uma vez e foi para pedir a vida. Guarda isso, porque no meio desta história vem a frase mais forte que a EB já disse sobre Deus.
Daquelas de arrepiar e vai compreender por que razão ela nunca, nem um segundo, largou essa mão. Repara no brilho no pescoço dela, aquela jóia. Grava-a na memória, porque no fim desta história ela vale uma coisa que não está a imaginar agora. Uma mulher com cancro no meio da quimioterapia, subindo ao palco para te fazer companhia e dizendo com um sorriso no rosto: “Vou vivendo como se nada tivesse acontecido. Fica comigo.
Eu vou dizer-te o que os médicos acharam dentro dela e o que fez no dia seguinte. Vou contar-te a frase sobre Deus que muda tudo e vou contar-te o segredo do seu último ano. Uma coisa que anunciaram para todo o Brasil e que a vida calada lobo tratou de desmentir. Cada promessa destas eu pago e aviso-te na hora exata.
Mas para compreender o tamanho do que ela carregava lá no fim, precisas de voltar comigo para o comecinho de tudo. Precisa de ver a EB antes da coroa, antes da jóia, antes de o Brasil inteiro saber o nome dela de cor. Ela nasceu em Taubaté, no interior de São Paulo, em 1929. Uma família simples, sem luxo nenhum, daquelas que contavam moeda para chegar ao fim do mês.
E os pais puseram-lhe um nome esquisito para a época, um nome que quase ninguém por ali sabia de onde tinha saído. Eb. Repara neste pormenor, porque ele arrepia quando se compreende o que significa. Rebê é o nome de uma deusa da mitologia grega. A deusa da juventude, aquela que servia a bebida que mantinha os deuses. Eternamente jovens, meteram numa pobre menina do interior o nome da juventude que nunca mais acaba.
Ei, esta menina ia tornar-se exatamente isso na cabeça do país. A mulher que parecia nunca envelhecer, que atravessou geração atrás de geração sempre ali, firme na ecrã, sorrindo para todos, guarda esta ideia, porque lá no fim desta história, ela vai doer de uma forma que não espera. Desde cedo tinha uma coisa nela que não se ensina, que já vem com a pessoa.
A menina cantava, cantava em casa, cantava para quem quisesse ouvir, como se a voz fosse a única riqueza que aquela família tinha de sobra. E numa vida simples do interior daquela época, a fé não era enfeite de parede, era chão, era o que segurava a pessoa em pé quando faltava tudo o resto. a devoção a Nossa Senhora que ia acompanhar a EB durante toda a vida e que o filho dela ia recordar com o coração apertado muitos anos depois, nasce num mundo assim: “Guarda isso!” Porque esta fé plantada lá no início é a mesma que ia sustentar a rainha seis
décadas na frente, numa altura em que ninguém fazia ideia do tamanho do que ela ia precisar de aguentar calada. E a Rebe não começou sozinha. Do lado dela tinha uma irmã, Astela. As duas meninas juntaram as vozes e formaram um duo. Rosa linda e Flores Bela. Dois nomes que hoje quase ninguém se lembra e que foram o primeiro degrau de tudo.
Duas irmãs do interior cantando moda caipira, sonhando com uma coisa que naquele tempo era quase impossível para uma mulher pobre, sonhando viver do palco, viver da própria voz num Brasil em que o lugar da mulher era dentro de casa. E ponto final, pensa no tamanho da ousadia. Uma rapariga pobre, sem nome de família, sozinha, decidindo que ia cantar para ganhar a vida.
E foi a Rebe que rompeu na frente. A voz dela abriu porta atrás de porta. Ela cantou samba, cantou boleiro, cantou na rádio, cantou em O Clube Noturno de São Paulo, numa época em que uma rapariga direita nem devia pôr o pé num sítio daqueles. Ela pôs, ela encarou-o de cabeça erguida e foi virando conhecida primeiro num cantinho da cidade, depois na cidade toda, até ao povo começar a chamar-lhe a estrela de São Paulo, a maior voz da rádio paulista.
Ouve bem coisa, porque é importante tudo isto que acabei de te contar ainda era só o aquecimento. Ela nem sonhava com o que vinha pela frente, porque houve um ano que mudou não só a vida dela, mudou a história do Brasil inteiro. Guarda este ano na cabeça. 1950 foi o ano em que a televisão chegou naquele país.
Antes disso, ninguém aqui tinha visto o Imagenia mexer-se dentro de uma caixa dentro de casa. Era coisa de outro planeta, parecia feitiço. E um homem poderoso, dono de um jornal e de rádio, um sujeito chamado Assis Chatobriant decidiu trazer essa magia para o Brasil na marra. Ele precisava de gente para estrear a novidade.
Precisava de rostos e de vozes que o público já amasse. Artistas conhecidos para fazer o povo acreditar naquilo. E entre os nomes escolhidos paraa primeira transmissão ao vivo da televisão brasileira estava o dela. E Camargo. um segundo e pensa nisso com calma. No dia exato em que a televisão nasceu no Brasil, a EB já estava lá dentro no primeiríssimo instante, e não como quem assiste, mas como uma das estrelas da tela, a menina pobre de Taubaté, a que cantava gratuitamente a quem passava.
Estava dentro da caixa mágica, mesmo na hora em que o país inteiro se apaixonou pela imagem dela. Ninguém sabia naquele momento, mas ali estava a ser entregue uma coroa. Uma coroa que ela ia carregar durante os 60 anos seguintes mais tempo do que qualquer outra pessoa na história dessa televisão conseguiu carregar.
E ela ia carregar até ao último fôlego, custasse o que custasse. É, enquanto a carreira descolava, a vida ia acontecendo do lado. Apareceu um homem que ia ser muito mais do que um marido para ela. O seu nome era Lélio Ravagnani, mas o Brasil todo o conheceu como Lelo. Ele foi companheiro, foi marido e foi o empresário da EB, o homem que cuidava de cada passo da carreira dela.
Enquanto ela brilhava em frente das luzes, os dois tornaram-se uma só coisa, uma dupla de verdade, dentro e fora do ecrã. E veio o Marcelo, o filho único, o maior amor de toda a sua vida. Guarda esse nome, lê-lo. Guarda com cuidado, porque um dia esta presença que parecia que ia durar para sempre ao lado dela fará uma falta que nem consegue medir agora.
E a Rebe vai ter de aprender a brilhar sozinha, sem a mão que segurava a dela por detrás da cortina. Mas isso é assunto para mais paraa frente. Por enquanto, tudo era a subir. Cada ano um degrau mais elevado, cada estação nova uma corua um pouco mais pesada na cabeça. E a EB estava a um passo de se tornar uma coisa que o Brasil nunca tinha visto antes e nunca mais viu igual depois.
Uma mulher que não ia só ter sucesso, uma mulher que ia reinar de verdade, com trono com o luxo de uma verdadeira rainha. E o reinado dela, as jóias, as festas, o dinheiro que ela juntou ao longo da vida, isso aí precisa de ouvir bem sentada, porque era demasiado grande para caber numa só tarde.
Lembra-se que eu te prometi contar como a menina que cantava gratuitamente no interior virou a maior rainha que esta televisão já viu. Chegou então a hora e prepara o coração, porque o que ela construiu foi grande de uma forma que hoje é difícil até de imaginar. A entrou na televisão quando a televisão era a preto e branco, quando a imagem tremia, quando quase ninguém no país tinha um aparelho em casa.
E ela continuou ali quando a tela ganhou cor, quando o Brasil inteiro já tinha uma televisão na sala, quando os netos daquela primeira plateia já eram gente grande. Pensa nisso. A avó viab, a filha da avó viabe. A neta viabe. Três gerações da mesma família a crescer com o mesmo sorriso no ecrã. Isto não é carreira, isto é reinado.
E ela passou por quase toda a emissora que este país teve. Começou na Tupi, foi para a Record, passou pela Bandeirantes, foi para a Rede TV e reinou durante mais tempo no SBT, onde teve um programa com o nome dela, Simples Assim, só Reby, que ficou no ar até aos últimos dias de vida dela. Guarda esse pormenor, porque ele vai voltar lá no fim e vai apertar-te o peito.
As emissoras mudavam, os domos mudavam, o país mudava, os presidentes iam e vinham e ela ficava. Sempre ela teve um momento em que ela se tornou uma coisa que nunca tinha existido para mulher nenhuma nesse país. Já nos anos 50, a Reb apresentou o primeiro programa feito paraa mulher na televisão brasileira.
Numa época em que mulher direita nem opinava alto na mesa do jantar, ela estava ali no ecrã a falar para a dona de casa, olhando no olho de quem estava sozinha em casa o dia inteiro. E depois veio o formato que consagrou ela de vez, aquele sofá, a rebe sentada a receber artista, cantor, gente famosa, fazendo uma pergunta, dando riso, mandando um beijo para a câmara.
Ela praticamente inventou uma forma de conversar com o Brasil que ninguém tinha inventado antes. E o povo amava. O O programa dela era líder absoluto, todo mundo parava para ver. Ao lado dela, no palco, durante anos, teve um maestro de sorriso manso, o mais novo, no comando da banda.
E ela ali no meio, rainha da própria festa, tarde após tarde, enchendo a casa de quem estava do outro lado, porque era isso que a Rebe fazia. Ela fazia companhia à mulher que criava filhos sozinha, para viúva que passava tarde calada, para a dona de casa que só tinha aquele sofá e aquela tela ao fim do dia. A rebentrava e a casa ficava vazia.
E há uma coisa que pouca pessoas paravam para pensar naquela época. A Rebito em frente da câmara, ela era a dona. Numa época em que quem mandava na televisão eram só homens de fato decidindo tudo nos bastidores. Ela sentava-se com esses homens e negociava de igual para igual. Ela sabia o próprio valor, mudava de estação quando queria, levava a plateia consigo e a emissora que ficava sem ela, sentia-a no bolso.
Pensa na coragem disso. Uma mulher sozinha no topo de um mundo de homem, sem baixar a cabeça para ninguém. E ela conseguiu tudo isto sem nunca perder o jeito doce. O riso fácil, aquela voz que fazia a pessoa do outro lado se sentir abraçada. Poucos sabem ser mansos e fortes ao mesmo tempo.
A Rebe sabia e o seu poder era tanto que sentar-se no sofá da Rebe tornou-se uma espécie de batismo já lá atrás, num domingo de 1966, ela estreou o programa que ia consagrar ela como a maior entrevistadora do país. E a partir daí foi assim durante décadas. Cantor novo, ator a começar, moço querendo tornar-se famoso. Todo mundo sabia que passar pela poltrona dela era como receber um carimbo.
Quem a Rebe recebia bem, o Brasil recebia bem. Ela abençoava a carreira com uma gargalhada e um beijo no ar. E o público confiava nela de olhos fechados, porque sentia que aquela mulher era de verdade, que o carinho dela não era da boca para fora. Agora vem a parte que faz abrir a boca, o tamanho do luxo dela.
Porque a Rebe não brilhava só de sorriso, ela brilhava de pedra preciosa. Pára de novo naquela jóia que te pedi para guardar lá no início. Multiplica-a por 1000. Anel, colar, brinco, pulseira. Tudo pesado, tudo chamativo, tudo verdadeiro. As jóias da Rebe tornaram-se marca dela tanto quanto a voz.
Quando ela chegava a um local, o brilho chegava mais cedo. E olha o tamanho disso. Estimavam que só em jóias, só nas pedras que ela guardava, a Reb tinha uma fortuna que ultrapassava os 100 milhões de dólares. Só em jóias para um segundo. 100 milhões de dólares em pedra preciosa daria para comprar rua atrás de rua de casas no interior.
daria para sustentar pequena cidade inteira durante anos. E isso era só o que ela usava ao pescoço. A fortuna toda dela, somando tudo, era estimada em algo perto de 360 milhões de dólares. Uma menina que nasceu a contar moeda, para chegar ao fim do mês, morreu dona de uma das maiores fortunas que artista nenhum deste país tinha juntado.
E ela viveu esse luxo sem pedir desculpa por ele. Andou com os maiores, foi amiga de gente como a Carmen Miranda. Cruzou com estrela internacional. Sentou-se na mesma mesa que nome que o mundo inteiro conhecia. Era íntima do rei do Roberto Carlos, que ela adorava de uma forma quase de menina.
recebeu homenagem, prémio, troféu mais do que qualquer apresentador daquela terra. Teve até uma vez em que desfilou num carro aberto numa parada vestida com as cores do Brasil e o seu filho conta até hoje o orgulho que sentiu ao ver ali a mãe saudada por todos, como quem vê uma rainha de verdade passar. E no meio de todo este brilho, de toda esta fama, tem uma coisa que a Rebe nunca escondeu de ninguém.
A fé dela no auge do sucesso, com o mundo aos pés, ela continuava devota, fiel a Nossa Senhora, agradecendo a Deus por tudo o que tinha na vida. O luxo nunca comeu a crença dela por dentro. Era daquelas que olhava para cima e dava graças, mesmo tendo tudo aqui em baixo. E segura essa imagem da mulher de fé no topo do mundo, porque é precisamente essa fé que ela ia precisar, como nunca dali a pouco, quando o chão dela começasse a tremer e o luxo dela não estava escondido.
Ele aparecia. Quando a Ebbe fez 80 anos em 2009, ela não fez um bolinho em casa com o família. Ela deu uma festa a 600 convidados. 600. Uma festa digna de quem reinava há quase seis décadas. Cheia de gente famosa, cheia de brilho, cheia de flash. a rainha a celebrar o reino. E naquela noite de festa, com a casa cheia, com as jóias a reluzir, ninguém que ali estava fazia a mínima ideia do que vinha.
Logo depois, do outro lado daquela festa, virando o calendário, esperava o pior ano da sua vida. Porque foi aí mesmo quando o reinado parecia mais firme, precisamente quando ela estava no cimo do trono, que a vida bateu à porta com uma notícia. Guarda o brilho desta festa na memória. Segura essa imagem da Rebe rindo no meio de 600 pessoas cobertas de pedra preciosa no topo do mundo.
Por em questão de semanas tudo isto ia ser posto à prova de uma forma que ninguém nem ela viu chegar. E o que os médicos encontraram dentro dela no início de 2010 é a parte desta história que eu te prometi e que agora te vou contar. Lembra-se que eu lhe prometi contar o que os médicos encontraram dentro dela no início de 2010? E o que ela fez no dia seguinte? Então respira fundo, porque é agora e essa é a parte que mais dói desta história inteira.
A viragem de ano de 2009 para 2010, apanhou a Rebea, num hotel, aproveitando a vida como sempre gostou. E foi ali, no meio da festa, que uma dor no fundo da barriga começou a incomodar. Não era uma dor qualquer. Era daquelas que sentimos que tem alguma coisa de errado, mas empurra com a barriga, pensa que passa, só que não passou.
E logo no início de janeiro, a rainha da televisão brasileira estava internada num hospital de São Paulo. No início, falaram numa cirurgia simples, retirar um pequeno tumor no estômago, coisa que resolvia e pronto. Mas quando os médicos abriram para olhar para dentro, o que eles acharam era bem pior do que imaginavam. A EB estava com um cancro raro, dos mais difíceis de tratar que existem, espalhado numa membrana fininha que envolve os órgãos por dentro da barriga.
Não te vou encher de nome complicado de médico, porque isso não interessa. O que interessa é o tamanho da montanha que meteram à frente daquela mulher de 80 anos. Um cancro que assusta médico experiente. Um cancro que quando aparece neste local do corpo costuma ser uma luta das mais cruéis. E aqui está o coração desta história, a parte que quase ninguém viu.
Enquanto o Brasil ligava a televisão e via a EB a sorrir no ecrã, os bastidores era outra coisa completamente diferente. Nós bastidores tinha hospital, tinha exame, tinha sala de espera, agulha, resultado que demora e aperta o peito. Tinha uma mulher de 80 anos, coroa a cabeça para o público e por por detrás da cortina o corpo cansado, a barriga a doer, o medo a bater na calada da noite.
O país via a rainha, a rainha sozinha, via o abismo. E ela fez uma escolha que poucas pessoas do mundo teriam coragem de o fazer. Ela decidiu que o Brasil ia continuar a ver só o sorriso. A luta essa, ela ia travar longe dos olhos de todos para um segundo. E imagina a cena. A mulher que reinou 60 anos, que atravessou preto e branco e cor, que era a dona do próprio império, deitada numa cama de hospital, ouvindo o pior que um ser humano pode ouvir, e imagina uma coisa ainda mais pesada.
Ela ia enfrentar isso sem a pessoa que sempre lhe segurou a mão por trás das cortinas. Lembra-se do lê-lo? o marido, o companheiro, o empresário, o nome que te pedi para guardar com cuidado lá atrás. Pois é, o lelo já tinha partido há anos. Quando a doença chegou, a Rebe estava sem ele. Tinha o Marcelo, o filho amado, ao lado dela.
Mas o homem que partilhava a vida com ela, esse já não estava ali para dizer que ia correr tudo bem. Ela ia ter de ser forte por ela própria. E começou o tratamento, a cirurgia e depois a quimioterapia, que é aquele remédio pesado que salva a vida. Mas o dia do corpo, que tira a força, que embrulha o estômago, que faz cair o cabelo, que deixa até uma pessoa jovem de joelhos numa mulher de 80 anos.
Imagine, qualquer um ia ter todo o direito do mundo de se recolher, fechar a cortina, desaparecer do olho do público e cuidar de si em silêncio. Ninguém ia culpar a EB se ela o tivesse feito. Era o esperado, era o normal. Mas para Ebbe, desaparecer era como morrer um pouco antes da hora.
O palco era a vida dela e então ela fazia o caminho contrário do que o corpo pedia. Nos dias de gravação, ela juntava força de onde não tinha, levantava-se mais devagar, descansava mais entre uma coisa e outra, escondia o cansaço debaixo da maquilhagem, escondia a fraqueza debaixo do sorriso e quando a luz do estúdio acendia e a câmara ligava, ninguém ninguém do outro lado da pela desconfiava que aquela mulher mulher radiante tinha saído de uma sessão de tratamento poucas horas antes.
Ela guardava o seu segredo como quem guarda um tesouro com unhas e dentes. E o povo em casa, sem saber de nada, recebia o carinho de sempre, o beijo de sempre, a companhia de sempre. A rainha estava a sangrar por dentro e continuava enchendo a sala dos outros. de alegria. Mas pronto, ouve bem, porque é aqui que esta mulher torna-se uma coisa que eu não sei nem se tem nome.
No meio da quimioterapia, com o corpo debaixo daquele veneno que cura. Sabe o que a Reb fez? Ela voltou a gravar. Ela levantou-se daquela cama, se arrumou, vestiu as jóias, passou o batom e voltou ao palco sorrir para o Brasil. como se não estivesse a acontecer nada. E houve uma frase que ela soltou nesta época, uma frase curta, dita com um sorriso no rosto, que na altura parecia só teimosia de mulher forte e que quando percebe-se o tamanho do que ela estava passando, arrepia.
Ela disse: “Vou vivendo como se nada tivesse acontecido. Vou vivendo como se nada tivesse acontecido. Uma mulher com cancro no corpo, a meio da quimioterapia, subindo ao palco para fazer companhia para si, escolhendo que o país ia lembrar dela a rir e não deitada, optando por poupar todos da própria dor.
Se chegou até aqui e esta mulher já se meteu consigo, para tudo um segundo e escreve aqui em baixo nos comentários o que a Rebres as suas tardes, porque tenho a certeza que ela fez companhia a muita gente que hoje está sozinha e ela ia gostar de saber que não foi esquecida e ela ainda brincava. Ela tinha tanto medo de dar peso aos outros que fazia piada da própria doença.
Chegou a brincar que só ia ao hospital para fazer uma plástica, para ninguém ficar com pena, para desconversar, para manter todos tranquilos. Pensa no tamanho da grandeza e da solidão que cabem numa piada destas. Ela transformava a maior dor da sua vida em motivo de riso, só para não deixar ninguém triste. Quem o faz? Quem carrega uma cruz daquelas sorrindo só para não pesar na vida dos outros? Para de verdade e pensa nesta questão, porque ela não tem uma resposta fácil.
O que faz uma pessoa de 80 anos doente, cansada? Com todo o dinheiro do mundo para simplesmente parar e descansar, optar por se levantar e trabalhar sorrindo. Não é vaidade, porque a vaidade não aguenta quimioterapia, não é dinheiro, porque ela já tinha tudo. Há pessoas que dizem que era o amor pelo público, a paixão pelo palco que não a deixava desistir.
Outros juram que era orgulho de rainha de não querer que ninguém a visse frágil. Mas a explicação que mais sentido faz. Quando junta-se tudo é a fé, aquela crença que carregava desde menina, dizendo baixinho para ela seguir em frente um dia de cada vez. Talvez tenha sido tudo isso junto. O certo é que aquela mulher transformou o pior momento da vida dela numa das coisas mais bonitas e mais dolorosas que esta televisão já viu de perto.
E há uma pessoa nesta história que sofria calada tanto quanto ela, o Marcelo, o filho único, aquele que era o maior amor da vida da Reby. Imagina o peso para este homem. Ele sabia a verdade. Via a mãe sair de um tratamento pesado e ir sorrir para o Brasil. sabia do medo, sabia do cansaço e ainda assim tinha de engolir tudo e sorrir em conjunto para não estragar a força dela.
O Marcelo até já disse com todas as letras que a coisa que ele mais temia na vida inteira era perder a mãe. Ele estava ali dia após dia a ver esta possibilidade rondar a casa, tendo de ser forte perante uma mulher que era forte à frente de todo o país. Dois carregando a mesma cruz, cada um fingindo ao outro que estava tudo bem. Uma família inteira a segurar a dor para que o Brasil só visse a alegria.
É, é, é aqui que volta a fé, aquela que eu te disse que ela nunca largou. Porquê, de onde é que sai força para uma coisa dessas? Não sai do dinheiro que ela tinha de sobra e não segura ninguém numa hora destas. Sai de dentro, sai da crença. Nas horas mais escuras, sozinha, sem o ler, com o corpo cansado do tratamento, a Ebe rezava.
Ela agarrava-se em Nossa Senhora, agarrava-se a Deus, do mesmo maneira que aquela família pobre lá de Taubaté agarrava-se à fé quando faltava tudo. A menina do campo e a rainha de 80 anos eram a mesma pessoa numa coisa só. As duas no aperto olhavam para cima. E houve uma frase sobre Deus que ela disse bem no meio desta tempestade.
Uma frase de arrepiar que ainda te vou contar e que muda tudo quando se percebe quando foi que ela disse. E não pensa que foi fácil. Não pensa que a fé apagava a dor. Uma mulher naquela situação, sozinha de madrugada, com o corpo em farrapos, é quase impossível que não tenha tido as suas noites de olhar para o teto e perguntar baixinho: “Meu Deus, porquê eu? Porquê agora? Isto é humano.
Isto qualquer um de nós sentiria. A grandeza da Rebe não foi nunca ter medo. A grandeza foi que mesmo com medo, mesmo com o peito apertado, ela não largava a mão de Deus. Ela chorava para dentro e no dia seguinte se levantava-se, punha jóias e ia sorrir para você. A fé dela nunca foi a ausência da dor.
Foi a força de atravessar a dor sem deixar de acreditar. Porque a história parecia estar caminhando para um milagre. Parecia que a fé dela ia ser recompensada, que a luta tinha valido a pena, que o pior tinha passado. E foi exatamente aí quando todos respiraram aliviados, quando o Brasil festejou junto com ela que a vida preparou a reviravolta mais cruel desta história toda.
Uma coisa que anunciaram para o país inteiro, uma coisa que por baixo dos panos calada não era bem o que parecia. Lembra-se que lá no comecinho prometi-te o segredo do último ano de vida dela. Aquela coisa que anunciaram para todo o Brasil e que a vida calada tratou de desmentir. Tigou a hora. E é aqui que esta história aperta o peito de uma forma diferente.
Depois de meses de luta, de cirurgia, de quimioterapia, chegou a notícia de que o país inteiro queria ouvir. Em abril de 2010, a assessoria da EB anunciou que o cancro já não existia, que ela estava curada, que a batalha tinha sido ganha. Imagina a alegria, imagina o Brasil. Respirando de alívio, festejando junto, agradecendo por a rainha ter escapado.
Parecia um milagre. Parecia que a fé daquela mulher tinha sido recompensada, que Deus tinha ouvido cada oração feita naquele quarto de hospital pela calada da noite. E foi nesse momento cheia de gratidão, com o coração transbordando, que a Rebe disse a frase que eu te prometi lá atrás, a frase sobre Deus. Ela olhou paraa vida dela e falou com aquela simplicidade de quem acredita de verdade: Deus nunca me abandonou.
Nunca vi a vida com tanta alegria para um segundo e senti o peso destas palavras na boca de uma mulher de 81 anos que tinha acabado de enfrentar o pior que existe. Deus nunca me abandonou. Depois de tudo, ela não se queixava, ela agradecia. Ela olhava para cima e dizia: “Obrigada”. Esta era a fé da EBE, uma fé que não racha, que não cobra, que só sabe agradecer.
E talvez seja por isso que esta mulher aguentou o que aguentou, porque quem se entrega assim nas mãos de Deus transporta um tipo de paz que o dinheiro nenhum compra. E ela viveu esse tempo como quem ganhou uma segunda oportunidade do céu. Voltou com tudo. Aos 81 anos, ainda gravou o disco. Ainda encheu o palco de gente famosa a cantar ao lado dela.
Continuou a reinar, continuou a rir e voltou a fazer companhia ao Brasil todas as tardes. Quem olhava de fora via uma mulher renascida, uma vencedora, alguém que tinha contornado a morte e voltado mais forte do que antes. E por um tempo, foi isso mesmo, durante um tempo, o milagre pareceu inteiro, completo, verdadeiro, mas a vida guardava uma crueldade que ninguém viu chegar.
E essa parte que você precisa de ouvir muito devagar. Porque aquele cancro que anunciaram como vencido ainda não tinha dito a última palavra, muito quieto. Sem aviso, sem dar o mínimo sinal em frente das câmaras, O corpo da Rebou que a luta não tinha acabado verdadeiramente. Lá em 2012, foi novamente internada e depois, mais uma vez, o corpo, cansado de tantos anos e de tantas batalhas começou a falhar em silêncio, no mesmo silêncio em que ela sempre escolheu sofrer.
E ela, teimosa, como sempre foi, continuava a querer trabalhar, continuava a fazer piada, dizendo para todos que estava tudo bem. E pensa na fina crueldade que tem nisso. Uma coisa é lutar contra uma doença sabendo que ela está ali. Outra coisa muito mais dura é pensar que venceu, festejar a vitória com todo o país, agradecer a Deus de joelhos.
E depois, no escurinho, Descobri que a inimiga só tinha dado um passo atrás para tomar fôlego. A EB teve que engolir aquilo, teve que receber de volta um peso que ela já achava que tinha largado no chão. E olha a grandeza da mulher. Nem nesse momento ela se tornou para cima e queixou-se de Deus. Nem nesse momento ela deixou cair a fé juntamente com o corpo.
Ela seguiu acreditando, seguiu agradecendo o que tinha vivido e seguiu firme no que dizia lá atrás, que Deus nunca a tinha abandonado. Porque para quem tem uma fé daquele tamanho, Deus não é só para a hora da vitória. Deus é para a hora do escuro também. Para e pensa no tamanho dessa solidão. Enquanto todo o Brasil achava que a rainha estava curada e feliz, sabia lá no fundo que a coisa tinha voltado.
E ainda assim, sabe o que ela fez? A mesma coisa de sempre. Escolheu poupar os outros. preferiu que o país guardasse a recordação dela como vencedora e não como doente. Preferiu segurar sozinha o peso da verdade para que ninguém tivesse de segurar junto uma mulher com o país inteiro aos pés dela e que na hora mais dura preferiu a companhia da sua própria fé e do próprio silêncio a dividir a dor e a receber pena.
E esse, no fundo, foi o verdadeiro preço do reinado dela. O preço não foi em dinheiro, este ela pagou sem sentir. O preço, de verdade foi outro e foi altíssimo. foi sorrir com o corpo a doer, foi rir alto para que ninguém à volta chorasse e foi acima de tudo ser rainha precisamente nos dias em que o corpo apenas pedia para ser uma senhora cansada, com direito a descansar.
Ela pagou este preço todo santo dia, calada, e nunca passou a conta a ninguém. Poucas pessoas nesta vida sofrem tanto e cobram tão pouco de quem está a ver e tem uma coisa bonita no meio de tanta dor. A Rebe não atravessou esse fim amargurada. Quem esteve perto conta de uma mulher em paz, de uma mulher que já tinha feito tudo que veio fazer nesta vida, que já tinha amado, reinado, criado filho, ajudado meio mundo e que encarava o que vinha com uma serenidade de fazer inveja.
Ela não tinha conta para acertar com a vida. tinha vivido cada gota e carregava até ali aquela mesma certeza mansa que acompanhou desde a infância pobre no interior, a certeza de que não estava sozinha, de que tinha uma mão maior segurando a dela. Esta paz, mais do que a fama e mais do que o dinheiro, talvez tenha sido o maior luxo que a EB teve na vida.
Talvez conheça uma mulher assim. Talvez tenha tido na sua vida mãe, uma avó, uma tia que sofria calada para o não pesar da casa, que engolia a sua própria dor para cuidar da alegria dos outros. Se conhece, então já compreende a Rebe melhor do que qualquer médico entendeu. Porque a rainha da televisão, no final de contas, era isso.
Era uma dessas mulheres de antigamente que aprenderam que aguentar firme e agradecer a Deus era a forma certo de atravessar a vida. E enquanto tudo isto acontecia por dentro, do lado de fora, ela seguia bela, seguia coberta de jóia, continuava a ser a EB de sempre para quem estava em casa. O brilho continuava ali intacto, à frente de todo o mundo.
E é precisamente nesse brilho que mora a última coisa que eu preciso de te contar. Porque aquela jóia que acompanhou a EB toda a vida, aquela que te pedi para guardar na memória desde o primeiro minuto, ela guarda um significado que só faz sentido agora. No fim de tudo. E quando você compreender, eu prometo, não vai olhar para o brilho da EB da mesma forma, nunca mais.
Então vamos falar daquela jóia, aquele brilho que acompanhou a EB do primeiro ao último dia, o colar, o anel, a pedra que reluzia sob a luz do estúdio e que se tornou a marca da rainha. Durante esta história toda, achou que aquele brilho era apenas luxo, era vaidade de rica enfeite de estrela. Mas agora já sabe a verdade. Aquele brilho era outra coisa. Era a armadura dela.
Era a coroa que ela levantava bem no alto para que o mundo olhasse para cima, para o brilho e não para dentro, para a dor. Cada jóia que a Rebe colocava era uma promessa que ela lhe fazia. Eu vou continuar a ser luz na sua tarde. Custe o que custar. para mim. A pedra brilhava para fora, precisamente nos dias em que por dentro ela mais precisava de força.
O brilho da Rebe nunca foi sobre ela. Foi o presente que ela insistiu em te dar até quando quase não tinha o que dar. E houve um último presente que quase ninguém reparou. Lembras-te que lá atrás eu pedi-te para guardar um pormenor sobre o O programa dela, aquele que tinha apenas o nome dela e prometi que ia voltar para apertar-lhe o peito.
Pois é, agora o programa da EB esteve no ar até muito poucos dias antes dela partir. Você entendeu? Ela foi rainha. Foi luz, foi companhia na sala das pessoas até quase o último suspiro. Não teve despedida chorosa, não houve palco vazio. Havia uma mulher a trabalhar, sorrindo, reinando praticamente até ao fim. Eu fim veio manso, da maneira que talvez a própria Reb pediria.
Em setembro de 2012, aos 83 anos, em sua casa a dormir, o coração dela simplesmente parou, sem dores de última hora, sem sofrimento à frente de ninguém. Ela fechou os olhos como quem se deita cansada depois de uma longa tarde de trabalho e não acordou mais. A rainha se foi dormindo em paz na própria cama após quase 60 anos de reinado.
E ela foi-se do único jeito que sempre soube viver sem fazer sofrer o mundo com a dor dela. Lá no início, eu disse-te de uma frase que ela repetia, uma frase que parecia só teimosia de mulher forte. Vou vivendo como se nada tivesse acontecido. Agora já entende o tamanho dessa frase. A Ebbe viveu como se nada tivesse acontecido.
Sim, reinou até ao último dia e sorriu para si todas as tardes carregando calada. com fé e com jóia, uma das cruzes mais pesadas que uma pessoa pode carregar. Não foi teimosia, foi grandeza. Foi a decisão mais generosa que uma pessoa pode tomar, que é sofrer em silêncio para que os outros continuem sorrindo.
E ela partiu da forma que viveu, segurando a mesma mão que segurou a vida inteira. A mulher que dizia que Deus nunca abandonou foi descansar confiando exatamente nisso. A menininha pobre de Taubaté, que aprendeu na fé a atravessar a falta, tornou-se rainha, juntou o mundo aos pés e, no fim entregou tudo de volta, com a mesma simplicidade de quem sempre soube que não estava sozinha.
Talvez seja essa a lição que a Rebe deixa, que a maior força que existe não está na jóia, nem no trono, nem no aplauso. A maior força mora no silêncio de quem sofre sem largar a fé e mesmo assim escolhe iluminar a vida dos outros. A vida real não tem fim de novela com tudo explicado e arrumado. Fica sempre um fio solto, uma pergunta sem resposta, um sorriso no ecrã que a as pessoas só entendem de verdade muito tempo depois. Eu sorriso da EB é assim.
A as pessoas passaram a vida vendo aquele sorriso sem imaginar o que tinha por trás. Agora que já sabe, esse sorriso pesa diferente, não é? E há uma última coisa demasiado bonita para deixar de fora. Lembras-te que lá no início eu te contei que os pais lhe puseram o nome de uma deusa, a deusa da juventude eterna? Pois a vida cumpriu a promessa daquele nome de uma forma que ninguém planeou.
A Rebe não ficou eternamente jovem no corpo. Ninguém fica. Mas ela tornou-se eterna de outro modo, o modo que importa. Ela tornou-se lembrança viva de um país inteiro. Enquanto existir uma pessoa que passou às tardes vendo a rainha, a Rebe continua ali, jovem para sempre, brilhando na memória de quem a amou. Ah! Menina batizada com o nome da juventude, que nunca mais acaba acabou por merecer esse nome mais do que qualquer deusa.
Se essa mulher fez companhia às suas tardes um dia, deixa aqui em baixo nos comentários qual é a memória da Reb que mais mexeu consigo. Eu fiz este vídeo a pensar em quem chega ao fim do dia cansada, sem muita gente para conversar e senta-se para ouvir uma história real. Esse AEB foi importante para si.
Faz uma coisa, envia este vídeo para alguém que passou as tardes vendo a rainha para aquela história não se perder. Fica aqui comigo, porque aqui no ecrã já vai aparecer a próxima estrela que o Brasil amou e que também guardava por detrás do brilho um segredo que quase ninguém conhece. M.