Taternet, grande amiga dele, chegou a contar uma história curiosa. Paulo bateu levemente a traseira do Range Rover numa carrinha e, claro, transformou o acidente numa piada. Era assim com ele. Até no trânsito era humor. Depois da morte precoce em 2021, o Range Rover ficou com Thales e os filhos.
Durante algum tempo, ela ainda foi vista, circulando, transportando memórias em cada quilómetro. Mais tarde, com a mudança da família para o estrangeiro, o carro possivelmente foi vendido, mas ninguém confirma. O que realmente importa é que para muita gente aquele carro tornou-se um símbolo de um artista que fez o Brasil rir e chorar.
Não tinha coleção de automóveis, não tinha garagens cheias, mas tinha uma único SUV que carregava o mundo dele ali dentro. E, por vezes, um carro só basta para contar uma vida inteira. Mas se a Range Rover transformou-se em homenagem, no próximo caso, o carro tornou-se um prémio de rifa e história de superação. Prepare-se para uma das reviravoltas mais tocantes desta lista.
Marília Mendonça foi a rainha da sofrência, mas também um dos corações mais generosos da música brasileira. Na estrada, ela conquistou tudo, o sucesso, prémios, multidões. Mas na garagem a história era diferente de outras celebridades. A Marília nunca ligou para ostentar. Os seus carros tinham mais alma do que o luxo.
Ela teve sim um modelo de respeito, um Range Rover evoque branco, elegante, moderna, digna de uma estrela. Era o carro que ela utilizava para viajar, gravar, visitar ou a família. Mas foi o que aconteceu depois da tragédia de 2021, que fez deste carro um símbolo de outra coisa. A família de Marília organizou uma rifa solidária com o Evoque como prémio.
Por apenas R$ 2, os fãs do Brasil inteiro puderam concorrer ao Automóvel da Marília, mais R$ 200.000 R$ 1.000. E todo o dinheiro angariado foi para projetos sociais. Imagina que tens a hipótese de conduzir o carro que levava a voz mais forte do sertanejo e, ao mesmo tempo, ajudar pessoas como ela sempre quis.
Mas esta não foi a única história sobre rodas da Marília. Lachá. Atrás, durante a pandemia, ela revelou com bom humor nas redes que teve de vender a a sua Saveiro antiga. Efeito da crise, certo? Escreveu ela. Como quem diz, a fama não paga tudo. O Saveiro era simples, mas tinha cara de primeiro carro, de estrada de barro, de pequenos espectáculos, tinha memória e ela deixou-se ir.
O Evo foi sorteado, o Saveiro vendido, mas os dois transportavam pedaços da mesma mulher, forte, humilde e generosa. E no final das contas, não importa o modelo, importa a estrada que se faz com ele. E por falar em estrada, o próximo artista houve tantos carros diferentes que a garagem parecia uma exposição. Só que com o tempo até estas relíquias começaram a desaparecer.
Se a vida de Jo Soares foi marcada por personagens inesquecíveis e conversas memoráveis, a a sua garagem também guardava capítulos tão curiosos como os do Viva o gordo. Jô não ostentava por ostentar. Ele tinha um gosto autêntico e extremamente variado por automóveis e motos. A sua garagem parecia saída de um museu vivo, onde cada veículo tinha uma história.
O primeiro carro que comprou com o próprio dinheiro foi um Home Z amarelo, aquele microcarro de uma só porta na frente. Joe dizia que parecia uma cápsula de riso ambulante. Depois surgiram outros modelos icónicos. Um MP Leer vermelho, um BMW série 7, um Chrysler 300C preto, um Mini Cooper azul, um Land Rover Defender e ainda tinha as motos Harley Davidson, Yamaha Trail, Vespa, de tudo um pouco.

Para Joe, o carro era mais do que transporte, era prazer, terapia, estilo de vida. E ele dirigia todos com o mesmo carinho com que escreviam um texto ou fazia uma piada bem construída. Mas o tempo passou. Jô foi ficando mais reservado. Deixou de conduzir motos depois de um acidente ligeiro e alguns carros foram sendo vendidos ou doados discretamente.
Quando faleceu, em 2022, nenhum dos seus veículos mais emblemáticos estava em exposição pública. O Home Z desapareceu. A Harley talvez tenha ido para algum amigo. O Chrysler e a BMW ninguém sabe ao certo. Só restaram as memórias e os relatos de fãs que viram um dia aquele homem elegante e bem humorado ao volante de carros que combinavam perfeitamente com a sua alma eclética.
E claro, ficou a dúvida: onde estão hoje estes carros? Seja qual for a resposta, continuam a rodar por aí, invisíveis, mas transportando o rasto de um dos maiores nomes do Brasil e do luxo silencioso. A gente agora vai direitinha para o mato, porque o carro seguinte ficou guardado durante quase 30 anos numa quinta, até ser quase roubado num golpe inacreditável.
Leandro, da dupla com Leonardo, nunca foi de holofote fora dos palcos. Vindo de origem humilde, conquistou o Brasil com a voz doce e o coração simples. Enquanto muitos artistas enchiam a garagem de importados, escolheu algo mais bruto, mais raiz, um Land Rover Defender, jipe robusto, feito para enfrentar estrada de terra batida, lama e pó.
Era o carro da quinta, da vida no interior, do dia a dia com os filhos. O Leandro usava o Defender para tudo. Pescar, visitar os sítios, levar mantimentos, percorrer quilómetros no mato goiano. Não era um carro de status, era um carro a sério. Quando faleceu, em 1998, o Jeip foi guardado pela família, intocado como um relicário sobre rodas.
Décadas depois, o seu filho Leandro Costa, já adulto, decidiu vender o defender. Mas depois vem o absurdo. Colocou o carro numa revenda especializada e a loja simplesmente desapareceu com o veículo. Sim, desapareceu. O automóvel que o pai utilizou nos últimos anos de vida foi parar às mãos de um trambiqueiro. Um golpe no valor e na memória. A história fez manchetes.
O caso foi parar à polícia e depois de muita dor de cabeça, o defender foi localizado noutro estado e recuperado a tempo. Imaginem só, o carro do pai, que esteve mais de 25 anos guardado com carinho, quase se perdeu por completo, mas voltou. E voltou como deve ser, cheio de barro, cheio de marcas e cheio de recordações.
Não era um Porsche, nem um Ferrari, mas era o carro que transportava a essência de quem ele foi. E, por vezes, o veículo mais simples tem o valor mais pesado. Agora segura, porque vem aí uma mulher que conduzia uma moto nos anos 70, quebrava estereótipos e descia o monte com um Fiat descapotável raro no Brasil.
Gal Costa foi uma revolução na música, no comportamento e até no volante. Num tempo em que a mulher conduz já causava espanto, ela conduzia motos e descapotáveis com a mesma naturalidade com que soltava a voz em palco. Nos anos 70, Gera era vista pelas ruas do rio ao volante de um carro que parecia saído de um filme europeu.
Um Fiat 850 Spider descapotável dois lugares. Design assinado por Bertone, pequeno, elegante, raro no Brasil. E com a cara dela, cabelos ao vento, óculos escuros, o mar ao fundo, ela transformava o trânsito em desfile, mas não parava nos carros. Gal também adorava motos. Uma das imagens mais emblemáticas dela é conduzir uma Honda CB 400 com nada mais nada menos que Am Cadder na garupa. E isto nos anos 80.
Ela teve também Harley Davidson, Vespa, Yamaha Trail. Gal pilotava com firmeza, estilo e uma pitada de provocação, porque sim, ela gostava de contrariar a lógica e fazia-o até no modo de chegar aos locais. O tempo passou, os carros e motos dela desapareceram, desapareceram dos media, viraram mistério.
Ninguém sabe onde foi parar o Fiat descapotável. As Harleys talvez tenham sido vendidas, mas as fotos a as fotos continuam eternas. Gau não colecionava veículos, ela colecionava sensações. E poucos artistas conseguiram fazer tanto com tão pouco, porque no fim o que ela conduzia de verdade era a liberdade e da diva que pilotava com poesia.
A gente volta agora ao asfalto do Leblon com uma atriz que transformava um simples Civic em símbolo de elegância. Se Bet Lago fosse um carro, seria com certeza um descapotável europeu prata. Rodando lentamente pelas ruas do Leblon com banda sonora francesa tocando baixinho. Modelo internacional atriz consagrada ícone da beleza e da atitude.

Mas quando o assunto era automóvel, Bet preferia o estilo ao exagero. Nos anos 90, foi vista a chegar a estúdios da TV Manchete num BMW série 3 descapotável, daqueles que chamam a atenção sem fazer esforço. Talvez fosse alugado, emprestado, não interessa, porque quando Bet saía de dentro dele, tudo se transformava cena de cinema.
Na rotina, ela era prática. utilizava um Honda Civic verde escuro para o dia a dia. Depois, já nos anos 2000, conduzia um SUV discreto, tipo um Tucon prateado ou Corolla automático. Nada de Porsche, nada de exibicionismos. Ela própria dizia: “Carro para mim é apenas um meio de transporte querido”. Mas olha, até o meio de transporte dela tinha mais personalidade do que muito Ferrari por aí.
Durante o tratamento contra o cancro, Bet vendeu o carro que utilizava e passou a ir andar de táxi. Motorista de produção, boleias, sem drama, sem vitimismo, com a mesma leveza com que desfilava numa passerelle em Milão. Após sua morte, os seus carros foram passados discretamente aos filhos, sem leilão, sem manchete.
A elegância seguiu até ao fim, porque o luxo da Bet não estava no carro, estava no olhar, no discurso, no silêncio. E quem a via passar, mesmo num Civic antigo, sabia que ali ia uma estrela. E por falar em estrela, o próximo artista usava uma simples zafira prateada, levava os filhos à escola e encontrava a graça de ser confundido com gente comum.
Spoiler, ele era extraordinário. Domingos Montagier tardia. Antes de ser conhecido como galã das novelas da Globo, foi professor, artista de circo, palhaço e proprietário de uma companhia de teatro. E mesmo depois da fama, nunca deixou de ser aquele tipo simples do bairro. Enquanto outros artistas aceleravam super carros, Domingos era visto a dirigir uma Chevrolet, Zafira Prata, monovolume de sete lugares, motor 2.0 e espaço de sobra.
Era o carro da rotina, a escola das crianças, do mercado, da vida real. E não fazia questão nenhuma de esconder isso, pelo contrário, tinha orgulho. Os fãs contavam que viam Domingos parado no sinal, janelinha aberta, sorrindo como quem não devia nada a ninguém, por vezes confundido com pai de família qualquer, e ele achava graça.
A Zafira tornou-se uma extensão da família, não era cenário de ostentação, era testemunha do quotidiano. Depois da morte trágica em 2016, o carro ficou com a mulher e os filhos, sem alarido, sem manchete, seguindo em silêncio, como ele mesmo fazia. Nunca foi vendido, nunca apareceu em leilão e talvez ainda esteja rodando por aí, carregando mochilas, recordações e saudade, porque aquele carro não era sobre cilindradas, era sobre o afeto.
Domingos viveu pouco na fama, mas o suficiente para deixar uma marca e a sua Zafira tornou-se um relicário com rodas, simples, discreta, insubstituível. Agora, para fechar a nossa viagem com chave de ouro, vamos para a história de uma senhora do teatro que, mesmo no auge da fama, preferia um fusquinha bem alinhado a qualquer carrão importado.
Marília Pera era pura sofisticação. No palco, nas telenovelas, no cinema, ela era a definição de estrela brasileira, mas fora dos holofotes era o oposto da ostentação. Enquanto muitos artistas trocavam de carro todos os anos, Marília mantinha os dela há décadas. Começou com um fusquinha azul marinho que ela mesma conduzia pelas ruas do Rio nos anos 70.
Dizia que era resistente, económico e cabia em qualquer vaga. E pronto, era o que bastava. Com o tempo trocou o Carocha por um Del Rei Bordau, depois um Corolla Prata e por último um Honda Fit automático. Todos os carros funcionais sem firula, nada de blindagem, nada de SUV gigantesco. E o mais curioso, ela nunca fez questão de esconder a simplicidade.
Quando perguntavam o motivo de não dirigir algo mais à altura da sua fama, ela respondia: “O carro leva-me, não me representa”. Este era o estilo Marília, minimalista, prática e 100% controlada. Não importava se a novela era um sucesso, se o cachet era elevado. Ela continuava fiel aos seus carros discretos, quase invisíveis.
Depois da sua morte, em 2015, os veículos foram passados aos filhos, sem qualquer grande história de venda ou exposição. Foram apenas carros e continuaram a ser apenas isso. Mas cada um deles transportava um pedaço de uma mulher que, mesmo no topo, sabia que o essencial era invisível aos olhos e que o melhor da vida nunca esteve no painel.
Marília foi luxo na arte e simplicidade no asfalto. E isso é para poucos. E aí, qual destes carros gostaria de ter na sua garagem? A verdade é que estes veículos contam histórias que nenhuma ficha técnica consegue traduzir. Alguns foram símbolos de ascensão, outros da queda.
Houve um carro que virou relíquia e carro que se transformou em pó. Houve artista que tratava o carro como um filho e tinha quem já nem se lembrava onde deixou o último modelo. Mas no fundo todos eles mostram a mesma coisa, que a fama passa, o o dinheiro desaparece e o tempo. O tempo não perdoa nem o couro dos bancos do Ferrari. Hoje viu carros que foram sonhos e que se tornaram fantasma.
Viu garagens que guardam memórias e outras que escondem segredos. E se estes carros falassem, hã, talvez revelassem mais sobre os seus proprietários do que qualquer biografia. Agora comenta lá qual a história que te apanhou de surpresa, qual o carro que achou que nunca veria abandonado. E se você gostou deste vídeo, subscreva o canal, ativa o sininho e prepara-se, porque no próximo episódio vamos mostrar os iates milionários de celebridades brasileiras que hoje estão encalhados, largados e cobertos de mato em marinas esquecidas. Spoiler, um deles foi
comprado com dinheiro de prémio de reality e hoje já nem flutua. Nos vemos lá. E lembra, mais do que a fama é o que deixamos parado na garagem da vida, que conta a verdadeira história.