42 títulos profissionais, três Champions League, 126 jogos com a seleção brasileira e esse mesmo gajo trancado mais de um ano numa cadeia repugnante da Espanha, acabando com a vida de uma rapariga de 23 anos e com todo o dinheiro embargado pela justiça, hoje vai saber o que o Dani Alves fez mesmo para aquela rapariga espanhola no banheiro da boate suton de Barcelona.
E pior ainda, já viu? Porque a justiça descobriu que ele escolheu-a especificamente naquela noite. E o mais negro de tudo, irmão, o que a justiça espanhola constatou que o Dani Alves fez uns minutos antes de entrar naquela casa de banho com ela, coisa que durante 3 anos ninguém do jornalismo O desportivo brasileiro teve a coragem de mostrar no ar.
Mas antes tem que conhecer o miúdo de Juazeiro da Bahia antes da fama. Juazeiro fica no norte do estado da Baía, mesmo na fronteira do rio São Francisco com o estado de Pernambuco, uma das regiões mais quentes do Nordeste brasileiro. Pá, no verão a temperatura passa os 40º. As casas não têm ar- condicionado.
O pessoal vive com a porta aberta porque lá dentro é mais quente que fora. E numa dessas casas, no no dia 6 de maio de 1983, nasceu o Daniel Alves da Silva, segundo filho do Domingos Alves, agricultor da roça e da Lúcia da Silva, doméstica. Três irmãos no total, uma casa de taipa na zona rural de Juazeiro, sem água canalizada, sem energia elétrica, sem casa de banho dentro de casa.
O pai Domingos plantava cebola e melão no sertão da Bahia, saía de casa às 4 da manhã e regressava às 7 da noite com as mãos manchadas de terra vermelha. A mãe Lúcia lavava a roupa para fora, estás a ver? 5€ por trouxa. O miúdo Daniel cresceu a ver a mãe escondida no quarto, a chorar para que os filhos não vissem.
Mas tinha uma coisa mais grave a acontecer naquela casa de taipa do sertão, coisa que durante anos o próprio Dani Alves tentou esconder da imprensa desportiva, coisa que 40 anos depois ia aparecer precisamente na noite do dia 31 de dezembro de 2022 dentro de uma discoteca de Barcelona. O Domingos Alves tinha um problema grave com a bebida, rapaz.
A cachaça do Nordeste destilada nos alambiques caseiros de Juazeiro era barata, não é? Uma garrafa custava menos do que uma lata de cerveja. O Domingos regressava da lavoura, sentava-se na varanda e começava a beber. Primeiro um trago, depois a garrafa toda e depois aparecia o outro domingo. Sabe o que gritava? O que partia prato na parede? O que a Lúcia xingava à frente dos três filhos.
O Daniel tinha 7 anos quando viu pela primeira vez o pai levantar a mão à mãe e entendeu ali na varanda de Taipa do sertão de Juazeiro alguma coisa que ia marcar o resto da vida dele, que a força do homem é a coisa mais perigosa quando se mistura com bebida e com desejo. Era algo que o miúdo de 7 anos não conseguia explicar com palavras, mas sentiu no peito, no estômago, na garganta apertada que não conseguia gritar para defender a mãe.
E há uma coisa ainda mais importante que vai entender no final deste vídeo, porque 40 anos depois, exactamente numa cela da cadeia BR 2 de Barcelona, o Daniel Alves ia confessar a um funcionário do presídio espanhol que tinha pesadelo com a voz do pai a gritar para a mãe. Mas essa parte vem depois. Aos 6 anos, o pai Domingos meteu-o num equipa de futebol do bairro.
Era o Juazeiro Esport Clube infantil, uma equipa amador do sertão. Jogavam descalços num terreno de terra vermelha com uma bola de couro remendada com fita adesiva. O miúdo o Daniel jogava a avançado, né? Era pequeno, era magro, era rápido feito uma jaca do cerrado. Driblava os meninos maiores com uma facilidade que assustava o próprio pai.

Aos 8 anos, marcou três golos na final do Campeonato de infantis de Juazeiro. O presidente da Câmara de Juazeiro, que estava no estádio, foi felicitá-lo pessoalmente no balneário. Deu de presente um par de chuteiras usadas comprada em Salvador. Foram as primeiras chuteiras a sério do miúdo Daniel. Aos 12 anos já jogava na categoria sub-15 do Juazeiro.
O técnico, um senhor velho chamado Joaquim, descobriu uma coisa no miúdo. Tinha um pique físico fora do normal. conseguia correr 90 minutos sem parar, sem cansar, mantendo sempre o mesmo gás. E depois o Joaquim fez uma coisa que mudaria a história do futebol mundial, mudou-o para lateral direita, exatamente a posição que 30 anos depois ia ter o miúdo do sertão como o maior jogador da história mundial naquela função.
Mas antes de saber como o miúdo do sertão acabou por conquistar 42 títulos profissionais, há uma coisa que precisa de entender. Coisa que durante toda a carreira profissional o Dani Alves tentou esconder das câmaras, coisa que apareceu precisamente naquela noite maldita da Boate Sutton. Aos 14 anos, o Daniel Alves foi convocado para um teste no Esport Clube Bahia, o clube mais importante do Estado.
A distância entre Juazeiro e Salvador é de 500 km. Para um miúdo do sertão, aquilo era o outro lado do mundo. O pai Domingos foi junto num autocarro da linha Itapemirim. Saíram de Juazeiro às 10 da noite, chegaram a Salvador às 9 horas da manhã do dia seguinte. 11 horas de viagem sem paragens. No teste do Bahia, o Daniel jogou durante 45 minutos.
Driblava, cruzava, defendia, roubava a bola. Quando o técnico aptou o final, o miúdo do sertão tinha impressionado toda a gente presente. O diretor das camadas jovens do Bahia foi logo falar com o Domingos. O seu filho fica aqui mesmo. Agente da casa, alimentação, escola e dois salários mínimos por mês. O Domingos assinou o contrato sem ler uma palavra, apenas assinou com um X ao lado, onde o diretor do Bahia mostrou.
E aqui começa uma parte da história que durante 28 anos ninguém do O jornalismo desportivo brasileiro teve coragem de investigar a fundo. Porque o que aconteceu com o miúdo de 14 anos sozinho numa pensão de Salvador sem a família conectou com tudo o que ia acontecer naquela noite maldita de Barcelona em 2022. Vivia numa pensão do bairro da Federação, na zona central de Salvador.
Dividia quarto com outros três miúdos das categorias de base do Baía. A comida era arroz com feijão todos os dias, apenas um ovo estrelado aos domingos. A pensão estava colada numa zona conhecida em Salvador como pelourinho. E o Pelourinho, em 1997, era uma zona bastante perigosa da cidade. Assaltos, droga, prostituição, violência.
O miúdo Daniel com 14 anos, saía do treino às 18 horas e regressava paraa pensão andando. 5 km numa zona onde um miúdo do sertão com uma mochila era uma vítima fácil. A primeira vez que o assaltaram, o Daniel tinha 14 anos e 7 meses. Três caras do pelourinho apanharam-no numa esquina e roubaram as chuteiras, a mochila e os R$ 7 que tinha no bolso.
Voltou para a pensão chorando. Nos tr anos que viveu naquela pensão da federação, o Daniel Alves foi assaltado sete vezes, viu? sete e na quinta vez decidiu fazer uma coisa que ia mudar a vida dele. Começou a treinar luta de rua, aprendeu a defender-se e a aprendeu alguma coisa mais sombria, coisa que 28 anos depois a justiça espanhola ia descobrir no meio do julgamento, mas essa parte vem mais tarde.
Aos 17 anos, o Daniel Alves estreou-se pelo equipa principal do Sport Clube Bahia. Era 2001, um domingo de fevereiro, no estádio Fonte Nova, frente ao Vitória, o clássico do Estado. O Bavi, 70.000 pessoas no estádio e o miúdo do sertão, com 17 anos e 7 meses, entrou no segundo tempo. Fez duas assistências, marcou um golo. O Bahia ganhou por 3-1.
E no dia seguinte todos os jornais de Salvador estavam com a foto do miúdo de Juazeiro na capa. Começou a fama, começou o dinheiro, começaram as mulheres. O miúdo do sertão, com 18 anos, tinha um salário de R$ 15.000 por mês. Para alguém que tinha crescido numa casa de taipa sem energia elétrica, era uma fortuna.
Comprou uma casa para a família em Juazeiro, uma casa de tijolo com três quartos. A mãe Lúcia, pela primeira vez na vida, teve uma casa de banho dentro de casa, mas o dinheiro, no bolso de um miúdo de 18 anos recém saído da pobreza, teve outro efeito. Começou a frequentar as discotecas do centro de Salvador, a discoteca Madre no Pelourinho, a discoteca Pierró na Barra, a discoteca of Club na Pituba.
O miúdo do sertão virou rei da noite de Salvador aos 18 anos, não é? E foi naquelas noites de Salvador descobriu alguma coisa sobre si que ia definir o resto da sua vida. Em Janeiro de 2003, um olheiro espanhol do O Sevilha Futebol Clube deslocou-se a Salvador especificamente para o ver. Chamava-se Monche. Era o diretor desportivo do Sevilha.
Fechou a compra do passe por 3 milhões de euros para um miúdo de 19 anos. Era a maior venda da história do Sport Clube Baía. O Daniel Alves esteve no Sevilha durante seis temporadas. conquistou duas Taças da UEFA, uma Supertaça Europeia, uma Taça do Rei e uma Supertaça de Espanha. E em Julho de 2008, o FC Barcelona pagou 32 milhões de euros pelo passe do miúdo do sertão, não é? Mas o Barcelona não comprou só um lateral direito, pá.
comprou sem saber um homem que arrastava com ele tudo o que tinha visto naquela casa de taipa de Juazeiro. E aquela ferida durante 14 anos no Barcelona ficou pronta a explodir, até que explodiu na madrugada do dia 31 de dezembro de 2022. No FC Barcelona, o Daniel Alves alcançou o topo absoluto do futebol mundial.
23 troféus em oito temporadas, três Ligas dos Campeões, seis campeonatos de Espanha, quatro Taças do Rei e ainda marcou 20 golos oficiais, um lateral direita marcando 20 golos, coisa que nenhum outro lateral direito na história do Barcelona tinha conseguido. Mas a a vida pessoal era outra história, não é? O Daniel casou com a modelo espanhola Diana Carolina Robainasso, no dia 18 de Maio de 2008.
Tinham um filho, o Daniel Filho, nascido em 2008. Tinham uma filha, a Victória, nascida em 2011. Mas o casamento acabou em 2015. Depois de 7 anos, a Diana deixou-o e nunca deu entrevista explicando porquê. Mas algumas pessoas próximas do casamento começaram a dizer em voz baixa uma palavra: traições. E aqui tem que perceber uma coisa importante, porque as traições do Dani Alves não eram apenas uma questão privada do casamento, eram um padrão.
Padrão que 21 anos depois a justiça espanhola ia confirmar sob juramento a meio do julgamento de Barcelona. Mas essa parte vem depois. Exatamente na mesma altura em que a Diana estava a largá-lo. Em 2015, o Daniel Alves conheceu uma modelo espanhola das Ilhas Canárias. Chamava-se Joana Sans. Tinha 22 anos. Era natural de Santa Cruz de Tenerife.
Trabalhava para a agência de modelos IMG models. E o miúdo do sertão, com 32 anos, apaixonou-se perdidamente. Começaram um relacionamento público. A Joana Sans se mudou-se para o apartamento do Daniel no bairro de Esplugs de Lobregat, uma mansão de 8 milhões de euros. com piscina interior, ginásio privado e uma garagem para 11 carros.
Era o casamento perfeito, vendido como tal pelas revistas espanholas e brasileiras. Mas alguma coisa por baixo da fachada não funcionava. A Joana já sabia desde o início das traições crónicas do Daniel. As fotos dele com outras mulheres apareciam de tempos a tempos nos jornais sensacionalistas de Madrid e Barcelona.
Cada vez que aparecia uma foto, o Daniel mandava-lhe flores ou joias. ou uma viagem às Maldivas. E a Joana perdoava até que deixou de contar. E há uma coisa ainda mais sombria que vai entender no final deste vídeo, porque ali na hora em que em que a Joana Sans estava a 16 km de Barcelona, nas Canárias, acompanhando a mãe, que estava a morrer de cancro, o Dani Alves estava na área VIP da Boate Suton, escolhendo concretamente uma rapariga espanhola de 23 anos. Mas essa parte vem depois.
A carreira profissional continuou a subir. Em julho de 2016, assinou pela Juventus de Turim, conquistou o escudeto italiano. Em 2017, assinou com o Paris Saint-Germain. Conquistou dois campeonatos de França. Em 2019, voltou para o Brasil com o São Paulo. Conquistou a Taça dos Libertadores, o Campeonato Paulista e a Taça do Brasil.
Em 2022, assinou com a os Pumas da UNAN no futebol mexicano, 42 títulos profissionais acumulados. mais que qualquer jogador na história do futebol mundial, não é? Mais do que o Messi, mais do que o Cristiano Ronaldo, mais do que o Pelé, mais do que o Maradona. Mas tudo aquilo, os 42 títulos, o topo do futebol mundial, os cinco Campeonatos do Mundo, tudo estava prestes a desabar na madrugada do 31 de dezembro de 2022, exatamente numa discoteca da zona alta de Barcelona.
A seleção brasileira foi eliminada nas quartos de final da Taça do Qatar. Perdeu nos penáltis paraa Croácia no dia 9 de dezembro de 2022. O Daniel Alves jogou 42 minutos nessa partida e quando o juiz apitou para o final, o miúdo do sertão de Juazeiro chorou no meio do campo. Era o fim. Ele sabia da carreira na seleção.
Cinco mundiais jogados, zero ganhos, regressou ao México. Mas o ânimo não era o mesmo. Precisava de uma férias. decidiu passar a passagem de ano em Barcelona, a cidade onde vivia a Joana Sans, a cidade onde tinha amigos, restaurantes preferidos, discotecas preferidas. E entre as discotecas preferidas do Dani Alves havia uma que ele frequentava desde 2009, uma discoteca de luxo no bairro de San Gervasi.
Boate exclusiva para jogadores de futebol, modelos, desportistas internacionais. Chamava-se Suton. Antes de saber o que aconteceu mesmo dentro do banheiro da área VIP do Suton na madrugada do dia 31 de de dezembro, é preciso entender uma coisa, coisa que as câmaras de segurança do Sulton registaram, coisa que quatro juízes espanhóis, três mulheres e um homem viram no meio do julgamento de Barcelona, coisa que nenhum jornalista O desportivo brasileiro teve a coragem de mostrar no ar até hoje.
Eram 2:45 da madrugada do dia 30 e 1 de Dezembro de 2022, a passagem do ano. O Daniel Alves entrou na discoteca suton acompanhado de um único amigo, um brasileiro a viver em Barcelona faz 10 anos. Chamava-se Bruno Brasil. Era o melhor amigo do Daniel em Barcelona desde o tempo do Barcelona. Subiram directamente para a área VIP do primeiro andar.
Mesa seis, a mesa habitual do Daniel Alves desde 2008, com uma casa de banho masculino exclusivo colado à mesa, só seis m de distância entre a mesa e o porta da casa de banho. Pediram uma garrafa de Moet e Shandon, 250 €. A gerente do Suton, uma mulher chamada Mónica, atendeu-os pessoalmente. O Daniel Alves era cliente VIP.
Todo o ano passava a passagem de ano naquele STON, não é? A gerente conhecia-o desde 2015. Às 3:16 da madrugada, chegaram três raparigas espanholas na zona VIP. Uma delas era uma rapariga de 23 anos, vinda de Tarragona, que trabalhava como auxiliar administrativa numa clínica dentária do bairro de Santicugate.
Estava acompanhada da prima e de uma amiga. Tinham entrado no suton só para tomar duas tacinhas e regressar a casa, mas as câmaras de segurança do suton registaram bem o que aconteceu depois. O Daniel Alves foi pessoalmente até à mesa das três raparigas, convidou-as para subirem para a área VIP, ofereceu champanhe, fê-las dançar em cima da própria mesa seis, começou a tocar nelas nas três.
A prima e a amiga, que depois iam declarar sob juramento no julgamento, contariam que o Daniel Alves passou-lhes a mão de forma agressiva. Passou a mão no rabo, nas coxas, nos peitos. A amiga, pelo que as câmaras mostram de segurança, tentou afastar-se, mas a rapariga de 23 anos ficou paralisada, não se conseguia mexer.
Tinha uma taça de champanhe na mão, estava paralisada. Exatamente às 3:32 da madrugada, o Daniel Alves agarrou a jovem de 23 anos pelo braço, levantou-a da mesa, levou-a ela até à porta do banheiro masculino colado à mesa seis, apenas 6 m de distância, meteu-a dentro da casa de banho, fechou a porta.
As câmaras de segurança do Suton registaram a entrada dos dois naquela casa de banho mesmo às 3:32 e 14 segundos. 15 minutos depois, logo às 3:47 e 28 segundos, a jovem de 23 anos saiu do casa de banho chorando descontroladamente. Caminhou até à mesa das amigas aos tropeções. Tinha um vestido rasgado do lado esquerdo. Faltava-lhe um sapato.
Tinha marcas vermelhas no pescoço e nos braços. O que a rapariga contou pr as amigas dentro da casa de banho feminina da discoteca, 5 minutos depois, foi tão grave que a A própria gerente do Sulton acionou o protocolo de agressão sexual da município de Catalunha. Naquela noite do 31 de dezembro de 2022, dentro do WC masculino da área VIP do Suton, o Daniel Alves tinha feito com aquela rapariga espanhola bem o que o pai Domingos tinha-lhe ensinado sem querer, na varanda de taipa do sertão de Juazeiro, tinha forçado fisicamente com violência
contra a vontade dela, uma relação sexual completa que durou 15 minutos. Os exames biológicos do Hospital Clíic de Barcelona, recolhidos 3 horas depois na sala de emergência, iam encontrar restos de sémen do Daniel Alves dentro da rapariga espanhola. As marcas físicas no corpo dela, fotografadas pela enfermeira forense do clinic, mostravam hematomas nas coxas, marcas de dedos no pescoço e um corte de 3 cm no lábio inferior.
O próprio vestido rasgado foi guardado pela polícia catalã como prova número um do julgamento. E no dia 20 de janeiro de 2023, 21 dias certinhos depois da noite do Suton, o Daniel Alves foi detido pelos moços de esquadra na esquadra de Lescorts. Levaram-no para a cadeia Bryants 2, a 30 km de Barcelona.
Deram-lhe uniforme de preso. Tiraram-lhe o relógio de ouro, os anéis, o cinto e os atacadores dos ténis. Puseram-no numa cela de 4 m quchão no chão. E naquele dia 20 de janeiro de 2023, logo às 9:47 da noite, enquanto Daniel Alves olhava para o tecto de cimento da cela, aconteceu uma coisa que passou despercebida ao mundo inteiro durante um ano e dois meses, mas que apareceu depois, em pleno julgamento de Barcelona, bem quando a justiça espanhola descobriu uma coisa ainda mais repugnante que aquela noite do suton. Porque a rapariga de 23 anos de
Tarragona não tinha sido a única vítima do Daniel Alves nessa mesma noite. Houve mais mulheres e a justiça espanhola descobriu quantas, descobriu quem e por o Daniel Alves escolheu-as especificamente. E o que vai saber agora durante os próximos 20 minutos é a parte mais repugnante de toda esta história.
Uma parte que durante 3 anos o O próprio Daniel Alves tentou esconder dentro da cadeia Bryans 2. Até que o juíza Ana Marim descobriu tudo. A prisão do dia 20 de janeiro de 2023 foi apenas o começo, estás a ver? Os Moços de esquadra, a Polícia Catalã, tinham aberto uma investigação silenciosa que já durava há 22 dias.
E aquela investigação tinha descoberto coisas que nem o próprio Daniel Alves imaginava. Mas antes de saber o que descobriu a polícia catalã durante estes 22 dias de investigação silencioso, irmão, tens que entender quem era a juíza que ia presidir ao julgamento contra o Daniel Alves, porque aquela mulher era o pior pesadelo do miúdo do sertão, né? Chamava-se Ana Marim, tinha 57 anos.
Era juíza de instrução do tribunal número 15 de Barcelona e tinha uma particularidade. Durante os últimos 14 anos de carreira, tinha instruído 83 casos de agressão sexual na zona alta de Barcelona. 78 destes casos terminaram com condenação. A taxa de sucesso da juíza Ana Marim era de 94%, uma das mais altas de toda a Catalunha.
Mas tinha uma coisa a mais. A juíza Ana Marim tinha uma filha, uma filha chamada Clara, que em 2018, aos 22 anos, tinha sido vítima de abuso sexual numa discoteca da diagonal de Barcelona. O agressor da A Clara nunca foi identificada, nunca foi preso, nunca foi condenado. A juíza Ana Marim carregou aquela ferida pessoal em cada um dos 83 casos que instruiu depois.
E quando o caso do Suton chegou nas mãos dela, no dia 22 de janeiro de 2023, dois dias depois da detenção do Daniel Alves, a juíza Ana Marim fez uma coisa que nenhum outro juiz catalão tinha feito com um jogador estrangeiro antes. mandou os moços de esquadra investigar cada pormenor da noite do suton, cada câmara de segurança, cada funcionário do local, cada cliente que tivesse estado na zona VIP aquela madrugada e o que a Polícia Catalã descobriu nos 30 dias seguintes de investigação mudou completamente o rumo do caso. Mas antes da juíza Ana Marim
descobrir tudo aquilo, o Daniel Alves já tinha feito uma coisa dentro da esquadra de Lescorts que ia complicar ainda mais a sua situação judicial. No no dia 20 de janeiro de 2023, quando os moços de esquadra aprenderam-no às 3:42 da tarde, o Daniel Alves deu a primeira versão oficial do que se tinha passado no Suton.
Uma versão que duraria 48 horas antes de colapsar completamente. A primeira versão do Daniel Alves foi a seguinte: “Não conheço essa mulher, nunca a vi, não estava naquele casa de banho com ela, nunca toquei nessa rapariga.” Foi isso que o miúdo do sertão disse, palavra por palavra, aos moços de esquadra na primeira declaração oficial.
Mas a primeira versão caiu em menos de 48 horas, porque as câmaras de segurança do STON já estavam nas mãos da polícia catalã e mostravam claramente o Daniel Alves a entrar na casa de banho com a rapariga de Tarragona às 3:32 e 14 segundos da madrugada. A primeira versão caiu, mas o Daniel Alves mudou rapidamente a história, pá, e deu uma segunda versão que duraria mais 72 horas antes de desabar também por completo.
A segunda versão foi a seguinte: “Sim, estava no casa de banho, mas estava sozinho. Nunca entrei na casa de banho com esta mulher”. Foi isto que o Daniel Alves disse ao juiz de instrução durante a audiência de prisão preventiva do dia 22 de Janeiro de 2023. Mas as câmaras de segurança do Sulton mais uma vez mostravam bem o contrário.
Mostravam o Daniel Alves entrando na casa de banho com a moça de Tarragona, os dois juntos bem aos 3:32 e mostravam também a saída da casa de banho da rapariga, chorando bem às 3:47 e 28 segundos. 15 minutos depois, o segunda versão caiu, mas o Daniel Alves ainda tinha mais versões guardadas e deu uma terceira versão no dia 3 de fevereiro de 2023, durante um novo interrogatório.
A terceira versão foi a seguinte: “Sim, estava na casa de banho com ela, mas não aconteceu nada entre nós, só conversamos. Disse-lhe que era amigo de um jogador espanhol. Depois saímos cada um para seu lado, mas os exames biológicos do Hospital Clíic de Barcelona, recolhidos 3 horas depois na sala de emergência, tinham encontrado restos de sémen do Daniel Alves dentro do corpo da rapariga espanhola.
Aquilo não era só uma conversa amigável, aquilo era prova científica de penetração. E a terceira versão também caiu. E depois, no no dia 17 de abril de 2023, quase 3 meses depois da detenção, o Daniel Alves deu uma quarta versão, uma versão completamente diferente, uma versão que nenhum O jornalista desportivo brasileiro teve coragem de mostrar no ar até hoje.
A quarta versão foi a seguinte: “Sim, tivemos relações sexuais completas, mas foi totalmente consentida. Ela veio comigo para a casa de banho por vontade própria. Fizemos sexo voluntário, sem violência, sem coação, sem ameaças. Quando saímos da casa de banho, ela estava a chorar porque depois arrependeu-se, mas foi voluntário.
Foi isso que o Daniel Alves disse à juíza Ana Marim, palavra por palavra, durante a audiência do dia 17 de de abril de 2023. Mas a juíza Ana Marim tinha guardado uma pergunta que ia derrubar também a quarta versão. A juíza A Ana Marim fez ao Daniel Alves só uma pergunta durante aquela audiência do dia 17 de abril.
Uma pergunta simples, senr Alves. Nas suas três declarações anteriores, o senhor negou ter tido relação sexual com esta rapariga. Negou inclusive tê-la conhecido, negou inclusive ter entrado na casa de banho com ela. Agora, de repente admite que teve relação sexual completa com ela. Por que mentiu durante três meses se agora diz que foi voluntário? Porquê mentir se era voluntário? E o miúdo do sertão de Juazeiro perante aquela pergunta não conseguiu responder durante 4 minutos.
apenas ficou a olhar para o chão da sala, enquanto os advogados da vítima sorriam em silêncio. E depois o Daniel Alves deu uma quinta versão. A quinta versão em quatro meses de prisão preventiva. Uma versão que nenhum juiz espanhol tinha escutado nunca antes da boca de um jogador internacional.
A quinta versão foi a seguinte. Eu menti nas versões anteriores porque tinha medo da minha mulher Joana Sans me largar se descobrisse que tinha estado com outra mulher nessa noite. Por isso, neguei primeiro conhecê-la, depois entrar no casa de banho, depois fazer sexo com ela. Mas agora admito tudo. Tivemos sexo completo e consentido.
Menti só para proteger o meu casamento. Foi isso que o Daniel Alves disse, palavra por palavra, em frente da juíza Ana Marim. cinco versões em 4 meses. E a juíza Ana Marim entendeu naquele momento ali o que tinha entre as mãos. Tinha um homem que era capaz de mentir cinco vezes seguidas sob juramento, olhando nos olhos da justiça. E aquilo falava muito mais sobre o carácter do Daniel Alves do que qualquer prova biológica, não é? E durante estes 14 meses de prisão preventiva, enquanto o Daniel Alves estava a dar as cinco diferentes versões, a juíza Ana Marimou
os moços de esquadra investigar tudo o mais. Cada câmara de segurança do Sulton nessa noite, cada funcionário do local que estava a trabalhar naquela madrugada, cada cliente que se encontrava na área VIP e o que descobriram os mostos de esquadra durante estes 14 meses mudou completamente o rumo do julgamento.
Porque a rapariga de 23 anos de Tarragona não tinha sido a primeira mulher que o Daniel Alves tinha tocado nessa noite dentro do suton e nem sequer tinha sido a única que tinha saído da casa de banho a chorar e nem tinha sido a única que precisou de atendimento médico forense aquela madrugada do dia 31 de dezembro.
Tinha havido outras e a quantidade exata de outras vítimas foi o que a juíza Ana Marim descobriu durante o mês de fevereiro de 2023. O que vai saber agora durante os próximos 10 minutos, irmão, é a parte mais negra de toda a história. Uma parte que durante 3 anos o Daniel Alves tentou esconder-se dentro da cadeia Bryans 2, mas os mostos de esquadra, dirigidos pessoalmente pela juíza Ana Marim, descobriram cada pormenor e expuseram tudo no meio do julgamento de Barcelona em fevereiro de 2024. A primeira vítima daquela noite do
31 de dezembro de 2022 não era a rapariga de Tarragona. Era uma empregada de mesa do próprio Suton, uma jovem de 25 anos, vinda de Leheira, que trabalhava atrás do balcão da área VIP fazia do anos. Chamava-se Marta Solé. E a Marta Solé tinha servido pessoalmente a garrafa de moete e Chandon para o Daniel Alves às 2:47 da madrugada.
Quando a Marta chegou perto da mesa seis para servir o garrafa, o Daniel Alves agarrou o pulso direito dela, apertou com força, disse para ela em espanhol, com sotaque brasileiro forte, uma frase que o microfone ambiental do Suton registou com qualidade média, mas suficiente para perícia forense. A frase exata foi a seguinte: “Fica comigo esta noite.
Te pago o que pedir, se for boa”. A Marta tentou tirar o braço, o Daniel Alves não soltou. A amiga da Marta, outra empregada de mesa chamada Lourdes, viu toda a cena da outra ponta do balcão, mas não interferiu porque o Daniel Alves era cliente VIP do Suton, certo? E a gerente A Mónica tinha deixado instruções claras fazia anos que nenhum funcionário podia contradizer nunca aquele jogador.
E aqui começa uma parte da história que a própria gerente do Suton, Mónica, tentou esconder da polícia catalã durante semanas, coisa que tinha a ver com a quantidade de vezes que o Daniel Alves tinha feito a mesma coisa dentro daquele suton durante os anos anteriores, mas essa parte vem depois. A Marta Solé demorou 42 segundos a conseguir livrar-se do braço do Daniel Alves.
Quando finalmente o conseguiu, voltou para trás do balcão a tremer. A amiga Lurdes perguntou-lhe o que tinha acontecido. A Marta não respondeu, apenas ficou a olhar para o chão, chorando em silêncio. E a gerente Mónica, que também tinha visto tudo do primeiro andar, desceu até ao balcão e disse à Marta textualmente uma frase que depois apareceria na declaração da Marta na frente dos Moços de Esquadra.
Uma frase que a juíza Ana Marim leu em voz alta no meio do julgamento de Barcelona na frente do rosto do Daniel Alves em fevereiro de 2024. A frase exata que a gerente Mónica disse paraa Marta Solé aquela madrugada pelo relato textual que a própria Marta assinou à frente da Polícia Catalã foi a seguinte: “Aguenta! É o Daniel Alves, fica mesmo assim.
Isso acontece todos os meses com ele, não é?” Esta foi a frase exata. E aquelas sete palavras, isto acontece todos os meses com ele, foram o que a juíza Ana Marim utilizou como prova número 17 do julgamento para demonstrar que o caso do Suton não era um facto isolado, não é? Mas a Marta Solé não foi a única vítima daquela noite.
Só 37 minutos depois, logo às 3:24 da madrugada, uma segunda mulher foi tocada agressivamente pelo Daniel Alves dentro da área VIP do Sulton. Chamava-se Andreia Constantinesco. Era uma modelo romena de 26 anos, a viver em Barcelona fazia 4 anos. Trabalhava para uma agência de modelos chamada Francina Models e aquela noite tinha sido convidada para a área VIP pelo dono do Suton, que conhecia a agência.
A Andreia estava com duas amigas na mesa quatro, mesmo ao lado da mesa seis, onde estava o Daniel Alves. Quando ela se levantou para ir à casa de banho feminina, o Daniel Alves seguiu-a até ao corredor do casa de banho, encurralou-a contra a parede, meteu a mão por baixo do vestido, apalpou-lhe o rabo com violência.
A Andreia conseguiu empurrar ele, gritar e correr para a casa de banho feminino. Mas antes de fechar a porta, outras duas clientes do Suton viram bem o que o Daniel Alves tinha feito e iam declarar como testemunhas no julgamento 20 meses depois. Mas a quantidade exata de mulheres que o Daniel Alves tocou agressivamente aquela noite não eram só duas.
A Marta Solé e a Andreia Constantinesco eram só as duas primeiras, tinham uma terceira. E aquela terceira mulher ia passar a ser a parte mais perturbadora do julgamento, porque tinha uma particularidade física específica que nenhuma das outras vítimas tinha. Mas essa parte vem depois. A terceira vítima daquela noite dentro do suton antes da rapariga de Tarragona foi uma estudante universitária de 21 anos chamada Carmen Aguilar.
Era estudante de psicologia na Universidade Autónoma de Barcelona. Estava no suton aquela noite com um grupo de amigas do Erasmus. E às 3:07 da madrugada, 25 minutos antes do Daniel Alves entrar na casa de banho com a rapariga de Tarragona, a Carmen Aguilar foi convidada por ele para a área VIP. A Carmen aceitou, subiu para a área VIP.
O Daniel Alves sentou-a ao lado dele na mesa seis. O Bruno Brasil, o amigo brasileiro do Daniel, estava sentado do outro lado da Carmen. E aí começou o padrão. O Daniel Alves serviu champanhe para Carmen, fê-la dançar em cima da mesa, apalpou as pernas, apalpou a cintura, apalpou os seios por cima do vestido. A Carmen, no início, não se opôs.
Achou que era apenas o ambiente festivo de uma discoteca de luxo. Até que o Daniel Alves agarrou o braço dela e quis levá-la até ao WC masculino. A Carmen reagiu, levantou-se, livrou-se do braço, desceu correndo até à mesa das amigas do Erasmus no primeiro andar. Contou tudo. As amigas decidiram sair do suton na hora.
Saíram do local bem às 3h14 da madrugada, pelo que as câmaras mostram de segurança. Só 2 minutos antes da rapariga de Tarragona e as duas acompanhantes dela entrarem no suton. E 2 minutos depois da Carmen Aguilar conseguir escapar ao Daniel Alves, 2 minutos. A rapariga de Tarragona, de 23 anos, entrou pela porta do suton sem saber o que tinha acabado de rolar minutos antes com três mulheres dentro daquele local, ignorando completamente o que o homem do primeiro andar já tinha feito com três mulheres nas últimas duas horas, e sobretudo sem saber que ela era o tipo
físico que o Daniel Alves estava à procura daquela noite. E aqui está a parte mais perturbadora de toda esta história, a parte que a juíza Ana Marimou o dado pericial mais forte do julgamento, a parte que a Polícia Catalã descobriu no dia 18 de fevereiro de 2023 durante a análise forense das câmaras de segurança do Suton.
As quatro mulheres que o Daniel Alves tocou agressivamente naquela noite tinham 11 características físicas em comum. 11.º A polícia catalã contratou uma perita forense da Universidade de Barcelona, uma médica em antropologia física chamada Laura Casalus, para analisar fotografias da Marta Solé, da Andreia Constantinesco, da Carmen Aguilar e da rapariga de Tarragona.
E a Dra Casalus descobriu uma coisa de arrepiar. As quatro mulheres tinham a mesma altura, entre um 72 e 1 75 m. As quatro tinham a mesma cor de cabelo, castanho escuro, tirando para preto. As quatro tinham os olhos verdes ou cor de avelã. As quatro tinham a pele clara com um tom ligeiramente bronzeado. As quatro tinham a mesma estrutura óssea facial com queixo quadrado e maçãs do rosto altas.
As quatro estavam na faixa de idade entre os 21 e os 26 anos. E as quatro, pelo que a médica Laura Casalus eram quase clones físicos de uma única mulher. Aquela mulher era a Joana Sans, a mulher do Daniel Alves, a modelo espanhola das Canárias, a mulher com quem o Daniel Alves estava casado desde 2017. As quatro vítimas do Suton nessa noite, de acordo com o relatório pericial número 13 do julgamento, eram fisicamente quase indistinguíveis da Joana Sans. A Dra.
Laura Casalus calculou a probabilidade estatística das quatro mulheres partilharem as mesmas 11 características físicas por mera coincidência. E o resultado foi o seguinte: 0,03% 0,03% de probabilidade estatística, uma em 3333. Aquilo não era um acaso, pá. Era um padrão premeditado. O Daniel Alves tinha escolhido especificamente aquela noite do Sulton, quatro mulheres que nem a mulher dele, Joana Sans, e tinha tocado as quatro de forma agressiva.
E a última delas, a rapariga de Tarragona, tinha levado para a casa de banho contra a vontade dela para fazer com ela bem o que tinha imaginado fazer com a própria mulher durante anos. A juíza Ana Marim apresentou o relatório da Dra. Casalus como prova pericial número 13 do acórdão. Quatro juízes espanhóis, três mulheres e um homem leram o relatório completo durante o intervalo do segundo dia do julgamento.
E quando voltaram para a sala, as três juízas tinham os olhos vermelhos. Uma delas, a juíza mais nova do tribunal, uma mulher de 41 anos, chamada Isabel Delgado, não conseguiu olhar para a cara do Daniel Alves durante as próximas 4 horas do julgamento. Manteve a cabeça baixa, olhando para os papéis.
durante toda a tarde. E aí mesmo, ali na hora do segundo dia do julgamento, a juíza Ana Marim fez uma coisa que nenhum outro juiz catalão tinha feito com um jogador internacional. Levantou a cabeça, olhou diretamente ao Daniel Alves e disse em voz alta em frente das câmaras do julgamento, frase que foi depois reproduzida em todos os telejornais espanhóis.
A frase exata foi a seguinte: “Senhor Alves, a questão agora não é saber se o senhor agrediu aquela rapariga no dia 31 de dezembro. A questão é porque escolheu ela especificamente e por escolheu justo as outras três mulheres antes dela nessa mesma noite? E porque todas eram quase idênticas à sua mulher? Essa sala quer saber essa resposta.
” O Daniel Alves não respondeu, baixou a cabeça e pelo que o cronista judicial do jornal La Vanguardia, que esteve presente na sala, os ombros do ex-jogador começaram a tremer ligeiramente, mas não chorou, apenas ficou a olhar para o chão durante 5 minutos, enquanto os quatro juízes, os advogados, a vítima, as testemunhas e todos os dentro daquela sala esperava uma resposta que nunca chegou.
A juíza Ana Marim encerrou a sessão do segundo dia do julgamento e nessa noite os telejornais de Espanha e do Brasil mostraram pela primeira vez o homem que tinha 42 títulos profissionais trancado numa jaula de vidro sem conseguir responder uma questão que ia definir o resto da existência dele. Mas a juíza Ana Marim tinha ainda mais coisa guardada, coisa que não tinha revelado durante os dois primeiros dias do julgamento, coisa que ia soltar-se bem no terceiro dia, durante a última sessão antes da sentença final, coisa que tinha a ver com um dado
verificado pelos moços de esquadra durante a análise forense do telemóvel do Daniel Alves. Um dado que descobriu bem o que o miúdo do sertão tinha feito nas horas anteriores a entrar no suton aquela noite maldita. E o que aquele dado revelava era ainda mais repugnante que as quatro vítimas, as 11 características físicas partilhadas com a Joana Sans e o padrão premeditado.
Era uma coisa que tinha a ver com a própria família da A Joana, com um acontecimento concreto, com uma mulher que estava a morrer e com uma mensagem que nunca foi respondida. Esse dado que a juíza Ana Marim tinha guardado para o terceiro dia do juízo bem no final do processo, era o dado que ia marcar o Daniel Alves para o resto da vida.

Coisa mais dolorosa que as quatro vítimas, mais sombria que o padrão premeditado, mais repugnante que as cinco versões distintas, coisa que ligava diretamente com a própria mulher Joana Sans e com a sua família. E antes de saber o que é que a juíza Ana Marim revelou no terceiro dia do julgamento, viu, tem que perceber um dado sobre a Joana Sans, que durante estes meses nenhum jornalista desportivo brasileiro referiu, coisa que aconteceu nas Ilhas Canárias nas semanas anteriores à noite do Suton e que ligava diretamente com tudo o mais. A Joana Sans era natural de
Santa Cruz de Tenerife, filha única. O o seu pai chamava-se António, a sua mãe chamava-se Tânia. E a mãe Tânia, em novembro de 2022, um mês antes da noite do Sulton, tinha sido diagnosticada com cancro do pâncreas em estádio 4, o tipo mais agressivo de cancro que existe. Os oncologistas do Hospital Universitário Nossa Senhora de Candelaria, em Santa Cruz de Tenerife, tinham dado à Tânia Sans entre os dois e os 4 meses de vida.
Quando a Joana Sans recebeu o diagnóstico da mãe em novembro de 2022, mudou imediatamente para Tenerife para acompanhá-la. Deixou a mansão de esplugregat em Barcelona, deixou toda a rotina com Daniel Alves, deixou a carreira de modelo e instalou-se na Casa dos Pais em Tenerife para acompanhar a mãe durante o tratamento de quimioterapia e sobretudo durante os dias finais da vida da Tânia.
E aqui é o dado que liga diretamente com a noite do suton, pá. Porque a Joana Sans permaneceu em Tenerife durante todo o mês de dezembro de 2022 acompanhando a mãe enquanto Daniel Alves ficou sozinho em Barcelona, sozinho naquela mansão de 8 milhões de euros, sozinho durante todas as as noites daquele dezembro, sozinho ali na madrugada do dia 31 de dezembro.
O dia do suton, no dia 30 de dezembro de 2022, a Joana Sans estava a 16 km de Barcelona. Estava no hospital de Tenerife. A mãe Tânia, de acordo com o relatório médico número 7 do processo clínico que a juíza Ana Marim pediu como prova auxiliar, estava a viver naquele dia os momentos finais da vida. Os oncologistas tinham avisado a família que a Tânia ia morrer, possivelmente durante essa mesma semana.
A Joana estava do lado da cama da mãe desde as 7 horas da manhã do dia 30. E, logo às 20h14 da noite do dia 30 de dezembro, uma hora exata antes do Daniel Alves sair da mansão de Esplugues de Lobregat rumo ao Sulton, a mãe Tânia Sans morreu naquele hospital de Tenerife. Morreu nos braços da própria A Joana, a filha única, a mulher do Daniel Alves.
A mulher que fisicamente era idêntica às quatro vítimas que o Daniel Alves ia tocar agressivamente apenas 6 horas depois dentro da discoteca suton. A Joana Sans, chorando junto ao corpo da mãe, fez o que qualquer filha faria. tirou o telemóvel da bolsa e enviou uma mensagem pró Daniel Alves. Uma mensagem escrita em espanhol, uma mensagem desesperada, uma mensagem que a juíza Ana Marim conseguiria 18 meses depois, graças à análise forense ao telemóvel do Daniel Alves, feita pelos Moços de Esquadra.
E aquela mensagem foi a prova número 31 do julgamento. A mensagem que a Joana Sans mandou para o Daniel Alves bem às 8:21 da noite do dia 30 de dezembro de 2022, 7 minutos depois da mãe morrer nos braços dela, foi a seguinte: “Meu amor, minha mãe acabou de morrer. Estou sozinha no hospital de candelaria.
Preciso falar consigo agora. Por favor, responde. Tô precisando de si. Essa foi a mensagem exata. 42 palavras em espanhol. Mandada às 20h20 da noite do dia 30 de dezembro, o Daniel Alves leu a mensagem. A perícia forense dos Moços de Esquadra confirmou a leitura da mensagem bem às 8:22 e 14 segundos.
Apenas 1 minuto e 14 segundos depois da Joana mandar. O Daniel Alves leu a mensagem completa, viu que a sogra A Tânia tinha morrido, viu que a mulher dele estava sozinha, desesperada, chorando ao lado do corpo da mãe, a 1600 km de Barcelona. Viu aquilo tudo, certo? e não respondeu. O Daniel Alves não respondeu à mensagem durante as próximas 5 horas, 5 horas exatas.
E de acordo com a perícia forense ao telemóvel, durante essas 5 horas fez o seguinte: saiu da mansão de Espluges de Lobregá às 9:32 da noite, 1 hora certa e 11 minutos depois de ler a mensagem da Joana. foi para um restaurante de luxo do Passeio de Grácia denominado Botafumeiro, onde jantou com o Bruno Brasil durante 2:17 minutos.
Pediu três garrafas de vinho Tinto Pingos, uma delas da colheita de 2005, avaliado em 100 €. bebeu, pelo que o empregado do botafumeiro, que depois ia depor como testemunha quase duas garrafas sozinho, pagou a conta de 4700€ com o cartão de crédito Black do Banker e saiu do restaurante às 2:09 da madrugada do dia 31 de Dezembro, rumo à Boat Suton.
Enquanto a Joana Sans chorava do lado do corpo da mãe morta no hospital de Tenerife, a 16 km de Barcelona, o Daniel Alves estava a jantar vinho Pingos de 100€ a garrafa com um amigo num restaurante de luxo do Passeio de Grácia. E às 2:45 da madrugada entrou no suton, procurou a mesa seis, pediu a garrafa de Moé e Xandon e começou o padrão daquela noite que a juíza Ana Marim, 18 meses depois apresentaria pro mundo inteiro no meio do julgamento de Barcelona.
Marta Solé, Andreia Constantinesco, Carmen Aguilar, a rapariga de Tarragona. Quatro mulheres que nem a Joana Sans tocadas agressivamente numa só noite, enquanto a própria Joana Sans chorava do lado do corpo da mãe que tinha acabado de morrer. Enquanto esperava durante 5 horas exatas a resposta de uma mensagem que o marido tinha lido um minuto depois de receber.
Enquanto todo o mundo dentro daquele hospital de Tenerife se perguntava por o marido da Joana não ligava, não respondia, não mandava uma mensagem, não aparecia, o Daniel Alves respondeu à mensagem da Joana Sans a 1:14 da madrugada do dia 31 de dezembro, mas já era tarde demais. A Joana fazia 5 horas que estava a chorar do lado do corpo da mãe.
E a resposta que o Daniel Alves mandou-lhe na hora em que ainda estava a beber no botafumeiro antes de ir para o suton foi uma única linha. Meu amor, sinto muito, ligo-te amanhã quando acordar. Descansa! Foi essa a resposta exata, 12 palavras. Após 5 horas de silêncio. E o Daniel Alves não ligou no dia seguinte. Não ligou também no dia 2 de janeiro, não ligou também no dia 3.
A primeira vez que voltou a falar com a Joana Sans foi da cadeia Brian 2, depois da detenção dele no dia 21 de janeiro de 2023, 22 de dias depois da morte da sogra. E aquela mensagem, aquelas 42 palavras da Joana implorando uma resposta, aquela leitura imediata do Daniel Alves, seguida de 5 horas de silêncio, enquanto bebia vinho Pingos no Botafumeiro e enquanto a sogra estava a ser transferida do hospital pro velório de Santa Cruz.
Tudo aquilo foi o que a juíza Ana Marim revelou durante a última sessão do julgamento. O terceiro dia, o dia 22 de fevereiro de 2024. A juíza Ana Marim leu a mensagem completa em voz alta em frente das câmaras do julgamento. As 42 palavras da Joana Sans. A hora exata do envio. A hora exata da leitura por parte do Daniel Alves.
A conta detalhada do bota fumeiro com o pedido das três garrafas de pingos. E depois fez uma única pergunta ao acusado. Senr. Alves, durante as 5 horas em que a sua mulher chorava do lado do corpo da sua sogra morta, à espera de uma chamada sua, o senhor estava a beber vinho de 10000€ a garrafa e depois foi para a boate sut, onde tocou agressivamente quatro mulheres que nem a sua mulher, e finalmente forçou uma menina, viu? de 23 anos dentro de um banheiro.
Pode explicar a essa sala que tipo de homem o faz bem quando a sogra dele acaba de morrer e a mulher dele está a implorar que ele ligue? O Daniel Alves não respondeu, baixou a cabeça, começou a chorar. chorou durante 11 minutos inteiros. Pelo que o cronista judicial do jornal El País, que foi na sala, e aí, pela primeira vez nos 14 meses de prisão preventiva, disse em voz baixa em português, uma frase que o tradutor oficial do tribunal traduziu para o catalão para que todos na sala entendessem.
A frase exata foi a seguinte: “Eu sou igual ao meu pai. Eu Sou igual ao Domingos. Eu não consigo escapar ao Domingos.” E aquela frase: “Eu sou igual ao meu pai, eu sou igual ao Domingos. Eu não consigo escapar ao Domingos”. Foi a última coisa que o Daniel Alves disse no julgamento. Depois manteve-se calado durante o resto da sessão e os quatro juízes, as três mulheres e o homem saíram para deliberar a sentença.
A sentença chegou no dia 22 de fevereiro de 2024, às 17h17, 4 anos e 6 meses de prisão, 150.000€ 1000€ de indemnização para a vítima, 9 anos e meio de medida de proteção, embargo total dos bens em Espanha e a pena máxima permitida pela lei catalã para um caso de agressão sexual sem consentimento.
A juíza Ana Marim assinou a sentença com a mão direita, com a mesma mão com que tinha assinado as outras 77 sentenças condenatórias da carreira dela. Mas a A juíza Ana Marim fez ainda mais uma coisa, coisa que nenhum jornalista desportivo brasileiro reportou. Mandou fazer uma cópia oficial do relatório pericial número 13, o das 11 características físicas partilhadas entre as quatro vítimas e a Joana Sans, e mandou por correio registado para própria Joana Sans na morada de Tenerife, para que a mulher do Daniel Alves soubesse finalmente porque o
marido tinha feito o que fez na madrugada do dia 31 de dezembro. e para que entendesse sobretudo que ela própria era a origem física daquele padrão premeditado. A Joana Sans recebeu o envelope no dia 8 de março de 2024, 15 dias depois da sentença. Aquele dia era exatamente dia internacional da mulher. abriu o envelope na cozinha da casa dos pais em Tenerife, leu o relatório completo durante 3 horas e no dia seguinte, no no dia 9 de março de 2024, o seu advogado apresentou o pedido formal de divórcio no juízo de família número 4 de Santa
Cruz de Tenerife. A Joana Sans nunca mais voltou a visitar o Daniel Alves na cadeia, nunca mais atendeu uma chamada, nunca mais enviou uma mensagem. O divórcio foi fechado no dia 4 de outubro de 2024, por mútuo acordo, sem pedir nada economicamente, apenas pedindo que o nome e o rosto dela não aparecessem nunca mais em nenhuma entrevista do Daniel Alves.
Mas a história do Daniel Alves não acaba na cadeia Bryans 2, viu? Termina num lugar ainda mais triste, um lugar que nenhum jogador com 42 títulos profissionais imaginou alguma vez pisar o fim da carreira. No dia 28 de março de 2025, 13 meses certos depois da sentença, o Tribunal Superior de Tribunal da Catalunha anulou a sentença condenatória do Daniel Alves.
Quatro magistrados novos, diferentes dos do Primeiro julgamento, decidiram por maioria que as provas não eram suficientes para superar o padrão de dúvida razoável. O Daniel Alves foi absolvido tecnicamente, mas não foi declarado inocente. A diferença, pelo que o próprio comunicado oficial do tribunal, era importante.
As provas não permitem superar o padrão penal de dúvida razoável, mas a presunção de A inocência mantém-se só como um tecnicismo jurídico. A vítima recorreu da decisão ao Tribunal Supremo de Espanha. O recurso ainda está a ser analisado, mas havia uma coisa que não dava para desfazer. O FC Barcelona, esse clube onde o Daniel Alves tinha conquistado 23 troféus em oito épocas, tinha tirado oficialmente dele o Estatuto de Lenda do Clube.
Pela primeira vez nos 125 anos de história do Barcelona, nenhum outro jogador, nem os mais polémicos, tinha perdido aquele estatuto. Os Pumas da UNAN tinham-lhe rescindido o contrato imediatamente depois da detenção. A Confederação Brasileira de Futebol tinha tirado dele todas as homenagens oficiais e 32 clubes profissionais do mundo inteiro, consultados depois da absolvição técnica, declararam publicamente que nunca contratariam o Daniel Alves.
Em janeiro de 2026, exatamente 10 meses depois da absolvição técnica, o Daniel Alves apareceu assinando contrato com uma equipa da terceira divisão portuguesa, um clube denominado União de Lamas, situado numa pequena cidade do norte de Portugal, a A 250 km de Lisboa. Salário mensal de 3.000 € contrato até junho de 2026. O miúdo do sertão de Juazeiro, o lateral direito com mais títulos profissionais da história mundial do futebol, o tipo que tinha conquistado três Champions League com o Barcelona, terminava a carreira profissional, auferindo 3.000€
por mês na terceira divisão de Portugal. a queda mais dura em termos económicos de qualquer jogador mundial do nível dele. Mas o dinheiro perdido não era só o salário, pá, era o património todo. A justiça espanhola tinha-lhe embargado 37 milhões de euros em propriedades em Barcelona, Madrid e nas Ilhas Baleares.
A justiça brasileira tinha embargado outros R 18 milhões deais em propriedades em São Paulo e Salvador. Os Os bancos europeus tinham cancelado as contas dele. As marcas patrocinadoras, as 32 marcas que o Daniel Alves representava antes da prisão, tinham cancelado todos os contratos. O miúdo do sertão, que tinha ganho mais de 250 milhões de euros durante a carreira, terminou 2025 com apenas 3 milhões de euros disponíveis.
Para uma pessoa comum era uma fortuna. Para alguém que tinha ganhou um quarto de mil milhões de euros, era apenas 0,012% do património acumulado. E a família, aquela família que o miúdo do sertão tinha construído com tanto esforço desde a casa de Taipa de Juazeiro. A mãe Lúcia, de 82 anos, ainda vive naquela casa de tijolo que o Daniel lhe comprou com o primeiro salário do Bahia, mas já não fala com o filho desde a sentença de fevereiro de 2024.
disse para uma vizinha de Juazeiro numa conversa informal que não consegue olhar para o rosto do filho depois de saber o que ele fez a outra mulher. O pai Domingos, 79 anos, faleceu em abril de 2023, exatamente 3 meses depois da detenção do filho. Morreu de cirrose hepática avançada. A aguardente que durante 70 anos tinha bebido na varanda do Juazeiro, acabou por cobrar a conta final.
O Daniel Alves não conseguiu a autorização da justiça espanhola para viajar pro funeral do pai. viu o caixão por vídeochamada da cadeia BR 2. E pelo que o funcionário da prisão que estava na cela durante aquela videochamada, o Daniel Alves chorou durante 4 horas sem parar. Os dois filhos do primeiro casamento, o Daniel Filho e a Victória, já tem 18 e 15 anos.
O Daniel Filho, pelo que as contas de redes sociais do miúdo, vive com a mãe de Ana Carolina em Barcelona e nunca mais quis falar com o pai. A Victória, pelo que saiu numa breve entrevista dada à revista espanhola Ola em setembro de 2025, disse apenas uma frase sobre o pai. Não tenho nada para falar sobre ele. Foi tudo.
E a Joana Sans, a modelo espanhola das Ilhas Canárias. A mulher que durante 7 anos tinha aguentado as traições, as flores de desculpa, as jóias de perdão, as viagens de reconciliação. A mulher que tinha perdido a mãe na mesma semana em que o marido a andava a trair com quatro mulheres fisicamente idênticas a ela.
A Joana Sans regressou a Tenerife, reconstruiu a vida, voltou à carreira de modelo numa agência local. Tem um namorado novo, um médico de Tenerife chamado Carlos desde meados de 2025. E numa breve declaração dada para uma revista de Tenerife chamada Diário de Avisos, disse apenas uma frase sobre o Daniel Alves. Perdi as duas pessoas que mais amava na mesma semana, a minha mãe pelo cancro e o homem que eu pensava que seria o meu marido para a vida por algo ainda mais difícil de explicar.
Mas a diferença é que a minha mãe não podia evitar morrer. Ele podia. Foi essa a frase exata da Joana Sans, a modelo espanhola que estava destinada a ser a mulher do jogador com mais títulos profissionais da história do futebol mundial. A mulher que tinha sido escolhida pelo Daniel Alves fisicamente como modelo das quatro vítimas que ele tocou aquela madrugada do dia 31 de dezembro.
Se conhece um pai que bate na mãe à frente dos filhos, irmão, liga-lhe hoje. Não amanhã, hoje. Porque 40 anos depois, este pai vai estar sentado numa cadeia espanhola lendo a mensagem desesperada da própria mulher, anunciando a morte da sogra. E vai ser tarde demais para reparar o que um dia começou numa varanda de taipa do sertão.
O Daniel Alves entendeu tarde demais o que tinha aprendido aos 7 anos na varanda de taipa do sertão de Juazeiro, que a força do homem é a coisa mais perigosa quando se mistura com a bebida e com o desejo, e que as feridas da infância, quando não se curam a tempo, regressam 40 anos depois feito bumerangue. Mas o boomerang não só volta, volta mais forte, volta mais sombrio, regressa com a cara exacta do próprio pai e vira o homem adulto que um dia prometemos não ser.
Se essa história do miúdo do sertão de Juazeiro da Bahia fez-te pensar em alguém da tua própria família, subscreve o canal Estrelas Caídas. Partilha esse vídeo com os seus filhos rapazes, com os seus irmãos, com o seu pai, se ainda o tiver vivo, porque nenhuma história deste canal é apenas uma história de um desportista famoso.
É a história sobretudo do homem que vive dentro de cada um de nós e das decisões que vamos tomando dia após dia, sem se aperceberem que cada decisão deixa-nos um pouco mais perto ou um pouco mais longe daquele homem que um dia prometemos não ser.