É porque outros trariam flores. Você não vê que não tem qualquer direito de entrar aqui para reivindicar coisa? Hoje verá a história deste famoso ator da Globo que fez sucesso e muito dinheiro nos anos 70 e 80, mas gastou toda a sua fortuna, perdeu tudo e morreu pobre e esquecido no retiro dos artistas. Cláudio Luiz Murgel Corrêa e Castro, mais conhecido por Cláudio Correa e Castro, nasceu a 27 de fevereiro de 1928, no Rio de Janeiro.
Mas antes de brilhar nos palcos e nos ecrãs TV e do cinema, percorreu outro caminho artístico, guiado pelo traço e pela tinta. Isto porque, embora poucos saibam, na sua juventude, Cláudio mergulhou no universo das artes plásticas. Ele frequentou a tradicional Escola Nacional de Belas Artes, onde teve aulas com mestres como Cândido Portinari.
Fiz Belas Artes, estudei 5 anos, formei-me e um dia lá também por acaso, sem eu pedir, o meu pai, se eu não queria fazer um estágio na Europa, claro, não é, que eu que eu fui. Na década seguinte mudou-se para Paris, onde se especializou-se nos estudos de gravura. Na Europa, desenvolveu uma sensibilidade mais apurada que carregaria por toda a vida.
mesmo após mudar o seu foco da pintura para a interpretação. De volta ao Brasil, o artista carioca começou a destacar-se como pintor. Inclusive, em 1955, imortalizou o seu talento ao ilustrar com Águas Fortes, uma técnica delicada de gravura feita com metal, o livro Três Contos de Lima Barreto, publicado pela prestigiada Sociedade dos 100 Bibliófilos do Brasil, da qual faziam parte nomes como Roberto Marinho e Walter Moreira Sales.
Cláudio Corrêa e Castro era também formado em direção pela Fundação Brasileira de Teatro. Assim, a sua estreia nos palcos deu-se em 1954 no grupo amador O Tablado, onde se destacou-se pela sua presença e interpretações assertivas. Tinha uma noiva e perdi a noiva. Aí a minha prima Calma Mortin disse: “Vai lá ao estrado, tem um teste para teatro.
E como de médico, ator e louco, todos temos um pouco. Eu fui fazer o teste. Depois, a convite de um professor entrou para a empresa CTCA, onde atuou em espetáculos e como assistente de direção até 1957. Já nos anos seguintes, o artista multifacetado participou em montagens pelo Teatro do Sete e pelo Teatro da Praça, onde foi premiado pela Associação Brasileira de Críticos Teatrais em 1958, pelo seu papel em Os fuzis da senhora Carhar de Bertold Brecht.
Já em 1963, Cláudio participou na fundação e foi convidado para ser o primeiro diretor do Teatro de Comédia do Paraná, que estava ligado ao Teatro Guaíra em Curitiba. Na companhia, Cláudio chegou a dirigir mais de 20 espetáculos e também foi o responsável por levar o casal de atores Paulo Gular e Nissete Bruno à capital do Paraná, para também fazer parte da primeira equipa, atuando e lecionando sobre artes performativas.
O ator considerava este período como a etapa mais importante da sua carreira. Em 1962, Cláudio Correa e Castro atuou no filme Cinco vezes favela e no premiado curta-metragem Couro de Gato, realizada por Joaquim Ferreira dos Santos. A obra é tido como um dos filmes mais importantes do cinema brasileiro.
Na mesma década teve um papel marcante no teatro. interpretando Galileu Galilei numa peça homónima e produzido pelo Teatro Oficina. Eu Cheguei a São Paulo em 68 para fazer novelas ainda na falecida Exels, certo? E um dia assim apanharam-me, eu acabei por fazer o teatro aqui, não é? Que foi o Galileu na TV. Sem dúvida que a A carreira do ator foi uma das mais longevas e respeitadas da teledramaturgia brasileira.
A sua estreia aconteceu em 1968 na telenovela A Muralha, exibida pela TV Exelsior, onde interpretou o bandeirante Manuel Nunes Viana. A trama baseada no romance histórico de Diná Silveira de Queiroz explorava os conflitos entre colonizadores e indígenas no Brasil do século X7. A atuação de Cláudio deu o mote à rigidez e da bravura de uma personagem que ajudou a construir a identidade nacional.
Em 1970, o ator brilhou na Rede Tupi na emocionante adaptação de O meu pé de laranja Lima, dando vida ao inesquecível Manuel Valadares, o Portuga, o personagem que era um homem solitário e sensível que desenvolve uma profunda amizade com o menino Zezé, tornou-se um marco na carreira de Cláudio. Com uma performance tocante, ele imprimiu ao Portuga ternura quase poética numa atuação que atravessou gerações, sendo recordada até hoje pela sua carga emocional.
Tr anos depois, em 1973, voltou a ser destaque noutra novela de grande sucesso, Mulheres de Areia. Na primeira versão do enredo, Cláudio interpretou Virgílio Assunção, um sujeito controlador e autoritário, também pai de Marcos. Pelo contrário, é sinal que o seu filho está a começar a recuperar o juiz. Onde é que vai? Eu tenho de ajudar.
Não se meta, Clarita, não se meta. Na história, ele não aceita o namoro do filho com a Caiçara, como ele pejorativamente chamava-se Rachel. O papel ganhou nuances mais humanas graças às sugestões do ator e a forma como contracenou com Eva Vilma, que interpretava as duas irmãs, mostrou a sua enorme capacidade de adaptação.
Após muitos anos na Rede Tupi, Cláudio Correa e Castro tornou-se uma presença constante nas telenovelas da TV Globo. A sua estreia na emissora carioca foi em Dancing Days de 1978, onde viveu Franklin Prado Cardoso, um advogado de sucesso e elegante que transitava entre o glamur das discotecas e as intrigas familiares. Tem de ser demasiado masso para me calar.
Você não vê o papel ridículo que está a fazendo. Não vê que quem criou a A Marisa foi ela? Não vê que não não tem nenhum direito de entrar aqui para reivindicar coisa? Entra onde que eu quiser. Olha que foi ela. Mas com certeza um dos seus personagens mais populares foi o simpático e cómico Gustavo Penaforte, o Gugu em A gata comeu.
Eu prefiro o chá de ervas que fazem lá. O seu médico mandou, hã? Mandou como? Tetê, explica-me. Mandou como? Ele veio ontem de avião aqui, aterrou aqui ou telefonou para ele? Olá, Dr. Maa, como é? Tudo bom? Assim, água de coco para o Gugu. Coitadinho. Vou dar água de coco ao Gugu. Nesta década o ator também trabalhou em obras como Cabocla.
Deixa, deixa. O noivo não vai fugir, não. Vai, Miciando, vai, vai, Funda. Sim, a menina, hula hoop e anos dourados. Eu fiz para te proteger, proteger-te, proteger a A nossa casa, a família. Defender a família. Já em 1988 marcou presença na icónica novela Vale Tudo, onde Cláudio viveu Bartolomeu Meirelles, pai do protagonista Ivan.
Com o dinheiro que vou receber como reformado, acha que eu vou conseguir pôr comida na mesa até ao fim do beijo? Esta gorjeta que dão, esta e esta esta esmola que dão serve no máximo para alguém que conseguiu, teve a sorte de formar um património, juntar alguma coisa. Eu não consegui juntar nada. Meu Deus do céu.
No início dos anos 90, Cláudio continuou mostrando-se uma presença recorrente na televisão. Trabalhou em diversas enredos como Rainha da Sucata, A Viagem, Pátria Minha, História de Amor e O Rei do Gado, onde viveu o imigrante italiano Tony Vendáquio. Já nos anos 2000, o ator ainda chegou a interpretar algumas figuras marcantes nas telenovelas, como o Agiota Normando Castor, usado por Joaquim, interpretado por Carlos Vereza, para pressionar Petrúchio a pagar as suas dívidas n’O Cravo e a Rosa.
Sem dúvidas em Chocolate com Pimenta, as gerações mais novas divertiram a beessa com o O conde Claus Fburgo, um aristocrata falido e caricatural que arrancava risos com a sua pompa decadente, com o ator mostrando que ainda tinha uma veia cómica refinada, apesar do tempo e da idade. Pois, gostou? Ah, que simpático. É porque outros trariam flores.
Mas eu pensei, e as flores murcham e por isso eu trouxe a salsicha que vais vai aproveitar muito melhor. E por falar em humor, fez também participações no programa humorístico Zorra Total, no quadro da Pensão da Santinha, onde interpretava o ingénuo Anacleto. Em toda a a sua carreira, o ator participou em mais de 50 telenovelas, Um dos Recordistas no Brasil, para além de miniséries, filmes e participações especiais.
E na vida pessoal, ainda viveu uma longa união com Miriam Ais, de quem teve dois filhos, Gabriel e João Pedro. Ele já tinha um herdeiro Guilherme, do seu primeiro casamento com a atrizana Quazinsk. Miriam, embora muito presente na vida do ator, não era uma figura pública, o que colaboraram para que o relacionamento dos dois se mantivesse por muitos anos afastado dos holofotes.
Apesar disso, a relação teve um peso significativo na a sua trajetória, tanto nos tempos de estabilidade como especialmente nos momentos de crise. Conforme relatado pela imprensa da época, a separação entre Cláudio e Miriam marcou o início de uma fase dramática e delicada para o ator. O casamento tinha durado décadas. Assim, o rompimento deixou-o emocionalmente abalado.
Além disso, ele ficou sem recursos e praticamente com nada após o divórcio, uma vez que a divisão dos bens não lhe foi nem um pouco favorável. Isto iniciou um período de sérias dificuldades financeiras na vida do ator, que durante tantos anos sustentou uma carreira sólida na televisão brasileira e fez muito dinheiro, mas não o soube gerir.
O término da relação afetiva com Miriam, que acusou o ex-marido de ter comportamentos agressivos, coincidiu com o declínio das suas aparições na TV e a escassez de papéis relevantes. sem rendimento fixa e já idoso, sem qualquer rendimento extra ou investimento e ainda com a saúde começando a apresentar sinais mais graves de fragilidade, Cláudio enfrentou um período de grande vulnerabilidade.
Segundo relatos, o ator geriu mal os seus recursos, investindo num apartamento na rua Barão da Torre, no bairro de Copacabana, que se desvalorizou. Ele também assinou vários contratos sem ler, confiando nas pessoas que o enganaram. O ator assumiu em entrevistas que o principal responsável pelos seus problemas financeiros era ele próprio, uma vez que foi um péssimo administrador.
Ele revelou: “Não me preocupei-me em fazer uma reserva e comprava tudo sem pensar, de forma descontrolada. não sabia dizer não. Assim, com um custo de vida elevado e sem rendimentos regulares, Cláudio chegou a um ponto de desespero. Também foi apurado a a partir de declarações da sua ex-mulher, Miriam, que chegou a vender o seu coleção de gravuras raras a pagar parte das dívidas e recorreu a prestamistas para tentar equilibrar as suas finanças.
O ator passou então a contrair empréstimos em condições extremas, com juros exorbitantes e prazos impiedosos. No início, a perigosa iniciativa foi uma tentativa de manter as aparências e de preservar uma certa dignidade, mas logo o fardo das dívidas acumulou-se rapidamente, sendo uma prisão angustiante.
As pressões vieram de todos os os lados: ameaças de cobranças, constrangimentos públicos e medo constante de represálias. Um dos trechos mais tocantes das reportagens menciona que chegou a implorar por ajuda, uma situação humilhante para um artista que durante anos encantou o público brasileiro com o seu talento. Por fim, o ator viu-se obrigado a recorrer a um dos últimos refúgios de dignidade para os artistas esquecidos ou no ostracismo.
O retiro dos artistas no Rio de Janeiro, como o local era visto na época. Fundado em 1918, o espaço é conhecido por acolher nomes importantes da cultura nacional que enfrentam dificuldades na velice. E, claro, aqueles que simplesmente procuram por companhia. Foi aí que encontrou algum alívio para o peso da sobrevivência, embora a mudança tenha sido marcada pela tristeza e por um profundo sentimento de abandono.
Afinal, chegar ao retiro foi uma necessidade imposta por uma realidade dura. Já idoso, com a saúde debilitada, o ator teve a humildade de aceitar a ajuda. Lá recebeu apoio médico, abrigo e também a solidariedade dos colegas de profissão que, tal como ele, foram relegados para o esquecimento por parte da indústria. Em entrevistas, o ator demonstrou gratidão por ser acolhido no local, dizendo que precisava de estar num lugar onde não gastasse nada e cuidassem de mim.
O Cláudio tratava uma hérnea discal que quase lhe tirou o movimento das pernas e tinha sérias dificuldades de locomoção. Nos seus últimos anos de vida, Cláudio Correa e Castro enfrentou sérios problemas de saúde. Ele sofria de obesidade excessiva, hipertensão e diabetes, condições que agravaram o seu estado clínico.
Sim, em Abril de 2005, foi submetido a uma cirurgia cardíaca de Ponte de Safena, no Hospital de São Lucas, no Rio de Janeiro, tido como bem-sucedida num primeiro momento. Ele teve alta no dia 6 de maio. No no entanto, voltou a ser internado em unidade intensiva algumas semanas depois, com perda de consciência e agravamento de feridas pós-operatórias provocados pela sua condição diabética.
Posteriormente, foi transferido para o Hospital das Clínicas de Niterói com um quadro de complicações e há permaneceu internado até ao seu falecimento no dia 16 de agosto de 2005, aos 77 anos, em consequência de falência múltipla dos órgãos. Foi sepultado no cemitério São Francisco Xavier, no bairro do Caju, no Rio.
Os seus filhos doaram o seu espólio de guiões e figurinos para a cinemateca brasileira, preservando a memória deste grande artista. O que mais te chocou na história de Cláudio Correa e Castro? Deixe a sua opinião nos comentários. Não esqueça de se inscrever e deixar o seu gostei. Separei um vídeo especial para você. Ele está a aparecer aí no ecrã.
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