O menino Diego, segundo contaria o próprio Maradona na autobiografia, eu sou o Diego, dormia com a bola abraçada ao peito desde os 5 anos. Levantava-se às 6 da manhã para treinar na rua de terra batida de Vila Fiorito antes de ir para a escola. Voltava para casa ao meio-dia, comia um prato de sopa e de tarde, até o sol sobre os telhados de chapa do bairro, quando na única parede de tijolo do quintal das traseiras.
Aos 8 anos completos, o menino Diego Armando Maradona era já uma lenda entre as peladas do sul da região metropolitana de Buenos Aires. No mês de setembro do ano de 1968, num jogo amigável entre miúdos do bairro do Fiorito e do bairro dos Piletones, no campo de terra batida do Clube Estrela Roja da Avenida Presidente Rivadávia de Lomas de Zamora, um homem de 45 anos ficou parado atrás da baliza durante os 90 minutos completos do jogo.
Chamava-se Francisco Cornejo e era o técnico principal das camadas jovens do clube argentinos júiors do bairro La Paternal, da cidade de Buenos Aires. Cornejo ficou a olhar para o menino de 8 anos jogar durante 90 minutos completos. viu os sete golos que o menino marcou naquela tarde, os dribles impossíveis com bola colada ao pé descalço e sobretudo viu uma coisa que ele levava 23 anos como técnico que procura.
Viu a forma como o menino Diego levantava o olhar do chão, exatamente um segundo antes de pontapear o bola. Um segundo, nada mais do que um segundo. E nesse segundo, segundo Cornejo, contaria décadas mais tarde ao jornalista Gonzalo Bonadeu do jornal Clarim de Buenos Aires, no ano de 2002, o menino de Vila Fiorito já sabia exatamente onde a bola ia entrar, como ia ressaltar e por onde ia sair o golo.
Cornejo, nessa mesma tarde subiu ao comboio da linha Sarmiento na estação de Lomas de Zamora. Viajou 2 horas até ao centro de Buenos Aires e na manhã seguinte apareceu à porta da casa da rua Azamor do bairro da Vila Fiorito com uma promessa, uma única promessa que se dona Tota o deixasse levar o menino de 8 anos para os treinos do Argentinos Juniores, ele Francisco Cornejo, se comprometia pessoalmente a que o menino Diego ia estrear-se profissionalmente no clube antes de completar 16 anos.
E aqui ia jogar pelo menos um Mundial com a seleção argentina antes dos 25 anos. A Dona Tota, segundo contaria o próprio Maradona na autobiografia, eu sou o Diogo. Abriu a porta ao cornejo nessa manhã com as mãos molhadas porque estava a lavar a roupa do dia. Escutou o desconhecido durante 20 minutos e depois, sem dizer uma palavra para o marido Xitouro, que trabalhava àquela hora no frigorífico, respondeu ao treinador do Argentinos Juniors uma frase que a longo prazo se ia tornar a primeira decisão importante da vida do
menino Diego Armando Maradona. Palavra por palavra. Segundo a transcrição publicado pelo próprio Maradona no livro Eu sou o Diego, capítulo 3, página 27. Se o meu filho vai jogar o Mundial com a camisola argentina, Senhor Cornejo, vai jogar descalço se for necessário. Mas eu mesma levo-o ao comboio amanhã às 5 da manhã e o Senhor me traz ele de volta a essa porta todas as noites.
Porque eu não criei um ídolo, criei uma criança. Eu não criei um ídolo, criei uma criança. Estas foram as últimas palavras da dona Tota Franco para Francisco Cornej naquela manhã de setembro do ano de 1968. E essa promessa cumpriu-se no detalhe. O menino Diego estreou-se profissionalmente com a camisola do Argentinos Juniors no no dia 19 de outubro do ano de 1976, 11 dias antes de completar 16 anos e jogou o seu primeiro Campeonato do Mundo na Espanha no ano de 1982.
Aos 21 anos acabados de completar, 4 anos depois daquela primeira Taça do Mundo em Espanha, no dia 22 de junho do ano de 1986, no estádio Azteca da Cidade do México, perante 114.580 espectadores oficiais, Diego Armando Maradona ia marcar os dois golos mais famosos de toda a história do futebol mundial. A mão de Deus e o golo do séc.
no mesmo jogo contra a seleção da Inglaterra. 4 anos exatos depois de as As tropas argentinas terem perdido a guerra das Malvinas face às mesmas tropas inglesas no arquipélago do Atlântico Sul. Entre o ano de 1984 e o ano de 1991, Diego Armando Maradona viveu em Nápolis, capital da região italiana da Campania, no sul da República Italiana.
foi o jogador estrela do Clube Sociedade Desportiva Cálcio Napoli, naqueles anos presidido pelo empresário italiano Corrado Ferlino, um homem que tinha fez fortuna no negócio de materiais de construção durante a reconstrução do pós-guerra europeu. Nestes 7 anos exatos, Diego ganhou com o Nápoles dois escudetos, a Taça Itália, a Taça da União Europeia de Futebol Associação, e transformou-se no maior ídolo que Npolis tinha tido desde o actor cómico Totó dos anos 50.
Ganhou 5 milhões de dólares por temporada. Comprou uma mansão de quatro andares no elegante bairro de Posilipo, três automóveis desportivos Ferrari, um Rolls-Royce Phantom cor prata e um IAT branco de 30 m. E sem saber na altura, ganhou também a amizade dos irmãos de Juliano, donos do clã da camorra napolitana, com base no bairro de Forcela da cidade.
A mesma camorra que durante os 7 anos de Diego em Nápolis forneceu de forma sistemática a substância que ia arruinar o resto da vida dele. A cocaína. Em março do ano de 1991, depois de um jogo da liga italiana entre o Napoli e o Bari, o exame antidoping da Federação Italiana de Futebol deu positivo por cocaína na urina de Diego Armando Maradona.
foi suspenso por 15 meses. A sua carreira em Nápolis ficou destruído e no mês de março do ano de 1991, com 30 anos recém-completados, Diego regressou à Argentina com a mulher Cláudia Vilafan, com as duas filhas A Dalma de 3 anos e a Jeanina de 1 ano e meio, com uma fortuna avaliada em 22 milhões de dólares depositados em contas bancárias da Suíça e do Luxemburgo e com um vício de cocaína que nem ele, nem os melhores médicos particulares da Argentina iam poder curar durante os 29 anos. e meios de vida seguintes.
O vício na cocaína, tão público, tão comentado pelos jornalistas do mundo inteiro durante quase 30 anos, não foi a substância que arruinou a carreira profissional de Diego Armando Maradona. Tinha outra substância, uma substância que aparece em apenas duas linhas do relatório oficial da Federação Internacional de Futebol, associação do no dia 29 de junho do ano de 1994.
E essa substância foi a que fez com que o Diego pronunciar a frase que passados 32 anos exatos, continua a circular pelas redes sociais do mundo inteiro como a síntese mais dolorosa de uma carreira destruída. Guarda essa frase na cabeça. A gente vai voltar nela. Cortaram-me as pernas. Entre março do ano de 1991, quando regressou de Itália e o dia 25 de novembro do ano de 2020, quando faleceu na casa do condomínio San Andrés da cidade de Tigre, Diego Armando Maradona viveu 29 anos e 8 meses de decadência física,
emocional e familiar. Casou e se divorciou-se com Cláudia Vilafan, mãe das filhas Dalma e Gianina. reconheceu três filhos mais nascidos fora do casamento. Diego Maradona Sinagra, nascido em Nápolis, do ventre de Cristiana Sinagra. Jana Maradona, nascida na Argentina, do ventre de Valéria Sabalim. Diogo Fernando Maradona Ojeda, nascido do ventre de Verónica Ojeda.
Mas para além disso, e este dado é central para compreender o julgamento penal que está a acontecer nesse momento no Tribunal Oral Criminal número 7 de San Isidro, hoje, no ano 2026, continuam abertas seis ações de filiação paterna apresentadas por seis pessoas diferentes contra o espolho de Diego Armando Maradona.
Três homens, três mulheres, todos nascidos entre o ano de 1986 e o ano de 2008. Todos com documentos médicos, com fotografias com o Diego, com depoimentos de familiares e de ex-companheiras da mãe biológica. E todos, segundo as fontes judiciais de San Isidro, citadas pelo jornal Lana Naciones, na edição de 22 de junho do ano 2026, com amostras de sangue e de saliva de Diego Armando Maradona, guardadas nos arquivos do Corpo Médico Forense da cidade de Buenos Aires, desde a autópsia do 26 de Novembro do ano 2020. Vamos voltar nessas seis
ações de filiação na parte final desse vídeo, porque o que está por trás destas seis amostras de ADN guardadas no corpo médico forense da cidade de Buenos Aires é a peça mais oscura de toda a história patrimonial de Diego Armando Maradona. Guarda este dado na cabeça, seis ações de filiação.
E guarda também estes dois nomes que hoje estão sentados no banco do julgamento cível, Rita Mabel Maradona e Cláudia Norma Maradona. As duas irmãs do 10. Vamos voltar a elas agora. Volta comigo para o ano 2020. Porque no dia 3 de novembro desse ano, Diego Armando Maradona entrou por conta própria na clínica e pensa da cidade de La Plata com uma dor de cabeça que não passava com nada.
E essa entrada ia marcar o início dos 12 dias mais oscuros da vida dele. 4 de novembro do ano 2020. 8 do manhã. Clínica Olivos, Avenida Maipu, número 2350, distrito de Vicente Lopes, zona norte da região metropolitana de Buenos Aires. O neurocirurgião Leopoldo Luke, de 39 anos, médico pessoal de Diego Armando Maradona, desde o ano de 2017, dirigiu uma operação de urgência para extrair um hematoma subdural crónico do hemisfério direito do cérebro do ex-jogador.
A cirurgia durou 1 hora 40 minutos exatos. saiu, segundo os boletins médicos oficiais publicados pela própria clínica Olivos na tarde do mesmo dia, sem complicações, Diego passou os oito dias seguintes internado na clínica em observação. No dia 11 de novembro do ano 2020, a psiquiatra Agostina Kachov, de 35 anos, médica psiquiátrica de Diego desde o ano de 2019, solicitou formalmente ao acordo Suís Medical de Diego, empresa que cobria todas as despesas médicas do ex-jogador há 3 anos.
A internamento domiciliário de Diego Armando Maradona numa casa alugada pela equipa médica no condomínio San Andrés da cidade de Tigre. Uma casa de dois andares, com jardim, com piscina, sem equipamento médico específico, sem ambulância parada à porta, sem médico clínico de serviço 24 horas. A pedido de Kachov, segundo revelou há apenas quatro semanas o auditor de campo do acordo SUS Medical, Walter Espes, no depoimento testemunhal perante o Tribunal Oral Criminal número 7 de San Isidro, no dia 4 de junho do ano 2026,
tinha muitas especificações técnicas e por isso Spash consultou o chefe direto. E o chefe direto do auditor de campo da Suís Medical, segundo o próprio Speci, declarou sob juramento perante os três juízes, Alberto Gig, Alberto Ortolani e Pablo Rolon, respondeu-lhe uma frase que a procuradoria do Dr.
Patrício Ferrari considera hoje a prova central da processo. Palavra a Palavra, segundo a transcrição oficial da audiência publicada integralmente pelo portal Infoby da República Argentina no mesmo dia 4 de junho do ano 2026. É o Maradona. O que pedirem e estiver indicado, ele vai receber. Toca em frente. Descobre quando vai ser a alta e para onde vão levá-lo. Toca em frente.
Essas foram as cinco palavras que o chefe, directamente do auditor de campo do acordo Swiss Medical falou por telefone ao Walter Spech. Quando Spash consultou se a empresa devia autorizar o internamento domiciliário de Diego na casa alugada do condomínio San Andrés em vez de um clínica psiquiátrica preparada. Toca em frente. Cinco palavras.
O mesmo acordo que semanas antes do Ematoma tinha assinou com Diego Armando Maradona um contrato de publicidade exclusivo por 3 milhões de dólares por ano, com a imagem do 10 no logótipo institucional da Suís Medical da cidade de Buenos Aires. Cinco palavras que hoje, no ano 2026, estão prestes a mandar para a cadeia sete pessoas pelo homicídio com dolo eventual do jogador de futebol mais famoso da história do desporto mundial.
Mas estas cinco palavras do auditor Spest não são as cinco palavras mais oscuras do processo Maradona. As cinco palavras mais oscuras do processo Maradona saíram há apenas 48 horas da boca de uma enfermeira de 42 anos sentada à frente dos três juízes do Tribunal Oral Criminal número 7 de San Isidro. Sala principal do Tribunal Oro Criminal número 7 de San Isidro, rua Itzingó, número 340, distrito de San Isidro, zona norte da província de Buenos Aires.
A testemunha convocada para a primeira declaração da jornada, segundo a lista enviada ao tribunal na tarde anterior pelo procurador Patrício Ferrari, era a enfermeira Cíntia Córdoba, de 42 anos, mãe de dois filhos, licenciada em enfermagem pela Universidade Nacional do Nordeste, da província do Chaco, ex-funcionária da empresa Medidon, prestadora direta do serviço de Enfermagem domiciliária contratada pela Suiss Medical para atender Diego Armando Maradona no condomínio San Andrés de Tigre. Mas Cyntia Córdoba não era uma
testemunha qualquer. Cíntia Córdoba, segundo revelou o procurador Ferrari no início da audiência, era a ex-parceira do arguido Mariano Perroni, coordenador de enfermeiros da empresa Medidon, mãe dos dois filhos varões do próprio Perrone e a pessoa com quem o imputado tinha convivido durante 7 anos consecutivos, até pouco depois da morte de Diego Armando Maradona, no dia 25 de novembro do ano 2020.
O próprio Perron tinha reconhecido sob juramento três semanas antes de a causa penal pela A morte de Maradona tinha motivado a separação definitiva do casal e tinha gerado, segundo as próprias palavras dele, quebras profundas na sua família. O juiz presidente do tribunal, Alberto Geig, tomou uma decisão invulgar no início do interrogatório.
Rejeitou pro advogado de Perron todas as questões que pudessem incomodar Cíntia Córdoba sobre a relação pessoal com o arguido. Palavra a Palavra, segundo a crónica publicado nessa mesma tarde pelo portal Infobyai da República Argentina, não queremos quebrar mais o vínculo familiar. E com esta proteção judicial em cima, Cíntia Córdoba sentou-se à frente dos três juízes e declarou durante 2:40 exatos sobre os últimos dias de vida de Diego Armando Maradona, sobre o que ela viu com os seus próprios olhos entre o dia 17 e o 23 de novembro do ano 2020, quando
cumpriu quatro turnos de 12 horas cada um no quarto de 3×4 m, onde Diego passou os últimos dias de vida. Verbatim de Cinntia Córdoba. Transcrição oficial do portal Infobyai. Palavra a palavra. O no dia 23 de novembro foi o meu último plantão. Ele não quis comer nada. Falou que não tinha fome.
Fiz um chá para ele. Ficava a controlar para ver se tomava este chá, tomava alguma coisa. Ele estava negado. Ficou o dia inteiro no quarto, recebeu a visita do Dieguito e da Verónica Oug. Disse-lhe para sair, mas ele não quis. Estava largado na cama. Estava largado na cama. Mas isso, estas palavras que Cyntia Córdoba pronunciou-se perante os três juízes do tribunal, não foram as palavras mais graves da declaração.
As palavras mais graves saíram da boca da enfermeira quando o promotor Ferrari perguntou a ela sobre o que tinha acontecido duas semanas antes da morte de Diego. Uma noite de serviço, às 3 da madrugada, Diego tinha entrado num surto psiquiátrico agudo dentro do quarto de 3×4 m. Cíntia, por protocolo profissional, ligou para o psiquiatra tratante Agustina Kosachov para pedir instruções médicas urgentes.
Kachov atendeu o telefone na casa particular dela e respondeu à enfermeira Cinntia Córdoba uma frase de cinco palavras que a procuradoria do Dr. Patrício Ferrari considera hoje a prova central contra a psiquiatra imputada. Palavra por palavra, segundo a transcrição oficial da audiência do dia 30 de junho do ano 2026, publicada pelo portal Infobey.
Para isso, liga-me. Para isso, você liga-me. Cinco palavras. A psiquiatra tratante do ex-campeão do mundo 1986 às 3 da madrugada, enquanto o doente estava em pleno surto psiquiátrico dentro de um quarto de 3 por 4 m de um condomínio do norte da região metropolitana de Buenos Aires, respondeu por telefone para a enfermeira de serviço estas cinco palavras e desligou a chamada.
Ctia Córdoba revelou ao tribunal, além disso, três coisas mais, que duas semanas antes da morte de Diego tinha anotado um edema nas pernas do ex-jogador, tinha avisado os médicos coordenadores da equipa e nenhum tinha respondido. E por causa daquela noite das 3 da madrugada, a coordenação médica da equipa tratante tinha ordenado aos enfermeiros por escrito, palavra por palavra, segundo a transcrição oficial da audiência, não se contactar mais com os médicos tratantes de Maradona sob ameaça de serem desligados da empresa e que quando ela soube da morte de
Diego no dia 25 de novembro do ano 2020, não foi através dos canais oficiais da empresa Medidon, nem pelos meios de comunicação argentinos. Foi por uma chamada telefónica do próprio Mariano Perroni, que lhe pediu naquela mesma tarde que o acompanhasse até ao condomínio San Andrés, porque segundo as palavras exatas da enfermeira transcritas pelo portal Infobyai, a Nancy Forlini não conseguia falar com ninguém da casa.
A Nense Forlini não conseguia falar com ninguém da casa. A médica coordenadora da equipa da Suiss Medical, hoje imputada pelo homicídio com dolgo Armando Maradona, não conseguia comunicar com ninguém do condomínio San Andrês no momento exato em que o ídolo do futebol mundial estava morrendo por uma insuficiência cardíaca agravada por um edema agudo do pulmão.
Esta iminente sentença do Tribunal Ora Criminal número 7 de San Isidro, contra a médica Forlini, contra a psiquiatra Kosachov, contra o neurocirurgião Luke, contra o coordenador de enfermeiros Perrone, contra o psicólogo Dias, contra o clínico de Spagna e contra o enfermeiro Almiron, não é o pior que aconteceu com Diego Armando Maradona na vida.
O pior aconteceu 26 anos antes num continente diferente, num país que Diego nunca tinha pisado até àquela Copa do Mundo. E a substância que administraram para ele nessa tarde no balneário do equipa argentina, no hotel da cidade de Boston, é a substância que ele próprio descreveu com a frase mais dolorosa que um jogador de futebol vencedor pronunciou-se na história do desporto mundial.
A substância que mudou a vida de Diego Armando Maradona nesse Mundial do Mundo do ano de 1994 foi uma pastilha de venda livre, diferente da cocaína que tinha arruinado a etapa italiana dele em Nápolis. Uma pastilha do tipo das que hoje são vendidas sem receita médica em qualquer farmácia da cidade do México, de Buenos Aires, de São Paulo ou de Los Angeles.
Uma pastilha chamada Efedrina, um descongestionante nasal que naqueles anos era também utilizado como componente auxiliar em fórmulas de aminoácidos que os desportistas profissionais tomavam para acelerar a recuperação muscular depois dos treinos intensos. E para entender por Diego Armando Maradona terminou a tomar Efedrina no vestiário da equipa argentina às 7:30 da manhã do nos dias 20 e 1 de junho do ano de 1994 tem de voltar 8ito dias antes.
Há um momento em que a comitiva argentina chegou ao aeroporto internacional de Logan, da cidade de Boston, estado de Massachusetts, Estados Unidos da América, 13 de junho do ano de 1994, 11h40 da manhã, um voo fretado da A Aerolíneas Argentinas trouxe os 22 jogadores do plantel titular da seleção argentina, o selecionador Alfio Coco Basili, o presidente da Associação do Futebol Argentino Rúlio Humberto Grondona, e o corpo médico composto pelo Dr.
Ernesto Gald e pelo fisioterapeuta Fernando Signorini. A delegação instalou-se no hotel do campus universitário da Escola de Negócios Babson College, na cidade de Wellesley, 23 km a oeste de Boston. Um campus universitário privado, com jardins cuidados, com campos de futebol de relva natural, com uma piscina climatizada e com um pequeno problema logístico que nenhum dos 22 jogadores do elenco titular imaginou que ia arruinar a vida do 10.
A bagagem médica da delegação argentina, segundo revelou anos depois o próprio fisioterapeuta Fernando Signorini no documentário Amar a Maradona, realizado por Javier Vasquez e estreado pelo canal Encuentro da República Argentina, no ano de 2005 tinha ficado no Aeroporto Internacional de Ezeisa durante a manhã do embarque. Todos os suplementos importados que Diego Armando Maradona tomava na Argentina, incluindo os aminoácidos personalizados pelo nutricionista Nestor Lentini, ficaram em Buenos Aires.
E no momento em que Diego Armando Maradona se levantou-se na manhã do dia 14 de junho do ano de 1994, o jogador mais famoso do planeta pediu para o preparador físico pessoal dele, Daniel Serrini, que se deslocasse à farmácia do centro comercial Netic Mall, a 12 km do campus universitário, e comprasse um frasco de aminoácidos que substituísse os suplementos personalizados que tinham ficado em Buenos Aires.
Serrini foi, comprou um frasco, voltou para o hotel do Babson College. E este frasco comprado nessa manhã do dia 14 de Junho do ano de 1994 numa farmácia comercial do estado de Massachusetts continha na fórmula uma substância auxiliar que a Federação Internacional de Futebol Associação tinha proibido desde o ano de 1988.
Efedrina, 21 de Junho do ano de 1994. Estádio Foxboro da cidade de Foxbor, estado de Massachusetts. Jogo de estreia do grupo Dopa Mundial da Federação Internacional de Futebol Associação Argentina contra a seleção da Grécia. Perante 54.456 espectadores oficiais, Diego Armando Maradona jogou os 90 minutos completos com a camisola número 10 da seleção argentina.
E no jogo, depois de uma série de tabelas com o uruguaio naturalizado argentino Fernando Redondo e com o avançado Cláudio Poucigia, Diego rematou à baliza de fora da área com a perna esquerda e cravou a bola no ângulo direito superior do guarda-redes grego António Min. Argentina 4, Grécia 0. Diego Armando Maradona correu com os olhos arregalados na direção da câmara de televisão da Federação Internacional de Futebol, associação posicionada no setor B do estádio de Foxboro, e gritou para câmara com a veia do pescoço inchada, com o olhar fixo na lente durante 8
segundos completos. Esse festejo foi transmitido em direto para 248 países. E nessa mesma noite do dia 21 de junho do ano de 1994, a Administração de Controlo de Drogas dos Estados Unidos, conhecida pela sigla em inglês como DEA, enviou uma comunicação oficial pro comité disciplinar da Federação Internacional de Futebol Associação, que nesses anos era presidido pelo brasileiro João Avelange.
A comunicação da Deia, segundo contaria 30 anos depois, o jornalista argentino Ezequiel Fernandes Mores no jornal Lion de Buenos Aires, na edição do dia 29 de junho do ano de 2023, continha uma única sugestão que a Federação Internacional de Futebol Associação realizasse um controlo antidoping específico e surpresa no jogador número 10 da seleção argentina no próximo jogo do elenco, 25 de junho do ano de 1994.
Quatro dias exatos depois do festejo diante da câmara do estádio Foxboro. A A Argentina jogava a qualificação para as oitavos de final do Mundial contra a seleção da Nigéria, treinada pelo holandês Clemens Westerhoff e considerada pela própria Federação Internacional de Futebol Associação como uma das quatro grandes revelações do torneio.
O jogo decorreu novamente no estádio Foxboro da cidade de Foxbor. A Argentina venceu por 2-1 com dois golos do avançado Cláudio Paul Caní. Diego jogou os 90 minutos completos com a camisola número 10. E no final do jogo, quando o árbitro senegalês Idrisou Bolifalo aptitou o final da partida, uma mulher de 33 anos com o cabelo curto, vestida com o uniforme oficial azul-marinho da Federação Internacional de Futebol Associação, caminhou até à porta do vestiário argentino, esperou que Diego saísse, pegou no mão direita dele e falou em inglês para
ele acompanhá-la. Essa mulher se chamava-se Suelen Carpenter. E essa mão direita que Suelen Carpenter apanhou de Diego Armando Maradona no dia 25 de Junho do ano de 1994 às 9:58 da noite do estádio de Foxboro e marcar o final da carreira do jogador mais famoso do planeta. Suelen Carpenter era doutorada em medicina desportiva, formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de Colúmbia da cidade de Nova Iorque no ano de 1986, com especialização em toxicologia clínica feita na Escola de Saúde Pública Jones Hopkins da cidade de Baltimore no
ano de 1988. trabalhava desde o ano de 1992 como chefe da área de controlos antidoping paraa Copa do Mundo de Futebol dos Estados Unidos, contratou diretamente pela Federação Internacional de Futebol Associação no mês de setembro do ano de 1993. Era casada com um argentino, engenheiro civil da Universidade Nacional de Rosário, que trabalhava na cidade de Boston, e tinha dois filhos pequenos que estudavam na escola pública Wellesley Elementary School do Subúrbio, onde estava concentrada a delegação argentina. Suelen Carpenter levou Diego
Armando Maradona para a sala de controlo antidoping localizada por baixo das bancadas do setor poente do estádio Foxbor. Explicou-lhe num espanhol que falava com sotaque norte-americano bem marcado, que precisava de dar duas amostras de urina em dois frascos idênticos selados. O frasco A ficaria no laboratório oficial da Federação Internacional de Futebol Associação em Boston.
O frasco B seria guardado em câmara frigorífica do próprio estádio Foxboro como contraprova para uma eventual recurso da Associação do Futebol Argentino. Diego cumpriu o procedimento. Urinou nos dois frascos perante Su Allen Carpenter e o delegado antidoping da delegação argentina, o Dr. Ernesto Uald assinou os formulários com a caneta azul que Carpenter entregou-lhe e voltou pro balneário do plantel argentino às 10:47 da noite do dia 25 de junho do ano de 1994, sem suspeitar que aquele frasco a que tinha acabado de assinar ia ser a carta que o ia expulsar do futebol
para sempre. No dia 29 de junho do ano de 1994, quatro dias exatos depois do controlo antidoping no estádio de Foxboro, o comité disciplinar da Federação Internacional de Futebol Associação, presidido pelo suíço Joseph Seplatter, em representação do presidente João Ravelange, comunicou oficialmente à Associação do Futebol Argentino que o frasco A da amostra de urina de Diego Armando Maradona tinha dado positivo por presidas pelo regulamento.
antidoping da Federação Internacional de Futebol Associação. A comunicação oficial usava uma expressão específica que ia ficar gravada na história do desporto mundial. A expressão era cocktail de drogas. Cocktail de drogas. Duas palavras que a Federação Internacional de Futebol Associação imprimiu nessa mesma tarde do dia 29 de de junho do ano de 1994 no comunicado oficial distribuído para as agências de notícias do mundo inteiro.
E estas duas palavras eram uma mentira, uma mentira flagrante. Porque o frasco a do controlo antidoping do dia 25 de Junho, segundo ia descobrir três dias depois, um cardiologista argentino de 37 anos enviado pelo próprio Júlio Humberto Grondona a Los Angeles para fazer a contraprova, não continha um cocktail de drogas, continha uma substância e os metabolitos naturais dela do organismo humano.
Efedrina, nada mais. E esta descoberta do cardiologista argentino num laboratório de Los Angeles ia ser o momento exato em que o presidente da Associação do Futebol Argentino, Júlio Humberto Grondona, ia tomar a decisão mais traidora da história do desporto. Argentino. O cardiologista argentino que Grondona escolheu para viajar até Los Angeles se chamava-se Roberto Peidró.
Tinha 37 anos completados. Era chefe do serviço de cardiologia do Centro Nacional de Alto Rendimento Desportivo da Argentina desde o ano de 1990. Tinha-se formado na Faculdade de Medicina da Universidade Nacional de La Plata, no ano de 1982. Tinha feito a residência em cardiologia no Hospital Italiano de Buenos Aires entre o ano de 1983 e o ano de 1987 e tinha uma especialização específica em toxicologia desportiva.
feita na Universidade de Colónia da Alemanha durante o ano de 1991. Pedro era considerado, segundo o jornalista argentino Ezequiel Fernandez Murs, no jornal Lion de Buenos Aires, o médico desportivo mais qualificado de toda a América do Sul, para desmontar o relatório positivo da Federação Internacional de Futebol Associação contra Diego Armando Maradona.
Peidró chegou ao aeroporto internacional de Los Angeles no dia 1 de julho do ano de 1994 às 8h35 da manhã em voo direto da American Airlines. Foi procurado pelo cônsul argentino em Los Angeles, o embaixador Marcelo Sima, num carro oficial preto do consulado e foi levado directamente para o hotel Beverly Wilshire de Beverly Hills, onde tinha reserva paga pela associação do futebol argentino para três noites completas.
Peidró passou nesse mesmo dia 1o de julho estudando o dossier técnico do controlo antidoping do dia 25 de junho e memorizando o protocolo oficial do duplo cego da Federação Internacional de Futebol Associação. E na manhã do dia 2 de Julho do ano de 1994, apanhou um táxi à porta do Hotel Beverly Wilsher e apareceu à porta do laboratório Reiner com a ordem escrita da Federação Internacional de Futebol, associação assinada pelo próprio Joseph Seplatter.
2 de julho do ano de 1994, 10 da manhã, Laboratório Heiner de análises toxicológicas, Avenida Willshire Boulevard, número 7822, bairro Beverly Hills, da cidade de Los Angeles, estado da Califórnia. O O cardiologista argentino Roberto Peidró, de 37 anos, chefe do serviço de cardiologia do Centro de Alto Rendimento Desportivo da Cidade de Buenos Aires, especialista em medicina desportiva pela Universidade Nacional de La Plata e enviado diretamente pelo presidente da Associação do Futebol Argentino, Júlio Humberto Grondona, num voo comercial da
companhia American Airlines desde o aeroporto internacional Logan de Boston. Apareceu à porta do laboratório Heiner. com a ordem de receber em pessoa frasco B do controlo antidoping do dia 25 de junho e de acompanhar pessoalmente a análise toxicológica da contraprova. O técnico bioquímico do laboratório Reyer, um homem de 45 anos chamado Michael O’Brian, tirou da câmara frigorífica número tr do laboratório o frasco belacrado com a assinatura original do Doutor Ernesto Uald da delegação Argentina e entregou ao cardiologista Peidró para
verificação prévia. E nesse momento, segundo contaria anos mais tarde, o próprio Peidró, na entrevista concedida ao programa Perros de Lacalha da rádio Metro 95.1 da cidade de Buenos Aires, transmitida no dia 10 de junho do ano de 2016, aconteceu uma coisa que gelou o sangue do peidró, palavra por palavra, segundo a transcrição publicada nessa mesma tarde pelo portal Infoby da República Argentina.
Eu levei o frasco B com a mão direita, virei-o para ver o selo e em cima do selo oficial, colada com fita transparente tinha uma etiqueta escrita à mão com lápis preto. A etiqueta dizia uma palavra, a palavra era a efedrina. Aquele frasco não podia ter nenhuma etiqueta colada, era a contraprova. Estava em câmara frigorífica selada.
Somente a análise de laboratório podia determinar que substância continha. Essa etiqueta era uma violação flagrante do procedimento de duplo cego do controlo antidoping da Federação Internacional de Futebol Associação. E com esta etiqueta colada, a contraprova do frasco B ficava inválida, nula. E, portanto, o positivo do frasco a também ficava anulado.
Eu entendi naquele momento em que tínhamos o Diogo salvado. Eu entendi naquele momento que nós tinha o Diego salvo. Essas foram as palavras do cardiologista Roberto Peidró ao programa Perros de Lacali da Rádio Metro de Buenos Aires, no mês de junho do ano 2016. Pew nessa mesma tarde do dia 2 de Julho do ano de 1994 tirou uma fotografia polaroide da etiqueta escrita à mão com lápis preto colada no frasco B.
assinou a ata de irregularidade processual com o técnico Michael O’Brian do laboratório Heiner subiu para um táxi em direção ao aeroporto internacional de Los Angeles e ligou pelo telefone desde o aeroporto pro presidente da Associação do Futebol Argentino, Júlio Humberto Grondona, que nesse momento estava no hotel da delegação argentina no Bebson College da cidade de Wellesley, aguardando a comunicação do cardiologista desde Los Angeles.
O Feidr contou ao Grondona por telefone, palavra a palavra, o que tinha encontrado no laboratório. Heiner explicou-lhe que a contraprova estava viciada de nulidade, que a Federação Internacional de Futebol Associação tinha quebrado o procedimento oficial do duplo cego, que a Associação do Futebol Argentino tinha elementos jurídicos concretos para apresentar uma recurso formal para o Tribunal de Arbitragem Desportiva com sede na cidade suíça de Lausani e que Diego Armando Maradona, segundo os próprios regulamentos da federação, tinha de ser
reintegrado imediatamente à seleção argentina pro jogo Jogo dos oitavos de final contra a seleção da Roménia, previsto pro dia 3 de julho do ano de 1994, no estádio Rose Bow, da cidade de Pasadena, estado da Califórnia. Júlio Humberto Grondona, do outro lado do telefone ouviu o cardiologista Pew durante 8 minutos completos e respondeu para ele: “Segundo o próprio Pew, contaria décadas depois, na mesma entrevista ao programa Perros de Lacali da Rádio Metro de Buenos Aires, no ano 2016, uma única frase, palavra por
palavra”. Doutor, a Associação do Futebol Argentino decidiu não recorrer dessa falha técnica. Diego está fora do torneio. Regresse a Buenos Aires com o próximo voo. Tínhamos perdido. Tínhamos perdido. Estas foram as últimas palavras do cardiologista Roberto Peidró no final da entrevista concedida ao programa Perros de Lacali da Rádio Metro 95.
1 da cidade de Buenos Aires do ano 2016. O presidente da Associação do Futebol Argentino, Júlio Humberto Grondona, nesse dia 2 de julho do ano de 1994, tomou a decisão de não apresentar a recurso formal para o Tribunal de Arbitragem Desportiva de Lausan, a decisão que ia mandar de volta paraa Argentina o jogador de futebol mais famoso do planeta.
E essa decisão de Grondona, que hoje ninguém do grande público mundial conhece pelo verdadeiro peso histórico, é a razão pela qual Diego Armando Maradona pronunciou nessa mesma tarde, com os olhos vermelhos, com o queixo a tremer, com a camisola número 10 pendurada numa cadeira de plástico do balneário do estádio Rose Ball da cidade de Pasadena.
A frase que passados 32 anos exatos continua a circular pelas redes sociais do mundo inteiro como a síntese mais dolorosa de uma carreira destruída pela traição dos próprios compatriotas. Verbatim de Diego Armando Maradona na conferência de imprensa oficial da Associação do Futebol Argentino, realizada na tarde do dia 2 de julho do ano de 1994 no salão principal do Hotel Rose Bow da cidade de Pasadena, estado da Califórnia.
Transmissão ao vivo do canal ATC do governo argentino. Retransmissão mundial da cadeia norte-americana ESPN. Palavra a palavra, segundo a transcrição publicada no dia seguinte pelo jornal Clarim de Buenos Aires, na edição do dia 3 de julho do ano de 1994. Não quero dramatizar, mas acreditem que cortaram-me as pernas. Acho que me tiraram do futebol definitivamente.
Tenho os braços caídos, tenho a alma destroçada. Quero que fique claro para todos os argentinos que não corri pela droga, corri pela camisa. Corri pela camisa. Essa foi a última frase pública que Diego Armando Maradona pronunciou-se como jogador titular de uma Taça do Mundo da Federação Internacional de Futebol Associação.
No dia seguinte, 3 de julho do ano de 1994, a seleção argentina jogou os oitavos de final contra a seleção da Roménia no estádio Rose Bow da cidade de Pasadena. San Diego Armando Maradona em campo, o equipa dirigida por Alfio Coco Basili perdeu por 3-2 e foi eliminado da Taça Mundial nos oitavos de final. E o Diego Armando Maradona, com 33 anos recém- completados, com a carreira destruída pela traição do presidente da Associação do Futebol Argentino, Júlio Humberto Grondona, com o frasco B do controlo antidoping violado num laboratório de
Beverly Hills, com a fotografia Polaroide do cardiologista Paydraw. Guardada numa pasta de couro que ia viajar para Buenos Aires e que depois nunca mais ia ser vista, apanhou o avião de volta paraa Argentina 24 horas depois, sentado no lugar 3A do primeira classe do voo direto a R 1140 da aerolíneas argentinas, com os olhos encerrados durante as 11:40 exatos que dura o voo entre o aeroporto internacional de Los Angeles e o aeroporto internacional de Ezeisa da cidade de Buenos Aires.
Mas a traição do presidente da Associação do Futebol Argentino 4 no hotel do Babson College da cidade de Wellesley e a morte solitária de Diego Armando Maradona no no dia 25 de novembro do ano 2020 no quarto de 3×4 m do condomínio San Andrês da cidade de Tigre não são as duas coisas mais escuras que aconteceram com Diego na vida.
Há uma terceira coisa, uma coisa que começou três semanas depois do funeral de Diego no cemitério do Jardim Bela Vista, do distrito de San Isidro, província de Buenos Aires. Uma coisa que aconteceu no seio da própria família do 10 e que há apenas ve semanas, em Abril do ano de 2026, terminou com a decisão de julgamento oral das duas irmãs biológicas de Diego Armando Maradona, Rita Mabel Maradona e Cláudia Norma Maradona, acusadas formalmente pela justiça argentina de defraudar os cinco filhos legítimos do ídolo e de terem roubado deles de forma sistemática
durante 5 anos consecutivos 246 marcas comerciais que levam o apelido Maradona, registadas em escritórios de propriedade industrial de mais de 30 países do mundo. Entre aquela tarde do no dia 2 de julho do ano de 1994, quando o presidente da Associação do Futebol Argentino, Júlio Humberto Grondona, decidiu não recorrer do positivo do controlo antidoping do estádio Foxboro.
E o dia 25 de novembro do ano 2020, quando Diego Armando Maradona faleceu no quarto de 3×4 m do condomínio San Andrés, passaram 26 anos exatos, 26 anos de decadência física acelerada, 26 anos de operações ao estômago, de reabilitações mal sucedidas na cidade cubana de Havana durante os anos 2000, de enfartes sucessivos, de brigas judiciais com Cláudia Vilafan pela divisão dos bens conjugais e de novos filhos.
filhos reconhecidos e por reconhecer. O Diego chegou ao ano 2020, segundo os relatórios médicos oficiais publicados pela própria clínica e pensa da cidade de La Plata, com 108 kg de peso corporal, com uma insuficiência renal moderada, com uma insuficiência cardíaca ligeira, com uma insuficiência hepática por consumo crónico de álcool e de medicamentos psiquiátricos, com edemas periféricos nas duas pernas por retenção de líquidos e com episódios de crises psiquiátricas agudas.
a cada duas ou três semanas que exigiam a intervenção direta da psiquiatra Agostina Kachov, com injecções intramusculares de sedativos na própria casa arrendada do condomínio San Andrés, Tigre. No dia 25 de novembro, destruiu 5 anos depois o promotor Patrício Ferrari, na exposição de abertura do segundo julgamento penal do dia 14 de abril do ano de 2026, Diego Armando Maradona sofreu uma paragem cardiorrespiratória dentro do quarto de A 3 por4 m do condomínio San Andrés.
Estava sozinho, sem médico presente, sem enfermeiro de serviço, sem ambulância parada à porta. E o auxiliar de enfermagem, Ricardo Almiron, hoje imputado, encontrou o corpo do antigo campeão do mundo do ano de 1986, de barriga para cima, em cima da cama de casal do quarto, com a barriga inchada pelo edema agudo do pulmão, com um cogumelo de espuma a sair pela boca, com as pernas cobertas de retenção de líquidos até aos joelhos e com o olhar fixo no teto do quarto.
O enterro foi feito no dia 26 de novembro do ano 2020 no cemitério do Jardim Bela Vista. de S. Isidro, a 12 km do Tribunal Oral Criminal número 7, onde hoje, 6 anos depois, sete pessoas estão prestes a ser condenadas pelo homicídio deste. No mesmo cemitério, onde já descansavam os pais do 10, desde o ano 2011 e o ano 2015, tem uma lápide de mármore preto com o nome completo do ídolo.
Mas esta lápide, segundo revelou o jornal La Nação do dia 22 de junho do ano de 2026, não fechou completamente, porque três dias depois do enterro, o corpo médico forense da cidade de Buenos Aires tomou uma decisão que ninguém do grande público conheceu. Guardou seis amostras físicas de sangue, saliva e tecido do corpo de Diego Armando Maradona na Câmara Frigorífica número 14.
Seis amostras. E esta decisão do médico forense é hoje a razão pela qual as duas irmãs biológicas de Diego estão hoje no banco do julgamento oral. E é também a razão pela qual seis pessoas hoje, no ano 2026 esperam uma sentença judicial que lhes diga se são ou não são filhos biológicos do homem que a A Argentina chamou-lhe Eldies.
28 de abril do ano de 2026, 10h15 da manhã, sede do Tribunal Nacional em matéria criminal. e correcional. Número 43, Avenida Comodoro Pip, número 2200, bairro do Retiro, Cidade Autónoma de Buenos Aires, República Argentina. A juíza titular, Maria Rita Costa assinou uma resolução judicial de 87 páginas, que ia mudar para sempre a história patrimonial da família Maradona.
A resolução ordenava a decisão de julgamento oral público contra seis pessoas específicas pelo ilícito de fraude por administração fraudulenta. Os seis acusados. Um, Matias Morla, advogado pessoal de Diego Armando Maradona, desde o ano de 2011, procurador exclusivo das contas comerciais do ídolo, desde o ano de 2012 e responsável por gerir o fluxo de dinheiro das marcas registadas Maradona em mais de 30 países do mundo.
Dois e três, Rita Mabel Maradona e Cláudia Norma Maradona. As duas irmãs biológicas menores de Diego Armando Maradona, ambas nascidas na casa de Vila Fiorito, ambas dentro do grupo original das quatro irmãs que a dona Tota Franco pariu antes de nascer o homem. Quatro. Maximiliano Pomargo, cunhado de Matias Morla e sócio da empresa Sativica Sociedade Anónima. C.
Sérgio Garmendia, assistente pessoal de Diego e executor de operações internacionais das marcas. Seis. Sandra Verónica Ianampolski. Tabelian pública oficial da cidade autónoma de Buenos Aires, que assinou, segundo a resolução da juíza Costa, os documentos de sessão fraudulenta das ações societárias entre o ano de 2012 e o ano de 2022.
O objeto do fraude, segundo estabelece a resolução judicial de 87 páginas da juíza Maria Rita Acosta, é a sociedade anónima denominada Sativica Sociedade Anónima, com domicílio comercial declarado na rua Peron, número 1735 da cidade autónoma de Buenos Aires. E o património da Sativica, Sociedade Anónima, segundo foi estabelecido durante o processo de instrução do processo, é uma só coisa, 240 e seis marcas comerciais registadas oficialmente com o apelido Maradona em escritórios de propriedade industrial de mais de 30 países do
mundo, 246. A palavra Maradona. A palavra é o S. A imagem fotográfica do festejo do segundo golo contra a seleção da Inglaterra no Estádio Azteca de 22 de junho do ano de 1986. A assinatura manuscrita de Diego, a silhueta corporal com a camisola número 10 e outras 241 imagens derivadas do rosto, do corpo, do apelido e das jogadas mais famosas do jogador de futebol mais famoso da história do desporto mundial.
A acusação central da resolução da juíza Costa cabe numa única linha, palavra a palavra, segundo a transcrição publicada nessa mesma tarde do dia 28 de abril do ano de 2026 pelo jornal La Naciones, os imputados montaram e sustentaram manobras destinadas a deixar de fora do usufruto do nome do pai deles e das marcas comerciais derivaram os cinco filhos legítimos de Diego Armando Maradona.
E aqui chega o pormenor específico, a palavra que Matias Morla usou perante a própria juíza Costa durante a inquirição do dia 23 de março do ano 2026 para explicar porque é que a sociedade A Sativica, sociedade anónima, estava no nome das duas irmãs biológicas de Diego, palavra a palavra, segundo a transcrição oficial da inquirição publicado pelo portal Infobyai da República Argentina no dia 24 de março do ano 2026, a constituição da sociedade obedecia a contornar indagações do fisco italiano, assim como também a subtrair as filhas deste do gozo eventual da
herança paterna. subtrair-lhe as filhas do gozo eventual da herança paterna. Estas foram as palavras do ex-advogado de Diego Armando Maradona perante a juíza Maria Rita Costa no dia 23 de março do ano de 2026. subtrair-lhe as filhas, ou seja, tirar a Dalmanereia Maradona e a Dinoradianina Maradona o direito legal de herdar as 246 marcas comerciais registadas com o apelido do próprio pai.
Mas as 246 marcas comerciais do apelido Maradona não são o único bem patrimonial que hoje se encontra em jogo na sucessão testamentária do 10. Tem uma segunda batalha legal, muito menos visível nos meios de comunicação argentinos, que neste momento está a se desenvolvendo-se em seis varas cíveis diferentes da província de Buenos Aires e da cidade de La Plata.
E essa segunda batalha é a razão pela qual o médico forense da República Argentina decidiu guardar seis amostras físicas de Diego Armando Maradona na Câmara Frigorífica número 14 do subsolo do Corpo Médico Forense da cidade de Buenos. Aires três dias depois do enterro. Seis amostras para seis pretendidos filhos biológicos do ídolo que até hoje não foram reconhecidos legalmente pela justiça argentina.
O primeiro chama-se Santiago Lara. Nasceu na cidade de La Plata no no dia 14 de fevereiro do ano de 1997. É filho biológico de uma modelo argentina de nome Natália Garate. Mulher que ficou doente de cancro do pulmão aos 23 anos completados e que faleceu no ano 2000. quando o menino Santiago tinha apenas 3 anos. E na agonia do cancro, segundo o próprio Santiago Lara contaria ao programa no Sótros Alamanhana do canal 13 de Buenos Aires no ano de 2016, Natália Garate confessou ao marido Marcelo Lara uma única frase antes de morrer, palavra por palavra: “O
menino é do Diego”. O menino é do Diego. Estas foram as últimas palavras da modelo Natália Garate na cama do Hospital Privado Instituto Fleming, da cidade de La Plata, no ano 2000. E desde então, Santiago Lara apresentou três ações judiciais sucessivas por reconhecimento da filiação paterna na vara de família número 7 da cidade de La Plata.
A primeira no ano de 2016, a segunda no ano de 2018 e a terceira apenas duas semanas depois da morte de Diego, no dia 11 de dezembro do ano 2020, com um pedido formal de esumação do corpo do ídolo, que foi rejeitado pela juíza titular do juízo de família, porque o O próprio corpo médico forense já tinha guardado as seis amostras físicas na Câmara Frigorífica número 14.
A segunda pretendida filha chama-se Magali Gil. Nasceu na cidade de Buenos Aires no ano de 1995. Foi dada em adoção pela mãe biológica dela 48 horas após o parto. E no ano 2018, com 23 anos completados, Magaligil reencontrou-se com a mãe biológica dela numa entrevista organizada pela Comissão Nacional pelo Direito à Identidade, órgão do Estado argentino, criado pela Lei 23511.
E esta mãe biológica, segundo Magaligil, contaria um ano depois ao programa H Story e Very da Rede Italiana Raiuno, no mês de julho do ano de 2019, confessou para ela uma única coisa, que tinha tido um breve romance com Diego Armando Maradona no mês de Maio do ano de 1995, dois meses depois de Diego ter regressado de Nápolis e que tinha engravidado desse romance sem que Diego soubesse.
A terceira pretendida filha, a quarta, a quinta e a sexta vivem todos hoje na República de Cuba. Os três primeiros se chamam a Joana, a Lu e o Javielito. Os três nascidos na cidade de Havana, entre o ano de 2002 e o ano de 2005, durante os anos em que Diego Armando Maradona esteve internado na clínica do Dr.
Alfredo Espinoza Brito, do bairroia da capital. dos filhos biológicos do ídolo foi confirmada publicamente pelo próprio Matias Morla, antigo advogado pessoal do 10, numa entrevista concedida ao programa Intrusos do canal América 2 de Buenos Aires no mês de novembro do ano de 2019. Palavra a palavra.
Diego reconheceu -los em pessoa no ano de 2016 no velório do comandante Fidel Castro na Praça da Revolução de Havana. Ele aproximou-se deles, abraçou-os e falou para eles que ia fazer os trâmites de filiação oficial na justiça argentina logo que regressasse de Cuba. Nunca mais voltou a falar do assunto. Nunca mais voltou a falar do assunto.
E hoje, 10 anos depois daquela viagem do ano 2016 a Havana, pro velório do comandante Fidel Castro, os três pretendidos filhos cubanos de Diego Armando Maradona continuam esperando em Cuba a resolução judicial que lhes diga se são ou não são biologicamente filhos do jogador de futebol que a própria mãe deles ensinou a reconhecer pela televisão quando eram crianças de três, 4 e 6 anos.
E é aqui que tudo converge, porque nesse momento, no ano 2026, tem três lugares físicos diferentes, separados por milhares de quilómetros de oceano, onde uma pessoa relacionada com Diego Armando Maradona está à espera de uma resposta que a justiça argentina não conseguiu dar em 5 anos e 7 meses desde a morte do ídolo.
O primeiro lugar está no distrito de San Isidro, província de Buenos Aires. É o Tribunal Ora Criminal número 7. Aí, hoje, nesse mesmo momento em que se está a ver este vídeo, a enfermeira Cíntia Córdoba, a ex-companheira do imputado Mariano Perroni, mãe dos dois filhos rapazes do coordenador de enfermeiros da Medidon, caminha pelos corredores do edifício judicial, aguardando a sentença do tribunal contra as sete pessoas acusadas do homicídio com dolo eventual de Diego.
e na mala de mão dela leva, segundo a própria, revelou ao fantástico programa do canal Globo do Brasil, na entrevista publicada no dia 29 de junho do ano 2026, uma fotografia dos seus dois filhos rapazes. Os dois filhos do sexo masculino, cujo pai biológico, o ex-coordenador de enfermeiros, Mariano Perroni, pode passar os próximos 25 anos da vida trancado numa cadeia do sistema penitenciário da província de Buenos Aires.
O segundo lugar está na casa familiar da modelo Verônica Ogeda, no condomínio Abril do distrito de Berazateg, província de Buenos Aires. Aí vive todos os dias o mais novo dos cinco filhos legítimos de Diego Armando Maradona, Diego Fernando Maradona Ugeda. 13 anos completados no passado dia 28 de fevereiro do ano de 2026.
Aluno do sétimo ano da escola primária do próprio condomínio Abril. E há 5 anos e 7 meses, segundo contou a própria Verónica Ougeda no julgamento cível sucessório do ano 2023, filho único de uma mãe solteira de 43 anos completados, que ainda acorda às 3 da madrugada de quase todas as noites com o mesmo pesadelo.
O das cinco palavras que Cinntia Córdoba escutou a psiquiatra Agostina Kachov dizer por telefone no dia 11 de novembro do ano 2020. Para isso me liga. O terceiro lugar é na cidade de Havana, capital de Cuba, no Mar das Caraíbas. Aí mora ainda hoje, no ano 2026, uma mulher de 73 anos concluído que no ano 2002 tinha recebido na maternidade do Hospital Ramon Gonzales Coro, do concelho Praia, a primeira das três netas.
Chama-se Joana, tem hoje 24 anos completados. Reside na rua Vento do concelho trabalha como recepcionista bilingue no hotel Meliá Corriba da rua Paseu. E todos os meses de junho, quando se aproxima o aniversário do Diego Armando Maradona, caminha até à Praça da Revolução de Havana, senta-se no degrau do monumento ao comandante Fidel Castro e espera 20 minutos exatos caso voo direto R1140 da Aerolíneas Argentinas.
Finalmente trazê-la de volta paraa Argentina pro exame de ADN que a justiça da província de Buenos Aires ainda não decidiu autorizar. Diego Armando Maradona foi o menino descalso de Vila Fiorito. Foi o miúdo de 16 anos que se estreou no clube argentinos Juniors do bairro de La Paternal. Foi o campeão do mundo do ano de 1986.
foi o homem que fez para a seleção da Inglaterra o golo da mão de Deus e o golo do séc. Foi o dono moral da cidade de Nápolis durante 7 anos, vencedor da bola de ouro de melhor jogador da Taça do Mundo do 86. e foi sobretudo o homem que teve a carreira arruinada pelo próprio presidente da Associação do Futebol Argentino com uma traição por telefone numa tarde de Julho do ano de 94 num hotel da cidade de Wellesley.
E hoje, 26 anos depois daquela traição, a carreira destruída do 10 continua a mover dinheiro. 246 marcas comerciais registadas em mais de 30 países do mundo. 50 a 100 milhões de dólares estimados no capital próprio da sucessão. Seis amostras físicas guardadas numa câmara frigorífica do subsolo do corpo médico forense da cidade de Buenos Aires.
seis, que são seis vidas humanas, ainda sem o nome paterno reconhecido, e cinco filhos legítimos, que hoje lutam em três tribunais diferentes para recuperar o que as próprias tias biológicas tiraram deles, enquanto o pai do 10, o senhor Diego Maradona pai, dormia enterrado no cemitério do Jardim Bela Vista, do distrito de San Isidro.
E talvez se, do outro lado do ecrã, tem na tua própria família uma situação semelhante. Um pai que se foi embora sem assinar o papel da herança, uma irmã que ficou com o que não era dela, um filho escondido que apareceu depois do velório, uma mãe que aguentou demasiado em silêncio enquanto o homem forte da casa destruía-se lentamente, dia após dia, ano após ano.
E nenhum dos irmãos, nenhum dos amigos, nenhum dos médicos particulares pagos pela empresa de acordo médico chegou perto para dizer-lhe o que tinha que ser falado, que estava a morrer sozinho. Talvez conheça um homem que foi ídolo da sua cidade, do seu bairro, do equipa de futebol de domingo, que teve tudo e que morreu abandonado num quarto de três por 4 m, porque os que tinham que cuidar dele estavam a rir pelo WhatsApp.
Se esta história te fez pensar no teu próprio pai, no teu próprio irmão mais velho, no homem forte da tua casa que já não está ou que já não fala mais, liga-lhe essa noite antes de dormir. Porque a vida do menino descalço de Vila Fiorito ensina uma só coisa. O silêncio dos homens fortes, como Diego Armando Maradona no quarto do condomínio San Andrês, não é curado por nenhuma sentença do Tribunal Oral Criminal número 7 de San Isidro.
não é curado por nenhuma resolução da juíza Maria Rita Costa, do tribunal número 43. Não é curado por nenhum exame de ADN do Corpo Médico forense da cidade de Buenos Aires. Só é curado apenas por uma chamada telefónica de um filho, de um irmão, de um pai. Subscreve o canal do Topo ao abismo se quer que a gente continue a contar as histórias oscuras do futebol mundial que ninguém tem a coragem de contar completas.
Vemo-nos no próximo.