MILIONÁRIO, GAY E MILITANTE? MAZZAROPI MORREU HÁ 45 ANOS, AGORA SEU FILHO EXPÕE TUDO E…

A única possibilidade era trabalhar em atividades braçais. e ajudar no sustento da família. Por isso, o seu caminho até chegar onde chegou não foi nada fácil. Muito pelo contrário, foi árduo e desafiante. Mas quando apareceu o circo na sua vida, Amácio deslumbrou-se com tudo aquilo e viu ali a oportunidade perfeita para iniciar e vivenciar os seus sonhos adormecidos.

Chegou inclusive a falsificar documentos para se ir embora com a Trup, sem correr o risco de os seus pais irem atrás dele e assim ele ser forçado a voltar. Com apenas 14 anos, o rapaz já estava com o pé no mundo. Aos 23, fundou a sua própria companhia de circo, onde montava e desmontava a estrutura indo de cidade a cidade, até que finalmente conseguiu chegar à rádio.

Na década de 40, Hácio conseguiu o seu próprio programa de frente para uma plateia e alcançou o sucesso com o icónico Jeca, precisamente pela total identificação do brasileiro. saído do interior para a capital em procura de melhorias com o personagem. Após se ter dado bem na rádio, ficando conhecido com a personagem que conquistou o público devido à sua essência simples, era chegada a hora de analisar que outras possibilidades estavam à mesa.

Assim, nos anos 50, o cinema surgiu na sua vida. Foram sete filmes produzidos que só aumentaram o mais absoluto sucesso daquilo que já vinha funcionando anos antes. Porém, Amáccio não estava muito contente por ser apenas um funcionário. Assim, teve a mais audaciosa ideia da sua vida. decidiu vender tudo o que conquistou até então para fundar a Pan Filmes, a sua produtora oficial de filmes independentes e algo que um dia pareceu impensável, mas tornou-se realidade e foi a sua melhor aposta.

A Mácio decidiu comprar uma propriedade em Taubaté, onde tudo começou, onde ele mais uma vez recomeçaria as coisas. Seria o produtor, argumentista, realizador e ator principal de a sua produtora, negócio do qual tinha total controlo. Alguns podem ter chamado isto de loucura, mas ele era um verdadeiro visionário.

Tanto que os seus filmes alcançaram números inimagináveis para aquela época, pois algumas destas produções atingiram 3 milhões de espectadores no país onde o número médio de habitantes era de 70 milhões. Quando pensamos nas proporções, é mais ou menos como se um filme nacional atingisse a arrecadação de bilheterias dos filmes de Hollywood, simplesmente algo fora da realidade.

Mas apesar do papel caipira, bobo e sem muita instrução, Asi Mazarope, o homem fora do personagem, era completamente diferente da imagem refletida nas telas. As pessoas se acostumaram com um homem simples e pobre. Boa parte porque se identificavam e porque tinham as mesmas origens. No entanto, Mazarop usava roupas de grife, possuía carros de luxo, fazia viagens caras e se hospedava em hotéis luxuosos para o seu lazer.

Conta-se ainda que sua produtora contava com equipamentos de última geração, que nem certas produtoras estrangeiras tinham na época, ou seja, ele era o total oposto daquilo que interpretava. Mas isso nunca foi hipocrisia de sua parte, nem tampouco algo errado, já que no fim das contas o personagem que faturava muito dinheiro era fruto da ficção.

Mas por sua vez era um dos homens de negócios mais bem-sucedidos e brilhantes em seu ramo, arrecadando para si boa parte dos valores de bilheteria. Sim, em vez de ser refém dos donos de produtoras e outros burocratas, ele mesmo, com seu talento que ia além da comédia, ia negociar, conversar com os donos de cinema e assim passou a exibir suas produções.

Amáccio Mazarope, fora das telas, se tornou um homem de muito sucesso, respeitado e, em linhas gerais, completamente o oposto de seu personagem. Isso também porque era inteligente o suficiente para compreender que o público precisava acreditar no que via. Ele entendia isso melhor do que muitas pessoas. Logo, a fama e fortuna foram devidamente conquistadas.

>> E ele controla todo esse processo no cinema quando ele produz como ator, como diretor, como argumentista, como roteirista e como produtor. E ele cuida, portanto, de tudo, do começo ao fim. mas também por trás do caricato Jeca e do homem bem-sucedido no mundo dos negócios, responsável por arrecadar milhões com seus filmes, havia um lado mais reservado do artista, esse muito menos conhecido, porém muito comentado, já que naquela época um homem de sua idade com tantos negócios e rico não ser casado e nem ter filhos gerou muitos

comentários. Com o tempo, as pessoas passaram a criar várias teorias sobre a vida pessoal dele. Mas a verdade é que, apesar de não ter tido filhos biológicos e nunca ter se casado, Masarope criou cinco jovens rapazes como se fossem seus. Não houve adoção formal devido à burocracia, mas eles não só foram acolhidos pelo artista, como o ajudaram com tudo, como forma de retribuir o carinho que receberam.

São eles Carlos Garcia, galã de vários filmes da Panfilmes, João Batista de Souza, conhecido pelo filme Casinha pequenina, como Joãozinho Pedro Francelino de Souza, outro que chegou a atuar em seus filmes, Periclis Moreira, mais conhecido por ser tratado como seu afiliado, e André Luiz de Toledo, mais tarde conhecido como André Luiz Mazarope.

Cada um deles teve muita importância na vida do artista, sendo companhia e parceria no dia a dia, cada um em um dado momento, chegando de maneiras diferentes até Mazarope, mas encontrando nele um verdadeiro pai e não um simples patrão. Talvez uma das histórias mais icônicas destes jovens foi justo a de André Luiz, que estava no interior de Taubaté quando aconteciam as filmagens de Paraíso das Solteironas.

Toda a cidade sabia que o ator e sua equipe estavam ali gravando. Então, muitos corriam para ver as filmagens de perto. Um dia, um jovem menino decidiu abordar o astro dizendo que queria ser um artista como ele. A princípio, Mazaroppópio ignorou por ouvir muito essa mesma frase e esse tipo de pedido, mas a verdade é que algo daquele contato ficou em ambos.

Tanto que André Luiz continuou a procurando até que os encontros naturalmente se tornaram uma convivência amigável. Já em 1975, Amácil Mazarope adoeceu e assim como seus outros filhos, André Luiz permaneceu ao seu lado. Era um rapaz jovem de 18 anos que poderia ter escolhido fazer qualquer coisa de sua vida, mas decidiu ficar ao lado do astro.

Um homem que por muito tempo pareceu imortal e construiu todo um império usando sua genialidade, mas que naquele momento tinha uma dívida que dinheiro algum poderia pagar. É por isso que ao melhorar como forma de gratidão, Mazarope levou André Luiz para o cinema, mas dessa vez não para qualquer trabalho simples nos bastidores. Não.

André se tornou o filho do Jeca em seus quatro últimos filmes. Mas isso não foi tudo. Nesses últimos anos de vida, Mazarope levou André para se apresentar com ele em seus shows, viajando por boa parte do Brasil. Em 13 de junho de 1981, aos 69 anos, Amáccio Mazarope, gênio da comédia nacional, faleceu em decorrência de um câncer na medula óssea, sem nunca ter se casado ou deixado herdeiros biológicos.

Seu legado poderia ter sido esquecido, mas André Luiz não deixou que que tal acontecesse, uma vez que em 1992 fundou o Museu Mazarope em Taubaté, no mesmo terreno dos estúdios da Pan Filmes, tendo o trabalho árduo de resgatar o acervo do seu mentor, reunindo o legado da lenda. Assim, durante anos, lutou para manter a memória viva do homem que foi seu pai de consideração.

Já que apresentou durante muito tempo o espetáculo Há um Jeca na cidade. Ele foi responsável por manter vivo o legado construído por este grande artista, mostrando existir um laço tão forte que nem sequer o sangue foi necessário para que houvesse admiração, devoção e afeto. Mas a vida privada de Mazarope escondia algo ainda mais delicado, algo que foi mantido oculto do público, pois o ator fazia questão de manter isso distante das câmaras.

Estamos a falar da sua homossexualidade. Este foi mantido em sigilo, não por ele ter vergonha de ser quem era, mas por saber que durante as décadas de 50, 60 e 70, o Brasil foi um país quase completamente católico, conservador e nada aberto aos temas da sexualidade e da pluralidade da identificação sexual dos pessoas.

Ou seja, Mazarop sabia que estaria a colocar em cheque a razão principal de ele ter construído o seu império, o público simples que via em a sua figura muitas vezes o próprio reflexo. E o que torna isto ainda mais claro e evidenciado é o documentário lançado em 2013, Mazarope, de Celso Sabadin. Claro que ao longo do tempo outros documentários e biografias foram feitas retratando a vida e obra do artista,  mas este foi mais além do superficial, pois as pessoas do círculo íntimo, como funcionários, amigos e outros artistas de Mazarope, prestaram o seu depoimento ao

retratar como era a Mácilo, longe das telas.  Os amigos de Mazaropa eram um grupo um pouco reduzido, talvez pela condição dele de ser homossexual. Gostava de rapazes bonitos assim nas filmagens, não é? >> Aparentemente nunca escondeu quem era dessas pessoas. Assim, muitos sabiam tudo o que mantinha em segredo do público.

O astro chegou mesmo a se relacionar afetivamente com atores com os quais trabalhou. A atriz Marley Marley foi objetiva ao olhar para a câmara e afirmar que ele era de facto homossexual, mas foram anos de investigação dedicados por Sabadim apenas a confirmar o que parte do meio artístico. E os amigos mais íntimos já sabiam sobre o ator, mas que foi mantido oculto para a sua reputação seguir intacta, pelo menos até quando a sociedade brasileira estivesse pronta.

No entanto, este segredo cobrou o seu preço, pois muitos que conviveram com Mazarope alegaram que esse peso foi o seu calvário, algo que foi entristecendo-o por nunca poder viver livremente. Ele inclusive levou esse segredo para o túmulo sem nunca admitir aos fãs. E uma das pessoas que ele mais admirava e com quem teve uma sincera amizade foi com a apresentadora Éb Camargo, que sabia tudo e o ajudou a carregar. Aquela cruz.

>> Há quanto tempo não damos este abraço, Mazaroca? >> Faz 10 anos já. Você, você também desaparece. O, >> nada disso. Você >> Não, não, nada disso não. Agora a mulher que tem de procurar o homem, não se procura.  Após a sua morte, em 1981, o destino que cada um dos seus filhos tomou foi bastante diferente.

João Batista de Souza seguiu o seu próprio caminho e rumores alegam que partiu de forma trágica ao ser morto. Alguns boatos dizem mesmo que foi eliminado por causa da herança do artista, mas outros dizem que ele simplesmente desapareceu pelo mundo sem deixar rasto. Perclis Moreira era filho de uma das criadas de Mazarope e foi mesmo criado pela mãe do artista.

Mais tarde tornou-se uma peça valiosa para o ator, trabalhando na produção e distribuição de filmes. Com o falecimento de Mazarope, foi um dos beneficiários da herança. Carlos  Garcia era considerado o braço direito do astro, sendo gerente de produção e também gerindo a quinta, mas acabou por se afastar após o falecimento do artista e faleceu em 2008 aos 68 anos, vítima de um enfarte fulminante em Taubaté.

Já Pedro Francelino de Souza era criança quando foi acolhido pelo Mazarope, que cuidou dele durante quase toda a sua vida. Ele o ajudou a estudar e em troca o Pedro foi um dos homens de confiança, atuando como secretário financeiro. Restaram então as obras e a memória do maior astro da comédia do cinema nacional.

Um homem que construiu tudo de raiz, mas que precisou da gratidão dos filhos de criação para manter acesa a chama do seu legado. Os bens, como as suas propriedades e valores em dinheiro, foram alvo de disputa, mesmo com ele não deixando herdeiros legítimos. >> Ele criou lá uma cidade do cinema em Taubaté e que, infelizmente, tudo isto se acabou com a morte do Mazarov.

Mas além disso, ficou algo tão importante quanto um aglomerado de equipamentos, fotografias, filmagens, guiões e figurinos. como a prova Cabal de todo o o seu trabalho árduo de uma vida, salvo graças a André Luiz, que com a fundação do museu em homenagem a Mazarope, mantém viva a sua memória. Até hoje é o único.

Entre aqueles cinco rapazes acolhidos por uma das maiores figuras da comédia e o cinema vivo. Gostou de recordar de Mazarope? O que mais te surpreendeu? Já comente, subscreva e deixe o seu like. Veja este vídeo que está a aparecer aí no seu ecrã. Te vejo lá.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *