O Crime do Esconde-Esconde – Caso Sarah Boone

O Crime do Esconde-Esconde – Caso Sarah Boone

Um crime muito insólito aconteceu nesta mala aí. Se liga nos detalhes. Esta mulher estava sentada numa sala de interrogatório olhando dois detectives nos olhos e acabou de dizer que o namorado, gritando o seu nome, pedindo para respirar era só o jeito deles. Antes desta conversa terminar, ela ia ouvir uma frase que nunca mais ia esquecer.

 Hoje vamos entrar num caso que aconteceu em 2020 na Florida, nos Estados Unidos, onde uma mulher ligou para a emergência e disse a seguinte frase: “O meu namorado está morto. Eu Coloquei-o numa mala ontem à noite e a gente estava a brincar de esconde esconde. Depois dormi e quando acordei já estava morto. A polícia chegou, ouviu esta história e talvez até tivesse acreditado, mas quando pegaram no telemóvel dessa mulher, o que eles encontraram ali fez o rumo daquela investigação mudar completamente.

 Eu sou Marcos Campos e vamos aos factos. 24 de fevereiro de 2020, meio-dia e pouco, um polícia do condado de Warrand chega a uma casa geminada no condomínio Tewood Park, em Winter Park, uma pequena cidade colada em Orlando, na Flórida. A chamada foi registada como investigação de morte. Quando a agente policial aproxima-se da porta, encontra uma mulher do lado de fora, agitada, a pedir refrigerante e cigarro.

O corpo do seu namorado está no chão da sala e a preocupação dela é um Dr. Pepper, um refrigerante. Guarda essa informação. Yes, we have a puzzle that we started in lá. Weve been doing art take off the wall to make new art up there. Gostar having a good time with one another, but we drinkingle. Pronto.

 Em 30 segundos ela montou o história inteira. Dia bom, vim esconder esconde, mala e dormiu. Só que tem um pormenor que ela deixou de fora. Ela disse uma garrafa. A perícia, no no entanto, encontrou duas garrafas de vinho vazias no lixo da cozinha com dois recibos separados do supermercado Publics, comprados no mesmo dia, uma às 12:17 e outra às 17:39.

Não era uma garrafa, eram duas pelo menos. Até aqui, se tivesse chegado a esta cena, talvez até acreditasse nela. Acontece que estava ali outra pessoa naquela calçada que ia contar uma história bem diferente. Mas antes do ex-marido da Sara dizer o que tem para dizer e é bastante esclarecedor, queria pedir uns segundinhos na sua atenção para um recado de uma parceira querida aqui do canal que me ajudou muito na produção deste episódio.

 Só uns segundinhos, menos de um minuto já estou de volta. Fechou? Estava me arrumando aqui para ir ao ginásio, né? Procurando a as minhas Tech T-shirts de manga comprida. É um tempinho frio aqui, não é? É onde ela está aqui, ó. Roubei, agora é minha. Fui compor aqui o meu look e achei que ficou ótimo para mim. Pois, ficou mesmo bom, né? Então, aproveitando o ensejo, fica aqui a dica, não é, para si, quando vai comprar uma peça da Insider para si, provavelmente vai perder.

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É isso. Estamos juntos. Eu chamo 11:30 every hour. Assim e então finalmente got a hold of her at 12:49. Segundo os registos do telemóvel que a polícia confirmou depois, Brian, o ex-marido, começou a ligar às 11:25, ligou novamente ao meiodia e às 21 e novamente às 12:49. A Sara atendeu às 12:49.

 Eles falaram por 32 segundos. Ela disse que o Jorge estava morto e implorou-lhe para ir até lá. O O Brian ligou de volta às 12h54, perguntando se ela já tinha ligado paraa emergência. Ela ainda não tinha ligado. A Sara só ligou para o serviço de emergência às 12:59, 10 minutos depois de contar para o Brian que o Jorge estava morto.

Eu vi pernas. O ex-marido entrou na casa e a primeira coisa que viu foram as pernas do Jorge no chão da sala, junto de uma mala azul aberta. Ele parou ali e esperou pela polícia. Cinco detenções, todas por violência doméstica dele contra ela. E toda vez Sara pagava fiança no dia seguinte para tirá-lo.

 Quem está a ouvir isso nesse ponto pode pensar: “Esta mulher era vítima. Sofria nas mãos de um tipo violento. E há verdade nisso. Jorge foi preso várias vezes. Estava em liberdade condicional. frequentava aulas obrigatórias de controlo de agressividade. Só que quando Brian foi entrevistado formalmente pela detetive depois disse algo que ninguém esperava.

 Ele disse que a Sara era alcoólico desde que o filho deles nasceu, que não sabia parar num só copo, que se tornava agressiva quando bebia e que, na sua opinião, a Sara era a principal agressora na relação com o Jorge. Para perceber o que aconteceu dentro daquela casa, precisamos de entender quem eram estas duas pessoas e como era a vida delas naquele momento e naquele condomínio.

 Jorge Torres Júnior tinha 42 anos de idade. Ele 1,63 m e pesava 45 kg. 45 kg para um homem adulto. Ele veio da Filadélphia, estava a tentar recomeçar a vida na Florida. Quando ele bebia, tornava-se agressivo, e isso é um facto documentado. Mas quando estava sóbrio, tentava mudar a vida, frequentava as aulas, ia à oficial de condicional e quando regressava a casa, mostrava todos os papéis aos Sara.

 Já a Sara Bun tinha 42 anos, media 1,60 m e pesava 63 kg. mãe de um menino de 9 anos, o Lucas, que vivia principalmente com o pai. Porque, segundo o Brian, o Lucas não gostava de ficar em casa da mãe. A Sara se descrevia como uma aluna exemplar, uma excelente mãe sobre o Jorge. Ela dizia que ele era o projeto dela. Tirou-o da cadeia três vezes, foi a todas as audiências.

 Só que a versão da vizinha era outra. A gerente do condomínio, a Melissa Sexon, disse em depoimento que desde que Sara e Jorge se mudaram, em fevereiro de 2018, o condomínio recebeu entre 20 e 30 queixas sobre os dois: gritaria, música alta, pancadas na porta, brigas. Dois inquilinos pediram para sair do edifício por causa deles.

 Em maio de 2019, a Melissa chamou os dois para conversar e avisou: “Mais uma queixa e vocês são despejados”. Disse Melissa que via os dois bêbados às 9 horas da manhã. O vizinho de parede, o Vincent Batiglia, confirmou isso mesmo. Disse que uma vez saiu para a escola às 9 da manhã e vi os dois cambaleando na calçada.

 Abraão Moreno, o tipo da manutenção do condomínio, conhecia o Jorge desde a adolescência na Filadélphia. Ele disse que Jorge se abria com ele sobre a relação abusiva com a Sara. Mostrava ranhões que dizia que a Sara lhe fazia. Disse que a Sara também aparecia com hematomas, mas que os dele vinham de quando Jorge tentava segurá-la para ela parar de atacar.

Era este o cenário na noite do dia 23 de fevereiro de 2020. Duas pessoas com um histórico de violência cruzada vivendo juntas, bebendo juntas num ciclo que já tinha cinco prisões. E, nessa noite, segundo a Sara, estava tudo bem. Mas tem sempre o más, não é? Domingo, o tempo estava bonito.

 A Sara e o Jorge passaram o dia juntos, limparam a casa, lavaram roupa e por volta das 16 horas eles se sentaram-se na varanda dos fundos com vinho e cigarros. Depois entraram, montaram um puzzle, pintaram quadros e ficaram a ver trailers de filmes no computador portátil. O Jorge dançou com a cadela deles. A Sara tirou fotografias.

 Estava tudo tranquilo, pelo menos era o que parecia, porque às 7:30 da noite, o Jorge ligou para o irmão, o Juan Torres, em Orlando. Colocou em alta voz para falar com as sobrinhas e os sobrinhos. A ligação durou 4 minutos e no final a voz da Sara apareceu ao fundo a gritar segundo Juan. Ela estava hostil, agressiva e berrou uma frase que depois se ia tornar muito relevante.

 Conta-lhe o que tem feito comigo. Você a sufocar-me. O Jorge ficou calmo, disse que ia desligar e desligou. Entre esta ligação e o que aconteceu depois, temos uma lacuna de quase 4 horas. O que sabemos é que em algum momento decidiram brincar de esconde esconde e que o Jorge entrou na mala. A mala azul grande daquelas de viagem tinha descido do armário do quarto uns dias antes para separar algumas roupas para doação.

 O fecho estava partido com um clipe de papel no lugar do puxador e as dimensões que o perícia mediu eram de 71 cm de comprimento, 51 de largura e 22 de profundidade. 71 cm pro corpo de um homem de 1,63, 45 kg. A Sara fechou o fecho e é aqui que entra uma informação que a Sara nunca mencionou e que a polícia só descobriu dias depois, quando entrevistou os vizinhos.

 O apartamento número dois colado ao da Sara e do Jorge, parede partilhada era de dois rapazes, o Vincent Batiglia de 20 anos, e o Brandon Motes, de 19. Vincent disse que por volta das 19 horas ouviu a gritaria de sempre, a Sara e o Jorge a maldizer um ao outro, gritando que se odiavam. Às 10h30 da noite, aproximadamente, os gritos pararam.

 Fez-se silêncio por uns 15 a 30 minutos. ouvir ruídos a chegar do seu apartamento. Not loud, but loud. Not that loud, but I’ll regularly hear like sounds like uh stuff being like slamed against the wall ou algo assim. Ok. Um, tem já ouviu vozes? Have you ever foi determinado? I I’ve never I’ve always kind of like tuned out if I vozes se tiveres ouvido something but you loud.

Aí, às 11:15, o Vincent ouviu um barulho que nunca tinha ouvido antes. Ele descreveu da seguinte forma: como se alguma coisa tivesse saltado escada abaixo entre o corrimão, a parede e os degraus. O caminho todo para baixo, as paredes tremeram. Brandon no outro quarto ouviu a mesma coisa e confirmou isso.

 O primeiro vídeo do telemóvel de Sara foi gravado às 11:12. O barulho que fez tremer as paredes foi às 23:15. 3 minutos de diferença. O que aconteceu naqueles três minutos? Se foi a mala sendo virada, se foi algo pior, ninguém sabe. Mas Vincent disse uma coisa que ficou registada no depoimento. Eu não acredito que aquilo tenha sido brincadeira.

 Era demasiado barulho para ser brincadeira. 23:12. A Sara pega no telemóvel e grava um vídeo. A mala está no chão da sala. De cabeça para baixo, com o Jorge lá dentro. Dá para ouvi-lo a empurrar o tecido de dentro para fora, tentando soltar-se. Ele chama a Sara pelo nome, diz que não consegue respirar e a voz da Sara aparece por cima rindo.

11 minutos depois, às 23h23, ela grava o segundo vídeo. Só que agora a mala está virada para o outro lado, de barriga para cima e mudou de posição na sala. Mais para a esquerda. O vídeo tem a duração de 22 segundos. O Jorge continua a gritar o nome dela. Isto não é reconstituição, isto é a gravação real que a própria Sara Buoney fez com o telemóvel dela na noite em que o Jorge Torres morreu dentro daquela mala.

E repara na frase que ela disse: “É assim que me sinto quando me sufoca”. Lembram-se do que a Sara gritou para o irmão do Jorge às 7:30 da noite? Conta para ele, você a sufocar-me. Mesma frase, mesmo tema, 4 horas antes. Isso não é brincadeira que escalou, isto é um ressentimento que encontrou uma oportunidade.

 Vocês não acham? Depois de gravar estes vídeos, a Sara ainda fez uma coisa. Às 11:46, ela ligou para o ex-marido, o Brian. E segundo Brian, ela estava bêbada a dizer coisas sem sentido e ele tentou livrar-se dela no telefone porque estava a dormir. 23 minutos depois do segundo vídeo da mala, ela estava no telefone com um ex, depois subiu as escadas, deitou-se na cama e adormeceu.

 O Jorge ficou ali no andar de baixo, dentro daquela mala fechada, sem ar, sem saída, sem ninguém e morreu. O relatório do médico-legista confirmou asfixia posicional dentro de uma mala. O Jorge tinha arranhões longos de unhas nas costas, um grande arranhão na nuca, hematomas no ombro esquerdo, no crânio e na testa, classificados todos como trauma por impacto e um corte no lábio.

 Dentro da mala, a perícia encontrou sangue, um barrete branco com sangue, uma gravata com sangue, uma seringa de diazepcrita pro Jorge e também o telemóvel dele. A polícia encontrou aqueles vídeos perturbadores no mesmo dia, quando a Sara entregou o telemóvel dela voluntariamente, achando que não havia ali nada.

 No dia seguinte, quando esta voltou à esquadra, achando que ia apenas responder a algumas perguntas, os detetives já tinham assistido a tudo. Terça-feira, Sara regressa à esquadra por vontade própria, dispensa advogado e começa da mesma maneira. Ninguém pôs a mão em ninguém, só que o irmão dele ouviu-a gritar sobre sufocamento. Às 19h30 da noite.

 Os vizinhos ouviram algo a fazer ressaltar a escada baixo. 11:15 a autópsia encontrou trauma no crânio, mas ninguém tocou em ninguém. Aí os detetives perguntaram sobre o relação e a Sara abriu-se. E foi neste ponto que os detetives decidiram mostrar o que tinham. have something that I want to show you que encontramos.

 Um, e it was from your phone. M.e. You need to move it around. Não, não me lembro disso. That’s you. Ela não disse isso não sou eu. Ela disse eu não me lembro. sabe o que está ali, só não quer voltar a ver. Esse é o meu nome, não desgasta. É uma

tradução de uma expressão americana debochada que significa: é, este é o meu nome, não precisa de estar sempre a repetir. Ela está a dizer isso sobre o Jorge, gritando o nome dela, pedindo ajuda. Assim quando he’s asking on the video, he asks multiple times. He has to be let out. I can’t breathe.

 O quê? Like why didn’t you let him out? Bem, número um, I número um, tive no idea was going to end like that. Number one, sabes what? Evidentemente, vou dar-te minutinhos. Mais isso não é linguagem de quem estava brincando às escondidas, é uma linguagem clara de quem estava a aplicar um castigo, punindo. Saiu pela culatra.

 Ela não disse, eu não fiz isso. Disse que saiu pela culatra. Sair pela culatra significa talvez que tinha um plano e esse plano correu mal. O interrogatório continuou por mais de uma hora e num determinado momento, ela soltou duas frases que mostram uma desconexão que é difícil de processar. castigo suficiente. I think that’s why I haven s that’s all I see tragic situation.

Pois, não ouviu mal. Coisas estúpidas. Ela classificou a morte do namorado de coisa estúpida. You turn around the wall put your hands behind your back. You have anything in your pocket that I should know about why is this happening? Because George is dead. Not intentionally. Compreendemos he ainda morto. So this was a trick.

 Como foi a trick? aqui tinha ido à esquadra por vontade própria, pensando que ia falar com os detetives e voltar a tempo de ir buscar o filho na escola. Quando percebeu que ia ser presa, as primeiras coisas que perguntou foram sobre o carro, sobre o telemóvel e se podia fumar um cigarro na cadeia.

 O que veio depois tornou-se um caso à parte. Sarabone passou por 13 advogados em 4 anos. Oito abandonaram o caso. Em determinado momento, ela ficou se representando sozinha. Mandou cartas escritas à mão ao juiz. Numa delas desenhou um anúncio a pedir um advogado. O julgamento só começou em outubro de 2024. A defesa alegou síndrome da mulher agredida.

 A acusação foi direta, mostrou os vídeos ao Juri, mostrou o body Ken, mostrou o interrogatório e disse que a Sara fechou o fecho, filmou Jorge pedindo socorro, morrendo, subiu as escadas e foi dormir. A Sara subiu no banco das testemunhas e falou durante 5 horas. Quando perguntaram por ela não abriu a mala, ela respondeu que queria que ele percebesse como ela se sentia para que ele pudesse progredir e ser uma pessoa melhor.

 O Júri deliberou por menos de 2 horas, culpada de homicídio em segundo grau. Em dezembro de 2024, o juiz condenou a prisão perpétua. Na audiência de julgamento, a mãe do Jorge, a Blanca Torres, disse ao tribunal que Sara não tinha matado apenas o filho dela, tinha morto um pai, um irmão, um tio e que, por vezes, quando olha pela janela, ainda espera que ele apareça e dizer: “Mãe, eu amo-te”.

 A Sara disse que perdoava-se a si mesma por se ter apaixonado por um monstro e que, por mais grotesco que fosse, ainda amava ele. O juiz ouviu e manteve a sentença. Lembra-se daquele trecho que abriu este episódio? A Sara dizendo: “Vou dar mais 5co minutinhos”. Agora já sabe o que ela queria dizer, não é? 5 minutinhos que passaram a ser 11, 11 que passaram a 30, 30 que viraram a noite inteira.

 E quando ela desceu as escadas na manhã seguinte, o Jorge Torres Júnior já estava morto há horas. A mala tinha 71 cm de comprimento. O Jorge tinha 1,63 m de altura e pesava 45 kg. Os vizinhos ouviram algo a saltar escada baixo às 23h15 da noite. Alguém ouviu a Sara falar sobre asfixia horas antes, duas garrafas de vinho, um taco de beisebol aprendido como evidência e dois vídeos gravados pelo telemóvel de uma mulher que, segundo a própria, amava aquele homem mais do que tudo.

 Mas eu acho que toda a gente entendeu que existia muita coisa ali naquela relação, só o amor que não. Jorge Torres nunca mais saiu daquela mala por conta própria. E a Sara Buni nunca mais vai sair da prisão. Agora é isso. Obrigado pela sua companhia. Se gostou deste formato de documentário, conta aqui para mim nos comentários que este tipo de episódio pode tornar-se uma tónica aqui de documentário com vídeos especiais no canal, combinados? Obrigado pela companhia, um beijo do ruivo e até o próximo episódio.

 

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