Onde EUPHORIA deu errado?

Onde EUPHORIA deu errado?

Quem começou a assistir à euforia lá no lançamento em 2019 mal imaginava que ia ter de esperar quase 10 anos até que essa história estar concluída, 7 anos depois, com o lançamento da terceira temporada. Mas o que importa é que este momento finalmente chegou. No dia 31 de maio foi para o ar episódio da temporada de número três, tanto quanto sabemos o último episódio de toda a série.

 Essa nova leva de episódios veio cheia de polémicas dentro da trama e nos bastidores também. Tanto é que a gente deve ter uns cinco, seis vídeos aqui no Fefo verso sobre as tretas da terceira temporada. Mas hoje vamos deixar as alegadas brigas do elenco de lado para falar sobre a conclusão da história destes adolescentes que conhecemos em 2019.

 O que resultou no fim de euforia e o que não deu? Vem comigo porque este vídeo vai ter muita opinião. Já convido você para deixar a sua lá em baixo também. E também vai ter algumas especulações sobre para onde este universo pode ir agora, uma vez que o Sam Levinson talvez já tenha dado algumas pistas de que não fechou a porta completamente paraa euforia ainda.

 Tivemos que esperar um bom tempo até à estreia da segunda época que só chegou em 2022. Aqui a estética já era diferente, mas ainda era relacionável. Lembro-me que o criador, argumentista, produtor executivo Sam Levinson disse na altura que se a primeira temporada era uma festa na madrugada sem regras, a segunda época era como uma festa que já passou da hora de acabar, perto do amanhecer, quando a luz ilumina o rosto de todos e a malta percebe que a festa não era tão bonita como parecia à noite.

 Eu gosto muito desta metáfora do S Levinson, porque dá mesmo para nós fazer essa associação. Mas anos depois, a terceira temporada chegou sem clima de festa nenhum. A sensação foi trocada aqui para transportar o público para os filmes clássicos de faro oeste dos anos 50 e 60 que inspiraram a temática da ª temporada com uma homenagem às longas- de película Coloridos e Saturados do Tecno Cor.

 Se 2019 era uma festa de madrugada, 2022 uma festa 6 da manhã que já passou da hora de acabar, 2026 é o sol das 3 horas da tarde queimando o couro cabeludo. Junto a esta mudança estética, um salto temporal. Os os adolescentes deram lugar a jovens adultos entre os 20 e os 30 anos que estão tentando encontrar o seu lugar no mundo e pior no mercado de trabalho.

 Com tantos anos de desenvolvimento, acho até injusto criticar a malta que está dizendo: “Ah, eu esperava outra coisa porque está tudo bem em esperar algo que está prometido há muito tempo.” E precisamente por isso esta temporada causou tanta controvérsia na internet. Há gente que se surpreendeu positivamente com o que viu, tendo em vista que os anos de espera deixaram a malta meio discrente que esta série sequer fosse ser concluída um dia.

 E tem gente que abominou cada minuto desta viagem no velho oeste porque torcia e esperava uma coisa completamente diferente. Já comenta aí de que lado estás ou como é estar no limbo entre estes dois extremos. Eu confesso que eu também estou no meiotermo entre um e outro, depois preciso de falar sobre o que eu Gostei e sobre o que não gostei na terceira temporada.

 A princípio, à medida que a gente foi recebendo o primeiro material deste novo ano de euforia, a mudança estética pareceu bem interessante. O Sam Levinson, resguardo as críticas que farei já, sabe executar muito bem uma ideia quando ele fixa a mente dele em alguma coisa. Então, eu já sabia que esta estética de ação dos filmes de Fareste seria muito bem executada.

 E foi, gosto das cores da película, da saturação do mundo, de como tudo parece real, vivo. Essa foi uma bela temporada na tecnicalidade e eu abraçaria por completo esta nova visão do mundo adulto, que pode realmente ser cruel e visceral, tal como um filme de velho oeste norte-americano, se não fosse as grandes mudanças narrativas que vieram acompanhadas dela.

 Para ser bem sincero, acho que tudo começou a dar errado na decisão de dar um salto temporal tão grande assim na história. Não só estivemos anos sem ver estes personagens vi literalmente o tempo entre as temporadas, mas ficámos anos sem os ver também na ficção. E aí acho que muita coisa se perdeu, principalmente porque é como se o Sam Levinson tivesse construído estes personagens para nada, porque a terceira época descartou boa parte do desenvolvimento que foi feito nas duas primeiras para dar uma nova viagem a cada um deles. Eu entendo que as pessoas

crescem, evoluem, mudam, saem do lugar. Eu não esperaria que eles estivessem a fazer a mesma coisa que estavam fazendo 5, 10 anos antes. Mas eu acho que é importante não ir para o outro extremo de fingir que o passado não aconteceu. Por exemplo, ao longo de euforia, tivemos a apresentação e o desenvolvimento de uma relação complicada entre o Nate, interpretado pelo Jacob Lord, e a Julice, interpretada pela Hunter Shafer.

 Essa relação envolvia os conflitos internos do Nate, a procura de validação e identidade da Jules e uma dinâmica extremamente interessante sobre antagonista e protagonista ligados por uma paixão confusa. Nada disso contribuiu em algo para a conclusão destes personagens. E o mesmo se passa com a relação entre a Julice e a narradora omnipresente de euforia, a Ru interpretada pela Zendeia.

 Este amor puro que surgiu entre as fissuras do trauma, da dor, das droga e do crime era um dos principais fios condutores da série. Ora, nesse novo universo de Sam Levinson, isto é quase que apresentado como uma pegação do ensino secundário que não foi para a frente. Realista, talvez, mas a euforia nunca foi sobre a realidade.

 A série sempre foi mais interessada em explorar o significado emocional das coisas do que uma representação da realidade tal como ela é. sempre foi sobre sentimentos e eu achava que muitos ficaram pelo caminho. E aqui acho difícil não relacionar o que a gente vê acontecer em tela ao que acontece nos bastidores da produção no que diz respeito ao Sam Levinson como pessoa.

 Eu acho que dá para nós tentarmos encontrar aqui várias justificações pro que aconteceu com as personagens, principalmente se gostou desta época e é total direito seu. Mas eu acho que não podemos fechar os olhos para o que a gente sabe que aconteceu. Sabemos que Sam Levinson e Zendeia tiveram uma rusga antes desta época começar, conforme noticiado pelo The Holly Reporter, com fontes muito fiáveis, que descreveu uma série de atrasos no itinerário dos episódios, porque o Sam queria escrever tudo sozinho e as ideias dele não estavam a ser aprovadas por ninguém.

Zendeia, que vale a pena recordar, tem uma relação muito pessoal com euforia. Eu vi até pessoas a queixarem-se nas redes sociais e dizendo que se a Zendeia não está contente com o rumo da sua personagem, ela que fique quieta porque a atriz não tem de opinar no trabalho de um argumentista. No entanto, estas pessoas não levam em conta que a Zendeia Wilson Levinson se tornaram irmãos, melhores amigos na produção da primeira temporada.

 A R é uma história muito pessoal para o Sam, porque já enfrentou uma batalha contra o vício e a Zendeia incorporou muito das experiências dele na sua performance. E esse laço estreitou-se ainda mais na segunda temporada, quando tornou-se produtora executiva de euforia e estava a contribuir ativamente para a construção da série ao lado do Sam Levinson.

 Para a gente chegar a uma terceira temporada em que não são mais próximos, em que ela deixou de assinar a produção da série e que ela sequer está a fazer campanha para divulgar o lançamento da temporada, é porque as coisas se desmoronaram nos bastidores e tem pouca margem para dúvidas nisso. Isto é só para mostrar uma das coisas que sabemos que correu mal.

Então, mesmo que adore esta nova época e como já disse, total o seu direito, e acho que há boas razões aqui para isso, precisamos de amar apesar do que correu mal. E a nossa lista pode continuar com Barbie Ferreira sendo retirada da série, porque segundo ela, o Sam Levinson não sabia o que fazer com a sua personagem.

 Sam Levinson sendo alvo de um grande dossier sobre como demitiu uma diretora e apagou a história principal de The Idol para refazer a série que eventualmente se tornou uma mancha na sua carreira. Repetindo, coisas que sabemos que aconteceram. Então, quando vejo uma personagem sendo apagada de euforia como a Jus da Huntershafer foi, não me consigo aceitar que tenha sido apenas uma escolha narrativa deixá-la com um minuto de ecrã por episódio.

 A primeira coisa que me ocorre é o histórico do Sam Levinson. É a problemática da sua escrita e da sua produção. E a partir daí vem a revolta. Putz, jogaram o desenvolvimento de uma personagem no lixo e não só de uma. O mesmo pode ser dito ao Nate, o rapaz que nós amávamos odiar. O Nate é, provavelmente, um dos personagens mais interessantes de euforia, ou melhor, era um dos personagens mais interessantes, porque o Nate da terceira temporada não tem nada do que o tornou interessante para início de conversa. Nas duas primeiras

temporadas, o Jacob Lord interpretou um miúdo traumatizado, violento, confuso, perdido na própria cabeça e na própria família e que descontava no mundo a frustração de quem ele era. O Nate era maldoso e arrogante, mas com os flashbacks fomos construindo esse puzzles e entendendo como o comportamento tóxico do pai teve um papel fundamental nesta persona pública que ele assumia para o mundo.

 Nas vezes em que Euforia abri uma fresta para nós observar a verdade por detrás do Nate, a as pessoas viam coisas extremamente interessantes. Onde está esse Nate? Não sei, porque para a terceira temporada ele não veio. Eu só quero deixar claro que não me estou a queixar que o Nate deixou de ser um miúdo do liceu. Estou a queixar-me que conflitos que eram fundamentais para a identidade dele desapareceram.

 O Nate teve uma viagem rápida que nada tinha a ver com a construção da identidade dele e que nos rendeu o maior plote Jesus quem se importa da estação. Tudo isto para ele encontrar o seu fim trágico, que segundo Sam Levinson, deveria fazer-nos questionar se queríamos realmente ver o personagem sofrer desta forma. Ele jogou a volante ao público dizendo: “Ah, vocês não o odiavam? Pois olha lá tudo o que aconteceu agora.

 Satisfeitos?” Não, certo? Meio agre doce ver uma coisa cruel assim. Mas nunca quis ver o Nate sofrer porque a euforia não era sobre sofrimento físico. A gente queria ver o Nate sofrer ao encarar a realidade de quem ele realmente era. Não é o sofrimento por sofrimento. A gente esperava a conclusão de uma história que estava a ser contada desde 2019 e que não foi concluída.

 E é por isso que eu iniciei este tópico citando a Juice também. Essa era, provavelmente, a minha personagem preferida em euforia e ela foi relegada para o papel da princesa trancada na torre. E a frustração aqui é que não existe uma fuga. A Jules, a ambiciosa, criativa e corajosa menina trans que enfrentou uma escola inteira para ser quem é, quem amava as pessoas, mesmo quando as pessoas não se amavam mais e nem a amavam, tornou-se uma observadora distante da história.

 Ela não quer nada, ela não tem nada, ela não vai para lado nenhum. Assim como o Nate, a personalidade dela foi trocada pela simples existência. Ela só é, ela só está. E o que me incomodou nesta época é que esta superficialidade chegou mesmo às personagens que tinham desenvolvimento, como é o caso da Kess interpretada pela Sydney SN.

 Para tirar o elefante da sala, preciso de dizer que não acho que tenha havido uma glamorização do trabalho adulto e talvez isso seja meio controverso. A glamourização, por definição, é tornar algo atraente, desejável, admirável. Eu não acho que isso foi feito aqui, tanto no arco da Kess quanto no arco do clube do Álamo vivido pelo Adewali Akou Abadi.

 Existe uma exposição do quão degradante é este trabalho pode ser, o que até gerou críticas de criadoras de conteúdo alson Levinson sobre o quão estereotipada estava a ser essa representação. Então não teve glamorização, teve uma exposição. Vimos como aquece abre mão de qualquer pudor para ter mais inscritos.

 Vimos como as bailarinas do choupo são submetidas às mais diversas formas de violência. Vimos como o resultado de tudo isto pode ser um círculo sem fim de comercialização do próprio corpo. Independentemente desse retrato ter sido fiel à realidade ou ter sido estereotipado, não acho que o ponto aqui seja incentivar ou tornar este trabalho atraente.

 Do mesmo modo que o uso de drogas não é glamorizado. A gente está a ver o efeito disso nas pessoas e isto pode ser dito sobre o trabalho adulto também. Dito isto, ainda acho que este seja um retrato superficial, porque a Kessie praticamente foi engolida por esta fome de fama, a ponto de não existe mais nada nela. E aqui tinha uma porta tão gira para ser atravessada.

 A Kessie sempre teve essa procura de amor. Ela queria ser amada e ela procurava encontrar isso nos mais diferentes lugares. Ela queria ser amada pela Med, amada pelos namorados, amada pelas pessoas, vista como uma boa irmã, vista como uma boa pessoa. A validação externa sempre foi muito importante para ela, porque o abandono do pai deixou uma lacuna gigantesca na Kesse.

 Isso podia ter sido tão bem desenvolvido aqui. Ela ter transformado a procura do amor em procura por likes podia trazer um paralelo extremamente interessante entre a primeira e a terceira temporada, mas em vez disso, o Sam Levinson dá voltas e voltas e voltas e voltas e não sai do mesmo lugar. Uma oportunidade de ser influencer, um contrato que nunca é posto em prática.

 Uma oportunidade de ser atriz de TV, outro contrato que nunca é posto em prática. Uma dívida empresarial com uma personagem que ninguém se deu ao trabalho de decorar o nome. Diálogos que giram, giram, giram, rodam e voltam ao mesmo lugar, que só mostram como a Kess é ingénua, tola, doidinha. Não tem mais subjetividade nas ações da Kessie.

 As melhores cenas dela são aquelas que partilha com a Med, interpretado pela Alexa Demi, cujo star quality moveria montanhas e cenas que lembram-nos como era mágica essa ligação que todas as meninas tinham juntas. As primeiras temporadas de euforia funcionavam muito bem com a dinâmica daquele círculo social num mesmo espaço, mas com o salto temporal e a divisão de narrativas, ficamos cada vez mais carentes destes encontros de força.

 E nem me faça falar do Alex, outra personagem que não teve desenvolvimento próprio e só foi usada de muleta no guião para empurrar as personagens principais para as suas respectivas narrativas. E vejo que a gente saiu do trilho quando conseguiria descrever esta estação a alguém. Sim, é isso mesmo que ouviu.

 Eu sou um grande fã das segundas temporadas e liguei-me muito com a história, mas nunca consegui descrever euforia a alguém quando eu ia indicar. Eu dizia sempre: “Ah, a euforia é sobre jovens navegando as turbulências da adolescência enquanto lidam com traumas, drogas, descobertas individuais. Agora, se eu fosse descrever a terceira época para alguém, eu diria: “É uma série sobre dois cartais de droga rivais e sobre uma criadora de conteúdos adulto.

” E a euforia nunca foi tão simples assim. A Euforia era sobre dúvidas, sobre confusões internas, sobre a complexidade de sentimentos, sobre traumas do passado vindo à tona, sobre a aceitação, sobre lutas. Ai Fefo, mas a série já não é sobre os adolescentes, não é? Por favor, pessoas, lamento informar, mas tudo isto continua na vida adulta.

 Nós ainda temos questionamentos, ainda não temos certeza se estamos no caminho certo. Nós ainda vemos traumas da infância refletidos nas atitudes de hoje. Nós ainda estamos a evoluir. Porquê euforia deixou de refletir isso? Porque temos um episódio sobre a infância do Álamo vendo como os seus traumas estão implícitos no comportamento dele hoje, mas não temos cenas em que os traumas da primeira temporada são resgatados nas personagens principais, porque o Nate teve de abrir mão de tudo o que ele era para existir nesta temporada, percebe? E daí vem a

frustração de que simplesmente abriram mão de coisas que eram essenciais para trama. O que me leva ao enredo da Ru, a nossa querida protagonista de euforia. A Ru tem um desenrolar muito interessante nesta temporada sobre a ligação dela com a religião. Para quem não se recorda, a A espiritualidade é uma coisa muito presente no inconsciente dela desde a primeira época, principalmente desde a morte do pai.

 Este tema fica ainda mais presente agora que a Ru se vê possivelmente na maior alhada da vida dela e precisa de se agarrar a algo para não desistir. E ela agarra-se à ideia de redenção, a ideia de que é possível existir um acordo de paz entre passado, presente e futuro. A ideia de que talvez, talvez ela ainda consiga se levantar e sobressair a tudo isso.

 E isto é muito real, porque como nós bem sabe, muitos adictos agarram-se à religião para conseguirem sair de ciclos de autodestruição. E para mim, euforia foi euforia mesmo nesta terceira época, quando vimos a Ru com estas batalhas internas, quando ela se questionava se ainda podia ser perdoada, quando ela ia à igreja falar com a mãe, quando esta pensava no futuro.

É sobre isso que eu estava a falar agora, que euforia brilha quando a gente vê personagens que estão com dúvida, personagens que não t certeza das suas decisões, personagens que ainda estão batendo com a cabeça e tentando decifrar o mundo à sua volta. E achei muito bonito como isso foi feito, porque o que manteve a Ru a seguir foi a ideia de que talvez exista esperança.

 Tem até uma cena em que ela, muito deulo das ideias, diz que quer ter uma família e filhos para Jules. Mas, em vez disso, a Ru encontrou um final muito triste, muito trágico e muito real. O Sam Levinson disse que bateu com o martelo na perda da Ru ao decidir que queria contar uma história real. E pessoas como a Ru morrem. Ponto.

 Claro que não todas, por amor de Deus, graças a Deus, nem toda a história dos toxicodependentes, em substâncias, acabam assim. Thank God. Amém. Existe sim redenção, existe sim superação, mas decidiu contar a história de uma pessoa que não venceu. É real? É, por não? Mas é tão triste que tudo tenha levado a esse ponto. E eu sei que a minha mana Zendeia não está nada feliz com isso.

 Como acompanho cultura pop e euforia há muito tempo, eu já vi várias entrevistas e muitos artigos em que a Zendeia diz que a Ru era possivelmente o trabalho mais importante da sua carreira. Eu já a vi dizer que a Ru é especial para ela, porque ela sabe como muitas pessoas batalhando contra o vício se vêem nela.

 Ela sabe como muitas pessoas depositam na Ru esperança de também saírem dessa vida um dia. Por isso a gente torceu tanto pela sobriedade dela na segunda temporada e por isso foi tão gratificante quando aconteceu. Agora, mostrar que ela não ganhou deve ter sido uma facada no coração da Zendeia. Ela deve estar a pensar nas pessoas que também perderam a esperança na vida real, pessoas que depositavam na construção da ruia de redenção delas, porque é isso que nós fazemos com trabalhos de ficção, é isso que nós faz com obras, nós projetamo-nos

naquilo. E imagino que aqui talvez tenha acontecido a maior rusga dos bastidores e talvez, talvez seja esse o motivo de Azendeia mal ter aparecido na promoção dessa época. Em 2022, ela fazia posts todas as semanas sobre euforia. A cada episódio ela publicava uma coisa nova, dava entrevistas sobre ela vivia e respirava esta série em todos os momentos. hoje a absoluto silêncio.

 É como se ela preferisse nem sequer divulgar isto, porque quanto menos pessoas assistirem melhor. E sinto dizer que compreendo, como já disse antes, euforia nunca foi sobre a realidade. É sobre sentimento, é sobre simbolismos, é sobre mensagem. E fico triste que o Sam Levinson tenha optado por uma mensagem tão pessimista quanto isso.

 Como eu disse, eu compreendo, mas não gosto. Eu acho importante também realçar que o que aconteceu com a Ru faz uma ligação direta ao que aconteceu com o Angus Cloud na vida real. Este foi um bac muito grande para todos e principalmente para o Sam Levinson. Ele não dá uma entrevista sobre isso sem chorar e sem dizer o quão importante o Angus foi para a euforia.

 Talvez esse acontecimento trágico e triste tenha feito o S Levinson ir para o lado mais pessimista, mas gostaria de ter visto esta história ser reescrita na ficção. Enfim, comentem lá o que acharam sobre o destino da Ru. Um dos grandes destaques deste último episódio é o posicionamento do Ali na trama, vivido pelo Coman Domingo, grande Coman Domingo, que encabeça a série a partir da segunda metade do episódio e leva-nos para uma conclusão muito bonita, mas ainda pessimista sobre a realidade dos Estados Unidos. Aliás, precisamos

traçar um paralelo entre o que aconteceu com a RU e o que se passa nos Estados Unidos com a crise do fentanilo que está a causar uma verdadeira epidemia nas cidades. Existe um comentário social e político do Sam Levinson aqui, embora eu tenha achado um comentário muito subtil para uma estação que foi muito na sua cara com outros temas.

 Uau, mas eu disse que estava no meio termo entre gostar e desgostar e parece que só estou falando coisa má. Calma. Eu não acho que esta temporada tenha sido horrível. Como disse, é difícil ver os personagens e não os reconhecer ali, mas continuo a achar que existem pontos positivos aqui. E, curiosamente, os pontos que mais gostei foram aqueles pontos em que pensei: “Caramba, isto é tão euforia”.

 Por exemplo, eu gosto muito das sequências mais surrealistas sobre a fama da Kessie numa das cenas mais polémicas da temporada, em que ela incorpora a mulher de 15 m e aterroriza Los Angeles com o seu corpo gigantesco. Mas, para mim, estas descrições surreais e metafóricas de acontecimentos da trama são ponto chave de euforia.

 Como esquecer as cenas icónicas da Ru e da Alexi sendo investigadoras e apresentando agenda pro público ou a sequência maravilhosa que representa o amor da Ru e da Julice. Para mim, estas exposições extremamente criativas são parte da essência de euforia e as pessoas conseguiu fazer alguns resgates assim com esta terceira temporada.

 E assim, colocando qualquer crise de imagem de lado, precisamos de dizer que a Sydney Suini é uma mulher de 15 m na representação. Ela devora qualquer cena em que esteja. Aess sendo uma das poucas com história nesta temporada, é uma das mais interessantes de acompanhar. E a atuação da Sydney eleva o que estava no papel, bem como a atuação da Zendeia que descarta qualquer nota de observação.

 Ela tem um domínio incrível da Ru e ela sabe exatamente o que fazer, quando fazer e ela simplesmente desaparece no papel. Na verdade, acho que no geral as atuações continuam muito boas em euforia. Isto vale paraa parte técnica também. Fotografia, montagem, tudo é muito bonito, tudo é muito bem feito, com exceção da banda sonora, que fez questão de se tornar viral na internet todas as semanas por não combinar muito com a trama.

 A série perdeu muito do tom quando abdicou do som assinado pelo Labrint. Aí, mais uma prova de que as coisas correram mal nos bastidores. O Sam Levinson conseguiu tretar até com quem fazia a banda sonora da série. Por isso, eu acho que no fundo precisamos analisar esta terceira temporada vendo tudo o que correu mal e observando o que funcionou apesar disso.

 E este ponto de vista nunca é muito gratificante, certo? É triste saber que algo foi tão turbulento nos bastidores que precisamos de se esforçar-se para dizer: “Ah, mas pelo este diálogo aqui foi bastante bonito”. Porque o trabalho deixa de ser visto como uma obra completa e coesa para ser visto como um momento de epifania da produção que brilhou e acertou em 15 minutos de um episódio de uma hora.

 E é é essa a sensação que fica com o final de euforia. Não é de todo mau, mas é aborrecido ter que estar à procura de uma ou outra flor numa erva seca de um lugar que antes foi um jardim extremamente florido. Analogy is my passion. No final das contas, conhece aquele ditado: “Fala bem ou fale mal, fale de mim?” Euforia leva isso à risca, porque ao mesmo tempo em que a terceira temporada foi a mais rejeitada pela crítica, também teve alguns dos melhores números da história da HBO.

 Segundo dados divulgados pelo canal, o primeiro episódio conseguiu 8,5 milhões de espectadores em três dias. E estes números mantiveram-se estáveis ​​nos capítulos seguintes. A título de comparação, a segunda temporada estreou com 6,6 milhões de espectadores. Então foi um aumento de quase 2 milhões. Agora, quando falamos sobre a recepção da crítica, a história é outra.

A terceira temporada já é a pior avaliada da história da série, com cerca de 40% de aprovação dos profissionais e do público, um número muito inferior à média de 80% das primeiras épocas. E sobre o futuro da série, com a exibição do último episódio, foi confirmado que euforia chegou ao fim.

 A informação foi dada pelo Sam Levinson em entrevista ao The New York Times e confirmada pela HBO. Segundo o criador, percebeu que já tinha extraído o máximo da narrativa proposta lá no início, uma história sobre o vício e as consequências. Num mini documentário exibido logo após o episódio, deu ainda mais pormenores sobre o destino da Ru, abre aspas.

Pareceu o seu desfecho honesto. A verdade nua e crua é que pessoas como a Ru não sobrevivem. As pessoas recaem, fazem merda, não estão prontas para ficarem limpas. Eu queria contar uma história honesta sobre o vício. Sempre fui contra narrativas utópicas. O que sempre nos destacou nesta série foi precisamente o facto de não pegarmos leve.

 A pergunta que fica agora é se a Zendeia vai dar as rapazes no M pelo seu papel na euforia. Nas duas primeiras temporadas, ela foi premiada pela performance como ru e agora arrisco dizer que ela já está na corrida como uma das favoritas também. Uma dúvida que pode ficar em aberto sobre a expansão deste universo vem com o nome da Alexa de Mi.

 Isso porque recentemente discutindo o futuro da Alexa na televisão, o Sam Levinson disse que a adora e estaria pronto para escrever mais 10 temporadas sobre a Med. Porque a Alexa é tão eletrizante e tão magnética que daria para imaginar ela em 10 situações completamente diferentes.

 A este discurso, a Alexa Demir apenas sorriu e disse que vai manter os projetos futuros em segredo. Então, euforia pode ter acabado, mas quem sabe o futuro da média ainda está em aberto? Não sei. Aliás, posso partilhar uma teoria minha convosco? Eu acho que este ponto final na série só aconteceu por causa da recepção dessa época. Geralmente, os cancelamentos ou renovações são anunciados com antecedência, o que faz-me pensar que a ITBO estava à espera para ver a reação do público antes de bater o martelo em euforia.

 Isso faz ainda mais sentido quando nos lembramos que na Premiere da terceira temporada, há alguns meses, o Sam Levinson estava a dizer que não sabia se a série ia acabar ou não, porque ele nunca fecharia a porta para continuar escrevendo sobre a euforia. Bom, pelo visto fecharam a porta por ele. Mas agora quero saber de ti, o que é que achou desta terceira temporada de euforia? Acha que ela fez just ao que estava a ser construído antes? Você gostou? O que mais gostou ou o que não gostou? Deixa por baixo.

 E olha só, um dos temas representados nesta época foram as plataformas de conteúdo adulto. Neste vídeo falo mais sobre como este mundo tá a entrar de cabeça, ou melhor, como este mundo está colidindo com o mundo de Hollywood. Eu vou deixar aqui linkado para vocês assistirem, ok? Bem agradável. Eu espero que tenha gostado deste vídeo com a a minha análise, com algumas informações de euforia.

 Se gostou, deixe um like, subscreve o canal, vai me seguir nas redes sociais e vemo-nos no meu próximo vídeo, belezinha? Bye bye.

 

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