
Na noite de 4 de maio de 2021, precisamente às 21h12, o Brasil praticamente parou de respirar por um instante. A maior emissora do país interrompeu abruptamente a sua programação habitual e festiva para a exibição de um plantão de notícias que absolutamente ninguém desejava assistir. Naquela noite e nos dias que se seguiram, apresentadores renomados choraram ao vivo em rede nacional, grandes estrelas internacionais como Beyoncé prestaram suas solenes homenagens, e milhões de brasileiros — a imensa maioria dos quais nunca havia sequer cruzado o caminho do ator pessoalmente — sentiram um buraco profundo no peito, assemelhando-se à perda de um ente querido de dentro das suas próprias casas. Paulo Gustavo tinha apenas 42 anos de idade. Ele não apresentava comorbidades aparentes que justificassem o pior, estava sendo tratado no hospital particular mais bem conceituado e aparelhado do Rio de Janeiro, contava com uma equipe médica de elite dedicada exclusivamente a ele, e tinha acesso ao que existia de mais avançado em tecnologia hospitalar em todo o mundo. Ao seu lado, a todo momento, estava o seu marido, que não arredou o pé do hospital um único dia. Os custos diários daquele tratamento exaustivo chegavam a assustadores oitenta mil reais por dia — um fato sigiloso que pouquíssimas pessoas souberam durante o desenrolar da agonia. E mesmo com toda essa estrutura monumental e um país inteiro de joelhos em oração, Paulo não sobreviveu.
Durante os longos e dolorosos 53 dias que se seguiram à sua internação, o país acompanhou com o coração na mão os angustiantes boletins médicos. As correntes de oração multiplicaram-se pelas redes sociais, vigílias foram formadas na porta do Hospital Copa Star, e a imprensa cobriu cada suspiro do artista de forma implacável. Mas o que, de fato, ocorreu por trás das pesadas portas daquela Unidade de Terapia Intensiva? Quais foram os segredos médicos não revelados, as premonições esquecidas e as decisões silenciosas tomadas antes mesmo que a sombra da tragédia rondasse a sua vida feliz?
Para compreender a verdadeira dimensão e a ironia cortante dessa perda irreparável, é estritamente necessário voltarmos no tempo. Desde os primórdios da terrível pandemia em março de 2020, o ator era visto e reconhecido por seus amigos, familiares e funcionários como a figura pública mais cautelosa, rigorosa e assustada do Brasil em relação aos protocolos de segurança sanitária. Paulo Gustavo passava muito longe de ser um descuidado. Imediatamente após a explosão dos primeiros casos, ele tomou a decisão drástica de mudar-se com o marido, o médico dermatologista Thales Bretas, e os seus dois filhos ainda bebês, Gael e Romeu, para um refúgio isolado no sítio da família em Itaipava, na região serrana do estado fluminense.
Longe da agitação metropolitana, ele construiu uma bolha de proteção familiar que parecia ser inquebrável. Qualquer pessoa que necessitasse cruzar os portões daquela propriedade era terminantemente obrigada a realizar e apresentar um teste do tipo PCR negativo. O próprio ator, movido por uma angústia visível, submetia-se a exames de laboratório todas as semanas, sem qualquer exceção. Em uma emocionante e franca entrevista concedida em maio de 2020 para a sua amiga Ingrid Guimarães, Paulo chegou a verbalizar o pânico que o consumia naqueles meses incertos. Ele relatou publicamente ter um quadro de problemas respiratórios prévios e expressou o seu terror incontrolável de ser infectado pelo vírus e não conseguir ser salvo pela medicina, que ainda não possuía respostas definitivas. O marido relatou que Paulo carregava consigo uma espécie de premonição sombria constante.
Porém, o detalhe mais impactante e desconhecido dessa trajetória inteira não aconteceu em meio ao desespero da pandemia, mas sim de forma muito anterior, silenciosa e surpreendente. No ano de 2018, quando gozava do ápice da saúde e de um sucesso estrondoso aos 39 anos de idade, o humorista tomou uma atitude que poucos na sua posição sequer cogitariam: ele elaborou e registrou em cartório um testamento rigoroso e completo. A responsável por revelar esse fato atordoante ao mundo foi a sua própria mãe, Dona Dea Lúcia, muito tempo após a tragédia. É algo impensável imaginar que um jovem sonhador, no processo de expansão do seu império, com filhos pequenos no horizonte e uma vida regada a aplausos, parasse tudo para determinar minuciosamente o destino do seu legado no caso da própria falta. Por trás de todos os sorrisos fáceis que oferecia ao Brasil, habitava uma mente profundamente sensível, ciente da impermanência da vida.
A fortaleza impenetrável que Paulo Gustavo construiu para proteger a sua família e a si próprio sofreu uma rachadura invisível e irreversível no início do mês de março de 2021. Depois de mais de um longo ano de privações e isolamento, um dos seus ininterruptos exames de rotina finalmente acusou o tão temido resultado positivo. O pavor apoderou-se instantaneamente do humorista. Inicialmente, de dentro de sua própria casa, os sintomas pareciam sob rígido controle. Contudo, durante a penumbra da madrugada de 13 de março, o oxímetro que Paulo carregava em seus dedos marcou o número que alteraria o destino de sua família para sempre: oitenta e oito por cento de saturação de oxigênio sanguíneo. Qualquer taxa inferior a noventa por cento em uma pessoa que até então se encontrava saudável denota uma emergência iminente. Levado imediatamente ao hospital com febres, tremores severos e grave deficiência respiratória, o primeiro grande choque o aguardava. As imagens da sua tomografia indicaram que setenta e cinco por cento do seu tecido pulmonar encontrava-se devastado pelo invasor invisível. Um colapso violento e de rápida progressão ocorria dentro do seu organismo.
Houve, durante a primeira fatídica semana, uma perigosa ilusão temporária de melhora, o que encheu os fãs de falsas esperanças. Contudo, no dia 21 de março, os exames evidenciaram a aniquilação assustadora de praticamente cem por cento das áreas viáveis de seus pulmões. Sem trocas gasosas vitais para nutrir o corpo, a intubação era o último e mais sombrio recurso.
Foi precisamente neste momento crucial, quando o oxigênio já faltava e a morte espreitava os corredores daquela sala fria, que a grandiosidade da alma de Paulo Gustavo transpareceu de maneira mais vívida e dolorosa. A médica e diretora Susana Garcia relatou o comovente momento em que o ator, no limite do esgotamento físico, olhou para a equipe de saúde e, mesmo apavorado, encontrou uma brecha de força para lhes fazer sorrir, quebrando o peso daquele ambiente. Mais impactante ainda foi o seu pedido altruísta. Virando-se para Susana, o maior comediante da nação suplicou que sua própria agonia e sua dor atroz fossem amplamente divulgadas e transformadas em um instrumento vivo de alerta, para que todo o Brasil visse com os próprios olhos o sofrimento infligido pela doença, estimulando todos a se protegerem com urgência. Em seu último instante de clareza, direcionou o olhar ao homem de sua vida, Thales Bretas, e pronunciou a derradeira declaração amorosa que proferiria: “Te amo, até já”. Imediatamente após essas palavras, o mergulho induzido na escuridão foi iniciado.
Os 53 dias que se seguiram foram o cenário de uma guerra brutal na UTI. Mesmo com a utilização do pulmão extracorpóreo (ECMO) e das tecnologias de alto padrão, as hemorragias, os infartos microvasculares e as graves fístulas destruíram a capacidade de regeneração do artista. Mas a sua história estava longe de ser enterrada juntamente com seu corpo material. O patrimônio milionário calculado em quase uma centena de milhões de reais não figura como sua herança primordial. Seu verdadeiro e inabalável legado continua vivo e a pleno vapor. Gael e Romeu prosperam como os maiores monumentos da história de amor edificada em um país frequentemente reacionário; Dona Dea Lúcia segue arrancando risos, perpetuando o eterno espírito de Dona Hermínia; e o Congresso Nacional instituiu a Lei Paulo Gustavo. Esta ação governamental vital repassou centenas de milhões de reais, permitindo a sobrevivência de incontáveis artistas em todo o território brasileiro no momento em que a cultura mais sangrou. No suspiro derradeiro, um homem em franco padecimento clamou em prol da saúde coletiva de um país inteiro. O Brasil o perdeu, mas as gargalhadas que ele provocou e as lições que deixou de amor ao próximo ecoarão pela eternidade.
Paulo Gustavo. Os 53 dias que o Brasil não viu. Os bastidores da sua morte. Na noite de 4 de maio de 2021, pelas 21h12, o Brasil parou. A Rede Globo interrompeu a reexibição de uma telenovela para um plantão de notícias. Ana Maria Braga chorou em direto no dia seguinte. Caetano Veloso publicou uma mensagem.
Beyoncé prestou homenagem e milhões de brasileiros que nunca se encontraram na vida sentiram ao mesmo tempo que tinham perdido alguém de casa. Paulo Gustavo tinha 42 anos, não tinha qualquer comorbilidade, estava no melhor hospital particular do Rio de Janeiro. Tinha ao lado uma equipa médica de elite, tratamento de última geração e um marido que não arredou pé de perto dele um único dia.
O custo do tratamento chegava a 80.000. 1.000€ por dia. Um número que a família nunca divulgou oficialmente e que muito poucas pessoas sabem até hoje. E mesmo com tudo isto, não voltou. Durante 53 dias, o O Brasil acompanhou os boletins médicos, as mensagens de amigos famosos, as orações coletivas, as vigílias à porta do hospital. A imprensa cobriu.
As redes sociais acompanharam em tempo real, mas os bastidores reais, o que aconteceu dentro daquele quarto de UCI, o que Paulo disse antes de ser cedado, o detalhe médico que os boletins oficiais nunca explicaram e que foi a causa real de tudo e a decisão silenciosa que ele tinha tomado 3 anos antes de morrer, com apenas 39 anos de idade, que a própria mãe só revelou muito mais tarde.
Isso ficou espalhado em fragmentos que ninguém juntou numa narrativa completa até agora. É isso que vai ver aqui do início ao fim. E aviso-te, tem um bastidor específico sobre o que Paulo O Gustavo fez 3 anos antes de morrer, que vai mudar a forma como entende esta história. E se ainda não se subscreveu o canal Doce VIP, faça-o agora.
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Desde o início da pandemia, em 2020, Paulo Gustavo era considerado pelos próprios amigos como o famoso mais cuidadoso do Brasil em relação à Covid. Mudou-se com o marido Thalis Bretas e os dois filhos pequenos, Gael e Romeu, para um sítio em Itaipava, em Petrópolis, na Serra Fluminense. Lá ele montou uma bolha de proteção radical. Qualquer pessoa que fosse visitar o família era obrigada a fazer o teste PCR antes de entrar.
O próprio Paulo se testava todas as semanas, sem exceção. Toda semana. E esse é um pormenor que os boletins médicos e as coberturas da época não se destacaram com o peso que merecem. Paulo Gustavo não foi um famoso descuidado que apanhou o COVID por negligência. era o absoluto oposto. O que lhe aconteceu, com todo aquele cuidado, com todos aqueles testes, é exatamente o que tornava a história tão difícil de aceitar.
Em maio de 2020, numa entrevista a Ingrid Guimarães no GNT, disse em voz alta o que sentia. Tenho problema respiratório. Eu tenho muito medo porque a medicina não sabe ainda como este vírus reage dentro de cada pessoa. Tenho medo de apanhar isso, a pessoa não saber o que usar em mim e eu morrer e completou.
Assim, de todos os lados prefiro ficar na quarentena, já que eu posso. Thales Bretas, o marido, contou mais tarde que Paulo parecia ter uma premonição, que repetia que não podia apanhar o vírus de maneira nenhuma. Mas há um pormenor que quase ninguém sabe e que nunca foi noticiado na altura da morte de Paulo Gustavo.
Só veio a público anos depois numa conversa de Dea Lúcia num podcast quase por acidente. 3 anos antes de morrer com apenas 39 anos de idade, Paulo Gustavo tinha feito um testamento. A própria mãe, Dea Lúcia revelou isso espantada. Já viu uma pessoa de 39 anos fazer um testamento? É incrível. Um homem de 39 anos no auge da carreira, construindo um império, criando dois filhos pequenos, que organiza em silêncio o que vai acontecer com tudo o que tem caso não volte.
Se isto não é uma premonição, é pelo a prova de que Paulo Gustavo via o mundo com uma lucidez que poucos percebiam atrás do humor. Ele ria-se de tudo e carregava em silêncio um peso que quase ninguém à volta sabia que existia. Na primeira semana de março de 2021, depois de mais de um ano de isolamento quase perfeito, um dos exames de PCR semanais deu positivo.
Tales disse que os dois ficaram muito tensos. Paulo entrou em pânico. Nos dias seguintes, monitorizou a saturação em casa com um oxímetro que transportava consigo. O vírus, por enquanto, parecia controlado. Sintomas ligeiros, a esperança de que ia passar. Mas na madrugada do no dia 13 de março, o oxímetro marcou um número que mudou tudo, 88% de saturação de oxigénio no sangue.
Para si perceber o que isso significa, o normal para um adulto saudável é superior a 95%. Abaixo dos 90% é emergência médica. Com febre persistente, arrepios e falta de ar crescente, Paulo foi levado ao hospital Copstar em Copacabana, na zona sul do Rio. Aí, os médicos fizeram uma terceira tomografia computorizada.
O resultado mostrou que 75% dos pulmões de Paulo Gustavo já estavam comprometidos, 75%, num homem saudável, sem comorbilidades, que se tinha protegido como poucos. A internamento foi imediato. Na primeira semana de internamento, verificou-se uma ligeira estabilização. Em 16 de março, já a A assessoria de Paulo divulgou que o quadro estava estável.
O Brasil respirou, mas no dia 21 de março, no oitavo dia dentro do hospital, uma nova tomografia derrubou qualquer otimismo que ainda existia. Os pulmões de Paulo Gustavo estavam agora com praticamente 100% da área afetada. 100%. A equipe médica tomou a decisão de o intubar, colocar um tubo diretamente na traqueia para assumir o controlo da respiração e transferi-lo para a UCI.
E aqui começa a parte dessa história que ficou guardada nos bastidores, que não apareceu nos boletins oficiais e que a diretora Susana Garcia, amiga pessoal de Paulo e também médica, revelou num texto emocionado no Instagram. Nos dias que antecederam a entubação, Paulo Gustavo fazia piadas com médicos e enfermeiros. Fazia rir toda a gente dentro da UTI, mesmo com os pulmões quase destruídos.

E no momento em que a decisão foi tomada, aconteceu algo que ninguém que estivesse ali se vai esquecer. Paulo emocionou-se, olhou para cada profissional da equipa e falou da importância de cada um na sua vida. Depois virou-se para Susana Garcia e disse que queria mostrar aos brasileiros o quanto a doença fazia sofrer.
E depois olhou para Tales Bretas, o marido, o amor de 7 anos, o pai dos os seus filhos, e disse as últimas palavras que diria de forma consciente por muito tempo. Amo-te, até já. Simples assim: “Amo-te até já”. Depois disso, o tubo foi colocado, a sedação foi iniciada e Paulo Gustavo entrou num silêncio que duraria semanas.
Thalis Bretas não foi embora. Não no dia seguinte, não no semana seguinte. O marido ficou. Susana Garcia relatou que Thales colocava música para o Paulo ouvir enquanto dormia sedado, que fazia massagem nos pés do marido todos os dias, que conversava com ele próprio sem qualquer resposta. Enquanto isso, o tratamento escalava.
Em 2 de abril, com os pulmões inflamados pela COVID e agora também infectados por uma bactéria, uma pneumonia bacteriana somada ao vírus, os médicos iniciaram a terapêutica com ECMO. A sigla em inglês significa oxigenação por membrana extracorpórea. Em termos simples, é um pulmão artificial fora do corpo.
O sangue de Paulo era retirado, passava por uma membrana que fazia a troca de gases. Oxigénio a entrar, gás carbônico a sair e voltava oxigenado para o corpo. Era um dos equipamentos mais avançados e mais raros do Brasil. E o custo de tudo isto somado à diária da UCI do Copa Star atingia os R$ 80.000 por dia. Foi R 80.000 por dia.
Este número não está em nenhum boletim oficial do hospital. não foi confirmado pela assessoria de Paulo. Vazou para a imprensa por fontes próximas do tratamento e a família nunca o desmentiu, nem o confirmou publicamente. É o tipo de pormenor que fica nas margens da cobertura jornalística e que só quem junta todos os os fragmentos consegue colocar no tamanho certo dentro da história.
A família não mediu esforços, mas o que estava a acontecer dentro dos pulmões de Paulo era uma batalha que nenhum O dinheiro do mundo podia simplesmente vencer. E há um pormenor técnico neste processo que os boletins médicos nunca explicaram em linguagem humana e que é a chave para perceber porque é que Paulo Gustavo morreu da forma como morreu.
Vou-te explicar isso com clareza quando chegar o momento. Por hora, o que precisa saber é o seguinte. O ECMO não cura, ele dá tempo. Permite que os pulmões descansem e tentem recuperar enquanto o aparelho faz o trabalho por eles. Em média, de 10 a 12 dias, já é possível ver evolução nos doentes. Mas os pulmões de Paulo Gustavo tinham sido devastados de uma forma que poucos conseguiam prever.
E o que vai acontecer nas próximas semanas vai levar o Brasil inteiro de esperança ao colapso e de volta à esperança antes do golpe final. Nas semanas seguintes, algo curioso começou a acontecer. Apesar da gravidade do quadro, Paulo Gustavo parecia estar respondendo. A 3 de abril, Susana Garcia conseguiu uma visita ao amigo na UCI, autorizada pelo hospital porque ela era médica a pedido de Tales.
E ela foi às redes sociais depois com um relato que emocionou o Brasil. Ela escreveu que tinha pedido a Paulo, mesmo sedado, mexer a cabeça se estava a ouvi-la. E ele mexeu. Ela descreveu a equipa médica como entusiasmada e otimista. falou de Tales com um olhar de alívio, como quem via a reta final de uma cura se aproximando.
Em meiados de Abril, os Os boletins médicos confirmavam uma estabilização progressiva. Fístulas broncopleurais, pequenas aberturas que tinham-se formado nos pulmões tinham sido identificadas e tratadas. A coagulação estava a normalizar. Não havia sinais de hemorragia. Tatá Vernec, questionada por uma fã nas redes, respondeu com entusiasmo: “O Paulo está a melhorar muito, graças a Deus, graças a Jesus amado.
E o Brasil acreditou, os fãs acreditaram, a família acreditava.” E havia razões concretas para isso, porque no dia 2 de maio de 2021, 50 dias depois de ter entrado sedado na UCI, Paulo Gustavo acordou e interagiu com Tales. Olhou para o marido, reconheceu quem ali estava. Para quem acompanhava aquela história do lado de fora, parecia que a última página estava a ser escrita com final feliz.
Mas dentro daquele corpo, uma tempestade silenciosa estava se formando. E no dia seguinte, 3 de maio, uma segunda-feira, ela chegou sem avisar. O que aconteceu no dia 3 de maio de 2021 tem um nome técnico, embolia gasosa, disseminada por fístola brôqui venosa. Este termo apareceu no comunicado oficial da assessoria de Paulo Gustavo, mas nenhum veículo de comunicação parou para explicar em detalhes reais o que significa para um corpo humano vivo, o que esta complicação faz por dentro, porque ela é irreversível e porque, especificamente
no caso de Paulo, surgiu no momento em que todos achavam que o pior já tinha passado. Então, vou explicar agora. Imagine o seguinte: em algum momento do longo tratamento, uma abertura microscópica formou-se entre o tecido pulmonar e uma veia. Essa abertura permitiu que as bolhas de ar entrassem diretamente na corrente sanguínea de Paulo Gustavo.
E quando o ar entra na corrente sanguínea em quantidade suficiente, ele actua como um obstáculo físico ao fluxo sanguíneo, bloqueando a chegada de oxigénio aos órgãos vitais. O médico Fábio Miranda, chefe de terapia intensiva do Copa Star, explicou depois com uma clareza brutal: “Cérebro e coração foram órgãos imediatamente atingidos por essa quantidade de ar.
Não tem como corrigir isso. Não há como corrigir. Quatro palavras que encerraram 53 dias de luta. É por isso que o quadro de Paulo piorou de forma tão súbita e tão irreversível dois dias depois de ter acordado e interagido com o Thales. Não foi descuido, não foi falha médica, foi uma complicação rara que pode surgir em qualquer tratamento invasivo longo e que quando surge não dá a segunda oportunidade.
Na tarde do dia 4 de maio, a família foi convocada para o hospital. A mãe Deia Lúcia foi, a irmã Ju Amaral foi, o empresário Júlio Márcio foi. Os fãs que não tinham nenhuma relação com Paulo para além do amor que sentiam, foram até à porta do Copa Star e ficaram ali, no passeio da rua Figueiredo de Magalhães em Copacabana, à espera de uma notícia que no fundo já sabiam qual seria.
Às 21:12, o comunicado oficial foi publicado na conta do ator no Twitter. Lamentavelmente, o doente Paulo Gustavo Monteiro faleceu, vítima da Covid-19 e suas complicações. A equipa profissional que participou em O seu tratamento está profundamente consternada e solidária com o sofrimento de todos. A Globo interrompeu a novela.
O plantão foi para o ar e uma parte do Brasil que sorria com Paulo Gustavo desde 2013, desde a estreia da minha mãe é uma peça de teatro, entrou num luto que ainda não passou completamente. O corpo foi levado discretamente no dia seguinte, às 14:20 do Copa Star para Niterói, cidade natal de Paulo, num carro funerário rodeado de câmaras e fãs.
No dia 6 de maio, foi cremado em cerimónia restrita e no dia 11 de maio, foi realizada uma missa de sétimo dia celebrada aos pés do Cristo Redentor, transmitido na televisão, com a presença de amigos como Regina Casé, Luciano Hul, Angélica, Fábio Porchá e Eloía Perissé. Uma despedida à altura de quem era e do tamanho do buraco que deixou.
Se essa história está a tocar-te tanto quanto toca qualquer brasileiro que amava o Paulo Gustavo, partilha já este vídeo. Envia para aquela pessoa que também sente saudade. Isto ajuda muito o canal e garante que mais pessoas conheçam esta história completa. Continuando, há um pormenor que Paulo Gustavo guardou para si durante anos e que só faz sentido completo agora, depois de saber tudo o que acabou de ver.
Ele tinha 39 anos quando fez testamento. 39. Estava no auge. Os filhos tinham acabado de nascer. Aanquia a minha mãe é uma peça. Estava a bater recordes e em silêncio, sem contar a quase ninguém, ele organizou o que iria acontecer com tudo o que tinha construído, caso um dia não pudesse mais cuidar dele. Esse documento, este ato quase invisível na biografia pública de Paulo Gustavo, é a melhor janela.
para perceber o tamanho real do que deixou para trás. Porque o que estava escrito nesse testamento revela um império que a maioria dos brasileiros não conhece nos pormenores. A fortuna total estimada era de 100 milhões de reais, construído num tempo relativamente curto, com muito trabalho, muita inteligência de negócio e uma personagem que cultivou ao longo de anos até transformar em fenómeno nacional.
A franquia, a minha mãe é uma só peça arrecadou quase R 442 milhões deais nas bilheteiras brasileiras ao longo de três filmes. O terceiro, de 2019, tornou-se a maior bilheteira da história do cinema brasileiro até àquele momento. R$ 143.900.000 recolhidos e mais de R$ 11.500.000 1 espectadores. Paulo não era só ator, era produtor executivo, tinha participação nos direitos da obra.
Entendia de dinheiro com a mesma habilidade com que entendia de comédia. Entre os bens que deixou estavam uma mansão avaliada em 15 milhões de reais num dos condomínios fechados mais exclusivos do Rio de Janeiro e um apartamento em Nova Iorque, a cidade que mais amava no mundo, avaliado em 6 milhões de dólares, o equivalente a cerca de 30 milhões de reais.
Thales revelou mais tarde que os dois tinham um projeto de levar as crianças a viver um tempo em Nova York, que aquele apartamento era parte de um sonho que ficou a meio. O testamento organizou tudo com precisão. Dea Lúcia recebeu um apartamento no Rio, onde passou a viver para ficar perto dos netos. Ela queria vender como o Paulo tinha orientado, mas decidiu ficar.
comprou a parte do ex-marido e ficou onde o filho tinha vivido. Tales Bretas, como viúvo, ficou com a parte que lhe cabia por lei. E os dois filhos, Gael e Romeu, hoje com aproximadamente 5 anos de idade, são herdeiros de um património que precisará de ser administrado com cuidado até que cresçam.
Gael é filho biológico de Paulo. Romeu é filho biológico de Thales. Os dois nasceram de barrigas de aluguer nos Estados Unidos em agosto de 2019, a partir de óvulos da mesma dadora, o que os torna irmãos biológicos entre si. Dois meninos que crescerão sem o pai que os fez existir, mas com o peso e o privilégio de um legado gigante.
E tem ainda uma outra dimensão deste legado que vai para além do dinheiro. Em 2022, o governo federal sancionou a lei Paulo Gustavo, a Lei Complementar 195, que destinou Rhões 800 milhões de reais para o setor cultural brasileiro. dinheiro distribuído para cinemas, teatros, produções independentes, músicos, artistas de todo o país.

Uma lei que existe porque o nome de Paulo Gustavo foi invocado no Congresso como símbolo de uma cultura que merece ser preservada. Um ator que morreu tornou-se instrumento de política pública. E isso é talvez o legado mais inesperado de todos. Mas há ainda uma última coisa, a parte mais difícil de contar.
O que Paulo Gustavo disse nos momentos finais antes de entrar na sedação e que é a parte que mais dói quando se pára para pensar no que ele estava a pedir. Antes de ser entubado, Paulo Gustavo virou-se a Susana Garcia e disse o seguinte: “Susana, se eu pudesse agora, queria mostrar aos brasileiros, mostrar para todos o quanto esta doença faz nós sofrermos, o quanto está difícil o que estou aqui a passar, o quanto é importante as pessoas se cuidarem”.
Ele disse isso. Um comediante que dedicou toda a vida a fazer as pessoas rirem no pior momento da sua vida, sem força para nada, com praticamente 100% dos pulmões destruídos, pensou no Brasil, pensou nos outros e pediu para que a sua dor servisse de aviso. Esse é o pormenor que a estrutura da notícia não conseguiu guardar com o peso que merecia.
Porque quando um homem está a ser preparado para ser sedado e possivelmente nunca mais acordar, e o que ele pensa é em como alertar outras pessoas. Isso diz tudo sobre quem era Paulo Gustavo fora dos palcos e das câmaras. Não era só o humor, era o cuidado, era a generosidade, era aquela forma de olhar para o outro que a personagem dona Hermínia, inspirada na própria mãe Dea Lúcia, carregava em cada cena.
Uma mulher exagerada, barulhenta, inconveniente, mas que no fundo de cada piada tinha amor de sobra. Ele construiu um personagem assim porque era assim. E hoje, em 2026, 5 anos depois daquela noite de 4 de Maio, os filhos Gael e Romeu crescem sem o pai. Dea Lúcia continua em cena, levando o humor e a saudade juntos.
Tales Bretas segue criando os dois meninos e a lei Paulo Gustavo continua a financiar artistas em todo o Brasil. O homem foi-se embora. O que ele construiu dentro e fora dos ecrãs ficou. E talvez o maior legado de todos os não sejam os 100 milhões de reais, não seja o recorde de bilheteira, não seja nem a lei que tem o seu nome.
O maior legado é este, um tipo que estava moribundo e pensou em ti, em mim no Brasil, e pediu que nos cuidássemos. 53 dias dentro de um hospital, numa batalha que não escolheu travar. E o que quis deixar foi um recado de cuidado. Isto é Paulo Gustavo. E por isso a saudade não passa. Antes de você ir, preciso de te fazer uma pergunta e quero a vossa resposta nos comentários aqui em baixo.
Se Paulo Gustavo pudesse ver o Brasil de 2026, o que acha que ele diria? Comenta aqui. Eu leio todos. E se chegou até ao final desse dossier e ainda não está inscrito no canal, subscreve já e ativa o sininho, porque todas as semanas tem uma história nova como esta, contada com pesquisa real do início ao fim. Até o próximo dossier. M.