Os Luxos Abandonados de Jorge Lafond — VERA VERÃO — Após Sua Morte Milhões e um Hotel Apodrecendo! 

Os Luxos Abandonados de Jorge Lafond — VERA VERÃO — Após Sua Morte Milhões e um Hotel Apodrecendo! 

Os luxos abandonados de Jorge Lafon. Vera Verão. Após a sua morte, milhões e um hotel a apodrecer. Paredes que um dia foram brancas e firmes. Corredores que tiveram movimento, vozes, vida. Uma estrutura que custou muito dinheiro a ser construída e que foi, em algum momento, motivo de orgulho para quem a possuía.

Hoje o mato tomou conta de tudo, as paredes cederam, o telhado não aguentou. A vegetação avançou por cada fenda com a paciência de quem sabe que já não há ninguém para a conter. Silêncio absoluto onde um dia houve barulho de gente. Isso existe. Não é um cenário de um filme, não é imagem de outro país.

 É uma propriedade real no interior do estado de São Paulo que pertenceu a um dos homens mais famosos. e mais amados da televisão brasileira e que hoje está exatamente assim, abandonada, apodrecendo, esquecida. O nome deste homem era George Lafond. O Brasil conheceu-o como Vera Verão. E o que aconteceu a este património? Com este luxo que virou ruína, com os milhões que acumulou ao longo de décadas e que desapareceram depois da sua morte? É uma história que a maioria das pessoas nunca ouviu completa.

 Isto não é o início desta história. É só o que ficou depois de tudo. Depois da glória que travou o O Brasil, depois das humilhações que quebraram este homem por dentro ainda em vida, depois do amor de 20 anos que a justiça brasileira olhou nos olhos e diz que não existia. E depois de uma guerra por herança que durou quase duas décadas e que terminou de uma forma que te vai deixá-lo zangado, hoje vai entender como um património construído com 31 anos de trabalho foi parar às mãos de quem Jorge Lafon nunca escolheu.

 E o que sobrou para quem ele escolheu foi exatamente nada. Vai descobrir o que aconteceu aos milhões que este homem acumulou e quem os recebeu no lugar de quem deveria ter recebido. E vai ver, com pormenores que ninguém contou antes, como uma propriedade inteiro, apodreceu sem dono, sem cuidado e sem que ninguém respondesse por isso, enquanto o nome de Jorge Lafon era utilizado para ganhar audiência, para vender livro, para encher um cemitério no dia do enterro e depois, esquecido com a mesma facilidade com que o mato tomou aquelas

paredes. Esta história é sobre o que o Brasil faz com quem usa enquanto precisa. e abandona quando não precisa mais. E ela começa agora. E se você ainda não se inscreveu no canal Império das Estrelas, faça-o agora. Aperte o botão de inscrição e ative o sino. Aqui há investigação. Todo o vídeo que a gente lança, vai ser o primeiro a saber.

 Fica até ao fim, não vai se arrepender. Existe nos arredores de Sorocaba, no interior do estado de São Paulo, uma propriedade que parou no tempo, não de forma poética, de forma concreta, física e brutal, muros que cederam ao peso dos anos. Estrutura tomada pela vegetação, que foi avançando lentamente, centímetro a centímetro, como faz a natureza quando percebe que já não há mão humana para contê-la.

Telhado comprometido. Corredores vazios onde um dia houve vida, movimento, presença. Quem por ali passa e não conhece a história, vê mais um lugar esquecido. Daqueles que o Brasil tem aos magotes e móveis que um dia pertenceram a alguém e simplesmente deixaram de ter dono. Mas esta propriedade teve dono e o dono foi um dos homens mais reconhecidos da televisão brasileira.

Este lugar foi parte do património construído por Jorge Lafon ao longo de 31 anos de carreira. Um património que incluía também uma casa em Mairi Porã, na grande São Paulo, adquirida à própria atriz Cásia Kiss, o que diz muito sobre o 

Havia bens acumulados com consistência ao longo de três décadas. Um património que, somado ao que foi alegado publicamente em disputas judiciais, quase R 2 milhões de reais, segundo o companheiro de Lafon, superou com folga a marca de R$ 1 milhão deais. Tudo isso construído por um homem negro, assumidamente homossexual, criado no subúrbio do Rio de Janeiro, numa época em que nenhuma destas três características abria portas, só fechava.

 E o mais perturbador é que este património, depois da morte não foi para quem Lafon havia indicado. Foi consumido por litígios judiciais, por decisões que ignoraram décadas de convivência, por uma burocracia que optou por não ver o que estava à frente dos olhos. E o que ficou fisicamente, essa propriedade de Sorocaba, ficou exatamente assim, de pé, mas apodrecendo, como se o próprio abandono fosse a única forma honesta de contar o que aconteceu com a memória deste homem depois de ele morreu.

 Você que está aqui, comenta embaixo. Sabia dessa propriedade? O que está a sentir até aqui? Porque para perceber como esse património chegou a esse estado, precisa voltar ao início e conhecer quem era realmente o homem por trás da personagem. O seu nome verdadeiro era Jorge Luís Sousa Lima. Nasceu em 20 div de março de 1952 em Nilópolis, na Baixada Fluminense.

 Um dos territórios mais duros do Rio de Janeiro, onde crescer com grandes sonhos já era por si só. um ato de resistência. Aos 6 anos, já sabia que era gay. Disse isto em entrevista décadas depois, sem hesitar. Numa época em que este significava humilhação diária, familiar e social, soube cedo quem era e não mudou.

Aos 9 anos, iniciou-se no ballet clássico. Não era uma fantasia de criança, era um projeto. Estudou dança africana com seriedade e rigor. Trabalhou com Mercedes Batista, a primeira mulher negra a integrar o corpo de baile do teatro municipal do Rio de Janeiro. Uma das figuras mais importantes da história da dança brasileira.

Aprendeu com quem sabia, construiu o corpo, a técnica e a presença. Aos 17 anos, já percorria Europa e Estados Unidos como bailarino no grupo de Aroldo Costa, um grupo dedicado a levar ao mundo a dança folclórica brasileira. Durante 10 anos foi isso. Palcos fora do Brasil, países diferentes, culturas diferentes.

 Um homem negro do subúrbio carioca, que aprendeu a ocupar qualquer espaço com dignidade e talento antes de qualquer câmara de televisão o descobrisse. Quando voltou, não parou. Licenciou-se em teatro pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, a UFRJ. Formou-se também em educação física pela Universidade Castelo Branco.

 Dois diplomas, um corpo treinado para a arte e uma mente treinada para a compreender com profundidade. O apelido artístico Lafon foi uma escolha deliberada e afetiva, uma homenagem à atriz Monique Lafon que ele admirava. Jorge Lafon não era um nome de palco atirado ao acaso. Era a construção cuidadosa de uma identidade por um homem que levou a sério a própria existência desde sempre.

 Havia ainda uma dimensão espiritual que poucos compreenderam de verdade. Jorge seguia o candomblé e quando questionado sobre Vera Verão, ele era categórico e claro. Dizia que a personagem não era uma personagem, era uma entidade. Um espírito que descia nele, que ele tinha trazido para dentro da televisão, como uma dádiva da sua espiritualidade.

Este é o homem que o Brasil recebeu em 1992. Não, um humorista que surgiu do nada, um artista completo, formado, viajado e espiritualizado, que sabia exatamente o que estava a fazer cada vez que colocava o salto e entrava em cena. E foi esse homem que criou algo que mais ninguém conseguiu repetir. Em 1992, Carlos Alberto de Nóbrega criou para A Praça é Nossa, no SBT, um tipo diferente de personagem.

 Uma figura que não pedia licença, que não se diminuía, que entrava em cena como se todo o palco fosse dela por direito. Nóbrega criou o estilo, mas foi Jorge Lafon quem batizou. O nome foi dele, Vera Verão. E durante 10 anos consecutivos de 1992 a 2002, cada vez que ela aparecia na ecrã, a audiência subia. Não era coincidência, era talento.

 Jorge Lafon tinha 1,98 m de altura. Com os saltos de Vera Verão, passava dos 2 m, entrava em cena e já era maior do que tudo à volta, literalmente e artisticamente. O bordão epá, paneleiro não entrou no vocabulário do Brasil de um forma que poucos bordões conseguiram. Era repetido nas escolas, nos bares, em reuniões familiares, com carinho, com humor e com a clicidade de quem entendia que ali havia algo de real a ser dito em forma de comédia.

Lafon não ficou preso a um único programa. Tornou-se repórter do Domingo Porreiro, fazendo entrevistas e lariantes com populares no Piscinão de Ramos, no Rio, e o público adorava cada aparição. No carnaval era uma presença marcante. Tinha desfilado na Beijaflor, usando apenas um tapexo, e transformou aquele em arte, em afirmação, em presença irrecusável.

 Em 2002, foi convidado a ser madrinha de bateria da Unidos de São Lucas, em São Paulo, homenageado no próprio samba enredo da escola. Em 1999, lançou a autobiografia Vera Verão, Bofes e Folhos, e durante o lançamento fez uma revelação que parou o país. Disse que tinha tido um longo romance com um famoso jogador de futebol da seleção brasileira e ameaçou revelar o nome publicamente.

 O Brasil ficou em suspense. O nome nunca foi dito, mas o impacto mostrou o quanto Jorge Lafon dominava o jogo da narrativa e da atenção pública. O que muita gente não percebeu na altura e que hoje é reconhecido com clareza, é que Lafon foi um dos primeiros artistas negros e abertamente homossexuais a ter espaço fixo, semanal, de grande audiência na televisão aberta do Brasil.

Num país que não estava preparado para isso, ele estava lá todas as semanas ocupando aquele espaço com força, com riso e com uma dignidade que nenhum preconceito conseguiu arrancar. Se esse vídeo está dizendo-lhe coisas que não sabia, deixa já o like e subscreve o canal. O que vem a seguir é ainda mais pesado, porque havia algo a acontecer por baixo de toda esta glória.

 Uma relação que durava há décadas e que ninguém queria ver. e dois episódios em 2002 que vão mudar tudo para sempre. Havia um homem que estava sempre perto de Jorge Lafon. Nas gravações, nas entrevistas, nos bastidores, nos eventos. Um homem que organizava a agenda, que tratava da imagem, que acompanhava tudo de perto com a atenção e o cuidado de quem não está apenas a cumprir um contrato profissional.

Chamava-se Marcelo Padula. A versão oficial, a versão que o Brasil via era a de que era o empresário, o assessor, o profissional contratado para gerir a carreira de Jorge Lafon. Mas para quem estava próximo, havia algo muito mais profundo do que isso. Marcelo Padula e Jorge Lafon conviveram juntos há mais de 20 anos.

20 anos de presença constante, de uma vida partilhada que a sociedade daquela época simplesmente não estava disposta a nomear pelo que era. E aqui é o ponto mais cruel de toda esta história. Não foi só a sociedade que se recusou a reconhecer. Mais tarde seria também a justiça. Jorge Lafon era um homem que entrava em cena como Vera Verão e gritava quem era para todo o Brasil.

 Mas na vida real, fora das câmaras, o homem que amava precisava existir com outro rótulo. Precisava de ser apresentado como funcionário, porque o rótulo verdadeiro ainda era perigoso demais, social e profissionalmente. Enanto havia documentos, havia uma pólice de seguro de vida em que o nome registado como beneficiário era o de Marcelo Padula.

 Não havia ambiguidade no papel, o nome estava lá. E havia 20 anos de vida construída em conjunto, que, pelo menos na lógica mais humana possível, deveriam ter falado por si quando chegasse a hora. Mas foi exatamente esse silêncio forçado durante décadas, a ausência de um endereço em comum registado, a ausência de contratos formais de cohabitação, que tornou-se depois da morte de Lafon, a arma mais eficaz utilizada para tirar de padula tudo o que era seu por direito.

 O relacionamento que precisou de se esconder para sobreviver pagou no fim um preço altíssimo por esse esconderijo. Acha que Marcelo Padula tinha direito à herança de Jorge Lafon? Comenta aqui em baixo. Esta discussão é importante e quero ler a sua opinião. Mas antes de falar da batalha judicial, é necessário falar sobre o que aconteceu nos últimos meses de vida de Jorge Lafon.

 Porque o que ele viveu em 2002 dentro das emissoras que o tornaram famoso choca até hoje. 2002 foi o ano em que tudo começou a desmoronar-se e não por falta de popularidade, antes pelo contrário. Nesse ano, o SBT lançou a segunda ª temporada da Casa dos Artistas, o maior reality show da estação. O público foi chamado a votar em que celebridade queria ver participar.

 Jorge Lafon liderou a votação. O Brasil quis ele dentro da casa e a direção da SBT disse que não. Vetado sem explicação pública convincente, o homem que o público mais queria ver foi o único que não pôde entrar. Apareceu apenas na estreia como participação especial e foi-se embora. Uma década de dedicação à estação.

 um dos personagens mais icónicas da história do canal, humilhado perante o próprio público que o amava e não se ficou por aí. Semanas depois, com o nome ainda em alta, Lafon participou numa gravação do Domingo Legal, outro programa da SBT. A dado momento, foi convidado a retirar-se do palco para que o padre Marcelo Ross pudesse entrar e fazer uma oração ao vivo.

 O padre negou publicamente a revista Quem, que tivesse pedido a saída de Lafon, mas Jorge não viu dessa forma. Em entrevista à TV Fama, as palavras que usou foram pesadas e carregadas de dor. Magoou-me muito. Se eu o tivesse mandado para aquele lugar, não estaria stressado como ainda estou. revelou ainda que algo semelhante já tinha acontecido antes numa rádio.

 A voz saía zangado e com o cansaço de um homem que tinha aguentado muito e estava chegando ao limite. Dias depois desta entrevista, Jorge Lafon foi internado. O stress severo agravou uma hipertensão que já carregava há anos, associada a problemas cardíacos graves. Em Dezembro de 2002, uma paragem cárdiatória. Foi levado para o hospital CPACO em São Paulo.

 Marcelo Padula estava ao seu lado, como sempre tinha estado. Em 11 de Janeiro de 2003, Jorge Lafon morreu. Enfarte fulminante por falência múltipla dos órgãos. 50 anos de idade, o Brasil acordou com esta notícia e parou. Mais de 5000 pessoas foram ao cemitério do Irajá, na zona norte do Rio de Janeiro, dizer adeus. Aione estava lá. Emílio Santiago estava lá.

 Câmeras, flores e choro. O velório foi à altura de quem ele foi. Um caixão importado avaliado em 5.000, jóias estimadas em mais de R$ 10.000 colocadas sobre o corpo, a pedido do próprio Lafon e de um saco fechado de oferendas de candomblé. depositado sob o caixão, como o seu sagrado mandava. Uma despedida que parecia a última homenagem digna que aquele homem merecia.

Mas o que aconteceu a tudo o que ele deixou para trás foi um escândalo que demorou anos a vir à tona. Quando Jorge Lafon morreu, Marcelo Padula sabia que existia uma apólice de seguro com o seu nome como beneficiário. Sabia porque tinha sido avisado pelo próprio Lafon. O que ele não sabia era o que tinha acontecido com esse dinheiro.

A descoberta surgiu anos depois da boca do próprio advogado que vasculhava os papéis da herança. A apólice existia. O nome de Padula estava registado, mas o dinheiro tinha sido levantado por outras pessoas, sem que ele fosse notificado, sem que fosse consultado. O beneficiário registado nunca recebeu nada.Vida de Jorge Lafond, a Vera Verão, será transformada em musical

 Em 2019, 16 anos após a morte de Lafon, Padula foi ao programa Fofocalizando do SBT e falou abertamente pela primeira vez. As palavras que utilizou foram as de um homem que carregava aquilo há demasiado tempo. Fizeram um pacto repugnante, sujo, baixo entre a seguradora e essas pessoas e me roubaram.

 Meteram a mão no que era meu por direito. Padula acusou os três primos de Jorge Lafon, os seus únicos parentes vivos, que tinha criado próximos de si, de terem recebido indevidamente valores que somavam, segundo ele, quase R 2 milhões de reais. Os seguros de vida, a casa de Mairip Porã, os bens, tudo foi disputado na justiça.

 Os primos argumentaram que a relação entre Padula e Lafon não tinha suporte legal, porque não havia provas de coabitação, não existia contrato de habitação em comum, não havia endereço registado de forma conjunta. Num relacionamento que passou décadas a ter de se camuflar para sobreviver, esta era a consequência direta de todo aquele silêncio forçado.

Mas a justiça não quis ver este contexto. Em 2021, uma primeira decisão reconheceu parcialmente a união estável. Parecia que a lei iria finalmente fazer o que era justo. Em 2022, o Tribunal de A Justiça de São Paulo derrubou esta decisão. Os juízes entenderam que as provas não eram suficientes para configurar uma união estável nos termos do Código Civil.

 Os três primos ficaram com tudo. Marcelo Padula não viu nenhuma dessas sentenças. Em fevereiro de 2020, antes de qualquer decisão final, ele morreu de enfarte. O mesmo tipo de morte que tinha levado Jorge Lafon 17 anos antes. Morreu a lutar, morreu sem reconhecimento, morreu sem receber o que acreditava ser seu por direito.

 A sua mãe assumiu o processo em seu nome e continuou a luta, mas a decisão final foi desfavorável. O amor de 20 anos não foi reconhecido pela lei brasileira e o dinheiro ficou com os primos. Partilha esse vídeo agora. Muita gente não conhece esta parte da história e precisa de saber. Cada partilha leva essa história para mais uma pessoa que merece conhecê-la.

Mas a história ainda não acabou, porque em 2018, 15 anos depois do funeral, um descoberta absurda deitou tudo de volta para as manchetes. Em 2018, Marcelo Padula foi ao cemitério de Irajá, no Rio de Janeiro, o mesmo local onde 15 anos antes Jorge Lafon tinha sido sepultado. Foi até lá com uma intenção simples, visitar, e não encontrou nada.

 A ossada havia desaparecido. Os pertences enterrados com o corpo, as jóias que Lafon pediu para levar consigo, as oferendas que a sua fé mandava, tinham sumido sem rasto. Nenhum funcionário soube explicar. A atual administradora do cemitério, a Rio Pax, que assumiu a gestão do espaço em 2014, declarou formalmente que a anterior administradora, a Santa Casa de Misericórdia, não tinha deixado documentação capaz de responder ao que tinha ocorrido com os restos mortais.

Ninguém sabia para onde o corpo tinha ido. Ninguém sabia quem tinha autorizado qualquer movimentação. Ninguém sabia o que tinha sido feito com os pertences. Padula foi à imprensa e não usou meias palavras. Isto é crime. Profanar um túmulo, mudar um corpo de local sem autorização escrita. Denunciou.

 afirmou que iria processar a concessionária e a câmara municipal do Rio de Janeiro por não ter sido avisado de nenhuma movimentação e por não constar nenhum registo no sistema. Nenhuma investigação resultou em responsabilização pública. Nenhum nome foi oficialmente apontado. Os restos mortais de Jorge Lafon, o homem que fez rir o Brasil inteiro, que dançou em palcos da Europa, que foi vetado do palco e que morreu de stress, continuam sem paradeiro oficial até hoje.

 Comenta aqui em baixo o que tu sente ao saber disso. Que um homem destes tamanho foi tratado desta forma. em vida e depois da morte. Quero ler cada resposta, porque o que vem agora é a única parte desta história que ninguém conseguiu roubar. Se olhar para tudo o que aconteceu a Jorge Lafon depois de ele morrer, é difícil não sentir uma raiva surda e justa.

As instituições falharam com este homem em cada momento que importou. A emissora vetou-o quando o público o escolheu. O palco expulsou-o para dar lugar a outro. A justiça recusou-se a reconhecer o homem que viveu ao seu lado durante duas décadas. O dinheiro foi para quem a lei considerou mais legítimo do que o companheiro de toda a vida.

 O cemitério perdeu o corpo, os pertences desapareceram, a propriedade apodreceu e em nenhum destes momentos houve uma verdadeira responsabilização. Em nenhum destes momentos, alguém disse claramente o que tinha sido feito de errado e pagou por isso. É a história da um homem que o Brasil usou enquanto precisou e que as instituições descartaram quando já não precisaram.

ou pelo menos foi o que tentaram fazer, porque o povo não seguiu este guião. No carnaval do Rio de Janeiro, o Troféu Jorge Lafon existe até hoje, premiando os destaques das escolas de samba, levando o seu nome para Sapucaí ano após ano. Desde 2016 que o Balvera Verão reúne artistas da comunidade LGBTQ em competições estéticas e performativas criadas diretamente em homenagem ao seu legado.

 O musical Jorge para sempre verão, realizado por Rodrigo França, encheu casas de espetáculo no Rio e em São Paulo com pessoas que queriam lembrar, que queriam compreender, que quiseram prestar a homenagem que as instituições nunca prestaram direito. E no dia 29 de março de 2023, naquilo que seriam os 71 anos de Jorge Lafon, a Google colocou o rosto dele na página inicial do maior motor de busca do mundo, um doodle.

 Uma ilustração especial. Nilópolis para o planeta inteiro. No início deste vídeo, ouviu a frase que Jorge Lafon disse sobre Vera Verão, que não era uma personagem, mas uma entidade, um espírito, um presente da sua espiritualidade que ele trouxe para dentro da televisão. Isto, agora que conhece a história completa, significa muito mais do que parecia.

Porque as entidades não morrem quando o corpo para, não morrem quando o cemitério perde a ossada, não morrem quando a justiça nega o amor, não morrem quando a propriedade se torna ruína ou quando a emissora fecha a porta. Elas continuam nos palcos, nos bailes, nos sambas, nos doodles e nas histórias contadas por pessoas como você que chegou ao fim deste vídeo porque sabia que esta história precisava de ser ouvida com atenção e com respeito.

 Jorge Lafon merecia mais do que recebeu, mas o que ele deixou? A arte, a coragem, o o riso, a representatividade, a prova viva de que um homem negro e gay do subúrbio pode chegar onde chegou e ocupar o espaço que desejar. Isso ninguém conseguiu roubar. Se este vídeo te tocou, fez-te pensar e fez-te sentir alguma coisa, deixa o like, subscreve no canal e comenta aqui em baixo o que não sabia sobre Jorge Lafon antes de hoje? Conta-me.

 Eu leio todos os os comentários.

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