OS LUXOS ABSURDOS ABANDONADOS POR MUSSUM APÓS SUA MORTE — HISTÓRIA COMPLETA
Os três perderam toda a fortuna que fizeram. Trê tudo, tudo, tudo. Nós apanhámos uns um uns gajos que tava a gerir pra gente, levavam todo o dinheiro do imposto sobre o rendimento que é nosso para pagar e não pagavam o imposto sobre o rendimento. E aí ficámos sem nada. Mas este aqui reconheço. É, é. Este é o Mum.
Sim, é, senhor. Mamã. Já foi meu aluno. Primeira apito do comboio. Arranja-lhes uma vaga na bateria da Mangueires. Só de tamboril. [risos] É tamborim. Tamborim na ela da mangueira é fogs. É uma repilicada aqui dentro. Lá fora toma. [risos] Ninguém imaginava que por detrás de uma das gargalhadas mais famosas do Brasil existia uma história que terminaria em luta, dinheiro bloqueado na justiça.
E um herdeiro que só apareceu 25 anos depois da morte. Porque o mussum que conhece não é o mussum completo. Todos os domingos à noite o Brasil parava, a televisão ligada, a família reunida e bastava-lhe abrir a boca para casa inteira explodir en gargalhada. É um palhaço a voar. É a velia criou. Esta aqui é a menina de Panima.
Ai, mas é um morenaço, não é? Acha que eu vou trocar o meu príncipe? Um senhor príncipe por si. Que é isto? És um príncipe de jabá, príncipe de carne seca. Vadear, vou vadear, covardar. Eu vou. Era automático, era quase mágico, mas o que ninguém via era o outro lado. O homem que saiu de um dos lugares mais humildes do Rio de Janeiro e construiu uma vida que parecia impossível.
Mansão em condomínio de elite. Eu chamo-lhe aqui do os mini mum. Os mínimos detalhes do mum. O seu paraíso paraísozinho nosso. Casa em ilha privada, lancha de luxo, dinheiro a entrar de todos os lados. E depois, de repente tudo acabou. No dia 29 de julho de 1994, aos 53 anos, o Brasil perdeu moussum. O homem que deu alegria a milhões de crianças [música] deixa o Brasil um pouco mais triste.
Foi enterrado ao fim [música] da tarde em São Paulo o humorista Mussum dos Trapalhões. Se o Brasil ficou triste, tenho certeza que o céu ficou muito alegre agora. Muito obrigado, Seg, meu irmão. Mas o que veio depois da sua morte? Ninguém estava preparado. Bens vendidos à pressa, uma família dividida, um património gigante que se tornou problema.
E anos depois, um segredo que explodiu como uma bomba. E a questão é inevitável. Como um dos homens mais ricos e amados do Brasil deixou para trás uma herança rodeada de caos. A paternidade e a herança são os motivos que colocam os irmãos em confronto. E tal e a herança milionária que é milion. Isso aí está no mundo dele.
Isso não existe. É, imagina o homem preto, não é, que chegou onde quantos gostariam de chegar com o seu talento, com o seu trabalho. É, e vê a nossa família a ser detonada assim. Ai, desculpa. Fica comigo até ao fim, porque esta história vai muito para além da comédia. Para perceber como tudo isto chegou a esse ponto, precisamos de voltar muito antes da fama.
muito antes do dinheiro, voltar para um lugar onde ninguém apostava num final feliz. No dia 7 de abril de 1941, nascia no Rio de Janeiro um menino chamado António Carlos Bernardes Gomes. Mas o mundo nunca lhe chamaria assim. Para todo o Brasil, ele seria Mussum. Cresceu no morro da Mangueira. E quem conhece a Mangueira sabe, ali o o samba não é só música, é identidade, é sobrevivência.
É o som que acorda à rua, que embala a vida, que une as pessoas quando o resto parece faltar. De burocratas, milhões de burocratos, temos [música] de burocratizar. Mas a vida não era fácil. Casa simples, dinheiro curto. Um Brasil dos anos 50, onde nascer pobre e negro significava começar a vida muitos passos atrás, num jogo onde as regras nunca foram feitas para você vencer.
E mesmo assim ele encontrou um jeito. Tem uma cena da vida dele que diz mais sobre quem era do que qualquer mansão que viria depois. A mãe do Mussum não sabia ler e foi ele, ainda menino, que se sentou ao lado dela e começou a ensinar letra a letra, palavra a palavra. Imagina isso. Um filho a ensinar a própria mãe a ler dentro de uma casa simples no monte.
Enquanto o mundo lá fora já tinha decidido que nenhum dos dois iria muito longe. Guarda essa imagem. Porque antes de ser famoso, antes de ser rico, antes de fazer rir o Brasil inteiro, o Musum já era um homem diferente. Mas o seu destino não ia ficar preso ali, porque existia algo que já pulsava dentro dele, algo que nascia juntamente com o som da mangueira e que ia mudar completamente o rumo desta história, a música.
E é aqui que tudo começa a virar. E o meu o meu caso mesmo forte era eu tocar recrec, ser sambista e não tinha inclinação. Vou ler um guião e dizer alguma coisa, não vai resultar. Coisa para nós. E aí o Mussum começou a encantar e a miudagem depois da defesa a minha cabeça, acabei por aceitar. Sou cursado e diplomado em mecânica de precisão, ajustagem.
Eu fui militar 8 anos, cabo, especializado da Tilógrafo. Depois entrei para o mundo do samba, fui líder do grupo Os originais do samba durante 20. Os originais do samba. E não, não era um grupo qualquer. Os originais levaram o samba brasileiro para um nível que pouca gente imaginava naquela época. Cai, cai, cai. Eu não [música] vou levantar-te.
Cai cai cai cai. Quem mandou? Espetáculos pelo país inteiro, apresentações lotadas e algo ainda mais raro para aquele período, digressões internacionais. De repente, aquele menino da Mangueira estava a atravessar fronteiras, conhecendo outros países, outros palcos, outras realidades. [música] [música] Estivemos seis meses no México.
Eu comecei a fazer carro e miranda ali em 64 e o Musum, os originais do samba, foram ali me escorando, ajudando-me. Enquanto o Brasil vivia um dos momentos mais tensos da sua história, com censura, medo e repressão, Mussum fazia exatamente o contrário. Ele levava alegria, levava música, levava o samba como forma de resistência.
Am [música] que não se apavora. Disse eu [música] que vou investigar. A independência do Brasil saiu do [música] nós é nós é nós é que somos. E o dinheiro começou a aparecer. Ainda não era aquela fortuna gigantesca que viria mais tarde, mas já era suficiente para mudar completamente a forma como via a vida.
Pela primeira vez, ele não estava apenas a sobreviver, estava a viver. Eu chamo-lhe aqui os mini mumu, os mínimos detalhes do mumu, O seu paraíso paraísozinho nosso. Mas há aqui um pormenor importante. Mesmo conhecendo o mundo, mesmo subindo nos palcos, mesmo começando a ganhar dinheiro, Mursum nunca se desligou da origem.
A mangueira continuava ali presente, viva dentro dele. E talvez tenha sido exatamente isso, essa mistura de simplicidade com talento que chamou a atenção das pessoas certas, porque em algum momento alguém viu naquele sambista algo que ia muito para além da música e fez um convite. Um convite simples, mas que mudaria absolutamente tudo.
Em 1973, Musum juntou-se a um grupo que não apenas mudaria a sua vida, mas mudaria a televisão brasileira para sempre. O o meu caso mesmo forte era eu tocar recrec, ser sambista e não tinha inclinação. Vou ler um guião e dizer alguma coisa, não vai resultar. Coisa para nós. E aí o Mum começou a encantar e a miudagem depois da defesa a minha cabeça, acabei por aceitar.
Sou cursado e diplomado em mecânica de precisão, ajustagem. Eu fui militar 8 anos, cabo, especializado da Tilógrafo. Depois entrei para o mundo do samba, fui líder dos grupos originais do samba durante 20 e poucos anos. Hoje sou trapalhão, sou palhaço. Tranquile. Ai, os trapalhões. E aqui não há exagero. A partir desse momento, Mussum deixou de ser apenas um músico talentoso e tornou-se um dos rostos mais conhecidos do país.
Domingo à noite, deixou de ser apenas mais um dia da semana. Tornou-se um ritual. A família inteira reunida na sala, a televisão ligada e quatro homens que durante uma hora faziam o Brasil esquecer tudo. Os trapalhões não era só entretenimento, era alívio, era escape. Era o momento em que um país inteiro, cheio de problemas parava só para rir.
Didi, Dedé, Zacarias e ele? Seu António, hein? Põe o meio a xaxicha. Esse o meu é puro, hein, rapaz. Olha aqui, ó. Vai lá, salsichas. Vamos lá. Prontinho. Esta daqui ela boa mesmo. Está boa, rapaz. É aquele médio d uma beçada. Dedé, eu não gosto de de de mezinho fraco. Eu gosto daquele que deixa a dentadura nervosa. Dá lá beçada.
P uma daquela que matou o guard. Ah, é cachaça. É água. É cachaça. É água. É cachaça. Mussum. Mas tinha algo de diferente nele. Enquanto os outros seguiam o guião, Musum parecia viver a cena. Era natural, era espontâneo, era imprevisível. É água. É, é água. [grito] É água. Aquele tipo que bebia e não dava mau exemplo. O Musum era o cachaceiro.
O António Carlos ele bebia normalmente. Eu pratico socialmente. E esse linguajar Códigos vaselina no fareb do povo. Arranjo uma vaga para eles na bateria da Mangueires. Só de tamboril. [risos] É tamborim. Ele não precisava de texto complicado. Bastava uma frase, um olhar, um cacildes no momento certo. E pronto, a gargalhada vinha mesmo antes da piada terminar. Era um dom.
E esse dom começou a valer milhões, porque os trapalhões não ficaram só na televisão. Vieram os filmes. E não eram poucos, foram 37 filmes, 37 sucessos que enchiam os cinemas em todo o Brasil. Filas dobrando quarteirão, crianças, pais, famílias inteiras a irem assistir. Na segunda-feira era o assunto da escola.
E juntamente com o sucesso veio o dinheiro, muito dinheiro, contratos milionários com a televisão, a publicidade pesada. E Musum tornou-se rosto de grandes marcas, entre as quais a Volkswagen, algo que na época significava estatuto de estrela máxima. Agora pára e pensa nisso. O menino que cresceu no morro da Mangueira agora estava estampado em revistas, comerciais, outdoors por todo o país.
O O Brasil inteiro conhecia aquele rosto. E enquanto o país enfrentava a inflação, crise, troca de moedas, o dinheiro do Mussum só crescia. Mas o mais impressionante não foi o quanto ganhou, foi o que fez com esse dinheiro. Enquanto muita gente perdia tudo com a instabilidade econômica, Mussum fez diferente.
Ele pensou à frente, transformou o cachet em património, casa, terreno, imóvel, coisas que ninguém o podia tirar. E foi aí que o luxo começou verdadeiramente. Só que este luxo não era apenas ostentação, era a prova de que tinha vencido. Mas ao mesmo tempo era o início de algo que mais tarde se tornaria um problema. E o que construiu com esse dinheiro vai surpreender-te ainda mais.
E foi aí que o Musum começou a viver uma realidade que parecia impossível, até para quem acompanhava o seu sucesso de perto. Porque o dinheiro não só entrou, ele transformou-se em um estilo de vida que poucos artistas da época conseguiam alcançar. A casa dele, por exemplo, ficava num dos condomínios mais exclusivos da zona oeste do Rio de Janeiro, Jacarpaguá.
Mas não era uma casa comum, era uma mansão, terreno amplo, piscina, espaço para festa, lugar para receber gente importante, artistas, amigos. E recebia mesmo. Final de semana ali não era silêncio, era samba, era churrasco, era gente a chegar sem avisar e sendo bem-vinda na mesma. E há um pormenor que deixa tudo ainda mais surreal.
O vizinho dele era ninguém menos que Dedé Santana. Imagina isso. Dois dos homens mais famosos do Brasil, vivendo praticamente parede com parede. O menino da Mangueira vivia agora no endereço mais cobiçado da elite artística do país. Mas isso era só o início, porque enquanto a mansão era o endereço oficial, Mussum tinha um refúgio que parecia coisa de filme, uma casa na ilha da Gipoia, em Angra dos Reis.
E aqui você necessita de visualizar a cena. Não tinha estrada, não tinha carro. Para chegar ali, só de barco ou de helicóptero. Era uma verdadeira ilha, com um cais privado, lancha ancorada e o mar como quintal. Agora imagina isso. Mussum de chinelo, calções a chegar de lancha na própria ilha.
Enquanto ao fundo, grandes nomes do samba tocavam como se fosse apenas mais um fim de semana. Não era um espectáculo, não era acontecimento, era a vida dele. O menino que crescera sem quase nada, tinha agora uma ilha. Uma ilha. E não se fica por aí. Automóveis importados, relógios de ouro, jóias, artigos de luxo, que naquela época eram símbolo máximo de status.
Mas há aqui um pormenor que muda completamente a forma como vê tudo isso. Mussum não vivia esse luxo sozinho. Partilhava com família, com amigos, com pessoas à volta. O dinheiro entrava e saía com a mesma facilidade. Ajudava, pagava, sustentava, era demasiado generoso. E quem com ele convivia dizia a mesma coisa.
Musson não sabia dizer não. E é aqui que a história começa a mudar verdadeiramente, porque toda a esta estrutura, toda esta vida, toda a esta riqueza dependia de uma única coisa, dele estar vivo. E quando este deixou de ser verdade, tudo começou a desmoronar-se. E depois tudo parou. E de repente tudo aquilo que parecia conquista tornou-se problema.
A mansão em Jacarpaguá não se mantinha sozinha. A casa na ilha exigia dinheiro constante. A lancha precisava de manutenção. Os automóveis, os funcionários, todo o estilo de vida. Tudo tinha custo. E o dinheiro que entrava antes parou. Foi aí que a realidade bateu forte. A família sem saída começou a fazer o que muitas famílias brasileiras fazem quando perdem quem sustentava tudo.
Começou a vender. A lancha foi-se embora. Os carros foram vendidos. Os bens mais caros de manter desapareceram um a um. Não por luxo, não por opção, por necessidade. Um perrengue aqui. Estou precisando de era cerca de R$ 5.000 que necessitava para pagar a minha renda, para pagar o meu carro, o meu combustível e tal. Nunca ganhou até hoje.
Até hoje nunca ganhei R. E aqui entra um pormenor que muda tudo. O património do Musum era grande, mas não era líquido. Tinha bens, mas não tinha um cofre cheio de dinheiro parado. E lembra-se da generosidade? Aquela torneira sempre aberta? Pois é, o homem que ajudava toda a gente não deixou uma reserva suficiente para sustentar tudo aquilo depois da sua partida.
E o que antes era símbolo de vitória, tornou-se um peso, tornou-se preocupação, tornou-se tensão dentro da própria família. Cinco filhos, um património complexo e um processo que parecia simples, mas que levaria anos a ser resolvido. Anos. A partilha dos bens demorou 16 anos.
Só em 2010 tudo foi oficialmente dividido e naquele momento parecia que finalmente tinha acabado. Parecia que a história tinha sido encerrada, mas não tinha, porque 25 anos depois alguém aparecia e mudava tudo de novo. O Lemerança, o comediante Mussum, que faleceu há 30 anos. Um dos filhos, um médico dentista reconhecido por exame de ADN só em 2019, exige publicamente a sua parte na partilha.
E agora os outros herdeiros decidiram quebrar o silêncio. Quero pôr-me a bater no peito e dizer: “Mano, o meu pai não foi, não pedi para nascer não, gente”, percebe? Eu não pedi para ser ser [música] irmão de ninguém. Quem era o seu verdadeiro pai? Esta pergunta levou-o até um exame de ADN. E o resultado? confirmou tudo.
Igor Palhano era de facto filho biológico de António Carlos Bernardes Gomes. [choro] [grito] Igor só descobriu que era filho de Musum na adolescência. A mãe teve um relacionamento com o humorista, mas acabou por casar com outro homem que criou o rapaz como filho. O Mussum. Agora pára e pensa nisso. Imagina descobrir já adulto que o seu pai era um dos homens mais famosos do Brasil.
Mas há um pormenor que torna tudo ainda mais tenso. Quando Igor apareceu, a herança já tinha sido dividida, já tinha sido vendida, já tinha sido gasta. E mesmo assim, a lei é clara. Filho é filho. Não importa se aparece um ano ou 25 anos depois. Direito é direito. E foi aí que tudo voltou do zero.
O processo foi reaberto. A divisão anterior passou a ser questionada e a justiça tomou uma decisão que deixou tudo ainda mais pesado. Determinou o bloqueio de bens dos outros cinco herdeiros. De repente, o passado voltou. e voltou com força quando são questões relacionadas com direito de imagem, direito de autor e assim por diante.
Assim, se os herdeiros eh possuem esse direito e negoceiam e fazem novos negócios com eh o património do falecido, o novo herdeiro pode sim participar nessa receita futura, do que há de vir dali paraa frente. Mas essa história não é simples, porque tem dois lados e os dois fazem sentido. Do lado do Igor, não escolheu nascer sem saber quem era o pai.
Não escolheu ficar de fora. Quando descobriu, foi atrás do que é dele por direito. Do lado dos outros cinco filhos, a dor é outra. Dizem que já não existe herança para dividir, que tudo já foi vendido há anos. O meu pai tinha alguns imóveis, um carro e uma lancha, [risos] não é? Esses foram os bens que foram vendidos e foram partilhados, certo, há mais de 15 anos.
E agora pergunto-te, quem tem razão? O filho que apareceu depois, mas tem o ADN ou os filhos que sempre estiveram lá, mas já seguiram as suas vidas. Não existe uma resposta fácil e talvez nem exista uma resposta justa. A justiça ainda tenta resolver, mas enquanto isso o nome do Musum continua preso em processo.
Um património que já foi mansão, ilha, luxo, agora é audiência, papel. disputa. Mas existe uma parte dessa herança que ninguém consegue vender, ninguém consegue dividir e que pode valer mais do que tudo isto junto. Mas há uma parte desta história que não pode ser bloqueada na justiça, não pode ser vendida e muito menos dividida.
Depois de tudo isto, mansão, ilha, carros, dinheiro, disputa, o que realmente continua a gerar valor é algo invisível. Os direitos de autor. Pela lei brasileira, a obra de um artista continua a render durante 70 anos após a sua morte. Mussum partiu em 29 de julho de 1994. Isto significa que até ao ano de 2064 ele ainda vai continuar a gerar dinheiro.
Cada repetição dos trapalhões, cada cena que passa na televisão, cada música dos originais do samba que toca na rádio ou em qualquer plataforma, tudo que continua trabalhando mesmo depois de décadas, mesmo sem ele estar aqui. E agora são seis herdeiros disputando algo que ninguém consegue segurar nas mãos. Já não é uma casa, não é mais uma lancha, é a imagem, a voz, a memória.
E talvez seja aí que está a maior ironia de toda esta história, porque tudo o que parecia valioso desapareceu, mas o que realmente importa ficou. Ninguém se lembra da metragem da mansão. Ninguém discute o modelo do carro. Ninguém dá por falta da lancha parada no cais. Mas a gargalhada essa continua viva, continua a ser partilhada, continua atravessando gerações.
E talvez essa seja a parte mais difícil de aceitar. Um homem que saiu do monte, enfrentou tudo, conquistou o impossível. acumulou riqueza, fama, reconhecimento e no final o que realmente ficou não foi nada do que comprou, foi o que fez as pessoas sentirem. Agora quero saber de ti, se tu estivesse no lugar dessa família, o que faria? Acha justo reabrir uma herança depois de 25 anos? ou acredita que algumas coisas simplesmente já não deveriam ser mexidas? Comenta aqui em baixo e diz-me também qual a recordação do Musum que mais ficou
marcada para si, porque no fim das contas, talvez seja essa a única herança que realmente importa. Sou do trapalhão. Sou palhaço.