Os Luxos Absurdos Deixados por Paulo Gustavo: O Que Ainda Sobrevive e O Que Pode Desaparecer 

Os Luxos Absurdos Deixados por Paulo Gustavo: O Que Ainda Sobrevive e O Que Pode Desaparecer 

Os luxos absurdos deixados por Paulo Gustavo. O que ainda sobrevive e o que pode desaparecer para sempre. Em 4 de maio de 2021, o Brasil parou. Não foi uma guerra, não foi uma catástrofe natural, não foi uma crise política, foi a morte de um homem de 42 anos que fazia todo o país rir aos domingos e que, nos bastidores da fama tinha construído um mundo de luxo que muito poucas pessoas conheciam de verdade.

 Uma mansão de R$ 15 milhões deais num dos condomínios mais exclusivos do Rio de Janeiro. um apartamento de 6 milhões de dólares no mesmo bairro de Beyonc Nova Iorque. Uma fortuna avaliada em 100 milhões de reais, construída sem empresa, sem grupo empresarial, sem holding, só com talento, argumento e presença em palco.

 E dois filhos de 1 ano e 9 meses que herdaram tudo isto sem poder guardar qualquer memória do pai. Hoje vai descobrir cada detalhe destas mansões, tal como foram construídas, como foram pagas, propriedades que a maioria dos brasileiros nunca imaginou que existiam num condomínio fechado que tem ferry privado para a praia e num bairro de Nova Iorque, onde o metro quadrado vale mais do que a maioria dos brasileiros ganha num ano.

 Você vai ver o que aconteceu a cada um destes bens depois de ele ter ido embora. Quem ficou com o quê? o que o testamento revelou e que pode desaparecer para sempre. E se ainda não se inscreveu no canal Império das Estrelas, faça-o agora. Prima o botão de inscrição e ative o sininho. Aqui há investigação. Todo vídeo que nós lançamos, vais ser o primeiro a saber.

 Fica até ao fim, porque a última coisa que este vídeo revela é a única parte do legado da Paulo Gustavo, que nenhum inventário consegue registar e nenhum herdeiro consegue perder. No Rio de Janeiro existe um endereço que a maioria dos brasileiros nunca vai conhecer por dentro. Não porque seja secreto, mas porque para lá entrar é preciso ser esperado.

 E as pessoas que vivem naquele portão não costumam esperar ninguém que não seja família. Chama-se condomínio Wimbledon Park, fica na Barra da Tijuca. E em março de 2020, Paulo Gustavo assinou a escritura de uma mansão nesse condomínio por R milhões de reais. Não houve anúncio, não houve publicação nas redes sociais, não houve entrevista celebrando a compra.

 Paulo Gustavo tinha 41 anos, acabava de ser pai dos gémeos, Romeu e Gael, e escolheu o condomínio mais exclusivo da Barra da Tijuca para criar a sua família. Em silêncio, longe de qualquer câmara, longe de qualquer plateia. O Brasil que o via aos domingos na televisão não fazia ideia do que havia do outro lado daquele portão.

 O Wimbledon Park não é um condomínio comum, é um mundo à parte dentro da cidade. O paisagismo foi assinado por Burley Marx, o mesmo arquiteto paisagista responsável pelo passeio de Copacabana, um dos mais icónicos do mundo. Mansões t entre 1000 e 2.000 m² de área construída. Cada propriedade tem suites com closets privativos, casas de banho inteiramente revestidos a mármore, pavimentos em travertino importado, bancadas em pedra natural.

 E um pormenor que diz mais sobre o nível de acabamento do condomínio do que qualquer número poderia dizer. As maçanetas são foliadas a ouro. Não é uma metáfora, não é exagero jornalístico. As maçanetas das mansões do Wimbledon Park são foliadas a ouro. É o tipo de pormenor que ninguém refere, porque quem pode pagar por que não sente necessidade de referir.

Nas áreas exteriores, cada palacete tem piscina privada com deck molhado, spa com hidromassagem, sauna a vapor, espaço gourmet coberto com churrasqueira profissional, jardins com iluminação cénica e árvores de fruto plantadas para criar uma privacidade visual absoluta. Campos de ténis de cybro, salões de jogos, suite principal com varanda privativa, dois closets separados e dois banheiros.

 E o clube interno do condomínio oferece algo que praticamente nenhum outro endereço do Rio de Janeiro oferece. Uma balsa privada que leva os residentes diretamente à praia, sem asfalto, sem fila, sem multidão. A praia como se fosse o quintal de casa. O interior da mansão de Paulo Gustavo raramente foi mostrado e é exatamente este silêncio que diz mais do que qualquer tour fotográfico poderia dizer.

O pouco que o Brasil viu veio de um vídeo publicado por Tales Bretas no Natal de 2022. Aí, num fragmento de segundos, apareceu a sala da mansão. E o que se viu foi suficiente para perceber o tamanho do espaço. A sala era grande o para receber uma árvore de Natal que o O próprio Thales descreveu como gigantesca, decorada com laços, flores e bolas em tons de vermelho e dourado, que os filhos Romeu e Gael, então com 3 anos, ajudaram a enfeitar.

 Uma imagem doméstica quase comum. Dois meninos pequenos a decorar uma árvore de Natal dentro de um espaço que não tem nada de comum. O estilo que Paulo Gustavo e Thalis Bretas escolheram para a casa também veio à tona de forma discreta. Numa publicação sobre uma festa realizada na mansão, Tales descreveu a decoração com duas palavras, minimalista e impecável.

Dois adjetivos que revelam mais sobre quem Paulo Gustavo era fora das câmaras do que qualquer entrevista. O homem que na televisão era exuberante, barulhento, colorido, que enchia o ecrã com a energia transbordante da dona Hermínia, em casa preferia o contrário. Linhas limpas, espaços amplos, o luxo que não precisa de gritar porque sabe exatamente o que vale.

 E é aqui que a história desta mansão ganha o peso que merece. Paulo Gustavo comprou esta propriedade em março de 2020. 13 meses depois, em março de 2021, foi internado com Covid. 52 dias depois morreu. Ele mal chegou a viver nessa mansão. Mal chegou a ouvir os filhos a correr pelos corredores de mármore. Mal chegou a sentar-se naquela sala imensa junto daquela árvore gigante.

Comprou-a para os filhos e para os filhos ficaram com ela. Mas sem ele. O que mais surpreendeu-o nesta mansão? as maçanetas foliadas a ouro, a balsa privado para a praia ou o estilo minimalista que o Brasil nunca chegou a ver. comenta aqui em baixo. Mas o Wimbledon Park era apenas o endereço brasileiro de Paulo Gustavo.

 Porque dois anos antes de comprar a mansão no Rio, 2 anos antes, em 2018, tinha feito uma outra aquisição numa outra cidade, noutro país, num bairro que, quando o nome é dito em voz alta, faz qualquer pessoa que conhece Nova Iorque abrir os olhos com surpresa. Se ainda não se inscreveu no canal, faz isso agora e ativa o sininho.

 O que vem a seguir é exactamente o tipo de história que este canal existe para contar. Tribeca, Nova Iorque, Estados Unidos. Não é um bairro qualquer de Manhattan. É o bairro que tem o seu próprio festival de cinema. Fundado por Robert Deniro, é o bairro onde os Os edifícios de tijolo do século XVII foram convertidos em loftes de teto alto, com janelas industriais que dão para ruas de paralelepípedos, onde os táxis amarelos parecem elementos decorativos.

É o segundo bairro mais caro de toda a Nova Iorque. O código postal 1013 é um dos endereços mais exclusivos dos Estados Unidos inteiros. O metro quadrado neste bairro cresceu quase oito vezes nos últimos anos e continua a subir. Só os mais bem-sucedidos do planeta conseguem pagar para lá viver.

 E quem lá vive? Vamos pela lista devagar, porque ela merece ser lida devagar. Beyonc e Jay, Taylor Swift, Leonardo Di Caprio, Mary Strip, Maria Carry, Justin Timberlake, Scarlett Johanson, Robert Deniro, que para além de ter fundado o festival, tem dois restaurantes do bairro, o Tribeca Grill e o Locanda Verde, onde os os residentes do bairro jantam como se fosse o restaurante da esquina.

 Jake Gillinghall, Harry Styles, Ryan Reynolds e Blake Lively. Uma lista que parece o elenco de um filme de 100 milhões de dólares, mas que é simplesmente o registo de moradores de um bairro de Lower Manhattan. Foi neste bairro, nestas ruas, com estes vizinhos que o Paulo Gustavo comprou um apartamento em 2018 por 6 milhões de dólares. 6 milhões de dólares.

 No mesmo bairro onde Beonce e JZ vivem. No mesmo código postal onde Taylor Swift acorda de manhã. Há dois quarteirões dos restaurantes de Robert de Niro. Há uma caminhada do rio Hudson. Paulo Gustavo, natural de Niterói, filho de uma família de classe média, que iniciou a sua carreira num pequeno teatro do Rio de Janeiro, comprou um apartamento em Tribeca, Nova York, por 6 milhões de dólares.

 E o que ele disse sobre esta compra é o que revela tudo sobre quem ele era. Numa entrevista à revista Avianca, Paulo Gustavo explicou a decisão com uma clareza desarmante. disse que não pretendia viver ali em definitivo, que amava o Brasil, que adorava o trabalho, que queria estar perto da família, mas que em Nova Iorque acontecia algo que não acontecia em mais nenhum lugar do mundo.

 Ele saía do lugar de observado para o lugar de observador. Em Niterói, em São Paulo, em qualquer cidade do Brasil, Paulo Gustavo era Paulo Gustavo. As pessoas reconheciam, paravam, fotografavam, pediam autógrafos. Em Nova Iorque, num bairro onde vivem Beyonc e Leonardo de Cáprio, Paulo Gustavo era apenas mais um rosto numa rua cheia de rostos.

 E nessa invisibilidade, nesse anonimato de luxo que só Tribeca conseguia oferecer, os nasciam personagens, as histórias tomavam forma. A dona Hermínia respirava de formas novas em ruas que não eram de Niterói. Nova Iorque era o laboratório. O apartamento de 6 milhões de dólares era o atelier e o que dali saísse passaria a personagem, viraria peça, viraria filme, viria a ser a maior bilheteira da história do cinema brasileiro.

 Mas o atelier nunca chegou a ser utilizado para o que foi comprado. Paulo Gustavo morreu antes de regressar a Nova Iorque com essa missão. O laboratório ficou vazio. Os personagens que nasceriam naquelas ruas de paralelepípedos nunca nasceram. As histórias que seriam criadas com a invisibilidade de Tribeca nunca foram escritas.

 E o apartamento de 6 milhões de dólares com o tecto alto, as janelas industriais, a vista para as ruas onde Beonc passa de carro, ficou nas mãos do viúvo Thalis Bretas e dos filhos gémeos, herdeiros de um imóvel num dos bairros mais caros estrelados do mundo, que nunca viram por dentro, que não sabem ainda que existe, que um dia vão crescer e descobrir que o pai tinha um apartamento em Nova Iorque no mesmo bairro de Taylor Swift e que este apartamento está à espera deles.

 Mas há um terceiro imóvel, o menos falado de todos, o que não apareceu em nenhuma coluna de mexericos, em nenhum programa de televisão, em nenhum ranking patrimonial de celebridades e que é, de todos os bens que Paulo Gustavo deixou para trás, o mais revelador sobre quem ele era como ser humano. Paulo Gustavo tinha um apartamento no Rio de Janeiro, não a mansão do Wimbledon, um outro apartamento.

 E esse apartamento estava no testamento, destinado ao pai Júlio e a mãe Dea Lúcia para os dois, o mesmo imóvel para os dois, com a instrução de que poderiam vendê-lo e ficar com o dinheiro. Foi Dea Lúcia quem revelou este pormenor ao mundo num podcast Anos Depois da Morte do Filho. E a frase que disse ela ficou gravada.

 Em quem ouviu? Já viu uma pessoa de 39 anos fazer um testamento? É incrível. Ele deixou este apartamento para mim e para o pai. O mesmo apartamento era para nós vendermos e levar um dinheiro. Paulo Gustavo fez o testamento aos 39 anos, faleceu aos 42. Entre o testamento e a morte passaram 3 anos.

 Três anos em que viveu sabendo que tinha deixado tudo organizado, que os pais estavam protegidos, que os filhos estavam garantidos, que ninguém ficaria desamparado. Dea Lúcia não vendeu o apartamento. Quando o filho morreu, ela tomou uma decisão. saiu de Niterói, onde vivia, comprou a parte do ex-marido no imóvel e foi para lá viver para para estar perto dos netos, para estar à distância de carro dos rapazes que transportam o sangue do filho que ela perdeu.

 Hoje, Deia Lúcia vive no apartamento que Paulo Gustavo lhe deixou, vê Romeu e Gael crescer, aparece na televisão de vez em quando e diz: “Sempre que alguém comenta a sua força que não tem força, que tem fé, pensa no quadro completo, um filho de 42 anos que tinha uma mansão de R$ 15 milhões deais para a família que estava a construir, um apartamento de 6 milhões de dólares em Nova Iorque para as personagens que ainda ia criar.

 e um terceiro apartamento para dar aos pais para que não precisassem de se preocupar. Três imobiliário, três destinos, três formas diferentes de dizer, em concreto, em mármore, em escritura, que se importava com as pessoas que amava. Você consegue imaginar fazer um testamento aos 39 anos? O que Paulo Gustavo fez te surpreendeu? comenta aqui.

 Quero ler a a tua opinião. Antes de continuar, se este vídeo está a surpreender-te, partilha com alguém que cresceu a ver o Paulo Gustavo. Este é o tipo de história que merece ser contada. e ativa o sininho para não perderes o próximo vídeo. Até agora você viu os imóveis, a mansão, o apartamento em Nova Iorque, o apartamento dos pais, mas há uma parte do legado de Paulo O Gustavo que não tem morada, não tem escritura, não está registada em nenhum notário e que, ao contrário dos imobiliário, não pára de crescer depois da

morte. É a fortuna que vem de onde tudo começou, a partir dos ecrãs, das personagens, das gargalhadas de 26 milhões de brasileiros que foram ao cinema ver Paulo Gustavo e nunca mais o esqueceram. A franquia A Minha Mãe é uma peça. É hoje a maior bilheteira da história do cinema brasileiro.

 Não uma das maiores, a maior. A minha mãe é uma peça três. O filme que Paulo Gustavo lançou em dezembro de 2019. Menos de 2 anos antes de morrer, arrecadou 169,8 milhões deais e vendeu mais de 11,5 milhões de bilhetes. É o filme mais visto da história do cinema nacional. Em segundo lugar histórico, está a Minha Mãe, é uma peça dois de 2016 com R4,6 milhões deais.

 E o primeiro filme de 2013, que os exibidores não queriam passar, que a indústria dizia que ia falhar, arrecadou dezenas de milhões e convenceu todo o Brasil de que a dona Hermínia era real. Três filmes, 26 milhões de bilhetes, mais de R90 milhões de reais em bilheteira combinada. E Paulo Gustavo não era apenas o rosto da franquia, era o criador, o argumentista, o produtor executivo.

 Uma parte significativa deste dinheiro foi diretamente para o seu bolso e para a fortuna, que hoje é avaliado em R$ 100 milhões deais. Mas há algo que vale mais do que os números de bilheteira. É o que acontece com estes filmes depois de o cinema fechar. Os três filmes da franquia estão hoje no Netflix, na Globoplay, no Telecine, na Claro TV.

 São exibidos periodicamente na televisão aberta da Globo. São alugados e adquiridos em plataformas digitais. Cada vez que alguém assiste, numa sexta à noite, numa tarde de domingo numa viagem de avião, os direitos de autor trabalham. E esses direitos pertencem aos herdeiros, pertencem a Tales Bretas, pertencem a Romeu e Gael, que em 2025 têm 6 anos e não fazem ideia do que significa ser donos dos filmes mais vistos da história do cinema brasileiro.

E há o que não chegou a existir e que é, de certa forma a parte mais dolorosa deste legado. Antes de ser internado, Paulo Gustavo esteve em conversações avançadas com o Globo Play para uma série da Minha Mãe é uma peça, um prólogo da história da dona Hermínia, mostrando a personagem antes dos acontecimentos dos filmes.

 A série estava em pré-produção, o contrato estava a ser discutido e, de seguida, Paulo Gustavo entrou no hospital e a série morreu com ele porque não há versão da minha mãe é uma peça sem Paulo Gustavo. Nunca houve, nunca haverá. E chegamos ao bloco mais importante deste vídeo. O que o título prometeu desde o primeiro segundo, o que pode desaparecer para sempre.

 Começa pela mansão de Wimbledon Park, 15 milhões de reais, o condomínio mais exclusivo da Barra da Tijuca, o ferry para a praia, as maçanetas foliadas a ouro. Tudo isto pertence hoje a Romeu e Gael, dois meninos de 6 anos que crescem sem se conseguir lembrar do pai. O que acontece com essa mansão quando forem adultos? Ninguém sabe.

 Ficará na família como um símbolo? Será vendida quando os filhos precisarem de dinheiro? passará a ser apenas mais um imóvel de luxo no Rio de Janeiro, comprado por alguém que nunca ouviu falar de Paulo Gustavo, que não sabe o que é a dona Hermínia, que não faz ideia de que as maçanetas daquela casa foram escolhidas por um dos maiores génios do humor brasileiro.

 É assim que os luxos desaparecem, não de uma vez, não com drama, mas devagar, numa transação notarial que não tem nada de glamoroso. Depois ao apartamento em Tribeca, o laboratório de personagens que ficou sem o seu criador. Esse imóvel carrega um peso específico que nenhum outro bem de Paulo Gustavo carrega, o peso do que poderia ter sido.

 Os personagens que ali nasceriam e nunca nasceram, as histórias que seriam criadas naquelas ruas de paralelepípedos e nunca foram escritas. O futuro deste apartamento é uma das maiores incógnitas do legado e também uma das mais dolorosas. E depois aos direitos de autor. Enquanto os filmes continuam a ser vistos, o dinheiro flui.

Enquanto a Globo exibe a minha mãe é uma peça numa sexta-feira à tarde, as as plataformas pagam royalties e os herdeiros recebem. Mas o que acontece quando o Brasil começar a esquecer? Quando uma nova geração crescer sem ter conhecido Paulo Gustavo em vida, sem a referência emocional que faz com que estes filmes valerem o que valem.

 Os direitos autorais valem enquanto o legado vale e o legado é válido enquanto houver memória ativa. Não apenas registos históricos, mas amor genuíno de pessoas que sentiram aqueles filmes na própria vida. Mas há algo que definitivamente não pode desaparecer, que nenhuma venda de imóvel apaga, que nenhum fim de contrato de streaming extingue.

 Os milhões de pessoas que foram ao cinema ver o Paulo Gustavo escolheram em cada uma das três estreias comprar um bilhete e sentar-se numa sala escura para rir com ele. Isso não se desfaz. O Brasil que cresceu com a dona Hermínia não esquece. E enquanto há uma criança que nunca ouviu falar nele, a descobrir os filmes pela primeira vez numa qualquer plataforma, numa tarde qualquer, o legado sobrevive não porque esteja numa escritura, mas porque está nas pessoas.

 Paulo Gustavo construiu os seus luxos com talento puro, sem mais nada para além do próprio talento. E o mais extraordinário é que o activo mais valioso que ele deixou para trás não está em nenhum cartório, não tem número de matrícula, não foi avaliado por nenhum perito e não pode desaparecer enquanto houver um Brasil que se lembra de rir.

 Se pudesse salvar apenas uma coisa do legado de Paulo Gustavo, uma única coisa, o que seria? A mansão, os filmes, a dona Hermínia, a história de vida dele? Comenta aqui em baixo. Quero ler cada resposta. 13 de março de 2021. Paulo Gustavo acorda e sente que algo não está bem. Vai ao hospital Copa Star em Copacabana. Entra por indicação médica.

é o que a assessoria informa o público dois dias depois, com uma nota curta que pede calma e agradece o carinho dos fãs. Nesse mesmo dia, antes de entrar no hospital, Paulo Gustavo faz a última publicação da sua vida nas redes sociais. Não é uma despedida, não é uma reflexão sobre a vida, é uma homenagem ao aniversário do marido, Tales Bretas, uma foto, uma legenda de amor e nenhuma ideia de que aquela seria a última vez que falaria directamente com o Brasil.

Oito dias depois, a 21 de março, a notícia que o país temia começa a tomar forma. Paulo Gustavo precisa de ser intubado. A dificuldade respiratória provocado pela COVID chegou a um ponto que o corpo já não consegue gerir sozinho. A equipa médica chama o procedimento de precaução. Thalis Bretas diz publicamente que é mais um passo na cura.

 O Brasil prende a respiração. O que se seguiu foram 52 dias de montanha russa emocional que o O Brasil viveu como se fosse dentro do hospital. Houve momentos de melhoria que enganaram o país inteiro. Boletins que falavam em evolução favorável, em curva de melhoria mantida, em confiança na recuperação. E houve recaídas que desfaziam tudo numa questão de horas.

A pneumonia bacteriana, a necessidade de ecmo, oxigenação por membrana extracorporal, um procedimento que tenta fazer o trabalho dos pulmões quando os pulmões já não o conseguem fazer. Embolia, lesões cerebrais, o corpo de um homem de 42 anos a lutar contra um vírus com uma ferocidade que a medicina ainda não conseguia vencer por completo.

 4 de maio de 2021. Às 21:12, a família emite um comunicado. Paulo O Gustavo faleceu, tinha 42 anos. O Brasil que parou a 13 de março, que orou em correntes coletivas, que acendeu velas e encheu as redes de coração verde amarelo, este Brasil partiu juntamente com ele. O que ficou para Tales Bretas foi algo que nenhum livro de direito de família consegue descrever adequadamente.

 a mansão, o apartamento em tribe, a fortuna, os direitos autoral, os filhos e a missão de criar dois meninos que vão crescer, sabendo que o pai era o homem mais amado Brasil, mas sem poder guardar qualquer memória real do som da sua voz, do cheiro do abraço dele, do riso dele a acordar a casa de manhã, Tales assumiu esta missão com uma seriedade que o Brasil tem acompanhado.

de longe. Em 2023, levou Romeu e Gael para a Austrália durante se meses para protegê-los da comoção pública, que ainda rodeava o nome do pai, para deixá-los brincar em anonimato numa praia longe do Brasil, para garantir que fossem crianças antes de serem filhos de Paulo Gustavo. De regresso ao Brasil, a família continua unida.

 De Lúcia está perto, a tia Juliana está perto, os rapazes têm 6 anos em 2025 e estão a crescer. Romeu e Gael são hoje os herdeiros de uma mansão no condomínio mais exclusivo da Barra da Tijuca, de um apartamento em Tribeca, de direitos autorais sobre os filmes mais vistos da história do cinema brasileiro e de uma história que o Brasil não vai esquecer em nenhuma geração.

 Herdaram tudo isso sem terem pedido, sem terem escolhido, sem poderem compreender ainda o peso e o privilégio do que transportam. São apenas dois meninos de 6 anos que um dia vão crescer, vão descobrir quem era o pai, vão sentar-se numa tela qualquer e ver a dona Hermínia pela primeira vez e vão compreender com atraso e com saudade o que todo o Brasil sentiu quando o perdeu.

Se este vídeo te surpreendeu, te emocionou ou te fez pensar, inscreve-te agora, ativa o sininho e partilha com alguém que amava Paulo Gustavo. Essa pessoa vai querer ver isto. Paulo Gustavo construiu uma mansão de 15 milhões de reais, onde as maçanetas eram foliadas a ouro. Comprou um apartamento de 6 milhões de dólares no bairro mais estrelado de Nova Iorque.

 Deixou um apartamento em testamento para os pais aos 39 anos. Acumulou R$ 100 milhões deais. Bateu recordes de bilheteira que nenhum outro artista brasileiro conseguiu igualar. e fez tudo isto apenas com talento puro, com uma mãe para imitar e um Brasil inteiro para fazer rir. O que que deixou para trás sobrevive. As as propriedades existem, o dinheiro existe, os filmes continuam a ser vistos, os direitos de autor continuam a trabalhar.

Romeu e Gael vão crescer. O legado está de pé. O que não sobreviveu, o que não podia sobreviver foi o homem, a voz, o timing, o dom de transformar a vida quotidiano de uma mãe comum de Niterói na maior bilheteira da história do cinema brasileiro. Sídon morreu a 4 de maio de 2021 às 21:12 num hospital de Copacabana.

 E nenhuma mansão, nenhum apartamento em Nova Iorque, nenhum testamento, nenhum direito autoral consegue devolver o que o Brasil perdeu naquele momento. Esse é o único luxo que Paulo Gustavo não conseguiu comprar e o único que quando acabou não deixou o substituto. Até ao próximo vídeo.

 

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