PARTE 1 – CASO BENÍCIO – PAIS CONTAM COMO TUDO ACONTECEU E PEDEM JUSTIÇA
Novembro de 2025, Manaus, Amazonas. Beníci chegava com os pais ao hospital por causa de uma tosse. O menino [música] já pensava no regresso a casa, nos testes que teria na escola durante a semana seguinte, mas quis o [música] destino que Benício fosse atendido pela médica errada, que iniciaria aí o adeus do miúdo.
Confira a entrevista em duas partes que fiz com os pais do Benício, que reveram pormenores daquele sábado que tornou-se o fim da felicidade da família. diretamente de um dos endereços mais [música] famosos do Brasil, de um dos principais postais da cidade de São Paulo e com as transmissões feitas dos nossos estúdios [música] na Avenida Paulista.
[música] Eu sou o Beto Ribeiro e pergunto: que crime é este? Olá, sejamos todos muito bem-vindos. Por favor, não deixe de se inscrever, gostar, partilhar, ligar sininho. Marque nas suas redes sociais e marque a todos nas redes sociais. Se puder sejar membro, se não puder, está tudo certo.
Daí vens comigo até ao final deste encontro que eu estou a querer ter já há algum tempo. Encontro esse que eu não gostaria de realmente eh eh ter de facto, que é muito triste quando tenho de falar com pais de vítimas, mães de vítimas, eh filhos de vítimas. O crime ele nunca deveria existir. É um tipo de morte absolutamente desnecessária.
Eu vou falar agora com os pais do Benício Xavier, um menino de 6 anos, que todos nós vimos nas suas imagens finais ali em Manaus ali em novembro de 2025. Ele entrando com os pais no hospital, com uma tosse, aquele aquele hábito natural que qualquer pessoa pode ir para pronto de socorro. É um crime que bate à casa de todos nós, porque qualquer um poderia ser o Benício, quem afinal de contas nunca foi às urgências.
E você vê Beníso a entrar tranquilo, só que tu não o vai ver a sair tranquilo. Eh, infelizmente é uma morte dramaticamente desnecessária. E converso agora com os pais, a Joyce e o Bruno, um caso que já fizemos aqui, um especial, já entrevistei advogado de defesa de uma das autoras apontadas pela polícia. Também já entrevistei o o assistente de acusação da família do Benício.
Tô a entrevistar agora os pais e o canal está sempre aberto a vi todos os lados. Se qualquer pessoa citada quiser trazer a a sua versão, basta enviar e-mail para [email protected]. A gente marca e entrevista todo mundo. Joyce Bruno, eh, queria dizer de verdade, fico triste por a gente estar se conhecendo dessa forma.
Gostaria de um dia estar a passear por Manaus e ver o Bení para aqui, mas infelizmente tudo aconteceu e que nós agora consigamos ter a justiça pelo vosso filho. Sejam muito bem-vindos ao canal. Faz tempo que eu estava a querer eh que a gente se conhecesse. Queria saber de pronto. Tudo aconteceu em novembro de 2025.
Estamos a gravar agora em maio de 2026. Se eu te perguntasse há 7 meses sobre o futuro, seria um outro futuro. Como estão hoje? Como como está a ser um dia após o outro? Beto, é muito difícil porque é inimaginável nós perdermos o nosso filho, o nosso único filho, não é? Eu costumo dizer que a a minha família era perfeita.
eu, o meu marido, o meu filho, tínhamos planos. A gente ia passar o primeiro aniversário dele viajando. Eu comemorei todos os aniversários dele. Do primeiro aninho até ao sexto ano, festejei, fiz festa aqui em Manaus. E este ano eu queria fazer diferente. Eu queria viajar, eu queria passar o aniversário dele na praia, que nós gostávamos muito de praia.
E depois, então do dia paraa noite a minha vida virou-se de cabeça para baixo, uma dor. Perder um filho, arrisco a dizer que é a pior dor do mundo. Eu não desejo isso para ninguém, para ninguém. E a nossa vida mudou completamente. Mudou. Mudou tudo. Mudou tudo. Tínhamos plano, não é, como eu disse, comemorar o aniversário dele.
A gente tinha, eu já tinha comprado parte do material escolar dele. Eu já tava planificar o ano seguinte na escola dele, já o tinha comprado. Ele faleceu na madrugada de domingo, não é, segunda-feira já ia comprar o fardamento escolar dele. Portanto, assim, é uma dor indescritível, é horrível, não desejo a ninguém.
Por muitos dias pensava que estava num pesadelo. Eu não acreditava que aquilo estava a acontecer. Eu dormia porque eu pensava assim: “Vou dormir para acordar deste pesadelo. Isso não está acontecendo. Isto não é real. Eu tinha um filho ali saudável. Não, não creio nisso.” E depois foram passando os dias, certo? vai passando os dias e eu pensava assim que depois não, não estou no pesadelo, estou em coma.
Falava com o meu marido, aconteceu um acidente comigo, estou em coma e eu e estou a ter toda esta visão que não é real. Quando eu sair do coma, vou ver o meu marido e o meu filho ao meu lado. Então, assim, o que te posso dizer é que ela é um dia após o outro e Deus em cada um deles, porque não há outra coisa, é só Deus.
É só Deus para nos sustentar. E para ti, Bruno, como é que está a ser eh hoje hoje, maio de 2026? É como a Joice disse, não é? Um dia de cada vez. Em primeiro lugar agradecer lá o espaço, tá, Beto, que nos está a dar para expor, para além dos nossos factos, eh, principalmente acho que o nosso sentimento com esta perda incomensurável que foi do Benício.
Eh, então hoje é um dia de cada vez, não é? Temos que aprender essa dor do luto, vivenciando todos os dias aqui, principalmente na presença de Deus. Eh, levámos o Benício ao hospital com uma simples tosse, como até você falou, não é, andando. Portanto, eh, nem um pai, nem uma mãe leva o seu filho no hospital para, não é, para ele vir a a a falecer da forma que o Benício veio a falecer, não é, com certeza que ali um homicídio que aconteceu.
Então, por isso que nós procuramos a justiça. E o que nós pensamos, não é, muito que a gente já pensava ali na há 7 meses atrás, era num futuro, uma criança ali que queria viver. O Beníso, ele vivia a vida com bastante intensidade. Era uma criança muito amorosa, não é? Ele amava-nos, [pigarreando] ele esbordava, transbordava amor.
Eh, ele não contia nenhum sentimento que tinha pela gente. Inesperadamente abraçava-nos, dizia que nos amava. Então, sentimos muita falta todos os os dias. Eh, hoje posso dizer que a gente se sente-se amputado porque uma parte de nós se foi. Logicamente que no futuro temos plena certeza que vamos encontrar o nosso filho, mas como temos que viver hoje, temos de seguir.
Eh, é um pedaço que temos que se acostumar. É um vazio que hoje nós joga para um lado, amanhã já sabemos que vamos ter que jogar lá para o outro lado, porque são novas descobertas que vivemos durante este luto. É um sentimento que eh para além de nunca esperar, nunca desejamos isso para ninguém, porque é uma dor muito grande.
Ao mesmo tempo que o Benício nos ensinou, ensinou-me, não é, o verdadeiro significado do amor, que é o amor que tem quando nasce um filho. Então eu senti ali naquele momento, quando vi ele pela primeira vez, ensinou-me também, acho que a pior dor do mundo, que foi sentir ali o seu falecimento, não é, e presenciar isso, não é? Assim, toda vez, acho que já chegou a ver as imagens, então, cada vez que me ajoelho na igreja, eu lembro-me daquele trágico dia ali, naquele trágico dia à noite no hospital, não é? Porque ali
ao lado do leito da UCI ajoelhava-me, que eu pedia, inclusive eu pedia, eu dizia bem isso, volta para nós, volta que eu sei que quer voltar. Inclusive até falava como era uma como era uma sexta-feira, não é, um um sábado, não é, desculpe, como era um sábado, um sábado para domingo. Eh, na segunda-feira tinha teste na escola.
Então, eu, inclusive, dizia: “Volta, volta que tens prova segunda-feira tem de estudar”. Porquê? Porque nós temos uma esperança, não é, que o nosso filho regressasse e que eu levasse-o nos braços, devolvesse-o aos braços da Joyce, da mãe, não é, que que abdicou a sua vida por ele. E ao mesmo tempo sinto-me culpado por não ter trouxe-o de volta para os braços dela.
É como disseste, é uma amputação, mas é uma amputação sem prótese, certo? Você não consegue colocar nada no lugar. é a ausência total daquele membro que V. vai ter de se reorganizar, porque a vida te vai exigir isso. E a própria justiça que precisam de construir pro O Benício vai pedir-vos isso. Mas só posso dizer que posso imaginar, não posso, não teria, não seria arrogante de dizer que compreendo a dor de vós, porque é uma dor que só quem passa pode dizer qual é que é.
Vocês estão no quarto do Benício, é isso? Sim, gosta muito deste deste lugarzinho. A gente acha muito especial. Eu eu às vezes ainda me deito aqui, não é? Tem uma vela ali, tem algumas fotos. A gente neste momento vemos que não é o momento de nos desfazermos das coisas dele, não é? Pequenas coisas tá conseguindo, mas vemos que não é um momento ainda.
A gente sabe que vai ter este momento, não é? Mas a gente sente muito ainda a presença do nosso filho. Ele estava muito presente na nossa vida. Tudo o que ele ia fazer, ele nos comunicava. Tudo o que acontecia, ele nos falava. Portanto o Benice ele era muito, a as pessoas tinham esse esse elo de ligação muito.
Eu nem posso falar o quanto ele tem esse. Se comigo já era assim, imagine com a mãe, não é? Porque a mãe, a gente sabe que ela, para além de ter ele ve meses, não é, dentro da barriga, eh, ela se abedicou, ela que vivia em função do nosso filho, não é? Então eu eu trabalho, depois, às vezes, muitas das vezes, eu chego, já chegava, ele já estava a dormir.
Eh, falando aqui contigo, Beto, é inclusive é um sentimento assim que ainda me ainda me vem diariamente, não é? principalmente quando volto do trabalho, sei que o Bení não vai estar aqui. Era algo que eu vinha direcionado, não é, logicamente, além de de ver a Joice, que muitas vezes já até estava a dormir, mas pelo menos dar um beijo ao meu filho e hoje já não consigo, não é, ter esse essa presença física.
Então, a gente mantém este quarto aqui da melhor forma. Ele está do mesmo jeito que que ele deixou, não é? Essa essa esse lençol inclusive é o mesmo, ok? Então a gente ainda está a preservar, a gente tá preservando a imagem do Benício. A gente o cheiro dele, o cheiro dele ainda está aí. Depois não ser sincero consigo, mas a gente espera que esteja, mas assim, aquele cheirinho, aquele cheirinho mesmo, já não conseguimos.
a gente não consegue, a gente imagina, não é? Nós imaginamos assim aquele cheirinho, não é? O que eu o que guardo eh ainda é o champô dele, certo? O perfinho que ele é para a escola, guardo. Não. Depois quando eu tenho muitas saudades eu sinto esse cheiro. Nossa. O Bení vai fazer anos um mês depois, não é isso? Sim. 25 de dezembro.
25 de dezembro. Morre um mês antes. Eh, e pai e mãe não têm que enterrar filhos. Não é a lei da natureza, não é a lei nem da gramática, como já falaram muitas vezes. Eh, não há palavra para traduzir, para resumir o que significa um pai perder um filho. Um filho perde um pai, torna-se órfão. Mas um pai perde o filho, torna-se quase nada.
Mas quando é uma doença, quando é uma um acidente, uma tragédia, agora quando é um crime, principalmente quando é um por nada, deve ser ainda mais devastador, porque vocês foram arrancados, porque numa doença já se vai até se preparando, tem uma série de coisas. Agora vocês foram do literalmente de um sábado para domingo arrancados para o resto da sua vida, pelo menos desta vida que tm agora.
Outra pode ser construída. Vocês estão casados há quanto tempo? Eu queria conhecer um pouco de vocês também. Vocês estão juntos há quanto tempo já? Vamos fazer 12 anos de casado e no total juntos acho que são 18 anos por aí 17 18. 17, 18 anos. Que é muito bonito que dentro de toda a esta tristeza, desta tragédia, a gente vê em vós uma união que eh parece que nada jamais tirará.
Assim, imaginava que já tivesse um tempo muito forte de convivência. Estão casados há 12 anos, juntos há 18, o Benício tem seis. Então era uma criança muito esperada, é isso? Desejada, organizada. Conta-me do Benício, assim, até ao quando vocês decidiram ser pais, o que é que ele falava? Eu queria conhecer um bocadinho dele vivo.
Eh, ele 6 anos, nós com 6 anos quer ser astronauta, não sei o que ele falava, como era e como foi a espera para nós entendermos que a perda do Benício, ela é também uma perda de um planeamento muito forte de vocês também. Qual que é a história que vem antecede o Benício até ao Benício e sobre o Benício? A gente planeou, desejou o Benício, sonhou com o Benício.
Quando eu engravidei, eh, curioso que o Bruno dizia sempre que ia ser um menino, sempre falava, não sabia, não é? Mã de primeira viagem, não sei o que é que é. E o Bruno desde vai servindo, vai servindo e acertou. Então, o Benício veio para completar-nos ainda mais, né? Quando o O Benício nasceu, senti-me muito mais ligada ao Bruno.
O [roncando] o nosso amor assim triplicou. Eu costumo falar, a as pessoas nem brigam, a gente se dá muito bem, é só amor à nossa vida. Só amor, graças a Deus. E depois vem o Benício, nasce tudo certinho. Ele sempre foi uma criança, eu digo assim que ele é foi iluminado. O Bení nunca me deu trabalho. Nunca me deu trabalho. Desde bebé.
Ele sempre foi uma criança calma, carinhosa, obediente, educada. E até havia pessoas que me perguntavam assim: “Joi, eh, como é que tu fazes com o educação do Benício, que ele é uma criança muito educada?” E eu dizia, pessoas, não sei, eu não é de mim, eu dizia, eu para mim já é a personalidade dele.
Ele é assim, tudo o que ia fazer, ele vinha perguntar-me: “Mãe, eu posso fazer isso? Pai, eu posso [pigarreia] fazer isso? Pai, pode comprar isto para mim?” Ele era uma criança muito iluminada. Ele adorava ir à escola. Ele amava estar junto dos seus amigos para ele não tinha mau tempo. Ele não acordava a chorar para a escola.
Ele nunca chegou e falou assim: “Mãe, hoje não quero ir para escola. Mãe, eu não gosto da escola. Mãe, estou a ter problema com os meus amigos na escola. Nunca. Ele sempre acordou disposto, ia sempre para a escola feliz e sorridente. Ele estava fora da curva meu filho. Ele era uma criança muito compreensível. Eu eu costumava falar-lhe: “Meu filho, és uma perfeição divina, és maravilhoso”.
E assim, o Benício, uma época ele queria ser jogador de futebol. [risos] Depois queria ser, queria muito aprender a conduzir um carro. Ui, já com se anos [risos] queria ser polícia. É, graças a Deus. Polícia também. É imaginação, não é, da criança. Então, há alturas que ele ele ele nos desenhos representava que queria ser polícia, que queria ser piloto.
Então, ele tinha uma uma mente muito fértil. certo? Então ele ele não se prendia assim a nenhuma profissão, não é? Ele não quer, não. Se anos queremos ser tudo, porque tudo é tão possível, certo? Tudo. Que bom que queria ser polícia, não queria ser bandido. Por que é que o nome dele é Benício? Porquê esse nome? Porque é um nome diferente.
De onde veio o Benício? Eu quis homenagear o pai dele que é Bruno. Então eu queria que começasse por a inicial B. É. E eu pesquisando os nomes, quando eu encontrei o Benício, eh, vi que o significado era abençoado. Uau! Então eu disse: “Vai ser este, vai ser este, porque quero que o meu filho seja, não é, uma criança abençoada, uma criança iluminada, uma criança próspera.
” Então levei a sugestão pro pai dele e ele concordou comigo. Ele pediu irmãos? Não, ele não não chegou a essa fase e ele é tão abençoado, não é, Betto, que o nome dele significa, não é, abençoado. E ele nasceu numa data dia 25 de dezembro, não é? 25 de dezembro. Natal. Quem nasceu no Natal é já nasceu com festa, já nasceu com a com com a lua, com a lua certa, certo? Com a energia, com tudo, com os Reis Magos a chegar e tudo mais. Pró pai.
E para o pai, para o pai, para o pai é só um presente, ok? [risos] Aí só um presente. Depois o Benício, ele tinha algum problema respirar? Porque assim, o que é que acontece? Porque assim, a gente vai agora para eh novembro de 2025, um mês que se vocês puderem, eu tenho quando eu vejo as imagens vontade de entrar na imagem, para vos dizer: “Volta para casa, regressa a casa, regressa a casa, toma um xarope, sai, sai, sai daqui”.
E tu que és tudo tão vivo que ficas, eu fico muito angustiado, imagino-vos quando precisam de rever se vem ali dentro, certo? Ah, o que é que acontece naquele setembro? Por que é que o Benício vai ao hospital? O que que ele que que acontece naquele dia, naquele período ali? Eu sei que ele foi até ao mês antes já não tinha ido o mês antes.
Sim, um mês antes foi porque realmente ele teve uma laringite. Um mês antes estava com muita tosse e final de semana costumava dormir na mesma cama connosco. E nesse um mês antes que estava com tosse, dormiu com a pessoas e ele acordou de madrugada já com falta de a. Ele não conseguia respirar. E depois corremos para o hospital, chegamos por volta, penso que eram 6 horas da manhã no mesmo hospital, no mesmo hospital com outro profissional, não é? Na altura também.
E ela já eu já relatei para ela, não é, o que é que tinha acontecido e ela prontamente ao escutou falou e que estava com eh laringite, que íamos fazer inalação com adrenalina para ele melhorar ali eh três doses, não é, pausadas de meia meia hora e que depois regressasse com ela. E assim fez a drenação, a inalação com a adrenalina na sala de medicação.
Realmente ali a gente já vê uma melhoria de 80% na tosse dele, na falta de ar, não é, aquela rouquidão. E depois regressamos com no consultório da médica e ela e ela prescrevem, não é, a medicação para continuarmos em casa o tratamento que é o clemio a e um uns outros medicamentos. OK, resolvido. Saímos de lá, comprámos e novembro, novamente, começa com uma tosse, tosse seca.
Eu continuei, comecei por tratar em casa e [ressonar] lembro-me que nessa altura também eh [pigarreia] na sala de aula dele tinha muitas crianças doentes, inclusive até um dia a professora abriu a janela porque estavam todas assim com tosquia. Então continuei tratando em casa, dando o xarope que eu havia, não é, que a gente quando a gente faz um tratamento à criança, nunca usa, não é, o medicamento inteiro, não é, sobra sempre.
Então continuei a tratar e vi que não estava a melhorar. Então sexta-feira quando o fui buscar à escola, percebi que a tosse dele se intensificou, aumentou a tosse, ele tcia demasiado, ele tava a torcer demais. O pai dele até orientou-o, filho, quando tu tir, bebe um bocadinho de água para lubrificar a garganta.
O que nós até então estava a pensar que era algum problema de garganta. E à noite teve febre. Aí já liguei o alerta, não é? Poxa, além da torse aumentar, veio a febre e os medicamentos que eu estou a dar não estou a fazer efeitos. Eu disse ao Bruno, Bruno, eu acho que deve ser garganta inflamada.
Eu acredito que ele precisa de um antibiótico. Eu não tenho antibiótico em casa, não é? Antibiótico a gente precisa de receita para comprar na farmácia, não é? Sim. Na minha cabeça era isso, uma garganta inflamada, que ele precisasse de um medicamento mais forte para melhorar. Mas assim, à noite veio a febre, sexta-feira mediquei, como dormir passou, como eu falei, não é? uma semana ele ele gostava de dormir connosco e sim na sexta-feira ele dormiu.
Quando acordámos por volta das 8, 9 horas, já acordou com febre novamente. Depois eu disse ao Bruno: “Bruno, acho que está na hora de nós ver, investigar o que é isso. Vamos levar logo à urgência, porque eu acredito que lá ela vai detetar, a gente vai sair com uma receita, vai comprar o medicamento, vai começar a tratar de facto, não é, a causa desta tosse, desta febre já para com remédio assertivo, com medicamento correto, porque o que eu estava tratar em casa não estava a resolver.
E depois levamos ele ao hospital, vocês vão diretos, vocês acordam, tomam café. O Benício estava com febrinha, mas estava OK, estava a falar, tudo bem. Estava, estava. E depois ele, eu até pedi para ele fazer uma tarefinha, tinha uma tarefinha para fazer, não é? Eu disse: “Faz logo essa tarefinha que já vamos pró para o hospital”.
Ele não queria ir para o hospital, ele não queria. Aí eu disse: “Filho, porque ele medo, criança normalmente, não é, tem medo de injeção, não é?” Eu disse: “Filho, ó, não vou garantir-lhe se vai ter injeção ou não, mas precisamos de curar”. os. Portanto, se tiver injeção, é só uma picadinha para que fique bom. Ele não queria, não queria de todo no hospital.
E aí, então, fez a tarefinha, tomamos café. O Bruno também não queria ir, não o queria levar ao hospital. Porquê, Bruno? Culpo-me muito. Por que é que o Bruno não queria? Não sei. Não sei, Beto, mas eu não queria. Eu não queria ir. Não sei se algo me dizia assim para eu não ir, mas sabe aquela vontade que v uma dirvontade, não sei se posso falar isso, mas não estava com vontade de ir ainda nesse momento no hospital, não sei o que me deu, mas assim, como é uma mãe, não é, e e não, já está certa, não é, filho com febre, dor de garganta, já teve falta de ar um
mês antes. Tem razão, tem que Mas foi um alguma coisa que te tenha dado de não querer? Foi uma uma coisa assim, não é? Tanto que ela tanto que até ela ela acho que tu falou, não é? Que depois, ah, porque eu tenho tenho um futebol à tarde, não é? Então ela disse: “Acho que tens medo de não ir não ir ao futebol”.
Disse: “Não, não é isso, não. Eu só não quero ir”. Falei para ela. Tanto é que depois a gente foi, não é? Tanto que fomos. Inclusive o Benício não queria ir, não é? E chegou a dizer-me, o Beto, mãe, eu não quero ir. Mãe, eu não quero morrer falou assim, quase a chorar. E eu nessa, nesse momento, Beto, ri-me porque absurdo, não é? Eu ri-me.
Eu disse: “Meu filho, tu não vai morrer”. Ele disse: “Mãe, eu não quero ir, não quero morrer”. E ele já tinha dito alguma vez isso? Nunca. Nunca, nunca. Por isso é que eu rire, certo? Nunca que eu ia imaginar. Eu disse: “Não, meu filho, não vais morrer, isso não vai acontecer. A gente precisa saber porque é que está doente, porque é que está com febre”.
E depois chegamos lá, fomos ao hospital, passamos isso era o quê? 1 da tarde, não é isso? Chegámos ao hospital por volta de meio meio 30, 12:30 meio de meia. É. E depois passou na triagem, na triagem ele já estava sem febre, tudo normal. Saturação 100%, batimento cardíaco 100%, estás registado no processo clínico dele.
Pois, o vosso advogado até diz isso, O Dr. Ricardo Tavares de advogado, é excelente advogado, por sinal, tem uma uma visão incrível de direito de medicina, não fazia ideia. Ele é ele é advogado de direito de medicina. Achei também, podiam estar com melhor acidente de acusação. E ele conta-me é isso que o processo clínico mostra que o Bení não tinha febre de saturação a 100%, batimento cardíaco para mostrar que ele não chegou debilitado.
Exatamente. Inclusive ele recebe a pulseira, não é, de atendimento a verde, não é, que tem aquelas pulseiras, não é, vermelho é urgente, urgente, não é, urgentíssimo. Amarelo mais ou menos. E a verde é que pode aguardar, não é, um horário ali de uma 2 horas, porque não é caso de urgência. Sim. Depois aguardamos uma hora pelo atendimento, aguardámos lá sem reclamar, tudo normal.
E depois é chamado, não é, no consultório, a a médica Juliana Brasil, não é, que nunca a tinha visto? Oi. Não, não. Assim, só para complementar, certo? Assim, a frequência cardíaca dele estava a 99, né? Isto tudo na triagem. A temperatura dele era de 36,4, a saturação, não é, é de 100%. Então ele entra bem, não é? Isso tudo está registado na na triagem.
Sim. E depois ela pergunta, não é, o que é que está acontecendo com Benício. E eu relato-lhe, não é, [pigarreia] digo que ele tá com tosse, que teve dois episódios de febre, falo toda a medicação que me dei-lhe, os xaropes, não é, a medicação de febre. E depois ela vai eh avaliá-lo, ela ouve o o peitinho dele no exame no exame físico dele, não é? Ela coloca assim, ó.
Criança, vou resumir, certo? Claro. Criança ativa, reativa, afebril, acianótica, certo? Canótica tem significa coloração normal, tá? Entre outros. MVP sem ruído. Inclusive ela relata, não é, MVP é músculo eh vesicular fisiológico, certo? Ou seja, ela ele está com um som normal, não é, da respiração. Ela relata isso, que ele está com sono. Paciente sem sinais de desconforto respiratório, tá? Isto está na evolução do paciente quando descreve irritação, certo? irritação peritônea, que é uma inflamação que reverte na na cavidade. Então, ela fala,
não é, que está sem sem este sinal, não é, ela fala sem irritação peritoneal, está bom? e detecta aí que existe uma uma lariginite nele. mesmo assim os os antecedentes, não é, esta questão da da do questionamento dela, da prescrição aqui da que designa por evolução do doente, descreve, a meu ver, uma coisa totalmente contrária a uma larisite, porque aí teria que estar, não é, um uma uma coloração não anormal, a questão da respiração, porque já passámos por uma larite dele, sabemos que o peitinho ele afunda muito, ele chia, ele
fica respiração. Não, ele não tinha nada disso. Ou seja, ela não, ela não tinha que ter prescrito nada para ele. Ela tinha que ter dito: “Ele está bem, eu vou-te dar no máximo xarope”. Eu acredito que o que ele tinha era um um problema de garganta ou então, sei lá, um antibiótico para garganta.
Ela fala da garganta se ele estava com puso, alguma coisa na garganta? Ela [ressonante] não fala da garganta. Ela ela só só diz que a suspeita dela é de laringite. Então ela Mas ela põe aquele negócio para ver a garganta, aquele aquele pau na aquele Eu não vi, só a vi ao escutar o pulmão. Ela aqui à frente, tu mãe a falar de garganta e ela não olhem a garganta, gente.
Na parte respiratória ela inclusive põe tóx simétrico, certo? em norma expansível, sem deformidades ou abalamento. E depois ela resolve que ele está com laringite, com você a salientar que laringite que teve um mês antes. Sim. E que agora o seu problema seria a garganta e ela não lhe vê a garganta. Você não recorda agora, podemos já afirmar a 100%, mas que ela tem uma laringite e ela vai dar o mesmo procedimento que já tinha tido.
É isso sim. Depois ela ela diz, não é, o que é que ele vai fazer, os xaropes, não é, que ele vai tomar. Ela diz que ele vai fazer uma lavagem nasal, vai tomar um xarope, vai tomar uma medicação com soro e ela diz que ele vai fazer adrenalina. Ela não diz que ela ele vai receber a adrenalina aplicada na aveia, como eu fiz, não é, no mês passado.
Eu sei que é pela inalação. Sim. E depois ela pede para eu fazer um raio X por último. Então eu me encaminho paraa sala de medicação. Eu entro só com o Benício para o atendimento com ela, não é? Porque só pode um acompanhante e eu no caminho para a sala de medicação, o Bruno já entra, já está liberado para entrar comigo na sala de medicação.
Ele pode entrar e lá aguardamos novamente porque há outras crianças a serem atendidas e a gente senta-se lá e fica a aguardar atendimento. Tem uma uma técnica, uma enfermeira, ela pega no a nossa prescrição, leva, não é, a prescrição que a médica fez e ficamos aguardando. Acho que aguardamos o quê, amor? uns 15, 20 minutos.
Assim, só para confirmar um ponto que já está na sala de medicação, que foi me foi dito, li também que a Juliana teria dito para ti, para a Joice assim: “Olha, mãe, apesar de que ter saído intravenal, é, ela não disse nada disso, não. Ela só disse que vai ser dado adrenalina.” Isso.
Ela ela usou este termo, ele irá fazer adrenalina, tá? Beto, só para nós percebermos assim, mais ou menos. Eu não estava lá, pois não? Mas o contexto é, ela chega, não é, a Joyce com o Benício, ela examina o Benício, correto? Depois ela vai para pro computador, depois corrige-me se eu tiver errado, ela vai para o computador, preenche a a a prescrição, não é? E escreve tudo isto que disseste, ela escreve. É isso.
Não é digitado no computador. É digitado no computador. Ah, pois. Não, mas digo assim, este tudo isso que me disse, esse relatório sobre o Benício, é ela que escreveu que ele não estava com a Torá, essas coisas e ela vai para o computador e escreve tudo isso. Até põe [roncando] este resumo de que o Beníso está OK.
Sim, porque assim, isto que eu lhe estou a falando é do processo clínico que nós recebemos do hospital, não é? Assim, cada dos enfermeiros, dos técnicos, tem todos os relatórios do que vivenciaram naquele dia, está bem? E entre relatos, né, tem a como ela recebeu o benício, não é, e aquilo que ela determinou que seria a laringite, ok? Então, isto é comum pelos outros pelas outras evoluções do doente, inclusive lá do do médico da UCI, não é, dos dois médicos da UCI que passaram pelo penício.
Então fazem este relato de como receber oício lá futuramente, não é? Normalmente a gente não vai chegar a esse assunto, mas ela vem e é tudo no computador e ela é que tem de digitar, não é? Neste caso desta evolução, ela que digita na prescrição, por vídeos que nós eh já vimos e pelo relatório pericial, não é? Alguns tópicos ela clica porque já é já é descrito pelo sistema e outros ela tem de descrever para especificar, não é? se é de se é de 30 em 30 minutos ou alguma observação, é ela que descreve, ela que lá prescreve e
escreve, digita, não é? Isto tudo é visto no relatório perenicial e é o que ela faz, certo? Inclusive, eh eh eu não me quero adiantar, mas ela prescreve, não é? Ela imprime, ela carimba e ela assina e entrega a prescrição à Joyce, certo? Então a Joyce sai, não aponta nada assim no papel. Olha isto aqui.
Até mesmo. Porque é que eu até falei com a advogada da Juliana, disse: “Porque é que ela não pegou e não fez outro?” Pois é. E até uma uma questão se ela viu que está errado, rasga e faz outra receita. É, até porque assim lá na lá na lá na UCI, certo? existe a prescrição. Então, observamos que em algumas prescrições que recebemos, o médico ele risca ali, principalmente quando se tem uma vigilância elevada, ele vai lá e risca a caneta.
Sim, certo? Para para identificar, para dar um alerta. Então, digamos assim, se ela soubesse que este é um questionamento, não é, que vai ser julgado, não é, se ela sabia, ou ela faz manual ou ela identifica lá dizendo à mãe e marca qual outra caneta e risca, que é o certo, a meu ver, pelo questionamento que é feito, ela tem de riscar e escrever manualmente.
Olha, isto aqui não é eh eh endovenosa, isto aqui é inalação. Eu vou lá e escrevo, não é? ou se alegro que o sistema está com problema, que isto não é isso no depoimento do CONIG, ele diz que o problema é na internet, na internet não é no sistema. Então aqui temos que deixar um ponto bem claro, Bet, porque são ventilações, não é? são eh são coisas que são colocadas aí na na comunicação social que às vezes distorce até o depoimento que foi eh eh prestado numa esquadra de de uma pessoa ali que está para falar a verdade, ok? Assim, pela pelo depoimento
é falado que existe o problema na internet, não é no sistema, ok? Então para nós deixarmos claro, então ela imprime, entrega a Joyce, carimba e assina, temos essa prescrição, não é? E fala para Joyce para a sala de medicamento, não é? certo? E fala estas questões que a Joyce ali presenciou. Daí vocês estarem no medicamento, não tinha farmacêutico, vocês n bom também nem sei se vocês sabem ver isto, se conseguimos ver farmacêutico, né? Não, agora não.
A gente ficou a saber com a investigação. É, depois está ali na sala de medicamentos, tem outras crianças. O Bení estava OK? Sim, estava OK. e ficamos a aguardar, né, o atendimento. A a técnica ou enfermeira, esta levou a prescrição para separar material e preparar. E aí a gente aguarda lá, o Beníso está nervoso porque não quer, não é, ser furado, enfim.
E depois a técnica raíza, chega, até há as imagens, não é, dele a falar com o J, nós explicando que ele vai ter que apanhar a a o soro, não é? Então, ele vai ter de fazer a picadinha, não é, que nós falamos na hora. Chega mesmo a colocar a mão na cintura. Depois, pelos vídeos, detetamos este momento de interação.
Ele pega, põe lá a mão, pá, que ele já fica um pouco chateado. A Joice vai libertar o raio X, não é? Ela sai para libertar, a gente consegue ver isso nas imagens. Ela sai para libertar, eu fico com ele, ele vem ao meu colo, não é? Inclusive, é é um dos últimos abraços que consigo dar nele, porque como está muito ali apreensivo, ele abraça-me e abraça forte.
Assim, nunca me esqueço desse abraço. Eh, eh, então, então a Joice depois chega, não é, e a gente fica esperando ainda as acho que uns 20 minutos, não é, para ser atendido. Eh, a Alegria senta-se, não é, ele vai lá para o colo dela, depois vem para o meu colo. Então, a gente fica ali à espera, aguardando até à chegada da Raí. Sim, a Raísa chega, não é, e depois a enfermeira já passa as instruções para ela, não é? Olhe, falta atender aquela criança, tem que fazer isto, isto e isso, que é o que também nós descobre, não é, através da investigação,
que ela foi orientada para fazer a inalação com a adrenalina e não na veia. E esta enfermeira que fala para a Raíça que ela tem que dar inalação, ela não vai ter com a Juliana Brasil e diz: “Doutora, isto aqui está errado, está errado.” Esse esse esse é um questionamento, Beto, que vamos penso não nem como o pai, não é? Mas, por exemplo, se eu pego e não nem sei da veracidade, né? Aí a gente questiona, que eu acho que é essa dúvida também que deve ter.
Se eu apanhar uma prescrição e está errada, vou levar à médica. Lógico. É a lógica. Então levo à médica. Olhe, doutora, isto aqui está errado. Isso aqui não é venose. Isto aqui é inalação. Doutor, tem a certeza que é para dar, não é inalação, entravenosa numa criança viva, batimento cardíaco. OK. com saturação.
É porque a adrenalina dá, o Enri Borel teve porque ele chegou sem batimento nenhum ao coração. É o contrário, não? E e uma superdagem, certo? É 15 vezes superior a uma dosagem. É eh é como se o meu filho ele tivesse 10, 200, sei lá, quase 300 kg, se formos calcular no peso, tem 21 kg. Portanto, é é algo surreal.
É algo surreal para você dar aí. Isto nem paragem cardíaca você dá essa quantidade, não é? Nem parada cardíaca. O meu filho estava somente com uma tosse. Assim, voltando um pouco atrás, Beto, então se eu levo uma receita errada, não é, [pigarreia] devido a a aos protocolos que não foram seguidos, ela tem de voltar à médica. Ela tem que voltar à médica.
Aí a minha pergunta é como é que lá a o setor da farmácia, uma vez que ela disse que pegou todo o equipamento para inalação, como é que ela libertou esse equipamento se não estava prescrito? É, imagino que lá seja como se fosse umxarifado, Beto. Por quê? Eu chego lá, eu eu posso pegar no que eu quiser, não, tenho que ter um documento para poder ter a libertação, certo? Então eu posso lá e chegar, ah, me dá uma uma dipirona aí, mas esa aí, onde está a receita? Não, não é que a médica escreveu aqui mal, é de pirona. Me vê
mais 10 de pirona. Vê aqui 100 pironas. Não. E o farmacêutico, ele tem um ponto a mais. Ele conhece o para que serve o medicamento, como ele deve ser administrado. O farmacêutico questiona, quando vamos comprar na farmácia antibiótico, ele olha ali se, porque eu posso ter um amigo médico que prescreve o que eu quiser de loucura e ele vai-me dar lá um medicamento que eu vou morrer.
Portanto até assim, não pode, é uma questão assim, o farmacêutico ele tem um conhecimento técnico da farmácia no sentido de dosagem. é super importante, uma função importantíssima. São essas bloqueios de segurança que não aconteceram também no hospital, não é? Se tem um farmacêutico, farmaceu que olhar falar: “Mas porquê intravenosa? Isto daqui é praticamente pronto socorro, pulseira vermelha, criança morta, já teria bloqueado.
” A enfermeira, se vê isto, em vez dela avisar a raíz, tem que questionar a Juliana. Nós temos um ponto, um questionamento relacionado com questionar [pigarreia] médica. Existe um depoimento de uma outra eh enfermeira que há uns tempos ela já questionou a a Juliana, não é, de uma medicação anteriormente e a e por pelo depoimento, não é, não sou eu que estou a falar, não é, a A Juliana disse: “Estás a questionar o meu o meu título de médica, não é? Não com estas palavras, teria de ler o depoimento”. Exatamente.
Mas nesse nesse sentido é tipo, tu és enfermeira, eu sou médico, sei mais que está, sei mais que tu porque o meu diploma é maior que o seu. É isso aqui. A gente a gente não quer julgar ninguém, ok, Bet? A gente tem de deixar este ponto muito claro, não? O até o vosso advogado falaram, disse muito bem que vocês não querem vingança, vocês querem justiça.
Eh, tanto tanto é que eh eh o que a gente tem vindo a procurar, né, ao longo desse deste martes quase já se meses, não é, mais de cco meses, eh temos vindo a buscar respostas, não é, nunca acusando ali uma pessoa, mas sim mostrando é o que nós vivenciamos, que esta é a prova que nós temos, não é, até a ah dizer que a a adrenalina vai matar.
Não somos nós que falamos que a adrenalina matou o Benício, não somos nós. É o relatório pericial, é a perícia indireta que conclui isso, não é? E depois quem foi, tanto é que até os diretores do hospital foram responsabilizados, não foi, não é a gente que está a pedir para responsabilizá-los, né? É o delegado por uma investigação bem feita, a nosso ver, que achou que aquela aquela aquela atitude que tiveram, por exemplo, em não contratar o farmacêutico, não é, [pigarreia] cabe a um homicídio eh eh negligente que foram eh eh denunciados a esse respeito, ok?
E quem acha justo isto vai ser a justiça. Então aqui não estamos procurando vingança. A gente quer respostas porque o que aconteceu com o nosso filho foi homicídio. Se foi, como falou há um certo tempo aí, eh que ah, ele já estava com uma doença pré-existente, a gente a gente não estaria a ter essa conversa.
Mas da maneira que o Benício chegou, não, não fui eu que disse, não. Foi o advogado da Juliana Brasil que falou isso. Eu não disse nada disso, não, tá? Desculpa. Desculpa. Não, nunca falei. Eu não sei. Eu eu só entrevisto. Eu não tô não tenho decisão de nada. Opá, se eu tivesse decisão, não é? Nó nós não temos, não é? Então por isto que nós vemos eh plenamente confiança que a justiça pelo bem nisso, vai ser feita, não é? Então a gente só procura que principalmente em questões de testemunhos que a gente eh eh conseguiu ter acesso, não é? eh depoimentos, eh os
relatórios que [pigarreia] nos temos, não é, tanto da da perícia direta, indireta, não é, do sistema, não é, que fala que não existe qualquer erro no sistema. Então, tudo o que temos vindo aqui a falar não é para usar A, B, C ou D, não é, mas para procurar é procurar os responsáveis pela morte do nosso filho.
Não é vingança, certo? É, porque senão eh eh, digamos assim, uma profissão que está relacionada com a saúde tem o direito de matar, não funciona assim. Sim, lógico. Nós temos leis precisamente para brecar, não é, estas estas questões eh eh legais, estas questões que não podem acontecer. Sim. Agora estás-me a contar, daí tu está ali na sala de medicamentos, chega a Raíça, não sabiam ainda que uma enfermeira lhe tinha indicado, segundo o depoimento, para ela dar inalação e não intravenosa.
E a Raíça também, segundo até o delegado falou, meio arrogante entre eles ali, que a gente só vai descobrir isso depois, não é? Eu, tipo, eu não te respeito, eu só respeito o médico. Como é que foi a Raíça consigo naquele momento? Que daí você já teve o primeiro contacto com a Juliana? E agora vai ter o contacto com a Raíça, as duas pessoas que estão na linha da frente da morte do filho de vocês.
Como é que foi este, como é que foi que ela chegou? Como é que foi isso? Ela vem ter connosco bem educada, não é? Eh, ela prepara a lavagem nasal, ela entrega-me para eu lhe fazer a lavagem nasal. Ela explica como é que tem de ser feito, certo? Tantos ml numa larina, tantos ml na outra narina. Eu realizo após isso, ela traz o xarope que a médica passou para ele.
Ele próprio toma o xarope ali num copo de café e depois mais tarde ela vem para procurar aveia no bracinho dele e ela procura aveia, ele já começa a ficar nervoso. Isto tudo acontece naquela naquela maca, ele toma o xarope, faz a lavagem, não é? Na sala de medicação. É, depois estamos sentados aí. está sentado porque ela vai procurar veia no braço dele e depois e o Bruno acha melhor, não é, Bruno? Não, ela levá-la, ela acha melhor levar para maca, ela melhor levar para a maca.
Aí lá na maca nós deitamo-lo, ela continua à procura da veia, né? Ela acha com muita resistência dele, não é? A gente consegue segurá-lo, ela coloca o soro. Quando ela coloca o soro, é o momento que pergunto: “E onde está a inalação com adrenalina?” É quando ela se vira para mim e fala: “Não é inalação com a adrenalina, é na veia, está aqui a médica prescreveu e ela aponta para pra prescrição.
” Aí já acho estranho aquilo. Eu disse: “Na veia”. Mas ele nunca tomou na veia, tomou por inalação. Ela disse: “Mas a médica prescreveu na veia. Então eu não sou da área da saúde. O que é que se passa na minha cabeça? que é uma atualização que é eu não tenho conhecimento, eu não eu não eu não sabia o que que a adrenalina poderia causar ali no meu filho.
Se eu soubesse, óbvio que não permitiria, lógico. Então eu fico eu fico assim calada, assustada, parada e depois continua, apanha lá o ela continua a fazer a atividade dela, não é? entra, pega na seringa e depois no momento ele também começa, não é, se mexer, ele não quer, ele não aceita. Nós dizemos: “Calma, filho, calma”.
A gente segura ele dói-nos muito, não é? Saber que o segurámos ele para ele receber esta injeção letal. E assim é instantâneo, Beto. No momento que ela aplica, é instantâneo. Ele fica todo parado, estapelado. Ele fica com os olhos arregalados, parados e inteiramente amarelo. E depois nós, nesse momento, nós sabe que percebe que alguma coisa deu errado.
O Bruno até me disse que chegou a pensar que se tratava de uma reação alérgica. E depois ouvindo-o daquele jeito, eu digo: “Filho, o que é que está a acontecer? O que é que está a sentir? Começa a contorcer-se e fala: “Mãe, o meu coração está a arder”. E aí o meu marido diz: “Corre, chama a médica”. Diz à Raía, né? E ela sai a andar e vai atrás da médica. E eu fico ali.
Calma, filho. E uma coisa que disseste, desculpa te cortar, mas já é um ponto que quando o gente vê a imagem e você falou a palavra, ela sai a andar. Ela sai a andar. Ah, o que me mais me angustia ainda, já trazendo para ela sai a andar e a Juliana Brasil chega a andar. É, ela sai andando andando.
Se tem ação na imagem da corrida que vemos em série, em filme do médico a vir, nada. Porque eu não sabemos o que é que a Raíça disse para Juliana. Não sei se a Raíça disse para Juliana: “Olha, eu apliquei na eu apliquei adrenalina, o menino está passando mal. Aplicou como na veia?” Não é na veia, não.
Qual é a informação que a Juliana tem sobre a atitude que a Raíça tomou em função de uma de uma de um de um uma prescrição dela e que ali ela tocou-se que não podia ser na veia, tinha de ser nação? Porque ela escreve depois ao médico, eu administrei errado, prescrevi mal. Portanto ela como médica, se tem condições de de perceber lá quando ela é avisada, ela qual a informação que tem sobre aquilo que o Benisto está a passar, que ela não corre, certo? É uma sens imagino-vos hoje revendo tudo isto.
A gente fica indignado, imaginem vocês. É, eu noto que não há um sentido de urgência, de emergência ali que deveria ter naquele naquele momento, não é? Então a gente fica muito chocada. É, certo? Eh, demora ali uns 2 minutos, ok, Beto, para O Raí e a Juliana chegam junto com ela. E o Benício está ali a dizer que o coração dele está a arder.
Está a arder. Graças a Deus. assim, a gente teve eh eh uma atitude eh muito rápida da equipa de enfermagem, não é? As atitudes dele foram bastante rápidas, certo? em questão de colocar o soro e monitorizar o benício. É porque é uma coisa que nos dói também que nós percebeu que aí sim posso pontuar foi a ação, não é, das duas que naquele momento ali depois da aplicação da da adrenalina, não é, foi uma foi uma atitude que nós observamos lá e isso é muito bem comprovado agora com que não estava preocupado em salvar o
Benício, não estava. Então, isso que nos doeu muito, não é? Uma atitude ali que você tem, que espera de de um médico, um socorrista, não é, que está numa urgência, numa emergência, ter alguma atitude, por mais que nem estou a questionar se tinha alguma coisa para fazer, não é, mas não sei, às vezes, sei lá, se eu bater o o meu pé aqui, vou sentir dor, mas eu vou fazer alguma coisa.
Eu sei que eu não vou resolver ali para sanador, mas com o tempo vai passar, mas tento ter alguma atitude ali para mostrar, epá, monitoriza, faz isso, faz isso, ó, nós vai, nós vamos levá-lo paraa sala vermelha. Assim, isso por nenhum momento é feito pela, neste caso, pela, pela Juliana, certo? A raíz deste momento, a a partir da dele já não tem o contacto com o meu filho.
As duas, inclusive, em alguns momentos, conversam em frente ao computador. Eu creio, não é, para já querendo sanar culpas de uma e de outra, creio, não posso comprovar isso, mas aparentemente parece muito, certo? Não tá aquela atitude ali, ó, vamos salvar a criança, depois vemos aqui quem errou, quem quem prescreveu, se errei o sistema, se o fizeste.
Não, não existe essa preocupação, veto. Então, isso nos aflinge, não é, magoa-nos muito, porque ao mesmo tempo que esperamos essa assistência, não é, de pessoas que são treinadas, são preparadas, estudam para isso, nós ficamos ali em, não é, sem poder fazer nada. A gente fica e que quiseram ser, não é, pessoas da da área médica, têm de ter vocação, porque precisa de querer muito fazer.
Agora, só uma coisa, quando a Juliana chega, qual é a história do pé? Que ela pergunta da cor do pé do seu filho? Não é da mão. Ela a mão, ela ela manda o Benício sentar-se na maca e ela olha para a palma da mão dele e porque ele está inteiro amarelo, não é? E ela pergunta de mim se comeu cenoura, porque a mão dele está amarela.
Aí eu falo: “Qual cenoura? Ele está só com o pequeno-almoço. Ele tá assim porque recebeu adrenalina na veia. É nesse momento que ela descobre que recebeu adrenalina na veia. Quando a técnica Raísa a vai avisar no consultório, ela apenas avisa que a criança está a passar mal, que ela precisa de ir ver a criança, precisa a criança, ela não informa o que que aconteceu.
E a médica ainda demora, não é? Se a gente chega lá e diz: “Olha, seu seu doente está a passar mal, tem que ir o mais rápido possível, não é?” A médica como que resiste, certo? Então sabemos o que foi falado entre a Raí e ela. Achei que não soubesse, tá? Então quando ela a palma da bom do Venício que ela que descobre que prescreveu errado.
Dos 7 minutos que ela ali passa atendendo o o Denício, atendendo entre aspas 5 minutos e meio mais ou menos. Ou ela está no seu global ou está afastada do Ben? O Dr. Luiz disse que precisava de ficar 24 horas na UCI. Eu só quero que ele saia da UCI quando ele estiver bem recuperado. Não o deixa ir para apartamento, não o deixa sair da UCI se ele não tiver bem.
Eu trocava tudo para ter mais estes 6 anos com ele. Se Deus fala assim, [música] são 6 anos, 11 meses que tu vai passar com benefício. Você quer, trocas por tudo o que tens. Eu troco até pela minha vida,