Vieram as digressões mundiais, vieram os recordes, veio o império, mas vieram também as transformações, a pele a clarear, o nariz a afinar, o queixo a mudar, tablóide de todo o mundo falando que o gajo estava a enlouquecer, que estava fugindo da própria raça, que tava demasiado vaidoso. Em 1993, sentado no sofá branco da entrevista, com a Opera Winfrey gravada dentro do próprio Neverland, transmitido em direto para 90 milhões de pessoas, o Michael falou: “Há o vitíligo, uma doença autoimune que destrói as células que dão cor à pele.” A autópsia em 2009
confirmou tudo era verdade e veio a vida pessoal complicadíssima. Maio de 94, casa em segredo com a Lisa Marie Presley, a filha do Elvis. Durou 19 meses. Em 96, casa-se com a Deb Row, enfermeira do dermatologista que tratava do vítligo dele. Tiveram dois filhos, o Prince em 97 e a Paris em 98, baptizada com o nome da cidade onde foi concebida.
Em 2002, nasceu o terceiro, o Blanket, hoje conhecido por Big, por barriga de aluguel. Foi este bebé que o Michael ergueu-se sobre a varanda do hotel em Berlim aquela vez num gesto que se tornou capa de jornal do mundo inteiro. E depois vieram as acusações que destruíram o homem. Primeira vez foi em 1993. O adolescente Jordan Chandler.
Acordo extrajudicial de 22 milhões de dólares. Mais dinheiro do que uma lotaria. Segunda vez 10 anos depois, em 2003, 70 polícias cercaram Neverland num dia só. Levaram caixas e mais caixas de provas. Em 2005, julgamento transmitido para o mundo inteiro pela CNN. O Michael chegava ao tribunal de pijama, magérimo, segurando o guarda-chuva.
Em junho de 2005, foi absolvido em todas as acusações. Saiu pálido, foi paraa casa, atravessou os portões dourados de Neverland e nunca mais voltou. 4 anos depois, estava endividado em quase 500 milhões de dólares. Para salvar a vida financeira, em março de 2009, anunciou em Londres uma digressão de 50 concertos chamada This Is It.
Os bilhetes esgotaram em poucos minutos e depois, para conseguir aguentar o ritmo dos ensaios e dormir à noite, contratou um cardiologista de Las Vegas chamado Conrad Murray. pagando 150.000 por mês só para ele estar disponível. E eis que surge o detalhe mais chocante de toda essa história. Para conseguir dormir, Michael Jackson pagava 150.
000 por mês a um cardiologista de Las Vegas. Este médico ia à mansão todas as noites e injetava-lhe propofol, o mesmo anestésico que os hospitais utilizam para fazer uma cirurgia, para cortar a barriga de paciente. O Michael chamava aquilo de leite toda a noite. Litro de leite no braço para apagar.
Foi o leite que matou ele. 25 de junho de 2009, manhã de quinta-feira, mansão alugada em Homeby Hills, Los Angeles. 10h40 da manhã, o O Dr. Conrad Murray injecta o Propofall no Michael, sai do quarto para atender o telefone. Quando regressa, o Michael não está respirando mais. E vejam o pormenor que choca.
A chamada para o pronto socorro só foi feita 1 hora 40 minutos depois. Às 14h26, no centro médico da US La, Michael Joseph Jackson foi declarado morreu 50 anos de idade, o artista mais famoso do planeta. A autópsia atribuiu à morte à intoxicação aguda por Propofol. E vejam o pormenor que ninguém esperava. O coração dele ainda estava forte.
O cara não morreu de doença, morreu de exaustão, de sono atrasado, de uma vida inteira sem descansar devidamente. Conrado Murray foi condenado em 2011 por homicídio negligente. Pegou 4 anos de prisão, cumpriu menos de dois. E aí fica a questão moral que até hoje divide os fãs. Há quem diga que o Conrad Murray foi um médico irresponsável que matou de facto o cantor.
Há quem diga que ele era apenas um peão apanhado no meio do caminho, que se não fosse ele, o Michael ia achar outro médico, ia tomar outra coisa, ia morrer da mesma maneira. E depois a pergunta fica para responder lá em baixo nos comentários do vídeo. O segundo em que o coração do rei da pop parou em Los Angeles a 200 km dali, lá nas colinas frias do interior da Califórnia, um rancho começou a apagar as luzes para sempre.
E o que aconteceu àquele paraíso a partir desse dia é a parte mais estranha de toda esta história. A primeira vez que o Michael pisou naquele rancho foi em 1983. Tinha 25 anos. O thriller tinha acabado de rebentar nas paradas do mundo todo e ele estava a visitar o Paul McCartney, que estava a gravar o clipe da canção Sei, Sei, Sei, exatamente naquelas colinas.
Os dois andaram pelos jardins, brincaram que pareciam dois miúdos no quintal. E o Michael olhou em volta, olhou para as montanhas, olhou para o lago, olhou para os carvalhos centenários e mandou uma mensagem à irmã Latoia. No dia seguinte, um dia eu compro este lugar. 5 anos depois ele comprou. Março de 1988. O Michael fecha negócio com o dono original, um magnata dos campos de golfe chamado William Bone.
O valor exato até hoje ninguém sabe bem. Falam em 17 milhões de dólares, falam em 29 milhões, falam em 30. O que se sabe é que ele rebatizou o local na hora. tirou o nome antigo Sikamore Valley Ranch e mandou colocar na placa de ferro forjado com letras douradas e uma coroa em cima, Neverland Valley Ranch, a terra do Nunca, em homenagem àquela ilha do livro do Peter Pan, onde as crianças nunca crescem.
E depois começou a fazer o que ninguém tinha feito antes na história. Para terem ideia do tamanho daquilo, presta atenção. 2700 acres. Mais ou menos um bairro inteiro do Rio de Janeiro, dentro dos portões de um só homem. Entrava-se de carro pela alameda principal e atravessava um relógio gigante feito de cravos vermelhos e brancos vivos plantados em forma do nome Neverland, que os os jardineiros podavam todos os santos dias para ficar perfeito.
Atravessava uma ponte de pedra sobre um lago de quatro hectares alimentado por uma cascata artificial. Só a chegada já tirava o fôlego a qualquer um. Aí é que o negócio ficava louco, de verdade. O Michael construiu um parque de diversões privado dentro da quinta. Não era um brinquedo de criança, não. Era parque a sério, daqueles do tamanho do Beto Carreiro.
Uma roda gigante com 20 m de altura, feita por encomenda em 1990, ao preço de 215.000 000 só ela. Um carrossel com 60 cavalos de madeira esculpidos um a um à mão. Montanha russa verdadeira, carros de choque, barco pirata a abanar, autopista de kart serpenteando entre as colinas e um arcade gigante recheado de máquinas de Pac-Man, jogos de tiros, daqueles que jogávamos na lanchonete do shopping no final dos anos 80.
E vejam o pormenor simbólico que poucos conhecem. O Miguel adorava comboio. adorava de paixão desde pequeno, herança dos passeios na Disneyland com a mãe. Então ele mandou erguer uma estação ferroviária inteira dentro do rancho. Estação vitoriana, com torre de relógio, telhado vermelho, igualzinha àelas estações antigas dos filmes do velho oeste e uma locomotiva a vapor de verdade, libertando fumo, atravessando a propriedade num trilho de quase 1 km.
Sabe que nome ele deu à locomotiva? Ctherine, o mesmo nome da mãe dele, e ainda havia o jardim zoológico. Atrás da casa principal, num espaço que a equipa chamava o reino animal do Michael, vivia uma família que parecia ter saído de um filme da Disney. Dois elefantes adultos, três girafas, orangutangos, leões, dois tigres de bengala batizados com nomes que diziam tudo.

e Sabu, jacarés, flamingos cor-de-rosa, lamas pastando nos jardins, uma cobra-pitão albina que o Michael provocou a rivalidade colocando o nome de Madonna e o mais famoso de todos, aquele que aparecia em foto nas capas das revistas dos anos 90, sentado no colo do Michael de fralda e preservativo no banco do carro, no avião particular, o chimpanzé Bubbles, comprado num centro de investigação do Texas em 1985, tornou-se uma companhia inseparável do cantor nas digressões.
No interior da mansão principal, uma casa de 1170 m², inspiração francesa, eram seis quartos, cinco lareiras, biblioteca com mais de 10.000 livros e o cinema, um cinema gigante com palco completo e 50 poltronas de veludo vermelho que vinham diretamente de Hollywood. Tudo isto já é impressionante, mas tinha uma coisa neste cinema que muda completamente a maneira de nós olharmos para o Miguel Jackson.
Coladinha na sala principal de exibição, separada apenas por um vidro, mandou construir uma pequena sala lateral, equipada com cama hospitalar verdadeira, com soro pendurado, com tudo. Para quê? para que as crianças em tratamento oncológico, trazidas pelas fundações de doação de sonhos, pudessem assistir aos filmes deitadas com os equipamentos médicos delas a funcionar do lado.
Crianças que já não conseguiam sentar-se, crianças em fase terminal e o Michael fazia questão de receber pessoalmente cada uma delas no portão. A maioria das pessoas olha para a Terra do Nunca e pensa: “Lugar de ricaço excêntrico, capricho de astro louco.” E faz todo o sentido pensar isso. Mas tinha uma coisa por detrás daquela fantasia toda que o tipo nunca conseguiu confessar direito em entrevista nenhuma.
Aquilo ali era a infância que nunca teve e custava uma fortuna. Para manter aquele paraíso a funcionar, o Michael gastava cerca de 5 milhões de dólares por ano. Só de jardineiro, 95.000 por mês. De segurança, mais 50.000. Manutenção do jardim zoológico e dos brinquedos, 66.000 1000 mensais, 150 funcionários a trabalhar ali dentro todo santo dia.
Era praticamente uma pequena cidade do interior com folha de pagamento de empresa média e os famosos passavam por ali como se fosse um clube de campo da elite mundial. Outubro de 1991, casamento da Elizabeth Taylor com o pedreiro Larry Fortensk. A oitava e última vez que a estrela de cinema americano casou. 160 convidados. Vestido amarelo de Valentino.
Laisa Minelli, Nancy Reagan, Eddie Murphy, Quincy Jones, toda a gente lá. O Miguel, padrinho da noiva com 33 anos de idade, segurou-lhe o braço e levou-o até ao altar. pagou quase tudo da festa, alguma coisa entre 15 milhões e meio e 2 milhões de dólares do seu próprio bolso. E olha o pormenor absurdo desta festa.
No meio da cerimónia, um helicóptero de paparat sobrevoou os jardins do rancho. E desse helicóptero, um fotógrafo atirou-se de para-quedas. Caiu a 6 m da Lis Taylor de vestido amarelo. Aconteceu o mesmo. Não é piada não. Em 1993 foi a Opera Winfrey que gravou ao vivo do salão principal a entrevista mais assistida da televisão americana até aquele momento.
90 milhões de pessoas coladas na tela. A Diana Ross visitava direto. O Michael Coking, o miúdo do filme Esqueceram-se de Mim, passava noites num quarto que o Michael baptizou de quarto pirata. O mar lombrando passava semanas inteiras no rancho, em silêncios longos, a falar coisas que ninguém nunca soube.
Aquilo era a fantasia mais cara, já erguida por um artista na história. Um sonho de criança financiado por uma fortuna de adulto. lugar que parecia ter saído diretamente da imaginação de um menino de 5 anos que nunca tinha brincado direito porque estava sempre ensaiando passo de dança para agradar ao pai.
Só que esta fantasia toda durou pouco mais de 15 anos. Em 2005, depois daquele julgamento que travou o mundo, o Michael atravessou os portões dourados de Neverland pela última vez. saiu pálido, magérimo, segurando um guarda-chuva. Entrou no carro, disse aos íntimos que nunca mais voltaria e não voltou nunca mais. E a partir desse dia, em silêncio, o paraíso começou a apodrecer por dentro.
No dia seguinte, a saída do Michael de Neverland foi o princípio do fim daquele lugar. Os portões fecharam em 2005 e nunca mais abriram ao público. O Michael foi viver para o Bahrain, lá no Médio Oriente, organizado por um she amigo. Os animais começaram a desaparecer em silêncio, um a um. Os jardineiros foram despedidos, os funcionários dispensados, as bombas da cascata artificial deixaram de funcionar e o letreiro de cravos vermelhos e brancos com o nome Neverland, antes, podado todo o dia para ficar perfeito, foi-se tornando um emaranhado de mato. E depois, em 2007,
Começaram as primeiras notícias estranhas. Rumor de execução hipotecária na propriedade. Fevereiro de 2008, a notificação oficial chegou pelo correio em casa do Michael, ou pagava 24 milhões de dólares em três semanas, ou Neverland e a leilão público pelo menor lance. Toda aquela fantasia ia ser vendida em pedaços a qualquer pessoa que aparecesse com um cheque no dia.
Para si ter noção do tamanho da humilhação, imagina o astro mais famoso do planeta, perdendo o próprio paraíso para o banco. Imagine-se o brasileiro que trabalhou 30 anos para comprar casa e está prestes a perder para o Bradesco. É a mesma sensação, só que com a câmara do mundo inteiro apontada.
E, depois, em maio de 2008, apareceu um amigo, o bilionário Tom Barrick, dono de uma empresa chamada Colony Capital, comprou a dívida do banco por 22 milhões e meio de dólares e cancelou o leilão de última hora. O Michael respirou de alívio, mas a propriedade não voltou totalmente a ele, passou para uma sociedade nova onde tinha 87%. E o amigo Barrick tinha o resto.
O paraíso já não era só dele. 13 meses depois, o Michael morreu na mansão de Hby Hills. E depois começou a outra parte estranha desta história. Para onde foi cada coisa daquele rancho? Vamos começar pelos animais. O Bubbles, o chimpanzé, que aparecia na revista Caras nos anos 90, sentado no colo do Michael de Fralda.
Está vivo até hoje em 2026, 43 anos de idade, idoso para um chimpanzé. Vive num santuário em Wula, na Florida, denominado Center for Great Apes. O espóo do Michael, quem trata do dinheiro que deixou, paga até hoje a manutenção do bicho, comida, médico, tudo. A diretora do santuário confirmou para revista Vari em abril deste ano, que o Bubble segue lá, bem comportado gostando de chocolate.
Os tigres Thriller e Sabu foram para o santuário da atriz Tip Hedren, no deserto da Califórnia. O thriller morreu de cancro do pulmão em junho de 2012 e as cinzas dele foram enterradas num canteiro especial para os animais falecidos do santuário. A elefanta ali foi para o jardim zoológico de Jacksonville, também na Flórida.
E olha que pormenor, em março de 2024, 30 especialistas em elefante viajaram para Jacksonville para fazer-lhe uma cirurgia. Cirurgia de remoção de presa no animal que tem hoje 34 anos de idade. A Piton Madonna, a cobra Albina, foi rebatizada de Sunshine e vive num centro infantil de natureza, num centro comercial no estado do Colorado.
Crianças passam de mão dada perto do cobra que um dia foi do rei da pop, sem saber quem foi o proprietário original da mesma. e os brinquedos. A roda gigante de 20 m personalizada em 1990 por 215.000, 000 hoje gira numa feira em Imperial, no Missouri. O Sea Dragon foi parar num parque de bowling green, no estado do Kentucky.
Outros brinquedos, o Zipper, o Lolly Swing, o Wave Swinger rodam em pequenas feiras itinerantes no Oregon, Washington e na Califórnia, com modestas placas que dizem na lateral: “Este brinquedo veio do rancho Terra do Nunca”. As crianças sobem, descem, dão riso, sem fazer ideia da história que está debaixo do assento.
Agora pega no seguinte. A maioria das pessoas pensa que Neverland se tornou museu igual a Graceland, aquela mansão do Elvis Presley em Memphis, no estado do Tennessee, que recebe 600.000 pessoas por ano e gera milhões em turismo. Faz todo o sentido pensar isso, mas aconteceu o oposto. Aconteceu uma coisa que ninguém esperava.
Em maio de 2015, 6 anos depois da morte do Michael, a empresa que controlava o rancho anunciou, está à venda. 100 milhões de dólares. Sotbis, a maior corretora de luxo do mundo no comando. Resultado, ninguém comprou, ficou parado. Em fevereiro de 2017, baixaram o preço para 67 milhões. Continuou parado. Em fevereiro de 2019, poucos meses depois do documentário Living Neverland estreia no festival de Sundayens, aquele polémico documentário com dois rapazes a acusarem o Michael de abuso, reacendendo toda a controvérsia, o preço caiu a pique para 31 milhões de
dólares. Os corretores ouvidos pelo Wall Street Journal foram diretos. A reputação tóxica da propriedade tava espantando o comprador. Ninguém queria o nome Neverland, associado ao próprio bolso. E depois veio dezembro de 2020, no meio da pandemia, no auge da crise mundial.
O bilionário Ron Burkle, proprietário de cadeias de supermercados, amigo pessoal do Michael desde os anos 2000, chegou com um cheque e comprou Neverland por 22 milhões de dólares. 22 milhões, para se tiver ideia, é menos do que custa um bom apartamento em Manhattan hoje. Um décimo do que estava a ser pedido 5 anos antes.
Merkle, que já contava com mais de 1000 acres em terrenos vizinhos, classificou para a imprensa como uma oportunidade de banco fundiário. Tradução: Apanhei barato porque ninguém quis, vou guardar. E o que ele fez com o lugar? Nada que a gente esperava, nada de museu, nada de visitação, nada de turismo. Em 2026, hoje o Neverland está fechado.
Os comboios silenciosos, o cinema escuro, as lamas, as únicas que restam, pastam sob a supervisão de tratadores. A estação de comboio foi restaurada por fora. Segundo as últimas reportagens do Daily Mail, os jardins voltaram a ser podados. Mas o letreiro de cravos, com o nome Neverland, aquele que dava a alma do lugar, foi removido.
E o rancho voltou a se chamar pelo nome antigo Sikamore Valley Ranch, como se o Michael nunca tivesse morado ali. E aí, naturalmente surge a lenda. Os vigias contratados para cuidar da propriedade contam tablóides americanos coisas estranhas que vêm luzes a acenderem sozinhas no cinema privado, que ouvem o riso de uma criança no final da tarde vindas do lado da estação de comboio.
Nada disto foi confirmado por autoridade nenhuma. Mas como toda a casa que pertenceu a uma lenda mundial, Neverland tornou-se cenário de história de fantasma. Fãs do Michael fazem vigília do lado de fora dos portões. Deixam velas, cartas, ursinhos de peluche. Em 2009, mesmo no dia da morte, foram tantas cartas que precisaram de camião para recolher.
E olha o pormenor mais simbólico de tudo, o que mais aperta o coração quando paramos para pensar. A família do Michael tentou, tentou recomprar Neverland nos primeiros anos depois da morte e transformar num memorial, num Graceland brasileiro do pop. O pai dele, o Joe Jackson, aquele mesmo que batia de cinto quando o miúdo errava ao passo, defendia, em entrevista que o Michael devia ser enterrado dentro do próprio rancho, igualzinho ao Elvis em Memphis.
Mas o Joe morreu em junho de 2018 e a ideia morreu juntamente com ele. O caixão do O Michael nem sequer está enterrado em Neverland, está num cemitério em Glendale, Califórnia, a horas de distância do rancho que construiu para ser para sempre. E sabe, a montanha que o Michael batizou Ctherine em homenagem à mãe? continua ali imóvel, olhando para o lago vazio, à espera de alguém que já não vai voltar.
Mas há uma questão que sobra no ar quando olhamos para este rancho fechado em silêncio em 2026, porque um homem que tinha o mundo aos pés teve de construir um parque de diversões só para ele próprio? E a resposta talvez esteja escondida num quartinho apertado de Gary Indiana. na década de 1960, onde tudo começou e onde nunca nada ficou resolvido direito.
No final de contas é o seguinte. O Michael Jackson construiu o Neverland para nunca crescer, para não voltar a aquela casa apertada de Gary e Indiana, onde apanhava de cinto quando falhava um passo de dança. Para não voltar para o pai se para a mãe calada, para os ensaios na madrugada, construiu um parque de diversões, particular do tamanho de um todo o bairro do Rio, porque a infância dele tinha sido roubada antes dos 8 anos de idade e queria na vida adulta ter de volta o que nunca tinha tido.
Cresceu mesmo assim, envelheceu, sofreu, criou três filhos sozinho, perdeu fortuna, foi acusado, foi absolvido, foi acusado de novo, foi adorado por biliões de pessoas e foi escarnecido pelos mesmos tablóides que um dia o coroaram e morreu cedo demais, aos 50 anos de idade, com o coração ainda forte, segundo a autópsia, num quarto fechado de Homby Hills, numa quinta-feira, de junho de 2009.
Não morreu de doença, morreu cansado. Cansado de uma vida inteira sem dormir direito, desde os 5 anos de idade. E hoje, em 2026, 17 anos depois, o paraíso que ele construiu está fechado nas mãos discretas de um bilionário amigo que comprou aquilo barato no meio da pandemia, sem museu, sem turismo, sem fã, passando pelos portões, os carvalhos centenários.
Aqueles que viram o Paul McCartney a gravar clipe em 1983, a Elizabeth Taylor a caminhar de vestido amarelo em 91, 70 polícias a entrar em fila indiana em 2003. Estes carvalhos seguem firmes nas colinas frias da Califórnia, calados, cumpridos da própria função testemunhar. Os filhos do Michael hoje seguem a vida cada um do seu jeito.
O Prince, com 29 anos, ajudou a produzir o filme biográfico do pai, que estreou nos cinemas em abril deste ano. A Paris, com 28, é cantora e modelo lança disco faz escapa a revista. O Bid, o mais novo, aquele que o Michael ergueu-se na varanda do hotel em Berlim em 2002, tem hoje 24 anos e dirige curtametragem sobre as alterações climáticas.
A A avó Katherine, mãe do Michael, aquela mesma que dava um nome de carinho a locomotiva do rancho, está viva com 95 anos, vive em Calabas, na Califórnia. Talvez Neverland nunca tenha sido sobre brinquedo, sobre elefante, sobre montanha russa. Talvez fosse só o jeito que aquele rapaz magro de Gary, Indiana, achou de não voltar para casa onde apanhava quando falhava um passo.
E quando nós entendemos isso, a gente deixa de olhar para o Michael Jackson como o astro louco da pele clara, das cirurgias, dos escândalos. E começa o Iu olhar para ele como aquilo que ele foi até ao último dia da vida. Uma criança grande demais, com dinheiro a mais e sono de menos.
O rancho hoje está fechado, os comboios parados, o cinema escuro, o letreiro de cravos vermelhos e brancos com o nome Neverland, removido, como se nunca tivesse existido. Mas tem uma coisa daquele homem que ninguém compra, ninguém vende, ninguém demole. O lua walk daquela noite de 16 de maio de 1983, no especial Mown 25, com fumo preto, meia branca, luva cravejada, deslizando para trás como se a gravidade tivesse esquecido de existir durante 2 segundos.
Este instante, este segue lá no YouTube, na memória do mundo, na cabeça de cada brasileiro que parou em frente à TV. em alguma repetição do Fantástico nos anos 90.º Esse ninguém poderá demolir nunca. Esse é o reino e o reino esse segue eterno. Agora conta-me uma coisa aqui em baixo nos comentários.
Eu quero saber mesmo a opinião de cada um que está assistindo. Para si o que aconteceu com o Neverland foi o quê? Número um, foi justo. O lugar estava amaldiçoado mesmo. Tinha história a mais, polémica demais. Melhor ter ficado para trás em silêncio. Número dois. Foi triste. Aquele rancho devia ter-se transformado em museu para os fãs do mundo todo.
Igualzinho a Graceland Elvis em Memphis. O Miguel merecia. Número três. Tanto faz. Quando o Michael morreu, já não estava lá há 4 anos. Não importa o que aconteceu com o tijolo, com a parede, com o portão, o legado dele está nas músicas. Comenta lá em baixo o número da a sua opinião. Leio todos e o debate torna-se bom quando cada um defende o próprio ponto de vista.
Se essa história emocionou-te de alguma forma, faz três coisas para mim antes de sair do vídeo. Deixa o joinha aqui em baixo, inscreve-te no canal Simon Flix, se ainda não é inscrito, e ativa o sininho das notificações, porque assim não perde o vídeo seguinte. Espero-te lá. Um abraço.