Graças a Deus, consegui um canto para poder ter a minha dignidade. >> Em abril de 2025, o ator finalmente recebeu as chaves da sua nova casa no retiro. >> Obrigada. Que você agora >> seja muito bem-vindo a sua casa. Obrigado, querida. >> Obrigado, Parieta. >> Ao entrar no imóvel, simples, mas cuidadosamente preparado com sofá, televisão, frigorífico e utensílios básicos, o Marcos não conseguiu conter as lágrimas.
Ele descreveu aquele momento como algo que nunca imaginou viver novamente. Depois de meses de angústia, finalmente tinha um cantinho organizado, bonito e tranquilo, para chamar seu. Hoje, vivendo ao lado da sua cadelinha, Lolita, o ator afirma estar em paz. Mais do que um abrigo, o retiro devolveu-lhe algo que parecia perdido. >> Aula, estou a fazer aula de dobragem também, que quero ver se me formo logo daqui a uns se meses, um ano e começo a trabalhar. Eu quero trabalho.
A única coisa que me me resta na minha vida é o trabalho. O resto seguimos em frente. Mas Marcos não está sozinho neste lugar cheio de histórias e de alguns nomes que por ali passaram viveram finais ainda mais comoventes. Se a chegada de Marcos Oliveira representa a esperança, algumas histórias dentro do retiro dos artistas transportam uma carga ainda mais intensa.
Histórias de despedidas discretas, longe dos holofotes, mas cheias de significado. Um dos casos mais marcantes é o da atriz Iolanda Cardoso. Presença constante em diversas telenovelas da televisão brasileira. >> Um jovem artista precisa sempre dos conselhos da grande Maira. >> Obrigada, Lola. E depois, onde está o Pedro? Durante anos, ela fez parte da rotina dos lares brasileiros, interpretando personagens que conquistaram o público.
Mas com o passar do tempo, a vida artística foi perdendo terreno. Os convites diminuíram, a saúde começou a falhar e a solidão tornou-se uma companheira cada vez mais presente. Em 2001, Iolanda decidiu mudar-se para o retiro dos artistas. Ali encontrou algo que já não tinha fora dali. Uma espécie de família formada por colegas de profissão, pessoas que compreendiam exatamente o que ela tinha vivido nos palcos e nos estúdios.
Ela passou os seus últimos anos naquele ambiente simples, mas acolhedor. E em 2007, aos 78 anos, faleceu após enfrentar pneumonia, infecção generalizada e falência múltipla de órgãos. Para muitos fãs, a notícia passou quase despercebida, mas dentro do retiro foi a despedida de uma artista respeitada e querida.
Outra trajetória profundamente comovente é a da atriz e cantora Edir de Castro, membro do famoso grupo As Frenéticas, >> que marcou uma época na música brasileira. Além da sua carreira musical, Edir também participou em novelas importantes como Porolidando uma trajetória artística rica e versátil. No entanto, anos mais tarde, a sua vida tomou um rumo difícil quando foi diagnosticada com Alzheimer.
A doença avançou rapidamente, tornando impossível que ela continuasse a viver sozinha. Em 2011, Edir passou a viver no retiro dos artistas, onde recebeu acompanhamento diário e uma rotina protegida. Ali, rodeada por cuidados médicos e convivendo com outros artistas que também enfrentavam as suas próprias batalhas, ela viveu os seus últimos anos com dignidade.
Em 2019, aos 72 anos, Edir de Castro faleceu vítima de falência múltipla dos órgãos. O glamur dos palcos já tinha ficado no passado, mas o respeito e a cuidados permaneceram até ao fim. E estas não foram as únicas despedidas marcantes dentro daquele espaço. Alguns dos maiores nomes do cinema e da televisão brasileira também encontraram aí o último refúgio.
O retiro dos artistas foi também o destino final de nomes gigantes da cultura brasileira. Artistas que um dia foram sinónimo de talento, personalidade e sucesso. Um deles foi o ator Paulo César Pereio, considerado um dos grandes ícones do cinema nacional. >> Essencial. Eu não sou um ator característico, aliás, não tenho nenhum carácter.
>> Eu não quero saber de nenhuma de curta. Curta é coisa de >> Com uma carreira que ultrapassou os 60 filmes, para além de trabalhos marcantes no teatro e na televisão, Pereio construiu uma imagem intensa, irreverente e absolutamente inesquecível. O meu nome é Paulo, nasci no Alegrete de Rio Grande e desde a mais terridade manifestei interesse pelas artes.
>> Durante décadas, viveu o auge da fama, rodeado de convites, entrevistas e reconhecimento artístico. Mas com o passar dos anos, o ritmo de trabalho diminuiu. A exposição pública foi tornando-se mais rara e a velice trouxe desafios que muitos artistas enfrentam em silêncio. Em 2020, já afastado da vida pública, Pereio decidiu mudar-se para o retiro dos artistas.
Em entrevistas, foi direto ao explicar o motivo. Precisava de sobreviver. A declaração chocou muita gente. Afinal, como um nome tão importante poderia chegar a esse ponto? No retiro, ele encontrou uma rotina mais tranquila, rodeada de cuidados médicos e convivência com outros profissionais que também transportavam décadas de história na arte brasileira.
Ali viveu os seus últimos anos com mais estabilidade até falecer em 2024 aos 83 anos. Vítima de uma doença hepática avançada. >> Será sepultado amanhã no Rio de Janeiro o corpo do ator Paulo César Pereio. Ele faleceu ontem aos 83 anos. >> Como é que está lá uma coisa pelo rio ali? Tá maravilhoso. >> Pois, é ótimo. >> Outra história que toca profundamente o público é o da atriz Dirce Migliátio, eternizada como a primeira Emília do Sítio do Picapau Amarelo.
Ah, o que é que tem na cabeça? Ah, é a carapuça do Sassi. Para milhões de brasileiros, ela foi o rosto de uma infância mágica, cheia de imaginação e fantasia. Mas pobre não pode passar de ladrão de galinhas, mas não se esqueceu e trouxe quase 3 milhão para casa. Conclusão, não vai poder gastar e é capaz de parar na cadeia.
>> Rouba pouca que dá cadeia, >> mas não dá morte. Na televisão para adultos também participou em telenovelas importantes como o bem amado, consolidando ainda mais o seu talento. Vai falar com a sua filha sobre nós. >> Estás doida? >> Nem com a minha filha, nem com ninguém. Eu já lhe expliquei. Prejudica a a minha imagem.
Mas a vida fora dos ecrãs trouxe desafios difíceis. Após sofrer um AVC, Dirce passou a enfrentar graves problemas de saúde e limitações físicas que tornaram impossível continuar vivendo sozinha. Em 2008, ela mudou-se para o retiro dos artistas. Ali recebeu acompanhamento constante e o apoio necessário para enfrentar aquele momento delicado.
No ano seguinte, em 2009, aos 75 anos, faleceu após complicações cardiovasculares e infeções. Para o público, será sempre lembrada como a irreverente boneca falante da televisão. Para o retiro, foi mais uma artista acolhida no momento em que mais precisava. Mas nem todos os casos que passaram por ali ficaram apenas no passado.
Alguns moradores continuam vivendo hoje naquele lugar que parece uma pequena aldeia cheia de memórias. Apesar das despedidas marcantes, o retiro dos artistas não é apenas um lugar ligado ao fim. Para muitos moradores, ele representa um verdadeiro recomeço. Entre os nomes que ali vivem atualmente está a atriz e exvedete Iris Brudzi. Engraçado, tenho maior orgulho em ter sido vedeta, não é? Porque Vedete era muito importante.
Tinha que ter muita disciplina, tinha de ser muito sério trabalho, tinha de ser muito bonita, tinha que dançar cantador. Mas >> este é um primo meu. >> Outro? >> Tenho uma família muito grande. Quer um cafezinho? >> Não, não precisa. Só vim entregar as flores. >> Ora, mas tu mal chegaste de chegar. >> Sabe que é a dona Arleta? >> Que passou a viver no local em 2024.
Já aos 89 anos, depois de viver durante um período na Florida com o filho, ela necessitou de regressar ao Brasil ao perder o green card. De regresso ao país e enfrentando os primeiros sinais de Alzheimer, encontrou no retiro uma casa recém-renovada e preparada especialmente para a receber. A residência, simples, mas acolhedora, ganhou uma nova pintura, mobiliário adaptado e acompanhamento diário de cuidadoras e equipa médica.
Ali, rodeada de memórias de décadas de teatro, cinema e televisão, a Iris iniciou uma nova fase, mais tranquila, porém cheia de significado. Outro ilustre morador é o ator Rui Rezende, imortalizado pelo público como o lobisomem da novela Roque Santeiro. Impossível não ser comiástico, louvamiro, quissá melopeico, ao saludar tão impoluto cavaleiro andante da justiça.
Chegou ao retiro em 2019 depois de perceber que já não tinha condições para continuar a trabalhar para manter o nível de vida que levava. O apartamento grande e caro que possuía em Belo Horizonte tornou-se inviável e sem alternativas imediatas, contou com a apoio do sindicato dos artistas para conseguir uma vaga.
Hoje, aos 87 anos, Rui descreve o local como um espaço onde encontrou finalmente estabilidade. Ele fala com carinho da sua casinha, dos livros, das sessões de cinema e da rotina simples, mas rodeada de atenção e cuidado. Já o ator Jaime Leibovit, conhecido por participações em telenovelas como América e Fina Estampa, vive no retiro desde o período da pandemia.
A decisão surgiu após uma dor profunda, a perda do filho aos 46 anos num acidente de viação. Sem familiares próximos e cansado de correr atrás de trabalhos apenas para pagar contas, encontrou ali algo que sempre procurou desde os tempos de juventude, uma vida comunitária. Hoje, aos 77 anos, Jaime continua ativo, da oficinas gratuitas de interpretação, participa em eventos culturais e descreve o retiro como um verdadeiro pólo artístico, repleto de cursos, palestras e apresentações que movimentam tanto os moradores como a vizinhança.
Mas afinal, como são estas casas onde vivem esses artistas? A resposta pode surpreender muita gente. Quando muita gente ouve falar no retiro dos artistas, imagina imediatamente um asilo de famosos, um lugar frio, silencioso e sem vida, mas a realidade é bem diferente. Por dentro, o espaço lembra muito mais uma pequena aldeia de interior, um terreno de cerca de 15.
000 1000 m², cortado por ruazinhas tranquilas, árvores, bancos e varandas, onde é comum ver artistas a tomar café, a ler jornal ou simplesmente conversando sobre histórias de palco e de televisão. Ao todo, existem aproximadamente 50 casas individuais organizadas lado a lado, todas térreas e pensadas para facilitar a mobilidade dos residentes.
Cada artista tem a sua própria casinha. Os imóveis são compactos, geralmente com cerca de 40 m², funcionando como uma espécie de kitnet alargada. Mesmo simples, possuem quarto, sala, casa de banho e cozinha ou cozinha americana, garantindo a privacidade e autonomia no dia a dia. As casas já vêm equipadas com televisão, mobiliário básico, enxoval e estrutura essencial.
Assim, o morador precisa de levar apenas os seus objetos pessoais: vestuário, fotografias, troféus, recordações de novelas ou instrumentos musicais. E aos poucos, cada artista vai transformando aquele espaço num verdadeiro lar. Um pormenor curioso é que as fachadas são pintadas em cores diferentes. Iniciativa pensada justamente para quebrar a ideia de instituição e trazer alegria ao ambiente.
Algumas casas têm vasos de plantas, santos, quadros antigos e pequenos enfeites que revelam a personalidade de quem vive ali. Um exemplo marcante é a casa da atriz Iris Bru, que escolheu pintar a sua residência de lilás. O filho investiu mais de R$ 30.000 R000 na reforma, adaptando o imóvel para garantir conforto e segurança.
Outro capítulo importante envolve a atriz Marieta Severo, que passou a financiar a construção e reforma de várias casas no retiro. Algumas reportagens indicam que ela já doou cerca de sete unidades completas, ajudando artistas, em situação de vulnerabilidade, a receberem as chaves de um novo começo. Uma dessas casas foi justamente destinada ao ator Marcos Oliveira, tudo longe do luxo que muitos viveram no auge da fama, mas também muito distante da precariedade que enfrentavam antes de serem acolhidos. E o mais surpreendente de
tudo talvez seja isso. Os moradores não pagam aluguel para viver ali. Uma das maiores dúvidas de quem conhece o retiro dos artistas é justamente essa: quanto custa viver ali? A resposta surpreende muita gente. Os moradores não pagam aluguel, nem mensalidade obrigatória para morar nas casas.
Toda a estrutura da instituição é mantida através de doações, dinheiro, alimentos, roupas, móveis, eventos beneficentes, bazares internos e contribuições espontâneas de artistas e apoiadores ajudam a manter o funcionamento do espaço. E não se trata de um custo pequeno. Segundo relatos da própria administração, o gasto mensal gira em torno de centenas de milhares de reais, considerando alimentação, plano de saúde, enfermagem, fisioterapia, manutenção das casas e toda a infraestrutura oferecida aos residentes.
No dia a dia, os moradores recebem várias refeições, acompanhamento médico, atividades culturais e apoio psicológico. Um cuidado que vai muito além de simplesmente oferecer um teto. Quando algum familiar tem condições financeiras, pode contribuir voluntariamente. Foi o caso do filho de Iris Brudzi, que arcou com despesas extras e participou da reforma da casa da mãe.
Mas não existe cobrança obrigatória por parte da instituição. Essa característica transforma o retiro em algo raro, um verdadeiro refúgio sustentado pela solidariedade. E para que tudo isso continue funcionando, o apoio de grandes nomes da televisão e do cinema brasileiro tem sido fundamental ao longo dos anos.
Se o retiro dos artistas continua de pé depois de mais de um século, muito disso se deve ao apoio silencioso e muitas vezes generoso de grandes nomes da cultura brasileira. Ao longo dos anos, vários artistas passaram a colaborar com a instituição, seja através de doações financeiras, heranças, campanhas ou visitas emocionantes aos moradores.
Entre os nomes mais lembrados está a consagrada atriz Fernanda Montenegro, frequentemente citada como parceira constante do retiro. O seu envolvimento representa mais do que ajuda material. É também um reconhecimento público da importância daquele espaço para a história da arte no Brasil. Outro gesto que chamou atenção foi o do ator Neila Torraca.
Antes de falecer, ele declarou que pretendia deixar o seu apartamento como herança para o retiro dos artistas, garantindo apoio de longo prazo à instituição. Já o ex-diretor de televisão Bonnie, uma das figuras mais influentes da história da TV brasileira, também colaborou de forma concreta. Parte da renda obtida com seus livros foi destinada ao retiro, ajudando na reforma de espaços coletivos como lavanderia e refeitório.
Além deles, outros nomes como Glória Pires e Ana Beatriz Nogueira aparecem como colaboradoras regulares, mostrando que o compromisso com os artistas mais velhos atravessa gerações. E não são apenas doações. Alguns famosos fazem questão de visitar o local pessoalmente. Em 2024, por exemplo, a atriz Cissa Guimarães esteve no retiro para rever o amigo Paulo César Pereio.
O encontro foi divulgado nas redes sociais da instituição e emocionou fãs que acompanharam aquela amizade ao longo dos anos. Essas visitas ajudam a manter viva não apenas a estrutura do retiro, mas também o sentimento de pertencimento dos moradores, porque ali, mais do que idosos em busca de apoio, vivem artistas com trajetórias inteiras dedicadas ao público.
E para muitos deles, existe uma palavra que define exatamente o que encontraram naquele lugar. >> Paz. Quando os próprios moradores falam sobre o retiro dos artistas, existe uma palavra que aparece com frequência: paz. Depois de uma vida inteira marcada por viagens, gravações, palcos e incertezas, muitos dizem que ali finalmente encontraram estabilidade, cuidado e respeito.
Não é luxo, não são mansões, mas é um local onde cada artista pode envelhecer com dignidade. Entre casinhas coloridas, varandas simples e corredores cheios de memórias vivem histórias que ajudaram a construir a cultura brasileira. rostos que um dia fizeram milhões rirem, chorarem ou se emocionarem e que hoje continuam a escrever novos capítulos longe dos holofotes.
E isso levanta uma reflexão inevitável. Será que o público valoriza verdadeiramente os artistas que marcaram gerações ou só lembra-se deles quando algo de grave acontece? E já conhecia o retiro dos artistas e a história destes famosos? Conta aqui nos comentários qual destas histórias mais o emocionou e se acha que o O Brasil deveria apoiar mais espaços como esse.