Roberto Carlos mandado ‘esperar fora’ – 1 min depois, demite gestão

Diogo ri, mas não é uma gargalhada amigável. É curta, seca, cheia de desdém. Talento é. E percebe de futebol? É. Porque para mim parece que estás bisbilhotando onde não foi chamado. As palavras de Diego são como um murro, mas Roberto não se abala. Ele já enfrentou defesas de um 90, claques hostis em estádios lotados, críticas de jornalistas que duvidavam dele.

Um treinador de cidade pequena não vai tirar o Ludo. Sério? Ainda assim ele sente uma pontada de frustração. Ele veio a São Miguel com um propósito. Não para criar confusão. Não estou a besbelilhotar diz agora com um toque de firmeza. Estou só de passagem, a dar uma vista de olhos. Qual é o problema? Diego cruza os braços, inclinando a cabeça, como se estivesse avaliando um adversário.

O problema é que não te conheço. E aqui quem não é conhecido não fica a rondar o campo dos outros. Então, porque não leva o teu caderninho e vaza? O ar entre eles fica mais pesado. Alguns miúdos, percebendo a tensão, começam a diminuir o ritmo do treino, lançando olhares curiosos sobre a direção dos dois homens.

Uma mulher que vem de picolé perto do campo para o seu carrinho, franzindo o sobrolho enquanto observa. Roberto sente os olhos dela, dos miúdos, do próprio Diego, todos aguardando a sua reação. Ele poderia revelar quem é agora mesmo, tirar o boné, dizer o nome e transformar este cena num momento de glória. Mas ele não quer isso. Não é assim que ele trabalha.

Quer encontrar talento sem o peso da a sua fama interferindo, sem que os rapazes joguem para o impressionar, mas sim para mostrar quem realmente são. Depois respira fundo e tenta novamente. Olha, amigo, não quero problema. Só vim ver o jogo. Se tá incomodando, eu saio. Ele dá um passo para trás, levantando as mãos num gesto de paz.

Mas Diego não está disposto a ceder. Para ele, o Roberto é um intruso, alguém que ameaça a ordem que ele construiu com tanto esforço. Amigo? É aqui não há nenhum amigo que eu não conheça. Diego retorque, dando um passo em frente, quase encostado ao alambrado. E se quer ver jogo, vai para o bar do Zé que lá tem TV. Aqui é o meu campo, a minha regra.

Atenção, sobe mais um degrau. A mulher do picolé está agora a falar ao telefone, talvez chamando alguém para ver o que está a acontecer. Um dos miúdos, o Lucas, o mesmo que o Roberto anotou no caderno, aproxima-se lentamente, segurando a bola com as mãos. Tio Diego, deixa-o ficar. Lucas diz a voz tímida, mas clara.

Diego vira a cabeça tão depressa que Lucas dá um passo atrás. Volta para o treino, moleque. Isto aqui não é da tua conta. Lucas hesita, mas obedece. Voltando para o campo com a cabeça baixa, Roberto observa a cena e algo dentro dele muda. Ele vê a forma como Diego comanda com autoridade, mas também com um toque de rigidez que sufoca.

Ele já viu treinadores assim antes, homens que amam o jogo, mas esquecem-se que estão a lidar com crianças, com sonhos frágeis. Ele pensa em dizer algo, em confrontar Diogo. Mas antes que possa falar, o Diego dá o golpe final. Sabe o quê? Cansei de conversa. Ou sais agora, ou eu chamo segurança do campo para te tirar na marra.

Diego aponta para um homem robusto, o senhor Jorge, que cuida do vedação e da entrada do campo. Jorge, que estava a dormitar numa cadeira de plástico, levanta a cabeça confuso, mas já se pondo de pé ao ouvir o chamamento de Diogo. Roberto sente o peso do momento. Ele não está com medo. Ele enfrentou coisas muito piores na vida, mas está irritado.

Irritado por ser tratado como um estranho na terra, onde o futebol o tornou rei. irritado por ver um treinador que deveria inspirar os miúdos agindo como um tirano. Mas, acima de tudo ele está triste. Triste, porque sabe que se revelar quem é agora, a história vai mudar, mas não da forma que ele queria. Ele queria encontrar talentos de forma puro, sem o circo da fama, mas Diego não está a dar escolha. Está bem.

Roberto diz a voz baixa, quase um murmúrio. Eu vou. Começa a afastar-se, mas Diego, sentindo-se vitorioso, não resiste a uma última alfinetada e leva este caderninho contigo, espião. Aqui não há nada para você roubar. As palavras são como uma faísca. Roberto pára, vira-se lentamente e, pela primeira vez, há um brilho nos os seus olhos que Diego não esperava.

É o olhar de alguém que já enfrentou o mundo e venceu. Está cometendo um erro, rapaz, diz o Roberto. As palavras pesadas, mas sem raiva. Diego ri-se, achando que é bluff. Erro. O erro é você pensar que pode chegar aqui e fazer o que lhe apetece. Sai logo antes que perca a paciência. Nesse momento, a mulher do picolé, a dona Clara, aproxima-se, o telefone ainda na mão.

Diogo, para com isso. O homem não está não fazendo nada de errado. Ela diz a voz firme, mas preocupada. Diego ignora-a, apontando para o Roberto. Clara, fica fora disso. Este gajo está errado e eu sei o que estou a fazer. Mas a dona Clara não recua. Ela olha para Roberto e algo no rosto dele fá-la hesitar.

Ela já viu aquele rosto antes, talvez num cartaz, talvez na TV. Não é de São Miguel, é? Ela pergunta, quase como se estivesse falando consigo mesma. O Roberto não responde, mas o leve sorriso no canto da boca diz mais do que palavras. Diogo, percebendo que está a perder o controlo da situação, decide duplicar a aposta.

Ele chama o senhor Jorge, que agora está a poucos metros, segurando um cacetete de madeira que parece mais decorativo do que funcional. Jorge, leva este gajo para fora. Ele está a perturbar, Jorge. Um homem de meia idade com uma barriga que denuncia anos de cerveja. Hesita. Ele não gosta de confusão.

E algo no jeito de Roberto deixa-o desconfortável. Diogo, tem a certeza? O gajo só tava olhando. Diz o Jorge coçando a nuca. Diogo perde a paciência. Certeza, Jorge, faz teu trabalho. Os miúdos agora pararam completamente o treino, formando um semicírculo a poucos metros, sussurrando entre si. Lucas, o miúdo talentoso, está à frente, os olhos arregalados segurando a bola contra o peito.

Ele sente algo de diferente em Roberto, algo que Diego não vê. Ele já ouviu história sobre craques que aparecem nas cidades pequenas. disfarçados, procurando novos talentos. Ele viu isso num documentário sobre o Zico e agora, olhando para Roberto, começa a juntar as peças. “Tio Diego, acho que é alguém importante”, diz Lucas.

A voz trémula de excitação. Diego vira-se para o miúdo, o rosto vermelho de irritação. “Lucas, cala-te e volta para o campo. Estou cansado de você se meter.” Mas O Lucas não se mexe. Ele olha para o Roberto e depois, como se uma lâmpada tivesse acendido na sua cabeça, grita: “É o Roberto Carlos! É ele, o tipo do pontapé banana.

O nome é coa pelo campo, como uma onda que paralisa todos. Diogo congela, o cacetete do senhor Jorge pára no ar e a dona Clara deixa o telefone escorregar da mão, a boca aberta. Os rapazes explodem em murmúrios, alguns rindo, outros gritando, todos olhando para Roberto com uma mistura de descrença e admiração. Roberto suspira, tirando o boné lentamente.

O sol ilumina o seu rosto e agora já não restam dúvidas. É ele, o homem que fez tremer as defesas, que ganhou Campeonatos do Mundo, que colocou o Brasil no mapa do futebol com um pontapé que desafiava as leis da física. Diogo sente o chão desaparecer por baixo. Suas pernas fraquejam e ele dá um passo atrás.

O orgulho que o sustentava até agora desmoronando-se como um castelo de areia. Você, você é Ele gagueja. Incapaz de terminar a frase, Roberto encara-o, não zangado, mas com uma calma que é quase pior. Eu sou só um gajo que ama futebol, diz. A voz firme, mas carregada de desilusão. Mas você, rapaz, acabou de cometer o maior erro da a sua vida.

A multidão em redor, os miúdos, a dona Clara, o senhor Jorge, até aos transeuntes que pararam para ver o tumulto fica em silêncio, o peso daquelas palavras pairando no ar. Diego abre a boca para falar, mas não sai nada. Ele sabe que acaba de humilhar uma lenda e pior, sabe que esta história não termina aqui. O sol já não queima tanto em São Miguel.

Agora, pendendo baixo no horizonte, tingindo o céu de laranja e roxo. O campo de futebol, ainda vibrante com a energia dos miúdos, parece diferente após o incidente da manhã. A poeira levantada pelos pés descalços ainda paira no ar, mas há uma eletricidade nova, um misto de reverência e curiosidade.

A notícia de que Roberto Carlos, o lendário lateral esquerdo, esteve ali disfarçado, espalhou-se como fogo em mato seco. As ruas da cidadezinha estão agitadas no bar do Zé. Homens discutem entre cervejas se Diego Souza foi corajoso ou estúpido. Na praça, adolescentes partilham vídeos do confronto gravados em telemóveis, rindo-se da cara de Diego quando a verdade veio à tona.

Mas no campo onde tudo aconteceu, o clima é outro. O Diego está ali sozinho, sentado num banco de madeira lascado, encarando o relvado irregular, como se pudesse encontrar respostas nas linhas tortas marcadas com cal. Ele não dormiu desde o incidente. A imagem de Roberto Carlos a tirar o boné, revelando quem era, não lhe sai da cabeça.

Ele sente o peso da vergonha como uma mochila cheia de pedras. Mas há algo mais, uma inquietação, uma dúvida sobre si mesmo que nunca enfrentou antes. Diego sempre se viu como o herói de S. Miguel, o treinador que tirava miúdos da rua e dava-lhes um futuro. Mas agora pergunta-se se não esteve mais preocupado em controlar do que em inspirar.

Enquanto Diego luta com os seus pensamentos, o som de um motor corta o silêncio. Um jeip preto com vidros escuros estaciona à entrada do campo. A porta do condutor abre-se e Roberto Carlos desce agora sem disfarce. Ele veste uma camisa polo simples, mas elegante e óculos de sol que refletem o pô do sol. Não há boné, não há caderninho surrado, apenas a presença inconfundível de alguém que já dominou estádios lotados.

Atrás dele, Lucas, o miúdo talentoso que reconheceu Roberto, salta do banco traseiro, segurando uma bola nova, os olhos a brilhar de excitação. Diego levanta-se, o coração acelerado. Ele não esperava ver o Roberto de novo. Não depois do que aconteceu. Parte dele quer correr, fugir da humilhação que sabe que merece, mas os seus pés estão colados ao chão.

Roberto caminha até ao alambrado, os passos firmes, mas sem pressas. Ele para poucos metros de Diego, tira os óculos e o encara. Não há raiva nos seus olhos, mas também não há suavidade. Você está aqui ainda diz o Roberto. A voz calma, quase como se estivesse a constatar o óbvio. Diego engole em seco, tentando encontrar palavras.

Eu não sabia quem eras, seu Roberto. Juro. Se soubesse. Roberto levanta a mão, interrompendo. Não é sobre quem eu sou, é sobre o que tu fez. Olhaste para mim, viste um estranho e decidiu que eu não valia nada. E isto, rapaz, não é só um erro, é um modo de viver. As palavras cortam Diego como faca. Ele quer protestar, dizer que só estava a proteger o campo, os miúdos, mas sabe que qualquer desculpa soaria vazia.

Roberto continua apontando para o campo, onde Lucas agora chuta a bola sozinho, testando dribles. Aquele menino ali, o Lucas, ele viu uma coisa em mim que não viste. Não porque ele sabia quem eu era, mas porque ele ainda acredita nas pessoas. Você já foi assim, não foi? Antes de decidir que o mundo é apenas ameaça, Diego baixa a cabeça, as mãos apertando as coxas.

Ele lembra-se de quando era criança, jogando com bolas de médio, sonhando ser um craque. Ele recorda o treinador que o incentivou, um homem simples que acreditava em cada miúdo, mesmo os que nunca seriam profissionais. Em algum momento, o Diego perdeu isso. Ele tornou-se rígido, obsecado pela disciplina, por ser respeitado.

E agora, perante Roberto Carlos, ele sente o vazio disto tudo. Roberto não deixa que o silêncio se prolongar. Ele lança a bola que segurava para Diego, que a apanha por reflexo. Você deve-me uma, treinador. E eu não sou de guardar rancor, mas também não sou de deixar as coisas passar. Então, que tal uma hipótese de corrigir isso? Diogo pisca confuso.

Reparar como Roberto Sorri. Um sorriso que mistura desafio e convite. Tu e eu no campo. Um jogo com os miúdos, eles contra nós. Se você quer mostrar que percebe de futebol, que sabe liderar, é agora. Diogo hesita. Ele é bom com bola, mas defrontar o Roberto Carlos, mesmo num jogo amigável, é como desafiar um leão.

Mas ele vê os olhos de Lucas, agora acompanhado por outros miúdos que chegaram ao campo, todos olhando para ele, à espera. Ele não pode recuar. Está bem, diz o Diego. A voz rouca, mas firme. Vamos jogar. Roberto bate palmas, chamando os miúdos. Beleza, miúdos. Vamos montar dois equipas. Lucas, és o capitão de um. Diego, jogas comigo e sem frescuras, hã? Aqui é futebol a sério.

O campo ganha vida. Os miúdos, cerca de 10 deles, correm para se organizar, rindo e gritando. Enquanto a dona Clara, que apareceu com o seu carrinho de picolés, se junta-se a um pequeno grupo de curiosos que começa a formar-se na lateral. A notícia de que Roberto Carlos está no campo da novo se espalha e logo há mais pessoas.

O senhor Jorge, agora sem o cacetete, o Zé do bar com uma cerveja na mão, até ao dona Maria, que raramente sai de casa, mas não resistiu à hipótese de ver uma lenda. Diego sente todos os olhares, mas pela primeira vez não é o centro das atenções. É Roberto quem comanda, mas não como um astro exibido.

Ele organiza as equipas com paciência, dá dicas aos miúdos, corrige a postura de um, elogia o passe de outro. Diego observa quase hipnotizado. Ele sempre achou que liderar era mandar, mas Roberto lidera fazendo os outros sentirem-se maiores. O jogo começa, é um cinco contra cinco, com Lucas a liderar a equipa dos miúdos e Roberto e Diego formando a base do outro juntamente com três rapazes menores.

Diogo, ainda tenso, tenta impressionar, correndo mais do que o necessário, marcando com força, mas Roberto joga com uma leveza que é quase mágica. Ele não precisa de correr muito. Cada toque na bola é preciso. Cada passe encontra o destino como se tivesse sido planeado por um computador. Num momento rouba a bola de Lucas com um carrinho limpo, levanta e faz um passe de calcanhar que deixa todos boque aberto.

Os miúdos gritam, os espectadores aplaudem e até Diego não consegue evitar um sorriso. Mas o momento que muda tudo chega minutos depois. Lucas, determinado a provar o seu valor, avança com a bola, driblando um, dois adversários. Diego vai ao seu encontro, pronto a desarmá-lo com um carrinho, mas Roberto segura-o pelo braço. Deixa-o jogar. Ele sussurra.

Diego hesita, mas obedece. Lucas remata, a bola vai alta, mas com força, e acerta o travessão. O campo explode em aplausos. Lucas, ofegante, olha para Roberto, que levanta o polegar. Quase, miúdo tá no caminho. O Diogo sente algo soltar-se dentro dele. Ele percebe que durante anos teria parado Lucas.

Teria dito que o remate foi errado, que ele precisava de ser mais preciso. Mas Roberto viu o que ele não viu. A coragem, a vontade, o potencial. O jogo continua e agora o Diego joga diferente. Ele não tenta brilhar, não tenta provar nada. Passa a bola, incentiva os miúdos até se rir quando um deles o dribla. E assim, o momento que todos esperavam chega.

Roberto recebe a bola na linha lateral perto da linha de fundo. O Lucas está na à sua frente, marcando com os olhos arregalados. A multidão fica em silêncio. Roberto sorri, dá um passo para trás e depois dispara o pontapé. É o banana. O remate que curvou o impossível, que fez os guarda-redes desistirem antes mesmo de tentar.

A bola sobe, roda, desce em uma curva que parece desafiar a gravidade e entra no ângulo rasgando a rede improvisada. O campo irrompe em gritos. Os miúdos correm para Roberto, que se ri, levantando Lucas aos ombros como se ele fosse o verdadeiro herói. Quando o jogo termina, com o empate a três tr, Diego está exausto. Mas não só fisicamente.

Ele sente-se leve, como se tivesse deixado algo pesado para trás. Roberto aproxima-se, entregando-lhe uma garrafa de água. Jogou bem, treinador, mas sabe o que faz um craque de verdade? Diego abana a cabeça à espera de uma lição técnica. Roberto aponta para Lucas, que agora conversa com os outros miúdos, rindo. É fazer os outros acreditarem que podem ser maiores.

Eu vim aqui atrás de talento, mas também vim lembrar que o futebol é sobre isso, dar esperança. Diogo engole em seco, as palavras de Roberto ecoando com as memórias da sua própria infância, quando ainda sonhava sem medo. Eu fui um idiota, senhor Roberto. Não só hoje, mas antes com os miúdos, comigo mesmo. Roberto dá uma palmada leve no ombro dele.

Não és idiota, só tá aprendendo. E agora? O que vai fazer com ele? Antes que o Diego possa responder, Roberto chama Lucas. Miúdo, vem cá. Lucas corre, a bola ainda colada no pé. Roberto baixa-se, ficando à altura dele. Você tem algo especial, Lucas, mas precisa de treino, de disciplina e de alguém que acredite em si.

Quer vir paraa minha academia no Rio? Lá vai aprender com os melhores. Lucas arregala os olhos sem palavras, apenas abanando a cabeça freneticamente. A multidão aplaude. Dona Clara limpa uma lágrima e Diego sente um nó na garganta. Ele percebe que sem querer ajudou a mudar a vida de Lucas, mas também a sua própria. O Roberto se levanta-se, olhando para Diego uma última vez.

O campo é seu, treinador, mas lembre-se, ele não é só para você mandar, é para você construir. Com isto, Roberto despede-se dos miúdos, dá um aceno para a multidão e sobe para o Jeip. Enquanto o veículo desaparece na estrada, Diego fica no campo, olhando para Lucas, que remata a bola com um sorriso que não via há muito tempo.

Nessa noite, Diego reúne os miúdos para um treino diferente. Nada de gritos, nada de ordens duras. Conta a história de como cresceu em São Miguel, de como o futebol o salvou e de como quase se esqueceu disso. Ele promete ser um melhor treinador, não só para eles, mas para si próprio. E pela primeira vez, os miúdos ouvem-no não por medo, mas por respeito. O campo de S.

Miguel, com as suas redes remendadas e as suas linhas tortas, nunca pareceu tão vivo. E Diego pela primeira vez em anos sente que está no caminho certo.

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