ROBINHO: A NOJENTA VERDADE QUE VEIO À TONA
Herdeiro do rei Pelé aos 12 anos, bicampeão com o Santos, Real Madrid, Manchester City, Milan e esse mesmo homem hoje dentro de uma repugnante cela do presídio de Tremembé, condenado por destruir a vida de uma rapariga albanesa num ataque grupal. A própria mãe Marina, sequestrada 41 dias pelos próprios amigos do bairro.
Todo o mundo contou que Robinho era um génio do futebol que perdeu o controlo numa noite de festa em Milão. Mas é mentira, estás a ver? A verdade repugnante, aquela que durante 20 anos ninguém teve coragem de contar, é que Robinho destruiu a sua própria família muito antes da Itália. A mãe Marina, a mulher Vivian e o único filho, Robinho Júnior.
Hoje vais saber por destruíram a vida daquela rapariga albanesa de 23 anos numa madrugada de Janeiro de 2013. cara, o mais repugnante que pediram em troca de devolver a mãe dele. E porque é que a mulher Vivian, que estava na mesma discoteca na noite do ataque grupal, continua casada com ele até hoje, em 2026? Mas antes, irmão, tens que conhecer o miúdo de São Vicente antes da fama.
São Vicente, litoral sul do estado de São Paulo. 25 de janeiro de 1984. Numa casa de madeira do bairro do Parque Bitaru, sem casa de banho no interior, com chão de cimento e cobertura em chapa de zinco, nasceu um miúdo que durante os 28 anos seguintes ia ser chamado por toda a imprensa desportiva mundial como o herdeiro do rei Pelé, Robson de Souza, filho de Marina da Silva Souza, empregada doméstica que limpava casas da zona nobre do Guarujá, filho de um pai operário da construção civil que abandonou a família quando o miúdo tinha 4 anos.
Marina tinha 22 anos quando Robson nasceu. Trabalhava 12 horas por dia em três casas diferentes da zona sul do Guarujá. Irmão, saía de São Vicente às 5 da manhã de autocarro municipal. voltava às 9 da noite com as mãos inchadas de tanto esfregar o chão. E, entretanto, o miúdo jogava futebol descalço na quadra de terra do Parque Bitaru, com uma bola improvisada de meias atadas com cordel, sem saber que um dia este mesma bola improvisada ia levá-lo para capa do jornal desportivo mais vendido da Europa. Aos 11 anos, em 1995,
Robson foi descoberto por um olheiro das camadas jovens dos Santos. pequeno, magro, rápido, com um drible que parecia ser de outro planeta. O olheiro levou ele para treinar no centro de formação Rei Pelé. E um ano depois, em 1996, aconteceu o momento que ia marcar para sempre a vida do miúdo. Pá, Edson Arante do Nascimento, Pelé, o rei, visitou o treino das camadas jovens dos Santos.
Viu Robson driblar três marcadores numa jogada de 15 m. chamou o diretor técnico do clube e falou uma frase que durante os 18 anos seguintes circulou por todos os balneários do futebol brasileiro. A frase foi: “Este miúdo é o meu herdeiro, o próximo rei dos santos”. Esta frase do rei Pelé em 1996, este reconhecimento público na frente da direcção dos Santos, esse título informal de herdeiro foi o que retirou Robson de Souza do bairro Parque Bitaru para sempre, não é? Aos 14 anos, o Santos assinou o primeiro contrato profissional com o miúdo e a família saiu da casa
de madeira do Parque Bitaru para se mudar para um apartamento de dois quartos do bairro da Vila Matias, no centro de São Vicente. A Marina parou de trabalhar como empregada doméstica, não é? Robson passou a ser o sustento da casa. E aos 18 anos, em 2002, aconteceu o milagre futebolístico que nenhum jogador do Santos tinha conseguido desde a era do próprio Pelé, bicampeão paulista.
campeão do Brasileirão. Pela primeira vez em 40 anos, o Santos voltava a ser o clube mais importante do Brasil. E o miúdo do Parque Bitaru, com 18 anos, era o motor daquele título histórico. Imagina por momentos, irmão, que este mesmo miúdo 18 anos, com a capa de toda a imprensa desportiva brasileira em cima, com o sustento económico de uma mãe que durante 18 anos trabalhou 12 horas por dia para o alimentar.
Com o peso da frase do Rei Pelé pendurada no pescoço, com scouts do Real Madrid, do Manchester United e do Inter de Milão, em cada jogo do Santos, descobre uma coisa. que vai marcar o resto da carreira. Descobre que o sistema brasileiro do futebol profissional, o todo o sistema, protegia os ídolos do Santos exatamente igual que tinha protegido Pelé 30 anos antes.
Qualquer coisa que o miúdo fizesse fora do campo, qualquer escândalo, qualquer denúncia, qualquer conflito ia ser silenciado com dinheiro, com telefonemas, com acordos blindados. Robinho aprendeu isso aos 18 anos, não é? E começou a aplicar do anos depois. Em outubro de 2004, Robinho já era titular indiscutível do Santos.
Recebia R$ 80.000 por mês. Tinha contrato assinado durante 5 anos. Vivia com Marina e dois irmãos mais novos numa casa nova do Guarujá, comprada com os primeiros ganhos do miúdo. E os scouts do Real Madrid, depois de o seguir durante toda a época do Brasileirão, já tinham uma proposta de oferta em cima da mesa do presidente do Santos.
R milhões deais para levar o Robinho à capital espanhola em Julho de 2005. A transferência mais cara do futebol brasileiro daquele momento. O sonho que o miúdo do Parque Bitaru tinha imaginado desde os 11 anos, certo? A transferência para o Real Madrid finalmente concretizou-se em julho de 2005, 8 meses depois do rapto de Marina.
Robinho chegou ao estádio Santiago Bernabeu com 21 anos, com a camisola número 10 do Zidani recém-reformada e com um contrato de 5 anos por um salário base de 6 milhões de euros por ano. Cara, partilhou o balneário com Ronaldo Fenómeno, com Roberto Carlos, com Raul, com David Beckham. Marcou 20 golos na primeira época europeia e em 2008, depois de três épocas em Madrid, foi vendido pro Manchester City por 32 milhões e de libras esterlinas.
A transferência mais rosto da história do futebol inglês naquele momento. Dois anos depois do Manchester City, em 2010, Robinho chegou no AC Milan por 18 milhões de euros. E ali, na capital da moda italiana, na cidade onde Mussolini tinha governado, no clube rossoneiro do Berlusconi, conheceu a mulher que 4 anos depois ia presenciar a noite mais escura da carreira dele, Mercedes.
Mas no dia 6 de Novembro de 2004, tudo se partiu. E a questão que durante os 22 anos seguintes Marina da Silva Souza nunca pôde responder publicamente, a questão que a operação policial do dia 12 de maio de 2026, há três semanas, acaba de começar a destapar é exatamente essa. Por que razão os sequestradores escolheram a mãe do jogador mais cotado do Brasileirão? Por que razão escolheram este dia? Porque pediram só R$ 200.
000 por uma mulher cujo filho ia receber 52 milhões 7 meses depois? E porque Marina, depois de 41 dias dentro do cativeiro, saiu com a cabeça rapada e um silêncio que durante 22 anos nunca quebrou? Para esta madrugada do 6 de novembro, nós vai voltar daqui a pouco, estás a ver? Mas antes tem que se perceber o que aconteceu 8 anos e dois meses depois numa discoteca de Milão chamada Se Café, a noite que mudou a vida de três mulheres para sempre.
A noite de 21 para 22 de janeiro de 2013. A noite do 23º aniversário de uma rapariga albanesa chamada Mercedes. Mercedes era filha única de uma família albanesa que tinha emigrado para Itália em 1999, quando tinha 9 anos fugindo da guerra civil dos Balkans. A família chegou a Milão, sem documentos, sem trabalho, sem contactos.
O pai trabalhou durante 5 anos como operário da construção civil. A mãe limpava apartamentos no bairro da Breira e Mercedes, com a facilidade linguística que só tem os filhos dos imigrantes, aprendeu italiano fluente em menos de um ano e começou a estudar Direito na Universidade de Iglistud de Milano aos 18.
º Queria ser procuradora, queria ajudar outras mulheres albanesas que chegavam em Itália fugindo de violência doméstica, queria utilizar o sistema judicial italiano para proteger as que não se podiam defender sozinhas, não é? A noite do seu 23º aniversário, o 21 de janeiro de 2013, a Mercedes saiu com duas amigas brasileiras para uma discoteca do centro de Milão denominada Sio Café.
Ficava na Via Forcela 7 a 15 minutos a pé do apartamento onde Mercedes vivia com a mãe. Nessa noite tocava música brasileira em exclusivo. Pá, um amigo das brasileiras tinha recomendado a boat porque tinha encontrado num blogue de turismo. A Mercedes pagou a entrada das três com o cartão de débito. com um vestido preto curto, sapatos de salto baixo e uma pequena bolsa de couro com o documento de identidade italiano, as chaves do apartamento e o telemóvel Nokia com o carregador no interior.
Eram 11:30 da noite quando entraram no Sil Café, não é? A 1 da madrugada, já com duas taças de proseco no corpo, Mercedes viu entrar o jogador do Milan, que ela já tinha conhecido dois anos antes noutra discoteca do centro de Milão, chamado Hollywood Ritmotec. Nesse primeiro encontro de 2011, Robinho tinha-se aproximado descaradamente e tinha-a forçado a tocar-lhe no abdómen com a palma da mão.
Mercedes, naquele momento de 21 anos, sem compreender bem o que estava a acontecer, sentiu vergonha. saiu da festa antes da meia-noite e durante os 14 meses seguintes não tinha cruzado com o jogador. Até à noite de 21 de janeiro de 2013, quando Robinho chegou ao Sil Café com a mulher Vivian Googliel Mat, vestida com um vestido vermelho da marca Dol e Gabana e com quatro amigos brasileiros que a própria Mercedes identificou depois no julgamento como Ricardo Falco, Jairo Chagas e mais dois, cujos nomes ficaram sob segredo de
justiça italiana. Robinho cumprimentou Mercedes com um aceno de cabeça, certo? Vivian não a cumprimentou. O grupo brasileiro sentou-se numa mesa vip do fundo do Sio Café, por baixo do camarim privado, onde o músico Jairo Chagas, contratado para tocar nessa noite, guardava o equipamento musical.
A Mercedes seguiu dançando com as duas amigas, sem se aproximar do grupo brasileiro durante a hora seguinte. Às 2h40 da madrugada, Vivian Gugle Mat saiu do Sio Café, fez isto discretamente, sem se despedir do grupo, segundo o testemunho que a própria Mercedes deu à polícia italiana cinco semanas depois do crime, Vivian apanhou um táxi à porta da discoteca e regressou ao apartamento do bairro Breira, onde o casal viveu durante a temporada do Milan.
A câmara de segurança da entrada do edifício registou a chegada dela às 3:07 da madrugada. Vivian subiu no elevador sozinha, entrou no apartamento de 180 m qu botou os dois filhos pequenos a dormir no quarto do fundo com a ama italiana contratada pelo clube. E adormeceu às 3:20, exatamente 10 minutos antes do marido começar a convidar Mercedes da Silva, uma rapariga albanesa de 23 anos, a quem Vivian tinha visto dançar durante 3 horas na mesa principal do Sil Café, a sentar-se à mesa VIP do grupo brasileiro.
Uma das amigas brasileiras estava grávida de 4 meses e não podia beber. A outra tinha dirigido até à discoteca e tinha que voltar dirigindo pró apartamento. As duas recusaram o proseco. Mercedes aceitou. Aceitou a primeira taça, aceitou a segunda, aceitou a terceira. E a partir da terceira taça, segundo o depoimento que ela própria deu sob juramento pro fiscal Guinoc da Procuradoria de Milão, dois meses depois, perdeu a noção do tempo, perdeu a noção do espaço, perdeu a capacidade de se manter de pé sem apoio e perdeu durante as 2 horas me
seguintes, as memórias completas do que rolou dentro do Se café. O que a Mercedes recordou depois, durante o depoimento do 25 de março de 2013, tomado pelo inspetor Roberto Gnok da Procura da República de Milano, houve três cenas soltas, flashes, imagens parciais sem contexto, sem linha temporal, sem capacidade de identificar cada um dos homens separadamente.
A primeira cena, Mercedes percorrendo um corredor estreito do Sil Café, acompanhada por um homem brasileiro que a segurava pela cintura porque ela não conseguia andar sozinha, com a cabeça pendurada para a frente, com a bolsinha em pele ainda no ombro esquerdo, sentindo o frio do ar condicionado do corredor no rosto. A segunda cena, Mercedes deitada de costas num sofá de pele preta, num quartinho pequeno com paredes de tijolo à vista, ouvir música brasileira abafada através da parede, sentindo o cheiro de perfume Hugo Boss e suor masculino,
tentando focar o olhar numa lâmpada de teto amarela que pendurava em cima do sofá. A terceira cena, Mercedes rodeada de seis homens brasileiros a rir, falando entre eles em português brasileiro, passando uma garrafa de moeteed chandon entre as mãos. sem que ela entendesse uma única palavra do que falavam.
E um dos seis homens, segundo o depoimento sob juramento de Mercedes pro fiscal Gnok, era o jogador do Milan, que ela já tinha conhecido dois anos antes na discoteca Hollywood Hitmotec, Robinho. A polícia italiana chegou ao apartamento de Mercedes, no bairro Sem Pionei, às 11 da manhã do dia 22 de janeiro de 2013. Irmão, as provas materiais que a polícia recolheu durante as primeiras 72 horas depois do crime foram fundamentais para construir o processo italiano que ia durar 10 anos.
As câmaras de segurança da entrada do Sil Café, as câmaras de segurança do corredor estreito que conduzia ao camarim, os vidros vazios de Proseco e Champanhe Moet athanda VIP do grupo brasileiro. A escova de cabelo de Mercedes esquecida debaixo do sofá de couro preto do camarim. os recibos do cartão de débito da vítima, as declarações testemunhais das duas amigas brasileiras de Mercedes, o depoimento escrito da vizinha que encontrou a vítima na paragem de elétrico da via Paolo Sarpi e especialmente o relatório forense do exame médico realizado no
hospital Fatebratelli nas primeiras 24 horas depois do ataque grupal. Chegou depois de a mãe de Mercedes, alarmada porque a filha não tinha voltado para casa nessa madrugada, tinha ligado para o carabinieri local. A Mercedes apareceu andando pela via Paolo Sarp, descalça, sem a bolsinha de cabedal, com o vestido preto curto rasgado no lado esquerdo, com a maquilhagem borrada, com hematomas visíveis nas coxas e nos braços.
Uma vizinha do bairro encontrou-a sentada no banco de uma paragem de eléctrico às 9:35 da manhã. levou-a para o apartamento dela, ofereceu um café, ligou à mãe dela e às 11h40 da manhã, o carabinier Marco Ross do distrito de Sion tomou o primeiro depoimento oficial da vítima no hospital Fate Benefratelli.
Mercedes tinha 23 anos e um dia irmão. Era oficialmente, naquele momento, a primeira vítima brasileira documentada do jogador Robinho de Souza fora das fronteiras do futebol brasileiro. A primeira vítima a quem não puderam pagar para calar. O que aconteceu no camarim do músico Jairo Chagas entre as 3:30 e as 5h10 da madrugada do dia 22 de janeiro de 2013, durante 1 hora 40 minutos exatos, não foi reconstruído pelo depoimento de Mercedes.
Foi reconstruído por mais de 10 horas de escutas telefónicas que a justiça italiana gravou nos meses seguintes ao crime. Escutas que o fiscal Gu apresentou ao Tribunal de Milão como prova principal do caso. escutas onde os próprios arguidos, sem saber que estavam sendo gravados pela polia italiana, contaram entre eles o que tinham feito naquela madrugada.
Na gravação do 14 de fevereiro de 2014, exatamente 13 meses depois do crime, Robinho falou por telemóvel com Ricardo Falco enquanto conduzia o seu BMW pela via Monte Napoleone de Milão. A justiça italiana tinha agrafado o carro do jogador desde novembro de 2013. Falco contou a Robinho que o fiscal Gnok tinha chamado ele a depor na semana seguinte.
Falco estava nervoso, estava com medo. Perguntou ao Robinho o que ia dizer e ao Robinho, sem saber que estava a ser gravado, respondeu com uma frase que 18 meses depois ia selar a sua condenação em três instâncias italianas, estás a ver? A frase foi: “Não estou para aí virado. A mina estava totalmente embriagada.
Não sabe sequer quem que eu sou. Nem sabe quem que eu sou. Estas sete palavras foram o que o fiscal Guinok apresentou ao Tribunal de Milão como prova dolosa, pá. Porque significavam que Robinho 13 meses depois do crime sabia que a vítima não podia ter consentido. Sabia que a Mercedes estava inconsciente. Sabia que o grupo tinha aproveitado o estado de embriaguez total de uma mulher de 23 anos para abusar dela em grupo durante 1 hora e40.
e ria. Ria com falco ao telefone enquanto conduzia por uma das avenidas mais caras de Milão. Na gravação do 4 de março de 2014, duas semanas depois da primeira, Robinho voltou a falar com Ricardo Falcão. Desta vez a conversa durou 12 minutos. Falco contou que A Mercedes tinha voltado a declarar pro fiscal Gnok, que estava a lembrar mais pormenores, que tinha mencionado nomes específicos e que a situação estava a tornar-se complicando.
Robinho, segundo a transcrição oficial do Tribunal de Milão, respondeu com uma frase que durante os 10 anos seguintes circulou por toda a imprensa desportiva italiana. A frase foi: “A mina sabe que tu não fizeste porra nenhuma com ela, irmão. É idiota. Vamos dar um soco na cara dela. Tu vai dar um murro na cara. vai falar: “Porra, o que é que eu te fiz?” A gente vai dar-lhe um soco na cara.
Essas palavras do jogador do Milan, ditas no volante do seu BMW no coração da cidade mais fashion da Europa, sem saber que o carro estava sob escuta pela justiça italiana, foram a prova dolosa mais contundente que o fiscal Gnok apresentou ao tribunal no julgamento de 2016. Mais de 10 horas de escutas, 37 conversas diferentes, cinco testemunhas diretas, a reconstrução do camarim de Jairo Chagas passo a passo, o testemunho de Mercedes com três declarações consistentes durante 18 meses e a declaração escrita do músico Jairo Chagas, confirmando que
tinha emprestado o camarim ao grupo brasileiro naquela madrugada do dia 22 de janeiro. No dia 22 de novembro de 2017, quase 5 anos depois do crime, o Tribunal de Primeira Instância de Milão condenou Robinho de Souza e Ricardo Falco a 9 anos de prisão por violação coletiva agravado pela incapacidade de defesa dos vítima.
A sentença foi de seis juízes a um. As defesas dos dois jogadores apelaram. A segunda instância, em maio de 2019, confirmou a condenação de 9 anos. A terceira instância, o tribunal de Cassacione de Roma, em janeiro de 2022, ratificou a sentença em definitivo. Robinho já não podia apelar. Mas Robinho durante os dois anos seguintes viveu livremente no Brasil, porque a Constituição brasileira não permite a extradição de cidadãos brasileiros e porque todo o sistema brasileiro, mais uma vez o protegeu até ao dia 20 de março de 2024, quando o Superior
Tribunal de Justiça Brasileiro homologou a sentença italiana por maioria de votos. E no dia 21 de março de 2024, pelas 10 da manhã, a Polícia Federal bateu no porta do condomínio do Guarujá, onde Robinho vivia com Vivian e os três filhos. Robinho entregou-se voluntariamente. Levaram-no pro complexo penitenciário de Tremembé, a A 150 km de São Paulo, conhecido no Brasil como a prisão dos famosos.
A prisão do país onde esteve preso Alexandre Nardoni por matar a filha Isabela. A prisão do país onde esteve preso Lindenberg Alves por assassinar a ex-namorada. A prisão onde durante anos os condenados de maior repercussão mediática brasileira cumprem sentença em regime fechado. Reservaram para ele uma cela de 8 m².
A cela ele partilharia com outro recluso de 22 anos, condenado por induzir outra pessoa ao suicídio. Esta cela, hoje em maio de 2026, continua a ser o endereço residencial oficial de Robson de Souza, herdeiro do rei Pelé. Mas o que se passou no camarim de Jairo Chagas na madrugada do dia 22 de janeiro de 2013, repugnante como foi, brutal como foi, planeado como foi, não foi o primeiro crime que a família Souza enfrentou.
foi o último de uma série de crimes que durante 20 anos marcaram a família inteira, estás a ver? O documentário Caso Robinho, que a plataforma Global Play estreou no dia 29 de outubro de 2024, depois da detenção efetiva do jogador, apresentou pela primeira vez a cronologia completa de como o sistema brasileiro inteiro durante duas décadas escolheu olhar para o outro lado enquanto a família Souza enfrentava crime atrás de crime.
O primeiro, o mais escuro, o que durante 22 anos Marina da Silva Souza nunca pôde contar em público. O que o documentário da Global Play dramatizou durante 12 minutos sem que a própria Marina aceitasse falar para a câmara, rolou 8 anos e 2 meses antes da madrugada do Sil Café numa casa da zona norte de São Paulo durante 41 dias de cativeiro.
41 dias que mudaram Marina para sempre, Robinho para sempre e toda a família da única forma possível quando um sequestro de 41 dias marca a vida de uma mãe. Para perceber porque os Os sequestradores escolheram a Marina da Silva Sousa no dia 6 de novembro de 2004, tem de voltar primeiro a uma verdade simples do futebol brasileiro daquela época.
Em 2004, Robinho era o jogador mais cotado do Brasileirão. A transferência dele para o Real Madrid, avaliado pelos scouts europeus em R 52 milhões deais, tava a 7 meses de se concretizar. A imprensa desportiva carioca, paulista, mineira e gaúcha levava toda a estação a cobrir cada movimento do miúdo do Santos. E os sequestradores, segundo a investigação que a Polícia Civil de São Paulo abriu em dezembro desse ano, levavam mais de 6 meses a estudar a rotina familiar do jogador.
A Marina vivia numa casa nova do Guarujá, comprada em Julho de 2003, com os primeiros ganhos profissionais do filho, pá. Uma casa de 400 m², dois pisos, piscina coberta, garagem para quatro veículos no bairro das Pitangueiras. Mas Marina, segundo o depoimento que prestou para a Polícia Civil três meses depois do rapto, nunca se sentiu confortável naquela casa nova.
Dizia que era grande demais. Dizia que o bairro era demasiado silencioso. Falava que sentia falta dos amigos do Parque Bitaru e por isso, sempre que podia, viajava nos fins de semana à Praia Grande para visitar uma tia materna chamada Cecília, que residia no bairro Tu de Bastos, a 15 km da Casa do Guarujá. Esta rotina dos fins de semana na Praia Grande, esta visita habitual à tia Cecília, este percurso repetido a cada 15 dias entre o Guarujá e Tud de Bastos foi exactamente o que os sequestradores estudaram durante 6 meses, já viu? O sábado 6 de novembro de
2004 era o aniversário de Cecília. Marina tinha viajado para a Praia Grande na noite anterior com dois irmãos mais novos de Robinho, certo? A festa começava às 2as da tarde no Quintal dos Fundos da Casa de Cecília. Era um churrasco familiar tradicional, irmão. Carne na grelha, caipirinha de limão, vizinhos do bairro convidados, música pagode dos anos 90.
Marina estava com um vestido florido, sandálias baixas e uma pequena bolsa com o documento de identidade, as chaves do Casa do Guarujá e um telemóvel Motorola. Às 16h20, enquanto Robinho jogava em Criciuma para o Brasileirão contra o Criciuma Esport Clube, quatro homens armados entraram no quintal dos fundos da casa de Cecília, vestidos com uniformes falsos da Polícia Militar de São Paulo.
Saltaram o muro lateral, apontaram as pistolas contra os 23 convidados, identificaram a Marina pela fotografia que traziam no bolso. Tiraram ela do quintal sem dar um único tiro. meteram-na num Volkswagen Gol branco que aguardava com o motor ligado na rua e desapareceram em direção à autoestrada Anchieta antes que nenhum vizinho tivesse tempo de marcar o 190.
Nessa mesma tarde, no balneário do estádio Eriberto Rils de Criciuma. Enquanto o Santos preparava a partida decisiva pela liderança do Brasileirão contra a equipa local, o O técnico Vanderlei Luxemburgo recebeu a ligação do presidente do Santos, Marcelo Teixeira. A chamada durou 40 segundos. A mensagem foi clara.
A mãe de Robinho tinha sido raptada. A família já tinha sido informada. A polícia estava a caminho do Guarujá e o jogador, a 15 minutos do aquecimento, tinha de tomar uma decisão impossível: entrar em campo e jogar a partida mais importante da época, ou sair do estádio e regressar imediatamente para São Paulo com a família.
Vanderlei Luxemburgo chamou Robinho no quarto do fundo do balneário às 18h10 da tarde. Contou a notícia a -lo em menos de um minuto. Robinho, segundo o próprio depoimento que Luxemburgo deu à revista Placar em 2016, não chorou, não gritou, não reagiu sentou-se visivelmente no banco de madeira do balneário durante 4 minutos em silêncio absoluto e às 18h14 falou ao Luxemburgo quatro palavras que o técnico nunca mais esqueceu.
As palavras foram: “Professor, não posso jogar”. O Santos entrou em campo às 7 da noite sem Robinho, certo? O time titular teve de ser reorganizado em 15 minutos. A partida contra o Criciuma terminou 1 a 1 e o Santos, que chegava à partida na primeira posição do Brasileirão, com dois pontos de vantagem sobre o segundo colocado, perdeu a liderança naquela mesma noite.
A época do Santos ficou destruída desde esse sábado, 6 de novembro. O clube terminou a época na quarta posição e o sonho do primeiro Brasileirão do Santos em 40 anos ficou suspenso por mais uma época. Enquanto o Robinho viajava de avião privado do aeroporto de Florianópolis para o aeroporto de Congonhas naquela mesma noite, Marina estava a ser transferida para um cativeiro improvisado numa casa pequena do bairro do Peruz, zona norte de São Paulo.
A casa tinha dois quartos, um casa de banho, uma cozinha e um quintal vedado com muro de 3 m. Os raptores trancaram-na no quarto do fundo, tiraram o telemóvel Motorola, tiraram o documento de identidade, descalçaram as sandálias baixas e falaram para ela uma única frase que durante os 41 dias seguintes Marina ia ouvir repetida dezenas de vezes.
Irmão, a frase foi: “Dona Marina, a senhora não se preocupe. Se o filho da senhora paga, a senhora volta paraa casa viva”. Mas os sequestradores não pediram o resgate imediatamente. Passaram dois dias sem contactar a família. Marina dentro do cativeiro, sem informação do exterior, sem saber se Robinho tinha sido informado do sequestro, sem saber se a polícia a procurava, começou a sofrem crises de ansiedade desde a primeira noite.
Dormiu 3 horas seguidas, vomitou a comida da primeira manhã, chorou em silêncio durante toda a segunda tarde. E no terceiro dia, a segunda-feira, 8 de novembro, os sequestradores entraram no quarto do fundo com uma máquina fotográfica descartável e um jornal Folha de São Paulo aberto na capa do dia. Obrigaram ela a assegurar o jornal em frente do peito e fotografaram.
Três fotos diferentes, diferentes ângulos, diferentes expressões. A prova de vida número um. Estas três fotos chegaram no apartamento de Robinho em São Paulo, na terça-feira, 9 de novembro, por correio registado, acompanhadas de uma carta escrita à mão em letra de imprensa. A carta tinha duas páginas, pedia um resgate de 200.
000$ em dinheiro em notas de R$ 50 e R$ 100, sem marcação policial. A carta estabelecia também as condições da troca. O Robinho devia levar o dinheiro pessoalmente, sem familiares acompanhantes, nem escolta de segurança, nem polícia a segui-lo, e devia esperar a ligação telefónica com o lugar exato da troca durante os 30 dias seguintes.
Essa carta dos sequestradores, segundo a investigação que a Polícia Civil revelou em Março de 2005, foi a primeira coisa que chamou a atenção dos investigadores experientes em casos de rapto, estás a ver? Porque R$ 200.000 R$ 1.000 em 2004. Era um valor ridiculamente baixa para alguém cujo filho ia receber 52 milhões 7 meses depois.
Os grupos profissionais de sequestro de São Paulo, naquele momento, pediam resgates de 3 a R milhões deais por familiares de jogadores famosos. R$ 200.000 era o resgate típico que um grupo amador, sem contactos profissionais com o crime organizado, podia exigir e processar. E isso significava uma única coisa, pá.
Os sequestradores de Marina não eram traficantes profissionais do comando vermelho, nem do primeiro comando da capital. Eram um grupo de ladrões de carga da periferia de São Paulo, que tinha visto no Brasileirão a oportunidade da vida deles. Durante os 37 dias seguintes, enquanto Robinho esperava a ligação da troca no apartamento do bairro da Vila Mariana, Marina vivia fechada no quarto do fundo da casa de Perus.
Comia duas vezes por dia, não é? serviam comida brasileira modesta, arroz branco, feijão, carne desfiada às segundas, quartas e sextas-feiras, sopa de massa às terças, quintas e sábados, aos domingos frango com arroz. tinha permissão para sair do quarto para utilizar a casa de banho três vezes por dia. O resto do tempo, fechada com um colchão velho, uma manta grossa, uma almofada sem capa e uma pequena janela com grade que dava para o quintal do fundo.
Marina, durante estes 37 dias viu os quatro sequestradores em momentos diferentes. viu-os todos sem máscara, porque os quatro homens do grupo, segundo o depoimento que Marina deu à Polícia Civil em Janeiro de 2005, tinham decidido desde o primeiro dia não utilizar máscaras dentro do cativeiro. A razão que deram à Marina quando ela perguntou foi uma única frase.
As palavras foram: “Dona Marina, a senhora já nos viu. Se a gente tira as máscaras à frente da senhora, depois mesmo assim a senhora vai reconhecer a gente. Melhor estar à vontade os 40 dias. 40 dias, e não 41. Esta promessa de 40 dias, estimativa inicial esta que os sequestradores deram paraa Marina no terceiro dia de cativeiro, serviu durante semanas como única referência temporal da vítima.
Marina contava os dias com riscos na parede do quarto do fundo, feitos com um pedaço de colher dourada que tinha guardado debaixo do colchão. Quando chegou ao risco número 32, os sequestradores entraram no quarto com a máquina fotográfica descartável e pediram para ela a prova de vida número dois. Dessa vez não lhe pediram para segurar um jornal, pediram-lhe para mostrar a cabeça.
Porque no dia anterior, o sábado 4 de Dezembro, enquanto Robinho seguia aguardando a ligação da troca em São Paulo, os sequestradores tinham decidido aumentar a pressão sobre a família. tinham entrado no quarto do fundo com uma máquina de barbear a pilhas, irmão, e tinham rapado a cabeça de Marina, fio por fio durante 40 minutos, sem que ela pudesse defender-se, sem explicar para ela porquê, sem a deixar recolher os fios de cabelo do chão de cimento.
A cabeça rapada como prova de vida número dois, a cabeça rapada como mensagem para Robinho. A cabeça rapada como confirmação de que os sequestradores podiam fazer qualquer coisa com a mãe do jogador do Santos. Marina, durante estes 40 minutos exatos em que os raptores rapavam a cabeça dela com a máquina elétrica a pilhas, segundo o depoimento que prestou à Polícia Civil em janeiro de 2005, não chorou, não gritou, não pediu nada aos sequestradores, apenas fechou os olhos enquanto sentia o cabelo cair sobre os ombros, sobre o colo, sobre o chão de
cimento do quarto do fundo. A Marina tinha 43 anos à data do sequestro. tinha sido empregada doméstica durante 19 anos da própria vida. tinha criado o filho sozinha desde os 4 anos da sua idade e sabia instintivamente que mostrar fraqueza perante os sequestradores ia ser exatamente o que prolongaria o cativeiro.
Por isso, fechou os olhos para não dar a estes homens o prazer da reação esperada, para lhes negar o momento de poder máximo que estavam procurando, para resistir em silêncio absoluto da única forma possível para uma mulher de 43 anos, sem armas, sem aliados, sem informação do mundo exterior, encerrado num quarto de fundo no interior de uma casa do bairro dos Perus.
A troca do resgate rolou finalmente no Domingo, 12 de Dezembro de 2004, às 4:20 da madrugada na zona norte de São Paulo. 37 dias depois da fotografia com cabeça raspada, 39 dias depois da carta de R$ 200.000, R 41 dias depois do sequestro no Quintal dos Fundos da Casa da tia Cecília na Praia Grande.
A ligação telefónica dos sequestradores chegou ao telemóvel Nokia pessoal de Robinho às 2:10 da madrugada desse domingo. A mensagem foi curta. O Robinho devia levar o dinheiro sozinho numa mochila preta para uma rotunda do bairro Pirituba, zona norte de São Paulo, às 4 horas da madrugada, sem polícia, nem escolta, nem familiares acompanhantes.
Robinho fez exatamente o que os sequestradores pediram. dirigiu sozinho de Vila Mariana até Pirituba, no Toyota Corolla preto dele. Chegou na rotunda às 3:52 da madrugada, estacionou o carro na esquina indicada, tirou a mochila preta com os 200.000 1.000€ do banco do pendura, andou 30 m até um poste de iluminação específico, deixou a mochila ao pé do poste, voltou para o carro e esperou dentro do Toyota Corolla com as mãos sobre o volante, sem mexer os olhos, sem tocar no telemóvel, sem fazer nenhuma ligação durante exatamente 47 minutos. Às 4:39, um homem encapuçado
saiu de uma rua paralela, apanhou o mochila e desapareceu em direção à Avenida Inajar de Souza, sem que Robinho pudesse ver o rosto dele. Marina foi libertada nessa mesma manhã, pelas 7:30, numa rua do bairro dos Perus, a 15 quarteirões da casa, onde tinha estado em cativeiro. Andou descalça durante quatro quarteirões.
bateu à porta de uma casa da rua Padre Rodolfo Comoreque. A senhora que abriu a porta, uma vizinha do bairro chamada Maria Lúcia Pereira, de 52 anos, viu um mulher desnutrida, com a cabeça rapada e um vestido florido, sujo, sem sandálias, sem documento, sem telemóvel, sem bolsa. Ligou para o 190, ligou depois para Robinho.
Robinho chegou ao bairro Perus às 9:20 da manhã, levou-a logo para o Hospital Metropolitano da Lapa. O médico Fernando Leopoldino examinou-a às 10h10 da manhã. A Marina pesava 15 kg menos do que no dia do sequestro. tinha desidratação grave, tinha feridas ligeiras nos pulsos, tinha a cabeça rapada por completo, mas não tinha sofrido abusos sexual, segundo o exame médico forense, nem tinha sido submetida a tortura física durante os 41 dias de cativeiro.
Mas a história do rapto de Marina, brutal como foi, planeada como foi, não terminou no dia 12 de Dezembro de 2004. Durante os 20 anos seguintes, três dos quatro membros do grupo sequestrador foram detidos entre 2005 e 2008. Receberam apenas 5 a 9 anos de prisão. O quarto, Silmar Fernando Brito Santana, esteve em fuga durante 13 anos.
foi detido finalmente em janeiro de 2017 em Itaquera, zona leste de São Paulo. Esta captura do último foragido em janeiro de 2017 foi o último capítulo público do caso durante quase uma década, pá. Até que na terça-feira, 12 de maio de 2026, faz exatamente três semanas, a Corregedoria-Geral da Polícia Civil de São Paulo ativou uma operação que ia reabrir o caso passados 22 anos.
A operação tinha nome código interno, chamavam de operação litoral e o objetivo era prender quatro investigadores civis da própria polícia civil acusados de estorquir R 1 milhão deais a um homem chamado Fábio Oliveira Silva. Fábio Oliveira Silva, segundo os autos da operação litoral, era o quinto integrante, nunca antes identificado do grupo que tinha raptado Marina da Silva Souza em 2004, já viu? Quinto integrante, e não quarto.
A polícia civil sempre tinha afirmado durante 22 anos que o grupo era composto por quatro homens. Mas em maio de 2026, os autos de Corregedoria-Geral confirmaram pela primeira vez na história pública do caso, que o grupo, na realidade, tinha sido de cinco. E o quinto membro, Fábio Oliveira Silva, durante 22 anos, tinha permanecido no anonimato absoluto.
A polícia civil nunca tinha identificado, interrogado, nem processado ele. E o nome dele não constava em nenhum dos autos judiciais do caso original. Até que no dia 1 de abril de 2026, quatro investigadores civis apareceram na sua casa em Barueri exigindo 1 milhão deais em dinheiro ou inventavam um flagrante de tráfico de drogas.
Fábio Oliveira Silva entregou R$ 303.000 aos quatro investigadores numa padaria de Barueri no dia 3 de Abril de 2026, mas os investigadores exigiram dele mais 700.000 antes do primeiro de junho. Sentindo que a chantagem não ia terminar nunca, Fábio denunciou voluntariamente os investigadores à Corregedoria-Geral. E ao fazê-lo, durante as 9 horas de declaração do dia 12 de Abril, confessou uma coisa que durante 22 anos tinha mantido em absoluto segredo.
Irmão, confessou que tinha sido o quinto membro do grupo que raptou Marina e confessou porque Marina, depois de 41 dias em cativeiro, nunca descreveu publicamente os sequestradores. A razão pela qual Marina nunca descreveu os sequestradores com pormenores concretos, segundo a confissão de Fábio Oliveira Silva, em abril de 2026, foi só uma.
Marina assinou dois dias antes de ser libertada um acordo não escrito com os cinco sequestradores. Um acordo que durante 22 anos ninguém tinha suspeitado que existisse. Um acordo que Marina nunca contou à Polícia Civil, nem a Robinho, nem à própria irmã Cecília, nem para nenhuma das jornalistas que entrevistaram-na em 2005, 2008, 2015 e 2022.
Um acordo verbal que, segundo Fábio, consistia em que a Marina ia guardar silêncio sobre a identidade física dos sequestradores em troca de uma única garantia, a garantia de que o grupo nunca mais ia voltar a tocar num familiar de Robinho. Durante 22 anos, A Marina guardou esse silêncio. E segundo a confissão de Fábio Oliveira Silva, este silêncio tinha uma explicação que ninguém tinha podido imaginar.
Marina tinha assinado um acordo verbal com os sequestradores no dia anterior à libertação dela. Um acordo que ela, como mãe, considerou que protegia melhor o filho e durante 22 anos funcionou. Nenhum familiar de Robinho foi raptado, nem ameaçado novamente entre 2004 e 2026. Até que no dia 12 de maio de 2026, faz três semanas, a operação litoral destampou todo o acordo, mas o rapto de Marina, mesmo com a confissão de Fábio Oliveira Silva em maio de 2026, mesmo com o acordo verbal de 22 anos, mesmo com os quatro investigadores civis presos pela
corregedoria, não é a questão mais escura da história de Robinho. A pergunta mais repugnante, aquela que durante 12 anos ninguém no Brasil teve coragem de o fazer em público. aquela que durante o julgamento italiano ninguém teve coragem de lhe fazer diretamente sob juramento. É porque Vivian Googliel Mat, mulher oficial de Robinho desde 2009, presente no Seo Café na madrugada do crime contra Mercedes, testemunha direta do comportamento do marido durante os 18 anos de casamento.
Nunca se separou de Robinho. Viviana Gugleet não era uma mulher qualquer do entorno desportivo brasileiro, pá. Era uma mulher jovem com formação universitária. Estudava arquitetura na Universidade de Milano quando conheceu Robinho. Tinha pais com recursos económicos próprios. Tinha rede familiar ampla em São Paulo, com tios advogados, primos médicos, irmãs profissionais independentes.
tinha a possibilidade concreta, em qualquer momento dos 18 anos seguintes de casamento, de se separar do jogador, conservar os direitos dela sobre os três filhos, segundo as leis brasileiras de guarda partilhada, manter o estilo de vida dela com a pensão de alimentos correspondente a um jogador profissional da categoria dele e construir uma nova família com qualquer homem da escolha dela em qualquer das cidades brasileiras onde a rede familiar dela pudesse receber.
Vivian, ainda depois de completar 30 anos em 2018, retomou a carreira de arquitetura interrompida em Milão e começou a trabalhar profissionalmente como designer de interiores em São Paulo. Tinha cartela de clientes própria, tinha independência financeira projetada pros 20 anos seguintes de vida profissional, tinha absolutamente todos os recursos materiais, sociais, jurídicos e emocionais que qualquer mulher brasileira de classe média alta precisa terminar um casamento com um homem condenado por crime sexual em três instâncias judiciais internacionais. A
gente vai saber o que a Vivian viu durante os 16 meses que viveu com Robinho em Milão antes do crime de Mercedes. Irmão, por saiu do Sil Café exactamente 10 minutos antes do início do ataque grupal. O pormenor dos 4 segundos exatos que passou dentro do corredor estreito do Sio Café entre as 2:32 e às 2:36 da madrugada, o que aconteceu no apartamento do bairro da Breira na manhã do 22 de janeiro de 2013, quando Robinho regressou a casa às 6 da manhã depois da madrugada do seu café.
E a frase exata de 14 palavras que a Vivian disse para imprensa desportiva brasileira no dia 21 de março de 2024, o dia em que a Polícia Federal prendeu o Robinho no condomínio do Guarujá. Uma frase que a Global Play incluiu no documentário Caso Robinho de 2024 e que a mãe de Mercedes, segundo o equipa simpática da família albanesa, que continua a representar a vítima nos processos civis que prosseguem em Itália até hoje, em 2026, nunca poderá perdoar.
Vivian Gogle Mat conheceu Robinho no Verão de 2008 na Sardenha, 20 anos, brasileira de origem italiana, estudava arquitetura na Universidade Milano. Casaram em junho de 2009 na Catedral de Santos, não é? A Marina levou o bouquet da noiva. Vivian acompanhou o jogador para Manchester, depois para Milão em 2010, onde alugaram um apartamento no bairro da Breira.
Ali, durante os 4 anos seguintes, construiu a família que 16 anos depois, em 2026, nunca se quebrou oficialmente. Três filhos legalmente reconhecidos. Robinho Júnior, filho de uma relação anterior, reconhecido apenas em 2016. A segunda filha, nascida em 2011 e o terceiro filho varão, nascido em 2014, 2 anos depois do crime de Mercedes.
Vivian, durante os 16 meses anteriores ao crime do Sil Café, tinha vivido com Robinho num apartamento de 180 m² do bairro da Breira, no centro de Milão. Tinha conhecido durante estes 16 meses o meio envolvente completo do marido, os quatro amigos brasileiros que viajavam regularmente para visitar o jogador em Milão.
as mulheres jovens que apareciam por turnos nos jantares privados do apartamento, os bares e as discotecas do centro de Milão, onde o grupo brasileiro frequentava todas as sextas-feiras de noite, as festas privadas em mansões de empresários italianos, amigos do Berluscone e o comportamento sistemático de Robinho perante mulheres jovens em ambientes festivos com álcool disponível.
Este comportamento, durante os 16 meses anteriores ao crime contra Mercedes, segundo as cinco mulheres jovens que declararam a acusação italiana entre 2013 e 2016, sob proteção de identidade, tinha incluído pelo menos quatro situações de assédio físico documentadas e um caso de retenção física dentro de uma casa de banho masculina do Hotel Príncipe de Savoia.
Nenhuma delas formalizou queixa entre 2011 e 2013. As cinco receberam ofertas económicas entre 15.000 e 80.000€ para aceitar acordos de confidencialidade absoluta. A cinco aceitaram e as cinco mantiveram silêncio durante os anos seguintes, até que o crime contra a Mercedes os obrigou a declarar de forma anónima durante o processo italiano em 2016.
A noite do 22 de janeiro de 2013, no interior do Sil Café de Milão, Vivian Gugliel Matet viu uma coisa que durante 11 anos nunca descreveu publicamente. Uma coisa que a A procuradoria italiana tentou forçá-la a declarar sem sucesso. Uma coisa que a defesa de Robinho protegeu utilizando o princípio constitucional italiano de não testemunhar contra o cônjuge. Viviana.
Segundo o depoimento que Mercedes prestou sob juramento ao fiscal Roberto Guok, no no dia 25 de março de 2013 tinha estado dança 3 horas na mesa principal do Sil Café. Tinha bebido duas taças de proseco. Às 2h30 da madrugada, segundo as câmaras de segurança, Vivian levantou da mesa para ir à casa de banho feminina do primeiro andar.
O banheiro ficava do lado do corredor estreito que conduzia ao camarim do músico Jairo Chagas. Às 2:32, segundo a reconstrução cronológica que a A procuradoria italiana apresentou ao tribunal em 2016, Vivian saiu do banheiro feminino. Em vez de voltar imediatamente para a mesa VIP, andou 4 m pelo corredor estreito até à porta do camarim de Jairo Chagas.
A porta estava entreaberta. Vivian, segundo as câmaras de segurança do Sil Café, debruçou-se pela porta entreaberta durante exatamente 4 segundos. Depois fechou a porta sem entrar no camarim, andou de volta para a casa de banho feminina e às 2:35 saiu da casa de banho feminina pela segunda vez para voltar à mesa VIP, irmão, onde Robinho já não estava.
Às 2:40 da madrugada, 5 minutos depois do momento exato em que Vivian se debruçou no camarim de Jairo Chagas, Vivian Google Mat, saiu do Sil Café sem se despedir-se do grupo, apanhou um táxi na porta da discoteca, voltou para o apartamento de Breira às 3h07 da madrugada. Colocou os dois filhos pequenos para dormir e dormiu às 3:20.
O que Vivian viu durante estes 4 segundos pela porta entreaberta do camarim de Jairo Chagas na madrugada do dia 22 de janeiro de 2013, durante os 11 anos seguintes, nunca foi revelado pela própria Vivian a ninguém, pá. nem para polícia italiana, nem aos advogados da defesa de Robinho, nem para a imprensa brasileira, nem para a família da Mercedes.
Mas a procuradoria italiana, durante o processo de primeira instância em 2016, apresentou ao tribunal uma hipótese que durante os 8 anos seguintes manteve-se como verdade jurídica não contradita pela defesa. A hipótese do fiscal Gnok foi a seguinte: “Vivian, durante estes 4 segundos, viu o marido e mais três homens do grupo brasileiro abusando de Mercedes inconsciente sobre o sofá de cabedal preto do camarim de Jairo Chagas.
Vivian não entrou para interromper. Vivian não ligou para a polícia. A Vivian não avisou o gerente do Sil Café. Vivian fechou a porta, andou de volta para o casa de banho e voltou para a mesa VIP como se nada tivesse acontecido. Vivian, durante os 11 anos seguintes, nunca contradisse a hipótese do fiscal Gnok.
Tampouco confirmou. utilizou durante todo o processo italiano o direito constitucional de não testemunhar contra o cônjuge. Isso significava, na prática, que Vivian podia ter visto exatamente o que o fiscal afirmava ter visto, ou podia não ter visto nada, viu? A escolha de Vivian foi deixar o mistério em aberto, deixar que cada espectador, cada jornalista, cada juiz italiano, cada filho futuro da família chegasse a conclusões próprias sem que ela confirmasse nem negasse nada.
E enquanto Vivian construía este silêncio jurídico durante 11 anos, também construiu outra coisa. Uma coisa que a mãe de Mercedes, segundo a equipa legal da família albanesa, nunca vai poder perdoar. Construiu uma vida familiar pública com Robinho de Souza. Depois do crime. Três meses depois do crime do Sil Café, em abril de 2013, Vivian engravidou pela segunda vez.
A segunda filha nasceu em janeiro de 2014, exatamente um ano depois do ataque grupo contra a Mercedes. Em 2015, quando Robinho foi contratado pelo Guangzoo Evergre da China por 20 milhões de euros, a Vivian mudou-se para a Ásia com ele e os três filhos. Em 2016, quando a condenação em primeira instância do Tribunal de Milão saiu a público internacionalmente, A Vivian deu à revista Caras uma entrevista exclusiva de 12 páginas, defendendo a total inocência de Robinho.
Em 2020, quando Santos anunciou a recontratação do jogador, a meio da pior crise de patrocínios da história do clube, Vivian apareceu no aeroporto de Guarulhos, sorridente, posando com os três filhos, vestida com a camisola dos Santos. Em 2022, quando o Tribunal de Cassacione de Roma ratificou a condenação em última instância italiana, Vivian publicou no Instagram uma foto familiar com Robinho com a legenda: “A nossa família é mais forte que qualquer mentira”.
E no dia 21 de março de 2024, o dia em que a Polícia Federal deteve Robinho no condomínio do Guarujá, Vivian estava na casa. Quando os agentes federais entraram no condomínio para levar o jogador, Vivian saiu à porta para se despedir e falou para a imprensa desportiva brasileira que esperava do lado de fora do condomínio uma frase que durante os dois anos seguintes circulou por todos os noticiários brasileiros.
Uma frase que aparece dramatizada no documentário caso Robinho da Globoplay. Uma frase que a mãe de Mercedes, segundo a equipa cool albanês, ouviu pela rádio italiana nessa mesma noite e guardou como prova pessoal do cinismo da mulher do agressor. A frase foi: “Vamos esperar por ele todo o tempo que for necessário: “O meu marido é inocente e a família inteira sabe.
” O meu marido é inocente e toda a família sabe. Essas 14 palavras ditas por Vivian Gogle Met às 11:20 da manhã do dia 21 de março de 2024 à porta do condomínio do Guarujá, depois de a Polícia Federal do Brasil tinha prendido Robinho de Souza em cumprimento da sentença ratificada por três instâncias italianas e homologada pelo Supremo Tribunal de Justiça Brasileiro, são a resposta mais honesta à questão que durante 16 anos o Brasil inteiro se fez sem ter coragem para responder porque Vivian continua casada com ele. A resposta, segundo a equipa legal
albanês, que representa a mãe de Mercedes nos processos cíveis que continuam em Itália até hoje é uma só. Vivian escolheu acreditar. Escolheu acreditar durante 11 anos antes da condenação. Escolheu acreditar durante mais do anos depois da condenação ratificada. Escolheu acreditar até ao dia da prisão efetiva e optou por seguir acreditando depois.
A escolha de Vivian não foi uma escolha romântica, nem uma escolha financeira, nem uma escolha pelos filhos. Foi uma escolha moral, cara. a escolha de proteger a própria versão da realidade contra todas as provas materiais que a justiça italiana acumulou durante 10 anos de processo. A escolha de manter o casamento público perante a imprensa desportiva brasileira e a escolha de transmitir aos três filhos durante os próximos 20 anos da pena, que o pai é inocente, que a vítima mente, que a justiça italiana errou, que todo o sistema está contra eles. Uma
escolha que Vivian vai transmitir religiosamente a Robinho Júnior, a segunda filha e ao terceiro filho, até ao dia em que cada um deles complete o maioridade. E esta é exatamente a última ferida do caso Robinho irmão, a que durante os próximos 20 anos vai seguir aberta. A ferida que liga o rapto de Marina em 2004, o silêncio de 22 anos, o acordo verbal com os cinco sequestradores, a recusa de Marina a descrevê-los, a madrugada do Sil Café em 2013, os 4 segundos do camarim de Jairo Chagas, os 11 anos de silêncio
jurídico de Vivian, a frase do condomínio do Guarujá em 2024, a cela de 8 m² de Tremembé, a jardinagem diária do jogador, o arranjo de televisões e rádios para reduzir a pena, os 9 anos de condenação que terminam em 203 e os três filhos brasileiros da família Souza Guglielmet, que durante os próximos 20 anos vão crescer ouvindo uma única versão dos factos, a versão onde o pai é inocente e a vítima mente.
O Robinho Júnior tem hoje 22 anos, certo? A segunda filha tem 15, o terceiro filho tem 12. Os três vivem com Vivian Gogle no condomínio do Guarujá, que o jogador comprou em 2022 com os últimos ganhos profissionais da carreira. Vivian segue trabalhando como designer de interiores. Os três filhos vão para colégios privados de São Paulo.
Robinho Júnior estuda o segundo ano de educação física numa universidade privada de Santos. A segunda filha joga ténis num clube da zona sul. O terceiro filho joga futebol nas camadas jovens dos Santos, exatamente na mesma quadra de terra batida do centro de treinos Rei Pelé, onde o O seu pai foi descoberto aos 11 anos em 1995.
Mercedes da Silva. A rapariga albanesa que comemorava o 23º aniversário no Sil Café de Milão na madrugada do dia 22 de janeiro de 2013 faz hoje 36 anos. Mora numa cidade do norte de Itália, cujo nome exato a procuradoria italiana mantém sob segredo de justiça por razões de segurança pessoal.
Terminou a carreira de direito em 2016. Passou no exame de procuradora da República Italiana em 2020. Hoje trabalha na procura da República de Milano, a mesma procuradoria que durante 10 anos processou o caso contra o Robinho de Souza, viu? Tá casada desde 2023 com um advogado italiano, cujo nome é também Segredo de Justiça, não tem filhos.
Segundo o documentário caso Robinho da Globo Play, Mercedes fez uma promessa pública no dia que terminou a carreira. Uma promessa que durante os próximos anos vai ir cumprindo da própria procura República de Milano. A promessa foi ajudar outras mulheres albanesas que chegam a Itália fugindo de violência doméstica. E a primeira mulher a quem Mercedes ajudou em 2021, mesmo antes de terminar a formação profissional, foi uma jovem brasileira de 19 anos que tinha chegado a Milão em 2020, procurando trabalho como modelo.
Uma jovem brasileira que durante seis meses sofreu abuso doméstico por parte de um jogador brasileiro das camadas jovens do AC Milão. Uma jovem cujo nome Mercedes nunca o revelou publicamente. Isso é o caso Robinho. Uma história que qualquer homem adulto de 50 anos ou mais vendo este vídeo na sala da casa esta noite reconhece silenciosamente em alguma dobra da própria memória.
Porque em algures nos últimos 20 anos, todo o mundo viu como se trata uma mulher em silêncio. Na rua onde moramos, no trabalho onde somos pagos, na família onde crescemos. A gente viu como uma mãe aceita calar-se durante 22 anos em troca de um acordo verbal com cinco sequestradores. A gente viu como uma esposa escolhe acreditar durante 11 anos contra todas as provas materiais acumuladas pela justiça italiana.
A gente viu como um clube nacional recontrata um condenado em primeira instância e os patrocinadores retiram-se em 48 horas. A gente viu como uma vítima albanesa de 23 anos, sem recursos, sem contactos, sem poder, sem nome famoso, durante 10 anos prossegue a justiça em três instâncias judiciais até o conseguir.
E isto, esta diferença entre a mulher que A Mercedes foi durante 10 anos de processo italiano e as mulheres que Marina e Vivian escolheram ser durante 20 anos de silêncio brasileiro é a questão que o caso Robinho deixa em cima da mesa de cada espectador esta noite. Pá, por que em Itália, fora do sistema brasileiro, a Mercedes pôde falar? Porque no Brasil, dentro de todo o sistema, A Marina e a Vivian escolheram calar-se? Por que nenhum outro jogador do Santos de 2004 nunca mais foi sequestrado depois do acordo verbal de Marina com os
cinco sequestradores? Porque a operação litoral do 12 de maio de 2026, depois de 22 anos, está finalmente a destapar o que durante duas décadas o Brasil inteiro escolheu não ver? Robinho de Souza tem hoje 42 anos, em maio de 2026. Vive numa cela de 8 m² do complexo penitenciário de Tremembé, a 150 km da cidade de São Paulo.
Divide a cela com outro recluso de 22 anos, condenado por induzir outra pessoa ao suicídio. A a rotina diária dele inclui jogar futebol no pátio interior, se dedicar à jardinagem dos canteiros da prisão e reparar televisões e rádios velhos no táer do programa de educação profissional do sistema penitenciário brasileiro.
Por cada dia completado no programa, Robinho recebe um dia de redução da pena. O comportamento dele, segundo o diretor da cadeia, em relatório interno de março de 2025, é exemplar. Robinho está focado em conseguir o regime semiaberto em 2028, depois de cumprir 40% da pena. Se conseguir, vai poder voltar a viver no condomínio do Guarujá com Vivian e os três filhos.
Se não conseguir, vai continuar em Tremembé até 2033, data em que o miúdo do Parque Bitaru, herdeiro designado pelo rei Pelé, aos 12 anos, vai fazer 49. Subscreve o canal Estrelas Caídas, irmão. Partilha este vídeo com aquela mulher que te apareceu na cabeça enquanto escutava a história. Aquela amiga que deixou de ligar, aquela irmã que mudou de bairro sem explicação.
Aquela filha que voltou um dia sem maquilhagem, sem sorriso, sem te dizer o que tinha acontecido na noite anterior. Aquela vizinha do andar de baixo que durante meses teve hematomas que tapava com maquilhagem barata e manga comprida em pleno verão. Liga-lhe antes de amanhã. Porque a história da Mercedes da Silva, uma rapariga albanesa que comemorava o 23º aniversário numa discoteca de Milão na madrugada do dia 22 de janeiro de 2013, não é uma história que terminou.
É uma história que continua a acontecer esta noite em algum canto de todo o Brasil, enquanto um jogador famoso oferece proco a uma mulher jovem que não consegue se manter de pé enquanto uma esposa fiel se debruça-se 4 segundos pela porta entreaberta e opta por fechar. Enquanto uma mãe aceita o silêncio durante 22 anos em troca de proteger um filho que durante o resto da vida nunca saberá o que aconteceu naquela noite de 2004 dentro do cativeiro do bairro dos Perus.