TARCÍSIO MEIRA MORREU HÁ 4 ANOS, AGORA SUA ESPOSA QUEBRA O SILÊNCIO E. e

TARCÍSIO MEIRA MORREU HÁ 4 ANOS, AGORA SUA ESPOSA QUEBRA O SILÊNCIO E. 

Não fales muito, eu amo-te não. Não, amamos-nos só. Não precisa de falar, sabe. 4 anos após a morte de Tarcísio Meira. Agora com 90 anos, Glória Menezes decide quebrar o silêncio. Revelações íntimas, mágoas guardadas e detalhes comoventes sobre os últimos dias do casal mais querido da TV brasileira.

Afinal, como foi o adeus ao grande amor da sua vida e quais os segredos que ela manteve longe dos holofotes até agora? Tarcísio Magalhães, Sobrinho, nasceu em 5 de outubro de 1935 na cidade de São Paulo como o herdeiro de um legado familiar repleto de história e tradição. Filho de Raul Pompeia Pereira e de Magalhães e de Maria do Rosário Meira, Tarcísio, descendia pelo lado paterno da aristocracia rural mineira.

O seu trzavô, o tenente coronel António Joaquim Pereira de Magalhães, era um símbolo desse passado de prestígio. Na mesma linhagem, encontrava ligações com o inconfidente Tiradentes, o cientista Vital Brasil e o empresário Óscar americano. Já pela mãe, as suas raízes se entrelaçavam com nomes tradicionais da elite paulista.

O primeiro passo de Tarcísio no mundo das artes foi dado em 1957, quando se estreou no teatro com a peça A hora marcada. Dois anos depois, brilhou em O Soldado Tanaca, a convite do conceituado ator Sérgio Cardoso. Sua estreia na televisão deu-se em 1959 no teleteatro Noites Brancas, exibido pela Rede Tupi e dirigido por Geraldo Viet.

Em 1961, o destino interveio na estação, pois contracenou com Glória Menezes em uma Pires Camargo. E ali nascia não apenas uma das maiores parcerias da televisão brasileira, mas também um amor duradouro. Em 1963, os dois estrelaram 25499 Ocupado, a primeira telenovela diária do país na TV Celsior.

marco histórico que consolidou Tarcísio como galã nacional. A entrada do ator na Globo em 1967 foi um marco que ajudou a moldar a identidade da teledramaturgia brasileira. Ao lado de Glória Menezes, estreou na estação em Sangue e Areia, uma adaptação do clássico de Vicente Blasco e Banhês. Fazíamos as cenas aqui no terraço da TV Globo, montávamos a arena com o bancada, com donha Sol de Alcântara, linda lá, maravilhosa, muita figuração e eu toreando ali, enfrentando o touro.

A partir daí, Tarcísio passou a construir uma galeria de personagens que atravessaram gerações, consolidando-se como um dos maiores nomes da televisão. O seu primeiro grande papel de impacto foi em Irmãos Coragem, telenovela exibida em 1970, escrito por Janette Claire, onde viveu João Coragem, o irmão corajoso e impulsivo da icónica trama.

Por que é que me trancou aqui? Eu quero embora. Quero tratar da minha vida. Que é que pensa que eu sou? Sua prisioneira. É. Agora vem comigo, menina. A gente vai em casa do Pedro Barros. Eu vou levar-te lá e colocar-te frente à frente com a professora. Não. A telenovela não só foi um fenómeno de audiência, como também cravou o seu nome no imaginário popular.

Um tempo depois deu vida ao protagonista de O Semideus, uma novela de Janette Claire que misturava política e drama pessoal, reforçando o talento de Tarcísio para papéis densos e carismáticos. Lá à frente, TM, avise que eu estou aqui. Não quero surpresas, nem sustos, nem choros, nada de cenas. Detesto cenas. Em escalada de 1975 viveu Antônio Dias, papel que marcou a sua estreia-se como protagonista numa novela das 8, com tão mais realista e introspectivo.

Mas foi com o espelho mágico de Lauro César Muniz que Tarcísio demonstrou uma metalinguagem refinada, interpretando Diogo Maia, um ator às voltas com os bastidores do mundo artístico, numa espécie de auto-retrato sofisticado da classe que ele representava. Nos anos 80, o seu prestígio continuou em alta. Em coração alado viveu Juca Pitanga e logo a seguir brilhou como Paulo César Ribeiro em Brilhante.

Novela de Gilberto Braga. Nesse período, também participou na guerra dos sexos, um clássico de Silvio de Abreu, na pele do charmoso Felipe, que era filho adotivo de Charlot, a grande Fernanda Montenegro. Já em roda de fogo, ele voltou a brilhar como o empresário Renato Vilar, um magnata envolvido na corrupção que passava por uma transformação moral após descobrir estar com uma doença terminal.

O personagem é considerado por muitos críticos como um dos mais complexos da sua carreira. Vou para Munique para trazer esse dinheiro de volta para o Brasil, Lúcia. Eu sei muito bem que isso não me redime do que foi feito. O dinheiro saiu daqui ilegalmente, sim. De certa forma, foi roubado à nação, mas não há nada que eu possa fazer.

Isso é passado e o passado não posso consertar. Eu não estou te pedindo. Na década de 90, Tarcísio viveu o detetive Aristénio, em Araponga, um importante investigador. Já em fera ferida, encarnou o misterioso Feliciano Mota, o presidente da Câmara, que jura que a sua cidade esconde minas de ouro. Mais tarde, em Amuralha, minissérie histórica exibida em 2000, de grande impacto, interpretou Dom Jerónimo Taveira, um comerciante autoritário e síntese da hipocrisia religiosa do seu tempo.

Nos anos 2000, Tarcísio continuou ativo. Em o beijo do vampiro, interpretou o vampiro Duque Boris Vladesco. Já na novela Páginas da vida de Manuel Carlos deu vida a Tid, que era casado com Lalinha, interpretado pela sua esposa Glória. Ô miúda, chega. Se mãe e filha têm que discutir nestes termos, então vão discutir longe daqui quando estiverem sozinhas.

Presença constante no horário nobre esteve em A Lei do Amor, já em idade avançada, como o poderoso Fausto Leitão. Mas apesar de manter uma imagem pública sempre discreta, Tarcísio Meira protagonizou episódios marcantes nos bastidores da TV. De regresso a 1968, foi escalado como protagonista da novela A Gata de Vison, escrita por Glória Magadã.

Mas a autora apaixonou-se por um dos artistas do elenco, Geraldo Del Rei. Logo vê o seu personagem crescer a tal ponto de importância no enredo que, embora inicialmente tivesse tudo para ser o vilão, tornou-se o protagonista, assumindo o lugar de destaque que deveria ter sido de Tarcísio. Incomodado com a situação, o ator pediu para deixar a trama, recusando-se até agravar a morte da personagem.

Outro momento emblemático ocorreu durante de corpo e alma, novela de Glória Perez. Após a morte brutal de Daniela Perez, filha da autora e colega de elenco, Tarcísio mostrou-se indignado com a decisão da emissora de seguir com a rotina de gravações da novela, como se nada tivesse acontecido. O relacionamento entre Tarcísio Meira e Glória Menezes rapidamente se transformou numa das histórias de amor mais emblemáticas da televisão.

Os dois conheceram-se no início da década de 60 e contracenaram pela primeira vez na TV num teleteatro. A química foi imediata, tanto nos ecrãs como na vida real. Eu vi a Glória a primeira vez, estava ensaiando, a Glória passou no pau assim, Eu disse: “Caramba, mulher porreira, que fixe! Fiquei encantada e depois fui fazer um teatro na Tupi que a Glória seria a minha parceira”.

O casamento realizou-se em 1962. Um ano depois do primeiro encontro, durante os ensaios da peça às feiticeiras de Salém. Aquele foi o início de uma parceria duradora dentro e fora dos estúdios. O casal teve um único filho, Tarcísio Filho, que seguiu carreira artística e partilhou cenas com os pais em diversas produções.

Mas além dele, Glória já tinha dois filhos de um casamento anterior, que foram criados por Tarcísio com muito carinho. Durante os mais de 50 anos de união, Tarciso e Glória foram o verdadeiro casal real da televisão, contracenando juntos em diversas telenovelas, dentro e fora das câmaras, mantinham uma relação sólida, baseada em companheirismo, humor e respeito.

Glória chegou a revelar em entrevista que Tarcísio era alvo constante de assédio feminino. Mulherada caía a matar. Apesar disso, garantiu que o marido sempre foi fiel e que nunca sentiu ciúmes em excesso. Noutro momento, o casal confidenciou frustrações comuns a qualquer relação de décadas, como a falta de tempo para momentos a dois e o desejo não realizado de ter uma filha, mas sempre com leveza e cumidade.

Não fales muito eu amo-te, não. Não, nós amamos-nos. falar, a gente sabe. Mesmo com uma carreira marcada pela admiração pública e uma imagem de integridade, Tarcísio enfrentou alguns momentos espinhosos fora das câmaras. Um dos episódios mais delicados ocorreu em 2020, quando o ator perdeu uma ação laboral movida por um ex-funcionário, Walter Martinez, que tinha trabalhado em três empreendimentos agropecuários do ator durante quase 10 anos.

Martinez pediu reconhecimento de vínculo desde 2003 com anotação da carteira de trabalho, pagamento do 13º no período e férias a dobrar e aviso prévio: Tudo concedido pela justiça. Mesmo após um acordo inicial em que Tarcísio pagou R$ 250.000, Martinez recorreu à justiça, alegando que os valores pagos estavam abaixo do que lhe era de direito e exigiu o pagamento integral de verbas laborais.

retroativas e adicionais. A defesa dos Tarcísio argumentou que o acordo tinha sido celebrado de boa fé e que as obrigações já teriam sido liquidadas. Ainda assim, a justiça deu ganho de causa ao ex-colaborador. Apesar da decisão da juíza ter vindo a público, o caso não chegou a abalar a imagem pública de Tarcísio, dada a sua longa trajetória e ilibada.

Mas, no mesmo ano, em setembro, uma notícia pegou de surpresa ao público e ao meio artístico. Após mais de 50 anos de percurso na TV Globo, Tarcísio Meira e Glória Menezes foram oficialmente dispensados ​​da emissora. A decisão fez parte de um movimento interno da Globo de reformulação de contratos de que abdicou de muitos artistas, pois priorizou vínculos por obra em detrimento dos acordos de longa duração, mesmo com artistas consagrados.

Tarcísio, com elegância característica, reagiu com serenidade. Em entrevista, afirmou compreender a decisão. A emissora tinha todo o direito de não renovar, alegando apenas que a Globo estava a dar prioridade ao novo e que o novo é sempre um desafio para os mais velhos. A Globo tinha todo o direito não renovar como tinha.

Acredito que ela tenha seguido. O caminho, decidiu assim, tudo bem. Eu tinha um contrato que perdurou 54 anos ou quase isso e chegou ao fim. Já glória, menos vocal publicamente ter-se-ia sentido profundamente magoada, segundo algumas pessoas próximas. Na época, o casal, símbolo da televisão brasileira não recebeu qualquer homenagem oficial ou despedida à altura da importância que teve na história da emissora.

A reação dos colegas e especialistas foi imediata. Bonnie, ex-diretor da Globo, criticou duramente a emissora, garantindo que Tarcísio e Glória jamais poderiam ir embora daquela forma. Fazem parte do DNA da televisão brasileira, foram praticamente sócios da empresa. Tony Ramos, parceiro de cena e amigo próximo de ambos, se mostrou-se triste com a saída abrupta do casal, lamentando como os veteranos estavam a ser tratados.

A dispensa então gerou o debate sobre o desprestígio crescente de atores mais velhos no meio televisivo e expôs um momento de transição na indústria que parecia não comportar mais laços históricos. Aposentados. E durante a pandemia de Covid-19, Tarcísio Meira e Glória Menezes se mantiveram reclusos no sítio do Porto Feliz, no interior de São Paulo.

O casal seguia rigorosamente os protocolos sanitários, evitando aparições públicas e qualquer exposição desnecessária. No no entanto, em agosto de 2021, ambos os testaram positivo para o coronavírus, surpreendendo familiares, fãs e amigos. Tarcísio, então com 85 anos, apresentou complicações graves e teve de ser internado em estado crítico no Hospital Albert Einstein, em São Paulo.

Foi entubado e submetido a sessões de hemodiálise contínua devido à comprometimento renal decorrente da infecção. Entretanto, Glória, com sintomas mais ligeiros, evoluiu bem clinicamente e não necessitou de suporte intensivo. O estado de saúde do ator foi acompanhado com grande como nacional e Os boletins médicos passaram a ser ansiosamente aguardados pelos admiradores.

A agravação do quadro, infelizmente, indicava que a luta contra a doença seria ainda mais difícil do que o previsto. Tarcísio Meira acabou por ir a óbito a 12 de agosto de 2021, aos 85 anos, em consequência de complicações da COVID-19, após ter sido internado e entubado no Albert Einstein.

A sua morte gerou uma comoção nacional, com homenagens que atravessaram gerações e vieram de artistas, autoridades, colegas de profissão e admiradores. Na altura, o país despedia-se não apenas de um ator consagrado, mas de um símbolo da televisão brasileira. Funcionários da quinta onde o casal vivia durante a pandemia reportaram a simplicidade do artista, que tomava café com os empregados e gostava da rotina no campo.

Tarcísio Filho revelou que o pai tinha pedido que as suas cinzas fossem espalhadas pelas explorações, o que foi respeitado em um ritual íntimo e carregado de emoção. No primeiro Natal, após a sua morte, familiares reuniram-se no sítio do Porto Feliz, recordando momentos com carinho e saudade.

A Nora Mocita Fagundes partilhou uma foto do encontro e escreveu: “O Sol volta sempre a brilhar. Glória, que sobreviveu à Covid, e artistas mais próximos, falaram com serenidade sobre a perda. Foi uma dor imensa, mas seguimos. A vida continua. Aos 90 anos, continua a ser homenageada como símbolo de força e de amor duradouro. Emocionou-se com a história de amor de Tarcísio Meira e Glória Menezes? Qual é a sua novela preferida do casal? Deixe a sua homenagem nos comentários, se subscreva e não se esqueça do gosto.

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