The Hauntings of David Bowie

 incluindo a letra de uma canção que tinha acabado de compor para o álbum Station para Estação. Obviamente debilitado pela sua dieta nada convencional, David Bwy não vivia os seus melhores dias. Amigos próximos sugeriam que estava em surto paranóico. Alguns ridicularizaram-no quando ele começou a relatar fenómenos que jurava ter presenciado.

Os mais íntimos aconselharam-no a interromper a dieta e reduzir o consumo de substâncias. Até Andy B e a sua esposa na altura duvidava dos acontecimentos narrados pelo marido. Ela ainda não sabia, mas logo também ficaria convencida de que havia algo de profundamente errado naquela mansão. Foi neste período de intensa procura pelo inexplicável que Boey mergulhou em livros de Cabala, Alquimia e nos tratados de Alister Crawley, o enigmático mago inglês, cuja filosofia de “Faz o que quiseres” ressoava nos círculos do rock. À medida que absorvia

cada símbolo, cada ritual e cada ensinamento oculto, Boe começou a perceber que a própria casa parecia responder às suas leituras. E foi durante estas investigações que em meados de 1975 algo ainda mais perturbador se revelou. Conforme confidenciou em entrevistas e na sua biografia autorizada, enquanto procurava sinais esotéricos que pudessem explicar os fenómenos que o assombravam, reparou numa estranha mancha no fundo da piscina.

 Ao debruçar-se sobre a bordo, uma face demoníaca aparecia encará-lo das profundezas. E contrariando os que imaginam que aquela era apenas mais uma alucinação do estrela, desta vez Andy Bow também testemunhou os acontecimentos que ela própria descreveu como impossíveis de ignorar. A piscina ganhava vida diante dos olhos do casal.

 A superfície trepidava sozinho, formava ondulações inexplicáveis ​​e, em algumas ocasiões, um rosto de expressão diabólica parecia encará-los. Foi neste ponto que Boe decidiu recorrer ao W Lark, uma famosa bruxa novaorquina, conhecida por realizar purificações em casas assombradas de celebridades. Desesperado, Boy ligou-lhe, descrevendo os fenómenos.

 E diante da urgência e das súplicas de Boe por telefone, W guiou-o através de um ritual de exorcismo. Com talismãs e livros de ocultismo dispostos, o cantor iniciou as invocações e os cânticos sugeridos pela bruxa. Segundo Andy, a água de repente começou a borbulhar e a agitar-se de forma violenta.

 No final do rito, uma estranha mancha escura que fazia lembrar uma criatura demoníaca apareceu no fundo da piscina. Nos dias seguintes, B repetiu os rituais, mas as manchas nunca foram removidas. A experiência deixou B e Andy tão assustados que acabaram por se mudando da enigmática mansão pouco tempo depois. A visita de Jim Page. Toda a gente conhece e adora o Jimmy Page, certo? Só que pouca gente sabe do lado de magia negra com que se envolveu.

Embora o vício desenfriado e o episódio com a piscina amaldiçoada tenham sido os principais catalisadores para a posterior fuga [música] de boa e para Berlim. Outro acontecimento controverso e bizarro, desta vez no seu apartamento em Nova Iorque, ficaria para a história do rock. [música] Enquanto tentava recuperar das influências sombrias que sentia em Los Angeles, B mergulhava cada vez mais nos livros ocultistas e nos ensinamentos mágicos, o suficiente para desenvolver um medo quase irracional de uma das maiores lendas do rock and roll. Por

incrível que pareça, ninguém o aterrorizava mais do que Jimmy Page, o famoso guitarrista dos Led Zaplin. [música] era um notório seguidor de Crawley e trazia consigo a reputação de um homem profundamente imerso nas artes ocultas, [música] fama que se intensificou em 1970, [música] quando adquiriu a sinistra por Leskin, a antiga mansão onde Crawley [música] teria realizado rituais de necromancia, invocações e até tentativas de ressuscitar os mortos.

Bw respeitava, quase o via como uma autoridade nos mistérios que ele próprio tentava compreender. Mas naquela noite de 1975, algo se partiu e o fascínio de boei deu lugar [música] ao medo. Há diversas versões sobre o fatídico encontro, mas a mais difundida afirma que ocorreu durante uma festa arregada de estupefacientes no apartamento de boa em Manhad.

Jimmy Page chegou já noite dentro, embora ninguém soubesse quem o tinha convidado. Andy B, que estava presente teria descreveu o encontro como estranhamente bizarro. Durante a reunião, David [música] Bowy tentou desvendar o segredo por detrás da aura quase sobrenatural [música] que parecia envolver Jimmy Pate.

 Mas o guitarrista permanecia evasivo. Respondia com meas palavras e sorrisos misteriosos, alimentando ainda mais a curiosidade do anfitrião. Em determinado momento, Boy ausentou-se por alguns minutos e Page, distraído, deixou cair [música] um copo de vinho tinto sobre uma almofada de cetim. Quando o cantor regressou, o guitarrista tentou convencê-lo de que a responsável pelo acidente fora Ava [música] Cherry, embora ela nem sequer estivesse presente na sala naquele instante.

 A mentira e a atitude evasiva do visitante [música] irritaram profundamente boi. Ele, que já não tinha conseguido descobrir os segredos obscuros de Peja, sentiu-se tão afrontado que pediu para o guitarrista deixar o [música] apartamento imediatamente. A resposta de Page foi apenas um sorriso sarcástico, o que enfureceu Boe ainda mais.

 E então, tomado pela raiva, B ordenou que Page, nas suas palavras, se disparasse pela janela. Impassível como um verdadeiro lord britânico, o líder do Led Zaplin, com o mesmo [música] sorriso no canto da boca, ter-se-á levantado, caminhou até à porta principal e saiu em silêncio. Após o estranho episódio, Bwy, tomado pelo pavor, passou a acreditar que o guitarrista estava usando magia negra para o controlar à distância.

 E acreditava que Pade estava a usar a sua magia contra ele. Sua a paranóia descontrolou-se. Ele enfeitou as janelas da sua casa com símbolos protetores. Ele guardava bolas em jarros da sua própria urina pela casa. Ele pensou que se Page ou algum destes demónios alienígenas ou U que fossem conseguissem apanhá-lo, usariam contra ele.

Dias depois [música] mandou um assistente realizar uma espécie de ritual de purificação, espalhando sal e cruzes brancas. por todo o apartamento. Há quem diga que o músico chegou a contratar novamente os serviços de um exorcista, convencido de que forças demoníacas enviadas por Jimmy Page estariam a tentar alcançá-lo.

O facto é que, pelo menos publicamente, os astros nunca se reconciliaram. Se o encontro de David Boy com Jamie Page foi um duelo de titãs, o seu colaboração com o músico e conterrâneo Brian Enel foi uma aliança de alquimistas. A parceria que gerou obras-primas experimentais como a antológica trilogia de Berlim e a estranha ligação com o além de que ambos partilhavam foi marcada por acontecimentos inexplicáveis.

Um laço que os uniu até ao fim. A primeira experiência sobrenatural documentada envolvendo Bowy e Brian Inel teve lugar no lendário Chateau do Roville, um castelo francês do século XVI, conhecido tanto pela sua acústica perfeita quanto pelas suas lendas inquietantes. Foi aí, em 1976, que os dois, acompanhados pelo produtor Tony Visconte gravaram o álbum Low, um disco que, segundo muitos, nasceu de algo que ultrapassava o limite humano da inspiração.

Construído sobre as ruínas de um antigo convento medieval, [música] o chatô era tudo menos um lugar-comum. Havia rumores de que sob os seus alicerces repousavam ossadas de freiras e monges, o que ao longo [música] do tempo rendeu inúmeros relatos perturbadores. Dizia-se que os espíritos de Frederic Chopan e George Sen, que ali viveram [música] momentos de paixão e tormento criativo, ainda deambulavam pelos corredores, deixando no ar o perfume de velas queimadas e tinta seca.

 Outros funcionários do estúdio falavam de um jovem casal que teria perdido a vida em um incêndio no século XIX e que em certas madrugadas podiam ser vistos dança no salão de festas. Logo nos primeiros dias, [a música] uma sensação pesada tomou conta do grupo. Bo, visivelmente abalado, recusou-se a dormir no quarto principal da mansão.

Dizia que havia um canto que sugava a luz para dentro de si, um ponto frio e silencioso, onde algo, uma presença invisível, observava-o sem descanso. [música] Ele preferiu um pequeno quarto no sótam, onde mesmo envolto em escuridão, [a música] sentia-se menos observado. Brian Eno teve experiências ainda mais perturbadoras.

Certa noite, [a música] acordou subitamente com o toque leve de uma mão sobre o ombro. Ao virar-se, o quarto estava completamente vazio, apenas o som distante das madeiras a estalar no corredor. Isto se repetiu por várias madrugadas, sempre à mesma hora. O produtor Tony Visconte confirmou sentir o mesmo tipo de opressão no ar, descrevendo o [música] castelo como um lugar que respirava por conta própria, preenchido por uma energia antiga e opressora.

Aquela atmosfera, em vez de afastar os músicos, pareceu infiltrar-se na música. Low [música] nasceu sombrio, fragmentado, hipnótico, como se o próprio castelo entoasse as melodias. As notas ecoavam pelos corredores e regressavam distorcidas, carregadas de um melancólico tom espectral. Boe diria [música] mais tarde que aquele som não vinha da mente dos músicos, mas das almas, no plural mesmo.

A parceria entre a [música] B e a Eno desde ficou então marcada por essa vibração sobrenatural, uma sintonia que [a música] parecia operar noutra frequência, onde a arte e a espiritualidade confundiam-se. Anos depois, essa ligação terminaria de forma igualmente misteriosa. [música] Uma semana antes de falecer, B enviou o Eno um último e-mail.

 [música] O tom era leve, cheio de trocadilhos e humor, como sempre, mas a última [música] frase parecia um prenúncio. “Obrigado pelos nossos bons momentos, Brian. [música] Eles nunca irão apodrecer.” B parecia ter desenvolvido um sexto sentido para lugares marcados por presenças invisíveis. Era como se o artista procurasse de forma incoerente [música] locais que guardavam ecos de outras vidas, espaços onde o passado e o sobrenatural ainda respiravam.

Entre esses lugares estava o rei Don, o mansão vitoriana que se tornaria o primeiro grande lar de B em [música] Londres. O palacete, com os seus corredores estreitos, vitrais coloridos e escadarias que rangiam como lamentos, albergava não só a sua rotina criativa, mas por detrás da fachada de criatividade pulsante, outra moradora, muito mais antiga e silenciosa, deambulava pelos corredores e escadarias.

 A energia caótica dos músicos e artistas despertou uma presença que em breve se tornaria parte da mitologia da casa. Um fantasma conhecido por eles como a senora Grey ou [música] a Dana Cinzenta. Os relatos mais vívidos e diretos vieram das duas pessoas talvez mais próximas de B na altura.

 A sua esposa Andy Boe e o seu produtor e amigo Tony Visconte. Ambos afirmaram ter tido encontros claros e inequívocos com o espectro. Eles descreviam a aparição da mesma forma. Uma figura etéria de feições tristes, [música] vestida com trajes de época, que manifestava-se principalmente no fim do corredor do piso superior [música] e no imponente escadaria principal.

Mas Heiden Hall [música] seria apenas mais um de muitos lugares marcados por presenças que pareciam [música] segui-lo. De cidade em cidade, as aventuras do cantor, ator e compositor se multiplicavam. da pequena Brixton em Inglaterra, onde nascer em 1947, passando [música] por Berlim, Genebra, Índias Oentais e até pelo Brasil.

 B continuava a colecionar [música] sucessos, fracassos e muitas histórias. Mas talvez a mais intrigante das [música] viagens de David Bw tenha sido precisamente a última. Em 10 de janeiro de 2016, [música] o camaleão do rock embarcou no seu derradeira travessia. vítima de um cancro no fígado [música] que o astro descobriu tarde demais.

 Mas esse não seria um final digno para a história do primeiro [música] e único camaleão do rocha. Desde a sua partida, inúmeros relatos ao redor do mundo garantem [música] que o espírito de David Bwinda circula pelos locais que ele mais amava. Há relatos de que o espírito de Bowie assombra a ilha cariha de Mustique, onde possuía uma residência.

 O conceituado jornalista Dylan Jones, autor da biografia do músico, dedicou parte do livro aos inúmeros relatos de aparições de Boei na ilha. Em várias ocasiões, o seu espírito foi visto em locais que frequentava em vida, como o Basels Bar e o Cotton House Hotel. Estranhamente, os relatos partiram de pessoas diferentes e sem qualquer ligação, reforçando a ideia de que a energia de Boei continuava presente.

 A ligação com o espírito de Boe foi mais do que uma experiência sobrenatural. Foi a constatação de que neste mundo há muito mais do que os olhos conseguem ver. Sabemos que nos deixou em 2016, mas será que é isso mesmo? Há quem diga que não. Em Londres, por exemplo, lá em Camdenown, onde adorava passear nos anos 70, os fãs juram a pés juntos que já viram a silhueta dele refletida nas montras e não se fica por aí.

 Em Berlim, nas noites mais geladas, rola a história de que uma figura de sobretudo e chapéu é vista a fumar em frente ao antigo apartamento dele. E o mais bizarro, quando encaram, a pessoa simplesmente desaparece no ar. Já em Nova Iorque, nos estúdios The Magic Shop, onde Boy gravou o seu último álbum Blackstar, os técnicos de som contam que nas madrugadas silenciosas ouvem fragmentos de voz nos fones, como se fossem sussurros de músicas inéditas.

 Coincidência? Ou será que o camaleão realmente nunca nos deixou? Alguns céticos atribuem estes fenómenos [música] à sugestão, à saudade ou ao poder quase místico que a sua presença exerceu sobre gerações [música] inteiras. Contudo, para os que acreditam, estas aparições são a prova de que B atravessou o véu, mas ainda nos vem visitar de [música] vez em quando.

Talvez o camalhão do rock tenha feito o que sempre fez melhor. Mudar de [a música] forma, reinventar-se e continuar a observar-nos agora de um plano onde tudo reluz de um modo sobrenatural. [música] [música] E acredita que Boe ainda caminha entre nós? Estamos ansiosos para ouvir a sua opinião.

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