VOCÊ VAI DESCOBRIR 14 FILHOS DE FAMOSOS BRASILEIROS QUE SÃO GAYS E AS HISTÓRIAS ASSUSTADORAS POR
Neste vídeo vai descobrir 14 filhos de famosos brasileiros que são gays e as histórias assustadoras e tremendas que precisa de conhecer. Um jovem passou três meses inteiros sem receber uma chamada, uma mensagem, uma palavra sequer do próprio pai. um dos jornalistas desportivos mais conhecidos da TV Globo.
Três meses de silêncio absoluto. Não porque brigaram por dinheiro, não porque tenha havido traição, não porque alguém fez algo de errado, mas porque o filho lhe tinha dito quem era. Outro contou que a mãe o quis levar para um processo de exorcismo quando descobriu a sua sexualidade em 2026 no Brasil. Um exorcismo.
Mas também tem o pai que, ao saber que o filho namorava um homem resolveu a conversa em 2 minutos. 2 minutos? E disse depois para qualquer câmara que quisesse ouvir: “Quero que seja feliz nas opções dele, que seja o ser humano belo que é.” e tem um ex-pugilista ídolo nacional que em 1992, décadas antes de qualquer debate público sobre o tema, olhou para as câmaras e disse que a homossexualidade era um dom.
E o filho deste homem estava vivo para confirmar no dia do velório que o pai nunca em momento algum agiu de forma diferente do que disse. E hoje vais conhecer 14 histórias reais de filhos de famosos brasileiros que fazem parte da comunidade LGBTQ mais. Todas confirmadas com o próprio punho de quem viveu em entrevistas e declarações públicas verificadas.
Sem especulação, sem boato. Só o que foi dito pelos próprios com nome e apelido fica até ao fim, porque a última história desta lista foi guardada de propósito e vai perceber porqu lá. Deixa já o like, subscreve o canal Docilar, ativa o sininho, porque esta é uma daquelas listas que mostra o quanto a fama não altera o essencial.
Por trás de cada nome famoso, existe uma família real com as suas dores e os seus amores. Número 14, Leat, filha de Toninho Cerezo. Antes de começar a contar esta história, preciso que me compreender o que significa ser filha de Toninho Cerezo no Brasil. Toninho Cerezo foi um dos meiampistas mais respeitados do futebol brasileiro dos anos 80.
aquele tipo de jogador que o Brasil produzia com uma naturalidade quase ofensiva, com técnica, visão de jogo e qualidade que fazia as outras seleções pararem para observar. Jogou em clubes importantes no Brasil e na Europa. Representou a seleção brasileira em momentos históricos e ficou marcado na memória de quem acompanhou aquela geração como um dos grandes do meio-coampo nacional.
Leat é filha dele e é uma mulher trans que se tornou modelo de fama internacional. A história de Leia não foi simples. Crescer sendo trans no Brasil dos anos 90 e 2000, sendo filha de um ídolo do futebol num desporto que ainda carrega tantos preconceitos dentro e fora de campo, era uma pressão de múltiplos lados ao mesmo tempo.
Havia a pressão da família, que vinha de um universo altamente masculinizado. Havia a pressão da exposição, porque o apelido cerezo era conhecido. E havia a pressão interna de uma pessoa que tenta compreender quem era num contexto que não oferecia muito espaço para que descoberta.
Lea foi para a Europa e foi lá longe do Brasil, longe do futebol do pai, longe do peso de um apelido que carregava expectativas muito específicas, que ela encontrou o espaço para ser quem era verdadeiramente. E quando se revelou [a música] ao mundo como mulher trans, fê-lo de um jeito que atravessou fronteiras.
Leat tornou-se modelo de fama internacional. estampando campanhas de grandes marcas pelo mundo, sendo fotografada por nomes consagrados da moda e tornando-se uma das vozes mais conhecidas quando o assunto é a transgeneridade. Ela sempre falou com uma honestidade que ajudou a abrir portas a outras pessoas transcluiu sistematicamente.
E o pai Toninho Cerezo foi questionado sobre a filha em entrevistas. Nunca negou, nunca se esquivou-se, nunca tratou o assunto como vergonha. O tempo e o amor fizeram o trabalho que a pressão social tentou impedir. Leat não é apenas filha de um ex-jogador de futebol. É uma mulher que foi mais longe do que qualquer defesa conseguiu travar.
Número 13, Juan Freitas, filho de Popó, Acelino Freitas. Popó, tetra, campeão do mundo de boxes, um dos maiores lutadores que o Brasil já produziu. Um homem que passou a vida inteiro rodeado de ringues, luvas, golpes, masculinidade em cada canto do ambiente onde construiu a sua carreira. E este homem fala do filho gay com um orgulho que constrange os preconceituosos de uma maneira, que nenhum discurso político consegue.
Juan Freitas é um dos seis filhos de Popó. assumiu-se gay para a família ainda na adolescência aos 16 anos. contou ao próprio pai que sentia atração por meninas e meninos e esperou pela reação de um campeão de boxes com toda a ansiedade que qualquer jovem tem nesse momento. Popó viu-o e ficou do lado.
Não foi uma aceitação imediata e perfeita sem qualquer processo. Seria desonesto dizer que foi simples do princípio ao fim, porque as mudanças de perspectiva em adultos criados dentro das estruturas tradicionais raramente são lineares. Mas o que Popó demonstrou ao longo do tempo foi inequívoco. Juan chegou ao último ano da faculdade de medicina, construiu uma vida plena e Popó fala do filho em entrevistas com um carinho que não precisa de palavras forçadas a ser real.
No podcast No Flow, Popó contou que os dois já saíram juntos para locais virados ao público LGBTQIA+, que chegou a posar sorridente ao lado do namorado do filho, chamando-o carinhosamente de Genro, que o filho é o seu orgulho, pensa bem, um tetra campeão do mundo de box apresentando o Genro Gay com orgulho no Brasil.
Esta é a história de Popó e Juan. E ela é mais poderosa do que qualquer golpe que Popó nunca desferiu. Número 12, Kenui Molito, filho de Cadu Molito. Cadu Moliterno foi um ícone da televisão brasileira dos anos 80. Aquele tipo de rosto que entrou na sala de todo o Brasil através das telenovelas, com aquela presença que os galãs da época tinham e que as câmaras amplificavam de uma forma que o público não esquecia.
O filho Kenui chegou à adolescência e aos 17 anos tinha algo para dizer. Se revelou gay à família. Com 17 anos, aquela idade em que ainda está a construir quem é, em que o mundo em redor parece ao mesmo tempo muito grande e muito pequeno, em que a reação das pessoas que ama pode definir como se vai relacionar com a sua própria identidade para os anos seguintes.
Cadorno não precisou de tempo para processar. descreveu a reação em entrevistas com uma naturalidade que ele próprio reconhecia como simples, daquelas simplicidades que deveriam ser óbvias, mas que no Brasil ainda hoje não são garantidas para todo o filho que decide se abrir com a família. “O que realmente importava era a felicidade dele”, disse Cadu. E foi o que ficou.
Ken não seguiu o percurso das câmaras que cercaram o pai. Formou-se em gestão e conservação da vida selvagem. Vive nos Estados Unidos, atua como militante da causa LGBTQ mais, ajudando outras pessoas a para enfrentarem o que ele um dia também enfrentou, mesmo tendo tido a sorte de um pai que não precisou de ser convencido de que o amor não tem condição.
O ator que foi galã dos anos 80, criou um filho que escolheu lutar por pessoas que ninguém filmou. Número 11, Alexandre Mortágua. Filho de Edmundo e Cristina Mortágua. Esta história é mais complicada e o canal Docilar vai contar ela completa, sem esconder as partes que são difíceis. Alexandre Mortágua é cineasta, é filho do antigo avançado Edmundo, um dos jogadores mais polémicos e mais talentosos do futebol brasileiro, e da ex-modelo Cristina Mortágua, um dos maiores símbolos dos media adultos brasileira dos anos 90. Alexandre é gay.
E quando contou isto à mãe, Cristina reagiu querendo submetê-lo a um processo de exorcismo. Ele relatou este episódio com franqueza em entrevistas ao longo dos anos, sem amenizar o sucedido, sem perdoar publicamente o que não estava pronto para perdoar. Em 2011, quando Alexandre aterrou para uma revista gay, o ambiente familiar tornou-se ainda mais tenso.
Chegou a acontecer um desentendimento numa esquadra do Rio de Janeiro, nível de conflito que qualquer filho que já precisou de defender a sua própria identidade para a família vai compreender sem necessitar de mais detalhes. Com Edmundo, o pai, a relação também nunca foi próxima. Edmundo, segundo relatos que circularam ao longo dos anos, sempre manteve distância do filho, mas o tempo fez parte do trabalho que as pessoas não faziam.
A relação entre Alexandre e A Cristina foi-se reorganizando. As feridas não desaparecem, mas algumas cicatrizam. E a família que existia no início da história foi encontrando aos poucos um modo de existir diferente do inicial. Alexandre tornou-se cineasta, escolheu contar histórias e talvez não seja a coincidência que o filho de pais tão expostos, que viveu uma história tão exposta, tenha encontrado na câmara do lado de trás um lugar mais seguro para estar.
Número nove, Valentina Schmidh, filha de Tadeu Schmith. Tadeu Schmith é o apresentador mais associado hoje ao Big Brother Brasil. Aquele homem que chora de verdade em cada eliminação, que faz o público sentir que está assistindo a alguém que genuinamente se importa [a música] com o que está a acontecer no ecrã, que entrou nas casas brasileiras com uma presença que mistura jornalismo, desporto e emoção de uma forma difícil de replicar.
E esse mesmo homem, quando a filha mais velha, Valentina, então com 19 anos, revelou publicamente em 2021 se identificar como queir, reagiu de um forma que ele próprio descreveu em entrevista como quase decepcionante de tão simples. A resposta dele foi perguntar o que tinha para o almoço, sem drama, sem conversa longa, sem choro ou processo de aceitação que necessitasse de ser narrado em rede nacional.
A filha contou quem era, o pai perguntou o que tinha para o almoço e a vida continuou. Esclareceu depois que a única preocupação real que carrega é com o preconceito que Valentina pode encontrar lá fora. Não dentro de casa, nunca dentro de casa, mas no mundo que às vezes não sabe acolher o que é diferente do padrão esperado.
Valentina, hoje atriz, anunciou recentemente noivado com o psicólogo Cristiano Donnel, celebrando mais de 4 anos de relacionamento. uma jovem mulher a construir a sua vida, amada pela família, seguindo em frente. E o pai, que chorou em cada eliminação do BBB, nunca teve de chorar pelo amor à filha, porque esse amor nunca foi posto em questão.
Número oito, Camille Victória, filha de Jandi e Carla Perez. Jandi e Carla Perez são um dos casais mais tradicionais e acarinhados do universo, do aché e do forró brasileiro. Uma das presenças mais reconhecíveis do Brasil, construída ao longo de décadas de carreira e de família pública que o Brasil acompanhou crescer. A filha Camille Victória vive um relacionamento com a haitiana Da e o próprio Shandi fez questão de tornar esse apoio público de uma forma que não deixou espaço para a interpretação. Publicou fotos de família
ao lado da namorada da filha. escreveu que os filhos do casal são livres para fazer qualquer escolha que conduzi-los à própria felicidade. Reforçou que ele e Carla criaram os filhos na base do amor e do respeito, sem qualquer tipo de condição. Sem condição, esta é a frase que importa.
Porque há famílias que amam, mas com condição, que ficam do lado, mas só se o filho escolher o caminho esperado, que abraçam, mas com um silêncio que diz claramente que aquele abraço tem um limite. Xand Carla escolheram o amor sem limite e fizeram questão de mostrar que publicamente, porque não havia por esconder.
Número s, Thago Abravanel, neto de Sílvio Santos. Thiago Abravanel é ator, cantor e neto do apresentador Silvio Santos, um dos homens mais poderosos da televisão brasileira de todos os tempos. O Silvio Santos, que criou o SBT, que marcou gerações, que construiu um império a partir do zero, com a força da própria personalidade.
Em 2018, Thiago declarou-se gay publicamente num momento de grande impacto nacional. revelou ao lado da própria mãe Ctnia Bravel que descobrir a A própria sexualidade não foi um processo simples. Contou que sofreu, que não compreendia o que sentia quando se apaixonou-se por um homem pela primeira vez, que houve um caminho a ser percorrido antes de chegar a um local de paz consigo mesmo.
Hoje, Thiago vive um relacionamento de longa data com o produtor Fernando Poli. É abertamente gay, fala sobre o tema com naturalidade em entrevistas. e continua como um dos representantes mais visíveis da comunidade LGBTQI a mais dentro do próprio universo de uma das famílias mais tradicionais da televisão brasileira.
Sílvio Santos nunca se pronunciou publicamente de forma detalhada sobre a sexualidade do neto, mas Thago continuou na família, [a música] continuou amado, continuou presente e, por vezes, o que não é dito diz tanto [a música] como o que é. Número se Tamy Miranda, filho de Gretchin. Antes de continuar um esclarecimento que o próprio Tammy já fez questão de dar publicamente várias vezes.
Tam Miranda não é um homem gay. Ele é um homem transgénero, heterossexual. A sua identidade de género é masculina. A sua orientação sexual é heterossexual. Ele relaciona-se com mulheres. Esta distinção importa porque a confusão é frequente. E porque Tamy passou a carreira repetindo esta explicação com uma paciência que vai para além do que deveria ser necessário.
Filho da cantora Grettin, um dos maiores símbolos pop do Brasil. Tam declarou-se publicamente em 2006, quando ainda se apresentava como mulher, e em 2014 deu início formal ao processo de transição de género, incluindo terapêutica hormonal e cirurgia. A relação entre mãe e filho passou por momentos de tensão pública ao longo dos anos.
Gretchen, que não se coibiu de opinar publicamente sobre praticamente tudo ao longo da sua carreira, foi também atravessando o seu próprio processo de compreensão, o que é justo reconhecer. Compreender a transgeneridade, sobretudo no Brasil dos anos 2000, exigia um esforço que nem todo o pai ou mãe estava preparado para fazer.
Hoje Tam é casado com Andressa Ferreira e pai do pequeno Bento. Atua como ator, cantor e mais recentemente como vereador em São Paulo. A relação com Gretchen é descrita hoje como próxima. Ele percorreu um caminho longo e chegou onde quis. Número cinco, Bruno Fagundes, filho de António Fagundes. António Fagundes, 60 anos de carreira, um dos mais respeitados atores e mais queridos da televisão brasileira de todos os tempos.
rostos, vozes, personagens que ficaram na memória do Brasil como marcas permanentes. O filho Bruno, também ator, que aparece nas telenovelas da TV Globo como Volta por cima, assumiu-se gay aos 15 anos para os pais. 15.º Em ambiente familiar, não publicamente. Isso veio anos depois, quando Bruno publicou uma foto com o namorado da altura nas redes sociais.
Mas dentro de casa, desde os 15 anos, nunca houve segredo. No meu âmbito íntimo, com os amigos e a família, nunca foi tabu. Não escondia absolutamente de ninguém. Não vivi vida dupla, disse Bruno em entrevista. E acrescentou algo que dói e reconforta o mesmo tempo.
Mas no âmbito público, sempre fui aconselhado a fazer isso. Sempre me disseram que eu ia falhar por ser gay. A pressão que vinha do mercado, não da família. do mercado que ainda acredita que A orientação sexual é variável de carreira. António Fagundes, quando a entrevista sobre o assunto chegou até ele em 2026, foi diretamente da forma que só quem tem 60 anos de palco consegue ser.
Fomos criados dentro desta sociedade horrível, dentro do machismo, da misoginia, do patriarcalismo, da homofobia, mas tive uma facilidade por ter começado a fazer teatro muito pequeno, oportunidade de discutir tudo isto a a partir dos 12. A cabeça foi abrindo ao longo destas décadas todas e sobre a conversa com o filho, Bruno apanhou, mas já menos do que eu, um pouco dessa carga.
E o receio que ele houve no início veio daí, mas foi uma coisa que em 2 minutos de conversa se resolveu. 2 minutos, 60 anos de carreira e 2 minutos para resolver o que os outros pais levam décadas a tentar processar. Quando processam, quero que seja feliz nas opções dele, que seja o ser humano lindo que é.
Esta frase de Antônio Fagundes não precisou de argumentista, veio de um pai e é perfeita da forma como as coisas perfeitas são, simples, direta e verdadeira. Número quatro, Gabu, filho de Solimões Gabriel Silva. Felizardo, artisticamente Gabeu, é filho do cantor sertanejo Solimões, da tradicional dupla Rio Negro e Solimões.
O sertanejo, aquele sertanejo raiz de rodeio, de boiadeiro, de valores tradicionais que o género carrega juntamente com a música, não seria o ambiente mais óbvio para um artista gay assumido. Gabel não se importou com o ambiente esperado, se assumiu gay para a família aos 16 anos. O pai, segundo o próprio Gabel, percebeu que o filho era gay quando este tinha apenas 8 anos.
8 anos. E nunca tratou o filho de forma diferente por causa disso. Nunca. Em nenhum momento. Quando o Gab voltou com 18 para contar o que o pai provavelmente já sabia, a reação de Solimões foi fazer perguntas. “Qual a diferença entre gay e homossexual?”, perguntou o pai sertanejo.
E o filho de 16 anos deu uma aula ali na sala de casa sobre terminologia, sobre a identidade, sobre o que significavam as palavras que o pai queria compreender. O que admiro no meu pai é que muitos tratam o assunto como tabu e nem sequer falam sobre o assunto, mas o meu chega para mim e pergunta as coisas descaradamente, contou Gabel.
Fig Gabu é um dos precursores do Quirnejo, uma vertente do sertanejo que representa artistas e público LGBTQ e AMA dentro de um género historicamente tradicional. Em 2022, o seu álbum de estreia foi nomeado para o Gramy Latino na categoria de melhor álbum de música sertaneja, concorrendo ao lado de Chitãozinho e Chororó, um filho assumidamente gay, nomeado para o Gramy Latino, no mesmo género do pai que nunca deixou de apoiá-lo.
Esta é a história de Solimões e Gabeu, que prova que o sertanejo também se enquadra dentro de um universo maior do que o estereótipo que lhe foi colado. Número três, Luke Taz, filho de Marcelo Taz. Marcelo Taz é jornalista, apresentador, ator, argumentista. Uma das figuras mais criativas e mais intelectualmente inquietas da televisão brasileira, conhecido por programas como TV Pirata, Caceta e Planeta, Roda Viva, entre outros.
Um comunicador que sempre se posicionou criticamente sobre o Brasil, sobre política, sobre cultura e um pai que, quando o filho foi revelando quem era, atravessou o processo com uma presença que [a música] ele próprio descreveu como parte de uma geração de pais que soube acolher de uma forma diferente do que os pais deles fizeram.
Luke Tas é um homem trans, nasceu mulher, identificou-se como bissexual aos 15 anos e decidiu fazer a transição de género aos 22. O processo todo, com todos os seus capítulos, aconteceu com o apoio constante do pai. Tenho muita sorte. A realidade é que a minha família sempre me apoiou em tudo.
Eu disse-lhe que era o B quando ainda era muito novo e eles nem piscaram”, disse Luke em entrevista à revista Crescer em 2014. e sobre a transição. Hoje em dia, usam sempre os pronomes certos para se referir a mim e ao meu nome. Marcelo Taz, por sua vez, disse algo que ficou: “Creio que faço parte, talvez de uma primeira safra de pais que souberam acolher e tratar com mais naturalidade a questão de forma transparente.
Primeira colheita, como se fosse um plantação, como se houvesse pais que estavam a aprender a cultivar um forma diferente de amar. Antes que esse jeito se tornasse o esperado, Luke é hoje advogado e vive nos Estados Unidos. A família que o criou atravessou com ele cada etapa de quem foi se tornando.
E Marcelo Taz, que passou a vida questionando o Brasil em público, praticou dentro de casa o que pregava nas câmaras. Número dois, Morena Maria, filha de Solange Couto. Solange Couto é uma das atrizes mais acarinhadas da televisão brasileira. ficou marcada na memória do público, principalmente pelo papel de dona Jura no programa O Clone da A TV Globo, aquela personagem que entrou nas casas brasileiras com uma presença forte, engraçada e humana, que o público nunca esqueceu completamente.
Em 2013, a filha de Solange, morena Maria, foi ao extra e revelou algo que a mãe já sabia. Era bissexual e namorava com uma mulher. Morena contou como foi o processo de se revelar para a mãe com uma honestidade que cortou. Quando contei à minha mãe, foi um susto. Chegámos a ficar um pouco magoada uma com a outra, porque ela achou que eu estava a esconder algo, mas não.
Na verdade, não conseguia assumir nem para mim própria esta frase. Esta frase diz algo sobre o que é mais difícil em qualquer processo de revelação de identidade. Antes de contar para alguém de fora, a pessoa precisa conseguir contar a si própria. E às vezes este processo interno é o mais longo e o mais doloroso de todos.
Solange não escondeu que teve um momento de surpresa e essa honestidade sobre o processo é tão importante como o apoio final, porque mostra que a a aceitação não é sempre instantânea, que adultos criados noutros contextos também precisam de tempo e que o amor pode atravessar esse tempo. Morena Maria, anos depois estava casada com uma mulher.
E Solange Couto celebrou-o publicamente com o carinho de mãe que conhece a filha melhor do que ninguém. Número um, Júnior Azura, filho de Maguila. E agora chegamos ao número um, aquele que o canal Docilar Lar guardou para o fim. Aquele que o vai fazer pausar por um segundo depois de ouvir. Não porque seja o mais polémico, não porque tenha o maior conflito, mas porque é o mais emocionante.
E os mais emocionantes merecem o último lugar. José Adilson Rodrigues dos Santos. Maguila, um dos maiores pugilistas que o Brasil já produziu. Um homem que veio da pobreza profunda, que aprendeu a lutar antes de aprender muita coisa, que chegou ao topo da box mundial com as mãos que a vida lhe deu e com uma garra que não tinha explicação técnica.
Paguila faleceu em março de 2024, aos 66 anos, após anos de batalha contra uma doença neurológica degenerativa. O filho, Júnior Azura, é gay assumido. É artista, ativista, apresentador do podcast Gordosfera. Construiu ao longo da vida uma relação de aceitação total com o pai.
Mas o que fez esta história ficar na memória de quem a conhece não foi o apoio que [a música] Maguila demonstrou no final da vida. Foi o que disse em 1992. Em 1992, quando o Júnior era ainda criança, quando qualquer debate público sobre diversidade de género e sexualidade no O Brasil sequer existia como conversa de mesa de jantar.
Numa entrevista televisiva, Maguila foi questionado sobre o que pensava da homossexualidade. E ele respondeu sem hesitação, sem consultar nenhum assessor, sem calcular as consequências do que ia dizer, com o vocabulário simples e direto, que era o único que tinha e que naquele momento era tudo o que precisava de ser.
disse que não era doença, que a pessoa já nascia com aquele dom, que ninguém poderia [a música] ser contra isso. Um campeão de boxes, sem estudo formal, segundo as suas próprias palavras, em 1992 já via com uma clareza que muita gente em 2026 ainda não alcança. Quando Maguila faleceu em 2024, foi o próprio Júnior quem publicou aquele vídeo antigo nas redes sociais como homenagem final.
A gravação de 32 anos antes, com o pai jovem e forte, dizendo em voz alta o que o filho precisaria de ouvir ao longo de toda a vida. Orgulho ter um pai que sempre me aceitou e respeitou, mais do que um herói nacional, meu pai. O vídeo tornou-se viral de novo. Décadas depois de ter sido gravado numa qualquer entrevista de televisão, ele encontrou nova vida nas redes sociais de um filho que queria mostrar ao mundo de quem era filho.
E o Brasil inteiro parou para ver. Porque aquele vídeo gravado em 1992 envelheceu melhor do que a maioria dos coisas ditas depois dele. Envelheceu melhor do que os preconceitos que teimam em não passar. envelheceu melhor do que os discursos elaborados de quem devia saber mais do que Maguila sabia. E é esse o número um dessa lista.
Um homem que, sem cartilha, sem discurso ensaiado, sem movimento social por trás, compreendeu uma coisa simples, que amor de pai não necessita de condição para existir. 14 histórias, 14 filhos, 14 famílias reais com alegrias, dores, tempo, reconciliações, silêncios, abraços tardios e abraços que nunca tiveram de esperar.
Agora a pergunta que fica é sua. Qual destas 14 histórias mais te tocou? a que já conhecia ou a que descobriu agora. Acredita que declarações públicas de apoio, como as de Popó, Xandi, Tadeu Schmid e António Fagundes, ajudam a mudar a forma como o O Brasil vê este assunto? Ou ainda são demasiada exceção para [a música] mudar o quadro geral? E pensando nas histórias mais difíceis desta lista, como a de Pedro Escobar e Alexandre Mortágua, pensas que o tempo é capaz de curar este tipo de ferida familiar?
Deixa aqui a tua resposta em baixo, porque estas histórias só fazem sentido completo quando o público faz parte delas. Se este vídeo te emocionou, deixa o like, subscreve o canal Docilar, ativa o sino de notificações e partilha com alguém que acha que precisa de ouvir pelo menos uma dessas histórias.
Um forte abraço, até ao próximo vídeo. Guião produzido para narração vídeo do canal Docilar, baseado em declarações públicas verificadas dos próprios entrevistados e dos seus familiares. Fontes Consultadas, Observatório G, CNN Brasil, Jornal de Brasília, Caras Brasil, Terra, Metrópoles, Contigo, BH Fama, Jornal O Globo, revista Crescer, Extra, UAI, gay.blog.
br e declarações diretas concedidas pelos próprios entrevistados. M.