URGENTE, o STJ vai decidir hoje se Deolane sai da cadeia e a defesa criou um prisômetro

URGENTE, o STJ vai decidir hoje se Deolane sai da cadeia e a defesa criou um prisômetro

Enquanto vê este vídeo, tem um relógio na internet a contar os segundos que Deolane Bezerra está presa e foi a sua própria defesa que colocou este relógio no ar. Chama-se prisómetro. Está num site que os advogados criaram, o deulanverdades.com e a função dele é só uma. marcar segundo a segundo há quanto tempo a influenciadora está atrás das grades, como quem cobra à justiça, uma conta que não pára de subir.

 E hoje este relógio pode parar ou pode continuar correndo durante muito mais tempo. Porque a defesa de uma mulher acusada de ser o caixa de uma facção criaria um cronómetro público do tempo que ela passa presa? O que o Tribunal Superior de Justiça vai decidir hoje que nenhum juiz quis decidir antes? E se o único facto contra ela fosse mesmo um honorário de R$ 24.

000, como a defesa jura, por ela continua presa há tantos dias num estabelecimento prisional no interior de São Paulo? Eu vou mostrar-te exatamente o que a polícia diz ter encontrado na casa dela, incluindo um documento de 12 páginas e um carro de R$ 3.400.000. E vou mostrar-te o que a defesa respondeu, ponto por ponto, para que lhe decidir de que lado desta história se fica.

 E acha que este prisómetro é a defesa legítima de quem se diz inocente ou marketing de quem devia estar quieta? Deixa aqui em baixo antes de continuar. Hoje é terça-feira, 9 de junho, e a quinta secção do STJ tem na pauta o recurso que pode tirar Deolane, da penitenciária feminina de Tupi Paulista, onde está presa preventivamente, investigada, mas ainda não condenada por nada.

 guarda essa data porque é dela que tudo depende. Agora vamos começar pelo relógio, porque ele explica tudo o que mudou neste caso. Quando Deolane foi ali presa em Maio, a estratégia da defesa era a habitual: pedir abias corpos, recorrer, falar com a imprensa nos bastidores, esperar pela justiça responder. Estratégia de tribunal feita nos altos, longe dos olhos do público.

 Só que isso não funcionou. Um juiz de turno negou. O Tribunal de Justiça de São Paulo negou, o Supremo, através de um ministro, também negou. Cada porta que a defesa bateu voltou fechada e foi aí que a defesa mudou completamente de jogo. Em vez de continuar a lutar só no silêncio dos processos, os advogados de Deolan abriram uma nova frente à opinião pública.

 Criaram um site inteiro, o deolaneverdades.com, dedicado a defender a versão dela ponto por ponto. E no meio deste site colocaram o tal prisómetro, o cronómetro, que conta em tempo real, há há quanto tempo ela está presa. A cada segundo que passa, o número sobe no ecrã à frente de quem quiser ver. A mensagem por trás é direta.

 Olha quanto tempo esta mulher está presa por algo que, segundo eles, não justifica a prisão nenhuma. Pára e pensa no que isso significa como jogada. Um prisómetro não é uma peça jurídica. Ele não vale nada dentro de um processo. Nenhum juiz vai decidir nada olhando para um cronómetro de site. Então, para que serve? Serve para pressionar de fora.

 Serve para transformar o tempo de prisão num argumento emocional, visual, fácil de entender por qualquer pessoa que não não sabe nada de direito penal. É a defesa admitindo, na prática que a batalha não está a ser vencida só nos tribunais e que precisa do tribunal da internet também. Quando uma defesa monta uma campanha pública desta dimensão, é porque a situação processual é difícil.

As pessoas que estão a ganhar no processo não precisa de cronómetro nenhum e o site não pára no relógio. Ele traz um verdadeiro dossier com cerca de 30 pontos rebatendo a acusação. 1 a 1. A tese central é a que a defesa repete desde o primeiro dia. O único facto concreto que ligaria Deolane ao esquema seria o recebimento de R$ 24.

500, R que ela teria recebido como honorário advocatício no exercício da profissão de advogada. A defesa sustenta que cerca de 88% de tudo o que entrou na conta dela veio de empresas próprias ligadas ao mercado de apostas e que ela não abriu dezenas de empresas de fachada, como a polícia afirma, e sim seis ou sete empresas legítimas.

 O site chega a dizer, com todas as letras que o objetivo é contrapor a narrativa da imprensa sensacionalista com as provas técnicas que estariam nos autos. Agora, por que razão tudo isto vem à tona com tanta força precisamente agora? Porque hoje, Terça-feira, 9 de junho, a quinta turma do Supremo Tribunal de Justiça tem assinalado na agenda o recurso da defesa e este julgamento é diferente de todos os outros que vieram antes.

 Os Nãos que ela levou até agora foram decisões individuais de serviço, liminares, despachos rápidos de um juiz ou de um ministro sozinho, sem análise de fundo. O que acontece hoje é o primeiro exame de mérito num tribunal superior com um colegial de ministros olhando para o caso de verdade. Por isso, a defesa apostou todas as fichas nessa data.

 É a hipótese mais concreta que Deolan teve até agora de reverter a detenção. O que a defesa pede na prática é uma de duas coisas. ou a revogação da prisão preventiva, o que colocaria Deolane em liberdade enquanto o processo corre, ou, no mínimo, a conversão da preventiva em prisão domiciliária, com base no facto de ela ser mãe de uma criança pequena, uma menina de 9 anos.

 A legislação brasileira prevê, em alguns casos, que as mães de filhos até aos 12 anos cumprano e legalmente válido. E foi a carta mais forte que a defesa guardou. O problema é que esta carta começou a perder força. E eu explico-te o porquê mais paraa frente, porque tem a ver com tudo o que a polícia diz ter descoberto mais tarde. Enquanto isso, Deolan continua presa na penitenciária feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo, a centenas de quilómetros da capital.

 Por ser advogada com inscrição na ordem, ela tem direito a ficar numa sala de estado-maior, separada das outras presas comuns. É um pormenor que parece pequeno, mas que diz muito sobre a ambiguidade desta história inteira. A mesma cédula da OAB que a defesa utiliza para dizer que ela só recebeu honorários é a que lhe garante um tratamento diferenciado dentro do presídio.

 Advogada o suficiente para ter cela especial. advogada o suficiente para dizer que o dinheiro era honorário. Este duplo papel de advogada e de investigada está no centro de tudo. Teve um momento no final de maio que mostrou que a própria defesa entendeu a gravidade do que vinha pela frente. No no dia 27 de maio, Deolan foi levada a um novo depoimento na polícia e por orientação dos advogados, ela ficou em silêncio.

 Não respondeu, não entregou as senhas dos telemóveis apreendidos. Quem acompanha um caso criminal sabe ler este gesto. Ficar calado é um direito e às vezes é a decisão mais inteligente, mas é também o gesto de quem percebeu que cada palavra ali dita podia tornar-se prova contra ela. A mulher que vivia a falar, que construiu um império em cima de dar palpite sobretudo, escolheu o silêncio no momento mais decisivo e nesse mesmo período assumiu à defesa um dos nomes mais respeitados do direito penal brasileiro, o professor Auri Lopes Júnior, que passou a tratar a prisão

como ilegal e exagerada. E esse pormenor importa mais do que parece. Auri Lopes não é um advogado qualquer de celebridade. É um dos maiores estudiosos de processo penal do país, autor de livros que se estudam numa faculdade de direito, uma referência académica. Quando alguém deste calibre assume um caso, são enviados dois recados ao mesmo tempo.

 O primeiro é que a família está disposta a pagar pelo que há de melhor. O segundo, mais subtil, é que o caso entrou num patamar técnico em que cada detalhe processual vai ser brigado milímetro a milímetro. Trazer ailopes é trazer artilharia pesada. E ninguém chama artilharia pesada para uma luta que acredita que vai ganhar facilmente. Então, é este o tabuleiro de hoje.

 De um lado, um relógio a correr na internet, um dossier de 30 pontos e uma defesa de peso pedindo liberdade. Do outro, uma investigação que não para de crescer e que, semana após semana, joga na mesa coisas novas, cada uma mais pesada que a anterior. E é exatamente isso que a polícia diz ter encontrado, que eu vou mostrar-te agora.

 Porque sem compreender o que está do outro lado da balança, o prisómetro é apenas um número a subir na tela. Com o que vem agora, este número ganha outro peso. No dia 29 de maio, a A Polícia Civil de São Paulo concluiu um relatório complementar que alterou o patamar do caso. Até então, Deolan era investigada, presa preventivamente, mas sem uma acusação formal fechada.

 Com esse relatório, foi indiciada junto com Marcola e mais cinco pessoas por integrar organização criminosa armada e por branqueamento de capitais. Indiciamento não é condenação, e faço questão de repetir isso, porque é fácil confundir. Indiciar é a polícia dizer formalmente: “Para nós, há indícios suficientes de que essa pessoa cometeu esses crimes.

” Quem decide se ela é culpada é a justiça lá à frente, depois de um processo inteiro. Mas o indiciamento pesa porque é a polícia a bater o martelo da própria conclusão. E a conclusão da polícia sobre Deolani é dura. Segundo os investigadores, ela seria, nas palavras que vazaram do relatório, o verdadeiro caixa da facção.

 Esta expressão caixa da facção é o cerne da tese da acusação. A ideia que a polícia defende é a de que Deolane utilizaria a imagem pública dela, a fama, a profissão de advogada e as empresas dela como uma fachada respeitável para movimentar dinheiro do crime organizado. Segundo o relatório, ela terá movimentado mais de R$ 40 milhões de reais como pessoa singular.

 É bom deixar claro novamente. Isto é o que a polícia afirma. A defesa nega tudo. Diz que o dinheiro tem uma origem lícita, que vem das empresas de aposta dela e da advocacia. As duas versões estão em cima da mesa e o que te vou contar agora são as peças que a polícia colocou para sustentar a versão dela.

 A primeira peça é a mais cinematográfica de todas. Na casa de Deolani, dizem os investigadores ter encontrado um documento de 12 páginas com um título que parece um guião de filme, cronograma estratégico e estruturação corporativa, grupo Deolane. Segundo a polícia, este documento seria um passo a passo organizado e detalhado de como ocultar bens e dinheiro através de holdings e empresas.

 Pensa no peso simbólico de uma coisa destas. Não é um print solto, não é uma conversa de WhatsApp ambíguo, é um documento estruturado, com nome de grupo, como se fosse o organograma de uma empresa. Para acusação é a prova de que não houve improviso, havia planeamento. Paraa defesa, é material que necessita de ser contextualizado.

 E os advogados sustentam que estruturar património em holding é algo que qualquer empresário rico fá-lo de forma absolutamente legal. E aqui mora a primeira grande dúvida que vai ter que pesar. Planejamento patrimonial é crime ou é o que todo o mundo com dinheiro faz? A resposta depende de uma só coisa, da origem do dinheiro.

 Se o dinheiro for limpo, montar holding é a esperteza fiscal. Se é sujo, a mesma holding transforma-se em lavagem. Toda a briga é sobre isso. A segunda peça cruza o caso de Deolani com o mundo do funk e, por isso é que se tornou viral tão rápido. A polícia aponta um Lamborghini Huracan Evo, um automóvel avaliado em R$ 3.400.000 1.

000, que teria passado da holding patrimonial do funqueiro MC Ryan SP para holding patrimonial de Deolan pouco antes da operação. Segundo a ficha da Junta Comercial citada pela imprensa, MC Ryan, SP teria uma participação societária integral de R$ 500.000 numa dessas estruturas. Para a polícia, essa transferência de um automóvel de 3 milhões e meio às vésperas da operação funcionou como ocultação de património ligado à facção.

 É o tipo de movimento que, no olhar da investigação, não tem justificação comercial nenhuma. Por que transferir um carro caríssimo bem na hora a que a polícia está a chegar? A acusação responde para esconder. A defesa de novo diz que há explicação lícita para cada operação, mas os danos de imagem de um Lamborghini de 3 milhões e trocando de mãos na véspera da prisão já estava feito, porque é uma imagem que qualquer pessoa entende na hora.

 A terceira peça é quase macabra de tão simbólica. Com um dos operadores apontados no esquema, um homem conhecido como player, a polícia diz ter apreendido uma caixa de MDF, daquelas de madeira, com uma inscrição na frente. Na caixa estava escrito Dorara Deol e por baixo a frase: “O justo não se justifica”. Dentro da caixa, segundo o relatório, havia R$ 7.

800 R$ 800 em dinheiro vivo. Para a investigação, foi utilizado um caixa com o nome dela, na posse de um suposto operador da facção, é mais um fio que liga Deolane diretamente à movimentação de dinheiro do grupo. A frase escrita na caixa O justo não se justifica ganhou vida própria na internet, virou meme, virou discussão, precisamente pela ironia de aparecer numa investigação sobre dinheiro escondido.

 A defesa não confirma a relação desta com essa caixa. E é importante registar que a existência do objeto não prova por si só que Deolan sabia dele ou o controlava, mas como peça de narrativa, como imagem, é devastadora. e tem a quarta peça, a mais recente, de 6 de junho. Um novo relatório aponta uma ligação entre Deolane e uma mulher de nome Francisca Alves da Silva, conhecida por Preta, que seria casada com um irmão de Marcola.

 Ou seja, a investigação está a tentar costurar um ligação entre Deolan e o núcleo familiar da liderança da facção. Segundo os investigadores, esta ligação passaria por e-mails trocados entre Deolan, outros investigados e um contabilista, que teria ajudado a abrir empresas de fachada. De novo, é a tese da polícia baseada em documentos que ainda vão ser questionados pela defesa no processo.

Marcola, através da sua defesa, afirmou não ter qualquer relação com a influenciadora. São dois lados, negando o vínculo que a polícia tenta provar. E é este contador que abre a parte mais técnica da acusação, a que explica como, segundo a polícia, o dinheiro andava sem deixar rasto. O nome que aparece nos relatórios é o de um contabilista que teria ajudado a montar empresas.

 E uma dessas estruturas, uma consultora registada no interior de São Paulo, na cidade de Pacaembu, é apontada como uma peça do quebra-cabeças. A tese da investigação é a de que existia uma teia de empresas, várias delas funcionando como fachada, algumas registadas praticamente no mesmo endereço, sem atividade real compatível com a dimensão do dinheiro que passava por elas.

Para a polícia, empresa que não tem movimento de verdade, mas recebe rios de dinheiro, é o desenho clássico da lavagem. O dinheiro sujo entra como se fosse faturação legítima e sai limpo do outro lado. Paraa defesa são empresas de verdade, do ramo das apostas, com atividade real e o volume de dinheiro se explica pela dimensão do negócio.

 Mais uma vez, a mesma estrutura, duas leituras. Agora vem a parte dos números. E vou com calma porque é aqui que muita gente se perde e é aqui que se duas versões mais se chocam. A investigação, somando períodos diferentes, aponta um movimento que impressiona. Fala-se em mais de 13 milhões de reais que teriam passado por contas pessoais de Deolan e cerca de 14 milhões por empresas a ela ligadas num intervalo que vai de 2018 a 2022.

 Em outro recorte mais recente e mais concentrado, a polícia destaca mais de R$ 5 milhões de reais movimentados em apenas 47 dias e dentro deste, chama a atenção para os R$ 430.000 provenientes da produtora ligada a MC Ryan, valor que, segundo os investigadores, não teria justificação comercial clara. E há ainda os depósitos fraccionados, os feitos sempre abaixo de um certo limite para não disparar alerta automático no banco, que somariam perto de R 1 milhão deais entre 2018 e 2021.

Porquê fracionar depósito? Porque acima de um determinado valor, o banco é obrigado a comunicar ao controlo financeiro do governo. Assim, quem quer movimentar muito sem ser notado, quebra a quantia em vários depósitos mais pequenos. Pra polícia, este padrão de fracionamento é uma assinatura, é um comportamento típico de quem está a tentar escapar ao radar.

para defesa. São operações comuns de quem movimenta dinheiro de uma empresa o tempo todo. E note-se como o mesmo dado, o depósito fracionado passa a ser prova de culpa numa boca e rotina de negócio na outra. Há um número no meio desta confusão toda que é o mais revelador e quero que o guarde.

 Dos valores que a justiça esperava encontrar e bloquear nas contas de Deolan, Boa parte simplesmente não estava lá. O dinheiro que a investigação aponta como movimentado é muito maior do que aquele que foi efetivamente localizado e bloqueado. Acrescente-se a isto o bloqueio de mais de R$ 9 milhões deais atribuído a um dos operadores do esquema, o tal player, o da caixa.

 E começa-se a ver o desenho que a polícia tenta provar. Dinheiro a entrar alto, a desaparecer por dentro das empresas e aparecendo pouco quando a justiça vai procurar. Paraa acusação, o dinheiro que desapareceu é a prova da ocultação. Paraa defesa, o dinheiro que não apareceu é a prova de que a tal fortuna ilícita nunca existiu, de que inflacionaram os números, o mesmo buraco na conta, duas explicações que não podiam ser mais opostas.

 E é exatamente por isto que houve até um alerta bancário no início desta história. Foi um banco, ao notar movimentos que considerou atípicas, que acendeu a luz amarela que ajudou a puxar o fio da investigação. Quer dizer, não foi a polícia que saiu do nada atrás de Deolan. Foi o próprio sistema financeiro que sinalizou que havia ali algo estranho.

 Paraa acusação, isto reforça que o padrão de movimentação era suficientemente anormal para disparar o alarme sozinho. Paraa defesa, alerta bancário é coisa que acontece com qualquer empresário de grande volume e não prova crime nenhum. Já sabe a esta altura, cada facto deste caso nasce com duas legendas coladas, uma de cada lado.

 Junta todas as estas peças e percebe porque a situação tornou-se pesada. Já não é só a história do honorário de R$ 24.000 que a defesa repete. Do lado da acusação, tem agora um documento de planeamento, um carro de 3 milhões, uma caixa com o nome dela, uma teia de empresas e um contador e uma tentativa de ligação com a família de Marcola.

 Cada uma destas peças por si só teria explicação possível. O problema qualquer investigado é quando acumulam, porque o efeito de várias peças juntas é maior do que a soma delas. E é por isso que aquela carta mais forte da defesa, a da prisão domiciliária por ser mãe, começou a perder força, porque quanto mais grave for a polícia pinta o quadro, mais difícil fica para um tribunal conceder o benefício.

 Juristas ouvidos pela imprensa já o apontaram. A tese da maternidade que existe e é legítima na lei, esbarra na gravidade que a acusação foi construindo semana após semana. E é aqui que o relógio da defesa, o prisómetro, ganha um novo significado. Porque enquanto o cronómetro conta os segundos de prisão de fora lá na internet, dentro dos autos, a polícia conta outra coisa.

 Conta peças, documento, carro, caixa, vínculo. São dois contadores a correr ao mesmo tempo, um a favor dela e outro contra ela. E hoje no STJ alguém terá de decidir qual dos dois pesa mais. Para você entender porque o julgamento de hoje pesa tanto, precisa de ver a história toda por ordem desde o dia da prisão até agora, porque é uma escalada e cada degrau dela apertava mais o cerco.

 Quando junta as datas, entende que Deolane não está presa por um facto isolado. Está presa no fim de uma sequência que foi ficando mais grave cada semana. Tudo começou no dia 21 de maio com o desencadeamento da operação Vernix, conduzida pela Polícia Civil de São Paulo juntamente com o Ministério Público.

 Naquela manhã, foram cumpridos mandados. Houve bloqueio de centenas de milhões de reais em bens dos investigados e o sequestro de automóveis de luxo. Deol foi presa logo de início. E aqui há uma coisa que muita gente esquece, mas que muda a forma de olhar para aquela prisão. Esta não é a primeira vez. Lá em 2024, Deolan já tinha sido presa noutra operação, a Integration, ligada a um esquema de apostas ilegais.

Nessa altura, ela passou pouco tempo detida e acabou por ser libertada. Paraa defesa, este histórico é prova de perseguição. A ideia de que ela se tornou um alvo preferencial das autoridades, perseguida operação após operação paraa acusação é o contrário. É o sinal de uma reincidência de alguém que já estava no radar e que voltou a surgir em investigação ainda mais grave.

 O mesmo passado, de novo, lido de duas formas opostas, mas tem uma diferença crucial entre a prisão de 2024 e a de agora. E é essa a diferença que assombra a defesa. Da primeira vez falava-se em apostas, agora fala-se em facção. O salto de gravidade entre uma coisa e outra é enorme e é por isso que desta vez a libertação está a ser muito mais difícil.

 No dia seguinte, 22 de maio, veio a audiência de custódia, aquele momento em que a justiça decide se mantém ou solta o preso. E foi ali que Deolane soltou a frase que definiria a defesa dela desde então. Disse que tinha sido presa no exercício da profissão como advogada. Naquele mesmo dia, foi transferida paraa penitenciária feminina de Tupi Paulista, no interior, longe de tudo.

 A defesa partiu para cima de imediato, pediu abbias corpos, recorreu, bateu em todas as as portas e em todas levou não. O Tribunal de Justiça de São Paulo negou. No dia 24 de maio, um ministro do Supremo também negou. Foi a sequência de derrotas que, como te contei, empurrou a defesa paraa estratégia nova, a da opinião pública, o site, o prisómetro.

 Quando a porta de cima fecha, grita-se mais alto lá fora. Foi que fizeram. No dia 26 de maio, veio um gesto que mexeu com muita gente. Deolan escreveu uma carta do próprio punho ditada para a irmã Daen e o texto viralizou. Nela ela dizia, e eu cito o que foi divulgado publicamente. Bom dia, Brasil.

 De novo mais uma vez a mãe está enjaulada por pura perseguição. Afirmava que nunca fez parte do crime organizado e que estava presa pela quantia de R$ 24.500, valor que ela define como honorário que recebeu na altura como advogada. Essa carta é importante porque cristaliza a versão da defesa numa frase que qualquer um entende: “Estou presa por R$ 24.000 R$ 1000 de honorários.

 É simples, é direto, é fácil de repetir. E foi pensado para ser assim. Só que no dia seguinte, 27 de maio, veio o contraponto silencioso. Levada a um novo depoimento, Deolane ficou calada e não entregou as senhas dos telemóveis por orientação dos advogados. Repara no contraste de dois dias seguidos.

 No dia 26, uma carta pública, faladora, emocional, dizendo que é tudo perseguição. No dia 27, silêncio total perante a polícia. Para fora, palavra. Para dentro do inquérito, nada. Isto não é contradição, tem método. Fala-se no tribunal da opinião pública e cala-se no tribunal de verdade, as duas coisas ao mesmo tempo.

 Veio depois, o 29 de Maio, com o relatório que indiciou ela e alterou o nível do jogo, aquele que já te detalhei com o caixa da facção, o horário, a Lamborghini. Repara na velocidade da detenção ao indiciamento formal, pouco mais de uma semana, da carta de perseguição ao relatório que a aponta como caixa da facção, três dias.

Este caso não arrefeceu um minuto. Foi degrau atrás de degrau, sempre para cima, sempre mais pesado. Tem uma camada de números nesta história que vale a pena destrinchar, porque é onde as duas versões mais se chocam e onde se necessita de cuidado para não se perder. A investigação fala em valores que mudam conforme o recorte e isso gera confusão até na imprensa.

 Num período, fala-se em mais de R$ 5 milhões de reais movimentados em 47 dias. Dentro deste, a polícia destaca 430.000 provenientes da produtora ligada a MC Ryan, valor que, segundo os investigadores, não teria justificação comercial clara. Num outro recorte mais antigo, fala-se em depósitos fracionados que somariam perto de R$ 1 milhão deais entre 2018 e 2021.

E há ainda a conta dos bens bloqueados, que aparece hora como 327 milhões, ora como 357 milhões no total da operação com cerca de 27 milhões atribuídos diretamente a Deulan. Por que razão estes números dançam tanto? Porque cada um mede uma coisa diferente. Um mede o que entrou na conta num período curto, outro mede depósitos antigos, outro mede o total bloqueado de todos os investigados em conjunto.

 A imprensa não está a errar à toa, está a lidar com a complexidade de um esquema que, segundo a acusação, foi montado precisamente para ser difícil de rastrear. E aqui está o detalhe mais revelador da todos, que já tinha aparecido antes, e continua a valer. Dos valores que a justiça esperava encontrar bloqueados nas contas de Deolan, uma boa parte simplesmente não apareceu.

 O dinheiro que a investigação aponta como movimentado é muito maior do que aquele que foi efetivamente localizado e bloqueado. Para a polícia, isto reforça a tese da ocultação do dinheiro que desaparece por dentro das empresas. Para defesa, é prova de que não existia a fortuna ilícita que pintaram, o mesmo buraco, duas leituras opostas.

 De novo, quando alinha tudo isto numa linha do tempo, 21 de Maio, a prisão, 22, a custódia e a transferência, 24 as negativas, 26 a carta, 27 o silêncio, 29 a acusação. E hoje, 9 de junho, o acórdão no STJ. Apercebe-se que não está olhando para um escândalo de um dia, está a olhar para uma máquina que não parou de rodar há quase três semanas e que hoje chega no seu momento mais decisivo.

 Cada peça que a polícia pôs em cima da mesa nesse intervalo é mais uma peça do que os ministros vão ter na frente quando forem decidir. E é por isso que a defesa chegou ao dia de hoje com um cronómetro e um site em vez de apenas com uma petição. Porque os factos alinhados em ordem contam uma história difícil de defender apenas no papel.

 Agora chega a parte que define este caso inteiro e que eu deixei pro fim de propósito, porque é a que mais te obriga a pensar. Este caso virou uma guerra de duas narrativas profissionais montadas por gente que sabe o que faz sobre exatamente o mesmo expediente, chegando a conclusões opostas. E você, que está ali do outro lado do ecrã, virou o juiz que precisa decidir em qual delas acredita.

 Olha o desenho das duas. De um lado, a polícia montou uma narrativa de um filme de máfia. Nesta versão, Deolan é a peça elegante de um esquema sujo, a famosa advogada que dá um rosto respeitável paraa movimentação de dinheiro da fação. A polícia sustenta esta história com o cronograma de 12 páginas, com a Lamborghini de 3 milhões que muda de proprietário na véspera, com a caixa que tem o nome dela, com a tentativa de a ligar à cunhada de Marcola.

 Cada peça é um tijolo dessa parede. A conclusão da polícia é a de que existe planeamento, estrutura e intenção. Do outro lado, a defesa montou uma narrativa de perseguição. Nesta versão, Deolan é uma mulher de sucesso, advogada e empresária do ramo das apostas, que ganhou muito dinheiro de forma lícita e que está ser crucificada porque é famosa.

 A defesa sustenta esta história com o dossier de 30 pontos no site, com a tese de que 88% do dinheiro vem das empresas dela, com a redução de tudo a um honorário de R$ 24.500 e com o prisómetro a contar, segundo a segundo, o tempo de uma prisão que eles chamam de ilegal e exagerada. Cada argumento é um tijolo dessa outra parede.

 A conclusão da defesa é a de que não há crime, sendo a fama punida. E o pormenor genial ou perverso, dependendo de como se olha, é que as duas narrativas utilizam o mesmo material. A holding, que paraa polícia é ocultação, paraa defesa é planeamento patrimonial normal. O dinheiro que para a polícia é da facção, para defesa, é de aposta e advocacia.

 As empresas que paraa polícia são fachada, paraa defesa, são negócios legítimos. É o mesmo expediente lido por dois pares de olhos com interesses opostos. Por isso este caso divide tanto. Não é que um dos lados tenha provas e o outro não tenha nada. É que os dois lados pegam nas mesmas peças e contam histórias contrárias.

 E só o processo, com tempo, contraditório e provas testadas, vai dizer qual a versão que se sustenta. Enquanto isso não acontece, qualquer um que te diga com certeza absoluta que ela é culpada ou que é inocente está a vender-lhe convicção, não facto. No meio desta guerra séria de milhões e de facção, entrou um elemento que parece uma piada, mas que diz muito sobre a personagem, Asartas de Amor.

 No no dia 6 de junho, a irmã de Deolan, a Diane, visitou-a na prisão e depois publicou uma mensagem nas redes. Disse que Deolane está a receber cartas de carinho, mensagens, versículos e que agradece de coração a quem o tem enviado. A própria Diane fez questão de avisar que a irmã não está à procura de pretendentes, que o seu foco é provar a inocência e voltar para a família.

 Mas o estrago já tinha sido feito porque a internet pegou na história das cartas de amor na cadeia e transformou-o em deboche nacional. Tornou-se meme em poucas horas e depois teve a resposta que apanhou. O Léo Dias, no programa Melhor da Tarde rebateu na hora a versão romântica. Disse com todas as letras que o foco de Deolane não é carta de amor nenhuma.

 O foco é sair da cadeia e que esta possibilidade, segundo ele, está cada vez menor. Foi uma frase fria, dita na TV aberta que cortou o clima de novela que a família tentava criar. E é interessante reparar no que aconteceu ali. A família tentou utilizar as cartas para construir uma imagem de Deolan, querida, apoiada, vítima injustiçada, que recebe carinho.

 E a leitura de fora foi o oposto, a de que era mais uma jogada de imagem, igual ao prisómetro, igual ao site. Tudo neste caso virou disputa de narrativa, até uma carta, até um cronómetro. Repara como o prisómetro e as cartas de amor são a mesma estratégia com roupa diferente. Os dois servem para mexer com a emoção do público, para construir a Deolane vítima, a Deolane que sofre, a Deolane que merece sair.

 O prisómetro apela para a sua noção de justiça. Olha quanto tempo ela está presa. As cartas apelam para a sua noção de afeto. Olha quanta gente ama-a. As duas peças visam o mesmo lugar, o seu coração, não a sua razão. E faz sentido a defesa apostar nisso, porque na arena dos fatos frios, do horário e da Lamborghini, a coisa está difícil para ela.

 Quando os factos apertam, a defesa vai para o território da emoção. É manual. E é exatamente por é isso que aquela carta da maternidade, a tese da prisão domiciliária, virou o ponto mais sensível de todos, porque ela mistura as duas arenas, a jurídica e a emocional. Juridicamente é um direito previsto.

 Mãe de criança até aos 12 anos pode, em certos casos, cumprir prisão em casa. Emocionalmente é a imagem mais forte que a defesa tem. Uma mãe separada da filha de 9 anos. Se tem um argumento capaz de comover um tribunal e a opinião pública ao mesmo tempo, é esse. Só que, como os juristas têm vindo a salientar, quanto mais a polícia agravou o quadro com as peças novas, mais difícil se tornou para um tribunal olhar paraa gravidade dos crimes apontados e ainda assim mandar para casa.

 A lei permite negar o benefício quando a situação é considerada suficientemente grave e uma acusação de comandar o caixa de uma facção é tão grave quanto pode ser. A a maternidade era a carta mais forte da defesa e foi precisamente a gravidade da acusação que começou a tirar o valor dessa carta. Tem um último elemento que preciso de te trazer e vou trazer com todo o cuidado do mundo, porque ele é o mais explosivo e o menos confirmado de todos.

 Surgiu no final de maio a alegação de que Deolani poderia estar ligada a um alegado plano de atentado contra o senador Flávio Bolsonaro. Reparem cada palavra que aqui uso. Essa alegação partiu de um terceiro, o fanqueiro MC Misa, que o afirmou publicamente. Existe um relatório de ocorrência registado na polícia do Senado, mas e este mas é gigante, não há até agora confirmada investigação formal contra Deolani por causa disso.

 e o próprio Marcola negou ter qualquer relação com ela. Então que fica no terreno do que se fala, da acusação de uma só pessoa, sem comprovação. Eu conto-te porque é parte do ruído que rodeia o caso e porque tornou-se assunto, mas eu não te apresento como facto. Se aparecer prova pública disso, a leitura altera-se.

 Por enquanto, é alegação de terceiro e ponto final. O que dá dizer com segurança no fim de tudo, é que este caso deixou de ser sobre uma influenciadora presa e virou-se sobre uma pergunta maior: até onde vai a fama como escudo? E até onde vai a fama como alvo? A defesa diz que ela é alvo porque é famosa.

 A polícia diz que ela usou o fama como escudo. E esta pergunta ficou ainda maior por causa de uma coisa que aconteceu longe do Brasil. No início de junho, o governo dos Estados formalizou a classificação do PCC como organização terrorista, uma designação assinada pelo secretário de Estado americano e publicada no Diário Oficial de Lá.

 Pode parecer distante do caso de Deolan, mas não é. Porque a partir do momento em que a facção apontada na investigação dela passa a ser tratada como terrorista por uma potência estrangeira, qualquer pessoa apontada como ligada ao caixa deste grupo torna-se um problema de outra escala. O que era um caso criminal brasileiro, ganhou uma camada internacional.

 E paraa defesa, isso é péssimo, porque a pressão internacional sobre a facção significa pressão sobre tudo o que orbita em redor dela. O timing não podia ser pior para quem está a tentar provar que não tem nada a ver com o crime organizado. Junta este cenário internacional com a guerra de narrativas que te mostrei. E dá para perceber porque tudo virou documento contra documento.

 De um lado, o relatório da polícia, dezenas de páginas com cronograma, fichas de carro, transcrições áudio, fluxo de dinheiro. Do outro, o hotsite da defesa com 30 pontos de resposta, Fq prisómetro. São dois calhamaços rivais, cada um construído para parecer técnico, grave e refutável. E o público fica no meio, sendo puxado por dois textos que se dizem a verdade definitiva.

 É uma disputa que não se resolve no grito, nem no meme, resolve-se na prova testada dentro do processo. Por isso insisto, não compre ainda certeza a ninguém, nem da acusação, nem da defesa. Quem tem pressa de cravar a culpa ou a inocência neste momento está a adivinhar, não sabendo. E hoje no Supremo Tribunal de Justiça, um colégio de ministros vai dar o primeiro veredicto de mérito, sobre qual destas leituras tem mais base.

 Não é o veredicto final do caso, longe disso, mas é o primeiro sinal forte de para que lado a justiça superior está a pender e o prisómetro nesse site vai continuar contando os segundos até essa resposta chegar. No fim de tudo, volta ao relógio. Aquele prisómetro que a defesa colocou no ar continua lá, marcando os segundos, indiferente a julgamento, a relatório, a carta de amor, a meme.

 Ele só conta o tempo. E talvez seja essa a imagem mais honesta de todo este caso. Um número a subir, sem que ninguém, nem a defesa, nem a polícia, nem o senhor, nem eu, saiba ainda em que número vai parar. Lembra-se como a gente começou? Um relógio que a própria defesa de Deolan colocou na internet para contar quanto tempo ela está presa.

 Parecia, no início, apenas uma jogada esperta de marketing jurídico. Agora já viu o que tem dos dois lados deste relógio. De um lado, a aposta da defesa na emoção, a cronómetro, o site com 30 respostas, o honorário de R$ 24.000 R$ 1.000 repetido como mantra, a carta dizendo perseguição, as cartas de amor na cadeia, a mãe separada da filha.

 Do outro, a parede que a polícia foi levantando tijolo a tijolo, o indiciação, o cronograma de 12 páginas, o Lamborghini de 35 milhões, o caixa com o nome dela, a teia de empresas, os milhões que entraram e o dinheiro que não apareceu quando foram procurar. Duas histórias, o mesmo expediente e um relógio a correr no meio.

 E o pormenor que fecha o arco é esse. O prisómetro foi criado para ser um argumento a favor de Deolan, para dizer: “Olha o absurdo, olha quanto tempo ela está presa”. Só que quanto mais peças a investigação coloca na mesa, mais esse mesmo relógio pode ser lido ao contrário, como a conta do tempo que uma justiça, cada vez mais convencida da gravidade do caso decide mantê-la onde está.

 O mesmo cronómetro que a defesa fez para comover pode acabar por marcar exatamente o oposto do que eles queriam. Uma arma que aponta para os dois lados. Hoje, no Superior Tribunal de Justiça, este número pode ganhar um sentido definitivo, pelo menos por enquanto. Se os ministros derem razão à defesa e mandarem Deolane para casa ou paraa liberdade, o prisómetro para e a narrativa da perseguição ganha o maior reforço possível, vindo de um tribunal superior.

 Se os ministros mantiverem a prisão, o relógio segue correndo e a leitura passa a ser a de que nem o tribunal de cima viu motivo para soltar quem a polícia chama de caixa de uma facção. Os dois cenários alteram o jogo e é por isso que hoje é um dia que vale a pena acompanhar de perto. Fica a pergunta que ainda ninguém consegue responder e que talvez só o tempo e o processo respondam.

 O que o prisómetro está a medir de verdade? O tempo de uma injustiça contra uma mulher punida por ser famosa, como diz a defesa, ou o tempo que a justiça vai demorar a provar o que a polícia já afirma que por trás da famosa advogada existia o caixa de uma facção, as duas respostas são em cima da mesa e cada uma conta um Brasil diferente.

 Uma fala de perseguição a quem tem holofotes, a outra fala de crime organizado escondendo-se justamente atrás do holofote. E enquanto a prova final não vem, o relógio não pára. Assim, fica de olho no que acontece nas próximas horas. Se sair a decisão do STJ ainda hoje, ela vai dizer muito sobre para que lado esta história começa a pender.

 Se a denúncia formal do Ministério Público for aceite, Deolane deixa de ser indiciada e passa a ser ré. E aí inicia um processo que pode durar anos. Qualquer um destes movimentos reacas tudo. O caso está longe, muito longe de ter um ponto final. O que tem por enquanto é um relógio na internet. contando segundos, esperando uma resposta que pode chegar a qualquer momento.

 E no meio de todo este círculo de cronómetro, meme e carta de amor, é bom esquecer que existe gente a sério nessa conta. Existe uma criança de 9 anos que está longe da mãe há semanas, qualquer que seja a verdade sobre o que a mãe fez. Existe uma família que se revea em visitas a um estabelecimento prisional no interior e existe uma mulher numa cela que ou é vítima de perseguição ou é peça de um esquema gravíssimo e que só a justiça poderá dizer qual das duas.

 O caso virou espetáculo, virou entretenimento, tornou-se disputa de narrativa na internet, mas por baixo do espetáculo tem uma consequência real de gente real. E isso não podemos perder de vista enquanto acompanha cada capítulo. Rir do meme é fácil. Lembrar que tem vida humana por baixo do meme é o que separa quem acompanha o caso de quem só consome a tragédia dos outros.

 E você, depois de ver os dois lados desta balança, em que história acredita? Na da mulher perseguida por ser famosa ou na do caixa da facção escondido atrás da fama? Deixa a tua resposta aqui em baixo, porque essa é a questão que vai dividir o Brasil até ao dia em que a justiça bater o martelo final.

 

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