A posição de goleiro é, indiscutivelmente, a mais solitária, ingrata e psicologicamente exigente de todo o universo do futebol. Enquanto os atacantes são eternamente celebrados por um único momento de brilhantismo, o homem que veste as luvas carrega nas costas a responsabilidade brutal de não poder errar. Um deslize mínimo, uma fração de segundo de hesitação, e o herói se transforma no vilão de uma nação. No entanto, na rica e vasta história do esporte mais popular do planeta, existem raríssimas exceções, figuras quase mitológicas que transcenderam essa regra implacável e conquistaram o amor incondicional de milhões. Marcos Roberto Silveira Reis não foi apenas um dos maiores e mais espetaculares goleiros da história do futebol brasileiro; ele se tornou uma entidade, um símbolo vivo de resiliência, humildade e superação inabalável.
Sua trajetória de vida é um roteiro fascinante que mistura as dores da escassez financeira no interior com a glória máxima nos maiores palcos do mundo. A história do ícone do Palmeiras e da gloriosa Seleção Brasileira continua a inspirar, não apenas por suas defesas acrobáticas que desafiavam a gravidade, mas pela maneira íntegra e pé no chão com a qual ele conduz sua vida pessoal, seus negócios e sua monumental fortuna até os dias de hoje. Longe das luzes ofuscantes da mídia esportiva e do frenesi das torcidas organizadas, o homem conhecido carinhosamente como São Marcos esconde um estilo de vida que é um paradoxo maravilhoso: um patrimônio na casa dos milhões de reais contrastando harmoniosamente com a alma cristalina de um menino do interior que nunca esqueceu as suas verdadeiras raízes.

Para compreendermos a dimensão colossal do que Marcos representa hoje, é estritamente necessário voltarmos no tempo, viajando para a pequena e pacata cidade de Oriente, incrustada no vasto interior do estado de São Paulo. Foi ali, muito longe do glamour e das cifras astronômicas que o aguardavam no futuro, que Marcos Roberto Silveira Reis nasceu no memorável dia 4 de agosto de 1973. A sua origem não poderia ser mais emblemática e representativa da grande massa trabalhadora do nosso país. Ele era o filho caçula de uma prole de seis irmãos, crescendo no seio de uma família de recursos extremamente limitados, mas de uma dignidade e ética de trabalho inquebrantáveis.
A vida na casa dos Reis era pautada pelo suor e pela labuta diária. Seu pai, o senhor Ladislau Silveira Reis, era um homem forjado no trabalho árduo da agricultura, conhecendo intimamente os caprichos da terra e as agruras do clima. Enquanto isso, sua mãe, a dona Antônia Reis, era a espinha dorsal do lar, dedicando seus dias de forma incansável aos extenuantes e intermináveis cuidados com a casa e com a criação de seis crianças em uma época onde as facilidades modernas eram meras lendas urbanas. Nesse ambiente permeado pela simplicidade e pelo afeto, Marcos aprendeu desde cedo que nada na vida cairia do céu. A fartura era um conceito distante, e o sustento diário exigia o empenho coletivo de toda a família.
Muito antes de sequer sonhar em calçar chuteiras de marcas famosas e vestir luvas de alta tecnologia, Marcos teve que engrossar as mãos no trabalho braçal. A juventude do futuro campeão do mundo foi moldada por diversas ocupações que deixariam muitos jovens da atualidade perplexos. Ele conheceu a dureza do campo trabalhando de sol a sol em uma extensa plantação de café, onde a poeira e o cansaço eram seus companheiros mais íntimos. Em seguida, buscou oportunidades no ambiente fechado de um almoxarifado em uma fábrica de móveis, lidando com o peso da madeira e o controle rigoroso de estoque. A jornada de sacrifícios ainda o levou ao ambiente escaldante e ensurdecedor de uma usina de açúcar, onde a força física era levada ao limite diariamente.
No entanto, havia uma inquietude na alma daquele jovem de estatura imponente. Ele não permaneceu por muito tempo em nenhum desses empregos desgastantes. O destino, silenciosamente, o empurrava para uma direção completamente diferente, uma direção onde os campos não eram de cultivo agrícola, mas sim de grama esmeralda, demarcados com linhas brancas. Seu primeiro contato genuíno e passional com o futebol aconteceu da maneira mais orgânica e despretensiosa possível: em jogos de várzea na rua e em campos de terra batida ao lado de seus irmãos mais velhos, Ladislau e Sérgio, acompanhados de uma turma animada de amigos de infância.
Curiosamente, a lenda sob as traves começou no ataque. Inicialmente, Marcos não tinha a menor intenção de ser goleiro. Como a imensa maioria dos meninos brasileiros, ele queria fazer os gols, ouvir o grito da torcida, ser o protagonista ofensivo. Ele deu seus primeiros passos organizados no futebol atuando pelo modesto Erva Doce Futebol Clube, onde se aventurava como centroavante. Contudo, faltava-lhe a malícia e a habilidade com a bola nos pés. Ele não se destacava como jogador de linha, sendo muitas vezes desengonçado frente aos marcadores mais ágeis. Foi nesse momento crucial que a visão clínica de seu treinador da época mudou o curso da história esportiva do Brasil. Observando a envergadura fora do comum daquele garoto esguio, o técnico percebeu imediatamente que o verdadeiro e gigantesco potencial de Marcos não estava em chutar a bola, mas sim em evitar que ela cruzasse a linha fatal. Devido à sua altura e aos seus longos braços, ele foi gentilmente empurrado, ou melhor, convencido a ir para o gol.
A partir desse reposicionamento tático e existencial, a evolução foi assombrosa. Ele começou a dominar a área, a fechar o ângulo com uma naturalidade espantosa e a demonstrar reflexos que desafiavam a sua estatura. Após essa transição, ele passou a jogar e a se destacar defendendo a meta do time de uma serraria local, justamente o ambiente onde seus irmãos mais velhos já atuavam e eram conhecidos. As defesas espetaculares nos campos rústicos começaram a chamar a atenção, e logo ele deu um salto de qualidade, passando a defender o Primavera, uma equipe tradicional da cidade que era orgulhosamente patrocinada por um supermercado local e que disputava acirrados torneios regionais. As arquibancadas de cimento e barrancos de terra começaram a conhecer o talento daquele gigante.
O ponto de virada rumo ao profissionalismo ocorreu no ano de 1991. Após se destacar de forma brilhante, realizando defesas impossíveis e fechando o gol em um importante campeonato de nível regional, o jovem talento chamou a atenção de olhares mais experientes. Através da indicação preciosa do olheiro Antônio de Novais, Marcos foi convidado a integrar as categorias de base do Lençoense, tradicional equipe da cidade de Lençóis Paulista.
No ambiente mais estruturado do Lençoense, o caminho não foi um tapete vermelho. Ele começou lá debaixo, assumindo inicialmente o humilde e quase invisível posto de quarto goleiro da equipe. Contudo, a dedicação inabalável, os saltos elásticos nos treinamentos e a segurança transmitida em cada defesa rapidamente alteraram a hierarquia. As suas boas e seguras atuações o catapultaram velozmente para a titularidade incontestável. Com ele fechando a meta, o time realizou uma campanha histórica e inesquecível no disputado Campeonato Paulista Sub-20, derrubando gigantes do estado e terminando com um orgulhoso e muito comemorado título de vice-campeão.
Essa campanha estrondosa foi o vitrine perfeita. Marcos chamou a atenção dos grandes predadores da capital. O olheiro Jorge Parraga, que trabalhava para o poderoso Sport Club Corinthians Paulista, ficou maravilhado com a elasticidade e frieza daquele goleiro alto e magro do interior. Sem hesitar, ele o convidou para uma série de testes rigorosos na badalada equipe Sub-20 do clube alvinegro. Ainda no turbulento ano de 1991, o jovem foi oficialmente selecionado e aprovado pelas categorias de base do Corinthians. Parecia o início de um conto de fadas no Parque São Jorge.
Entretanto, o sonho rapidamente se transformou em uma provação dolorosa. A transição da vida pacata do interior para o caos ensurdecedor e a competitividade predatória de São Paulo cobrou um preço alto. Sua passagem pelo arquirrival do seu futuro clube durou apenas dois torturantes meses. Marcos simplesmente não conseguiu se adaptar à brutalidade da cidade grande, à saudade esmagadora de casa e à frieza do ambiente. Para piorar, ele não teve sequer as oportunidades que lhe foram prometidas de mostrar o seu valor em campo. O golpe de misericórdia nessa rápida e frustrante experiência alvinegra ocorreu quando ele ficou de fora da cobiçada Copa São Paulo de Futebol Júnior de 1992, o maior torneio de base do país. O motivo? Uma cruel burocracia, graves problemas com a sua documentação impediram a sua inscrição, jogando um balde de água congelante nas suas aspirações. O retorno para o interior parecia uma sentença de fracasso.
Mas o roteiro divino do futebol tinha outros planos majestosos guardados. O treinador Raul Pratali, que na época era o grande responsável por comandar a equipe Sub-20 da Sociedade Esportiva Palmeiras, estava em pleno processo de reformulação total do seu elenco e buscava incansavelmente novas joias perdidas. Ele pediu indicações de confiança ao seu grande amigo e ex-atleta Neno. Neno, que conhecia a fundo os talentos do interior, recomendou um pacote de jovens promessas. Entre os seis jogadores originários do Lençoense que viajaram cheios de esperança para a capital paulista em busca de aprovação no glorioso Palmeiras, adivinhem? Apenas um único garoto de mãos imensas conseguiu ser aprovado e permaneceu no Parque Antártica: Marcos. O destino verde se consolidava de forma definitiva.

Ainda muito jovem, no auge dos seus dezoito anos, ele sentiu o peso e a glória de vestir a camisa principal. Ele fez a sua tão sonhada e aguardada estreia na equipe profissional em um movimentado amistoso contra a equipe da Esportiva Guaratinguetá, em um dia que ficaria gravado a fogo na sua memória: 16 de maio de 1992. No entanto, o futebol não é feito apenas de estreias relâmpago, mas de muita paciência e resiliência. O garoto voltou para a base, amadureceu e retornou ao elenco profissional apenas no ano de 1997, dessa vez sob o comando enérgico, paternal e exigente do gaúcho Luiz Felipe Scolari, o lendário Felipão.
A presença de Felipão foi um divisor de águas, mas a titularidade ainda era uma miragem longínqua. Durante torturantes e longos anos, Marcos continuou sentando no banco de reservas, sofrendo a agonia silenciosa de ser o substituto eterno. Ele seguiu como um reserva de luxo e extrema lealdade até o emblemático ano de 1999. Naquela época, ele atuava apenas de forma esporádica e fugaz, sempre quando o titular absoluto e ídolo estabelecido Velloso estava ausente por motivos de força maior, seja por suspensão ou por lesões leves. Era um período de provação psicológica brutal. Muitos teriam desistido, pedido para ser negociados ou perdido o foco. Marcos não. Ele treinou mais forte, mergulhou mais na lama, voou mais alto nas traves solitárias da Academia de Futebol, esperando pacientemente pelo momento em que a história o convocaria.
E a grande e apoteótica virada na sua carreira esportiva aconteceu justamente em 1999, durante a competição mais visceral, romântica e brutal do continente: a majestosa Copa Libertadores da América. O destino, operando de formas misteriosas e por vezes dolorosas para uns, abriu as portas da eternidade para outros. No mês de março daquele ano mágico, o inquestionável Velloso sofreu uma grave e preocupante lesão no ombro, ficando incapacitado de atuar nas fases mais agudas do torneio. O peso do mundo, as expectativas de milhões de torcedores sedentos por uma conquista inédita, caíram subitamente sobre os ombros largos do eterno reserva.
Marcos assumiu a pesada e escaldante titularidade da meta palmeirense na fogueira das quartas de final. E o adversário não era um time qualquer; era o maior rival, o algoz histórico, o mesmo clube que o havia dispensado anos antes: o temido Corinthians. A tensão no ar podia ser cortada com uma faca, a rivalidade paralisou a cidade. O que se viu naqueles dois confrontos épicos foi o nascimento de um mito. Marcos foi o destaque absoluto, intransponível e genial nos dois jogos eliminatórios. A atuação descomunal, recheada de defesas milagrosas contra o esquadrão corintiano, fez com que a apaixonada torcida palestrina perdesse completamente o fôlego e, em estado de graça, passasse a chamá-lo carinhosamente pelo apelido que carregaria para a tumba: “São Marcos”.
A performance heroica, quase mística e espiritual de Marcos não se restringiu àquele clássico. Nas tensas e violentas semifinais contra o poderoso River Plate da Argentina, uma equipe recheada de craques internacionais, ele novamente foi decisivo, operando verdadeiros milagres em Buenos Aires e em São Paulo, calando os críticos e provando que o milagre contra o Corinthians não fora um mero acaso. A consagração final, o passaporte direto para o panteão dos imortais, ocorreu na grande decisão contra o perigoso Deportivo Cali da Colômbia. Em uma noite de nervos à flor da pele, com o estádio pulsando, o Palmeiras sagrou-se pela primeira vez o grande campeão das Américas através das dramáticas cobranças de pênaltis. E lá estava ele, o menino de Oriente, voando para consagrar a vitória. Pela sua temporada transcendental, Marcos foi eleito com sobras o melhor jogador de toda a Libertadores e, inquestionavelmente, a grande revelação de todo o torneio continental.
Os anos se passaram e o que era promessa virou lenda cravada em pedra. Marcos foi se consolidando ano após ano, com lealdade incondicional, suor e incontáveis defesas espetaculares, como um dos maiores ídolos não apenas da centenária história do Palmeiras, mas como um dos maiores, mais talentosos e mais respeitados goleiros que o Brasil já produziu. O país inteiro, independentemente da cor da camisa que vestisse, passou a admirar e a nutrir um carinho sincero por aquele homem carismático e de sorrisos francos.
O ápice dessa jornada épica o levou fatalmente à Seleção Brasileira. Marcos construiu uma trajetória profundamente marcante, vitoriosa e de liderança com a pesada camisa amarelinha da seleção nacional, consolidando-se de uma vez por todas como um dos grandes gigantes da posição na história do futebol mundial. Apesar de, assim como no clube, ter enfrentado períodos onde foi o eterno reserva em parte de sua trajetória preparatória, a sua vida mudaria novamente nos palcos asiáticos. A sua performance impecável e milagrosa na inesquecível Copa do Mundo de 2002 o elevou, de maneira definitiva e estrondosa, ao seleto status de ídolo nacional, unindo um país que carecia de heróis.
A grande consagração internacional de sua vida e o ápice absoluto de qualquer profissional do esporte aconteceu nessa fatídica Copa do Mundo de 2002, primeira disputada no continente asiático, dividida entre os cenários maravilhosos e distantes do Japão e da Coreia do Sul. O comandante da equipe era novamente o técnico Luiz Felipe Scolari, o homem que conhecia os segredos, os medos e a força mental de Marcos desde os tempos de Parque Antártica. Em uma decisão polêmica e duramente criticada pela imprensa na época, Felipão peitou a nação e bancou a titularidade absoluta de seu homem de confiança. E não foi uma escolha fácil, pois a concorrência na posição era simplesmente feroz, contando com gênios consagrados e no auge como Dida e Rogério Ceni.
A confiança cega do treinador não foi traída. Marcos, operando sob uma pressão atmosférica capaz de esmagar o carvão em diamantes, foi um dos pilares mais sólidos, intransponíveis e vitais daquela formidável equipe brasileira durante absolutamente toda a exaustiva competição. Ele foi cirúrgico e decisivo em vários momentos críticos, realizando defesas impossíveis contra a Bélgica, anulando cruzamentos ingleses e calando o perigoso ataque alemão na final. Ao ouvir o apito final, além de ajoelhar-se aos prantos para se tornar o glorioso Pentacampeão do Mundo pelo Brasil, Marcos terminou a mágica competição reconhecido por críticos de todo o planeta como um dos melhores goleiros de todo o disputadíssimo torneio. Ele foi infinitamente reverenciado por sua incrível regularidade, técnica apurada e por uma impressionante frieza de gelo nos momentos mais decisivos onde as pernas de mortais costumam tremer.
Toda essa glória, toda essa idolatria, inevitavelmente, se transformaria em retribuição financeira. E aqui entra mais um traço peculiar e admirável de sua lenda. Marcos sempre foi profunda e abertamente conhecido por sua fidelidade canina ao Palmeiras, chegando ao ponto de recusar de forma apaixonada diversas e astronômicas propostas milionárias para ir jogar no glamouroso futebol do exterior e até mesmo para atuar em outros clubes gigantes do futebol brasileiro. No entanto, apesar de ter preterido os Euros e as Libras esterlinas por puro amor à camisa, ele teve, sim, um salário incrivelmente significativo e vultoso durante sua esplêndida carreira atuando em solo nacional, especialmente nos anos em que esteve no seu apogeu técnico, físico e midiático.
Para se ter uma noção clara das cifras astronômicas que o envolveram, durante o marcante ano de 2004, quando Marcos estava em plena forma física, colecionando milagres e liderando de forma solitária e estoica o time alviverde em momentos muitas vezes de crise técnica, o Palmeiras abria os cofres para garantir a permanência de sua maior estrela. Naquela época, o clube gastava cerca de generosos 1,4 milhões de reais mensais apenas para arcar com a folha de pagamento de todos os jogadores do elenco profissional. Nesse contexto milionário, o lendário camisa 12 foi disparadamente o jogador com o maior e mais invejado salário da equipe paulista.
O pentacampeão recebia religiosamente, e de forma mais do que merecida, nada menos que exorbitantes R$ 83.000 mensais na época, valor que incluía bônus e lucrativas bonificações atreladas à sua imagem e desempenho. Se corrigirmos para os dias atuais, é uma fortuna espantosa. A quantia era bastante impressionante e representava o teto de mercado no Brasil na época, o que fazia todo o sentido, mesmo considerando e lembrando aos críticos que há exatos dois anos ele havia sido protagonista, líder e campeão do mundo com a gloriosa seleção brasileira no Oriente.
Mas como vive o homem por trás da fortuna acumulada com tanto suor, calos e dores crônicas? O craque sempre foi e continua sendo visto pela sociedade como um sujeito simples, autêntico e de uma humildade francamente desarmante. Ele é acessível, conversa com os fãs sem estrelismos, frequenta lugares comuns e ri de si mesmo. Apesar de ter, de forma genial e calculada, construído uma gloriosa carreira de estrondoso sucesso internacional e erguido um formidável e sólido patrimônio financeiro incontestável ao longo de mais de duas décadas de trabalho duro, o dinheiro nunca lhe subiu à cabeça.
No entanto, essa aura de cara comum da vizinhança não significa, em hipótese alguma, que ele não tenha feito brilhantes e luxuosas aquisições ao longo de sua vitoriosa vida, muito especialmente no que diz respeito ao seu refúgio sagrado, que é a sua moradia, e aos seus veículos. O aclamado campeão do mundo vive hoje uma realidade de conto de fadas no interior. Ele não mora em uma casa modesta de subúrbio, mas sim em uma espetacular, imensa e luxuosíssima cobertura do tipo duplex, encravada e estrategicamente localizada com total discrição e segurança em uma nobre cidade do cobiçado interior de São Paulo.
Essa fortaleza flutuante é o símbolo de tudo o que ele conquistou. O imóvel possui detalhes de cair o queixo, contando com um suntuoso andar inteiramente idealizado, decorado e exclusivamente dedicado ao lazer, onde ele pode reunir sua família e amigos de longa data, sem a interferência ou o assédio incômodo da imprensa e do público alheio. A residência é o verdadeiro e exato reflexo do seu novo estilo de vida: ele exige muito e extremo conforto, segurança de primeiro mundo e espaço de sobra. Para desfrutar de todos esses privilégios e benefícios estruturais, é preciso desembolsar pequenas fortunas. Especialistas do mercado imobiliário garantem que um espetacular apartamento dessa magnitude e com essa localização privilegiada está amplamente avaliado em exuberantes e expressivos milhões de reais.
Quando o assunto migra para os motores e para a garagem do craque, a história ganha contornos ainda mais pitorescos e fascinantes, revelando muito sobre a personalidade intrigante de Marcos. Ao longo das décadas e do engordar vertiginoso de sua conta bancária, o goleiro sempre nutriu e demonstrou um gosto extremamente peculiar e apaixonado por carros automotivos ao longo de toda a sua trajetória. Durante seus áureos anos como atleta e renomado jogador profissional, ostentando o maior contracheque do elenco, ele teve à sua disposição e desfilou com os mais diversos veículos luxuosos, variando facilmente entre grandiosos e imponentes SUVs de aparência mais robusta até os clássicos mais luxuosos que o mercado nacional e importado podiam oferecer.
No entanto, com o passar implacável do tempo, o processo natural de amadurecimento e a consolidação inabalável da sua riqueza, o ídolo passou por uma metamorfose de preferências que choca muita gente acostumada com a ostentação desenfreada dos novos ricos do esporte. Atualmente, vivendo a paz merecida, ele optou livremente e mantém um estilo visual nas ruas incrivelmente mais contido e extremamente discreto. O luxo escandaloso deu lugar a um charme nostálgico. Ele demonstra publicamente um grande e zeloso apreço por consertar e dirigir apaixonadamente belos carros mais antigos. A grande estrela de sua atual coleção não é uma Ferrari vermelha ou uma Lamborghini estridente. Atualmente, o orgulhoso multimilionário e eterno São Marcos é o dono apaixonado de um icônico modelo da montadora Volkswagen: o saudoso Fusca, especificamente o aclamado modelo Itamar fabricado no nostálgico ano de 1994.
E não pense que o Fusca é apenas um enfeite de garagem trancado a sete chaves. Ele realmente o utiliza em seu dia a dia. Recentemente, ele foi até mesmo flagrado e visto casualmente abastecendo ele mesmo o simpático Fusca na bomba de um corriqueiro posto de gasolina da sua cidade, vestindo roupas comuns de fim de semana. Esse simples gesto rotineiro e as imagens amadoras que circularam nas redes sociais causaram espanto, e chamaram muito a curiosidade e a forte atenção dos milhares de fãs na internet, e serviram apenas para sublinhar e reforçar ainda mais, de maneira inquestionável, a sua fama inabalável de um cara verdadeiramente simples e desapegado de vaidades. Um homem que provou ao mundo que ele realmente não se preocupa nem um pouco em querer arrogantemente ostentar veículos caríssimos e milionários nas ruas para se autoafirmar perante os outros. Ele já conquistou o mundo, não precisa provar mais nada para a rua.
Hoje em dia, a rotina do ex-atleta é tão ou mais movimentada do que nos tempos de treinamentos pesados na Academia. Marcos atualmente, e desde o doloroso e emotivo anúncio de sua aguardada aposentadoria oficial em meados de 2012 — após ser bombardeado por crônicas dores nos joelhos e no corpo cansado de tantas quedas —, tem se dedicado ativamente e com maestria a diversas frentes e atividades que refletem com fidelidade sua infindável paixão viva pelo esporte, seus negócios e sua eterna e forte conexão com a legião de milhões de fãs que o idolatram.
O ex-atleta soube como poucos transmutar sua imagem imaculada, seu carisma inato e sua gigantesca credibilidade de bom moço em gordos dividendos publicitários. Marcos tornou-se um dos mais disputados e requisitados nomes do mercado nacional, atuando profissionalmente como um incansável garoto propaganda. Ele é figura fácil e frequente participando efusivamente de grandes e milionárias campanhas publicitárias em horário nobre na TV e sendo a grande atração principal em lucrativos eventos promocionais por todo o país. Além das mídias, o genial craque já manifestou grande e concreto interesse comercial em diversificados empreendimentos corporativos de grande porte. Ele encontrou um excelente nicho no rentável comércio como a lucrativa venda de carros executivos e, mostrando suas raízes fincadas no interior, o pentacampeão possui ainda vultosos investimentos estratégicos e seguros focados no gigante agronegócio nacional. Atuando com olhar clínico como um próspero e bem-sucedido fazendeiro, essas empreitadas vão garantindo e aumentando exponencialmente ainda mais e de forma muito segura o seu já robusto patrimônio financeiro ano após ano.
Em suma, a figura de São Marcos é infinitamente muito mais, e muito mais complexa, do que apenas a estampa de um talentoso e respeitado ex-goleiro de gigante sucesso esportivo. A sua lindíssima trajetória humana e moral vai quilômetros muito além do que acontece dentro das limitadas quatro linhas demarcadas dos gramados esportivos, consolidando-se dia após dia e de forma definitiva como um inatingível e mítico ícone irretocável não apenas da Sociedade Esportiva Palmeiras, mas de toda a formidável cultura do glorioso futebol brasileiro pentacampeão.
Desde aqueles primeiros e difíceis dias nas serrarias do interior, passando pelos gloriosos e épicos dias de batalha esportiva defendendo com sangue, suor e lágrimas o lendário verdão alviverde e conquistando de forma gloriosa o inédito penta campeonato mundial lutando com a pátria amada seleção brasileira no distante Japão, até a sua maravilhosa, simples e milionária vida atual a bordo de um singelo Fusca Itamar noventa e quatro, o roteiro permanece intacto. Com as luvas aposentadas ou segurando uma xícara de café na sua cobertura duplex, ele continua sendo firmemente aquela mesma figura paternal, eternamente querida, extremamente carismática e permanentemente admirada pelos eternos torcedores de todas e de todas as idades espalhados pelo imenso território do Brasil e além fronteiras. Uma verdadeira aula de humildade, trabalho, fidelidade e sabedoria financeira, provando que é possível tocar o céu e o topo do mundo sem jamais, em nenhum momento, tirar sequer um dos pés descalços do chão úmido da roça que o moldou.