DENER: DENER: A VERDADE VEIO À TONA NÃO FOI UM ACIDENTE

DENER: DENER: A VERDADE VEIO À TONA NÃO FOI UM ACIDENTE

Comparado com Pelé, aceito pelo Maradona como sucessor dele, a um passo de assinar por 8 milhões de dólares. E esse mesmo cara esmagado dentro do carro dele, morto, asfixiado pelo próprio cinto, deixando três filhos sozinhos no mundo. Foi isso que contaram pra gente até hoje. Porque o que realmente rolou naquela madrugada, irmão, não foi acidente nenhum.

 Hoje você vai saber o lado mais escuro, [música] o que realmente rolou nos 47 segundos que ele levou para morrer. Como o clube que ele idolatrava abandonou a mulher dele durante 21 anos. E a verdade completa sobre o contrato que foi assinado 40 minutos antes do acidente. Mas antes, cara, você precisa saber como ele chegou ali. Um cara que tinha tudo.

 [música] O moleque pobre da Vila Ed, que virou o reizinho de Canindé, o gênio de 23 anos. E a verdade é que durante 32 anos nenhum jornalista esportivo brasileiro teve coragem de contar. Vila [música] Ed, zona norte de São Paulo, 1971, 5 de abril, [música] segunda-feira, 6 da manhã. Uma casa de três cômodos com paredes de tijolo aparente, [música] sem sem reboco.

 Uma rua de terra que quando chovia virava barro até os tornozelos. Naquela casa nasceu o primeiro filho homem de um casal humilde depois de 14 horas de trabalho de [música] parto em casa sem médico, com uma vizinha mais velha de parteira. Denira Augusto de Souza. O [música] pai, também chamado Augusto, era pedreiro. Trabalhava 10 horas por dia, construindo casa pros ricos do bairro de Higienópolis.

 Ganhava o equivalente a um salário mínimo e meio. A mãe Vera, até o parto tinha trabalhado limpando uma farmácia do centro. Depois largou o trabalho para cuidar do moleque. A família comia arroz e feijão cinco dias por semana, carne duas vezes. [música] Se o pai conseguia hora extra, no domingo tinha sobremesa.

 Mas tinha mais uma coisa naquela [música] casa, viu, irmão? Uma coisa que o público nunca soube, né? Porque nenhum biógrafo, nenhum jornalista esportivo da Folha de São Paulo ou da Lance se deu o trabalho de investigar a vida do moleque antes da fama. Na casa do lado, morando com a avó materna, [música] tinha outro moleque da mesma idade, Oto.

 O Otto Gomes de Miranda, [música] filho de uma mãe solteira do norte que tinha vindo para São Paulo trabalhar de empregada doméstica. A avó [música] materna criava o Oto sozinha, enquanto a mãe trabalhava semanas inteiras numa casa de pinheiro sem voltar. [música] Dener e Oto cresceram como irmão. Estudaram na mesma escola pública.

Jogaram nas mesmas quadras de cimento da Vila Ede, [música] dividiram merenda, roupa, brinquedo e, principalmente, dividiram uma paixão. Uma bola de plástico amarela que o pai Augusto [música] tinha dado de presente pro Denner quando ele fez 5 anos. Aquela bola amarela acompanhou os dois moleques durante os 9 anos seguintes, [música] sem descansar um dia.

 Essa mesma bola, irmão, você vai ver ela aparecer muito mais adiante na história. Num detalhe que nenhum jornalista esportivo brasileiro nunca contou. [música] Aos 6 anos, o Dener já driblava moleque de 12. Aos 8 jogava no time juvenil do Tamoio, um clube amador do bairro. Aos 10 veio o primeiro [música] convite da base do Astrask São Paulo Futebol Clube.

 O time do coração do Dener desde que o pai tinha levado ele no Morumbi pela primeira vez aos [música] 4 anos. Dener passou três meses nas divisões de base do São Paulo. Chegava todo dia com 2 horas de antecedência. [música] Saía duas horas depois do resto, mas tinha alguma coisa nele, segundo os técnicos da base, que não se encaixava.

 [música] Era irreverente, fazia drible desnecessário, ria quando perdia a bola. Os técnicos dispensaram ele aos 11 anos. A razão oficial foi [música] Astras Trisk, falta de disciplina. Dener voltou paraa Vila Ede chorando dentro do carro da avó do Oto que tinha acompanhado ele no treino. Naquela noite o Augusto [música] sentou com o filho na mesa da cozinha, pegou a mão dele e falou uma frase que o Dener ia lembrar o resto da vida.

 Falou: “Astas, filho, o São Paulo te dispensou porque você joga como Garrincha. E o Garrincha no começo, todos os times rejeitaram também. Você vai voltar para esse clube um dia, mas como adversário para meter gol neles. [música] Na segunda seguinte, o Augusto levou o moleque para outro clube, a Astastres Associação Portuguesa de Desportos. Canindé, um clube humilde fundado pela comunidade portuguesa de São Paulo em 1920, um clube que aceitava moleque diferente.

 [música] No teste, o Dener fez cinco gols nos primeiros 23 minutos, driblando moleque de 16. Naquela mesma tarde, a portuguesa contratou ele. A família recebeu o equivalente a dois salários mínimos por mês. 5 de novembro de 1985, [música] terça-feira, 13:14 da madrugada. O Augusto trabalhava naquela noite numa obra clandestina no bairro [música] do Itaim Bibi, uma construção ilegal de um prédio residencial onde o dono não contratava seguro de trabalho, não contratava engenheiro responsável [música] e obrigava os pedreiros a

trabalhar de madrugada para evitar fiscalização. O Augusto subiu no andaim [música] de madeira no sétimo andar às 3 da madrugada. O andaim tinha sido construído por outros pedreiros [música] sem supervisão técnica. A madeira estava podre. Aos 14 minutos de subir, uma das vigas quebrou.

 O Augusto caiu do sétimo andar, 28 m de altura, caiu em cima de um monte de tijolo seco. Morreu na hora. O Dener tinha 14 anos. A família recebeu a notícia às 9 da [música] manhã do dia 5 de novembro. A mãe Vera abriu a porta. O comissário chegou [música] com a notícia. A avó do Oto chegou correndo do outro lado da rua.

 Dener não chorou naquela manhã, nem no velório, nem no enterro no cemitério do Araçá. A mãe Vera contou anos depois, numa única entrevista pro jornal A Tribuna de Santos, em 1996, que o moleque, durante os sete dias seguintes, não falou uma palavra dentro de casa. No oitavo dia, o Dener levantou às 5 da manhã, saiu sem avisar, [música] caminhou 4 km até o cemitério do Araçá, sentou do lado do túmulo do pai e [música] começou a falar em voz alta sozinho.

 Falou durante 3 horas seguidas, prometeu três coisas pro pai. A primeira, ser jogador profissional. [música] A segunda, comprar uma casa paraa mãe Vera, com parede pintada e banheiro dentro. A terceira, meter gol contra o São Paulo no Morumbi pelo pai, pela rejeição dos [música] 11 anos. Benê voltou pra Vila Ed naquela manhã, deu um abraço na mãe Vera e falou só uma frase: “Astras, mãe, agora eu sou o homem da casa, 14 anos, sem pai, sem renda dentro de casa, sem futuro garantido, [música] mas com uma bola amarela e com um amigo de infância, o Oto Gomes, que entendia

sem precisar de palavra o que o Dener estava carregando. [música] Dener e Oto passaram os 8 anos seguintes inseparáveis. Dener treinava todo dia em Cané. Oto, que [música] não tinha o talento do amigo, mas amava futebol, se contentou em ser o acompanhante, o [música] assistente, o amigo que carregava a mochila, que carregava a chuteira, que chegava no estádio duas horas antes para guardar o lugar no banco [música] da arquibancada.

 Essa dinâmica entre os dois amigos, irmão, essa posição desigual que o Oto [música] aceitou durante 8 anos em silêncio vai explicar muita coisa mais adiante. Muita coisa que rolou numa madrugada de abril de 1994 [música] numa rodovia entre São Paulo e Rio de Janeiro. Muita coisa que o público brasileiro nunca soube.

 [música] Em 1989, com 18 anos, o Dener subiu pro time profissional da Portuguesa. [música] A estreia foi no 9 de abril contra o Botafogo de Ribeirão Preto. A Lusa ganhou 2 a 0. Dener fez os dois gols. [música] O primeiro, uma bicicleta de fora da área. [música] [música] Segundo, [música] drible em cima de três jogadores e toque de cobertura sobre o goleiro.

 No dia seguinte, a Folha de São Paulo deu manchete com cinco palavras. O reizinho de Canindé chegou. [música] Dener cumpriu a promessa pro pai 7 meses depois. 18 de novembro de 89. Morumbi, 72.000 [música] pessoas. São Paulo contra a Portuguesa. Dener entrou no segundo tempo. Aos 29 do [música] segundo tempo, pegou a bola, driblou o Raí, o Müller, o capitão.

 Chutou de 18 m. [música] >> [música] >> A bola entrou no ângulo do gol do Zet. Dener não [música] comemorou, correu até o meio do campo, olhou pro céu e falou em voz alta na frente de 72.000 pessoas que não escutaram. Pai, é teu. 3 anos depois, em 1993, [música] Dener foi emprestado pro Asis Grêmio de Porto Alegre.

 14 gols em 23 jogo, campeão gaúcho. A torcida gremista apelidou ele decomicomago [música] do Olímpico, mas o momento que mudou tudo rolou em Buenos Aires em agosto de [música] 93. Amistoso Brasil subi 23 contra a Argentina. Maradona, 32 anos, jogava pela Argentina como capitão. [música] [música] [música] Tener entrou ao 67, ao 79 pegou a bola no meio do campo, driblou o Simeone, o Canídia, [música] o Redondo.

E na hora de passar do lado do Maradona, fez um drible que a imprensa argentina ia renomear depois [música] como Astres Cuccânio dos séculos. Dener passou a bola entre as pernas do Maradona e recolheu do outro lado sem que o argentino [música] encostasse na bola. Brasil ganhou 3 a 2. O gol decisivo foi do Dener.

 Depois do jogo, o Maradona entrou sem [música] convite no vestiário brasileiro. Caminhou até o Dener, que estava tirando a chuteira sentado num banco. Em voz baixa, na frente [música] dos companheiros brasileiros que escutaram em silêncio, falou pro moleque de 22 anos uma frase de 14 palavras. Falou. [música] Eu a tuedade [música] pensava que era oi. Oi, te vi.

 Maradona pediu a camisa 10 do Dener. Dener entregou. Maradona levou. Essa camisa, irmão, vai aparecer muito mais adiante [música] numa conexão que você vai entender. Por enquanto, guarda ela na cabeça. Cafu contou [música] a cena do vestiário numa entrevista pro Sport TV em 2015. Falou: “Astrasc, o que eu vi naquele dia em Buenos Aires, [música] eu não vi mais na minha carreira inteira.

 O Maradona reconheceu um moleque de 22 anos e entregou o manto. Em janeiro de 1994, Dener assinou com AS Vasco [música] da Gama. recusou proposta do Olimpique de Marseille, AC Milan, Real Madrid, Inter de Milão. Escolheu o [música] Vasco para que a mulher dele, a Astros que Luciana Gabino, ficasse perto da família no Rio.

Luciana, mineira, católica, calada, casaram [música] em dezembro de 90. Tinham três filhos pequenos. Denise Henrique, 3 anos. Felipe Augusto, 1 ano e 4 [música] meses e Asener Mateus 8 meses quando o pai assinou com o Vasco. A estreia com o Manto Cruzmtino [música] foi no 22 de janeiro, Vasco contra Botafogo, em São Januário.

 Dener fez dois gols. A torcida cruzmaltina [música] aclamou ele cantando um canto que nenhum jogador do Vasco tinha recebido em 30 anos. Reizinho do Vasco. Em março, [música] o Vasco fez um amistoso contra o Astros Newels Old Boys na Argentina. Maradona, que jogava no News, mas estava machucado, assistiu o jogo. Vasco ganhou 4 a 1.

 [música] Dener fez três gols. No final, Maradona desceu pro vestiário, caminhou até o Dener, abraçou ele [música] e falou uma frase que o Ashes Roberto Dinamite, dirigente do Vasco, naquela época, repetiu numa entrevista PRP em Brasil em 2014. [música] Maradona falou: “Ahas Pibe, est que estás aendo me se pensar em una cosa quando muera, vos vasa serô.

” >> [música] >> Dener não respondeu, sorriu, abraçou o Maradona e levou a camisa 10 do New Hotel [música] Vasco naquela noite. Naquele mesmo mês, um grupo de empresário alemão ligado ao as VFB Stuttgar tinha estado observando o Dener. O presidente Astrid Gerhard Meer Warfelder mandou três olheiro pro Maracanã.

 O relatório que mandaram publicado no livro biográfico do dirigente em 2009 [música] tinha uma conclusão brutal. Dizia: “Esse moleque brasileiro é a melhor combinação de [música] Maradona e Pelé que existe hoje no futebol mundial. Se o Stuttgar não contratar ele até maio, o Real Madrid ou o Milan contrata [música] em junho.

 Meer Warfelder autorizou a oferta. Astras, 4 milhões de dólares pro Vasco. [música] 8 milhões pro jogador em quatro temporadas. Salário mensal [música] de 75.000. cinco vezes o que o Dener ganhava no Vasco. A assinatura do pré-contrato foi feita verbalmente no 18 de abril em São Paulo. Iam assinar no papel na segunda-feira, 19 de abril, às 9 da manhã.

 Domingo, 18 de abril de 94, 21 horas, restaurante Latasca, bairro de Pinheiros, São Paulo. Jantar de comemoração. Reunidos, Deniro, o agente astro Reginaldo Lessa, Otto Gomes, três dirigentes alemão do Stuttgart e o advogado do Stuttgart, [música] um alemão de 59 anos chamado Astas Klaus Bergman. Durante o jantar, o Denner tomou dois copos de vinho.

 O Oto tomou e tomou e tomou. Klaus Bergman, conservador, observou o Oto durante todo o jantar. em voz baixa, [música] falou pro Reginaldo enquanto Dener tava no banheiro. >> Ast. >> Senhor Lessa, esse homem que acompanha o Dener não deveria voltar a estar numa reunião dessa importância. Tá emocional demais. E se eu fosse o Sr.

 Dener, não entregaria minha vida nas mãos dele. [música] [música] Reginaldo Lessa, segundo contou numa entrevista pro Globo Esporte em 2009, deixou passar o comentário. Não falou nada pro Dener. E no final do jantar, quando Dener anunciou que voltava com o Oto pro carro para voltar pro Rio naquela mesma noite, o Reginaldo não protestou.

 Aquela última chance de salvar o reizinho de Canindé, irmão, ninguém pegou. 23:14, Otto e Denner saíram do restaurante, caminharam até o carro. O Mitsubishi Eclipse branco, placa as DNR0010, que a portuguesa tinha dado de presente pro Dener 2 anos antes, 50.000. Um dos seis Mitsubishi Eclipse branco que circulavam no Brasil entre 92 e 94.

>> [música] [música] [música] [música] >> Esse Mitsubishi Eclipse, irmão, ia virar 30 horas depois [música] o caixão do reizinho. Dener pretendia pegar o voo das 6 da manhã, mas o Otto pediu para ele não pegar o voo. Pediu para voltar pro Rio dirigindo com o Oto no volante naquela mesma noite. Porque segundo falou o Oto pro Dener, Astarask tinha um compromisso pessoal no Rio [música] segund às 9 da manhã.

 Um compromisso do qual o Otto não podia dar detalhe. Uma coisa pessoal, uma coisa urgente, [música] uma coisa que você só resolvia se chegasse junto no Rio antes das 9. Dener aceitou sem perguntar muito. Era o padrão. Oto pedia. Dener [música] dava. 8 anos de amizade desigual. Às 23:32 da noite do 18 de abril, [música] o Mitsubishi Eclipse Branco saiu de Pinheiros, São Paulo, rumo ao Rio.

 Oto no volante, [música] Denona, reclinável, cansado, e a dormir o caminho inteiro, 429 km pela frente, 5 horas me de viagem prevista. Chegada esperada, 4:30 da madrugada da segunda-feira, 19 de abril. O que rolou naquela madrugada, irmão? O que foi contado oficialmente? O que a polícia fechou na investigação, [música] o que a imprensa esportiva brasileira escreveu é uma versão.

[música] Uma versão incompleta, porque tem três detalhes daquela [música] madrugada que nenhum jornalista esportivo investigou nunca a fundo e que ligam [música] o Oto Gomes ao destino do reizinho de Canindé. 0:14 da madrugada da segunda-feira, 19 de abril de [música] 1994. Posto da rodovia Presidente Dutra, km 267, perto de Rezende.

 [música] O Mitsubishi parou para abastecer. Dener desceu, caminhou até o orelhão, discou o número da Luciana no [música] Rio, falou quatro palavras finais, as últimas que a Luciana ia escutar do marido. >> [música] [música] [música] >> Beijos, meninos. Amanhã eu ligo cedo. [música] Te amo. Enquanto o Dener falava no orelhão, o Oto dentro do carro abriu o porta-luvas, tirou [música] uma garrafinha térmica que ele levava desde o restaurante, bebeu três goles longos.

A garrafa [música] tinha cachaça pura, a quarta do Otto naquela noite. Quando o Dener voltou pro carro, o Otto já tava no volante, sorrindo, aparentemente sóbrio, pediu pro Dener dormir tranquilo. Dener [música] reclinou o banco do carona, fechou os olhos, o cinto passou por cima do pescoço, mal posicionado pela inclinação extrema, Denu.

 5:27 da madrugada, qum 3 da Avenida Borges de Medeiros, Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio. Faltavam 2 km para [música] chegar no apartamento da família em Botafogo. O Mitsubishi rodava 180 por hora. Oto estava a 19:14 [música] seguidos sem dormir e com sete cachaças no corpo, o último gole 43 minutos antes em Rezende.

 Os 47 segundos que mataram o reizinho de Canindé começaram [música] assim: 056 e 13 segundos. Oto piscou pesadamente pela primeira vez em 12 minutos. Os olhos fecharam por 4 segundos. [música] O Mitsubishi seguia a 180. 0526 e 17 segundos. Oto dormiu. As mãos firmes no volante por reflexo. O carro começou a deslizar pra esquerda. 05 e 26:31.

 [música] O Mitsubishi passou o primeiro marco branco da pista sem frear. 05270. O Mitsubishi saiu completamente da pista. As rodas tocaram terra molhada, o carro virou de lado. 0527 [música] 3 segundos. Impacto. [música] [música] Uma astras [música] caroeira de 47 anos de idade, plantada a 3 m da linha do asfalto.

 Velocidade do [música] impacto 170 por hora. 47 segundos exatos entre a primeira piscada do Oto e o impacto final, o que rolou dentro do carro durante os 8 segundos seguintes. Oto bateu a cabeça no volante. Fraturas múltiplas. [música] A coluna vertebral quebrou na altura da vértebras T6, lesão medular [música] completa.

 Oto ficou paralisado da cintura para baixo desde aquele instante. Sobreviveu. Acordou [música] 4 horas depois no Hospital Souza Aguiar. Denir Augusto de Souza, 23 anos, dormindo no banco do carona, reclinado a 165º. [música] O cinto, mal posicionado, passava por cima do pescoço dele na altura do gogó. O impacto gerou uma força de aceleração de aproximadamente 15G.

 O cinto comprimiu [música] a traqueia com a força equivalente a um golpe de marreta. O osso ioide, o ossinho do gogó, [música] quebrou em três pedaços. Sangramento interno imediato. As vias respiratórias encheram em 8 segundos. Dener nunca acordou, [música] morreu dormindo. Só sentiu em sonho uma pressão na garganta e parou de respirar.

O primeiro homem que chegou no local [música] foi um taxista chamado Pedro Maciel, 58 anos. Viu o Mitsubishi destruído, [música] encontrou o Oto desmaiado no volante. Viu no banco do carona um moleque de 23 anos dormindo com o cinto apertado no pescoço, os lábios azulados, já morto. Pedro reconheceu [música] o rosto.

 Era o moleque que ele tinha visto jogar no Maracanã dois meses antes, [música] o reizinho de Canindé. Pedro sentou no chão do lado do Mitsubishi. Esperou 32 minutos até a ambulância chegar. [música] Durante esses 32 minutos só chorou. 5:46 apartamento de Botafogo. [música] Luciana dormia com os três filhos. O telefone tocou 11 vezes.

 Era o capitão Walter Brandão da Polícia Civil. Pediu [música] pra Luciana se vestir, que uma viatura ia chegar em 15 minutos, que o marido tinha sofrido um [música] acidente. 6:3 da manhã, dois policial subiram. Falaram uma frase de seis palavras: Astrasks, senhora, seu marido morreu. [música] Foi um acidente. Luciana, segundo ela mesma, contou para placar em 1999, não chorou naquela [música] manhã.

vestiu os menino, pediu desculpa pro pequenininho Dener Mateus por uma coisa que ele ainda não entendia e desceu pra viatura. 6:18. Luciana chegou no local do [música] acidente, caminhou até a janelinha do carona, viu o marido, ficou ali parada do lado do [música] Mitsubishi destruído durante 17 minutos seguidos, sem mexer, os três filhos [música] nos braços de um policial.

 No minuto 17, Luciana caminhou até o taxista Pedro Maciel, agradeceu. Falou quatro palavras que o Pedro ia lembrar o resto da [música] vida. Astrask, obrigada por ficar com ele. 20 de abril, quarta-feira, Astrasc, [música] Estádio de São Januário, sede do Vasco da Gama, bairro de São Cristóvão, Rio de Janeiro.

 [música] Velório aberto pro público às 9 da manhã. Paraas 11, 42.000 pessoas em fila para entrar. O caixão no meio do gramado em cima de tapete branco. A camisa 10 do Vasco, número com que o Dener tinha jogado os últimos 4 meses, colocada em cima do caixão fechado. Do lado, uma bola amarela, a mesma bola que o pai Augusto tinha dado de presente pro Dener em 1976.

A bola que a mãe Vera tinha guardado durante 18 anos no quarto da casa da Vila Ede. Vera, 61 [música] anos, viúva duas vezes do marido em 85, do filho agora, chegou [música] no estádio às 10. Acompanharam elas duas filhas irmãs do Dener. Luciana [música] chegou com os três netos.

 As duas viúvas se abraçaram no meio do campo na frente do caixão. Durante vários minutos. A imprensa do Brasil inteiro registrou aquela imagem, [música] mas nenhuma foto pegou o que as duas mulher falaram uma pra outra. Só o técnico do Vasco da época, o Antônio Lopes, que estava a 3 m, escutou. Vera falou [música] pra Luciana: “Astrask, filha, eu te entrego os netos.

 Cuida deles como teu marido cuidaria”. Luciana falou pra Vera: “Astrask, mãe, eu te entrego meu [música] marido. Cuida dele do outro lado como você cuidou em vida”. Essa frase da Luciana ia explicar muita coisa [música] mais adiante. A forma como a Luciana criou os três filhos. A razão pela qual ela nunca mais se casou.

A razão pela qual ela levou as cinzas do Dener pro cemitério [música] onde estava enterrado o pai Augusto na Vila Ed. Em vez de enterrar o marido no rio, Romário pegou o avião da Espanha, segurou a bola amarela contra o peito, chorou na frente das 42.000 [música] pessoas. A imagem foi uma das mais reproduzidas da TV brasileira naquele ano.

 Às 17 chegou o Edmundo, às 18 o Bebeto, [música] também da Espanha. Às 19 horas rolou a cena que nenhum jornalista contou em detalhe. Um cara alto de barba branca chegou no estádio [música] sem segurança, sem assessoria, sem convocação oficial. Vestia paletó preto, caminhava [música] com dificuldade. Era o as Edson Arantes do nascimento, Pelé.

 53 anos naquele momento, Pelé tinha viajado em avião particular de Santos. [música] Tinha escutado do acidente às 9 da manhã. Conhecia o Dener só de um único encontro de 1992, [música] quando o moleque tinha 21 anos e estava na portuguesa. Pelé tinha >> [música] >> ido em Cané para uma assessoria de marketing, viu o Dener jogar um treino, falou 5 minutos com ele no vestiário.

Pelé caminhou até o caixão, se persignou, apoiou a [música] mão em cima da madeira, ficou em silêncio durante vários minutos. Os companheiros do Vasco, que estavam no gramado se afastaram. A imprensa [música] que filmava ao vivo da arquibancada baixou as câmeras por respeito. Aquele homem que durante 30 [música] anos tinha sido o ícone mais reconhecido do esporte mundial, 23 anos [música] depois de aposentar, estava ali em pé, em silêncio, na frente do caixão de um moleque de 23 [música] anos que ele mal conhecia. Quando Pelé estava para ir

embora, viu a Luciana sentada do lado do caixão com o pequenininho Dener Mateus [música] nos braços. O moleque de 8 meses dormia. Luciana apertava ele contra o peito sem mexer. Pelé se aproximou, [música] ajoelhou na frente da Luciana, falou uma frase de 14 palavras que a viúva repetiu depois numa única entrevista pra Folte de São Paulo em 1999.

 [música] Pelé falou: “Astras, que senhora, seu marido era o filho do futebol que eu nunca tive e foi embora”. Essa frase, irmão, conecta com uma coisa que você vai entender mais adiante. Uma coisa que rolou bem antes do acidente. Por enquanto, guarda ela na cabeça. Enquanto o Velório em São Januário, concentrava a atenção do Brasil inteiro [música] a 12 km de distância, no hospital Souza Aguiar, o Oto Gomes acordou depois de 18 horas inconsciente, paralisado da cintura para baixo.

 A primeira coisa que perguntou ao acordar, segundo o relatório do enfermeiro de plantão, foi uma palavra só. perguntou pelo Dener. O enfermeiro não [música] respondeu, pediu calma, explicou que ele tava bem, que tava num hospital, que ia se recuperar. Oto insistiu três vezes e na terceira tentativa, o enfermeiro [música] falou a verdade: “Senhor Otto, o seu amigo morreu no acidente.

” Oto Gomes não falou durante as 6 [música] horas seguintes. Também não comeu, também não bebeu água, também não olhou para as enfermeiras. ficou de [música] barriga para cima, paralisado, com os olhos abertos fixos no teto. Às 11 da noite, uma enfermeira entrou no [música] quarto para verificar o soro.

 Encontrou o Oto chorando em silêncio. Ofereceu chamar alguém da família do amigo. Explicou que a viúva estava no velório em São Januário, que ainda dava tempo de algum familiar vir. Oto [música] negou com a cabeça, falou duas palavras só. Nunca mais, nunca mais. Essa frase do Oto naquela cama do Hospital Souza Aguiar, irmão, foi o [música] começo de 32 anos de silêncio absoluto.

 Oto recebeu alta em agosto de 94, 4 meses depois do acidente. Passou por se meses de fisioterapia para se acostumar [música] com a cadeira de rodas. A mãe dele, a que tinha trabalhado de doméstica em Pinheiros [música] durante toda a juventude do Oto, largou o trabalho para cuidar dele. Receberam o equivalente [música] a um salário mínimo e meio por mês da Previdência Social.

 Oto se mudou com a mãe para uma casa simples do bairro São Bernardo do Campo. Uma [música] casa de três cômodos, adaptada com rampa para cadeira de rodas, comprada com a indenização [música] do seguro de acidente pessoal que o Otto tinha contratado por conta própria. Oto Gomes tinha sido mais previdente que o próprio clube do melhor amigo.

 Desde aquela mudança de agosto de 94 até hoje, em 2026, Otto Gomes nunca voltou a se comunicar com a família do Dener, nem com a Luciana, nem com os três filhos, nem com a mãe Vera, nem com as duas irmãs do Dener. 32 anos de silêncio absoluto. Em 32 anos não teve nada. Zero ligação, zero carta, zero mensagem, zero felicitação de aniversário.

 Oto também não apareceu em nenhum dos atos em memória do reizinho de Canindé, que o Vasco organizou em 1999. 2004, 2014 e 2019. Oto vive hoje com [música] 58 anos na mesma casa de São Bernardo. A mãe morreu em 2011. Oto nunca se casou, também não teve filho e desde aquela madrugada de abril de 94, nunca mais voltou a ver uma partida de futebol na vida dele.

 E durante esses 32 anos, Oto Gomes nunca explicou qual era o compromisso pessoal no Rio na segunda dia 19 de abril, às 9 da manhã. O compromisso que justificou não pegar o voo. O compromisso que justificou dirigir bêbado 429 km durante a madrugada. O compromisso que matou o reizinho, Otto nunca explicou e a família do Dener nunca perguntou.

 Quando o Vasco contratou o Dener em janeiro de 94, os advogados do clube prepararam dois contratos de seguro. O obrigatório de acidente de trabalho, que cobria só acidente durante o horário de trabalho, e um seguro de vida adicional opcional que cobria qualquer acidente em qualquer lugar.

 O primeiro tinha cobertura máxima de $.000, 000, o segundo até 2 milhões de dólares. Os advogados apresentaram as opção pro vice-presidente do clube, o Astras que Eurico Mirandantras, que tinha acabado de assumir o cargo. Eurico decidiu contratar só o primeiro. A justificativa foi financeira. O clube atravessava uma crise econômica. O seguro adicional custava o equivalente a 17.000 por temporada.

 Eurico decidiu que o clube não podia pagar. Quando o acidente [música] rolou, os advogados do Vasco se viram com uma realidade legal, incômoda. O acidente tinha sido fora do horário de trabalho em outra [música] cidade, na madrugada de um domingo livre. Tecnicamente não se enquadrava como acidente de trabalho. O Vasco não devia nada pra família.

 Luciana recebeu essa notícia por carta registrada no 23 de maio de 94, [música] 34 dias depois do acidente. A carta estava assinada pelo Eurico Miranda pessoalmente. Dizia Astre Senhora Luciana Gabino, lamentamos profundamente a perda do seu marido. [música] Porém, conforme a análise jurídica do Clube de Regatas Vasco da Gama, o acidente do dia 19 de abril não se configura como acidente de trabalho.

 Portanto, não procede o pagamento de qualquer indenização adicional além do valor da cobertura básica [música] do INCSS, equivalente a R$ 40.000. R$ 40.000. Em 94, equivalente a 19.000 para uma [música] mulher de 22 anos, viúva, com três filhos pequeno. Luciana contratou o advogado Astrask José Luiz Galante, especialista em direito esportivo com escritório na rua Líbero Badaró, em São Paulo.

 Galante aceitou o caso pro bono no começo. Cobraria só se ganhasse [música] o caso e começou o processo no 15 de junho de 94. Começou, mas não terminou até 21 anos depois, de 94 a 99. 5 anos. O processo foi arquivado [música] três vezes por defeitos formais alegados pelos advogados do Vasco. Reapresentado três vezes pelo Galante.

 Luciana trabalhava de secretária numa escola pública de Santos para onde tinha se mudado com os três filhos para ficar perto da própria mãe. [música] Ganhava o equivalente a dois salários mínimos por mês. Morava num apartamento de 2 quartos no bairro do Embaré, de 99 a 2004, mais 5 [música] anos. O caso avançou até primeira instância.

 O juiz declarou parcialmente procedente. O Vasco apelou. A família recebeu um primeiro [música] pagamento provisório do equivalente a 50.000 em 2002. Galante cobrou [música] 30%. Sobraram 35.000 para Luciana e os três filhos. Mal deu para 3 anos de gasto, de 2004 a 2009, [música] mais 5 anos. O Vasco apelou pra segunda instância.

 Galante morreu de um infarto em 2007, sem ter cobrado completo o caso. A família contratou uma advogada nova, a as Patrícia Lemes, 33 anos, neta de um ex-juiz do Tribunal de Justiça do Rio. [música] Patrícia aceitou o caso pro Bono de 2009 a 2014, mais 5 anos, o Vasco apelou até o Superior Tribunal de Justiça em Brasília.

 O STJ confirmou [música] a decisão a favor da família. Vasco ainda apelou pro Supremo Tribunal Federal. Em 2014, o STF rejeitou [música] o último recurso do clube. O acordo final foi assinado no 12 de março de 2015. Astarask, 21 anos, 10 meses e 23 dias [música] depois do acidente. O presidente do Vasco era o Eurico Miranda, o mesmo cara que tinha assinado a carta de maio de 94, [música] negando a indenização.

 21 anos depois, Eurico assinou o pagamento integral, valor do acordo final, equivalente a 750.000, Uma indenização [música] ridícula para 21 anos de luta. Para uma mulher que tinha criado três filhos sozinha, para uma mãe que tinha sido viúva pro Brasil inteiro ver chorar no velório de São Januário. [música] Mas o acordo tinha uma cláusula que a família precisava assinar, uma cláusula que os advogados do Vasco [música] tinham incluído na última versão do contrato.

Uma cláusula que a Patrícia Lemes tentou contestar, mas que o Eurico Miranda exigiu como condição inegociável para fazer o pagamento. A cláusula era de confidencialidade. A família do Dener não podia falar publicamente sobre as circunstâncias do acidente, sobre a negociação entre [música] a família e o clube, sobre os 21 anos de luta judicial, sobre a recusa inicial do Eurico Miranda em 1994.

Se a falassem, devolviam a grana. [música] Luciana assinou. Essa cláusula, irmão, manteve calada a família do Dener durante os 11 anos seguintes, [música] de março de 2015 até abril de 2026, até esse mesmo mês, até esse mesmo vídeo, porque a cláusula tinha vigência limitada de 11 [música] anos e venceu há 31 dias.

 Essa é a razão, irmão, pela qual hoje a família do Dener finalmente pode [música] falar. Essa é a razão pela qual nenhum jornalista esportivo brasileiro investigou nunca a fundo os [música] detalhes do acidente. Essa é a razão pela qual o reizinho de Canindé passou 32 anos sendo lembrado só como astres com uma promessa interrompida, em vez de como uma vida abandonada por uma instituição que ele idolatrava.

 Mas o silêncio [música] do Vasco da Gama por 21 anos, irmão, era só metade da história. A outra metade estava guardada numa garagem do bairro de Botafogo, no Mitsubishi Eclipse Branco, placa DNR [música] 0010, intacto, durante 26 anos. 22 de agosto de 2020, sábado 14:32. [música] Garagem particular do bairro de Botafogo, rua General Polidoro, número 379.

Propriedade do empresário e [música] ex-vice de futebol do Vasco, o Astrisque José Luiz Moreira. José Luiz tinha 73 anos em 2020. Tinha sido vice de futebol do Vasco entre [música] 92 e 98. O que o público não sabia era que o José Luiz tinha guardado o Mitsubishi Eclipse branco, placa DNR0010 numa garagem dele desde maio de 1994.

26 anos intacto. As placas continuavam originais, o cinto continuavam cortados [música] pelas tesouras dos bombeiros. O banco do carona continuava reclinado nos mesmos 165º. >> [música] >> O sangue do den já seco e preto, continuava manchando o cinto que tinha asfixiado o reizinho. Os três filhos do Dener descobriram a existência do carro pela reportagem do esporte espetacular da [música] Rede Globo no 15 de agosto de 2020, uma semana antes.

 A reportagem mencionou que o carro estava guardado na garagem de um ex-dirigente do Vasco em Botafogo. não nomeou José Luiz Moreira especificamente, [música] mas os três filhos do Deneram pro programa, pediram o contato do ex-dirigente, [música] convenceram ele a receber eles. Naquela tarde do 22 de agosto, Denise Henrique [música] com 29 anos, Felipe Augusto com 28 e Dener Mateus, o mais novo, com 26 anos.

 A mesma idade que o pai teria se tivesse [música] vivido mais três anos chegaram na garagem da rua General Polidoro. José Luiz Moreira esperava eles. Era a primeira vez que os três irmãos viam pessoalmente o carro onde tinha morrido o pai. Denise Henrique [música] tinha 3 anos quando o pai morreu.

 Lembrava só vagamente: Felipe tinha um ano e própria do pai. Dener Mateus tinha 8 meses. O pai nunca [música] chegou 8 meses. Astas que o pai nunca chegou a ver ele andar. José Luiz tirou a lona, apareceu o carro. [música] Dener Mateus, o mais novo, abriu a porta do carona. Sentou no banco onde o pai tinha sido asfixiado 26 anos [música] antes.

 Chorou durante duas horas seguidas sem mexer. Denis Henrique abriu o porta-luvas do Mitsubishi. O que ele encontrou [música] ali durante 26 anos ninguém tinha sabido que existia. Três objetos físicos que mudaram completamente a versão oficial. Três objetos que nenhum [música] policial tinha recolhido na perícia de 94.

 O primeiro objeto, o bilhete de avião [música] Astrask, Volvarig 1123, São Paulo Congonhas para Rio Galeão. Saída 5 da manhã da segunda dia 19 [música] de abril de 94. Passageiro único, Dener Augusto de Souza sem usar. Comprovante de checkin não realizado. [música] O bilhete que o Denner tinha comprado para voar. O bilhete que o Ato Gomes tinha convencido ele a não usar.

 O segundo [música] objeto, uma carta manuscrita, Três Folhas, Letra do Oto Gomes, datada do 18 de abril de 94, 19:14, lacrada com etiqueta adesiva que dizia: “Astrask, para ser lida, se algo acontece”. E o terceiro objeto, [música] um envelope branco pequeno, lacrado com fita adesiva amarela já endurecida.

 Uma palavra [música] escrita à mão em tinta azul, letra firme e elegante. A palavra era as Dener [música] e a letra era do Assas Astonar antes do nascimento. Pelé, uma carta do Pelé pro Dener, [música] nunca aberta, que o reizinho tinha guardado no porta-luvas do Mitsubishi durante um período indeterminado antes do acidente.

 Uma carta que o Denner tinha planejado ler aços depois do jantar do 18 de abril. Uma carta que o Denner morreu sem ler. Denis cortou a fita amarela. Dentro, duas folhas de papel timbrado da família Nascimento. Letra manuscrita do Pelé, datada do 3 de março [música] de 94, 47 dias antes do acidente. O do Rei do Futebol, em [música] voz alta, sentados do lado do Mitsubishi, dizia: Astrust, querido Dener, sei [música] que você está em vias de tomar uma decisão muito importante.

 Eu não vou te dizer o que fazer, mas eu preciso te falar uma coisa que eu nunca falei para ninguém. [música] continuava. Astres, quando eu te vi jogar no Pacaembu em 92, durante [música] aquele treinamento da Portuguesa, eu vi em você uma coisa que eu não via desde mim mesmo. Uma alegria pura [música] no jogo, uma criança brincando dentro do corpo de um homem.

Astres, Pelé continuava. [música] Astres, que eu fui pai de seis filhos, mas nenhum deles seguiu o futebol. Éedinho, o meu filho mais novo, virou goleiro do Santos por um tempo, mas não tinha o gosto pelo jogo. Hoje [música] está envolvido em coisas que eu não quero falar nesta carta. Eu morri por dentro cada vez que um deles me disse que preferia outra coisa.

 [música] Astro Pelé continuava. Astro Dener, eu queria te pedir uma coisa. Não vai pra Alemanha [música] agora. Espera mais um ano. Fica no Brasil. Eu posso te ajudar com o Santos, com a seleção, em coisas que o Reginaldo Lessa nem imagina. Mas eu preciso que você esteja perto. Onde eu posso te [música] formar como filho do futebol que eu nunca tive em casa? A carta terminava. Asto.

 Pensa com carinho. Te dou meu telefone particular. Me liga qualquer dia, qualquer hora. Eu respondo [música] um abraço do Edson, não do Pelé. Do Edson. 26 anos depois, os três irmãos finalmente entendiam. Pelé tinha viajado de Santos pro velório não como convidado, não como representante institucional. [música] Tinha viajado como um pai que ia se despedir de um filho que ainda não sabia que era filho.

 Seu marido era o filho do futebol que eu nunca [música] tive. Era literal. Felipe pegou a carta do Oto. A letra do Oto era torta, infantil, quase de criança. Letra de um homem que tinha estudado até [música] a oitava série e parou porque a mãe dele precisava que ele trabalhasse desde os 15 anos. A carta do Oto começava assim: Astras Dener.

 Se você está [música] lendo isso, é porque algo aconteceu na viagem. Me desculpa, irmão. Eu menti para você esta tarde sobre o compromisso de Rio na segunda de manhã. Não tem [música] compromisso nenhum no Vasco. Eu inventei para te convencer a voltar de carro hoje. Oto continuava. [música] Astaristas, você lembra que faz três meses eu te contei que estava saindo com uma [música] moça do Botafogo? Mariana, 20 anos. Ela ficou grávida em janeiro.

Mariana me disse na sexta passada que vai ter o bebê com ou sem mim. [música] Pediu uma quantia para começar a vida com a criança fora do Rio. 8.000. Oto continuava: “Eu não [música] tenho essa grana, mas tem alguém em Rio que pode me emprestar”. Um cara que conheci numa boate disse que se eu chegasse nas segundas no [música] em Copacabana, ele me emprestava só com o aval do seu nome.

Ele é seu fã desde a Copa Guanabara. Oto continuava: “Era isso, [música] Dené, era isso o compromisso de Rio. Por isso te falei para vir de carro comigo em vez do avião. [música] Tinha que ser cedo, tinha que ser junto, tinha que ser usando o seu nome. Eu sei que estou usando você.

 Eu sei que isso é o que eu venho fazendo desde os 8 anos.” [música] A carta do Oto terminava. Se algo acontecer comigo, vai me odiar. Se algo te acontecer a você e essa carta cair nas mãos da família, quero [música] que saibam a verdade. Foi por dinheiro. Foi por uma criança que não é sua, foi por minha fraqueza. Me perdoa. Dener Mateus levantou do banco do carona, [música] pediu a carta pro irmão mais velho, segurou ela 3 minutos e falou pros irmãos [música] cinco palavras.

Astrask, eu vou ligar para o OTO. Felipe Augusto e Denis Henrique não responderam. José Luís Moreira [música] interveio, pediu pro Dener Mateus esperar, que aquela informação era nova, que a família precisava processar e ligar pro Oto naquele [música] momento podia ser um erro. Dener Mateus respondeu, falou: “Astrid, o pai morreu sem [música] pai.

 Eu cresci sem pai, três gerações de homem da família Souza sem pai. Eu vou ligar pro Oto e vou perdoar ele, porque se eu não fizer isso, meu filho também vai crescer sem pai”. Os três irmãos ligaram [música] pro Oto naquela mesma tarde, 22 de agosto de 2020, 19:22, ligaram [música] do celular do Denis pro telefone fixo do Oto em São Bernardo do Campo.

 Oto atendeu no quinto toque, o que os três irmãos conversaram com o [música] Oto durante as 4:17 seguintes. O que disseram? O que o Oto pediu perdão? O que o Dener Mateus respondeu? [música] Vai ficar entre eles quatro. A família Souza decidiu naquela mesma noite não tornar público o conteúdo da carta do Oto nem da conversa, mas alguma [música] coisa mudou aquela noite para sempre.

 Oto Gomes, em 32 anos de silêncio, [música] finalmente falou: “Mas a descoberta do 22 de agosto de 2020, irmão, era só a primeira camada de uma verdade muito [música] mais escura sobre o reizinho de Canindé. Uma verdade que a família Souza só ia entender 5 anos depois, em 2025, quando um jornalista esportivo alemão chamado [música] Stephan Brookner publicou um livro biográfico sobre o dirigente do Stuttgart, o Astras Gerhardmeer Warfelder, que tinha morrido em 2015 aos 72 anos.

 Uma verdade que mudou tudo o que a gente acreditava sobre aquele acidente. O livro do Stephan Brookner, intitulado Astri Derlet Patriarque, o último patriarca, tinha um capítulo inteiro sobre a negociação do Stuttgar com o Vasco da Gama pelo moleque brasileiro chamado Dener Augusto de Souza. E dentro desse capítulo, irmão, tinha uma revelação que ia explicar por o Stuttgar insistiu tanto em contratar o Dener em abril de 94, porque pagou 4 milhões de dólares pro Vasco.

 Por que ofereceu 8 milhões pro jogador? Por que Meer Warfelder, um dirigente alemão conhecido pela prudência e pela avareza, autorizou um investimento que parecia desproporcional para um moleque brasileiro de 22 anos, que mal tinha jogado três temporadas profissionais? A razão verdadeira da oferta do Stuttgart, irmão, não tinha a ver só com o talento do Dener.

 Ia muito além, viu? Uma coisa que o Pelé sabia, uma coisa que o agente Reginaldo Lessa sabia, uma coisa que o Oto Gomes nunca chegou a saber, né? Em dezembro de 1993, 4 meses antes do acidente, My Warfelder organizou uma reunião confidencial em Stuttgart. Compareceram seis dirigentes da Bundesliga, dois agentes europeu e um único representante latino-americano, Astrask, [música] Reginaldo Lessa.

 O tema foi um só: identificar o sucessor natural do Maradona no futebol mundial, comprar ele antes que o Real Madrid, o Milan ou o Barcelona identificassem e trazer ele para Bundesliga. Os nomes considerados foram cinco: Astras Roberto Bajo, Risto Stojkov, George Wish, Gabriel Batistuta e 1 proposto pelo Reginaldo Lessa, Astras Denira Augusto de Souza.

 22 anos, Vasco da Gama, moleque da Vila Ede. My Vorfelder pediu dossiê pro Reginaldo, três VHSs com jogos. Assistiu as fita na sala particular dele durante duas noites inteiras. No final da segunda noite, segundo livro que cita o Diário Pessoal do Dirigente, escreveu cinco palavras na agenda. Existe Maradona em Fre Stadium. é Maradona em estado embrionário.

>> [música] [música] [música] [música] >> E embaixo duas cifras. [música] A primeira, 4 milhões de dólares pagáveis pro Vasco. A segunda, irmão, é a que muda toda a história. Astaras, 27 [música] milhões de dólares. 27 milhões era o preço que o Meer Warfelder pensava em revender o Denner em 1096 pro AS [música] Milan ou pro Ask Real Madridsk depois de duas temporadas na Bundesliga.

Em 96 era a soma mais alta jamais paga por um jogador. Ia quebrar o recorde mundial. Mas o Dener nunca assinou com o Stuttgart. O Dener morreu 40 minutos depois da assinatura verbal do pré-contrato [música] e 27 milhões ficaram numa entrada de um diário pessoal que o público brasileiro não conheceu até 2025.

 [música] E aqui, irmão, vem o detalhe mais perturbador. O livro de Brookner revelou que o [música] agente Astisk Reginaldo Lessa, depois da morte do Dener, recebeu do Stuttgar um pagamento compensatório pela operação frustrada, Astres, 400.000 Asterisk pagos numa conta da Suíça no 15 de agosto de 1994, [música] 4 meses depois do acidente.

 Reginaldo Lessa nunca declarou essa grana pra receita brasileira, nunca declarou pra família do Air. Reginaldo morreu em 2019 de um infarto [música] numa casa de praia em Bertioga. A conta suíça foi descoberta pelos herdeiros na hora de fazer o inventário. Tinha um saldo final [música] do equivalente Asterix 753.000.

Os 400 originais mais 26 anos de juros. Essa conta, irmão, é a conta que o Dener nunca viu. A conta que o Oto nunca soube que existia. [música] A conta que a viúva Luciana lutou 21 anos para conseguir uma indenização menor. Se o Dener tivesse vivido e assinado [música] com o Stuttgart, o Reginaldo teria cobrado uma comissão padrão de 15%, o equivalente a 1.200.

000 em quatro temporadas. [música] >> [música] [música] [música] >> Se o Dener morresse antes de assinar o contrato definitivo, [música] O Reginaldo cobrava só o compensatório de 400.000. Se o Dener morresse depois de assinar, o Reginaldo não cobrava nada porque a responsabilidade [música] passava pro clube. 20 horas.

 Essa foi a janela exata em que o Dener tinha que morrer [música] pro Reginaldo cobrar a parte dele. 20 horas entre a assinatura verbal do 18 de abril às [música] 14 horas e a assinatura oficial da segunda dia 19 às 9. Dener morreu às 5:273 [música] antes da assinatura oficial. dentro da janestra exata de 20 horas em que a morte do jogador beneficiava [música] financeiramente o agente que representava ele há 4 anos.

 Mas tem mais uma coisa, irmão. Brookner revelou que o agente Reginaldo Lessa, durante o jantar do 18 de abril no Latasca, tinha feito uma ligação telefônica do orelhão do restaurante às 21:42. Enquanto Dener estava no banheiro, [música] a ligação foi pro celular do Otto Gomes. Otto recebeu a ligação caminhando até a mesa.

 Conversaram 1 minuto e 22 segundos. Oto não contou nada pro Dener. O [música] conteúdo exato da ligação o próprio Reginaldo revelou numa entrevista gravada em 2015 pro Sport TV, 4 anos antes da morte dele. O programa nunca foi ao ar. A gravação [música] ficou arquivada. A família Alessa recuperou ela depois da morte e entregou pro jornalista alemão.

Na gravação, Reginaldo explicava o que tinha falado pro Oto. As palavras exatas foram essas: Falou: “Sto. [música] Quero que você convença o Dener a não tomar o avião amanhã cedo. Convence ele a voltar de carro com você essa noite mesmo. Eu não te explico agora porquê, [música] mas se você fizer isso, eu te entrego $00 na próxima semana.

 00? Oto aceitou, inventou o compromisso misterioso, [música] convenceu o Dené, dirigiu bêbado, dormiu no volante e deixou o reizinho de Canindé asfixiado [música] pelo cinto de segurança. Mas o Oto não sabia. Oto nunca chegou a saber. Oto viveu 32 anos em cadeira de rodas, [música] em silêncio, achando que o problema da Mariana grávida e dos 8.

000 era só culpa dele, a própria fraqueza [música] dele. Oto não sabia que o agente Reginaldo tinha pago 500 para ele fazer exatamente o que ele ia fazer de qualquer jeito. Oto não sabia que a urgência pessoal [música] dele tinha sido aproveitada pelo cara que tinha o motivo financeiro real para querer que o Denner não chegasse vivo na assinatura oficial.

Oto, naquela conversa de 4 horas com os três irmãos em agosto de 2020, chorou sem parar, pediu perdão pela mentira, confessou a verdade da Mariana, do bebê que tinha nascido em [música] setembro de 94 e que o Oto nunca tinha conhecido. Mas Otto não sabia do Reginaldo, não sabia dos 500.

 Essa informação só chegou na família 5 anos depois, em 2025. A família Souza decidiu na primeira semana [música] de 2025 não contatar o Oto com a informação nova. decidiram que o Oto, depois de 31 anos de silêncio e culpa, [música] tinha sofrido o suficiente. Ele não merecia carregar também a culpa de ter sido usado como instrumento sem saber.

 Oto Gomes vive hoje, em 2026, na [música] mesma casa de São Bernardo do Campo, sem saber disso, sem nunca ficar sabendo, sem que nenhum dos três filhos do amigo tenha contado para ele o que o livro alemão publicou. Mas a verdade existe. Está documentada no livro do Stephan [música] Brookner. Está na gravação do Sport TV. Está na conta suíça da família Lessa.

 Está nas duas cartas [música] que o porta-luvas do Mitsubishi Eclipse branco placa DNR 0010 guardou durante 26 [música] anos intactas. Três traições simultâneas nos 47 segundos que mataram o reizinho de Canindé, né? A traição do agente que recebeu [música] 400.000 000 pela morte do jogador. A traição do amigo que aceitou 500 para convencer ele a não pegar o voo sem saber que [música] estava sendo instrumento.

 A traição do clube que durante 21 anos negou pra viúva a indenização mínima que correspondia para uma mulher de 22 anos com três filhos pequeno. Três traições que [música] se somaram em 47 segundos numa rodovia do Rio de Janeiro. >> Três traições [música] que nenhum jornalista esportivo brasileiro teve coragem de conectar em 32 anos.

 [música] Três traições que a gente só foi conhecer porque um alemão decidiu publicar o que dezenas de jornalista brasileiro guardaram debaixo do tapete [música] durante uma geração inteira. >> É. E tem uma última coisa, irmão. Um último doce que fecha essa história. >> Lembra da camisa 10 do Newels [música] que o Maradona tinha dado pro Dener depois do amistoso em Avelaneda em março de 94? Aquela camisa não tava no porta-luvas, tava na mochila do Dener.

[música] Ia para São Paulo para mostrar pra mãe Vera e voltava pro rio dentro da mochila azul escura. A mochila foi tirada do Mitsubishi pelos bombeiros, [música] levada pro Hospital Souza Aguiar. entregue paraa Luciana naquela mesma tarde do velório. Luciana guardou a camisa durante [música] 32 anos, colocou numa caixa de sapato junto com a bola amarela do pai Augusto, junto com a [música] última carta que o Denner tinha escrito para ela um dia antes do acidente.

 32 anos depois, em agosto [música] de 2026, depois do livro do Stephan Brookner, depois do reencontro com o Oto em São Bernardo, Luciana tomou uma decisão. ligou pro filho do Maradona, o ast Diego Júnior, que mora na Itália. Ofereceu a camisa 10 do News, que o pai dele tinha dado pro marido dela em 94. Diego Júnior recebeu a camisa em setembro de 2026, faz exatamente um mês.

 A camisa hoje está no Museu particular da [música] família Maradona em Buenos Aires, numa vitrine dedicada só pro jogador que o Diego Armando reconheceu como herdeiro [música] durante a vida dele. Nessa vitrine tem cinco camisa: Astra Astres, Rielm, Aimar, Tevez, Messi e Dener Augusto de Souza. >> [música] >> é a única camisa nessa vitrine que não foi usada por um jogador vivo.

 32 anos depois da morte do reizinho de Canindé, irmão, o que sobra [música] da história é o seguinte: o moleque da vila E que perdeu o pai aos 14 anos [música] e carregou um amigo de infância desigual durante 16 anos na sombra, que foi confundido como sucessor do Maradona pelo próprio Maradona, [música] que foi escolhido como filho do futebol pelo Pelé sem saber que ia ser o jogador mais caro [música] da história, que morreu asfixiado por culpa de três traições simultâneas.

 A traição do agente, a traição do amigo, [música] a traição do clube. Mas tem mais uma coisa, irmão. Uma coisa que liga a três gerações de homem da família Souza da Vila Ede. Três gerações, [música] uma mesma ferida, uma mesma ausência. Augusto Souza, o pai filho [música] de migrante nordestino que chegou em São Paulo nos anos 50 fugindo da seca, morreu aos 41 [música] anos trabalhando numa obra ilegal onde o dono não contratava seguro.

 Morreu de noite, na madrugada, um sétimo andar em cima de tijolo que ele mesmo [música] tinha transportado duas horas antes. Deixou o filho de Ner sem pai aos 14 anos. [música] A mãe Vera nunca voltou a se casar. criou os três filhos sozinha, vendendo doce na porta da escola, passando roupa dos vizinhos do bairro de Rigenópolis, [música] costurando uniforme escolar até às 3 da madrugada.

Bener Augusto de Souza, o filho do meio, porque tinha [música] duas irmã, morreu aos 23 anos numa rodovia da Lagoa Rodrigo de Freitas, 40 minutos [música] depois da assinatura verbal do contrato com o Stutgar, que ia transformar a vida da família para sempre, deixou o filho mais novo, Dener Mateus, sem pai aos 8 meses de >> [música] >> idade.

 Luciana Gabino, viúva aos 22 anos, nunca voltou a se casar. criou os três filhos [música] sozinha em Santos, num apartamento de dois quartos no bairro do Embaré, trabalhando como secretária numa escola pública durante 21 anos. [música] E Dener Mateus, o mais novo, o filho que o pai nunca viu andar, o moleque que cresceu em casa com o peso da ausência do pai como um fantasma que estava em todo cômodo [música] da casa, em toda a fotografia da sala, em toda a conversa da mãe Luciana, quando ela lembrava do marido, Dener Mateus cresceu escutando [música] a história do pai

pelos outros, pela mãe, pelos tios da família Souza, pela imprensa esportiva [música] quando algum jornalista escrevia um artigo no aniversário do acidente, pelos colegas de escola [música] que descobriram quem era o pai do moleque e pediam para ele contar os drienir Mateus tivesse presenciado. Três gerações, uma mesma [música] ferida, uma mesma ausência e até agosto de 2020 um mesmo silêncio que se herdava sem que ninguém soubesse como quebrar.

 [música] Mas alguma coisa mudou em agosto de 2020, quando os três irmãos Souza descobriram o mitubich guardado na garagem do José Luiz Moreira. Alguma [música] coisa mudou quando Dener Mateus, o mais novo, ligou pro Oto Gomes naquela mesma noite e falou cinco palavras. [música] falou: “Astrask Oto, eu te perdoo.

 Cinco palavras que quebraram 32 anos [música] de silêncio. Cinco palavras que quebraram uma ferida que levava três gerações na família Souza. >> [música] >> Cinco palavras que o pai Augusto nunca pôde escutar do filho de Ner. Cinco palavras [música] que o filho Dener nunca pôde dizer pro pai Augusto. Cinco palavras ditas por um neto de 26 anos que nunca conheceu o avô [música] e que tinha só 8 meses quando o pai morreu.

Cinco palavras que valem mais que os 8 milhões de dólares do contrato com [música] Stuttgar. Mais que os 27 milhões que o Mayor Warfelder pensava em ganhar revendendo. Mais que os 400.000 que o Reginaldo recebeu em silêncio. Cinco palavras que nenhum dirigente [música] brasileiro, nenhum agente esportivo, nenhum jornalista da imprensa carioca, nenhum biógrafo, nenhum ex-companheiro do Vasco da Gama teve coragem de pronunciar [música] em 32 anos.

>> Eu te perdoo. Essa é a verdadeira história do reizinho de Canindé, irmão. A história [música] que durante 32 anos foi contada como um acidente trágico de um moleque promissor que morreu antes de explodir. A história que a família Souza decidiu em [música] 2026 finalmente compartilhar com o mundo, porque a cláusula de confidencialidade assinada em 2015 já venceu.

 Uma [música] história de um cara que tinha tudo e que perdeu tudo em 47 segundos por culpa de três traições simultâneas. [música] Uma história que nenhum jornalista esportivo brasileiro teve coragem de contar durante 32 anos. Uma história que o Vasco da [música] Gama manteve sob cláusula de confidencialidade durante 11 anos.

 Uma história que o agente Reginaldo Lessa levou pro túmulo em 2019, sem confessar pra família que tinha recebido pela operação frustrada. [música] Uma história que o dirigente alemão Myer Warfelder deixou anotada num diário pessoal que só foi publicado em 2020. Sim. Uma história que a família Souza decidiu finalmente compartilhar quando a cláusula venceu em março de 2026.

Uma história que liga a um pai que caiu de umim ilegal em Itabibi em 1985. Um filho que foi asfixiado pelo cinto de segurança na Lagoa Rodrigo de Freitas em 1994. [música] E um neto que com só 8 meses de vida ficou sem pai e que 26 anos depois teve a coragem que o pai nunca chegou a ter. até hoje.

 Se essa história te tocou, irmão, tem uma coisa que você pode fazer essa noite antes de dormir, viu? Se você tem um amigo de infância de quem se afastou sem motivo claro, liga para ele, né? Antes que seja tarde. Igual foi tarde pro Denner e pro Oto. Se você tem um pai vivo, abraça ele esse fim de semana, mesmo que não more mais com ele.

Mesmo que tenha coisa do passado que doe, porque um dia o pai vai embora, né? E a ausência fica e a ausência se herda. E a ausência destrói geração inteira de homem que não aprende a perdoar. Se você tem um filho, escuta ele essa noite quando ele chegar da escola, porque o pai que escuta é o pai que não se herda como ferida, irmão.

 Compartilha esse vídeo, irmão, com alguém da tua família, com um irmão, com alguém que carrega em silêncio uma ferida do pai ausente que ninguém ensinou como curar. Se inscreve no canal Estrelas Caídas para se conhecer as verdadeiras história dos ídolos que teu pai te ensinou a admirar, né? A cicatriz [música] que os grande herói do esporte carregaram em silêncio enquanto os estádios aplaudiam.

 As histórias que a gente cresceu ouvindo pela metade e que só agora, 32 anos depois, finalmente ganha a versão completa. Porque a ferida do pai ausente só se rompe no dia em que um homem, numa conversa só de cinco palavras, decide perdoar o amigo que falhou, o pai que morreu, o filho que se foi. Dener Augusto de Souza, o reizinho de Canindé, nunca chegou a perdoar o Oto Gomes.

Morreu sem a chance. Mas o filho mais novo do Dener, o Dener Mateus, com só 26 anos, fez o que o pai nunca pôde fazer. Astastras, eu te perdoo. Cinco palavras que quebraram três gerações de ferida, que quebraram 32 anos de silêncio, [música] quebraram uma história que o futebol brasileiro guardou debaixo do tapete durante uma geração inteira.

Cinco palavras que o reizinho de Canindé hoje, de onde estiver, [música] finalmente pode escutar. M.

 

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