Meu Pai Morreu de Tanto Fazer Se… Confessa Filho de Barry White

Houve um tipo que quando se ouvia aquela voz pela primeira vez dava até um arrepio. Uma voz tão grave, tão profunda, que parecia vir de outro lugar. Se viveu os anos 70 e 80, é bem capaz de já estar a lembrar-se de quem eu estou a falar. Mas antes de eu confirmar, tenta puxar da memória.

Pensa naquelas noites em que sintonizava a rádio, talvez num carro, talvez em casa, e de repente começava a tocar uma música lenda, envolvente, cheia de cordas, de orquestra e aquela voz entrando como se estivesse a falar só consigo. Era impossível não parar para ouvir, impossível não sentir alguma coisa.

Este homem não era apenas um cantor, era uma presença. E no Brasil ele tornou-se sinónimo de romance, de noites especiais, de momentos que não esquece.  Mas por detrás daquela voz aveludada, daquela imagem de galã sedutor, existia uma história bem diferente. Uma história que começou nas ruas, no meio da violência, da pobreza, das escolhas erradas.

Ele não nasceu num berço de ouro, não teve tudo de mão beijada. Ele veio debaixo e a trajetória dele até chegar ao topo  foi marcada pela dor, por perdas, por decisões que quase destruíram tudo. Recentemente,  um dos seus filhos veio a público e confirmou coisas que muita gente só ouvia falar: segredos de família, disputas,  mágoas que ficaram guardadas durante anos.

E isso faz-nos lembrar que mesmo os maiores ídolos, aqueles que nós colocamos lá em cima, também são humanos, também erram, também sofrem, deixam também feridas abertas. Se estás aqui agora se assistindo isso, é porque viveu essa época, ouviste  essas músicas, tu sentiu o impacto daquela voz e talvez, como eu, também esteja curioso para saber o que realmente aconteceu nos bastidores daquela vida aparentemente perfeita.

Então, fica comigo até ao final, porque esta história vai-te surpreender e vai emocionar-te também. Barry White nasceu no dia 12 de setembro de 1944 em Galveston, Texas. Mas ele não cresceu lá. Ainda pequeno. A mãe, Sade Marie Carter, levou-o a ele e ao irmão mais novo, Dary para Los Angeles, mais especificamente para o bairro de Wats, em Sul Central.

Se conhece um pouco da história dos Estados Unidos, sabe que o Wats não era um lugar fácil, era um bairro pobre, violento, onde a vida não dava muitas hipóteses a quem nascia ali. O pai de Barry, Melvin White, nunca casou com a mãe dele. Por isso,  no início o Barry tinha o apelido da mãe, Carter. Só mais tarde ele decidiu  adotar o apelido do pai.

Mas Melvin não era uma presença constante na vida dele. Quem criou Barry foi a mãe e ela fez o que pôde. Sade tinha uma paixão, a música clássica. Ela colecionava discos e foi ouvindo aqueles discos que Barry começou a interessar-se por  música. Ele ficava horas ali absorvendo aqueles sons, aquelas orquestrações grandiosas.

E aos 11 anos começou a tocar piano sozinho. Ninguém ensinou. Ele simplesmente sentava-se e ia tentando reproduzir as melodias que ouvia. tinha talento natural, mas a vida em Wats não era só música. Longe disso, Barry e o irmão Dary envolveram-se com gangues, entraram para o mundo do crime, roubos, confusões, brigas.

A sua mãe sofria muito vendo os filhos naquele caminho e Barry sabia disso, mas nessa idade ele não conseguia sair  daquilo. Parecia que não tinha outra opção. Aos 16 anos, Barry foi preso. Ele e uns amigos tinham furtados pneus de Cadilac. O valor na época era de cerca de $30.000. Hoje isso equivaleria a mais de 300.000. Não era coisa pouca.

Barry ficou 4 meses preso e foi lá dentro, naquele lugar frio e sem esperança,  que teve um momento de viragem. Um dia, ouviu no rádio da prisão a música  It’s Now or Never do Elvis Presley e alguma coisa mudou dentro dele. Ele próprio contou  isso anos mais tarde. Foi como se aquela música tivesse acendido uma luz.

Ele pensou: “Não posso continuar assim. Ou mudo agora, ou vou morrer aqui.” Quando saiu da prisão, Barry tomou uma decisão. Ele ia largar a vida de crime, ia tentar  alguma coisa diferente. E a música era o único caminho que ele via. Só que transformar a vida não é fácil. Principalmente quando se vem de onde o Barry veio, ele não tinha estudo formal em música, não sabia ler partitura, não tinha contactos na  indústria, mas tinha talento e tinha vontade.

Pouco tempo depois de sair da prisão, Barry recebeu um convite para tocar baixo numa banda. Ele aceitou na hora. Era 1960 e aí começou a sua história como músico.  No início ele gravou alguns singles, tentou emplacar alguma coisa, mas nada resultou  bem. Ninguém prestava atenção. Mas Barry não desistiu.

Começou a trabalhar nos bastidores, produzindo, arranjando, compondo para outros artistas. E foi assim lentamente que ele foi aprendendo o negócio por dentro. Olhe, tenha acesso agora à lista das melhores músicas dos anos 80. Basta entrar em culturanostalígica.com. Em 1965, Barry começou a fazer um nome como produtor.

Trabalhou com vários pequenos artistas em Los Angeles e uma das suas primeiras conquistas importantes foi descobrir uma cantora chamada Felice Taylor. Barry escreveu e produziu música para ela e algumas fizeram sucesso principalmente na Inglaterra. Foi aí que a indústria começou a perceber que Barry White tinha algo especial.

Ele tinha ouvido, tinha visão e tinha uma uma capacidade incrível de criar arranjos grandiosos, cheios de orquestra, cheios de emoção. Mas Barry ainda não tinha coragem para assumir o protagonismo. Ele preferia ficar nos bastidores, produzir, arranjar, deixar os outros brilhar. Em 1972, tudo mudou. Barry descobriu um grupo feminino chamado Love Unlimited.

Eram três meninas, Gloden James, a sua irmã Linda e a prima Dian Taylor. Barry viu potencial nelas e mais do que isso, ele apaixonou-se por Gloden. Ele passou dois anos a treinar o grupo e quando conseguiu finalmente um contrato para elas foi a grande oportunidade dele também. Barry produziu, arranjou e compôs as músicas do primeiro álbum do Love Unlimited.

E uma dessas músicas, Walking in the Rain with the One I Love, explodiu. Foi um enorme sucesso. Chegou ao top 15 nos Estados Unidos e no Brasil a música também tocou muito. >> Foi o primeiro disco de ouro de Barry Branco. Mas Barry ainda não tinha assumido pro microfone Crow. Até que um O seu amigo, Larry Nunes, que tinha investiu dinheiro no projeto, ouviu umas demos que Barry tinha gravado apenas para testar os arranjos.

E o Larry disse: “Berry, precisas de lançar isto com a a sua voz”. Barry exirou. Ele achava que ninguém ia querer ouvir um gordo com aquela voz grave a cantar sobre amor. Mas Larry insistiu e em 1973, Barry lançou o seu primeiro álbum a solo I’ve Got So much to Give. O primeiro single I’m G love you Just a little more baby foi diretamente para o topo das paradas de R e B e chegou ao top três das tabelas pop.

Barry White tinha finalmente se tornado uma estrela.  E depois veio Can get enough of Your Love, Babe.  Esta música lançada em 1974 foi número um nos Estados Unidos.  E no Brasil ela tornou-se um fenómeno. Tocava em todas as rádios, em todas as festas, em todo o lado. Aquela voz grave, aqueles arranjos exuberantes, aquelas cordas todas, era impossível resistir.

Barry tinha criado um som único e o público brasileiro adorou, porque no fundo aquilo tudo falava direto com o coração, com a saudade, com o desejo, com a paixão. Se está gostando deste conteúdo, clique no like agora e subscreva o canal. Logo depois veio o primeiro, o último, o meu everything. >> Esta música foi um estouro mundial e no Brasil ela tornou-se uma das mais tocadas da década de 70.

Até hoje, quando esta música toca, é impossível não se lembrar, não sentir aquele clima, aquela nostalgia saborosa de uma época em que a música tinha tempo para respirar, para envolver, para emocionar. Barry criou também a Love Unlimited Orchestra, uma orquestra de 40 músicos que gravou músicas instrumentais e uma delas, Love Theme, atingiu o número um nos Estados Unidos.

Era uma época de ouro para Berry Branco. Ele estava no auge a vender milhões,  enchendo concertos, sendo chamado o rei do romance. No Brasil, ganhou apelidos carinhosos. Tinha gente que lhe chamava a voz do amor. E realmente era isso. Quando Barry cantava, parecia que estava a falar só consigo, só com aquela pessoa que você amava.

Era intimista, era envolvente, era poderoso. Mas nos anos 80 as coisas começaram a mudar. A era disco acabou, o gosto musical mudou e Barry, que tinha construído o seu som em cima daquela estética dos anos 70, começou a sentir dificuldade. Lançou álbuns, mas não tiveram o mesmo impacto. Ele abriu a sua própria editora, a Unlimited Gold, mas teve problemas financeiros e teve de fechar. Foram anos difíceis.

Barry continuou a fazer digressões, mas o brilho já não era o mesmo. Ele sabia disso e sofria com isso. Porque para um artista  deixar de ter o reconhecimento que teve antes dói. Dói muito. Mas nos anos 90 algo inesperado aconteceu. Voltou à moda dos anos 70. As pessoas começaram a ter nostalgia dessa época e Barry White voltou a ser procurado.

Fez parcerias, gravou novos álbuns e em 1994 lançou The Icon’s Love, que foi um sucesso sucesso. O single Practice What you preach chegou ao topo das tabelas de R e B. >>   >> Passados quase 20 anos, Barry White tinha regressado e o público brasileiro também o recebeu de braços abertos porque nunca nos tínhamos esquecido dele.

Aquela voz continuava ali, gravada na memória de todos. Em 1999, Barry lançou o seu último álbum, Stay Power e esse trabalho rendeu-lhe dois prémios Gramy. Foi um reconhecimento merecido, uma coroação de uma carreira brilhante, mas a saúde dos Barry já não estava bem. Ele tinha problemas graves de peso, hipertensão arterial, diabetes, problemas nos rins.

E em 2003 sofreu um AVC que comprometeu a sua fala e os seus movimentos. Nos meses seguintes, o seu saúde deteriorou-se rapidamente. Ele necessitava de diálise. Chegou a ser equacionado, um transplante de rim, mas ele não tinha condições físicas paraa cirurgia. No dia 4 de Julho de 2003, Barry White morreu vítima de paragem cardíaca no hospital Ceder Sinai, em Los Angeles.

Tinha 58 anos. As suas cinzas foram espalhadas no Oceano Pacífico, na costa da Califórnia. A sua morte chocou o mundo inteiro. E no Brasil a notícia também caiu como uma bomba. Porque o Barry White não era apenas um cantor norte-americano. Ele fazia parte da nossa memória afetiva. Tinha embalado namoros, casamentos, encontros, despedidas.

Ele tinha feito parte da banda sonora da nossa vida. E quando ele partiu, sentimos como se tivéssemos perdido um amigo próximo, alguém que sempre esteve ali nos momentos mais importantes. Mas a história de Barry White não terminou com a sua morte, porque logo a seguir começaram as disputas.  Barry tinha nove filhos, quatro com a primeira esposa, Mary, quatro com Glodian James, que tinha casado em 1974.

E mais uma filha, Denise Donell, que ele só o reconheceu anos mais tarde. Quando Barry morreu, deixou uma fortuna avaliada em 20 milhões de dólares. E como ele nunca se tinha divorciado oficialmente de Glogen, foi ela quem ficou com a herança toda. Mas depois começaram os problemas, porque vários filhos dele alegaram que tinham sido excluídos, que tinham ficado sem nada.

Darry White, um dos filhos, interpôs um processo contra Gloden em 2017. Acusou-a de má administração da herança. Disse que o pai tinha prometido deixar algo para ele, mas que Glodian tinha negado tudo. Chegou a dizer que quase ficou sem teto por causa disso. A Denise, a filha que Barry reconheceu mais tarde, também entrou na justiça.

Ela disse que durante anos recebeu pagamentos regulares do fundo fiduciário da família White, mas que de repente em 2015 os cheques deixaram de chegar. Ela alegou que a Gloden tinha prometido que ela receberia o seu parte, mas que depois voltou atrás. Denise tinha recebido mais de 350.000 ao longo dos anos. E quando os pagamentos pararam, ela ficou sem chão, entrou em tribunal pedindo prestação de contas.

Além deles, teve também Katherine Denton, que era companheira de Barry quando morreu. Ela teve uma filha e alegou que a criança era de Barry. Se fosse verdade, isso mudaria tudo na divisão da herança, mas o teste de paternidade deu negativo e Ctherine perdeu o processo. Estas disputas todas mostram o outro lado da história, o lado que não vemos quando a PSU, pessoa está viva, famosa no seu auge.

Barry White construiu um império, mas também deixou uma família dividida. Feridas abertas, mágoas que até hoje não cicatrizaram. E isto nos faz pensar, será que a fama, o dinheiro, o sucesso valem realmente a pena quando o preço é este? Se você realmente gosta deste tipo de conteúdo e reconhece a grandeza de Berry White, digite agora nos comentários a palavra Berry.

Barry White deixou um legado imenso. Vendeu mais de 100 milhões de discos em todo o mundo, ganhou dois Grammy, foi incluído no hall da fama da música dance, ganhou uma estrela na calçada da fama de Hollywood e em 2023, a revista Rolling Stone colocou-o na lista dos 200 maiores cantores de todos os os tempos. Mas para nós, brasileiros, Barry White é mais do que números e prémios.

Ele é memória, ele é sentimento, ele é aquela voz que nós ouve e recua imediatamente no tempo, regressa a uma época em que as coisas eram mais simples, em que a música tinha alma, em que o romance era celebrado sem vergonha, sem pressa, sem medo. Quantas vezes ouviu Can’t get enough of Your Love, Baby” a tocar na rádio e parou tudo para ouvir? Quantas vezes dançaste coladinho ao som de “You the first, the last, my everything?” Quantas vezes sentiu aquele arrepio  quando aquela voz grave começava a cantar? Estas memórias não se

apagam, elas ficam e elas fazem parte de quem somos, da nossa história, da nossa geração. Se você tá aqui assistindo a isto agora, é porque você viveu essa época e sabe muito bem o peso que esta música tem, o valor que ela tem, porque era a música a sério, feita com cuidado, com talento, com paixão. Barry White não era perfeito.

Ninguém é. Ele cometeu erros, deixou feridas, magoou pessoas, mas também ele deixou um legado de beleza, de emoção, de arte, e isso ninguém lhe pode tirar. Quando ouvimos aquelas músicas hoje, não estamos só a ouvir notas e palavras, estamos a reviver momentos. A gente está a sentir de novo aquilo que sentimos há 40, 50 anos atrás.

E  isso é poderoso e isso é eterno. Assim, da próxima vez que ouvir a voz de Barry White a tocar em algum lugar, pára, escuta, sente e lembra-se de tudo o que aquela voz representou, de tudo o que ela ainda representa. Porque enquanto houver gente que se lembra, enquanto houver gente que sente, Barry White vai continuar vivo.

Não nos palcos, não nos concertos, mas na memória, no coração. Isso, meu amigo, é isso que realmente importa.

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