Vivemos um momento singular na história política e social do Brasil, um verdadeiro ponto de inflexão onde as máscaras caem, as cortinas se abrem e os bastidores do poder são expostos em praça pública com uma clareza que chega a ser ofuscante. Nas últimas horas, uma onda de pânico, desespero e reações intempestivas tomou conta das principais lideranças da esquerda brasileira, em especial de figuras proeminentes do Partido dos Trabalhadores (PT), como Gleisi Hoffmann e Lindbergh Farias. O motivo desse colapso nervoso não é uma crise econômica repentina ou um revés eleitoral, mas sim uma movimentação geopolítica que promete asfixiar financeiramente as maiores organizações criminosas que atuam no território nacional.
A fagulha que acendeu esse barril de pólvora foi uma articulação rápida e cirúrgica nos Estados Unidos, supostamente liderada pelo senador Flávio Bolsonaro, que, em questão de minutos, conseguiu ecoar nos corredores americanos a urgência de classificar as facções criminosas brasileiras como organizações terroristas internacionais. Se essa medida for levada adiante pela administração estadunidense e aliados poderosos, as consequências serão devastadoras para o crime organizado: bloqueio de bens no exterior, asfixia financeira, cooperação internacional agressiva e um combate de proporções globais.
Diante de uma notícia que deveria ser celebrada por qualquer cidadão que preze pela paz e pela ordem, a reação do núcleo duro governista foi, para dizer o mínimo, reveladora. O choro foi imediato. Parlamentares e líderes partidários vieram a público, em estado de visível consternação, alegar que uma intervenção americana no combate ao crime brasileiro seria um “ataque brutal à nossa soberania”.
Mas, afinal de contas, de qual soberania eles estão falando?
É preciso ter coragem para olhar a realidade brasileira de frente e fazer os questionamentos que o politicamente correto tenta censurar. Que soberania é essa que defendem com tanto unhas e dentes, quando o cidadão pagador de impostos, o trabalhador comum, sequer tem a soberania de andar nas ruas da sua própria cidade com um simples aparelho celular no bolso?
Nós perdemos a nossa soberania há muito tempo, mas não para nações estrangeiras. A nossa soberania foi sequestrada, loteada e entregue nas mãos de tribunais do crime, de facções que ditam as regras, impõem toques de recolher, decidem quem entra e quem sai de bairros inteiros e controlam a vida de milhões de brasileiros reféns do medo. Quando políticos se levantam no Congresso Nacional para gritar sobre a “soberania da pátria” enquanto fecham os olhos para o fato de que o Estado não entra em diversas comunidades sem pedir permissão a traficantes fortemente armados, estamos diante de um teatro do absurdo. É uma retórica vazia, um discursinho barato criado sob medida para enganar os desavisados e proteger um sistema que, de alguma forma, parece se beneficiar do caos.
A história nos mostra que a leniência com o crime não é uma falha do sistema atual, mas uma característica construída ao longo de décadas. Há um registro histórico, documentado pela Polícia Federal no desmantelamento de núcleos financeiros de facções, que cita “diálogos cabulosos” entre o crime organizado e membros do PT. Sergio Moro e outros agentes da lei já haviam exposto essas tentativas grotescas de ligação e aparelhamento. Não podemos esquecer que, durante os 20 anos em que o grupo político de Luiz Inácio Lula da Silva esteve no poder, foi o período em que essas organizações criminosas mais cresceram, se ramificaram, criaram estruturas empresariais e se expandiram para além das nossas fronteiras.
Eles tentam reescrever a narrativa, mas os fatos são teimosos. A segurança pública, que é indiscutivelmente a principal agenda, a maior dor e a maior urgência do povo brasileiro hoje, é tratada pelo atual governo com um desdém que beira a crueldade. Prometeu-se no passado que o Estado combateria o crime, mas a realidade bate à porta todos os dias nas páginas policiais. Operações da Receita Federal e da Polícia Federal sob a atual gestão, que deveriam mirar o alto escalão do crime, parecem não surtir o efeito desejado ou, pior, dão a impressão de estarem freando iniciativas que realmente asfixiariam essas máfias.
A letargia oficial contrasta violentamente com o ativismo desmedido de certos políticos em defesa de causas que, na prática, apenas beneficiam os criminosos. Tomemos como exemplo um dos episódios mais surreais e revoltantes da história recente do nosso país. Imagine a cena: as forças de segurança realizam uma operação formidável e conseguem apreender 50 toneladas de drogas. Cinquenta toneladas de veneno que seriam despejados nas nossas ruas, destruindo nossos jovens e financiando o terror. Qual foi a reação do establishment? Parlamentares do PSOL, incluindo o conhecido Marcelo Freixo, acionaram o Supremo Tribunal Federal (STF). O objetivo deles não era condecorar os policiais, mas sim pedir a proibição do uso de cães farejadores em operações policiais.
Você leu perfeitamente bem. A alegação oficial? “Maus-tratos” aos animais. Em um país onde o crime esfola seres humanos vivos, a maior preocupação de um grupo político era impedir que cães continuassem a farejar e encontrar toneladas de entorpecentes, sob o pretexto de defesa animal. É uma aberração lógica, uma inversão de valores tão profunda que nos faz questionar em que mundo essa gente vive. O cachorro encontra a droga do traficante, gera um prejuízo milionário para a facção, e o político vai ao STF para barrar o cachorro. É de embrulhar o estômago de qualquer cidadão de bem.

Essa mesma elite política que tenta barrar cães farejadores é a mesma que protagoniza cenas que deveriam ser investigadas a fundo. Vemos ministros, como Flávio Dino, sendo alvo de intensas críticas e polêmicas ao entrarem, com escolta mínima e tranquilidade ímpar, em áreas dominadas pelo Comando Vermelho, onde nem mesmo a polícia militar ousa pisar sem uma operação de guerra. Vemos o presidente Lula, em campanhas, articulando visitas a locais como o Complexo do Alemão e a favela do Moinho, em São Paulo, muitas vezes intermediadas por ONGs que, curiosamente, têm sedes em locais onde o crime armazenava drogas. “Ninguém entra lá, só o Lula”, observam os críticos estupefatos. É uma afronta, um verdadeiro “esculacho” na cara do povo trabalhador que vive trancado atrás de grades de ferro em suas próprias casas.
Para entendermos a profundidade da crise moral e institucional em que fomos enfiados, basta olhar para a balança da justiça brasileira e observar como seus pesos e medidas foram completamente corrompidos. O Brasil se transformou em uma máquina de moer o cidadão comum, enquanto estende um tapete vermelho aveludado para criminosos de alta periculosidade.
Pense no cidadão honesto que pega sua bicicleta em São Paulo para ir ao trabalho ou passear. Hoje, andar de bicicleta nas ruas de certas capitais é um ato de pura insanidade. Os criminosos evoluíram a sua brutalidade: antigamente, eles roubavam para, em caso de reação, atirar. Hoje, a banalização da vida humana chegou a tal ponto que eles disparam primeiro, pelas costas, na cabeça, ceifam a vida de jovens, pais de família, estudantes, para depois levar uma bicicleta, um tênis, um telefone. Não dão qualquer chance de defesa à vítima. Vidas são interrompidas de forma covarde. Mães choram sobre caixões fechados, crianças crescem órfãs, e a resposta do Estado é falar sobre “ressocialização” e “soberania”. Onde está a compaixão dessas autoridades pelas vítimas?
E enquanto o sangue do trabalhador escorre no asfalto, a justiça mostra as suas garras de forma implacável contra alvos fáceis e políticos. O contraste é nauseante. Vemos o Ministério Público e o Judiciário pedirem e aplicarem penas draconianas de 14 anos, 17 anos de prisão, para pessoas como a dona de casa Débora, cujo “grande crime” foi usar um batom para escrever em uma estátua durante os atos de 8 de janeiro. Pessoas sem antecedentes criminais, sem armas, tratadas como as maiores ameaças do universo.
Em contrapartida, olhe para os queridinhos do sistema, os ídolos do funk que ostentam ouro e carros de luxo e são investigados por lavar quantias estratosféricas de dinheiro do tráfico. Figuras como MC Ryan e Poze do Rodo, investigados em esquemas de lavagem de dinheiro que chegam à assustadora cifra de 260 milhões de reais. Qual o destino deles? Não passam nem um mês na cadeia. São soltos, voltam às suas mansões, fazem shows, zombam da cara da sociedade e, curiosamente, muitos desses nomes são frequentemente vistos apoiando e fazendo o “L” nas eleições. É uma sem-vergonhice institucionalizada.
É exatamente por isso que o choro de figuras como Gleisi, Lindbergh e companhia soa como música para os ouvidos de quem não aguenta mais ser feito de palhaço. O comentarista Paulo Figueiredo foi cirúrgico e humilhou Lindbergh publicamente ao sugerir, de forma irônica, que era melhor “começar a estocar farinha”, prevendo um desabastecimento, referindo-se implicitamente às consequências de fechar o cerco contra as rotas internacionais de entorpecentes. A piada tem um fundo trágico de verdade, pois revela o incômodo gigante que ações rigorosas causam nas hostes de certos partidos políticos.
Eles acusam Eduardo e Flávio Bolsonaro de serem “traidores da pátria”, de quererem abrir espaço para a intervenção militar dos Estados Unidos e transformar o Brasil numa colônia. Que ironia patética. Traidores da pátria são aqueles que permitiram que nosso país se transformasse num narcoestado silencioso. Traidores da pátria são aqueles que, ao invés de comemorar a ajuda internacional para prender líderes de facções bilionárias, correm para os microfones para defendê-los sob o manto sagrado da “soberania”.
O que está acontecendo agora não é um mero debate político de direita contra esquerda. É uma luta pela sobrevivência da nossa nação. A atitude das lideranças esquerdistas ao se desesperarem com a possível classificação de facções como organizações terroristas globais deixou claro de que lado eles estão. A casa caiu. O argumento da soberania é apenas um escudo de papelão rasgado, que não esconde mais a relação umbilical, obscura e doentia entre a permissividade do Estado e o fortalecimento do crime organizado.
O Brasil não será verdadeiramente soberano enquanto um pai de família tiver que abaixar a cabeça para o dono da biqueira. O Brasil não terá soberania enquanto nossos políticos chorarem pelos criminosos e rirem das vítimas. A luz foi acesa, a gritaria no escuro começou e, por mais que eles chorem na cama porque é lugar quente, a verdade incontestável é que a sociedade brasileira finalmente está acordando para a maior e mais dolorosa farsa da nossa história recente.