o ÚLTIMO DIA na vida de MICHAEL JACKSON 

o ÚLTIMO DIA na vida de MICHAEL JACKSON 

Seja membro do canal e ganhe benefícios. Eram quase 21h00 do dia 24 de  junho de 2009, em Los Angeles quando Michael Jackson subiu aos palcos pela última vez. Tinha 50 anos de idade e preparava-se para uma das maiores voltas da história da música. Depois de anos afastados das grandes digressões Michael estava de volta.

Nessa noite, quem o viu ensaiar  encontrou um artista concentrado exigente, atento aos pequenos detalhes. Ele cantou, dançou corrigiu movimentos conversou com a equipa e participou na construção  de um espetáculo gigantesco para muitos que ali estavam. Parecia apenas mais um ensaio intenso antes de uma grande estreia.

Mas ninguém sabia que aquelas seriam as suas últimas horas de vida. Pouco depois Michael voltaria para casa e em menos de 24 horas o homem que se tinha tornado a maior estrela pop do planeta estaria morta. A notícia atravessou o mundo como um choque. Sites travaram buscas explodiram emissoras interromperam as suas programações.

Milhões de pessoas tentaram  compreender ao mesmo tempo como uma figura tão presente na memória coletiva poderia simplesmente falecer  de uma hora para a outra. E a questão que ficou foi o que aconteceu nessa madrugada? Porque é que um artista rodeado de médicos, assessores seguranças e uma estrutura multimilionária simplesmente terminou as suas últimas horas numa emergência desesperada? Alguém foi responsável pela morte do maior artista da sua geração? Se sim, quem? Conrad Murray, o seu médico pessoal? A pressão da indústria?

Ou talvez a própria relação de Michael com os medicamentos e com a insónia? Neste vídeo vamos reconstruir ponto por ponto hora a hora o último dia de vida de Michael Jackson. Os ensaios de This is It à mansão em Home Bay Rio. Das primeiras tentativas de o fazer dormir à chamada para a emergência  naquela fatídica noite.

Da chegada dos paramédicos ao hospital da confirmação da sua morte ao  colapso mundial que veio a seguir. Porque compreender as últimas  24 horas de Michael Jackson não é apenas perceber como morreu e compreender como uma vida inteira de génio pressão, isolamento, fama e exaustão chegou ao seu último ato. Então, como foi o último dia  de vida de Michael Jackson? Hoje, no Investigando Cinzas.

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Enfim, antes de compreendermos o que  aconteceu nesse fatídico dia precisa de entender o  tamanho do que estamos a falar. Michael Joseph Jackson nasceu  em 29 de agosto de 1958 em Gary, Indiana uma cidade industrial do meio oeste americano marcado pelo aço pelo fumo das fábricas e por uma pobreza extrema que atravessava a vida de muitas famílias negras nos Estados nas décadas de 60 e 50.

Michael foi o oitavo dos dez filhos de Katherine e Joe Jackson. A casa era pequena a rotina era apertada e a música esteve presente em praticamente todos os cantos. Katherine cantava tocava clarinete e piano e tinha uma relação muito forte com a fé. Joe, por outro lado tinha tentado seguir carreira  musical como guitarrista sem nunca conseguir transformar  o seu sonho em sucesso.

Mas percebeu logo cedo que talvez os seus filhos pudessem  ir mais longe do que ele. E foi dentro desta simples casa que iniciou uma das trajetórias  mais impressionantes da história da música mundial. No início, os irmãos mais velhos Jackie, Tito e Jermaine começaram por tocar juntos e só depois vieram os irmãos mais novos Marlon e Michael Jackson.

E foi assim que surgiram os Jackson Five. Ainda criança, Michael observava tudo  com uma atenção quase assustadora. Ele imitava passos copiava gestos decorava melodias e aos poucos foi-se percebendo que havia  algo de diferente naquele menino. Com apenas cinco ou seis anos Michael já não era apenas mais um entre os irmãos.

Quando assumiu os vocais principais do grupo os Jackson Five mudaram de nível. Joe Jackson, percebendo o potencial dos filhos passou a conduzir os ensaios  com uma extrema rigidez. A rotina era pesada e desgastante. Escola, ensaio, apresentações em clubes locais concursos de talento e pequenos palcos. O grupo apresentava-se em lugares simples muitas vezes em ambientes de adultos abrindo concertos e tentando  conquistar a qualquer audiência que aparecesse pela frente.

Aí, Michael aprendeu cedo o lado encantador e ao mesmo tempo cruel do entretenimento. O aplauso chegava rápido mas a cobrança também. Ainda assim, o talento era impossível de ignorar. Os Jackson Five começaram a ganhar fama regional chamando a atenção em salas de espetáculos e competições. E no centro de tudo estava Michael uma criança com presença de veterano cantando sobre o amor, o desejo e o sofrimento com uma maturidade vocal que  impressionava quem assistia.

A reviravolta surgiu quando o grupo chamou a atenção da Motown Records, uma das  As gravadoras mais importantes da música negra americana. Em 1969, os Jackson Five assinaram com a editora. Pouco depois o mundo  conheceria aqueles cinco irmãos e o impacto foi imediato. Logo o primeiro grande single, I Want to Back chegou ao topo da Billboard Hot 100.

Depois veio o ABC depois The Love You Save depois I’ll be There, quatro  músicas seguidas em primeiro lugar logo no início da carreira nacional do grupo. Isso nunca tinha acontecido antes com um grupo estreante e dificilmente aconteceria outra vez. Mas tudo isto ainda era apenas o início. Depois do sucesso com os irmãos Michael precisava de provar que  não era só o menino prodígio dos Jackson Five.

Ele precisava de se reinventar. E foi isso que fez. O grande ponto de viragem da fase adulta surgiu com Off the Wall em 1979. Um disco que mostrou ao mundo que Michael Jackson já não era mais apenas uma criança da Motown. Ele era um artista adulto sofisticado, dançante e ambicioso. Talvez por isso tenha sido um sucesso.

Foram mais de 20 milhões de cópias vendidas sendo este o primeiro álbum de um artista a solo a ter quatro singles no top dez da Billboard. Mas só em 1982 é que ele  deixou de ser uma estrela e tornou-se um fenómeno mundial. Nesse ano, Michael Jackson lançou Thriller o álbum mais vendido da história da música mais de 66 milhões de cópias em todo o mundo segundo estimativas amplamente aceites.

Um número absurdo, quase irreal um número que nenhum outro  artista conseguiu repetir daquela forma desde então. Cada faixa parecia pensada  para atravessar fronteiras. Billie Jean tinha uma linha de baixo hipnótica. Berith misturava pop com rock e contou com Eddie Van Halen num solo de guitarra explosivo. Wanna Be Starting Something  tinha a energia de pista de dança e a faixa título Thriller transformou uma música num espetáculo visual.

Porque Michael Jackson entendeu  algo antes de quase todos no mundo da televisão da imagem e da cultura pop global não bastava apenas cantar era necessário criar um universo. E foi isso que fez. O videoclipe de Thriller  tinha cerca de 14 minutos. Não parecia um clipe comum.  Parecia mais uma curta-metragem.

Tinha narrativa, maquilhagem  elaborada, efeitos especiais coreografia, suspense, humor e realização de cinema. E como se não bastasse este projeto passou 37 semanas seguidas no topo da Billboard e ganhou oito Grammys numa única noite. Antes de Thriller, a MTV ainda dava  pouco espaço para os artistas negros.

Depois de Michael Jackson que se tornou impossível de sustentar. Não pediu licença para entrar naquele espaço. Tornou-se demasiado grande para ser ignorado. A sua presença ajudou a derrubar uma barreira racial dentro de um dos maiores  canais de música do mundo. E depois veio o corpo. Michael Jackson não cantava apenas com a voz.

Ele cantava com os pés. Com os ombros, com os dedos e com o olhar. Em 1983, durante uma apresentação televisiva comemorando os 25 anos da Motown Michael cantou Billie Jean e apresentou ao grande público um passo que ficaria para a história: o moonwalk. Ele não inventou aquele movimento do nada. O passo já existia nas tradições de dança de rua e em performance anteriores de outros bailarinos.

Mas Michael fez algo diferente. Ele transformou o moonwalk num símbolo mundial. Depois daquela noite aquele deslizar para trás parecia pertencer-lhe. Não era só o moonwalk. A luva branca numa das  mãos tornou-se marca registrada. As meias brancas a aparecer entre a calça curta e o sapato preto faziam o  público ver melhor os seus pés.

O blusão vermelho de Thriller tornou-se um ícone. O chapéu inclinado o giro, a ponta dos pés o grito, o estalar do corpo o olhar fixo para a audiência. Tudo parecia fazer parte de uma mitologia cuidadosamente criada. Bom, o tempo passou e a vida de Michael Jackson rodeou-se de polémicas alterações físicas e problemas pessoais.

E, no entanto, Michael carregava  o peso de ser uma das pessoas mais famosas do planeta Terra. E foi precisamente aqui que os seus  começaram os problemas com o sono. O que começou na década de 80 apenas se agravou com o passar dos anos. A partir de meados dos anos 90 especialmente durante a sua digressão na Alemanha.

Médicos próximos de si relataram que Michael tinha extrema dificuldade em dormir por causa da ansiedade, stress, dores físicas e do ritmo intenso das digressões. Segundo os depoimentos, no julgamento após a sua morte foi precisamente durante esta digressão na Alemanha em 1996-97 que Michael recebeu o anestésico  em pelo menos duas ocasiões para tentar dormir algo extremamente invulgar.

Porque o propofol é um anestésico cirúrgico não um medicamento para a insónia. Um anestesista supostamente apagava-o à noite e depois despertava-o pela manhã antes dos compromissos da digressão. Na altura, aquilo poderia parecer  apenas uma solução extrema para um problema pontual Um artista exausto, atravessando  fusos horários sob pressão tentando descansar no meio de  uma rotina brutal de concertos.

Mas olhando em retrospetiva este detalhe torna-se muito mais sombrio porque aí aparece, talvez pela  primeira vez de forma clara uma ideia perigosa: a de que Michael Jackson não tinha de simplesmente dormir. Ele precisava de ser desligado. E esta fronteira entre repouso e anestesia entre o tratamento e o risco  voltaria a aparecer anos depois no momento mais decisivo da sua vida.

O tempo passou, Michael tornou-se  afastou-se das grandes digressões enfrentou acusações, julgamentos, isolamento problemas financeiros, alterações  profundas na sua imagem pública e uma relação cada vez mais complexa com os médicos medicamentos e dor. Mas mesmo depois de tudo isto o seu nome carregava ainda um peso que poucos artistas na história já tiveram.

E assim chegámos em 2009. Quando Michael tinha 50 anos e preparava-se para uma última  grande regresso aos palcos. Só que isso não aconteceu porque  adorava cantar e subir ao palco. O Michael precisava de dinheiro. É estranho pensar que, por  mais famoso que ele fosse nesta altura, Michael Jackson passava  por enormes problemas financeiros.

E isso aconteceu porque por mais  que ele ganhasse muito dinheiro O Michael também gastava muito. Só a manutenção da sua casa custava  cerca de 10 milhões de dólares por ano para além de que os diversos processos  judiciais que enfrentou consumiram milhões em custos legais. Só conseguia manter tantos gastos porque em 85 Michael tinha feito um dos  investimentos mais inteligentes da história da música comprando o catálogo ATV que incluía os direitos de publicação  dos Beatles por 47 milhões de dólares Dez anos depois, fundiu  este catálogo com a Sony

avaliado em 1 bilião de dólares. Mas ter património não significa dinheiro no bolso. Em 2008, Michael quase perdeu a Terra do Nunca. O rancho foi penhorado. Devia cerca de 400 milhões de dólares a diversos credores. Os bancos ameaçavam executar as suas dívidas. Ele precisava de dinheiro. Dinheiro verdadeiro em caixa. E agora.

Foi aí que surgiu a proposta da AEG Live. Uma série de concertos em Londres. Primeiro seriam dez apresentações, depois 50. O contrato previa que Michael  receberia milhões adiantados mais uma percentagem da bilheteira mais direitos sobre o merchandising. Era a salvação financeira que ele precisava mas ao mesmo tempo era também uma pressão gigantesca.

Michael não pisava um palco  para uma digressão completa havia mais de dez anos. Tinha 50 anos de idade tinha problemas de saúde e agora precisava de ensaiar, preparar-se e entregar 50 noites de espetáculo perfeito para uma plateia que pagou caro e esperava o melhor. Era a sua última cartada. E Michael sabia disso.

Todos os bilhetes esgotaram em tempo recorde. O mundo ainda queria ver Michael Jackson. Ainda queria ouvir aquela voz. Ainda queria ver aquele  corpo desafiar a gravidade. E ainda queria acreditar nem que fosse por uma única noite que o maior artista pop de todos os tempos poderia voltar a ser exatamente aquilo que sempre pareceu em palco.

O problema é que tudo mudaria numa noite. Em 24 de junho de 2009 Michael Jackson chega ao Staples Center cerca das 17h00. Ali encontra Eddie Alonzo um mágico que tinha sido contratado para criar a abertura do seu espetáculo. Eles conversaram durante um tempo e Eddie, chegou a comentar com os jornalistas pouco depois que Michael estava cheio de energia.

O ensaio de facto, começa às 09h00 e prolonga-se até depois da meia noite. Aí, Michael canta a sua última música, Earth Song uma canção que fala sobre  o planeta a ser destruído. Sobre o que a humanidade perdeu. Ao sair, afirma para o  figurinista e para o diretor musical: amanhã, às 14h00 estaria de volta.

Seria o primeiro ensaio completo do concerto. Michael chega a casa na mansão alugada em Carolwood Drive no bairro de Holmby Hills por volta da meia noite e meia e vai para o quarto minutos depois. E aí começa a parte que o mundo só vai descobrir meses depois, durante o julgamento. O Dr. Conrad Murray estava à espera.

Murray era cardiologista tinha conhecido Michael em Las Vegas em 2006 quando tratou um dos filhos do cantor. Em 2009, foi contratado  pela produtora AEG Live para ser o médico pessoal de Michael durante os preparativos para a digressão. O salário era de 150.000 dólares por mês e durante meses, pelo  2 meses antes da morte.

Segundo o acórdão, Murray  tinha criado uma rotina. Todas as noites, antes de dormir Michael recebia uma injeção de propofol. Esse é o nome do medicamento. É um anestésico geral o tipo de coisa que se recebe quando vai fazer uma cirurgia e precisa de ser completamente desligado. Normalmente é administrado em hospitais com a monitorização de múltiplos equipamentos com enfermeiros ao lado e desfibrilhadores acessíveis.

Mas Murray estava a usar isso  para adormecer Michael dentro de um quarto sozinho numa casa. Segundo os documentos do acórdão Michael acordou durante a madrugada e ligou a Murray com queixas  de desidratação e insónia. Era 01h00 e assim, iniciou-se uma série de aplicações que são, no mínimo, irresponsáveis.

01h20, Murray deu o diazepam e não funcionou. 01h30 da manhã, dois miligramas  de lorazepam injetado. Ainda nada. 03h00, 2 miligramas de midazolam e Michael continuava acordado. 05h00, mais dois miligramas de lorazepam. 07h30, mais dois miligramas de midazolam. Nada funcionava. Michael Jackson permanecia acordado e ele queria o propofol.

Segundo o testemunho de Murray Michael pediu repetidamente a injeção. Disse que precisava de dormir que tinha ensaio à tarde e que não conseguiria descansar sem ele. Mas estas afirmações ignoram completamente a responsabilidade ética do médico. Afinal, por mais que uma pessoa  implorar-te um medicamento a responsabilidade é sua de entregar ou não.

Às 10h40 da manhã do dia 25 de Junho de 2009 Murray administrou 25 mg de propofol por via intravenosa em Michael Jackson que finalmente conseguiu dormir. Mas o que fez Murray a seguir  é onde a história se transforma em crime. Logo após a injeção, Murray saiu do quarto. O propofol é um medicamento que  exige uma monitorização constante.

Qualquer anestesiologista do mundo diria isso. A substância pode causar apneia onde a pessoa simplesmente deixa de respirar e sem alguém a monitorizar o oxigénio frequência cardíaca e a pressão arterial ao lado qualquer intercorrência pode  ser fatal em questão de minutos. Murray foi à casa de banho, depois, segundos os  registos telefónicos apresentados no julgamento fez e recebeu diversas chamadas passando pelo menos 47 minutos ao telefone enquanto Michael estava sob o efeito do anestésico.

Uma das chamadas durou mais de três minutos. A pessoa do outro lado da  linha, uma mulher chamada Sadie disse aos procuradores que,  a certa altura da conversa Murray parou de falar. Ela ouviu sons que pareciam tosse e murmúrios e ficou na linha sem perceber  o que estava a acontecer. Foi provavelmente neste momento  que Murray voltou ao quarto e encontrou Michael Jackson já sem respirar.

E o que é que ele fez? Tentou uma  reanimação cardiopulmonar. Mas o que devia fazer e não fez era ligar para a emergência. Murray não possuía qualquer  equipamento de monitorização básico ou monitor cardíaco no quarto. O que é essencial para a utilização do propofol. Além disso, tentou  reanimar Michael ainda na cama uma superfície macia, o que torna o  massagem cardíaca completamente ineficaz.

Ele sabia que se a emergência lá chegasse e visse a quantidade de  medicamentos que Michael recebeu a sua carreira estaria arruinada. Por isso, Murray fez mais chamadas conversou com pessoas e tentou segundo a acusação esconder evidências do propofol. Quando finalmente um funcionário da casa ligou para o serviço de urgência eram já 12h21.

Desde o momento em que Murray encontrou Michael até à chamada para a emergência passaram 82 minutos. Tempo esse que poderia ter mudado tudo. Os paramédicos chegaram em quatro minutos. Encontraram Michael Jackson deitado na cama sem resposta, sem pulso e por  que iniciaram a reanimação. E Murray, nesse momento não contou aos paramédicos que tinha administrado propofol em Michael Jackson.

Continuaram a tentar reanimar Michael ainda dentro da mansão em Holmby Hills e depois continuaram durante  o transporte até ao hospital. E quando chegou ao  Centro Médico Ronald Reagan os médicos tentaram tudo o  que estava ao alcance deles colocaram cateteres utilizaram medicamentos fizeram procedimentos de emergência e chegaram mesmo a usar uma bomba intra aórtica numa tentativa extrema de  manter a circulação do sangue.

Mas nada foi suficiente. Às 14h26 do dia 25 de Junho de 2009 Michael Jackson foi declarado morto. E o que aconteceu nas horas seguintes é algo que nenhum evento mediático tinha feito até então. Durante alguns minutos, a notícia  ainda parecia impossível. Primeiro vieram os rumores. Depois os alertas nos portais e depois as confirmações.

E então, numa questão de instantes a morte de Michael Jackson  deixou de ser uma notícia e transformou-se num acontecimento global. O Twitter parou. A Wikipédia entrou em colapso. A Google pensava que estava sob ataque hacker porque o volume de pesquisas  por Michael Jackson disparou de forma tão rápida e simultânea que os sistemas não conseguiram processar.

Era como se milhões de  pessoas em diferentes países tivessem feito a mesma escolha ao mesmo tempo. Abriram o computador, pegaram no telemóvel ligaram a televisão e tentaram  confirmar se aquilo era verdade. E era, Michael Jackson o menino de Gary, Indiana o vocalista dos Jackson Five o artista de Thriller o homem que tinha transformado  videoclipes em cinema e concertos em acontecimentos históricos.

Estava morto. Nos dias seguintes o mundo continuou a acompanhar cada detalhe. Toda a gente que estava vivo naquele dia se se lembra de ver alguma coisa  sobre a morte de Michael. Depois veio o memorial no dia 7 de julho de 2009. 12 dias após a sua morte foi realizada uma grande cerimónia pública no Staples Center, em Los Angeles precisamente o local onde Michael havia ensaiado para a digressão This is It, pouco antes de morrer.

O memorial foi transmitido em direto para 2,5 mil milhões de pessoas em todo o mundo. Lá dentro estavam familiares, amigos, artistas autoridades e milhares de fãs sorteados por uma lotaria online. Mais de 1,2 milhões de pessoas  tentaram arranjar bilhetes para a cerimónia mas apenas uma pequena parte conseguiu entrar.

No centro da arena, diante de todos os estava o caixão de Michael Jackson coberto de flores vermelhas. Mas o momento mais recordado  da cerimónia veio no final a família Jackson subiu ao palco os irmãos, os filhos, os parentes e depois Paris Jackson filha de Michael, com apenas 11 anos tentou dizer algumas palavras ao público.

Chorando, disse que desde que nasceu O seu pai tinha sido o melhor  pai que alguém poderia imaginar e que ela o amava muito. Depois do memorial público o corpo de Michael Jackson  permaneceu sob os cuidados da família enquanto as questões legais, médicas e familiares continuavam a ser resolvidas. O enterro só aconteceu  mais de dois meses depois.

No dia 3 de Setembro de 2009 Michael Jackson foi finalmente  sepultado na Califórnia. A cerimónia foi privada restrita à família e a convidados próximos. Era o fim físico de Michael Jackson mas não era o fim da sua presença porque agora iniciaria a investigação para tentar perceber o que  tinha acontecido naquela noite foi apenas uma irresponsabilidade médica? Ou o rei da Pop tinha sido  vítima de algo muito maior? Em agosto de 2009 o médico legista do condado de Los Angeles concluiu a morte de Michael Jackson foi um homicídio.

A causa, intoxicação aguda por propofol com efeito contributivo das benzodiazepinas. Em fevereiro de 2010 Conrad Murray foi acusado de homicídio voluntário quando não se tem intenção de matar. O julgamento começou em setembro de 2011 e foi transmitido em direto  para o mundo inteiro assistir. A acusação tinha uma tese clara Murray criou uma rotina noturna  de administração de propofol num ambiente completamente inadequado sem os equipamentos mínimos necessários.

Abandonou o doente enquanto este estava sedado com anestésico geral e depois demorou  mais de 80 minutos para chamar socorro. Uma sequência de falhas que, somadas resultaram na morte de um inocente. Além disso, a dose de 25 miligramas  foi a que Murray admitiu. Mas os especialistas do julgamento provaram que a quantidade no corpo de Michael indicava uma infusão contínua semelhante a um soro hospitalar e mesmo assim, a defesa ainda tentou virar a mesa.

O argumento era de que Michael  havia-se auto administrado uma dose fatal de Lorazepam. Enquanto Murray estava fora do quarto que era o próprio Michael  que injetava um medicamento e que, por isso, a responsabilidade pela morte era dele. A acusação respondeu: independentemente do que Michael fez ou pediu um médico tem o dever de proteger o seu doente.

Não se abandona alguém sedado com propofol num quarto de uma casa. Isto é negligência? Ou melhor, isso é crime. Em 7 de novembro de 2011 após menos de dois dias de deliberação o júri declarou Conrad Murray culpado sendo condenado a quatro anos de prisão mas cumpriu menos de dois por desconto de bom comportamento.

Obviamente, perdeu a licença  médica nos Estados Unidos e em 2016 lançou um livro com as suas memórias. Em 2023, voltou a praticar  medicina em Trinidad e Tobago o seu local de origem. A família Jackson e os filhos de Michael  ainda tentaram processar a AEG Live a produtora que tinha contratado Murray alegando que a empresa sabia das  condições de saúde de Michael e negligenciou-a.

Michael estava sob um contrato rigoroso e receava que, se não fizesse os 50 espectáculos poderia perder o seu catálogo de música. Dias antes da morte, a 19 de junho Michael estava tão fragilizado  física e psicologicamente que o seu diretor sugeriu adiar tudo e mandá-lo para casa. Mas a produtora AEG Live fez uma reunião tensa na casa do cantor, pressionando  -lo sob ameaça de cancelar a digressão.

Deixando Michael arruinado financeiramente. Mas mesmo com tudo isto em 2013, após 21 semanas de julgamento o júri decidiu a favor da AEG do dinheiro que a digressão This is it teria gerado não sobrou nada. Só o documentário lançado  com as filmagens dos ensaios arrecadou 260 milhões de dólares nas bilheteiras.

Foi o documentário musical mais  lucrativo de todos os tempos. Mas aqui é onde a história se torna difícil de contar. E é precisamente por isso que  não podemos evitar. Michael Jackson não foi apenas  o maior artista pop da história. Ele foi durante décadas, o centro  de uma das mais intensas e decisivas polémicas da cultura ocidental.

Em agosto de 1993, Michael Jackson  foi acusado de abuso sexual por Jordan Chandler, um rapaz de 13 anos. A investigação criminal foi aberta. A busca foi realizada. Em 1994, o caso foi encerrado  com um acordo extrajudicial estimado em 23 milhões de dólares. Sem admissão de culpa por parte de Michael que queria ter ido a julgamento criminal mas a seguradora tinha o direito  contratual de resolver o caso e tomou a decisão final.

O acordo nunca foi provado como confissão mas também nunca deixou de ser utilizado como evidência de algo. Em 2003, um documentário denominado  Viver com Michael Jackson realizado por Martin Bashir mostrou imagens de Michael  segurando a mão de um menino de 12 anos chamado Gavin Aviso e dizendo que não havia nada de mal nisso.

Em novembro de 2003, Michael Jackson foi  formalmente indiciado por abuso sexual sequestro, fornecimento de  álcool à menor e conspiração. O julgamento criminal decorreu  em 2005, em Santa Bárbara. Foram 14 semanas de julgamento, com 14 acusações e em 13 de junho de 2005 o júri absolveu Michael Jackson de todas elas.

Foram quatro de abuso sexual quatro de intoxicação de menor. Uma de tentativa de intoxicação. Uma de sequestro e quatro de conspiração para cometer crimes. Há também a questão da aparência. Michael Jackson nasceu negro mas com o tempo a sua pele foi  ficando cada vez mais clara o seu nariz cada vez mais fino os seus traços cada vez mais distante dos traços com que nasceu.

Ele sempre disse que tinha vitiligo uma doença autoimune que  destrói a pigmentação da pele. E a autópsia de 2009 confirmou o diagnóstico. Além disso, em 83, Michael foi  diagnosticado com lúpus eritematoso também uma doença autoimune que causa a inflamação extrema da pele e sensibilidade ao sol. Estas duas condições somadas  tornaram a exposição solar demasiado perigosa para ele.

Mas a autópsia revelou também  o uso extensivo de monobenzone um despigmentante que acelera  e uniformiza o processo. Afinal, quando o vitiligo  atinge mais de 50% do corpo o tratamento médico recomendado é a despigmentação das restantes áreas. Só que tudo isto só ajudou a reforçar a imagem de Michael nos media, criando  teorias sobre o seu corpo os seus desejos e a sua vida.

Com isto, começaram a surgir diversas questões O que Michael estava a fazer  com a sua própria imagem? Estaria ele fugindo de algo? Estas perguntas não têm resposta fácil e qualquer pessoa que te  oferecer uma resposta fácil provavelmente está a mentir. Sabemos que foi criado por um pai violento que o submeteu a ensaios exaustivos desde os quatro anos de idade que nunca teve infância e que aos dez anos já era responsável pelo sustento da família.

Sabemos também que sofria  de insónia severa há décadas que tinha ansiedade extrema e ataques de pânico associadas a digressões e apresentações que tinha desenvolvido dependência de analgésicos após um acidente durante as filmagens de um anúncio publicitário da Pepsi em 1984 quando a sua cabeça pegou fogo.

Sabemos também que construiu Neverland um rancho com um parque de diversões zoológico e uma ferrovia privada e disse que estava a tentar  criar para outras crianças a infância que nunca teve. Sabemos que nos últimos anos antes da morte. Michael Jackson estava  completamente afogado em dívidas que atingiam os 400 milhões de dólares que Neverland tinha sido penhorado que o contrato com a AEG Live  era tanto uma saída financeira quanto uma aposta existencial.

E sabemos que nas filmagens  dos ensaios do This is It as imagens que o mundo inteiro viu no documentário lançado meses após a morte de Michael Jackson parece completamente vivo. Por mais que seja crucial lembrar que testemunhas referiram que  o filme ocultou completamente os dias em que Michael estava desorientado tremendo e incapaz de se lembrar das letras das suas próprias músicas.

Kenny Ortega, o diretor do espetáculo disse em tribunal que quando Michael estava na noite do ensaio de 24 de junho ele estava ótimo, que havia  momentos de pura magia. Mas, nesse mesmo dia, encontraria o seu fim. Bem, este foi o vídeo. Espero que tenha gostado. Deixe o seu like e subscreva o canal e ative o sininho para não perder nenhum vídeo que a gente publica.

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Valeu, falou um grande abraço do Tinôco. E lembre-se se a existência é passageira. Tchau!

 

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