A rotina de Aparecida dos Santos, moradora de Mairiporã, na Grande São Paulo, era marcada pelo trabalho duro e pela dedicação absoluta ao filho, Nicolas, adotado quando ele tinha apenas oito meses de vida. Dona Cida, como era carinhosamente conhecida na região, sempre foi vista como uma mãe exemplar, alguém que viveu cada fase da criação de seu filho com o mais profundo amor. No entanto, o que deveria ser um final de vida tranquilo para a mãe dedicada transformou-se em um pesadelo angustiante, orquestrado pela pessoa em quem ela mais confiava.
Durante três meses, a vida de Aparecida foi submetida a um plano de extermínio silencioso. Sem que ela soubesse, suas refeições diárias eram temperadas com venenos letais, administrados por seu próprio filho. O objetivo? Acelerar a sua morte para que o rapaz e sua namorada, uma adolescente de 17 anos, pudessem herdar a casa e todo o dinheiro que ela havia acumulado ao longo de décadas de trabalho. A ganância, aliada a uma frieza difícil de conceber, transformou o ambiente familiar em uma armadilha mortal.

O comportamento de Nicolas começou a mudar drasticamente após o início de seu namoro com a adolescente. O rapaz, que antes mantinha uma relação harmoniosa com a mãe, passou a ser agressivo, discutindo por motivos banais e ignorando os apelos da mãe para que terminasse o relacionamento, o qual ela considerava prejudicial. A namorada, longe de ser apenas uma espectadora, tornou-se a mentora intelectual do crime. Sentindo-se limitada pelas regras da sogra, ela convenceu Nicolas de que Aparecida era um obstáculo que precisava ser removido para que pudessem viver sem interferências e usufruir da herança.
A crueldade do plano não conhecia limites. O casal, utilizando a internet para pesquisar substâncias letais e métodos de assassinato, passou a misturar venenos de rato e de formiga na comida da vítima. Enquanto Aparecida sofria com náuseas, tonturas, dores inexplicáveis, inchaço abdominal e uma sonolência constante, o filho filmava o sofrimento da mãe e enviava as imagens para a namorada, como prova do progresso do crime. Além do atentado à vida, Nicolas aproveitou a fragilidade da mãe para desviar mais de 20 mil reais de suas economias bancárias.
A lista de alvos da dupla, contudo, não parava em Aparecida. A investigação revelou uma intenção de realizar execuções em série. A segunda vítima planejada era Margarida, irmã de Aparecida, que visitava a casa com frequência para cuidar da saúde da irmã e apoiar o sobrinho. A terceira pessoa na mira era a própria mãe da adolescente, que havia se posicionado contra as atitudes da filha. O objetivo era uma limpeza familiar completa, eliminando todos os adultos que pudessex representar um obstáculo à liberdade e à ganância do casal.
O desfecho dessa história de horror só não foi fatal devido à atitude vigilante de Margarida. Desconfiada da piora progressiva da saúde de sua irmã e intrigada com as movimentações financeiras suspeitas, a tia decidiu investigar. Ao confrontar o sobrinho e acessar o celular dele, que não possuía bloqueios, Margarida encontrou o registro detalhado de um assassinato em andamento. Prints de telas, fotos de substâncias tóxicas e áudios explícitos nos quais Nicolas e a namorada planejavam e cobravam a morte da “velha maldita” deixaram claro que o tempo de Aparecida estava se esgotando.

A denúncia imediata às autoridades policiais mobilizou equipes de Mairiporã e Guarulhos, que intervieram a tempo. Nicolas foi preso em flagrante dentro da residência. Em seu celular, a perícia encontrou provas irrefutáveis da trama macabra, desde a compra dos venenos até o desvio dos valores financeiros. A adolescente foi apreendida pelas equipes policiais e encaminhada às autoridades responsáveis, devido à sua condição de menor de idade perante a legislação brasileira.
O impacto da descoberta foi devastador para Aparecida. A dor física do envenenamento, que ainda será objeto de novas perícias para detalhar as sequelas, foi amplificada pela dor da traição. Em depoimentos, a mãe expressou sua total incredulidade diante do fato de que a criança que ela acolheu e criou com tanto zelo pudesse desejar sua morte de forma tão insensível. A comunidade local, chocada com a brutalidade do crime, manifestou solidariedade à vítima, que agora busca proteção e suporte psicológico para lidar com o trauma inimaginável.
Atualmente, Nicolas permanece em prisão preventiva, respondendo por tentativa de homicídio qualificado, tentativa de feminicídio e violência doméstica continuada. Se condenado, poderá enfrentar uma pena considerável, refletindo a gravidade de seus atos. A namorada, por ser menor de idade, aguarda as medidas socioeducativas adequadas para sua faixa etária. O caso, ainda sob investigação, reforça uma verdade trágica sobre os perigos da ganância e da ausência de valores humanos básicos, deixando uma cicatriz profunda na vida de uma família que nunca mais será a mesma. O episódio, que parou a região, permanece como um alerta sobre a necessidade de estarmos atentos, mesmo dentro dos laços que deveriam oferecer proteção e carinho.