VEJA AS COISAS ESCONDIDAS DEIXADAS POR CAZUZA APÓS A SUA MORTE

Foi aí que descobriu o segredo da própria vida. Porque o Kaza fora do palco era tímido, envergonhado. Ele mesmo contava isso. Mas na altura em que pegava no microfone virava outro. Saía de dentro dele uma coragem, uma intensidade que na vida normal não tinha. O palco não era trabalho para ele, era o lugar onde ele era finalmente inteiro.

E o empurrão para este palco veio do acaso mais bobo. Uns rapazes estavam montando uma banda e convidaram um amigo do Cazusa para cantar. O amigo não quis ir, mas em vez de só recusar, deu uma dica. Olha, tem o filho do João Araújo. Esse aí canta bem. Esse recado de nada, um amigo indicando o outro, mudou a história da música no Brasil.

Porque a tal banda daqueles rapazes era o Barão Vermelho e o filho do João Araújo estava prestes a virar Cusa para todo mundo. Em 1981, o Kaza entra pra banda daqueles rapazes, o Barão Vermelho. No começo não era nada demais, eram uns moleques numa garagem tocando música dos outros, sonhando alto como todo mundo sonha aos 20 anos.

Mas tinha uma diferença ali. Quando o Kaza começou a escrever as próprias letras, apareceu uma coisa que ninguém tinha. Ele não cantava sobre o mundo, ele cantava sobre o que sentia por dentro. E fazia isso de um jeito tão escancarado, tão sem vergonha de mostrar a ferida, que era impossível não prestar atenção.

Só que o sucesso não veio de uma vez. Ah, se veio o primeiro disco da banda lá em 82 passou quase batido. As rádios não tocavam. O pessoal torcia o nariz para aquele som diferente, meio bruto. E aí aconteceu uma coisa curiosa dessas que só a vida arma. Eles tinham uma música chamada Pro Dia Nascer Feliz. >> Pro Dia Nascer Feliz.

Hum. Pro dia nascer feliz. bonita, mas que não emplacava na voz da banda. Até que um cantor já consagrado, famoso, resolveu gravar essa música do jeito dele. E aí, pois é, na voz do artista famoso, a música estourou. As rádios que não queriam saber do Barão Vermelho começaram a tocar a música e o público curioso foi atrás de quem tinha escrito aquilo.

Foi assim meio pela porta dos fundos que o Brasil descobriu o Kazusa. E aqui entra uma cena que vale ouro. Naquela época tinha um dos maiores artistas do Brasil, um nome gigante desses que enchiam casa de show em qualquer lugar. E esse artista, no meio de um show dele, parou tudo para falar do Kazusa.

Disse pra plateia inteira com todas as letras que aquele rapaz ainda desconhecido era o maior poeta da geração dele. Olha o tamanho disso. Um dos maiores nomes da música brasileira parando o próprio show para apontar o dedo e dizer: “Prestem atenção nesse menino. Não é qualquer um que recebe um batismo desses.” Mas o Kaza não parou para saborear. Ele acelerou.

Em 84 veio o disco que estourou de vez. A banda virou a cara de uma juventude inteira, aquela molecada que queria viver sem pedir desculpa, sem pedir licença no corpo e na cabeça. E o Kazusa era o rosto disso. No palco, ele se jogava, provocava, beijava. Quem tivesse vontade de beijar, falava o que viesse na cabeça. Não tinha freio.

A plateia via naquele cara uma coisa que ela mesma queria ser livre. E teve um dia, no começo de 85, que entrou pra história. Aconteceu o primeiro Rocking Rio, aquele festival gigante que parou o país com um mar de gente, mais gente do que cabe em estádio nenhum. E o Brasil vivia um momento especial.

estava saindo de mais de 20 anos de ditadura, de governo militar e respirando liberdade pela primeira vez em muito tempo. Pega a cena então o Kazusa no palco com uma bandana amarela na cabeça cantando pro Dia Nascer Feliz na frente de uma multidão. Não era só uma música, era um país inteiro respirando aliviado, cantando junto, que um novo dia ia nascer.

Aquela bandana amarela virou símbolo. Até hoje ela é guardada como relíquia. Mas no auge de tudo, o Kaza fez uma coisa que ninguém entendeu. Ele saiu da banda. No meio do sucesso, com tudo dando certo, ele largou o Barão Vermelho. A explicação dele foi sincera, quase desconcertante. Disse que era egoísta demais para dividir o palco com os outros, que precisava dos holofotes só para ele.

Numa banda, eram cinco cabeças decidindo tudo, cinco opiniões e ele já não aguentava mais ceder. Essa foi uma coisa de de de esterilismo meu mesmo. Não vou dizer que não foi porque cheio de mania, sou chato mesmo. Então é para mim é muito difícil conviver em grupo. >> Queria ser dono do próprio caos e o caos com nome e sobrenome começou ali.

Ainda em 85 sozinho. Ele lançou o primeiro disco da carreira solo e foi aí que nasceu de vez o personagem que o Brasil ia amar, o exagerado, o cara que assumia na música e na vida. que era demais para qualquer medida. O público abraçou na hora porque o Kaza não cantava para parecer perfeito.

Ele cantava os erros, as paixões, as bobagens que todo mundo faz e ninguém admite. Cada um que ouvia sentia que aquele cara estava falando dele. Os discos vendiam, os shows lotavam, os prêmios chegavam. Em poucos anos, aquele moleque inquieto que largou a faculdade em três semanas tinha virado um dos maiores nomes da música do país.

Por fora era o auge, era a vida dos sonhos. Mas longe dos palcos, quando as luzes apagavam e a plateia ia embora, começava a outra vida do Kazusa. A vida que não cabia em disco nenhum. E é nela que vamos entrar agora. Tem gente que vive devagar. O Kazusa vivia no volume máximo. Tudo nele era noutá-lo. O amor, a festa, a bebida, a noite.

Para compreender, pensa numa parte do rio chamada Baixo Leblom, uma região de bares de boémia, onde a juventude da zona sul ia beber e ficar até ao sol raiar. Era ali o reino do Kazusa. Ele e os amigos tornaram-se figuras tão conhecidas naquelas noites que, pode crer, não é brincadeira não.

Eles entraram para um guia turístico. Isso mesmo que estás ouvindo. Um guia daqueles que indicam o que ver na cidade listou aquela turma como atração da vida noturna carioca. O cara tornou-se um ponto turístico de tanto que aprontava e aprontava mesmo. Os amigos contam histórias que roçam o inacreditável.

Subia para a mesa do bar, no meio de toda a gente. Chegava em concerto atrasado, completamente fora de si. Numa noite famosa, fechou-se no banheiro tão acabado que um amigo da banda teve de arrombar a porta para o tirar de lá. E na confusão, o Kazusa saiu com a cara ferido e subiu ao palco assim mesmo. Para ele parar era que era o problema.

Ficar parado, sóbrio, sem nada a acontecer, dava-lhe um tédio que ele não suportava. Ele bebia muito, usava drogas e não escondia. Falava abertamente, numa entrevista que precisava daquilo para não se aborrecer com a vida. E no amor era a mesma intensidade. O Kazusa gostava de homens e de mulheres com a mesma naturalidade numa época, anos 80, em que isso quase ninguém tinha coragem de assumir em público.

Ele assuma, vivia sem dar satisfações a ninguém. E aqui no meio desta noite toda, vem a parte desta história que vale a pena você guardar. Porque é fácil olhar para esta vida de exagero e pensar: “Ah, mais um artista rico a torrar tudo na farra”. Faz sentido pensar assim. A gente já viu este filme um monte de vezes com um monte de famosos, só que com o Kazusa, a conta não fecha desta forma, porque toda aquela vida de luxo, de noite, de exagero, ela não se tornou fortuna empilhada, não se tornou mansão guardada,

ela tornou-se outra coisa. Uma coisa que mais de 30 anos depois da sua morte, ainda está de pé, ainda nos alimenta de verdade, ainda salva a vida. O dinheiro do exagerado virou pão na mesa de quem mais necessitava. Mas calma que para essa conta fechar em condições, nós ainda tem um caminho pela frente.

Porque enquanto o Kazusa torrava a vida no volume máximo, o seu corpo começou a enviar um aviso. Em meados de 85, no auge de tudo, ele caiu. Uma febre altíssima, um mal-estar que ninguém compreendia. Foi parar no hospital com o corpo a ferver, 42º de febre. Os médicos trataram, ele melhorou, voltou à vida e todos pensou que tinha sido apenas um susto, uma pneumonia daquelas, coisa de quem se descuida e vive na noite.

Mas não era um susto qualquer, era o primeiro sinal, silencioso, disfarçado, de uma coisa muito maior que estava a começar a crescer dentro dele. Uma coisa que naquela altura ninguém queria sequer dizer o nome. Uma coisa que ia transformar o exagerado mais livre do Brasil no homem mais corajoso que este país viu subir num palco.

E é aí que a história do Kaza deixa de ser sobre festa e passa a ser sobre coragem. 29 de abril de 1987, o Kazuza recebe a notícia que ia partir a vida dele em duas. Ele estava com o vírus da SIDA, seropositivo. E para compreender o peso desta frase, você precisa de voltar à cabeça de quem viveu os anos 80. Porque hoje a Aides é uma doença que se trata, que se controla, que a pessoa vive com ela há décadas.

Naquela altura não. Naquela época ouvir que tinha o vírus era quase ouvir uma sentença de morte. A gente precisa de ser honesto sobre como era aquele tempo. Havia gente que não entrava no mesmo casa de banho, pai que não se aproximava do filho doente, hospital que recusava a paciente.

O medo era tão grande e a falta de informação tão completa que o doente de sida perdia tudo de uma vez, a saúde e o convívio com as pessoas. Era uma solidão dentro da solidão. Imagina receber uma notícia destas agora. Imagina receber no auge famoso, amado, com o país inteiro a cantar as suas músicas. O Kazuza chorou. Chorou no ombro de um amigo, o produtor que era quase um pai para ele na música.

E aí tomou uma decisão que mudou tudo. Ele decidiu não se esconder. A família levou ele para os Estados Unidos para tentar tratamento, porque aqui não havia quase nada. O medicamento que existia na época era um só fraco no início de tudo. Ele passou um tempo internado no exterior tentando segurar a doença.

Voltou ao Brasil mais magro com o cabelo mudado por causa do tratamento, mas com uma coisa intacta, a vontade de trabalhar, de cantar, de viver enquanto desse. E aí o Kazusa fez o que talvez tenha sido a coisa mais corajosa da vida dele. Em vez de desaparecer, de se esconder num quarto com vergonha, ele apareceu, continuou fazendo um espetáculo, continuou a gravar disco.

E os discos desta fase não eram de fuga, eram de encarar. Ele escrevia sobre a morte, sobre o tempo que estava acabando, sobre olhar a doença de frente. Tinha um verso dele que dizia que o seu prazer era agora risco de vida. Ele transformou o medo, que era um medo de todo o país, em música. Pegou aquilo que ninguém tinha coragem nem de falar e pôs a cantar na frente de todo mundo.

E o público sentia, mesmo sem saber bem o que tinha, mesmo com a boataria toda, as pessoas viam ali um homem que não fingia. Enquanto o mundo se afastava dos doentes, ele se aproximava da plateia, foi virando, sem querer, um símbolo de coragem. Até que veio o golpe mais baixo. Em abril de 1989, uma das maiores revistas do país pôs o Kazusa na capa e a Manchete, Prepara o Coração, dizia que ele era uma vítima da Aides, agonizando-o na praça pública.

Isso mesmo. Uma revista de circulação nacional estampou na banca de jornais para todo o Brasil ver uma foto do homem doente e a palavra agoniza, como se ele já estivesse morto, como se a sua vida fosse um espetáculo de horror para vender revista. E aí fica a questão para si, há quem diga que a imprensa estava só a informar, fazendo o trabalho dela, mostrando a dura realidade de uma época.

E há quem diga que aquilo foi pura crueldade. que transformar a agonia de um ser humano em manchete de capa é desumano. Não importa a desculpa. Onde é que fica o limite entre informar e humilhar? Eu deixo essa contigo aí nos comentários. O que se sabe é o que aconteceu com o Kaza quando leu a revista. Ele sentiu-se mal, a pressão despenhou-se na hora e ele teve de ser internado de urgência.

A própria repórter, tempos depois, demitiu-se. Aquela capa entrou para a história do Brasil. mas como exemplo do que nunca mais se deve fazer com um ser humano. E mesmo assim, vejam a força deste homem. Mesmo depois disso, não parou. Já muito debilitado, por vezes numa cadeira de rodas, por vezes deitado, gravou mais um disco inteiro.

Cantava deitado quando já não conseguia ficar de pé. O corpo ia falhando, mas a voz, a vontade de deixar alguma coisa para trás, esta só crescia. Ele sabia que o tempo estava a acabar e o que ele queria mais do que tudo era deixar algo que durasse depois que ele se fosse embora. O que o Kazusa não imaginava é o tamanho do que ele ia deixar.

E para isso chegamos à parte mais difícil desta história. >> O cantor e compositor Kazusa morreu hoje cedo no Rio depois de 5 anos de luta contra a Aides. >> 7 de julho de 1990, um sábado. O Kazusa morre no apartamento dele em Ipanema, no Rio. Tinha 32 anos, pesava 38 kg. O corpo de um homem feito reduzido ao de uma criança.

O pai contou depois de a morte ter sido serena. Ele estava a dormir quando teve a última crise. Foi-se embora calado, ele que tinha vivido toda a vida no grito. E aí o O Brasil parou. Mais de 1000 pessoas foram ao enterro. O caixão foi transportado pelos antigos companheiros de banda, aqueles mesmos rapazes da garagem que tinham começado tudo com ele.

Na sua lápide, a família mandou gravar o nome de uma das músicas mais famosas que deixou: O tempo não pára. >> Vejo um museu de grandes novidades. O tempo não pára. >> Pensa na força disto. O homem que cantou que o tempo não pára. sendo justamente alcançado pelo tempo, demasiado cedo, aos 32. Mas agora chegamos àquela pergunta que ficou a pairar desde o começo.

O que terá ficado? Um cara que viveu no luxo, no exagero, que enchia o espectáculo, que era filho de um homem poderoso? O que um homem destes deixa para trás quando morre? E aqui a resposta surpreende. Porque quando você vai procurar na esperança de encontrar mansão, frota automóvel, conta bancária rebentar, não acha.

Não tem registo de palácio, não tem iate, não tem fortuna guardada em seu nome. A maioria das pessoas, quando pensa num artista famoso dos anos 80, imagina exatamente isso, o património gigante, os bens de luxo. E faz sentido imaginar, porque foi assim com tanta gente, só que com o Kazusa, a história é outra. O que ficou dele de betão foi outra coisa.

Foram a roupa, os óculos, aquela bandana amarela do festival que se tornou um símbolo. Foram os manuscritos, os papéis em que escrevia as letras à mão com rasuras, com versos riscados e refeitos. Foram os livros que lia e anotava na margem, as fotos, as máquinas de escrever, a secretária, coisas de uma pessoa, e não de um milionário.

Coisas que contam quem ele era, não quanto ele tinha. E há aqui um pormenor i que precisa de ser dito com todas as letras para acabar com uma confusão. Muita gente ao longo dos anos misturou duas histórias. Porque o pai do Kazusa, o tal homem poderoso da editora, esse sim, deixou uma fortuna grande quando morreu, anos depois.

Uma herança considerável que inclusive rendeu história de família. Mas presta atenção, essa fortuna era do pai, do João, não do Kazusa. As duas coisas viraram uma só na boca do povo. E foi daí que nasceu o boato de que o Kazusa teria deixado riquezas absurdas escondidas. A verdade é mais simples e mais bonita. O luxo do Kazusa nunca foi de cofre.

Então o que era afinal o verdadeiro tesouro que ele deixou? Era a obra, eram as músicas, aquele monte de canção que ele escreveu na vida curta que teve e que mesmo depois de morto, continuou tocando, vendendo, emocionando. As músicas eram o patrimônio. Era ali que estava o ouro de verdade.

E olha que curioso, justamente por serem músicas, por continuarem vivas no rádio e na boca das pessoas, esse tesouro não parou de render. continuou trabalhando depois que ele morreu, como se o Kazusa seguisse de algum lugar, sustentando alguma coisa aqui embaixo. E sustentando o que exatamente? Foi com esse tesouro o dinheiro das músicas dele, que uma mulher transformou a dor mais funda que um ser humano pode sentir em algo que salvou centenas de vidas.

Essa mulher era a mãe dele e a história do que ela fez com a herança do filho é talvez a parte mais bonita de tudo. A mãe do Kazusa chama Lucinha e tem uma cena dela que diz tudo sobre o amor de uma mãe. Quando o Kazusa era vivo e morava ali, ele escrevia de madrugada, rabiscava a letra, amassava papel, jogava no lixo o que não prestava e ia dormir.

E sabe o que a Lucinha fazia? De manhã, ela catava aqueles papéis amassados do lixo. Os versos que o filho tinha descartado, ela alisava e guardava. Coisa de mãe ela dizia. Ela nem sabia naquela hora que estava aguardando o que um dia ia virar patrimônio do Brasil. Ela só não queria perder nenhum pedacinho do filho. E foi essa mãe que, na maior dor da vida dela, fez a maior coisa.

Quando o Casusa morreu, a Lucinha tinha duas escolhas. Podia se trancar na dor e ninguém ia culpar uma mãe que perdeu o filho único de 32 anos ou podia transformar aquela dor em outra coisa. Ela escolheu a segunda. Pouquíssimos meses depois do enterro, ainda com a ferida aberta, ela fundou uma instituição para cuidar de quem sofria da mesma doença que levou o filho dela.

E não era qualquer gente, era a gente mais esquecida de todas. Porque naqueles anos, com todo aquele preconceito que a gente já falou, tinha um tipo de vítima que partia o coração às crianças. Crianças que nasciam com o vírus e eram abandonadas pelas próprias famílias por medo, por vergonha, bebês que ninguém queria pegar no colo.

E a Lucinha abriu uma casa para esses meninos. uma casa de verdade, com cama, com brinquedo, com escola, com médico e com ela ali no meio, fazendo o papel de mãe de um monte de criança que o mundo tinha jogado fora. Lembra que lá atrás eu disse que o luxo do Kazusa tinha virado pão na mesa de quem mais precisava? Pois é aqui que isso acontece, porque essa casa custava caro para manter e quem pagava a conta mês após mês, ano após ano, eram as músicas do Kazusa.

O dinheiro que aquelas canções continuavam rendendo no rádio, nos discos, virava remédio, virava comida, virava colo para aquelas crianças. A própria Lucinha resumiu numa frase que diz tudo: “A instituição é sustentada com o dinheiro do Kazusa para e pensa no tamanho disso.” Ao longo dos anos, foram centenas de crianças acolhidas naquela casa, mais de 300 crianças que o mundo tinha condenado e que encontraram ali um lugar para viver com dignidade, pagas pelo talento de um homem que já tinha morrido.

O exagerado, o boêmio, o que vivia no volume máximo, virou, sem nem saber, o anjo da guarda de uma porção de gente que ele nunca conheceu. E é por isso que aquela pergunta do começo tem uma resposta linda. O Kaza não deixou mansão, não deixou o cofre cheio. Mas talvez nenhum artista rico desse país tenha deixado uma herança tão valiosa quanto a dele.

Porque a herança do Kazusa não enferruja, não desvaloriza, não acaba. Ela toca no rádio quando você menos espera. Ela aparece na voz de um filho cantando o que o pai cantava e ela vira a comida na mesa de quem precisa. No fim das contas, a vida ensina que a gente não leva nada, mas pode deixar tudo. O que o Cazusa deixou não foi o que ele tinha, foi o que ele era.

E isso, pode reparar, é o tipo de coisa que o tempo, por mais que não pare, nunca consegue levar embora. E você, o que achou dessa história? Me conta aqui embaixo. Você já conhecia o tamanho do que o Kazusa deixou para trás? Ou também achava que era só fama e dinheiro? E qual música dele mexe mais com você? Exagerado, o tempo não para ou Brasil? Deixa nos comentários, dá aquele like e se inscreve no canal para não perder os próximos, porque no próximo vídeo a gente vai contar a história de outro grande nome que o Brasil amou e que

guardava também um segredo que pouca gente conhece. Até lá.

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