Assim, nos primeiros anos, o empreendimento de Napoleão tornou-se um fracasso silencioso, com muito pouca sepulturas desoladas no meio da vastidão inquietante das suas alamedas vazias, até que uma solução tão engenhosa como macabra mudou tudo. [música] Em 1817, a administração decidiu transformar o luto em espetáculo.
[música] Uma tentativa de atrair prestígio, restos mortais de figuras [música] célebres foram para lá transferidos. Primeiro chegaram Molier e Jean de La Fanteni, depois os lendários amantes Eloí e [música] Abelar, reunidos num momento que ainda hoje transpira amor e tragédia. E a mórbida estratégia logo [música] surtiu efeito.
Da noite para o dia, o perlaches deixou de ser evitado e passou [música] a desejar. Entre nobres e plebeus. Em poucos anos, mais de 33.000 corpos foram sepultados [música] ali. Mas o sepulcrário guardava muito mais do que celebridades históricas. Oficialmente, existem mais de 70.000 túmulos visíveis. Um verdadeiro museu ao ar livre, com esculturas impressionantes, estátuas que choram e mausoléus [música] que parecem palácios em miniatura.
No entanto, contando ossários, restos antigos transferidos de outros cemitérios fechados e o imponente monumento aos mortos, o número de ocupantes indiretos ultrapassa 1 milhão de almas, número digno de uma verdadeira metrópole funerária. Quando as famílias param [música] de pagar a concessão, que pode ser de 10, 30 ou 99 anos, os restos são esumados, embalados e transferidos para o ossário.
O espaço, então, é destinado a novos ocupantes. E [a música] assim, ao longo dos séculos, os mesmos túmulos foram esvaziados e preenchidos vezes sem conta. Aí uma dúvida recorrente perpassava os pensamentos de entusiastas do paranormal [música] e dos que acreditam na vida após a morte. O que acontece com os espíritos que se acumulam dia após dia, enquanto observam em silêncio a sua existência terrena, [música] reduzida a ossos empilhados? E é este apenas mais um elo na intrincada cadeia do inexplicável, que faz-nos questionar se cemitério são
lugares de luz ou de trevas. Imagine um milhão de desencarnados habitando a escuridão e o silêncio dos túmulos e catacumbas, coexistindo por décadas a fio nas profundezas do mesmo espaço. O anjo de Perlachés. Mas os sinais [música] de que no Perlachés o véu entre os mundos é uma linha quase inexistente, surgiram imediatamente após [música] a realização precária do primeiro funeral.
Mais do [música] do que assustador, o caso comoveu profundamente e ainda hoje continua a intrigar funcionários e visitantes. Isto [música] porque a primeira alma a ocupar a necrópole não foi a de um nobre, [música] um fidalgo ou um artista famoso, mas de um verdadeiro anjo. Estamos a falar de Adelaide [música] Palhar de Vilanovo, uma menina de apenas 5 anos, faleceu tragicamente no dia 4 [música] de junho de 1804, logo após a inauguração do [música] Perlaches.
Nascida numa família pobre e sem recursos para pagar um jazigo permanente, Adelaide [música] não teve um cortejo grandioso ou uma lápide de mármore, [música] apenas um enterro discreto num túmulo temporário, no qual o seu corpo frágil só poderia permanecer durante 2 anos. Expirado esse prazo, [música] o corpo deveria ser esumado e encaminhado para o ossário.
Mas é aqui que a história da Adelaide toma um rumo inesperado. Segundo o folclore [música] francês, a primeira pessoa sepultada num novo cemitério torna-se a guardiã das almas daquele lugar. E o que era apenas folclore, em breve se tornaria uma das histórias mais enigmáticas e comoventes do Perlaches. [música] Conta-se que durante o discreto funeral, uma tempestade desabou do céu.
E ali, diante de um padre e de um coveiro, [música] o pai da menina tentava conter as lágrimas, enquanto a mãe, imóvel chorava num silêncio profundo e doloroso. [música] Quando a última pá de calou de vez a pequena cova, a chuva cessou subitamente [música] e o cemitério mergulhou num abismo silencioso. No final da modesta cerimónia, a pequena dela jazia sobre a terra fria, enquanto no seu túmulo solitário repousava uma única rosa branca.
O coveiro, porém, tomado de uma pena profunda pela criança, não suportou a ideia de que o seu frágil corpinho fosse removido como um objeto descartável. E, determinado a reparar tal injustiça, nessa mesma noite regressou à vala recém-fechada, desenterrou o caixão em segredo e o conduziu a um ponto distante da vasta metrópole.

Em seguida, sob a pálida luz da lua, numa cova improvisada e sem lápide, depositou o pequeno caixão de madeira e cobriu-o para sempre. Aos 5 anos, [música] Adelaide tornava-se a primeira alma abrigada na quietude eterna do Perelaches. Séculos se passaram sem que ninguém nunca soubesse o local exato onde o seu corpo fora sepultado. Mas depois daquela fatídica noite, dizem que o seu [música] espírito se tornou uma presença constante e protetora.
Desde depois, na ausência de um túmulo físico, os visitantes depositam flores, brinquedos e orações num ponto simbólico, localizado na chamada divisão 42. [música] Curiosamente, entre tantos monumentos transpirando riqueza e poder, este pequeno pedaço de chão tornou-se um dos locais mais visitados de [música] todo o cemitério.
Acredita-se que Adelaide, com a pureza de [música] uma criança, tenha-se tornado uma santa milagreira, um legítimo anjo na terra. Ela é a guardiã inocente, a alma que protege e zela por todas as outras desde o princípio. Até hoje, os visitantes solitários sentem uma presença infantil nas alametas mais afastadas.
[música] Uma mãozinha gelada que roça suavemente o braço. Um riso baixo e cristalino euando entre as árvores. Um olhar distante que parece vigiar em silêncio quem ousa aproximar-se da sua última morada. O desafio da baronesa. Entre todas as histórias que envolvem [música] o Perlachesa, poucas são tão inquietantes quanto a lenda associada ao túmulo de Elizabeth Alexandrovna Strogonovidov.
Diferente de outros nomes ali sepultados, cuja fama se apoia em feitos históricos, a memória da baronesa está profundamente ligada a um enigma sombrio que atravessou gerações e transformou o seu mausoléu em [música] um dos pontos mais temidos do sepulcrário. Mas esta história não se fica por aqui, não. Existe um outro facto relacionado a Amadam Stogonof, que é o seguinte: ela deixou um desafio antes de morrer no testamento dizend dizendo o seguinte: “Quem tivesse a coragem de passar um ano e um dia sozinho aqui no túmulo, dentro do túmulo
dela, fazendo-lhe companhia, herdaria toda a sua fortuna”. Gente, este história ela é real. Ela é real, ok? Em vida, Isabel foi uma baronesa russa extremamente rica, pertencente a uma linhagem influente e rodeada por luxo. Ainda assim, relatos apontam que a sua existência foi marcada por isolamento, melancolia e uma solidão persistente, o que terá culminado em uma das histórias mais aterradoras do Perlaches.
Conta-se que ao aproximar-se da morte, a baronesa teria proposto no seu testamento um desafio tão insólito quanto assustador. Qualquer pessoa que permanecesse no interior do seu mausoléu, por um período de um ano e um dia, completamente sozinha, herdaria toda a sua fortuna. A promessa de riqueza, embora tentadora, exigia um sacrifício extremo.
Uma vez aceite o desafio, o voluntário deveria enclausurar-se no Mausolelu em companhia do corpo da baronesa, completamente isolado do mundo exterior. Ainda, segundo o testamento, durante a noite, o local deveria ser iluminado apenas por velas acesas em redor do seu caixão. Ao longo dos anos, motivadas pela promessa de riqueza, a história afirma que diversas pessoas teriam tentado cumprir o desafio.
No entanto, nenhuma teria conseguido passar sequer uma noite inteira no local. Os relatos que ainda sobrevivem, transmitidos oralmente, descrevem pânico extremo. Os participantes que afirmaram ouvir passos que pareciam arrastar-se em sua direção, sons de vozes e risos agudos. E em casos mais alarmantes, alguns juraram ter visto o corpo da baronesa mover-se violentamente dentro do caixão.
Alguns destes indivíduos teriam abandonado o local em estado de completo desequilíbrio [música] mental, enquanto outros carregariam sequelas psicológicas permanentes. Ade ou lenda. Após os alegados acontecimentos, uma reputação ainda mais sombria se formou-se em torno de Elizabeth, que passou a ser conhecida como a vampira do Perlaches.

[música] A quem acredite que o suposto desafio proposto pela baronesa não teria como objetivo conceder qualquer herança, mas sim angariar voluntários para um banquete em que eles próprios seriam o prato principal. Claro que grande parte desta história permanece no campo das lendas do Perlaches, mas apenas por um momento, imagine-se fechado à noite ao lado do corpo da baronesa no interior deste mausoléu assombrado.
Os ilustres moradores. É neste ponto que o cemitério de Perlachesa revela a sua face mais [música] complexa. Porque nem tudo ali é dor ou medo. Algumas histórias são feitas de amor, mas nem o amor escapa às sombras. Junto à entrada principal, ergue-se o túmulo de Eloís e Abelar, protagonistas de uma das histórias mais [música] intensas e trágicas da Idade Média.
No século XI, Abelar, um brilhante filósofo e teólogo, foi contratado para educar a jovem Eloí, de apenas [música] 17 anos, conhecida pela sua inteligência incomum. O que começou por ser uma relação académica rapidamente se transformou num amor proibido, vivido em segredo, mais intenso [música] o suficiente para resultar numa gravidez e num casamento clandestino.
A descoberta do relacionamento provocou a fúria da família de Eloí, especialmente do seu tio, que [música] tomado pela indignação, ordenou uma vingança brutal. Rabelar foi atacado e castrado enquanto dormia. A partir daí, os dois foram separados pela força. Ele recolheu a vida monástica e ela [música] foi enviada para um convento.
Ainda assim, [música] continuaram ligados por cartas profundamente emocionadas, em que o amor [música] persistia, mesmo privado de qualquer forma física. Após o falecimento de Abelard [música] em 1142, Eloís pediu para ser sepultada junto dele. Séculos depois, [a música] os seus restos foram reunidos no Perlaches e uma lenda passou a circular.
[música] Ao receber o corpo da jovem, os braços dele se teriam aberto para acolhê-la [música] num último abraço. Hoje, os casais visitam o túmulo em [música] busca de bênçãos e promessas duradouras. Mas há quem diga que a meia-noite duas figuras [música] caminham de mãos dadas entre as alamedas, como se ainda procurassem na eternidade a paz que lhes fora negada [música] em vida.
E acredita que [música] os cemitérios possam ser tão assombrados? Adoraríamos ouvir a sua opinião [música] e se gostou do vídeo, não se esqueça de gostar, partilhar e deixar o seu hype. E para aqueles [música] que ainda não se inscreveram, este é o momento. Esperamos vê-los em breve. Até lá. M.