Romário de Souza Faria é, indiscutivelmente, um dos maiores nomes que a história do futebol mundial já produziu. Eternizado pelo seu instinto assassino dentro da grande área, pela frieza calculista na hora de finalizar e pela conquista heroica do tetracampeonato mundial pelo Brasil nos Estados Unidos em 1994, o eterno “Baixinho” construiu uma carreira recheada de glórias, golos milimétricos e polémicas estrondosas. Contudo, desengane-se quem pensa que, após pendurar as chuteiras, a lenda brasileira optou por uma vida pacata e longe dos holofotes. Muito pelo contrário. Aos sessenta anos, Romário continua a ser o grande protagonista das manchetes, mas desta vez os golos são marcados noutro campo: o da sua agitada, fascinante e escrutinada vida amorosa, caracterizada por uma preferência assumida e irredutível por mulheres muito mais jovens, muitas delas com idade para serem suas filhas ou até mesmo netas.
A vida do craque carioca sempre foi pautada por uma intensidade fora do comum. Se nos relvados europeus e sul-americanos ele não pedia licença para driblar os defesas mais duros do planeta, na sua vida privada aplica exatamente a mesma cartilha. Romário vive sob as suas próprias regras, desenhando um estilo de vida que contrasta fortemente com o moralismo e as convenções sociais tradicionais. A sua impressionante lista de conquistas românticas recentes inclui um desfile contínuo de modelos deslumbrantes, influenciadoras digitais de sucesso e estudantes universitárias que, na sua esmagadora maioria, não ultrapassam a barreira dos vinte e poucos anos. Para o ex-jogador, o amor, a atração e a química não conhecem certidões de nascimento, uma filosofia que ele exibe com um sorriso maroto nas areias quentes das praias do Rio de Janeiro.

O fascínio do ex-futebolista e atual senador da República por mulheres consideravelmente mais jovens não é exatamente uma novidade para quem acompanha a imprensa cor-de-rosa brasileira, mas a constância e a enorme disparidade etária destes relacionamentos têm gerado debates fervorosos. Nas redes sociais, o tribunal implacável da internet divide-se rapidamente em duas barricadas. De um lado, encontram-se os críticos mais ferozes que apontam o dedo a uma suposta imaturidade emocional do ídolo, acusando-o de viver uma crise de meia-idade perpétua e de se aproveitar do seu enorme poder mediático e financeiro para seduzir jovens em busca de fama e projeção nacional. Do outro lado, emergem os defensores acérrimos da liberdade individual, lembrando que Romário é um homem solteiro, adulto e financeiramente independente, que se relaciona com mulheres igualmente adultas e donas das suas próprias escolhas.
Mas o que leva tantas jovens a encantarem-se pelo veterano campeão? A resposta vai muito além do óbvio conforto material ou da curiosidade de namorar uma lenda viva do desporto. Romário possui um carisma magnético e uma autoconfiança inabalável que são, por si só, ferramentas de sedução poderosíssimas. Ele encarna o verdadeiro espírito do carioca “boa praça”: adora jogar futevólei em Copacabana ou Ipanema, promove festas épicas, lida com a pressão pública com uma naturalidade invejável e não se deixa intimidar por absolutmente nada. Para muitas destas jovens mulheres, a companhia de um homem seguro de si, que domina qualquer ambiente onde entra com o peso da sua própria história, acaba por ser profundamente atraente. O “Baixinho” oferece-lhes a entrada para um mundo exclusivo de privilégios, eventos de alto nível e uma vida sem rotinas aborrecidas.
No entanto, é impossível ignorar as inevitáveis e curiosas dinâmicas familiares que este estilo de vida acarreta. Romário é pai de seis filhos, fruto de diferentes relacionamentos passados, e a teia etária da família Faria roça frequentemente o limite do caricato. Não raras vezes, o ex-futebolista apresenta oficialmente namoradas que são mais novas do que os seus filhos mais velhos, como Romarinho ou Moniquinha. Lidar com uma madrasta que pertence à mesma geração, ou que é até mais nova, poderia ser motivo de conflitos titânicos em qualquer família tradicional. Contudo, o clã Romário parece ter normalizado esta realidade com uma dose considerável de humor e aceitação. Os filhos, conhecedores da personalidade forte e indomável do pai, adotam frequentemente uma postura de não interferência, apoiando a sua felicidade desde que o respeito seja mantido. Eles sabem que tentar enquadrar Romário nos moldes convencionais da paternidade e da conjugalidade seria uma batalha perdida à partida.
Outro aspeto absolutamente fascinante nesta narrativa é o contraste brutal entre as duas facetas públicas do craque. De segunda a quinta-feira, Romário veste o fato e a gravata para assumir a sua posição séria e formal nos corredores imponentes do Senado Federal, em Brasília. Ali, debate leis complexas, defende os direitos das pessoas com doenças raras e assume o papel de um estadista com responsabilidades para com o povo brasileiro. No entanto, assim que aterra no Rio de Janeiro para o fim de semana, o fato escuro dá lugar aos calções de banho, aos óculos de sol espelhados e à bola de futevólei. O político cerimonioso transforma-se imediatamente no playboy praiano, passeando de mãos dadas com belas jovens à beira-mar e alimentando as páginas das revistas de celebridades. Esta dualidade bizarra apenas reforça o mito de Romário. Ele é um dos raros exemplos de figuras públicas que conseguem navegar entre a seriedade institucional extrema e a boémia assumida sem que uma destrua totalmente a credibilidade da outra.

A resistência de Romário em ceder à passagem do tempo é notória não apenas nas suas escolhas amorosas, mas também na sua invejável condição física. O ex-jogador cuida meticulosamente da sua saúde, mantendo um corpo ágil e atlético através da prática diária de desporto, recusando-se a assumir a postura clássica e envelhecida de um “avô”. A sua juventude espiritual parece precisar, quase de forma simbiótica, de se alimentar da energia vibrante da juventude biológica das suas parceiras. Ao rodear-se de mulheres na casa dos vinte e trinta anos, ele mantém-se conectado a uma geração diferente, absorvendo as suas gírias, as suas tendências nas redes sociais e a sua visão de mundo, num esforço quase inconsciente de fintar o envelhecimento com a mesma mestria com que fintava os adversários na pequena área.
No final de contas, julgar Romário pelas suas preferências românticas é um exercício fútil. A cultura contemporânea, embora promova constantemente discursos de liberdade, ainda demonstra uma enorme dificuldade em aceitar disparidades de idade tão flagrantes, especialmente quando envolvem figuras altamente mediáticas. Mas se há algo que a história nos ensinou sobre o herói de 1994, é que ele não se rege pelas cartilhas da aprovação alheia. Romário é a personificação da rebeldia alegre, da autêntica recusa em ser padronizado. As suas namoradas passam, os relacionamentos muitas vezes duram apenas o tempo de uma estação mais quente no Rio de Janeiro, mas a sua essência permanece inalterada.
Enquanto houver sol em Copacabana, uma rede de futevólei armada na areia fina e o brilho característico nos seus olhos, o eterno camisola onze continuará a fazer aquilo que faz de melhor: ser o protagonista absoluto da sua própria vida. O Rei da Grande Área provou que o seu apetite insaciável pela vitória se estende a todos os domínios, colecionando corações com a mesma facilidade natural com que colecionava golos, deixando a sociedade agarrada aos seus próprios preconceitos enquanto ele, tranquilamente, continua a gozar a vida no pico da onda.